7.1.08

UNESCO prepara-se para incluir a cultura caramela na lista das culturas a defender e preservar no mundo

A cultura caramela prepara-se para ser reconhecida internacionalmente, passando a fazer parte da lista dos povos minoritários, reconhecidos pela UNESCO devido à sua história, cultura e importância na diversidade cultural humana.
Para tal, após visita secreta de António Guterres - Alto comissário das Nações Unidas para os refugiados- à Caramelândia, basta apenas que seja enviada alguns livros e cd's em idioma caramelo*, para que a existência deste idioma seja comprovado junto de algumas entidades. António Guterres, andou camuflado de vendedor da reforma agrária, tendo adquirido toda a indumentária necessária para tal na Loja do Toino Brinca. A FLC cedeu-lhe uma motorizada Famel com chófer e “três jerricans de gasólio para circular à buntade pela nossa bela nação. Cuidim bem do home!”, disse Jerónimo Açaimado, actual ministro dos assuntos estrangeiros da caramelândia. Toino Guterres visitou a Reforma Agrária, o mercado mensal, a loja do Toino Brinca, e todas as povoações à volta da capital, bem como as instalações secretas da FLC.
Ficou maravilhado com o que viu e disse (em conferência de imprensa semi-secreta na Palhota, no café O Pôr do Sol Caramelo) sentir-se envergonhado por ainda não ter tomado nenhuma medida protectora em relação a este “povo nobre e de grande orgulho identitário”, ao qual alguns dos presentes responderam: “bócês quando são prasidentes tên na maniazinha que são párbos, mas aqui ca gente comem mas ei merda de porco caramelo!”.
No final, o alto comissário, teve ainda tempo para trocar palavras com o mais destacado pensador em língua caramela da actualidade, Toino das Ideias Parbas, o qual o impressionou bastante pela “agudeza e contemporaneidade límpida do pensamento verbal”. Após Guterres ter proferido estas palavras, Toino das Ideias Parbas julgou que o home o taba a insultar e quis jogar-se a ele segurando no gargalo de uma mine, que havia partido no balcão do café. Este triste incidente foi rapidamente abafado e após explicações, saíram todos com um sorriso nos quechos. A visita terminou com uma passagem-almoço pela Atalaia, onde Guterres teve oportunidade de ser brindado com uma grandiosa foguetaige rija, organizada pelos Círios, caté andou parbo. Teve também a honra de ser considerado cidadão honorário da Atalaia, lançando um mortero de cima de uma carrinha de caixa aberta, com um cigarrinho acesso ao canto da boca, enquanto a equipa do Talau musicava o momento.
Resumindo, “epá, achamos que o home foi maravilhado cum a nossa cultura, inda lebou umas garrafas de tinto do Cajó e uns quejos do Ti Chico Obelhero e amais umas nabalhitas, daquelas que eram bendidadas na cantina da antiga estação da C.P. Bamos esparar agora que os homes digam qualquer coisa, pa isto ir pá frente, senão organizamos uma excursão i bamos lá ter cum eles a uma terra chamada Bruxelas, comás cobes”, referiu Jerónimo Açaimado, visivelmente eufórico e embebido em médias na Sede da Palhota, já a noite caramela ia mais alta que o depósito da água da estação.
A FLC apoia O POVO CARAMELO e a sua luta pela AUTODETERMINAÇÃO.

*O livro seleccionado para representar a nossa cultura será "Poesia com chispes de Luz" de Ti Balbina Acorada e o cd será "Talau e seus Muchachos" dos Círios da Carregueira.

29.12.07

MINE: O PODER DA CONVICÇÃO CARAMELA

(cuntinuação da cuntinuação da cutinuação do consultóiro do dia-a-dia)



Como távamos a dzer, intigamente o binho era o centro do mundo caramelo, mas a grande mudança estaba pra chigar.

A maior rebolução do mundo caramelo está relacionada com a chigada da primera mine ao nosso territóiro: um berdadeiro marco histórico.
Segundo cartas intigas, sabe-se que a primera mine foi incuntrada numa curva, na Marateca, no Verão de 1953. Não se sabendo o que era aquilo, o objecto fez reunir toda a população local pra um debate-garreia:
- Isso é uma granada da PIDE. – disse um maluco fanhoso com a boca ó lado.
- Não é nada. Isto é uma mina dos Nazis. - disse um GNR a agitar um chicote.
- Mina?!!! Ah ah, isto é mas é uma MINE! – disse um gaiato parbo com um monco pindurado no nariz.
- É uma QUÊIM?? – précuraram todos numa só bóz.
- É uma MINE, óóhh!!!! – gritou o gaiato parbo que apanhou logo com uma cajadada pelas fuças caté o monco saltou pró pasto.
- Tu bai-te mazé já imbora daqui q’isto nã é pra gaiataige…
- Bamos abrir ela. – dsseram todos im balbúrdia.
- Xôôôô tudo daqui pra fora. - disse outro GNR a descer do cavalo - Bá lá bá lá, recolha obrigatóira e passem pra cá a mine. Bamos confiscar ela.
Entretanto a mine desapareceu na balbúrdia e tornou-se um objecto de culto, clandestino. Três dias depois, já em Águas de Moura, foi engenhosamente atada com um baraço e aberta com a força duma parelha de mulas. Com a elevada agitação, amais o pico do calor, a mine transformou-se em espuma e molhou as caras bronzeadas mais próximas.
- Afinal isto é um extintor! – disse um que estava a fumar um cigarrinho definitivo.

A agitação durou sete dias e sete noites e, quando se pensava que o assunto estava esquecido, foi encontrada uma grade cheia de mines à sombra duma carroça dum cigano. Era o fim do mundo! Um mês depois foi visto um camião cheio de grades a caminho da Atalaia e no Verão seguinte já o povo caramelo estava rindido ao infinito das mines.

"O mundo romântico das adegas - e das argolas de tinto, desenhadas pelos copos - começou a desaparecer e deu lugar ao mundo neo-gaseificado da mine." (Podia-se ler no, já extinto, jornal "O Acendalha")


Esta buida que faz arrotar, fez nascer novos hábitos na sociedade caramela. Começaram as constantes reuniões à volta do meio-bidom adonde, com a ajuda de muitas mines, se tenta tirar ideias de dentro das cabeças para desvendar o segredo do equilíbrio e do infinito. Perguntas como “O que é que está para lá da última mine?”;... “Haberá bida para além da mine? Haberá pinsamento?”;... “E quem tem uma mine tem tudo? E quem nã tem mine nã tem nada?” ;... “E sem mines adonde é que está assunto pra um home falar uma noite inteira, comé que éi?”;... “Sem mines pode existir alguém que consiga óbir um caramelo das cinco da tarde até às cinco da manhã? Hã?”;... “E os tramoços? Adonde é que estão os tramoços?".... Muito se tem dito, mas ninguém sabe.

O mino-centrismo (teoria científica em que o mundo gira à volta das mines), está hoije perfeitamente implantada na nossa sociedade tornando uma cultura única no mundo. A teoria defende que cada mine provoca o aquecimento da alma e ilumina a razão de todas as coisas. É a fonte de inspiração, a substância do progresso e, principalmente, o poder da convicção caramela.
Por todo o nosso territóiro está a maior concentração do mundo de estabelecimentos de minofilia onde o povo pode praticar o culto, trocar ideias e buer à rodada.

Portantos, se bocemecê buer mais de 50 mines e começar a bolçar, isso não quer dizer que chegou à última mine, porque não existe a última. Quando bolçar uma, bocemecê chigou ao momento da grande glória em que tudo o que disser é com tal cunvicção, que não há doutrina, nim doutor, nim Papa, nim cumbersa nhuma, capaz de lhe fazer frente, e isso é um momento importante que todos nós devemos ter pelo menos uma vez na vida.


Bom ano para toda a caramelândia.

Resposta de Armindo dos Soluços

23.12.07

CARAMELOPÉDIA

(Segunda continuação da resposta do consultóiro do dia-a-dia)
***

Ora como távamos a dzer, o mundo de intigamente era Valo-cêntrico mas, mais tarde, já no sec XX, tudo se modificou, não só deribado à linha do cumboio como tamém deribado ao binho. Zé Maria, um home local, defindeu que a razão da existência caramela estava ligada às argolas de tinto que os copos dixabam marcadas nas mensas e balcões de pedra. As argolas eram o ícone do cosmos, símbolo do alimento da alma, a materialização do conhecimento. As argolas eram, ao fim e ao cabo, a razão do ser. Esta visão radical alterou a bida social de toda a primeira metade do sec. XX., e o crescimento da vinha na Caramelândia, ao ponto de se tornar a maior vinha do mundo. Era intão o mundo Argolo-cêntrico. Dizia-se então por todas as coletbidades e tabernas, que as argolas tinham que ser infinitas se não o universo acabava e éramos todos chupados par dentro dum comprimido.

Mas a maior modificação do pinsamento filosófico-caramelo ainda estaba pra bir.
Mas, como temos tempo, isso fica ainda para o próximo serão.
Até lá intão.

19.12.07

Resposta completa ao consultório anterior

Como prometido, resolbemos responder agora por cumpleto à pergunta anterior do consultóiro do dia-a-dia.

Ora intão bocemecê bolça, hã?! Bolça com uma determinada mine e quer saber adonde é que tá a última mine!!! Pois é!... Não há última. Isso tem a ver com o nosso próprio infinito.

