30.9.07

Mobilidade caramela II


Já dissemos coisas parbas de abiões e até já foi limbrado (aqui nas cumbersas da coletbidade), aqueles caramelos que tiraram o brébê no intigo abião do parque. Mas a nossa mobilidade na acaba nos abiões. Após bários estudos clandestinos feitos palmo a palmo à linha do cumboio berificaram-se bários fenómenos que só têm paralelo na CP do sul da Índia e nas províncias do interior de Moçambique.

Belhos são os tempos em que uma pessoa podia ir de cumboio de Algeruz à Jardia, ou da Lagoa da Palha ó Poceirão, ou do Pintiado à Benda do Alcaide, ou… Bem, isto quer dzer que agora tá tudo acabado e até na estação do Pinhal Novo só param os cumboios que bão pra Madrid, e ninguém bai feito parbo pra Madrid cumprar uma dúzia de ovos caseiros, se tem a reforma agráira logo aqui à mão.
Foi berificado que, à medida que as estações e apeadeiros foram fechando e os cumboios foram passando em alta belocidade sem parar, os caramelos aperfeiçoaram a técnica de embarcarem no cumboio em movimento usando zundápes a punho cerrado a açaparem lado a lado (na recta do Poceirão), pró pendura poder saltar par drento do cumboio im segurança. Até se contam muitas histórias sobre a maneira elegante de como as caramelas voavam das zundapes para o estribo da carruaige sem mostrar as cuecas e sem despentearem os seus belos caracóis.

Uma outra técnica era apanhar o cumboio em movimento, saltando do alto das pontes pró tejadilho das carruaiges, usando uma manta pró frio e sintir o conforto da queda. Com o tempo tudo isto acabou porque a Fertagus abançou com uma espécie de cumboios escorregadios que na dá pra ninguém se agarrar e ainda por cima incheram os tejadilhos com cabos eléctricos de alta tensão prós caramelos nã se chegarem lá perto.

Temendo que a Nação Caramela retire oficialmente os cumboios da sua belhíssima cultura ferrobiária, remetendo os cumboios ao desprezo, a FLC anda a estudar táticas de apanhar estes cumboios com potentes ventosas. Os testes já foram efectuados com resultados satisfatórios. E porque o caramelo é um ser que se adapta facilmente a soluções brabias, acreditamos que ainda é possíbel sustentar o cumboio na nossa cultura, quanto mais na seja pra saber onde fica o lado Norte e o lado Sul da nação!

Mas… pelo sim, pelo não, já está no nosso pinsamento, muitas outras formas de transporte, como por exemples o transporte pudaleiro-caramelo e o transporte equídeo-propulsionado como se pode berificar na feira aqui na nossa capital. Mas há muitas mais formas de como o caramelo do futuro bai andar dum lado pró outro, e isso é o que a gente bai ber já nos próximos dias.

25.9.07

Mobilidade caramela I

Há cerca de 90 anos atrás, forças governamentais pediram aos mais altos técnicos caramelólogos da FLC para fazerem um estudo pra um aeroporto na nossa nação. Nessa altura, em relatório final podia ler-se que “se o nosso pobo nã precisa de andar por esses ares pra ir dum lado ao outro do Rio Frio, intão é porque o melhor é dixar os céus por conta da passaraige.”
Não convencidos com os resultados, foi pedido outro estudo, mais a fundo, de onde se concluiu que “além do Rio Frio, os abiões tamém nã prestam par lebar os moradores duma ponta à outra do Lau.” Contudo, nesse estudo, após um meticuloso cruzamento de dados, chegou-se à conclusão que “quando os abiões andarim baixinhos pode ser benéfico à cultura da fuguetaige nocturna, porque é possível um patardo infiar-se drento da turbina dum Airbus 340, multiplicando o som marabilhoso do rebentamento e o seu enfeite pirotécnico.”

Depois deste relatório foi abandonada a ideia do aeroporto em território caramelo até aos dias de hoije.

No entanto, por auto recriação, a FLC continuou a fazer mais e mais e mais e foi concluído que “os abiões tamém na serbim pra ir da Palhota à Benda do Alcaide, nim dos Cajados à Fonte da Baca, nim dos Batutes a Bal da Bila, nim dos Arraiados ó Marcado do Pinhal Nobo. Só ontem é que se descubriu que talbêz… talbez, o pobo carmelo precise dum abião pra ir pra Troia, à praia, quando os Ferry-boats forim parar a Grândola.” Os estudos vão continuar.

Enquanto se aguardam novos resultados, a Junta de Freguesia da nossa capital (aconselhada pela FLC) bai desembolbendo alternatibas à mobilidade caramela tais como a cabalaige, carroças e bcicletas e outras soluções ingenhosas.

Aguardam-se grandes surpresas na forma como o caramelo do futuro bai andar dum lado pró outro.

20.9.07

Última Hora:
Especialistas internacionais detectam referências à FLC na mais recente mensagem de Bin Laden

A notícia pode alarmar toda a nação caramela e denegrir o nosso bom e pacífico nome. Segundo a Rádio Antena Caramela, alguns especialistas internacionais em descodificação de mensagens binladeanas, afirmam que a sigla da FLC aparece mencionada pelo menos duas vezes e meia na última mensagem de Bin Laden e alguns deles dizem mesmo ter encontrado a palavra caramelândia no discurso deste homem.
A FLC saiu à rua e foi questionar algumas importantes personagens caramelas, sobre qual a sua opinião a raspeito de assunto tão delicado. Ficam aqui algumas reacções, que os nossos enviados especiais conseguiram desatarrachar da quecharra do bom pobo caramelo.
Celestino Bombista, home rijo e presidente da Confederação dos Círios Caramelos e Lançadores de Fogo Rijo, taba em reunião secreta na capital sagrada da foguetaige – Atalaia- mas mesmo assim nã se acanhou de dezer o que pensa:“Ora bem…(pausa pa meter uma mine nos quexos)… par mim isto ó são pinsamentos parbos desses homes…(bai nobamente a mine dincontro ós quexos…) desses homes comê dzia, os desimparbalhadores de mensaiges, ó atão ei a nossa Antena Caramela que singanou, mas ê cá bou mais pa primera aposta quê cá nã sei o que bai na cabeça desses homes que debem mas ei de pinsar na sua bida e dixarem de opinar sobre coisas má párbas cum foguete das festas das bindimas. E algma bez esse Albino Laden tebe por aqui? Era logo corrido a fogo rijo de criar bicho caté apanhaba medo! Ele que benha à Atalaia, se ei home”. Para Balentim Desidratado, presidente do Futebol Clube do Forninho “só pode ser uma noticia sim chispes nim cabeça. Atão álgma bez esse home disse isso? Nunca óbi nada, bão mas ei bardamerda amais essas notícias. Cá par mim, debe de haver palmelões infiltrados na Antena Caramela”. Já Toino Fraticida, especialista em Política caramela internacional, afirmou (enquanto cortava o cabelo no Álvaro Barbeiro na capital caramela) que “não faz parte do espírito do pobo caramelo a garreia com esse tipo de armas-bombas (…). As armas desses tarroristas não são as nossas, nós somos mais punhada e latada de criar bicho (enquanto soletrava estas palavras, a tesoura zunia à volta da sua cabeça com golpes de mestre)… o home caramelo nã ei um home-bomba, ei um home de hábitos de garreia local e sabe pouco de geografia mundial.”
De regresso à nossa sede, encontrámos ainda Albino dos Ácaros, a caminho da Palhota, que se prontificou a encostar a sua carrinha de caixa aberta na berma da estrada (Albino recolhe colchões ao domicílio, quando não está na Raforma Agraira). Quando o questionámos sobre este assunto, encolheu os ombros, fez o gesto do Zei Pobinho e gritou: “Bão trabalhar malandros! Temos cá bombaria, mas cum chero!”. Dito isto, alçou rapidamente umas das pernas, e já de costas para nós, antes de entrar na fragnete, descarregou um mortero dos seus,. Apesar de estarmos em campo aberto, tibemos de ebacuar.
A FLC não dará qualquer resposta oficial a esta notícia, pois o povo caramelo nas pessoas de Celestino Bombista, Balentim Desidratado, Toino Fraticida e Albino dos Ácaros já desseram tudo.
Biba o Pobo Caramelo! Biba à Paz Caramela!
E MAI NADA.



15.9.07

Consultóiro do Dia-a-dia

Aqui podes fazer as tuas précuras e dizer dos teus aleijões e brotoeja. A FLC tem um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.
Pargunta:
Olá, senhores da FLC, eu sou o Fernando Oliveira da Silva e moro nos Batutes. Vim para aqui morar por ser uma zona calma e aprazível e repleta de espaços verdes. No entanto, por ser uma zona do campo, e estar junto dos autóctones ditos “Caramelos”, o meu filho mais novo passou a querer apanhar grilos. Primeiro achei muito estranho, e confesso que nem simpatizava com os Caramelos, por isso quis esclarecer-me. Em Agosto dirigi-me aos serviços camarários, em Palmela, para me orientarem sobre esta prática que, segundo se diz, é comum entre os mais novos aqui nesta região. O problema é que não obtive qualquer resposta, o que me indignou profundamente. Por isso é que me dirijo a V/ Exas da FLC para obter uma resposta concreta sobre a prática da apanha do grilo e de como posso ajudar o meu filho a apanhar esse insecto, assim como converter-me à cultura caramela. Obrigado pela atenção.
Resposta:

Oh meu rapaz, bocemecê beio ter cum a maltezaria certa pra saber tudo sobre a grilaige, e mais: para ser abençoado pela irmandade caramela.
Im primeiros, amandamos já um foguete pró ar por sabermos que o seu pingarelho mais nobo está a integrar-se muito bem na nossa cultura querendo apanhar a bxeza, principalmentes o grilo que é cunsiderado um dos tenores mais simpáticos da nossa terra, hã?


