21.8.08

As férias dos caramelos famosos

A FLC entrevista, sim chatear muito, alguns dos mais famosos caramelos, para que todos saibam como e onde estes homes e mulheres passam o seu merecido tempo de férias.
O nosso primeiro entrevistado é Celestino Bombista, antigo presidente da Confederação dos Lançadores de Foguetaige e Fogo Rijo, actualmente presidente da F.C.F.R. (Fundação Caramela da Fogetaige Rija), sediada na Atalaia.
A entrevista decorreu no Lau, em sua casa, onde amavelmente nos recebeu.

FLC- Boa tarde senhor Celestino.
Celestino- Ora Biba, entrem e sirbam-se repazes balentes da FLC!
FLC-Como costuma passar as suas férias?
C- Atão, tou com os chispes ao léu, ditado dentro de casa e com os pés de fora, par lá da janela, e as unhas crescim à buntade na araige do Lau, tal comê gosto.
FLC- E o que faz durante as férias?
C- Muita coisa, homes. Nã sou bicho pa tar parado. O quê mais gosto de fazer éi ditar-me de bucho pó ar a comer sandes cum manteiga e a buer mines traçadas com binho branco, isso éi quê gosto, sou um pardido por isso, posso passar assim um dia todo, as unhas dos chispes sempre a crascer na araige. AH, e também adoro passar horas a óbir na nha aparelaige as grabações dos lançamentos do fogo rijo na festa da Atalaia, com o bolume ó lá o quéi aquaise no máximo!
FLC- Qual o seu sitio para umas férias de sonho?
C- ÓHH! (pausa para lember dos beiços a manteiga e pinsar para trás). Par mim as féiras de sonho eram num charco perto da casa do Ti Toino Nabalhudo. Taba de molho o dia todo, a aranhaige e bicheza rastera já nim tinham medo de mim, atei me comiam a piolhaige da cabeça. Agora já não há charco, ei o parque de estacionamento da Sela, tiraram de lá o charco. Mas só pa embirrar ainda lá bou, não ó charco mas à Sela, digo à nha pariga que bou ós cugumelos nocturnos, mas bou mas éi ber as parigas balentes, aquelas caramelas rijas, que atei apetece a um home dar umas palmadas naquelas nalgas e ..sirbam-se à buntade, bebam binho ó mines… (a conversa foi interrompida pois a sua mulher entrou na marquise e pareceu óbir a cunbersa).
FLC- Só pa terminar, cum quem passaria as suas férias de sonho?
C- Óh! Atão cum quem?!! Ca nha pariga, anda cá mais eu buer uma mine (pega na mulher por um pé e arrasta-a para si, ela sorri e pega na mine). E ódepois bamos ó marcado a Pinhal Nobo e eu compro-lhe um rajá e uma intarmiada, ei ó nã ei?, e ao mesmo tempo que pargunta dá-lhe uma punhada nas costas, demosntrando o seu afecto.
FLC- Boas férias senhor Celestino!
C- São balentes, são! Quando quiserem benham, bamos buer umas à sede e óbir grabações da foguetaige rija, se são da FLC são amigos!

16.8.08

Grande Entrevista de Verão a Anastácio Babuíno (2ª parte)