Fique sabendo que o infinito normal, aquele que hoije se fala por i nessas escolas, é propaganda neo-aparbalhada e é uma espécie de infinito diferente do infinito caramelo clássico.
Oiça lá intão:
Intigamente o pinsamento do infinito estaba ligado à Vala da Salgueirinha, não só porque continha todos os elementos do universo, como porque ninguém sabia adonde ela começava nim adonde ela acabava. Por isso pinsaba-se que a vala era redonda. Nessa época, o mundo caramelo era Valo-centrico ou seja, a Vala da Salgueirinha era o centro do universo.
Já no século XIX, (muito depois de Galileu), o Juquim da Rolha (um grande filósofo) pôs uma rolha à deriva, para calcular o comprimento da vala. Como nunca mais viu a rolha, provou que afinal ela não era assim tão redonda quanto isso, e disse “aposto já aqui um jarro de tinto im como a vala é totalmente comprida”.
Totalmente cumprida?!!!!disseram os outros pinsadores na sede do Rio Frio - Cumprida totalmente?!!!! Tu tás parbo ó quê? Nã existe nada tão cumprido totalmente assim!”
- E digo mais - disse Juquim da Rolha - a Estrada dos Espanhóis ainda é muito mais totalmente comprida, do có ca Vala da Salgueirinha.
- Proba isso já.
- disse o grande pensador Zé Maria, im cima dum cavalo.
Juquim da Rolha apanhou medo à coisa e, para provar que a Estrada dos Espanhóis era mais infinita que a Vala da Salgueirinha, não usou uma rolha. Fez outra coisa: espatou um gato no meio da Estrada dos Espanhóis, com o fucinho im direcção a Espanha, e infiou-lhe malagueta pelo cu adentro, só pra ver até onde ele ia parar. O gato fugiu estrada acima e nunca mais foi incuntrado. Até hoije.
Como um gato aparbalhado foge mais que uma rolha de cortiça, chegou-se facilmente à conclusão que, na realidade, a Estrada dos Espanhóis tem mais comprimento que a Vala da Salgueirinha. Mas não deixava de ser redonda!!

Por isso a aposta do jarro de tinto nunca deu im aperto de mão. O Juquim da Rolha chegou mesmo a levar punhada pelo toutiço, e foi obrigado a retirar o que disse sob pena de ser atirado pra dentro dum meio-bidom im brasa só pra lhe queimarem as nalgas.
Desde então o fim da Vala da Salgueirinha tornou-se um tabu. Aliás, o fim da Vala da Salgueirinha é hoje um mito, cujo segredo está remetido aos pergaminhos secretos da câmara palmelona e seus comparsas. Mesmo hoije, o caramelo comum não sabe nada acerca do seu fim!

Mais tarde, já no sec XX, o mundo caramelo mudificou-se, mas essa cumbersa fica para o próximo serão.
Até lá intão.

15.12.07

Consultóiro do Zei das Mines

Se tiberes ãinças ou buntade de dar punhada no fumo do coirato, escrebe práqui que a FLC dá-te o azeite. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

"
Estou a escreber neste papel porque ando, de há uns tempos pra cá, com um problema:
Intão é assim:
eu começo a buer mines assim logo de manhã. Ópois bebo tamém à tarde. Ópois, à noitinha, continuo a buer mines, a buer a buer, a buer, a buer até praí… sei lá! … Praí mais de 50 mines! Ópois, numa certa e determinada mine, aconte-me uma coisa parba:....
Começo a bolçar!
Só aí é que descubro:
óláááá! esta é a última mine do dia!
E é sempre a última que me faz mal!… Primeiro dou um arroto e desconfio “mau!!”, e logo de seguida começo a bolçar as mines todas que tinha buído anteriormente.
Tão a cumprieender?
Em primeiros comecei achar que punham pitroil na última mine pra eu me dar aquele xelique na barriga e ir-me imbora pra casa, pró pé da nha Ercília. Mas ópois disseram a mim:
Pitróil? !!!! Tás parbo ó quê? ...
Às bezes, lá na sede do rancho, já o chão está cheio de serradura e salpicado de água pra começarem a barrer, eu digo:
“Dá lá ai uma mine enquanto barres o chão, sem mais cumbersa”.
Ópois começa-me a dar aquilo:
começa a dar-me quelas boltas à língua, aqueles calores no bucho, uns górmitos… e vá:
uma gomitadela pró chão ca gente até ficamos todos parbos a olhar (praí mais de cinco minutos a ber o górmito!).
O que eu queria saber era se era possíbel saber qual é a última mine antes de chegar à última propriamente dita, pra isto deixar de me acontecer.
"

Resposta:
Oh meu repaz, bocemecê tocou num dos pontos mais sinsíbeis da filosofia caramela. Muito cuspo tem a gente gastado a cumbersar sobre o mito da última mine. Isto já o Toino das Ideias Parbas dizia: “há um infinito em cada salpico de mine”. Ora isto quer dizer que dentro de cada garrafa, o infinito é muito maior porque é feito de triliões e triliões de salpicos, mais que as estrelas que há no céu. Mas esta inquietação da última mine prende-se a teorias do infinito caramelo muito intigas. Mas como isto é uma cumbersa comprida esperem só um bocadinho cagente responde tudo o que bocemecê precisa de saber.

8.12.07

A importãiça dos editoriais

CARTA:
"
Sou das Areias Gordas adonde toda a gente me conhece por Zé Escabadeira porque sou um home brabio com uma forçaria capaz de lebantar um bolksbaige de pantanas e jogar ele pra uma estrumeira.
O que eu quero dzer é que leio sempre as belas históiras dos editoriais do Jornal do Pinhal Nobo, por mostrarem uma grande bisão jornalística. Mas dixei de tar cumpletamente sastesfeito. Eu sei que esses editoriais são contos de grande importãiça pra todos nós, mas se fossim reportaiges sobre a nha tia Roberta Farinácea, a contar o dia a dia da galinhaige no espojeiro, enquanto cose o buraco dumas peúgas, atão isso é que era de balor. Mas não!...

Ópois falaram-me que a FLC tamém faz editoriais de grande qualidade e fiquei todo cuntente, por isso fui logo prá vindima pra ganhar uns tostões e comprar um computador. Já disse a toda a gente, e bou dzer aqui, que fiz um migalheiro e cumprei o computador só pra bir ler as notícias da FLC.
Mas agora ando arreliado. Uma pessoa bem aqui quase todos os dias e NADA!
É que bocêzes, como grandes defensores da nossa cultura, nã amandam cá pra fora mais notícias, históiras, lendas, editoriais e mais editoriais e… cunsiderações sobre a nossa nação.
Quero ber mais trabalho.
Ou bocêzes labutam e acordam prá bida e jogam-se a preceito e ó afinco à nossa cultura, na apanha de acuntecimentos e isso…, ou eu arrebento já aqui com as letras do teclado à punhada que isto fica logo com as tripas de fora. E nã tou a brincar hã?! Bem! …
É que isto nã tá fácil. Se isto continuar assim, exijo já aqui uma indemnização ou qualquer dia arrebento com isto tudo a pontapé caté o computador bai a aboar prá testa dum GNR.

Eu já tou farto de dzer e digo aqui cum orgulho que a cultura caramela está cada bez mai forte e quero portantos agradecer aos chefes da FLC por fazerim de mim um homem mai libre nesta nação que é da gente todos. Mas bejam lá mazé se espetam mais editoriais pra gente ler todos cuntentes,
Sim mai cumbersa de momento, e até logo.

Zé Escabadeira. "

O espaço "Cartas a cagulo a sair do alguidar" é a bóz ao pobo caramelo que manda prá gente correspundêinça brabia de interesse giral e parbo-reimbidicatibo.

***********

Direito de resposta

A propósito da carta tirada de dentro do nosso alguidar, de onde se podia ler que os elementos da FLC debem ser “mai trabalhadores” e que “debem amandar mai notícias cá pra fora”, o Conselho Geral da FLC declara:
“ A FLC é uma organização rebolucionária, única no mundo totalmente equipada com floberes, 5 rolos de fita adesiva e 100 metros de arame pró que der e bier. Estando ainda remetida à clandestinidade, a FLC luta pela a libertação da cultura caramela e é constituída por um grande número de militantes, activistas e colaboradores, (sem falar da canzoada especializada em encontrar coirato), contando com todas as comunidades caramelófonas espalhadas pelo mundo. Toda a sua força brabia vem de dentro de cada um, portantos, não recebe qualquer apoio nim da América, nim da Rússia, nim dos construtores civis, nim de porra nenhuma. Por isso, para além de cumprirem as missões de libertação, têm tamém a sua profissão im prol do progresso, e é por isso que não espatamos aqui muito mais editoriais.”

21.11.07

Cartas à Babuige caté cria bicho

Este espaço é a bóz ao pobo caramelo que manda prá gente correspundêinça brabia de interesse giral e parbo-reimbidicatibo.