Antes de mais conheça bem o grilo:
Fique logo sabendo que o escunderijo preferido do grilo caramelo (gryllidae caramellae) é debaixo das pedras da linha do cumboio e, por isso, no princípio da CP, a sinalização nocturna das passaiges de nibel era feita com seu marabilhoso cantar. Quando a grilaige se calava era porque o cumbóio tava a 3 metros de passar, tornando-se um sinal importante que salbou muitas das nossas bidas, fazendo do grilo um animal sagrado.

Hoije im dia ainda, mesmo sem passaiges de níbel e com os cumboios da Fertagus, ainda há alguns grilos nas pedras da linha, mas já na é como intigamente. Por isso é melhor bocemecê ir procurar eles nos nossos aceiros, quintais e baldios que é lá que eles se incontram.

Bora intão lá procurar eles.
A qualquer hora do dia dê um passeio a pé, acocorado amais o seu filho, a olharim pró chão como quem procura uma moeda de um cêntimo… Ah! IMPORTANTE: é muito importante que apanhem uma palhinha dum pasto qualquer e amostrem bem ela, pra que toda a gente perceba que bocemecês andam ós grilos e não na apanha de moedas pois isso poderia trazer quezilas ós caramelos mais brabios.
Portanto não deslarguem as palhinhas e bão sempre andando, andando, andando, sempre de cócoras, andando, andando até incuntrarem um buraquinho no chão. Um buraquinho com a largura dum dedo. Esse buraquinho é uma toca. Lá drento tá um grilo. Agora bai ter que tirar ele lá de dentro.

Bora intão tirar ele:
Infie a palhinha drento da toca e escarafunche aparbalhadamente pra provocar cócigas ò bicho que tá lá no fundo a pinsar na bida. O grilo, incomodado com a palhinha, resolbe bir cá fora (de marcha atrás) ber o que é que se passa com o raio da palhinha. No pinsamento dele é bocemecê que está feito parbo a fazer má vizinhança. Nesse preciso momento bócê apanha-o com a mão, sem ter um ataque de nerbos ao sintir o bicho a remexer dentro da mão.
Repita a operação nos outros buracos que incuntrar no chão e apanhe tantos quantos encuntrar.

Lebe eles para casa e meta eles dentro de caixas de sapatos com uma folha de alface da Reforma Agráira. Cada grilo sua caixa, cada caixa uma alface e espalhe elas pela casa toda.
Se quiser óbir o seu marabilhoso cantar, espere pela madrugada e tem companhia a noite toda.

No dia seguinte, com olheiras, deslargue eles à natureza e cultive o gosto pelo grilo a toda a bizinhança.
Quanto a bocemecê ficar caramelo de berdade, isso é outra cumbersa cagente bai ter um dia destes.


resposta de:
Toin Exacerbado – Biólogo da Associação Caramela da Caçadeira de 5 Tiros

9.9.07

Cuiratos com Açorda 400

Chigámos ao episoide 400 dos “Cuiratos cum Açorda”, a nobela sonora, falada totalmente em caramelo, olserbada não só no nosso territóiro mas tamém no resto do mundo, graças às nossas balentes antenas escundidas dentro das palmeiras podres do Pinhal Novo (é por isso é que elas têm uma argália e esta foi a solução que a FLC encontrou para dar às palmeiras secas uma berdadeira utilidade pública).

Para quem estebe a dormir este tempo todo, qui bai o resumo dos últimos 236 episoides:


têm andado todos descunfiados uns cus outros, numa tramóia caté parecem barizes.
Portanto a história está prestes a dar uma bolta de 360º e toda a gente fica de olho aberto prá televisão, até criar ramela.


Agora é o resumo do tão esperado episoide 400


Venãiça da Verruga bai à pressa cumprar fórfos à Cumpratiba, dobra a esquina dos Bumbeiros e dá um incontrão à Graciete do Corrimento que deixa cair um saco de alpista.
- U qué q’ andas aqui a chirar?!! – inquiriu Venãiça assustadiça.
- Óh!! Bim cumprar alpista aqui à cumpratiba, na tás a ber?
- Tou, mas tu nã tens passaraige!! Eu é que tenho!!! – disse Venãiça descunfiada.
Entretanto Chispalhudo (o home da Venãiça), espreita-as secretamente atrás do muro do Pinhalnovence. Venãiça continua:
- … E tu biestes de Baldera aqui à Cumpratiba cumprar alpista?!!! Uummm, essa alpista cheira-me a esturro, mazé! Qualquer dia ainda t’apanho c’um balde de bolotas na Cambra de Palmela!
- Bolota na Cambra de Palm...
Chispalhudo sai a correr com uma gaiola na mão (muito esquivo e suspeito), im direito à Junta do Pinhal Novo.
- Oh! Mas aquilo que bai ali a correr c’uma gaiola nã é o meu Chispa?!!! – exclama Venãiça nerbosa.
- Pois!… Bem que m’sim! – diz Graciete do Corrimento a escunder a alpista.
- Hããã?!!! – grita a Venãiça com a sua verruga já incandescente, às pulsações, caté os bombeiros pegam logo nas mangueiras e ligam o alarme de incêndio.


Nesta altura já o espectador tá com o pescoço suado com tanto suspense caramelo e imagina o que bai na cabeça de Venãiça da Verruga:
Alpista/gaiola; gaiola/passaraige; passaraige/pássara; pássara/passarinha; hã? passarinha/ Mau! Já temos porras no capacete.


Eis a gaiola suspeita de Chispalhudo, num momento crucial da nobela.

E agora o que é que bai acontecer?


Não percas os próximos episoides de Cuiratos cum Açorda, se não, ainda te apanham a cumprar granulado na Pousada do Castelo de Palmela em vez de estares a comer intramiada nas largadas das Festas da Moita.


Qualquer semelhança dos acuntecimentos e das personaiges cum a bida real tá logo a garreia armada.

2.9.07

A berdade do binho caramelo

A Frente de Libertação Caramela, tem tado às escundidas nos elebadores da REFER (na pasaige subterrânea da Compratiba) desde as festas do Pinhal Novo. Esta grande ausência debe-se principalmente aos trabalhos preparatórios a sua noba temporada rebolucionária para a libertação de todos os caramelos.

“Basta intão que sim!”, disse o Chefe da FLC quando soube da existência das festas Palmelonas, a olhar fixamente pró morro do castelo e a palitar o seu único dente com um pau de fórfo.
Desta maneira, a ALEC (Autoridade para a Libertação da Economia Caramela), membro armado da FLC, foi imbestigar a falsificação dos rótulos (com cães chiradores especializados) e pôr a descoberto a berdade dos nossos binhos e pomadas. É que os palmelões, desde sempre inspirados nas técnicas do Marcado do Pinhal Nobo, metem rótulos falsificados pra dizerem que fazem grandes coisas. Toda a gente sabe que os binhos caramelos são bítimas desta camuflaige, pois são bendidos como se fossem de Palmela. Mas não são!
Esta prática palmelona que já tem bárias décadas, não só tá a irritar as comunidades caramelas como a canzoada em giral. “A nossa cultura está ofindida e isto bai ter de acabar já, se não…! ... O único binho feito mesmo im Palmela é amassado durante as festas lá im cima dum tractor e é bom prás saladas e prá mosquitaige” disse o chefe adjunto do Gupo Caramelo “Os Amigos do Vinagre”, grupo esse que tem como membro honorário a vereadora da cultura das forças Palmelonas.

Graças à intervenção da FLC e da ALEC, serão arrancados e queimados os rótulos palmelões dos nossos binhos e, à bista de toda a gente, serão colados (com um cuspo especial) os nossos próprios rótulos com a marca caramela “Binho de Catigoria da Região Independente da Caramelândia”.

Feito isto, a nossa cultura ficará mais sadia e as festas das bindimas de Palmela bão ter que mudar de nome para Festas do Morro.

7.6.07

A FLC saúda as festas populares de Pinhal Novo

Após a longa ausência a que a FLC se viu obrigada, estamos de volta, mais fortes e destemidos do que nunca, prontos a proclamar o caramelismo puro e a brabeza e balintia do nosso povo. Mais tarde explicaremos em detalhe as razões desta prolongada ausência, assegurando que todos os caramelos e caramelas podem contar com a nossa determinação para que a libertação da nação caramela seja um dia realidade tão clara como a de um meio bidon em plena fumegação a assar coiratos, ou o som de uma mine nos beiços de um home ao sol na planície caramela.
Saudamos calorosamente mais uma edição das festas populares da capital, festa do povo que baidoso se ingrandece de um reconhecimento da sua identidade.
A FLC apela aos organizadores para que este reconhecimento não seja apenas para o povo ver (e se ver) durante esta época, mas que durante todo o ano, a imensa nação caramela se orgulhe do seu caramelismo livre e selvagem, e possa sair à rua com a brabeza estampada no rosto.
Viva a Festa! Viva a FLC! Viva a Nação Caramela!

26.5.07

Márinho das Cumbersas Parbas

Ao cuntráiro que muita gente pensa, a FLC tem estado em grande actibidade clandestina, sempre pela libertação do seu povo. Entre essa catrefada de actibidades, a FLC criou o Centro de Desimbolbimento do Discurso Político-Caramelo (CDDP-C) que tem dado resultados estrondosos na bida de todos os cuntribuíntes, dentro e fora das nossas fronteiras.

Este Centro, totalmente feito em terreno alagadiço, conta com grandes especialistas relacionados com a cabeça do ser humano em giral. Dessas personalidades temos por exemples atordoadores (por punhada na nuca), descodificadores de cumbersas parbas, ingenheiros (inscritos na Ordem Caramela), psiquiatras e muitos mais. Este centro é totalmente chefiado por caramelos que defendem o arroto da mine como alternativa à oratória política.

Na berdade, o CDDP-C tem sido frequentado por grandes personalidades da bida política lusitana para se especializarem no seu discurso, segundo as nossas técnicas. Quase todos eles comprovaram a eficácia do Arroto-Da-Mine como poder de síntese de todo um pensamento político, sem esquecer o poder apelativo capaz de atrair a atenção das grandes massas.

Um dos nossos principais clientes tem sido o Máiro Lino (mais conhecido no Reino Caramelo como o Márinho das Cumbersas Parbas) que desempenhou com distinção uma dos nossos exames mais difíceis, o exame de cegueira “Olha prá Margem-Sul da Vala da Salgueirinha e diz o que é que vês”. Este exame foi grabado numa cassete e é aqui transcrito.

***

Marinho das Cumbersas Parbas foi colocado descalço dentro da Vala da Salgueirinha a olhar para a margem sul.

- Marinho, diz lá aqui pà gente todos, bês aqui alguma cidade?... Esquece lá o Intermarché, ou a Cumpratiba das Farinhas, mas… Olha bem… Bês aqui alguma cidade? Hã?
- Não! Vejo apenas umas canas. Só canas.
- Assim é que é, Márinho. E bês aqui assim alguma escola ou algum hotel? Hã?
- Não. Vejo apenas um pneu velho que os ciganos deitaram para aqui no último mercado!
- Ahhh lindo Márinho, assim é que éi! E o que bês mais Márinho? Diz à gente, diz… Não bês ali umas óbelhas, umas óbelhinhas? Hã? E o que é que elas fazem?
- Ovelhas! Sim vejo umas ovelhinhas e fazem mééééééééé
- Jámééééé, Márinho, em discurso político diz-se Jámééééééé.
- Sim, Jáméééééééé.
- Lindo Márinho, e agora para acabar, olha bem para a margem sul… esquece a passaraige a aboar e a poisar. Bês algum aeroporto? Hã?
- Vejo um deserto. Apenas um deserto, só areia… Um deserto…
- Muito bem Márinho. Agora bebe uma mine e arrota. Estás pronto para o discurso político. Se te parguntarem “O que é que vês na margem sul?” basta lembrares-te deste exame e toda a caramelaige vai-se rir à parba.


A FLC sempre à frente do poder.
Sempre pela libertação do povo caramelo.

4.3.07

AI ELES, ELES!

A Rádio Antena Caramela, organização conspiratiba de grande interesse para a libertação da Caramelândia, (com o estúdio movediço dentro dum mata-velhos de caixa aberta, com um osso pindurado atrás, prá canzoada correr a rosnar e meter respeito), está a fazer uma série de intrebistas clandestinas à população pra saber quem são eles afinal.

Assim, pela primeira bez em 30 anos, um dos jornalistas encartados da FLC saiu disfarçado de gaiteiro dos círios dirigindo-se com uma gaita de foles junto da população, com um gravador dentro do fole e o microfone na ponta da gaita e meter-se com a população em giral.

A entrevista que se segue é um exemples. Foi feita à porta da capela, quando três reformados anónimos olserbabam o cartaz do morto do dia. Aconteceu às 15:00 do dia 10 de Fevereiro de 2007.

Jornalista da FLC- Ora munto boa tarde. Quer dzer intão que cá tamos aqui ó pé da capela, hã?!! Eu sei!... Isto na há bergonha nhuma, eles… Bem… eu nim sei dzer!..
Os três homes olham um pouco descunfiados prá gaita do nosso jornalista impontada pra eles, mas isso passou e desimbolberam a intrebista por sua recriação:
- Eles?! Eles na balim nada, são mazé uns…
- Uns quê!!! O que eles querim é tacho e na fazer nada e agente agora é q…
- Ouça lá bocemecê, esta capela na tava aqui se eles…
- Eles na balim é nada. Isto é assim, oiça lá mazé: o que eles querim é…
- Olhe lá becemecê: na vê que eles tão todos metidos n…
- Qual quê, mestre Lourenço, eu já bi eles a ….
- Bocê já biu, bocê já biu!!!... Eles é que andem de olhos ab…
- Oh! E agente?!!!
- Agente?!! Eles!!!
- Sim eles!... Oh!
- Ó home teja calado porque eu sei bem do que bou dizer, eles é que…
- Tóóóó!! Tu tas-me a dizer que eles andem a…
- Nada. Eles na prestim par nada, da outra vez estaba eu ali …
- Ê já óbi essa históira, bocemecê sabe lá o que é que eles fazim? Bocemecê já teve na...
- E quem é que construiu a capela hã? Quem?
- Isso era intigamente quando eles tinham a…
- Lá na nha casa, nim eles nim ninguém mand…
- Mandam im nada nim na fazim nada porque eles nim a capela nim a…
- E sabes porquê? Não sabes! Eles escondem-se no…
- É isso. É isso e mais, uma vez, eles lá na…
- Tóooo! Eles querim é ca gente re…
- Eles é só garganta, quanto mais que…
- Qué isso home?!! Ó despois é que eles dizem ca gente anda aqui feitos parbos às boltas.

E gera-se tal silêncio caté se oube a cassete a rolar dentro da gaita. Um ficou a olhar prá bota (cumprada no marcado em 1983), outro a olserbar as árbes e outro ainda prá motarizada a passar.

- Olhe, bocemecê que é da FLC, é que debe saber, e se souber ler, bá ali à junta que eles dão a bocemecê um libro que explica tudo.

O jornalista entrou dentro da Igreja do Pinhal Novo e eles escapuliram numa manifestação de reformados dentro da paraige das cáminetes.

21.2.07

Carnabal 2007

Os Amigos de Baco, aflitos com a ruindade das forças palmelonas cada bez mais forretas e com a ruindade do tempo cada bez mais parbo, tiveram que se reunir de urgência, com a FLC, para aconselhamento logístico-caramelo e resolução de problemas.

Soubemos que 48 horas antes do acuntecimento carnabalesco, já estavam completos 380 tractores alegóricos de grande catigoria que iam incher a abenida até ó cagulo, num cortejo caté incaracolava com 3 boltas e meia às bombas de gasolina (a passar por dentro do Mc Donalds). Desses 380 tractores 377 eram luxuosamente decorados com canas, paus de fórfo, crochés caseiros, pitromáxes e ao som de flaitas de beiço, tudo… tudo pago com fundos do Governo Caramelo. No entanto a ruindade do temporal fazia querer que, quando o último carro passasse im frente à estação, já taba toda a gente im casa a ler o seu livro preferido. Assim, à última da hora, a FLC arranjou uma solução para o temporal, negociando com nosso Zimbão Cornadura, o uso das suas forças e mezinhas pra fazer um buraco de nubem, com uns raiozitos Sol, só pró pelotão de caramelos agro-sucateiros. O resto era temporal certo. Por isso é que só foram impurrados avenida abaixo os 3 tractores de esferovite e celofane, pagos pelos Palmelões, ficando os nossos preciosos 377 veículos caramelos guardados pró ano que vem.

Aqui, ainda antes da passaige do cortejo, o gintio estaba na dúbida: ó chobe ó na chobe?

A imaginação não pára, é uma constante caramela, em qualquer altura do ano. Reparim na flober de pau.


Este ano, a abrir o cortejo vinha um elemento da FLC, disfarçado de cigano, a binder balões. Um excelente sentido de oportunidade da FLC pra equilibrar as finanças.

O carro da "Floribela" com o regador maléfico a gotejar celofane euro-palmelão. Os Amigos de Baco bem queriam fazer o carro dos Cuiratos cum Açorda, mas os palmelões iam desmaiando com a ideia.


Um caramelinho dentro dum caixote a guardar uma grade de mines. Assim é que se faz um home balente e sadio.

Dois agentes da FLC a tomar conta da ocorrência. O canito, de raça coelheira, tamém tava mascarado à Zorro, como se pode ber na códaque im baixo.


O canito cheirador de cuirato.



O casal de cabeçudos objecto de adoração popular em toda a caramelândia.

O tema carnavalesco mais preferido dos caramelos é mascararem-se à “Vizinho”. Se o bizinho é estucador, mascaram-se com fato-macaco todo sarapintado de estuque, se é mecânico, já o fato-macaco vem todo emborneado de óleo, se for agricultor, o fato-macaco é acompanhado com umas galochas carregadas de barro. A caraça mais comum é a meia de vidro infiada pela cabeça abaixo, simples ou com gorro. No entanto há bariantes, tais como o general-ciclista.

A casa das meninas em cima dum taipal.

Uma cliente a buer uma "survia". Vai a demosnstrar como se faz, para a repaziada que anda a buer sumol, quando for grande, se deixar disso e ingressar no mundo balente das mines.

Um carro da polícia e as suspeitas a correr atrás dele.

Uma das 432 igrejas da capital.

Restaurante chinês, aproveitando a canzoada pra fazer xim-xau-xung, uma iguaria de grande empanturramento.


Um riquexô caramelo, retirado da cabeça dum empreiteiro.

O pelotão das zundápes e das faméis. Prova-se que o caramelo é poupadinho, pois são as mesmas do ano passado e levam grande estima para serem usadas nos próximos anos.

O único carro alegórico alusivo à CP, todos os anos numa participação aos sss.

Mais uns caramelos bem arreados.

Um olhar final pró cortejo a abalar rua afora. Pró ano, se chover, haverá um cortejo só com rulótes das farturas, carrinhos dos tremoços, atrelados da reforma agrária e meios-bidons em labaredas a distribuir cuirato pelo gintio.