Carta:
"
Escrebo esta carta porque eu ando a frinzir as bentas cum bocêzes, é que eu sou reformado da CP, fui rebisor (há pessoas que dizem "tu és mazé um retrobisor”, mas não é, é “REBISOR”, hã? RE-BI-SOR), e quando apanhaba o passageiro na retrete da carruaige, só de olhar cara a cara, bia logo se tinha bilhete ó não. É que tenho feito umas cumbersas cá na sede do Rancho, aqui na Lagoa da Palha, sobre a Frente de Libertação Caramela, quem são bocêzes e isso. Toda a gente diz que sabe quem bocemecês são, e q’lá assim e q’lá assado, cozido e frito, mas nã tou cumbincido. Nadinha, nadinha. O que eu quero dizer é que às bezes um home tá aí ler as bossas cumbersas, a ler, a ler … e eu até tenh diabetes e sou reformado da CP, fui REBISOR e sabia logo a malta que fugia prá retrete da carruaige e conheço toda a gente… e parece-me que bocemecês nã estão a falar a séiro. Eu cá aicho que estão na brincadeira e isso não é de home. Há quem diga que é tudo berídico, outros dizem nã sei quê e que são fulano e silcrano, isto e aquilo. Eu aicho que andam a brincar cá cagente! Por exemples, uma bez li que o aeroporto nã pode ser feito no Rio Frio deribado à fuguetaige rija, mas isso bê-se logo que estão a imbentar. Alguma bez?!!! Eu aicho que é por causa da maltezaria que anda aí armada de floberes ó pardal e que os abiões podiam lebar uma carga de chumbo pas asas. Isso é a pura da berdade, e isso bocês na sabim. E eu aicho que a TAP é um aeroporto importante e bocêzes nã debem andar praí a falar mal da cultura da fuguetaige rija… até porque às bezes dá-me uma pontada aqui nos rins caté parece que lebei uma cornada. Além disso eu aicho que debem fazer estudos mais séiros sobre a cultura caramela a nível do Rancho Fóclórico da Lagoa da Palha e não só dos grilos e bicicletas e isso, que tamém é importante, mas o Rancho é munto mais importante.
Sim mais cumbersa de momento,

Manel Giraldes, conhecido por Manel Retrobisor "

17.11.07

O ENTULHO DO LEITOR
Espaço anteriormente baldio onde o leitor caramelo pode atirar coirataige ó ar sem que por isso o açaimem

A FLC inaugura aqui este espaço paronde bócês podem mandar as bossas opiniões mais parbas ó não. A FLC reserva-se o direito de nunca responder, pois este é um espaço de desabafo, crítica e largada de ideias pa quem as quiser óbir. Os estimados leitores que tenham dúvidas dignas de resposta serão encaminhados para outro espaço nobre da FLC: o correio do leitor.

Carta nº1
Olá. Bibo na capital caramela há alguns anos, desde que me imparbalhei com a ideia de mudar de uma casinha tipicamente bravia na Palhota para um apartamento no 1ºandar na Salgueirinha. Tenho saudades das coelheras e de assapar na minha Zundap pelos aceros afora, quando era mais gaiato. Já tintei pôr coelheras na janela, mas tibe problemas com os vizinhos, tibe de andar à bardoada duas ó três bezes e ó depois, dixei-me disso, já na tenho idade. Mas o propósito desta escritura ei o de propor à nossa Junta de freguesia que dexe de limpar o lago do jardim. Passei lá no outro dia e taba feliz por ber que aquilo taba quase a tornar-se um charco, aquase parecia a chaboca. Disse logo ós meus gaiatos, para irem ter com a abó à Palhota e para irim com ela ó charco (fica mesmo por detrás da minha antiga casa) e para trazerem sapaige e rãs com fartrura. Os rapazes boltaram com uma sacada de rãs e quando íamos deitá-los no lago, tabam os homes da câmara a limpar aquilo, já nem auga tinha. Fiquei deberas inerbado com aquilo. Acho que na têm trambelho nenhum essas limpezas, aquilo limpo parece um tanque de labar a roupa, cheio de tubos de motor de rega. Proponho ó senhor presidente da nossa Junta de Freguesia que dexe de mandar os seus homes limpar o lago, e bai ber que nasce ali um belo charco berde, cheinho de becheza que encherá o pobo caramelo de orgulho. Afinal, pargunto eu (que nim sou nada), o que representa mais a cultura caramela, um tanque com auga dentro que nim pa labar roupa serbe, ó um belo charco, cheio de sapaige e rãmzaria a coachar pela noite caramela afora, mesmo no centro da capital?

Autor da carta: Aquilino Numismático, 81 anos, residente em Pinhal Novo.

14.11.07

TRATADO RADIOFÓNICO DA ALCUNHA CARAMELA III

Bamos óbir o último episóido do documentáiro radiofónico sobre o porquê e o nã sei quê/ nã sei que mais, das alcunhas na nossa ancestral cultura.
Agora bamos infiar a bobine no grabador e…
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
tarceiro episoido
(som duma gaita de foles muito nerbosa a bir pra cá, caté mete medo)

Narrador – No episoido passado (já tá coalhado de tanto tempo que passou), a gente disse que as alcunhas nã são espatadas assim à parba e que têm regras e que mais na sei quê e tal e tal. E afinal que regras são essas, afinal? Hã? É isso que bamos já aprinder. Por exemples uma das regras é a olserbância duma característica física de índole caramela. Isto quer dzer que temos que andar de olhos bem abertos a olserbar de alto a baixo o aspecto brabio do candidato que bai receber uma bela alcunha…
(som dum motor de rega)
Voz
- A Atoina das Patilhas já não regaba o aceiro há mais de 2 meses.
-Hã??
- A terra dela até já parecia as beiças do Sebastião Ressequido.
- Atão não?!! Agora, ópois da rega, até parece o Ti Enxaguado.

(som de gargalhadas, ferrinhos e concertina à desgarrada com o zurrar dum burro)

Narrador – Outra regra é, por exemples, a olserbância dum fitio brabio do candidato (ou candidata). Isto requer uma fina olserbação durante alguns minutos. Uma atenção às atitudes do ser, pra tirar a ele um retrato psicológico, que ópois vai ser resumido numa alcunha completa…
(som de canzoada a rosnar)
Voz sorrateira à janela
– Pssst pssst, Jaquina. Ó Jaquina Exacerbada, sabes da última?
- O que éi?
- A Isilda Vadia anda metida com o Manel Caganças!!
- Ahhh!!! Se a Aurélia Linguaruda sabe, isto bai logo parar ós obidos do Juil Espraveirado.

(som do coro do Rancho Folclórico das Lagameças, sem ferrinhos… mas com flaita)

Narrador – Adiente… É tamém munto normal espatar uma alcunha que ilustre bem a profissão ou qualquer actibidade tipicamente caramela, desde que o candidato a desempenhe cum balintia…
(som de grabilha a cair im cima duma garaige de zinco)
Voz
- Lá tá o Jaquim Leiteiro, outra bez a espantar a passaraige lá do telhado.
- Poizé, o Mairo do Estrume já o abisou pra nã fazer isso…
- O Estrume?!!! Adonde é que ele foi?
- O Estrume foi à do Xico dos Burquins, a ver se ele impresta uma ficha tripla.

(silêncio!!!)

Narrador - É tamém comum haber alcunhas indicadoras duma atitude específica, dum acuntecimento im particular… enfim, uma maniazinha que o dono dessa alcunha teve um certo dia, ou costuma ter de hora im hora… (som dum sininho de catequese). Nestes casos temos por exemples as alcunhas Tirapicos, Traça-Coirato; Isaltino Desataracha ou Ti Galganas do Jerrican. Tudo isto é muito normal. Até mesmo as alcunhas excepcionalmente compridas chegam a ser usadas no chamamento diário das pessoas, como por exemples a Ti Irvina do Penso-Largo-Mal-tá-na-Cinta - uma senhora conhecida, ali da Sul Ponte…
(som de canzoada a lember leite duma tigela de alumínio)
Voz feminina sensual
– Ohh meu Manel Acendalhas, anda cá mais eu pra cima da carpete da sala.
- Ohhh Disidéria Maravilha, tiraste-me as palabras da nha bocarra…
(som de canzoada a ganir)


Narrador- Em última análise, a vantagem de possuir uma alcunha é transformá-la numa imagem de marca:
(som dum motor-de-arranque dum Marcedes)
Voz ao Uolki-Tólki
– Tá??? Crrrrrrr… Rapi-Tira???
- Sim tou a óbir.
- Ccrrrrrrrshhhrrr Vai fscar a Ana Teresa, ali à Fonte da Baca crrrrrssshhhrrrrr… leba ela a Palmela que ela tá cum pressa.
- O quêim??
- Rapi-tira?!!! Crrrrssssshhh Passo à escuta.
- Sim, mas é a última bez que a chamas de Ana Teresa, ou intão…

Narrador – … ou então, se a Ana Teresa não tiver uma alcunha caramela a preceito, não há táxi pra ninguém, e tem de pagar portaige pra entrar na caramelândia.
(som dum autocarro da câmara com falta de pitroil)

Este foi o tratado radiofónico das alcunhas caramelas.

Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
(música de fundo com o som de ratoeiras a disparar)

7.11.07

Cartas à Babuige

Deribado à inchente de cartas caté põim a cagulo o nosso alguidar de currespondêiça, bamos espatar aqui neste espaço o que elas querim dizer. A FLC aicha ca bóz do pobo caramelo debe tar sempre à frente das outras bozes e ruídos. A responsabilidade é dos donos das coisas que dizem.


Sou do Pintiado e escrebo esta carta porque ante-ontim fui à Junta de Freguesia da Capital Caramela pra me inscreber pró grande incontro de bersos e poetas e galhofeiros, na sede do Rancho Folclórico do Pinhal Novo. E o que é que me aconteceu? Hã? As reparigas da Junta dsseram a mim: bocemecê na pode intrar porque é do Pintiado, bá lá prá sua terra dzer os seus bersos. E eu : O quêim? Mas o Pintiado nã pertence à Caramelândia nim a Palmela (ó lá o que é isso)? E elas nada. Bem… fui-me imbora pra casa aborrecido e escrabi esta carta à FLC. Gostaba que publicassem os meus bersos pra toda a gente saber cu Pintiado é tamêim terra de caramelos, de nabalhitas, fuguetaige e bersos.
Munto agradecido.



Nabalhita, meu bem

Foi num sorteio do marcado
Num númaro escolhido ó calha
Saia-me sempre um rabuçado
dessa bez foi a nabalha.

Fiquei logo afeiçoado,
À nha bela nabalhita,
Bá lá ber respeitinho aqui,
Comigo já ninguém grita.

Oh nabalhita afiada
és aquilo q’eu quiser,
quer aberta quer fechada
Metes medo à GNR.

Metes a GNR desostinada
E na faço mal a ninguém,
Só mato os porcos à facada
Pra eles os comerem tamém.