4.2.07

Belarmina Acocorada prepara-se para lançar novo livro

Um dos maiores vultos da cultura caramela contemporânea continua a criar de forma frenética e não pára de nos surpreender com rasgos de puro caramelismo literário dificilmente superável.
A autora encontra-se neste momento incontactável, totalmente debruçada na finalização da sua nova obra, repartindo os seus dias entre as batatas (estamos na época das geadas) e a escrita, que alguém já designou de caramelócompulsiva. De referir que esta vivência quotidiana serve de mote para o título do livro que contém também alguns elementos autobiográficos, importantes para os (cada vez mais) estudiosos da sua valiosa obra. Pensamentos da Geada na Batatataige é então um título a não perder e que pode bem substituir a leitura do Jornal do Pinhal Novo durante uns tempos (que no entanto continua a ser muito útil para acender o meio bidon).
A FLC, sempre atenta à cultura caramela, publica em primeira mão dois novos poemas populares da Ti Balbina Acocorada, que merecem leitura e releitura(s) atenta(s).


Sou repariga e balente

Sou uma repariga da estrada
Bou e benho de matina
De apelido sou Acocorada
Mas pa insinar os outros
Nunca tibe de dar punhada

De manhã dou de buer aos porcos
Ca mim na mapanham descalça
Se me quiserem pricurar
Bão ber dentro dos poços

Ó geada braba e malina
Que aparas a batata pó azeite
Antes o Inverno agreste e balente
Cuma latada da nha prima Mari’ Alfeite

Bou agora cozer grão
E buer um copinho de binho
Gosto de ber telebisão
E óbir aqueles homes lá do Japão.

Nã sou amiga da geada
Na gosto dela nim caiada
se toca na minha batata
dou-lhe com o sacho e cabeçada

tenho mais um libro pronto
mas debo de dizer o seguinte
nã me chamim baidosa
mas escrebo com uma rapidez parba

parece que há tiro lá fora
Já tou a óbir as rajadas
bou buscar a nha flóber
enquanto traço umas queijadas

A bacina da Câmara

Atão na querem lá ber
Querem lá na ber atão
Bão daqui mas ei
Antes quê solte o cão

Bamos à bacina quei de graça
Bamos lá que não ei longe
Já tenho a canzoada e cordel
Mais bale aqui do que im Alpiarça

Os canitos são balentes
Ladrim ladrim mês marotos
Gosto muito de os ber
a buer a água do esgoto

Da bacina gosto pouco
E da bacina da câmara atão nim falar
Mas se me querem bacinar
Olhem que eu cá nã sei ladrar

Ódepois bamos imbora
Bou eu amais a canzoada
Nã sou esperta nim parba
E muito menos caramela ladra

19.1.07

Consultóiro do Dia-a-dia

Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

Pergunta de Olímpia dos Colares, 50 anos, frequentadora da Reforma Agráira.

"Muito bom dia, sou uma mulher casada e com dúbidas. Muitas dúbidas. Bibo no bairro da Sul Ponte e até bou de lambreta à feira do Lau cumprar hortaliças e truces prá nha gaiataige. O problema é que o meu marido quando vem do trabalho, traz-me todos os dias um pacote de bolachas da Compratiba. Algumas mulheres dizem-me “Tas parba ó quê?!! Na comas que pode tar imbenenado”, e que, por causa disso, nunca serei caramela; dizem até que, para ser caramela, tenho é de “papar mas é punhada pu lombo”. Peço então aos especialistas da FLC um esclarecimento: afinal para poder ser caramela tenho de levar punhada do meu marido? E posso ou não comer as bolachas da compratiba?"

Olá querida Olímpia, ainda bem que nos escrabeu pois a sua précura é de grande pertinêiça para os estudos da mulher caramela moderna. A sua questão já foi munto falada im debates-garreia do Taparuere-Caramelo*. Por isso tem sido feita uma imbestigação muito aprofundada pra saber sobre os costumes do acasalamento caramelo ao longo da históira. As únicas referências a respeito dessa prática, são de 1814, no Poceirão, em que os homes brabios davam com as trabessas da linha do cumboio no lombo de suas esposas com o intuito de as acautelar sobre a passaige do cumboio. Mas tudo isso não passa duma lenda, pois só a partir de 1861 é que começou a haber linha na caramelândia. Em toda a históira da bida social feminina, há relatos de punhada, mas isso não pertence à história da bardadeira irmandade caramela.
Oiça lá pois intão.
A entrada abrupta do macho brabio par’dentro do lar e espatar um ensaio de punhada na lombeira da fêmea à frente dos filhos é uma forma de saudação que, segundo estudos arqueológicos (e de acordo com alguns ossos espalhados pu nosso territóiro), pertencem a uma espécie que não é, seguramente, da espécie caramelosapiens que a FLC defende. Esta espécie, ainda da família dos Caramelídeos, é uma das espécies a erradicar da nossa nação e uma das mais perseguidas pelos grupos armados da FLC. Como estatuto social destes estranhos seres, as fêmeas apresentam-se com uma maquilhaige multifacetada, com as beiças todas arrebentadas, dois pedacinhos de trapo enfiados nas ventas e os olhos pardos à precura da cabeça. É de notar que todo o crânio é atado com um lenço para se manter com a sua forma natural. O macho tem um comportamento errático e raramente fala.

Portantos, querida Olímpia, parabéns. Bocemecê é mesmo caramela, não só porque compra hortaliças e truces na feira do Lau, como tamém come bolachas da compratiba oferecidas pelo seu home. São tudo boas práticas no acasalamento caramelo e prá criação em giral.
Já agora só uma olsebaçãozinha: experimente comer tamém fogaças dos círios caramelos, pra inrijecer as gingibes.

Resposta de Adelina Irritadiça.

* São reuniões que se destinam à troca de experiências sobre o uso de alguidares, baldes de pedreiro e bebedoiros prós pintos.

12.1.07

Agenda mensal de acontecimentos culturais da região caramela *
Janeiro de 2007

*Esta agenda pretende colmatar a falta de informação sobre eventos culturais de cariz tipicamente caramelo para a população da caramelândia.
Os eventos aqui divulgados são apenas uma selecção feita pela organização clandestina FLC .


Café-Restaurante Bá Lá Ber (Vale da Vila)

Conversas soltas e leitura dos chispes com Zimbão Cornadura, adivinho e caramelólogo.
Pede-se aos participantes que tenham o cuidado de desincardir os chispes com creolina e cortar as unhas de modo a evitar ferimentos caso esta sessão descambe numa sessão gratuita de punhada (o que não seria de estranhar).

dias 12 e 13 de Janeiro

Baldio da Sede do Sport Club Vale da Vila

Ciclo de monólogos intimistas de Toino das Ideias Parvas
Finalmente, o mais conceituado filósofo caramelo da actualidade resolve mostrar-se ao público, partilhando um pouco os seus complexos pensamentos.
Atoino ficará preso 24h dentro de uma coelhera de pé alto, especialmente concebida para a ocasião pelos Firminos, estando visível a 360 graus. O filósofo divagará sobre o que mais lhe apetecer. O visitante deverá apenas observar em silêncio e contribuir com minis ou grades de minis, para que o nosso pensador não se cale e exteriorize as suas inquietações existêncialistó-caramelas.

dia 19, a partir das 9h

Discoteca A Sela

Grandiosa matiné dançante com a tocadora de ferrinhos Belarmina Pézuda abrilhantada com a apresentação e 1ª actuação do grupo de forcados da Palhota. Este grupo foi recentemente constituído e dedica-se à pega do porco caramelo-mirandês, negando-se a pegar bichos com menos de 300 kgs.

dia 21, 16h

Café Napagas Nada

Sessão livre de punhada, todos os fins de semana deste mês, após o encerramento do establecimento.
Só para homes (nim gaiatos, nim mulheres).


Loja António Brinca (Pinhal Novo)

Sessão de autógrafos com o Rancho Folclórico da Lagoa da Palha e leilão de peças de cozinha da década de 40, pertencentes a Joaquim Lambão, antigo cozinheiro e mestre meio-bidoneiro da Sede da Lagoa da Palha.

dia 23, 16h


Cafe Satélite (Pinhal Novo)


Curso de dança tradicional individual III
Após demorada dormência, que o próprio explicou devido aos elevados consumos de vinho tinto da região, Ti Enxaugado volta de novo ao mundo da criação.
Promove desta vez o terceiro curso de dança tradicional individual aberto a toda a população, em especial aos frequentadores da sua tasca de luxo, o café satélite.
Desta vez, Ti Enxaugado aprofunda a relação entre a dança caramela genuína, o som do fogo rijo e a imagem da gordura nos azulejos por cima da frigideira das bifanas e dos túbaros. Uma relação que promete ser desconcertante e desafiadora para os seus clientes habituais, demasiado habituados a estados de transe alcoólico. Para Ti Enxaugado, o transe alcoólico será “um facilitador criatibo pós homes se desinmerdarem com as parboíces qu’eu inbento na nha cabeça quando bou par casa intornado im tinto (ca bubadera)”.
A não perder, todas as sextas feiras no café satélite (a inscrição nesta formação está condicionada a consumo mínimo obrigatório de 3 litros de tinto/branco ou traçado por sessão).

dias 20 e 21 (inscrições no local)

Café do Ti Texugo (Palhota)

Exposição de kodaks de bicicletas a motor na sala dos matraquilhos por trás das grades vazias.
exposição patente durante todo o mês até haver espaço na sala (se for preciso arrumam-se as grades no quintal).

Sede do Rancho Folclórico de Pinhal Novo


Grandioso almoço convívio dos amigos dos amigos do Rancho.
Sé é amigo destes amigos apareça e prove os nossos famosos chispes de porco com feijoada e assista depois ao baile, impanturrado à parba.
“A porta tá aberta e só fecha quando forim todos par casa e se alguém tiber a chabe”, é o lema destes almoços de cunbíbio no Rancho.

Dia 27 (inscrições no local)

Café Costa Bar (Pinhal Novo)

Pequeno curso de buedores de mines ao balcão. O café Costa Bar promove o primeiro curso de buedores de minis ao balcão. Que braço apoiar no balcão? ; qual a posição das pernas?; qual a melhor postura do corpo?; como adoptar uma posição em que estando virado para a rua me permita virar 180 graus para trás sem perder o equilíbrio ou o lugar? com o que devo acompanhar a minha mine? amendoins ou tremoços?
Foram estas algumas das questões que os frequentadores habituais deste local de culto caramelo colocaram e que deram origem a esta formação.
Nota: a formação será dada pelos próprios frequentadores que partilharão entre si precisosos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos de experiência.
Entrada livre mediante a aquisição de uma grade de mines para consumo durante o curso.

dia 23 e 24, 17h

Coreto do jardim de pinhal novo
1º Grandioso concerto de domingo de marcado

Com este 1º concerto, a banda da SFUA, inaugura um ciclo de concertos que pretendem marcar de novo a importância dos domingos de marcado para a cultura caramela. Assim, todos os domingos de marcado, a banda partirá da porta norte do recinto do marcado numa carrinha de caixa aberta especialmente concebida para o efeito e tocará até chegar ao coreto, onde iniciará um verdadeiro festival de sons caramelos,de encher os ouvidos até mais não. Em cada domingo, haverá um convidado especial, ao qual será proposto um despique-convívio com a banda. Para o primeiro concerto está já assegurada a presença de Belarmino Pançudo (sobrinho de Belarmina Pézuda), conceituado acordeonista que ficou famoso a fazer matinés dançantes na discoteca A Sela.
Entrada livre, para todo o povo caramelo (para todos os que possuírem comprovativo de terem ido ó marcado).

Domingo de marcado, dia 14

30.12.06

Previsões caramelas para o ano 2007

Previsões feitas pelo adivinho e caramelólogo, Zimbão Cornadura, escondido na
Benda do Alcaide.


"O ano de 2007 será um ano de altos e baixos cum cambalhotas repentinas de 360 graus, assim como abanços e arrecuos caté parece um carrocel da Feira de Maio.

Na área da saúde, o ano de 2007, pauta-se cum grandes abanços. A espera nocturna pró atendimento no Posto de Saúde do Pinhal Nobo é reduzida cerca de cinco minutos (prevê-se que o primeiro reformado chegue às 03:20h, e não às 03:15h). Há uma procura considerábel de pomadas caramelas feitas por alguns reformados mais intigos. No giral, o abanço da medicina caramela bai melhorar no que respeita à troca de informação sobre paradeiro dos melhores mezinhólogos e apalpadores da nação. Haberá tamém um desimbolbimento do diagnóstico e do receituário oral, como por exemples: “Isso é gosma de cão. Se chirares bapores de folha de eucalitro, isso passa.”

Na área urbana bai notar-se um acentuado aumento de apartamentos bazios, ao desbarato, nos bairros mais intigos e uma procura de novos apartamentos de plástico (cum palmeiras e rotundas) nos bairros nobos que ainda só têm os candeeiros.

Na área financeira haberá um aumento parbo do consumo de baldes de plástico, toalhas de bidé e truces, deribado às lojas dos chineses.

As cores predominantes ao longo do ano serão, como sempre, o tinto e o amarelo-espuma a sair do gargalo.

Na alimentação, a maçã riscadinha continua a ser parte da dieta, sem contar com um belo coirato e intarmiada, im cima duma terrina de sopa caramela.

No Imberno, a FLC defenderá a pátria juntando todas as forças caramelas contra os bendabais e inchentes, colocando um sentinela a controlar o caudal da Vala da Salgueirinha. No entanto a geada do Lau ficará tão ruim caté queima o escalracho mais brabio… mas ninguém pode fazer nada contra esta araige!

No Berão, no pico do calor, é momento dos grandes incêndios e todos debem tar atentos às labaredas do meio-bidom e contar com os repuchos e mangueiradas dos Bombeiros do Pinhal Nobo e Áugas de Moura.

A bida afectiba do casal caramelo bai ficar mais quente e sadia, deribado à nobela Coiratos cum Açorda que bai ficar cada bez mais parba e interessante.

Ao longo de todo o ano a FLC ajudará toda a caramelaige a que fique bem atenta e preparada para se definder das forças palmelonas e das maniazinhas globalizadoras. Em 2007, todos taremos mai força cultural para sermos melhor comprindidos e não ficarmos repezos de sermos uma potência brabia única no mundo.
Enfim, muito se poderia dizer o que bai acuntecer pró ano mas ficam aqui as nhas despedidas e bom ano de 2007.

Zimbão José da Cornadura

24.12.06

Mensaige de Natal

(mensaige solene do Presidente das Forças Brabias da FLC, actualmente em parte incerta)

É Natal, é hora de empanturramento. Comemoramos hoije mais um dia de empanturramento colectibo caté a moçada arrota com tanta fartura. Mas é preciso não esquecer que não bale biber só dos sonhos que têm na maniazinha. Não! Hã? É parciso amandar fuguetaige pra acordar o mundo e mostrar que samos um pobo marabilhoso, com orgulho de ser caramelo, honesto, trabalhador e acima de tudo brabio. Por isso, em cada estardalhaço nos nossos obidos há que lembrar que é importante biber esse momento, tal qual ele é. Não é por acaso que samos uma potência mundial a nibel do musgo-presepiano e a níbel do pinheiro de natal com algodão.
Portanto do Pinhal Nobo à Atalaia, da Marateca à Cascalheira, da Benda do Alcaide aos Brejos do Assa, de lés a lés, não se esqueçam de ser felizes e de atirar umas iscas prá canzoada.

Feliz Natal.

22.12.06

Teste aos agasalhos caramelos II

Tá aí uma rijeza parba caté os patos ganham medo às poças d’áuga… momento exacto em que autoridades da FLC bão à precura de mais um agasalho caramelo para testar a sua qualidade.

Após curta precura no Poceirão, os nossos agentes deram logo com um berdadeiro achado do nosso agasalhamento: duas duizas de garrafas “S. Filipe” a meterem-se cagente.
Sem mais cumbersa, passemos intão ao relatóiro de testes deste material.

Relatóiro

Local da experiência: Armazém de hortaliças do Emílio Ratazana, Poceirão.

Técnicos especializados pra olserbar se o material é de qualidade: maltezaria encartada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho ao serbiço do aquecimento da nação;

Outros olserbadores: um casal de caramelos tirado ao acaso, dentro da mercearia do Emílio.

Materiais: duas duizas de garrafas de tinto da marca “S. Filipe”; um tema de cumbersa “eu sou soiço da SFUA há mais anos do que tu descontas prá caixa”; carteiras com cartões e fotografias das famílias pra probar a veracidade da cumbersa; 6 copos; um bolo-rei (a fruta cristalizada é pra dar à canzoada que anda por li a chirar); 7 caixotes de hortaliça birados ò cuntrairo, pra assentos e menza; um alguidar de filhozes.


Ocorrência nº 1


São 23:40h, uma duiza de garrafas ainda está cheia e as olserbações são bastante positibas em relação ao aquecimento. Berifica-se uma boa progressão no calor do armazém. A cumbersa, no ponto “dois casais de patos com uma pata coxa quantas patas são?”, gera pensamento sobre pensamento.

Ocorrência nº 2


São 03:25h, apenas uma garrafa está por encetar. Dois técnicos estão bastante sastesfeitos com os resultados e a cumbersa sobre acidentes rodobiários está no ponto “já labrei mai' chão com a nha zundape do có que tu com o teu tractor a bida toda” e faz-se um calor caté tá tudo suado e brabio. Todos despem as camisas violentamente e procuram cicatrizes, entorces e caroços deribados das suas bcicletes a motor.


Ocorrência nº 3


São 03:48h, hora do teste final. O casal caramelo está ao rubro e não aguenta mais o calor. Todos se amontam nas suas Fameis, só com os truces (a mulher leva apenas o avental), e partem do Poceirão com destino ao Terrim. Segundo relatos dos bombeiros, foram encontrados deitados dentro das erbas perto da Palhota. A mulher mostrava a boca cheia de cieiro e os restantes técnicos tinham a língua um bocadinho encortiçada.



Conclusão
Na nossa escala, O blusão de cabedal “S.Filipe” rebelou-se um perfeito agasalho prá rjeza caramela. Se os nossos técnicos tibessem chegado ó Terrim, o produto teria lebado nota máxima, no entanto o "S. Filipe" está classificado como material de grande qualidade, podendo no entanto provocar um bocadinho cieiro às mulheres e uns efeitos secundáiros nos homes brabios conforme vem no rótulo.
Uma imaige do Blusão testado pelos nossos agentes.
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10.12.06

Expansão do território caramelo em terras de Atalaia


A FLC amais a Confederação dos Círios Caramelos (comandada por Celestino Bombista) e a Junta de Freguesia da Atalaia chegaram finalmente a acordo em incluir o Santuário da Nossa Senhora da Atalaia no nosso territoiro, sob o domínio total dos caramelos. No final das negociações, Celestino Bombista deu uma punhada na mesa caté as canetas e as mines saltaram todas e, referindo-se ao santuário, disse:
“Tóó… este baldio representa daqui por indiente a expansão do Império Caramelo no Século binte e um.”

Estas negociações são o culminar duma luta que só tem paralelo com a luta da beataige pelo controle da Igreja do Pinhal Novo. Foi graças à influência da FLC que finalmente se realizou uma das maiores ambições caramelas com quase dois séculos de peregrinação e foguetaige: o cuntrol total do santuário. Para conseguir tal proeza, a FLC deu, em troca, as Portaiges da Auto-estrada do Pinhal Novo à Junta de Freguesia da Atalaia que as bai explorar como capelas aos Domingos, e como campo de tiro aos pratos de Segunda a Sábado.