A nha nabalhita é uma beleza
Amolada no poial do portão
Faz cirurgias à bxeza,
Tira as casmarras do cão.

Raspa as raspas da frigideira,
Descasca a maçã riscadinha,
Desmonta uma zundape inteira,
Oh nha rica nabalhinha.

Corto um bolo de fatia im fatia
num truque que só eu é que sei
Dizem até q’eu tenh na mania
Cum a nabalhita q’eu ganhei.

Corta-me o calo dum pé,
Berzunta a manteiga no pão,
Benham ber como é que é
Como é q’eu rebento um balão.

Oh nabalhita, oh meu bem
Tu és a melhor a cortar
Cortas-me os dedos tamém
Mas isso só s’eu deixar.

Oh nabalhita minha donzela,
Abres mines na coletbidade
És fusível, gazua e sovela,
És toda a minha baidade.


Sou Caramelo brabio e balente,
Mato o pato o frango e a galinha,
Mas na sou home nim sou gente,
Sem a minha nabalhinha.

"

Autor:
Toin Catrefada

1.11.07

Notícias da Caramelândia

F.L.C. promove acções de formação na área da construção civil

É já neste mês que irão começar as primeiras acções de formação para trabalhadores da construção civil que residem e trabalhem na caramelândia. Esta acção de formação pretende colmatar uma crescente falta de caramelidade nos operários desta área, que começa a ser preocupante, numa área tradicional para a manifestação da espontaneidade selbagem homo-caramela.

A formação será dividida 5 em módulos:

1. A mine éi sagrada e o saudosismo salutar da Granada (Sagres Média)
2. Punhada nas horas de descanso
3. Piropos para as caramelas balentes que passem lá im baxo.
4. O acindimento do meio bidon com material de sobra e o respeito pelo meio bidom como utensílio indispensável em qualquer obra caramela
5. Artilhanço de menardas e biciletas a motor para despique im frente ó preido que se cunstrói. (módulo bónus para os melhores alunos)

1º Festival da Canção Caramela é na Lagoa do Calvo

Já foi anunciado oficialmente- O 1º Festival da Canção Caramela será na Lagoa do Calvo que ficou em primeiro lugar na votação inter-caramela. Em segundo lugar ficou o Forninho, apenas um ponto à frente da Palhota, que era à partida a grande favorita para organizar esta prestigiante gala. A votação teve lugar num baldio dos Arraiados (uma almoçarada-votação) e é de assinalar o encerramento da mesma com uma sessão de punhada, que foi do agrado de todos os presentes. Para esta Gala, os concorrentes só poderão apresentar uma cantiga, a qual terá de ser obrigatoriamente cantada em caramelo puro, a solo ou em grupo de no máximo 4 elementos. Também não serão permitidos instrumentos electrificados, privilegiando-se os instrumentos musicais de fabrico caramelo.

Ti Balbina Acocorada prepara-se para lançar mais um libro

A nossa anciã poetisa, uma das maiores vozes libertárias do movimento feminista Caramelo prepara-se para lançar mais um livro de poesia.
Pedimos a Toino das Ideias Parbas (que mais uma vez vai ser o autor do prefácio do novo livro de Acocorada) para nos dar algumas palavras sobre o que já leu:
“Do cunjunto de folhas desligadas e rabescadas pela grafia aquase-rupestre da Ti Balbina, bislumbra-se a planicíe caramela pejada de mãos unhudas que esgrabatam a terra de manhã ao pôr do sol. Bejo aqui nobamente a referência a temas que binham já no seu anterior libro “Chispes de Luz”, como a mulher operáira, mãe da terra e das unhas cumpridas que tantam esgrabatam a batata orbalhada como escarafuncham a órelha. Por seu turno e bez, a órelha da mulher ei uma referência à coirataige do porco, algo que desde gaiato ê bejo na poesia da Ti Balbina e quê acho que paréla ei sagrado. E mais nã digo. Bejam bócês o libro. Tá muita balente!”

Aqui está um excerto do nobo libro da Ti Balbina Acocorada:

Bicheza e Brabeza

Garriei muito à parba
Andei de motorizada
Nunca me dixei aparbalhar
Nim comi comida da canzoada

Onte o sol taba malino
Assintei-me amais o Albino
Nunca bús cuntei
Mas já namorei cum campino

Nã pensem que me calo
Nã tenho medo da brabeza
Se for praciso ando ó estalo
No mê tempo era só becheza

Habia rataria e barataige
E do mais alguma miudaige
Mas comíamos coiratada
E ó depois habia bardoada

O mulherio era brabio
Dabam bofatada e pontapei
Eu tambim era assim
Que bus diga o mê Zei

16.10.07

TRATADO RADIOFÓNICO segunda parte

Bamos óbir o segundo episóido do documentáiro radiofónico sobre o porquê e o nã sei quê/nã sei que mais, das nossas alcunhas.
Agora bamos infiar a bobine no grabador e…


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
segundo episoido

(música de fundo com chocalhos a vir pra cá)


Narrador – No episoido anterior tínhamos dito que é preciso tar sempre munto atento aos progressos da penetração da alcunha e tal e tal, por isso, se a alcunha ficar intranhada por mais de seis meses, é porque o dono pode contar com ela para o resto da bida, ou então tem que fugir prá Sibéria e começar uma bida noba adonde ninguém o conheça... (som dum comboio nos carris). Se ao fim de seis meses a alcunha sumir-se por cumpleto, intão é preciso arranjar outra, ainda mais forte e eficaz que, em certos casos, é tão forte, tão forte e contagiosa que passa de pai pra filhos e de filhos pra netos tal como as bacas malhadas passam as malhas prós bezerros.
(som duma bateneira a mexer o cimento)
Voz de pedreiro
– Ohh Maneeeeeeeeeel!... Manel da Mosca nas Bentas, anda cá mais eu, cá pra cima do taipal, ajudar o teu neto, o André da Mosca nas Bentas, e traz o martelo.
- Péra ai qeu já boooou! Tou só aqui com o mê sobrinho, o Bruno Varejeira nas Bentas, a desinrolar a mangueira.


Narrador – Mesmo assim reserva-se muito respeitinho e cumprimento das normas por quem inventa, chama, ou brada uma alcunha. Uma das regras mais conhecidas é que a alcunha nunca é escolhida pelo próprio. Há quem se faça à pista para lhe espatarem uma alcunha de sua conveniência, como se fosse um nome artístico (especial) metido à parba mas isso não pega. A alcunha tem que ser espatada por alguém de cunfiança que, por surto eruditó-caramelo, inbentou, num momento especial, a alcunha mágica para animar o dia-a-dia das nossas bidas monótonas e aborrecidas…
(som de ventania à porta do centro de saúde)
Voz

- A Zulmira da Rata Seca, ontim teve aqui à chuva desde as cinco da manhã. Quando o médico a apalpou já tava toda molhada! Eu hoije já me aprocatei e bim cu meu Tózé Escorregadio pra me agarrar a ele.

Narrador –É a falar assim que a gente fica todos cuntentes! Mas há que ter im atenção que as alcunhas não são espatadas assim à parba. Elas têm regras de aplicação,... mas isso é o que bamos ber no próximo episoido desta série radiofónica.


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas

(música de fundo com chocalhos a desaparecer)

11.10.07

TRATADO RADIOFÓNICO DA ALCUNHA CARAMELA I

Bamos óbir um documentáiro radiofónico produzido pela Rádio Antena Caramela, sobre o porquê, e o nã sei quê, das alcunhas na nossa cultura.
Agora agora bamos infiar a bobine no grabador e…


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhh PUMMMmmmm.....

O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
primeiro episoido

(música de fundo duma flaita de beiços)


Narrador – Não se sabe ao certo quem inbentou a primeira alcunha, mas sabe-se que as alcunhas são tão intigas quanto a própria punhada. As alcunhas são códigos de sociabilização de grande importãiça na cultura caramela. São de tal importãiça que até há quem diga que só é berdadeiramente caramelo quem for dono duma alcunha a preceito.
(som de alguém a bater à porta … toc toc toc…)
Voz
- Quem éi?
- É o Arsénio Manuel Vasconcelos da Silva, benho cá fazer uma bzita.
- Tu és mazé é um merdas e tens na maniazinha. Chispa-te mazé já daqui pra fora.


Narrador –É assim que pode acontecer! Se o bizitante dissesse que era o Séninho dos Porcos, tinha entrado logo e já tavam os dois a buer umas mines. (som de concertina) As alcunhas sempre foram tidas como com uma força benigna, entusiástica, extraordinária, selbaige, alienígena, que se aplica a um ente querido, fortalecendo-lhe o ego e dando-lhe um ar mais sadio e balente, capaz de bencer os impossíveis do dia-a-dia…
(som duma mine a abrir-se)
Voz
- Atão ó Toin dos Cotos?!! Agarra ali naquela dúiza de mines a granel, e bora mais eu à do Giraldes da Cirrose, buer elas.
(barulho das mines a granel pu chão)

Narrador- É espantosamente motivador. As alcunhas são sempre aceites de comum acordo entre os seus portadores e aqueles que chamam, mesmo sabendo que quem chama está sempre mais de acordo do que o dono da alcunha…
(som de vozes na coletbidade)
Voz mais alta
- Ó Zé Castiçal na Testa, sabes quim éi qeu bi ontim cu Toin Pázudo na retrete da estação?
- Hã?Não!!!
- Ó Castiçal, pá, bi tua Zulmira!
-!!!