É já próximo 12 de Dezembro, pelas 16:00h, que o Presidente da Sociedade da Geografia Caramela desenhará solenemente, pelo o seu próprio pulso, uma bola do tamanho duma ervilha no mapa oficial da Caramelândia, espatado na parede principal do nosso quartel com uma moldura profusamente decorada com paus de fórfo. Esta bolinha corresponde, no baldio berdadeiro, a um círculo com um raio de 300 metros à bolta do Santuário da Nossa Senhora da Atalaia e ganhará, nesse terreno e nessa hora, uma vedação com as mais belas canas das bordas da Vala da Salgueirinha.

Grandes projectos se avizinham para este novo territóiro caramelo.

Adiantamos desde já que a inauguração do Foguetódromo será já em Setembro de 2007 com o rebentamento de foguetaige de tal enbergadura ca América larga logo os abiões assanhados pró ar caté parecim vespas. Será tamém inaugurado, ao lado do santuário, o inédito Museu da Mão. Este museu (único no mundo), mostra cuidadosamente as diversas formas e fragmentos que uma mão caramela adquire após um rebentamento desostinado dum patardo. A mão mais antiga data de 1884, onde se pode ver as unhas fossilizadas num estilhaço de cana. A mão mais famosa data de 1998, mostrando duas falangetas incrustadas dentro dum telemóvel. A inauguração conta com a presença do Papa esperando-se uma inchente cate cria bicho.

Uma bista duma câmara oculta do Santuairo da Nossa Senhora da Atalaia, renovado pelos carameloas há mais de dois séculos.

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3.12.06

Mais uma nova associação de grande utilidade

Deribado ao crescimento da população na nossa Capital e deribado ao crescente número de caramelos a fazerim criação de coelhaige nas marquises, a FLC amais a Comissão de Utilizadores dos Campos Ervados (CUCE), decidiu criar a Associação Amigos da Marquise Rural. Esta associação dispõe de uma linha telefónica gratuita com o nome:

Linha S.O.S. Ervas Prós Coelhos
Esta linha telefónica tem como objectibo informar todo o caramelo necessitado, onde estão as melhores erbas prá bixesa. Temos uma base de dados actualizada ao minuto, de acordo um complicado cálculo matemático que acha a razão entre as pastaiges, a geada, o ritmo de crescimento das erbas e o ritmo de crescimento urbano.

És caramelo? Bibes num prédio e tens criação na marquise? Hã? E tás almareado por não saberes adonde bais apanhar as erbas? Hã? Na hesites: telefona para a Linha S.O.S. Ervas Prós Coelhos, Nº 212337810 e diz o teu problema. Nos primeiros 50 telefonemas oferta duma caixa-bagaige prá bciclete.


Eis o resultado dum caramelo que telefonou pará linha S.O.S. Ervas Prós Coelhos.
Um exemplo de sucesso.

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28.11.06

TESTE AOS AGASALHOS CARAMELOS

Deribado à rijeza do Imberno na Nação Caramela caté a passaraije cai das árbes, e pra prebenir toda a população da geada, a FLC deu abertura solene ao Departamento Científico de Aclimatização Caramela. Este departamento tem como objectibo descobrir e testar materiais de alto rindimento tais como as mantas, cobertores, casacos e quispos de fabrico caramelo de modes a que todos possam biber melhor sem terem de cumprar sacos de borracha de áuga quente pra pôr dentro da cama pra aquecer os chispes.

Assim, após curta précura, os agentes da FLC acharam na Fonte da Baca o primeiro casaco de fabrico caramelo: um jerrican de tinto “Quinta dos Farias”. Eis intão o relatóiro técnico dos testes deste material:

“Eram 5 da tarde e tava uma rijeza caté criava bicho.
Local da experiência: Oficina de lambretas do Rogéiro Cramalheira, Benda do Alcaide.
Técnicos especializados pra olserbar se o material tá bom: maltezaria credibilizada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho caramelo ao serbiço do aquecimento da nação;
Outros olserbadores: o dono da oficina e um cliente descunfiado a olhar prá sua lambreta toda desmontada em peças pu chão.
Materiais: o Jerrican cheio de tinto da marca “Quinta dos Farias”; um baralho de cartas com gaijas nuas; 6 copos; um casqueiro de quilo; e um taipal cum coiratada prebiamente assada pró enfeite.


Ocorrência nº 1

São 22:00h, meio jerrican está bazio e as olserbações são bastante positibas em relação à adaptação climatérica. Berifica-se uma boa progressão no calor da oficina, o jogo da sueca em roda-bota-fora gera punhada de aquecimento entre 3 equipas e o cliente descunfiado está perfeitamente integrado no imbiente aquecido dando gargalhadas.

Ocorrência nº2

São 02:00h o jerrican está praticamente bazio. Um dos técnicos está bastante sastesfeito com os resultados: tá um calor que não aguenta e despe violentamente a camisa mostrando a peitaça cum pêlo, dando uma punhada KO no cliente descunfiado que já se taba a rir de mais. Não completamente cumbincido, outro técnico mais rigoroso mete a peitaça ao relento e bai de lambreta da Benda do Alcaide até ó Poceirão. Segundo relatos berdadeiros foi incuntrado a dormir no meio da pastaige, entre as bacas, já pra lá do Forninho. Tinha um bocadinho de cuspo na boca!


Conclusão:
Na nossa escala, O casaco de peles “Quinta dos Farias” rebelou-se um perfeito agasalho pró relento caramelo. Se o nosso técnico tibesse chegado ó Poceirão teria lebado nota máxima, no entanto a "Quinta dos Farias" está classificado como material de grande qualidade, podendo no entanto provocar alguma sonolência mesmo práqueles que se riem á parba.

19.11.06

EDITORIAL

Escrito pela Edite das Crónicas por escraber crónicas caramelas nos editoriais dos jornais.

Hoije bou cuntar a bocemecês a história do talego cheio de coidas de pão, uma históira berídica que se passou entre os Batutes e a Fonte da Baca num dia de nabueiro de 1958, em plena crise do Meio-bidom.
O Jequim Tição era assim conhecido por ser o único home do reino caramelo com licença de uso e porte de isqueiro e com alvará de acendedor oficial de meios-bidons. Por isso era sempre chamado pró serbiço onde quer que houbesse um pitromax, um fogareiro ou um cigarro pra acinder, quando não habia fórfos. Num belo dia foi chamado pró serbiço especial de acendedor de rastolho numa matança do porco. Esse rastolho em labaredas, espatado numa forquilha, serbia pra chamuscar o bicho, já morto, pois nessa altura era assim que queimava o pêlo dando aquele chirinho a chamusque c’agente tanto gosta impregnado nas nossas camisolas interiores. Hoije usam-se maçaricos ligados à bilha do gás da cozinha e já na tem o mesmo infeite. Bem…, lá ia o Jequim Tição, com os chispes na geada, estrada fora, assobiando par dentro do nabueiro quando introu no batatal do Baldemiro Pirolito (assim chamado por beber pirolitos e ter forrado a fachada a sua casa com os berlindes dessa bebida gasosa). Baldemiro assustou-se assim que viu o vulto, deu um arrote e um tiro de caçadeira pró ar, e disse:
- Quem és tu e que o que é bieste práqui chirar?
- Sou eu, o Jaquim Tição, e bou à matança do porco do Belarmino Pançudo.
- Ahh! És o Tição,… Atão acende lá a mim esta lamparina que eu na tenho fórfos.
- Tu tamém na tens fórfos?
- Nem um fórfozinho bê lá tu!
Meteu o talego no poial, tirou o isqueiro da algibeira do colete e zás pôs-se a acinder a lamparina. A canzoada deu-lhe o cheiro do farnel e truca, roeu-lhe o pão cum banha deixando só a coida.

Quando chigou à matança do porco é que reparou que tinha o talego só com coidas. Foi uma barrigada de rir que toda a gente ficou a saber do sucedido. Jaquim Tição quase teve pra mudar de alcunha pra Jaquim Tição das Coidas… mas não pegou. Bem… resultado: como ele só tinha as coidas, toda a gente lhe ofereceu ovos caseiros, repolhos, hortaliças, e fartou-se de comer coirato e intarmiadas, e buer binho até à noitinha. Portanto, aquele belho ditado “Pá fome na há má pão” neste caso até quase se berifica poque o Jaquim incheu a pança de coirato.

Deribado a esta históira berídica é que ainda hoije os caramelos modernos quando comem pão cum Tulicreme deixam as coidas em cima da mensa como sinal de esperança de birem a ganhar uma barrigada de coirato, intarmiada e binho.

Prá semana, no próximo editorial, bou cuntar uma históira ca nha tia cuntava quando eu era ainda gaiata, uma históira dum cogumelo labado cum áuga do poço.

11.11.06

Cuiratos cum açorda (episoide 200)

Mais um marabilhoso resumo do próximo episoide de “Cuiratos cum Açorda”, a primeira nobela totalmente falada em caramelo, transmitida a partir das nossas intenas.

***
Fátinha, rapariga trabalhadeira, 23 anos, (Miss bindimas caramelas, a única miss que já sabe fazer pudins Boca-Doce), é neta adotiva da Venãiça da Verruga que a tem criado como filha. Fatinha entra na cozinha a assobiar as módinhas do carro-propaganda do Intermarché mas vem com sete sacos da Compratiba, cada um com um pacote de leite, e diz:
- Nha abózinha bou fazer uma tatuaige aqui ò fundo das costas.
- O quem?!!! Tu tás grábida e bais fazer uma raspaige pas costas?!!! – espanta-se Venãiça, limpando as mãos ao trapo e a verruga a inchar que nem um frango do abiário.
- Nããão abó, é só um desenho aqui nesta zona ó pé do rego. – e amostra a anca lebantando a blusa (mostrando pela primeira bez na telebisão caramela os elásticos dumas cuecas caramelas tipo cordel dental).
- Atão mas que desenho bais pôr aí à intrada do rego?!!!
- É uma tatuaige com imblema da Junta de Freguesia do Pinhal Nobo, a nossa capital, abózinha.
- O nobo imblema ou o belho imblema da junta?
- O belho, nha abózinha, aquele cum a linha a dar a bolta ó pinheiro.
- Ah bom, já pinsaba que tinha acuntecido uma desgraça. Tou tão cuntente…
De repente, Chispalhudo entra pela janela da retrete todo desalboreado, interrompendo a cumbersa. Os olhos de Venãiça infiam-se par dentro dos olhos de Chispalhudo, coisa que já não acontecia desde a fuga no Berão passado. Ficam os dois açapalhados a olhar um pró outro e a Fátinha, em pose, virada, a mostrar a etiqueta do cordel dental pra todo e qualquer espectador apreciar e poder cumprar no marcado do Pinhal Nobo.

Entretanto, à porta do café “O Barril inclinado”, nas Areias Gordas, Xico Traça-coirato cumprimenta a maltezaria:
- Atão cumé que éi? – levanta esta velha questão, espatando uma punhada no lombo dum.
- Oh! – responde esse, com uma cuspidela pró lado, como quem diz “Pois!”.
- Oh! – responde outro encolhendo os ombros e abrindo ligeiramente as pernas e afiando um palito com uma nabalhita.
- Atão cume que ei? – devolvem outros a pergunta que estão encostados com um pé contra a parede.
Xico Traça-coirato desenbolbe o cumbíbio:
- Quem é que quer ir mais eu à do Zé das Flaitas?
- O quê? Queres aprinder a tocar flaita? – pargunta um, a roer uma castanha do S. Martinho, e a cuspir a casca pró chão ladrilhado com caricas de mines.
- Não, é pra ele tocar flaita no meu casamento. Bou casar-me amais a Fatinha.
- A Fatinha da Venãiça da Verruga?
- Sim, bou buscar ela, amanhã. – responde Xico.
- Tu bais buscar ela? – parguntam todos em coiro espantadiços.
- Sim, bou buscar ela. – confirma Xico.
Todos ficam feitos parbos a olhar caté parecem dormentes (um estilo de suspence desinbolbido por cineastas caramelos) a olhar pró espectador, também ele aparbatado cum tanta intriga junta numa só nobela.

Será que bão todos à do Zé cumbincê-lo a tocar flaita? Ou será que a Venãiça vai pôr-se à frente e não deixa? E será ca Fatinha bai mesmo fazer a tatuaige ao pé do rego?...
***

Caramela, não percas o próximo episoide se não algum home ainda te vai buscar a casa e quando dás por ti já tás a óbir flaita.

8.11.06

Consultório do dia a dia

Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

Pergunta de Inaiço Sabão, condutor do tractor-cisterna dos resíduos rurais.

Ora muito boa tarde ou boa noite ou lá o quê. Eu cá que sou da Frente de Libertação Caramela desde que naxi e estaba na cumbersa cum uns gaijes ali dos Barris (palmelões) quando me disseram que a FLC estaba morta. Estaba morta??!!! Mau!! Tive logo pra dar ós gaijes uma punhada caté se espojavam logo ali ribanceira abaixo. Mas eu, caté nim sou de andar por ai à punhada, apostei logo a nha canita im como bocemecês nunca morrim. Por isso escrebi a bocemecês se é ou não é berdades que estão bibos e sadios e mostrar ós gaijes como é que é. Hã? Tão ou na tão bibos?


Tamos.
Ora ainda bem que nos escrebeu porque é berdade que temos andado fugidos im parte incerta mas agora boltámos cum muito orgulho na peitaça e diga lá a esses gaijes que a FLC nunca morre nim nada. Como instituição clandestina que samos (e samos cum muito gosto), tibemos que mudar de instalações porque fomos chirados pela canzoada das forças reaccionáiras de índole globalizadora. Como toda a gente já sabe, o nosso quartel estaba agachado debaixo do Coreto do jardim, (instalações utilizadas também por outras forças de natureza agachada ou deitada). Neste tempo todo, tibemos à precura de nobas instalações mais seguras e ainda mais clandestinas. Precurámos tudo, corremos todo o territóiro caramelo de lés a lés (do café “Anda cá mais eu” à mercearia dos Marçalos; da Tasca do Xico às bombas de gasolina da Marateca) e afinal estaba logo ali ao lado do Coreto: dentro dos elebadores da REFER.
Agora estamos mesmo dentro dos elebadores da REFER pois são as instalações mais seguras e mais clandestinas (metidas na escuridão da noite), para as actibidades rebolucionárias da FLC. Nunca ninguém descobrirá a gente lá dentro nem que a REFER mande canzoada a chirar os nossos coiratos… quando muito a canzoada encontrará uma reformada desostinada a apalpar as paredes dentro do túnel (reformada essa colocada pela FLC como isco de diversão prá bixeza). Se quiserim cuntactar o departemento da resistência pela intiga passaige de níbel, escrebam prá morada:

FLC, Resistência Caramela
Elebador SUL da REFER
2955 Pinhal Nobo


Se quiserim cunctactar o Comando Giral escrebam:

FLC, Comando Giral
Elebador NORTE da REFER
2955 Pinhal Nobo


Resposta da Comissão Instaladora da Frente de Libertação Caramela nos Elevadores, liderada pelo Zémanel Ascensorista (15 anos de prática no elevador dos Mochos).

22.10.06

Classificados Caramelos
Aqui poderá comprar, vender, trocar e anunciar produtos caramelos.

Edição especial de produtos de casa de banho

A FLC não exerce nenhum tipo de censura ou correcção sobre os anúncios que nos são enviados, deixando-os como foram escritos.


Vendo urinol da antiga retrete da estação de comboios de Pinhal Nobo
Muito bom estado, apesar do uso.

Contactar: Manel Jquim Parbo
9198432134

Procuro pedreiro que saiba construir retretes à antiga portuguesa, com gagatóiro de cócoras e tudo, como mandava a lei

Contacto: Maria Antígona Pitrolera (Palhota)
Parguntem por mim na marcearia do Ti Lampreia.

Vendo manual antigo, “Como apanhar arganaças e bicheza da pior espécie, que entrem pelo cano da ratrete”.
Muito útil, se a bicheza atacar pela retrete.

Contactar: Alampina Escangalgada (Lau)
Parguntem por mim ò home do carro de praça ou a alguém pela Escangalgada, toda a gente me conhece por ali.

Vendo vinho caramelo da marca “zurrapa”, bom para desentupir canos da casa de banho ou buer à refeição (é melhor acompanhar com algum conduto).

Contactar: Jquim Balente Albuzio (Palhota)
2123456789

Troco cortina de banho cumprada na Loja do Toino Brinca em 1985 (em bom estado) por candeeiro a pitróil, daqueles que se pindurabam na parede perto do cagatóiro.

Contactar: Ti Balbina Acocorada (nim ei praciso dzer mai nada).

Bendo colecção intiga e baliosa de penicos, cumprados no marcado da capital. Todos já usados, um ou dois tem ainda marca do produto lá depositado, mas com um pouco de esforço e balintia deve de sair bem. Bom preço.

Contactar: Ti Manel Calafate (Arraiados)


Bendo livro muito raro do Toino das Ideias Parbas:”A retrete é o mê escritóire, dixim-me estar à buntade”, escrito em 1990, no tempo da sua fase existêncialistó-caramela”.

Contactar: Casemiro do Aço (Vale da Vila)
Se tiberem intrassados bão à escola primária do Bale da Bila e parguntem pelo professor Casimiro.

Bendo conjunto completo de sulfatar, com oferta de parfumes caseros feitos à base de laranja e obos de pata, especialmente cuncebidos para quim more (ou tenha a retrete), perto da bala da salgueirinha.
Contactar: Manel Açambarca (Salgueirinha)
Moro na ultima casa, como quim bai do Pinhal Nobo, antes de chegar ó fim da bala da merda.

29.9.06


Momento histórico: comitiva da Caramelândia pode ser recebida pelo Papa no Vaticano

A viagem a Roma poderá ser agendada já para o próximo mês, tudo dependendo dos apoios conseguidos, do estado do tempo e do meio de transporte utilizado para a deslocação (fragnete de caixa aberta, carroça ou motorizadas).
A comitiva a enviar ao Vaticano está praticamente definida. No entanto por motivos de segurança, a lista não foi ainda tornada pública. Apesar disto, a FLC soube através de um dos seus colaboradores secretos que dois nomes de luxo estão dados como certos para serem os representantes oficiais desta comitiva: nada mais, nada menos do que Toino das Ideias Parvas, conceituado filósofo caramelo contemporâneo, e Ti Balbina Acocorada, poetisa popular e activista feminista, que de momento preferiram nada dizer sobre este assunto. Dois nomes maiores das letras e artes caramelas que com certeza levarão a lição bem estudada para o encontro com Sua Santidade. Esta viagem será organizada pela recém formada C.P.L..C. (Comunidade dos Povos de Língua Caramela) e terá como objectivo máximo dar a conhecer ao Papa a nossa língua e cultura ancestral. Os representantes da C.P.L..C. pretendem convencer sua Santidade da importância da língua caramela nos nossos dias, para que ele passe também a incluí-la nos seus discursos e comunicações ao mundo, enchendo-nos de orgulho e tornando cada vez mais conhecidos os nossos desejos de auto-determinação. Para isso, Toino das Ideias Parvas e Ti Balbina Acocorada tentarão ter uma audiência em privado com o Papa. Consigo deverão levar um enorme rol de prendas (talvez por isso a comitiva seja obrigada a ir de fragnete de caixa aberta com sofás acoplados e atrelado), pois diversas entidades e organizações caramelas como o Rancho Folclórico de Pinhal Novo, os Bardoada, a Junta de Freguesia, o Círio da Carregueira, o ATA, e a Associação Académica, entre outros, já manifestaram o seu desejo em aderir a esta grande iniciativa.
Esta visita por si só, com ou sem êxito, ficará com certeza na história da caramelândia e aumentará ainda mais o respeito e admiração por estas duas ilustres figuras da cultura local.
Boa sorte e boa viagem para Ti Balbina Acocorada, Toino das Ideias Parvas e restante comitiva.
A nação caramela cunfia im bócezes, repazes e reparigas balentes!