(rizada giral e som de concertina)

Narrador – Por isso, quem está sob o risco de apanhar com uma alcunha, acautela-se. Há como que uma caça de gato e rato. Uns andam a olserbar os outros pu canto do olho. As pessoas que preservam ainda o nome de batizo mantêm um ar reserbado, quase sempre calado, evitam grandes grupos, lebam uma bida restrita e tentam mostrar uma bidinha exemplar… mas isso é impossível de aguentar no habitat natural caramelo…
(som duma mosca a aboar dentro da coletbidade… zzzzzzzzzz…)
Voz baixinha de pensamento:
-…Puta da mosca nã me larga as bentas!!!.
Voz grossa a gritar lá ao longe:
- A partir d’agora és o Manel da Mosca nas Bentas.
(galhofa giral e som de castanholas)

Narrador - Ninguém escapa! E é assim, com este encanto, que são aplicadas as mais belas alcunhas. Mas não bastam ser marabilhosas, elas têm que ter a propriedade de se intranharem como a gosma se intranha no fundo das goelas. Por isso, uma alcunha sem graça pode despegar-se do Ser. E é preciso tar sempre munto atento aos progressos da penetração da alcunha ao longo dos tempos… (som de ferrinhos) Senhores óbintes nã percam o próximo episoido pra saber tudo sobre a alcunha caramela.


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhh PUMMMmmm

Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas

(música de fundo duma flaita de beiços a desaparecer)
"

7.10.07

Programa de alimentação escolar causa polémica
Famílias caramelas protestam no início do ano lectivo

Com o início do novo ano lectivo, a história repete-se. Mais uma vez, o programa alimentar das escolas da caramelândia não corresponde aos anseios das famílias caramelas. O protesto é antigo: ano após ano, tenta-se que as escolas da nossa zona adoptem um programa alimentar que esteja de acordo com as nossas raízes e cultura ancestral. Ora, segundo alguns pais caramelos não é isto o que acontece na maior parte (senão em todos) dos estabelecimentos de ensino cá do burgo. As principais A.P.C’s (Associações de Pais Caramelos) já protestaram e prometem não baixar os braços (e as mãos, calejadas atei mai não) enquanto as suas crianças não tiverem direito à verdadeira gastronomia caramela. Assim, como forma de protesto, foi já convocada uma almoçarada-debate-garreia na Palhota, no próximo fim de semana, oferecida pelo café “o Intulho a Cagulo”. Júlio Alcateia (mais conhecido por Julinho Pançudo) é o organizador chefe desta acção de revolta e na última reunião de pais não teve medo de dizer bem alto e aquase enerbado: “ó esses homes da educação fazim o ca gente quer, ó atão bão ter de lebar ca gente, e olhim ca gente nã ei boa de traçar, sisto dá pá barduada ei atei criar bicho, bócês agarrim-me quê saco da nabalha (nisto três ou quatro pais que estavam na reunião tiveram de segurar o Julinho e acalmá-lo com um penalti de Licor Beirão, gentilmente cedido pelo dono do Intulho a Cagulo). A FLC sabe que as Associações de Pais Caramelos, pretendem endurecer a luta e planeiam já outra almoçarada-garreia-protesto, desta vez em frente à Junta de Freguesia da Capital (Pinhal Novo). Laurentino Pitrólero (outro dos pais presentes) afirmou em tom confidencial:”…bai, bai ser im frente à Junta, ca téi ninguém entra, nim o prasidente nim nada (pausa para pensar e respirar para dentro). O mei bidom bai ficar a barrar a porta e quero ber quim ei que nos tira de lá!”, afirmou em tom de desafio com as mãos nas ancas (Laurentino foi forcado amador quando era gaiato). Por último, os pais caramelos afirmam estarem dispostos a ir até às últimas consequências da radicalidade protestante:”Se cuntinuarem a dar sopa minestrone ós gaiatos im bez da nossa sopa caramela, conbocamos uma mega almoçarada-protesto-garreia todos os segundos domingos de cada mês, mesmo im frente à intrada do marcado da capital. Nã entra ninguém, nim ciganaige, nim bicheza d’outra espéce!”, disse ainda Laurentino Pitrólero em tom cada vez mais inerbado e intolerante.
A FLC apoia a Associações de Pais Caramelos na luta pelo direito à alimentação como debe de ser da gaiataige caramela.
Im frente é quéi caminho!

3.10.07

MOBILIDADE CARAMELA - PARTE III

Deribado a estas grandes mudanças na forma como cada um se desloca dum lado pró outro, a FLC e todas as Juntas de Freguesia da nossa nação desimbolberam o Centro Estratégico de Mobilidade Caramela (C.E.M.C.) que bai rebolucionar o mundo do pitroil, das botas caneleiras cardadas, e dos sapatos com solas de borracha.

O C.E.M.C. conta já com a participação de bárias associações e grupos relacionadas com o caramelo im mobimento. O Centro fornece os estudos sobre os efeitos da Teoria da Relatividade nas diferentes regiões, e a complexa fórmula matemática (Fórmula Xana), de como se calcula a trajectória dum corpo caramelo no espaço. Além das associações mais conhecidas como a Associação Pudalo-Pasteleira e a Associação de Cavaleiros da Lagoa da Palha, temos tamém por exemples:

- Associação dos Transeuntes de Carrinho de Mão. Contando com mais de 900 sóices, tem como lema “ora agora bais tu no carrinho, ora agora bou eu” e está fundado no requinte rural. Qualquer caramelo caminha pelas ruas com um carrinho de mão e, quem quiser, pode sentar-se nele (requintadamente no conforto dos produtos hortícolas), e apanhar uma boleia marabilhosa. Depois, a meio do percurso, tem que trocar, se não há punhada pla certa. As Juntas de Freguesia do Pinhal Novo e Marateca, financiadas pelo Fundo das Comunidades Caramelófonas, vão distribuir cerca de 450 carrinhos de mão por todo o territóiro, com o Slogan “Um carrinho, um destino, dois caramelos”.

- Associação dos “Leva-me às Cavalitas” Compulsivos. Conta com várias centenas de voluntários, sem fins lucrativos. Os sóices têm como princípio atirarem-se prás costas de quem circula naturalmente na rua, ganhando não só um transporte panorâmico, como uma grande amizade. Esta associação cavaliteira reserva para os reformados e inválidos, a alternativa de irem ao colo em vez de irem às cavalitas, bastando para isso, apresentarem um cartão, antes de se atirarem para os braços dos transportadores.

- Sindicato de Choferes de Carrinhos de Rolamentos e de Cadeiras de Escritório com Rodízios (S.D.C.D.C.D.R.ED.C.D.E.C.R). Este sindicato exige a construção de rampas em labirinto, a fim de oferecer mais condições nas descidas. Para isso, sempre que num dado percurso haja dois pontos muito próximos, é exigido um trajecto com o maior número de rampas possível. É graças a este sindicato, que esta engenharia está bem patente em dibersos pontos na nossa nação e já faz parte dum roteiro de todos aqueles que querem desfrutar da magia da força da gravidade caramela.

- Associação Caramela de Cidadãos Suinomobilizados. Tem como sóices, praticamente todos aqueles que querem substituir as zundápes e fameis pelo prazer de condução dum porco caramelo-mirandêz de 400 quilos, obtendo as mesmas sensações tais como o acelarar em punho cerrado a arrancar poeira da lama, e peões caté põem um home desostinado. Esta associação começou logo com 3000 sóices e, desde 1977, já lhe perderam a conta. Ainda não está creditada no C.E.M.C. por não respeitar todos os requisitos de segurança e requinte.

30.9.07

Mobilidade caramela II


Já dissemos coisas parbas de abiões e até já foi limbrado (aqui nas cumbersas da coletbidade), aqueles caramelos que tiraram o brébê no intigo abião do parque. Mas a nossa mobilidade na acaba nos abiões. Após bários estudos clandestinos feitos palmo a palmo à linha do cumboio berificaram-se bários fenómenos que só têm paralelo na CP do sul da Índia e nas províncias do interior de Moçambique.

Belhos são os tempos em que uma pessoa podia ir de cumboio de Algeruz à Jardia, ou da Lagoa da Palha ó Poceirão, ou do Pintiado à Benda do Alcaide, ou… Bem, isto quer dzer que agora tá tudo acabado e até na estação do Pinhal Novo só param os cumboios que bão pra Madrid, e ninguém bai feito parbo pra Madrid cumprar uma dúzia de ovos caseiros, se tem a reforma agráira logo aqui à mão.
Foi berificado que, à medida que as estações e apeadeiros foram fechando e os cumboios foram passando em alta belocidade sem parar, os caramelos aperfeiçoaram a técnica de embarcarem no cumboio em movimento usando zundápes a punho cerrado a açaparem lado a lado (na recta do Poceirão), pró pendura poder saltar par drento do cumboio im segurança. Até se contam muitas histórias sobre a maneira elegante de como as caramelas voavam das zundapes para o estribo da carruaige sem mostrar as cuecas e sem despentearem os seus belos caracóis.

Uma outra técnica era apanhar o cumboio em movimento, saltando do alto das pontes pró tejadilho das carruaiges, usando uma manta pró frio e sintir o conforto da queda. Com o tempo tudo isto acabou porque a Fertagus abançou com uma espécie de cumboios escorregadios que na dá pra ninguém se agarrar e ainda por cima incheram os tejadilhos com cabos eléctricos de alta tensão prós caramelos nã se chegarem lá perto.

Temendo que a Nação Caramela retire oficialmente os cumboios da sua belhíssima cultura ferrobiária, remetendo os cumboios ao desprezo, a FLC anda a estudar táticas de apanhar estes cumboios com potentes ventosas. Os testes já foram efectuados com resultados satisfatórios. E porque o caramelo é um ser que se adapta facilmente a soluções brabias, acreditamos que ainda é possíbel sustentar o cumboio na nossa cultura, quanto mais na seja pra saber onde fica o lado Norte e o lado Sul da nação!