17.9.06

Caramelo passa a ser língua oficial nas escolas da Caramelândia

Como sempre, a FLC tem o privilégio de anunciar ao povo caramelo as medidas oficiais antes de estas o serem.
Assim, sabemos que o Ministério Caramelo da Educação pretende implementar já no corrente ano lectivo, a língua caramela como língua oficial de todas as escolas da caramelândia (a partir do primeiro ciclo).
De recordar que esta medida não é nova, pois já tinha sido tentada no ano lectivo anterior, não se tendo verificado grande aderência por parte dos professores. Em relação a esta medida, só o colégio O Gaiato Parbo (Lagameças) foi distinguido pela positiva, com a totalidade dos professores e funcionários a adoptarem o caramelo como a sua primeira língua e dominando-a de um modo tão perfeito, que por vezes é necessário um tradutor para que algum visitante não caramelo consiga perceber o que dizem.
O Ministério Caramelo da Educacão anunciou que este ano não vai tolerar desculpas ou falsas argumentações por parte dos professores e que esta medida é mesmo para cumprir, com o objectivo de ser realmente possível ouvir e falar caramelo puro nas nossas escolas.
A rede de escolas da capital caramela vai ser alvo de inspecções periódicas por parte de inspectores educacionais e as escolas que falharem este objectivo serão duramente penalizadas.
Ao dispor dos professores estarão vários programas e cursos através dos quais a sua aprendizagem do caramelo será mais rápida e fácil. De destacar os acordos do Ministério com verdadeiras universidades da língua caramela como o café da Sede da Lagoa da Palha, os bares do marcado de Pinhal Novo, o café Capuchinho e o café Lua Cheia Aparbalhada, nos quais os professores terão conta aberta, podendo passar longos momentos ao balcão, imbubadando-se de língua e cultura caramela. Para além disto, existirão também visitas guiadas à caramelândia profunda, em carrinhas de caixa aberta com sofás e meio-bidons acoplados. Serão também cedidas às escolas (4 por instituição numa primeira fase) motorizadas artilhadas para que os professores adquiram o hábito de se deslocarem nestes veículos tradicionais, existindo a possibilidade de em cada final de ano lectivo haver despiques de punho aberto e escape libre entre os professores que demonstrem maior mestria e perícia na arte da menarda.
A FLC sabe também que está ainda em fase de estudo a possibilidade de os toques de entrada e saída das salas de aula (actualmente feitos por campainhas), serem substituídos por foguetaige, faltando ainda o acordo com o Círio da Carregueira, verdadeiros mestres nesta arte caramela secular. Esta organização terá apenas de disponibilizar os seus elementos para dar formação adequada aos funcionários das escolas, tornando-os verdadeiros profissionais do lançamento do fogo rijo. No entanto, sabemos que da parte desta organização não haverá qualquer problema de cooperação, exigindo apenas alguns garrafões de tinto da região e uma balente almoçarada de cunbíbio nas escolas onde a formação for dada.


12.9.06

A nha menardinha

"Como mimscrebi no motoclube cá da caramelândia, e im cumbersas amais o Tohinaiço imbentei estes bérsos da nha cabeça. Espero que gostim.

A nha menarda

A nha menarda artilhada
Tem molas de competição
Salta por cima do cumbóio
Pró outro lado da estação.

À noite desalboriado
Bou ditado no selim
Bou de farol apagado
Bou do Lau ao Terrim.

Fiz uma nova pintura
Com uma risca amarela
Só me falta a pindura
Que bou buscar à Sela.

Tenho escape de rindimento
Pra açapar de madrugada
Bou de punho cerrado
Bou a fugir à guarda.

Menarda menardinha
Menarda meu amor


Tem o ronco dum trovão
e a força dum tractor
lebo a família e o cão
em cima do guiador

tem a força dum tractor
menarda menardinha
E um ninho de ratos
Na cabeça motor


Tem cadilhes pindurados
Na manete do trabão
Faço rotundas todo ditado
A arrojá-los pu chão


Aposto já cuntigo
Librete contra librete,
Bou de roda im péi
Do Lau a Alcochete.

(carta anónima trazida por um cão caramelo)

5.9.06

Grandes entrevistas de verão

Espaço dedicado a entrebistas beraneantes com homes de elebada importância na grei caramela

A grande entrebista de berão bai para Fernado Excomungado Pitrólero, idade incerta, residente na bela localidade da Carregueira e candidato assumido à presidência da futura C.E.C. (Comunidade Económica Caramela).
A hora combinada para a entrevista não foi a melhor, a planície está quase deserta, três da tarde, o sol caramelo fustiga-nos o coirato atéi à intarmiada. Depois de pricuramos no café Lua Cheia Aparbalhada, não foi difícil encontrarmos o nosso homem. Manuel Pitrólero é de facto um home rijo, que impressiona pela determinação das suas ideías e porte quase aristocrático (de linhagem caramela).
Mal entramos no seu território (um antigo terreno baldio por ele ocupado no pós-25 de Abril) avistamo-lo: está no alpendre, confortavelmente instalado numa velha cadeira de palha, rodiado por dois cães de raça coelhera, que bastante brabios, não param de nos rosnar, eriçando o pelo e mordendo-se mutuamente. Nandinho do Pitróile (como gosta de ser chamado), tem os pés dentro de um alguidar com áuga e gelo, o qual serve simultaneamente de refrescador de mines e de uma metade de melancia, na qual ele acraba as unhas, esgrabatando as pevides que se misturam com a água fresca. As primeiras palabras que nos dirige não são cordiais:”tal tá a merda, atão já pinsaba que bócês na binham, bá lá ber, tenho mais que fazer!”. Percebemos depois que Pitrólero nos confundira com repórteres do Jornal do Pinhal Novo, e assim desfeito o equívoco, (sabendo que éramos da FLC), nos convidou imediatamente para entrar, oferecendo-nos melancia fresca e mines, “se são da FLC são amigos, car...”, disse. De seguida, num movimento elegante e igualmente selbaige, sacou da sua navalha, mergulhou-a no alguidar dos pés, levantando-a pouco depois. Na ponta trazia um belo pedaço de melancia, o qual nos ofereceu, ao mesmo tempo que abria duas mines com os dentes, “bebam repazes, cú calor tá aparbalhado, isto aquase parece que se bibe dentro de um meio bidon im brasa”.
N. Pitrólero tem uma longa história de trabalho e deambulações por todo o território caramelo, o qual conhece bem e no qual é também bem conhecido. Diz não só orgulhar-se dos muitos amigos que tem, mas também dos muitos inimigos que foi fazendo e que o ajudam a manter-se “sempre de pêlo eriçado como os mês canitos e de crista im péi comó galo cobridor”. Em gaiato, após o avô “ter aparecido im casa com um zingarelho que daba luz”, decidiu começar a vender pitromaxs de porta em porta, o que lhe permitiu comprar a sua primeira bicicleta a motor “ainda me alembra, fui à capital, ó Sousa das Bcicletes e paguei im denhero. Intrei na loja e disse: benho a péi mas quero sair daqui a cabalo im qualquer coisa que ande à parba”.
Pouco depois, fez parte do grupo de pioneiros caramelos que acreditaram na exploração do petróleo na região do Lau e consegui com isso amealhar uma pequena fortuna. Quando este tema de cunbersa surge, os seus olhos brilham, e entre mais uma nabalhada de melancia do alguidar e um gole de mine, diz:”ali habia pitróile bardadero, quim acraditou nisso, incuntrou o óile que faz os homes parbos. No ínicio para cunseguirmos extraí-lo tinha de ser à pá e ódepois chupá-lo por uma manguera...ingoli muitos litros de pitróile, atéi o mê mijo era balioso.. Aquase todos os meios bidons que hoje andam por aí, fui eu que os bindi, chiínhois atei ó cagulo de pitróile caramelo”. É este o home que quer ser presidente da futura Comunidade Económica Caramela, um sonho que acalenta desde gaiato, porque na sua opinião a caramelândia deve-se unir para que “ nã facam do home caramelo brabio um bicho im istincão para ser mostrado im desfiles e também para que a gente nã se ingalfinhe todos à bardoada e ó tiro uns cús otros, esquecendo-se que somos um só pobo, selbaige e rijo”. Entretanto as primeiras estrelas começam já a aparecer no céu da Carreguera e Nandinho Pitrólero tem os pés frios. Em silêncio, absorvido pela serenidade do horizonte, limpa os pés nos cães e enrola um cigarrito. Absorto, contempla agora o mundo. Queríamos ainda fazer-lhe algumas perguntas sobre a futura C.E.C., mas ele diz-nos calmamente: “repazes, se eu fosse a bócês punha os chispes daqui par fora. Bai comecar o nosso dibertimento nocturno, uma sassão da tiro”. Vêmo-lo pegar na caçadera, colocar o cigarrito ó canto da boca e apuntar para a casa do vizinho. Não tardam em chegar as primeiras rajadas de tiros, provavelmente provenientes de uma outra casa mais distante, que se acrabam na chaparia da marquise. Aproveitamos a sugestão, rastejamos até ao portão e vamos de menarda pela noite fora, cuntentes por termos conseguido mais esta entrebista com um home importante da caramelândia. Ao longe ainda se ouvem tiros...