Mas… pelo sim, pelo não, já está no nosso pinsamento, muitas outras formas de transporte, como por exemples o transporte pudaleiro-caramelo e o transporte equídeo-propulsionado como se pode berificar na feira aqui na nossa capital. Mas há muitas mais formas de como o caramelo do futuro bai andar dum lado pró outro, e isso é o que a gente bai ber já nos próximos dias.

25.9.07

Mobilidade caramela I

Há cerca de 90 anos atrás, forças governamentais pediram aos mais altos técnicos caramelólogos da FLC para fazerem um estudo pra um aeroporto na nossa nação. Nessa altura, em relatório final podia ler-se que “se o nosso pobo nã precisa de andar por esses ares pra ir dum lado ao outro do Rio Frio, intão é porque o melhor é dixar os céus por conta da passaraige.”
Não convencidos com os resultados, foi pedido outro estudo, mais a fundo, de onde se concluiu que “além do Rio Frio, os abiões tamém nã prestam par lebar os moradores duma ponta à outra do Lau.” Contudo, nesse estudo, após um meticuloso cruzamento de dados, chegou-se à conclusão que “quando os abiões andarim baixinhos pode ser benéfico à cultura da fuguetaige nocturna, porque é possível um patardo infiar-se drento da turbina dum Airbus 340, multiplicando o som marabilhoso do rebentamento e o seu enfeite pirotécnico.”

Depois deste relatório foi abandonada a ideia do aeroporto em território caramelo até aos dias de hoije.

No entanto, por auto recriação, a FLC continuou a fazer mais e mais e mais e foi concluído que “os abiões tamém na serbim pra ir da Palhota à Benda do Alcaide, nim dos Cajados à Fonte da Baca, nim dos Batutes a Bal da Bila, nim dos Arraiados ó Marcado do Pinhal Nobo. Só ontem é que se descubriu que talbêz… talbez, o pobo carmelo precise dum abião pra ir pra Troia, à praia, quando os Ferry-boats forim parar a Grândola.” Os estudos vão continuar.

Enquanto se aguardam novos resultados, a Junta de Freguesia da nossa capital (aconselhada pela FLC) bai desembolbendo alternatibas à mobilidade caramela tais como a cabalaige, carroças e bcicletas e outras soluções ingenhosas.

Aguardam-se grandes surpresas na forma como o caramelo do futuro bai andar dum lado pró outro.

20.9.07

Última Hora:
Especialistas internacionais detectam referências à FLC na mais recente mensagem de Bin Laden

A notícia pode alarmar toda a nação caramela e denegrir o nosso bom e pacífico nome. Segundo a Rádio Antena Caramela, alguns especialistas internacionais em descodificação de mensagens binladeanas, afirmam que a sigla da FLC aparece mencionada pelo menos duas vezes e meia na última mensagem de Bin Laden e alguns deles dizem mesmo ter encontrado a palavra caramelândia no discurso deste homem.
A FLC saiu à rua e foi questionar algumas importantes personagens caramelas, sobre qual a sua opinião a raspeito de assunto tão delicado. Ficam aqui algumas reacções, que os nossos enviados especiais conseguiram desatarrachar da quecharra do bom pobo caramelo.
Celestino Bombista, home rijo e presidente da Confederação dos Círios Caramelos e Lançadores de Fogo Rijo, taba em reunião secreta na capital sagrada da foguetaige – Atalaia- mas mesmo assim nã se acanhou de dezer o que pensa:“Ora bem…(pausa pa meter uma mine nos quexos)… par mim isto ó são pinsamentos parbos desses homes…(bai nobamente a mine dincontro ós quexos…) desses homes comê dzia, os desimparbalhadores de mensaiges, ó atão ei a nossa Antena Caramela que singanou, mas ê cá bou mais pa primera aposta quê cá nã sei o que bai na cabeça desses homes que debem mas ei de pinsar na sua bida e dixarem de opinar sobre coisas má párbas cum foguete das festas das bindimas. E algma bez esse Albino Laden tebe por aqui? Era logo corrido a fogo rijo de criar bicho caté apanhaba medo! Ele que benha à Atalaia, se ei home”. Para Balentim Desidratado, presidente do Futebol Clube do Forninho “só pode ser uma noticia sim chispes nim cabeça. Atão álgma bez esse home disse isso? Nunca óbi nada, bão mas ei bardamerda amais essas notícias. Cá par mim, debe de haver palmelões infiltrados na Antena Caramela”. Já Toino Fraticida, especialista em Política caramela internacional, afirmou (enquanto cortava o cabelo no Álvaro Barbeiro na capital caramela) que “não faz parte do espírito do pobo caramelo a garreia com esse tipo de armas-bombas (…). As armas desses tarroristas não são as nossas, nós somos mais punhada e latada de criar bicho (enquanto soletrava estas palavras, a tesoura zunia à volta da sua cabeça com golpes de mestre)… o home caramelo nã ei um home-bomba, ei um home de hábitos de garreia local e sabe pouco de geografia mundial.”
De regresso à nossa sede, encontrámos ainda Albino dos Ácaros, a caminho da Palhota, que se prontificou a encostar a sua carrinha de caixa aberta na berma da estrada (Albino recolhe colchões ao domicílio, quando não está na Raforma Agraira). Quando o questionámos sobre este assunto, encolheu os ombros, fez o gesto do Zei Pobinho e gritou: “Bão trabalhar malandros! Temos cá bombaria, mas cum chero!”. Dito isto, alçou rapidamente umas das pernas, e já de costas para nós, antes de entrar na fragnete, descarregou um mortero dos seus,. Apesar de estarmos em campo aberto, tibemos de ebacuar.
A FLC não dará qualquer resposta oficial a esta notícia, pois o povo caramelo nas pessoas de Celestino Bombista, Balentim Desidratado, Toino Fraticida e Albino dos Ácaros já desseram tudo.
Biba o Pobo Caramelo! Biba à Paz Caramela!
E MAI NADA.



15.9.07

Consultóiro do Dia-a-dia

Aqui podes fazer as tuas précuras e dizer dos teus aleijões e brotoeja. A FLC tem um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.
Pargunta:
Olá, senhores da FLC, eu sou o Fernando Oliveira da Silva e moro nos Batutes. Vim para aqui morar por ser uma zona calma e aprazível e repleta de espaços verdes. No entanto, por ser uma zona do campo, e estar junto dos autóctones ditos “Caramelos”, o meu filho mais novo passou a querer apanhar grilos. Primeiro achei muito estranho, e confesso que nem simpatizava com os Caramelos, por isso quis esclarecer-me. Em Agosto dirigi-me aos serviços camarários, em Palmela, para me orientarem sobre esta prática que, segundo se diz, é comum entre os mais novos aqui nesta região. O problema é que não obtive qualquer resposta, o que me indignou profundamente. Por isso é que me dirijo a V/ Exas da FLC para obter uma resposta concreta sobre a prática da apanha do grilo e de como posso ajudar o meu filho a apanhar esse insecto, assim como converter-me à cultura caramela. Obrigado pela atenção.
Resposta:

Oh meu rapaz, bocemecê beio ter cum a maltezaria certa pra saber tudo sobre a grilaige, e mais: para ser abençoado pela irmandade caramela.
Im primeiros, amandamos já um foguete pró ar por sabermos que o seu pingarelho mais nobo está a integrar-se muito bem na nossa cultura querendo apanhar a bxeza, principalmentes o grilo que é cunsiderado um dos tenores mais simpáticos da nossa terra, hã?


Antes de mais conheça bem o grilo:
Fique logo sabendo que o escunderijo preferido do grilo caramelo (gryllidae caramellae) é debaixo das pedras da linha do cumboio e, por isso, no princípio da CP, a sinalização nocturna das passaiges de nibel era feita com seu marabilhoso cantar. Quando a grilaige se calava era porque o cumbóio tava a 3 metros de passar, tornando-se um sinal importante que salbou muitas das nossas bidas, fazendo do grilo um animal sagrado.

Hoije im dia ainda, mesmo sem passaiges de níbel e com os cumboios da Fertagus, ainda há alguns grilos nas pedras da linha, mas já na é como intigamente. Por isso é melhor bocemecê ir procurar eles nos nossos aceiros, quintais e baldios que é lá que eles se incontram.

Bora intão lá procurar eles.
A qualquer hora do dia dê um passeio a pé, acocorado amais o seu filho, a olharim pró chão como quem procura uma moeda de um cêntimo… Ah! IMPORTANTE: é muito importante que apanhem uma palhinha dum pasto qualquer e amostrem bem ela, pra que toda a gente perceba que bocemecês andam ós grilos e não na apanha de moedas pois isso poderia trazer quezilas ós caramelos mais brabios.
Portanto não deslarguem as palhinhas e bão sempre andando, andando, andando, sempre de cócoras, andando, andando até incuntrarem um buraquinho no chão. Um buraquinho com a largura dum dedo. Esse buraquinho é uma toca. Lá drento tá um grilo. Agora bai ter que tirar ele lá de dentro.

Bora intão tirar ele:
Infie a palhinha drento da toca e escarafunche aparbalhadamente pra provocar cócigas ò bicho que tá lá no fundo a pinsar na bida. O grilo, incomodado com a palhinha, resolbe bir cá fora (de marcha atrás) ber o que é que se passa com o raio da palhinha. No pinsamento dele é bocemecê que está feito parbo a fazer má vizinhança. Nesse preciso momento bócê apanha-o com a mão, sem ter um ataque de nerbos ao sintir o bicho a remexer dentro da mão.
Repita a operação nos outros buracos que incuntrar no chão e apanhe tantos quantos encuntrar.

Lebe eles para casa e meta eles dentro de caixas de sapatos com uma folha de alface da Reforma Agráira. Cada grilo sua caixa, cada caixa uma alface e espalhe elas pela casa toda.
Se quiser óbir o seu marabilhoso cantar, espere pela madrugada e tem companhia a noite toda.

No dia seguinte, com olheiras, deslargue eles à natureza e cultive o gosto pelo grilo a toda a bizinhança.
Quanto a bocemecê ficar caramelo de berdade, isso é outra cumbersa cagente bai ter um dia destes.


resposta de:
Toin Exacerbado – Biólogo da Associação Caramela da Caçadeira de 5 Tiros

9.9.07

Cuiratos com Açorda 400

Chigámos ao episoide 400 dos “Cuiratos cum Açorda”, a nobela sonora, falada totalmente em caramelo, olserbada não só no nosso territóiro mas tamém no resto do mundo, graças às nossas balentes antenas escundidas dentro das palmeiras podres do Pinhal Novo (é por isso é que elas têm uma argália e esta foi a solução que a FLC encontrou para dar às palmeiras secas uma berdadeira utilidade pública).

Para quem estebe a dormir este tempo todo, qui bai o resumo dos últimos 236 episoides:


têm andado todos descunfiados uns cus outros, numa tramóia caté parecem barizes.
Portanto a história está prestes a dar uma bolta de 360º e toda a gente fica de olho aberto prá televisão, até criar ramela.


Agora é o resumo do tão esperado episoide 400


Venãiça da Verruga bai à pressa cumprar fórfos à Cumpratiba, dobra a esquina dos Bumbeiros e dá um incontrão à Graciete do Corrimento que deixa cair um saco de alpista.
- U qué q’ andas aqui a chirar?!! – inquiriu Venãiça assustadiça.
- Óh!! Bim cumprar alpista aqui à cumpratiba, na tás a ber?
- Tou, mas tu nã tens passaraige!! Eu é que tenho!!! – disse Venãiça descunfiada.
Entretanto Chispalhudo (o home da Venãiça), espreita-as secretamente atrás do muro do Pinhalnovence. Venãiça continua:
- … E tu biestes de Baldera aqui à Cumpratiba cumprar alpista?!!! Uummm, essa alpista cheira-me a esturro, mazé! Qualquer dia ainda t’apanho c’um balde de bolotas na Cambra de Palmela!
- Bolota na Cambra de Palm...
Chispalhudo sai a correr com uma gaiola na mão (muito esquivo e suspeito), im direito à Junta do Pinhal Novo.
- Oh! Mas aquilo que bai ali a correr c’uma gaiola nã é o meu Chispa?!!! – exclama Venãiça nerbosa.
- Pois!… Bem que m’sim! – diz Graciete do Corrimento a escunder a alpista.
- Hããã?!!! – grita a Venãiça com a sua verruga já incandescente, às pulsações, caté os bombeiros pegam logo nas mangueiras e ligam o alarme de incêndio.


Nesta altura já o espectador tá com o pescoço suado com tanto suspense caramelo e imagina o que bai na cabeça de Venãiça da Verruga:
Alpista/gaiola; gaiola/passaraige; passaraige/pássara; pássara/passarinha; hã? passarinha/ Mau! Já temos porras no capacete.


Eis a gaiola suspeita de Chispalhudo, num momento crucial da nobela.

E agora o que é que bai acontecer?


Não percas os próximos episoides de Cuiratos cum Açorda, se não, ainda te apanham a cumprar granulado na Pousada do Castelo de Palmela em vez de estares a comer intramiada nas largadas das Festas da Moita.


Qualquer semelhança dos acuntecimentos e das personaiges cum a bida real tá logo a garreia armada.

2.9.07

A berdade do binho caramelo

A Frente de Libertação Caramela, tem tado às escundidas nos elebadores da REFER (na pasaige subterrânea da Compratiba) desde as festas do Pinhal Novo. Esta grande ausência debe-se principalmente aos trabalhos preparatórios a sua noba temporada rebolucionária para a libertação de todos os caramelos.

Basta intão que sim!”, disse o Chefe da FLC quando soube da existência das festas Palmelonas, a olhar fixamente pró morro do castelo e a palitar o seu único dente com um pau de fórfo.
Desta maneira, a ALEC (Autoridade para a Libertação da Economia Caramela), membro armado da FLC, foi imbestigar a falsificação dos rótulos (com cães chiradores especializados) e pôr a descoberto a berdade dos nossos binhos e pomadas. É que os palmelões, desde sempre inspirados nas técnicas do Marcado do Pinhal Nobo, metem rótulos falsificados pra dizerem que fazem grandes coisas. Toda a gente sabe que os binhos caramelos são bítimas desta camuflaige, pois são bendidos como se fossem de Palmela. Mas não são!
Esta prática palmelona que já tem bárias décadas, não só tá a irritar as comunidades caramelas como a canzoada em giral. “A nossa cultura está ofindida e isto bai ter de acabar já, se não…! ... O único binho feito mesmo im Palmela é amassado durante as festas lá im cima dum tractor e é bom prás saladas e prá mosquitaige” disse o chefe adjunto do Gupo Caramelo “Os Amigos do Vinagre”, grupo esse que tem como membro honorário a vereadora da cultura das forças Palmelonas.

Graças à intervenção da FLC e da ALEC, serão arrancados e queimados os rótulos palmelões dos nossos binhos e, à bista de toda a gente, serão colados (com um cuspo especial) os nossos próprios rótulos com a marca caramela “Binho de Catigoria da Região Independente da Caramelândia”.

Feito isto, a nossa cultura ficará mais sadia e as festas das bindimas de Palmela bão ter que mudar de nome para Festas do Morro.

7.6.07

A FLC saúda as festas populares de Pinhal Novo

Após a longa ausência a que a FLC se viu obrigada, estamos de volta, mais fortes e destemidos do que nunca, prontos a proclamar o caramelismo puro e a brabeza e balintia do nosso povo. Mais tarde explicaremos em detalhe as razões desta prolongada ausência, assegurando que todos os caramelos e caramelas podem contar com a nossa determinação para que a libertação da nação caramela seja um dia realidade tão clara como a de um meio bidon em plena fumegação a assar coiratos, ou o som de uma mine nos beiços de um home ao sol na planície caramela.
Saudamos calorosamente mais uma edição das festas populares da capital, festa do povo que baidoso se ingrandece de um reconhecimento da sua identidade.
A FLC apela aos organizadores para que este reconhecimento não seja apenas para o povo ver (e se ver) durante esta época, mas que durante todo o ano, a imensa nação caramela se orgulhe do seu caramelismo livre e selvagem, e possa sair à rua com a brabeza estampada no rosto.
Viva a Festa! Viva a FLC! Viva a Nação Caramela!

26.5.07

Márinho das Cumbersas Parbas

Ao cuntráiro que muita gente pensa, a FLC tem estado em grande actibidade clandestina, sempre pela libertação do seu povo. Entre essa catrefada de actibidades, a FLC criou o Centro de Desimbolbimento do Discurso Político-Caramelo (CDDP-C) que tem dado resultados estrondosos na bida de todos os cuntribuíntes, dentro e fora das nossas fronteiras.

Este Centro, totalmente feito em terreno alagadiço, conta com grandes especialistas relacionados com a cabeça do ser humano em giral. Dessas personalidades temos por exemples atordoadores (por punhada na nuca), descodificadores de cumbersas parbas, ingenheiros (inscritos na Ordem Caramela), psiquiatras e muitos mais. Este centro é totalmente chefiado por caramelos que defendem o arroto da mine como alternativa à oratória política.

Na berdade, o CDDP-C tem sido frequentado por grandes personalidades da bida política lusitana para se especializarem no seu discurso, segundo as nossas técnicas. Quase todos eles comprovaram a eficácia do Arroto-Da-Mine como poder de síntese de todo um pensamento político, sem esquecer o poder apelativo capaz de atrair a atenção das grandes massas.

Um dos nossos principais clientes tem sido o Máiro Lino (mais conhecido no Reino Caramelo como o Márinho das Cumbersas Parbas) que desempenhou com distinção uma dos nossos exames mais difíceis, o exame de cegueira “Olha prá Margem-Sul da Vala da Salgueirinha e diz o que é que vês”. Este exame foi grabado numa cassete e é aqui transcrito.

***

Marinho das Cumbersas Parbas foi colocado descalço dentro da Vala da Salgueirinha a olhar para a margem sul.

- Marinho, diz lá aqui pà gente todos, bês aqui alguma cidade?... Esquece lá o Intermarché, ou a Cumpratiba das Farinhas, mas… Olha bem… Bês aqui alguma cidade? Hã?
- Não! Vejo apenas umas canas. Só canas.
- Assim é que é, Márinho. E bês aqui assim alguma escola ou algum hotel? Hã?
- Não. Vejo apenas um pneu velho que os ciganos deitaram para aqui no último mercado!
- Ahhh lindo Márinho, assim é que éi! E o que bês mais Márinho? Diz à gente, diz… Não bês ali umas óbelhas, umas óbelhinhas? Hã? E o que é que elas fazem?
- Ovelhas! Sim vejo umas ovelhinhas e fazem mééééééééé
- Jámééééé, Márinho, em discurso político diz-se Jámééééééé.
- Sim, Jáméééééééé.
- Lindo Márinho, e agora para acabar, olha bem para a margem sul… esquece a passaraige a aboar e a poisar. Bês algum aeroporto? Hã?
- Vejo um deserto. Apenas um deserto, só areia… Um deserto…
- Muito bem Márinho. Agora bebe uma mine e arrota. Estás pronto para o discurso político. Se te parguntarem “O que é que vês na margem sul?” basta lembrares-te deste exame e toda a caramelaige vai-se rir à parba.


A FLC sempre à frente do poder.
Sempre pela libertação do povo caramelo.

4.3.07

AI ELES, ELES!

A Rádio Antena Caramela, organização conspiratiba de grande interesse para a libertação da Caramelândia, (com o estúdio movediço dentro dum mata-velhos de caixa aberta, com um osso pindurado atrás, prá canzoada correr a rosnar e meter respeito), está a fazer uma série de intrebistas clandestinas à população pra saber quem são eles afinal.

Assim, pela primeira bez em 30 anos, um dos jornalistas encartados da FLC saiu disfarçado de gaiteiro dos círios dirigindo-se com uma gaita de foles junto da população, com um gravador dentro do fole e o microfone na ponta da gaita e meter-se com a população em giral.

A entrevista que se segue é um exemples. Foi feita à porta da capela, quando três reformados anónimos olserbabam o cartaz do morto do dia. Aconteceu às 15:00 do dia 10 de Fevereiro de 2007.

Jornalista da FLC- Ora munto boa tarde. Quer dzer intão que cá tamos aqui ó pé da capela, hã?!! Eu sei!... Isto na há bergonha nhuma, eles… Bem… eu nim sei dzer!..
Os três homes olham um pouco descunfiados prá gaita do nosso jornalista impontada pra eles, mas isso passou e desimbolberam a intrebista por sua recriação:
- Eles?! Eles na balim nada, são mazé uns…
- Uns quê!!! O que eles querim é tacho e na fazer nada e agente agora é q…
- Ouça lá bocemecê, esta capela na tava aqui se eles…
- Eles na balim é nada. Isto é assim, oiça lá mazé: o que eles querim é…
- Olhe lá becemecê: na vê que eles tão todos metidos n…
- Qual quê, mestre Lourenço, eu já bi eles a ….
- Bocê já biu, bocê já biu!!!... Eles é que andem de olhos ab…
- Oh! E agente?!!!
- Agente?!! Eles!!!
- Sim eles!... Oh!
- Ó home teja calado porque eu sei bem do que bou dizer, eles é que…
- Tóóóó!! Tu tas-me a dizer que eles andem a…
- Nada. Eles na prestim par nada, da outra vez estaba eu ali …
- Ê já óbi essa históira, bocemecê sabe lá o que é que eles fazim? Bocemecê já teve na...
- E quem é que construiu a capela hã? Quem?
- Isso era intigamente quando eles tinham a…
- Lá na nha casa, nim eles nim ninguém mand…
- Mandam im nada nim na fazim nada porque eles nim a capela nim a…
- E sabes porquê? Não sabes! Eles escondem-se no…
- É isso. É isso e mais, uma vez, eles lá na…
- Tóooo! Eles querim é ca gente re…
- Eles é só garganta, quanto mais que…
- Qué isso home?!! Ó despois é que eles dizem ca gente anda aqui feitos parbos às boltas.

E gera-se tal silêncio caté se oube a cassete a rolar dentro da gaita. Um ficou a olhar prá bota (cumprada no marcado em 1983), outro a olserbar as árbes e outro ainda prá motarizada a passar.

- Olhe, bocemecê que é da FLC, é que debe saber, e se souber ler, bá ali à junta que eles dão a bocemecê um libro que explica tudo.

O jornalista entrou dentro da Igreja do Pinhal Novo e eles escapuliram numa manifestação de reformados dentro da paraige das cáminetes.

21.2.07

Carnabal 2007

Os Amigos de Baco, aflitos com a ruindade das forças palmelonas cada bez mais forretas e com a ruindade do tempo cada bez mais parbo, tiveram que se reunir de urgência, com a FLC, para aconselhamento logístico-caramelo e resolução de problemas.

Soubemos que 48 horas antes do acuntecimento carnabalesco, já estavam completos 380 tractores alegóricos de grande catigoria que iam incher a abenida até ó cagulo, num cortejo caté incaracolava com 3 boltas e meia às bombas de gasolina (a passar por dentro do Mc Donalds). Desses 380 tractores 377 eram luxuosamente decorados com canas, paus de fórfo, crochés caseiros, pitromáxes e ao som de flaitas de beiço, tudo… tudo pago com fundos do Governo Caramelo. No entanto a ruindade do temporal fazia querer que, quando o último carro passasse im frente à estação, já taba toda a gente im casa a ler o seu livro preferido. Assim, à última da hora, a FLC arranjou uma solução para o temporal, negociando com nosso Zimbão Cornadura, o uso das suas forças e mezinhas pra fazer um buraco de nubem, com uns raiozitos Sol, só pró pelotão de caramelos agro-sucateiros. O resto era temporal certo. Por isso é que só foram impurrados avenida abaixo os 3 tractores de esferovite e celofane, pagos pelos Palmelões, ficando os nossos preciosos 377 veículos caramelos guardados pró ano que vem.

Aqui, ainda antes da passaige do cortejo, o gintio estaba na dúbida: ó chobe ó na chobe?

A imaginação não pára, é uma constante caramela, em qualquer altura do ano. Reparim na flober de pau.


Este ano, a abrir o cortejo vinha um elemento da FLC, disfarçado de cigano, a binder balões. Um excelente sentido de oportunidade da FLC pra equilibrar as finanças.

O carro da "Floribela" com o regador maléfico a gotejar celofane euro-palmelão. Os Amigos de Baco bem queriam fazer o carro dos Cuiratos cum Açorda, mas os palmelões iam desmaiando com a ideia.


Um caramelinho dentro dum caixote a guardar uma grade de mines. Assim é que se faz um home balente e sadio.

Dois agentes da FLC a tomar conta da ocorrência. O canito, de raça coelheira, tamém tava mascarado à Zorro, como se pode ber na códaque im baixo.


O canito cheirador de cuirato.



O casal de cabeçudos objecto de adoração popular em toda a caramelândia.

O tema carnavalesco mais preferido dos caramelos é mascararem-se à “Vizinho”. Se o bizinho é estucador, mascaram-se com fato-macaco todo sarapintado de estuque, se é mecânico, já o fato-macaco vem todo emborneado de óleo, se for agricultor, o fato-macaco é acompanhado com umas galochas carregadas de barro. A caraça mais comum é a meia de vidro infiada pela cabeça abaixo, simples ou com gorro. No entanto há bariantes, tais como o general-ciclista.

A casa das meninas em cima dum taipal.

Uma cliente a buer uma "survia". Vai a demosnstrar como se faz, para a repaziada que anda a buer sumol, quando for grande, se deixar disso e ingressar no mundo balente das mines.

Um carro da polícia e as suspeitas a correr atrás dele.

Uma das 432 igrejas da capital.

Restaurante chinês, aproveitando a canzoada pra fazer xim-xau-xung, uma iguaria de grande empanturramento.


Um riquexô caramelo, retirado da cabeça dum empreiteiro.

O pelotão das zundápes e das faméis. Prova-se que o caramelo é poupadinho, pois são as mesmas do ano passado e levam grande estima para serem usadas nos próximos anos.

O único carro alegórico alusivo à CP, todos os anos numa participação aos sss.

Mais uns caramelos bem arreados.

Um olhar final pró cortejo a abalar rua afora. Pró ano, se chover, haverá um cortejo só com rulótes das farturas, carrinhos dos tremoços, atrelados da reforma agrária e meios-bidons em labaredas a distribuir cuirato pelo gintio.

4.2.07

Belarmina Acocorada prepara-se para lançar novo livro

Um dos maiores vultos da cultura caramela contemporânea continua a criar de forma frenética e não pára de nos surpreender com rasgos de puro caramelismo literário dificilmente superável.
A autora encontra-se neste momento incontactável, totalmente debruçada na finalização da sua nova obra, repartindo os seus dias entre as batatas (estamos na época das geadas) e a escrita, que alguém já designou de caramelócompulsiva. De referir que esta vivência quotidiana serve de mote para o título do livro que contém também alguns elementos autobiográficos, importantes para os (cada vez mais) estudiosos da sua valiosa obra. Pensamentos da Geada na Batatataige é então um título a não perder e que pode bem substituir a leitura do Jornal do Pinhal Novo durante uns tempos (que no entanto continua a ser muito útil para acender o meio bidon).
A FLC, sempre atenta à cultura caramela, publica em primeira mão dois novos poemas populares da Ti Balbina Acocorada, que merecem leitura e releitura(s) atenta(s).


Sou repariga e balente

Sou uma repariga da estrada
Bou e benho de matina
De apelido sou Acocorada
Mas pa insinar os outros
Nunca tibe de dar punhada

De manhã dou de buer aos porcos
Ca mim na mapanham descalça
Se me quiserem pricurar
Bão ber dentro dos poços

Ó geada braba e malina
Que aparas a batata pó azeite
Antes o Inverno agreste e balente
Cuma latada da nha prima Mari’ Alfeite

Bou agora cozer grão
E buer um copinho de binho
Gosto de ber telebisão
E óbir aqueles homes lá do Japão.

Nã sou amiga da geada
Na gosto dela nim caiada
se toca na minha batata
dou-lhe com o sacho e cabeçada

tenho mais um libro pronto
mas debo de dizer o seguinte
nã me chamim baidosa
mas escrebo com uma rapidez parba

parece que há tiro lá fora
Já tou a óbir as rajadas
bou buscar a nha flóber
enquanto traço umas queijadas

A bacina da Câmara

Atão na querem lá ber
Querem lá na ber atão
Bão daqui mas ei
Antes quê solte o cão

Bamos à bacina quei de graça
Bamos lá que não ei longe
Já tenho a canzoada e cordel
Mais bale aqui do que im Alpiarça

Os canitos são balentes
Ladrim ladrim mês marotos
Gosto muito de os ber
a buer a água do esgoto

Da bacina gosto pouco
E da bacina da câmara atão nim falar
Mas se me querem bacinar
Olhem que eu cá nã sei ladrar

Ódepois bamos imbora
Bou eu amais a canzoada
Nã sou esperta nim parba
E muito menos caramela ladra