Entre mais uma mine de litro (Babuíno Aluado tem uma gamela só dele, tipo alguidar do marcado com um gargalo de inox na ponta, pra donde imborca várias mines até fazer um litro), apresenta-nos o seu plano para a conquista do espaço e conta-nos as suas memórias de “gaiato parbo”.
Foi caixeiro viajante como o pai, começou aos 5 anos a galgar terreno com a sola dos pés, chegou ser o maior distribuidor da Loja do Toino Brinca na capital caramela, Pinhal Novo. Depois especializou-se em tanques de lavar roupa, “chegaba a levar quatro tanques no lombo, sim cuntar com os quilos de sabão azul e branco, a galgar a pradaria caramela, do Lau à Lagoa da Palha, das Lagameças ao Forninho. Nessa altura era conhecido pelo Anastácio dos Tanques”. Depois disso, já com o serviço militar feito e já um home cobridor, fez umas temporadas no Circo Mariano, como trapezista secundário mas o seu maior número e principal atracção do circo durante algum tempo era a pega de porcos caramelos mirandeses, que na altura estavam muito na moda e dos quais, Anastácio era o único pegador. O seu tempo de estrela circence durou “atei lebar um tareão dum bicho-porco com aquaise 600 kg!. Dixei de me armar im parbo e boltei a bender tanques e máquinas de rega. Ódepois ainda trabalhei na cantina da estação, abria as sandes com uma nabalha e punha manteiga e era tão bom nisso que foi a mim que pediram para preparar uma sandes de presunto para a Rainha de Inglaterra quando ela apanhou o cumboio no Pinhal Nobo, daquela bez que cá beio, a pariga atéi debe ter limbido os beiços ca nha sandes de parsunto!”, referiu orgulhoso (talvez por isto se considere monárquico).
Depois desta conversa toda, deu uma punhada seca na mesa e boltou ao motivo da nossa entrevista- a ida ao espaço.
Sobre o modo como o home caramelo vai chegar ao espaço, Babuíno fechou-se im copas, só revelando muito a custo (a toque de mines despejadas no alguidar de litro) que tem um projecto com os Círios da Atalaia e com o Celestino Bombista, para “desinbólberem um sistema de propulsão a foguetaige rija, caté andam todos parbos. A própria nabe aboadora bai ser como uma festa da Atalaia im desenbolbimento circular, com luzinhas e música dos carros de choque e fumo de intarmiada e coirataige rumo à Lua!”. Depois disto, ainda ofegante, com o olhar fixo no candeeiro do tecto do café “Imborca Mais Uma”, imborcou de penalti mais um alguidar de litro e tombou suavemente a cabeça lá dentro, a uivar em voz alta e a dar coices sentado (tipo esperneado mas às secas). Deve ter tido mais alguma ideia brilhante, pensámos nós. A Ti Alcinda Balística, sempre observadora lá ao longe, tirou o avental às riscas e com duas palmas, fez-nos sinal para o deixar-mos.
Lá fora, o sol caramelo começava a abrandar a brutidade e alguns gaiatos sentados nos bancos do alpendre deliciavam-se com os despiques de motorizadas e algumas sessões de punhada que de bez im quando floresciam recreativamente.
Nós ligámos a motorizada e arrancámos de cabalo im péi e pezes a arrastar no chão engrabilhado, a olhar para a Lua que começava a aparecer no horizonte selvagem da Palhota. Para a mesma lua com que Babuíno sonha. Aquela que um dia terá um home caramelo (e uma mulher caramela amais a bicheza suína e a gaiataige parba a correr pelas crateras que ódepois bão ser charcos).
Boa sorte Anastácio Babuíno, também a FLC quer o primero home caramelo na Lua!

11.8.08

Supermercados à rabanhada



Consultóiro do dia-a-dia

Atão como é que ei, ó FLC? Tudo rijo? Escrebo esta carta porque tenho andado desostinado cá com uma data de coisas na cabeça. Atão é assim: tudo começou nas festas do Pinhal Nobo, quando eu comi mais de cinquenta sardinhas ali no jardim. Ópois fui bailar pró ringue, mas como eu nã aguentaba com o buxo cheio e com a azia, vim pra casa aqui na Cascalheira. Ao fim duns dias, quando me passou a azia e dixei de arrotar a sardinha pinsei cá pra mim “Ó Gilberto, tu tens que boltar a comer se não morres de fraqueza. Bai mazé fazer ali um abio de morfes à mercearia.” E fui. Só que quando saí de casa já nã havia a mercearia e o que estava ali à roda era um rebanho de supermercados. Até fiquei perdido. Era o Modelo, o Aldi, o Lidl, e sei lá mais o quê, caté fiquei parbo. E intão disse cá pra mim “Eh pá, ganda bzaina ó Gilberto, tu nã tas na Cascalheira tu fostes mazé parar à América!” Agora hoije pergunto a bocêzes da FLC, afinal tou na Cascalheira ou não? E adonde é que eu bou fazer o avio?

Ó meu repaz, a resposta nã foi fácil pois os agentes da FLC tiberam que andar às voltas com canzoada pra saber se aquilo era zona caramela ou se era território internacional.
Pois intão fique sabendo.
É berdade que as nossas terras têm características únicas no mundo, mas agora ainda mais porque se descobriu que são muito férteis para a plantação de supermercados. Cientistas da FLC já fizeram a experiência entre o semear uma couve e semear um supermercado, e não há dúbidas: ao fim dum mês, ainda a couve não tem talo, já o supermercado mostra o seu esplendor com um edifício iluminado, e belas folhas de panfletos nas caixas dos correios. Portantos, é uma novidade esta força das nossas terras que, pensávamos a gente, só serviam pra plantar vinha, e produtos hortícolas em giral. A comunidade científica internacional tem vindo à caramelândia para estudar esta extraordinária fertilidade nos terrenos para a plantação de supermercados e hipermercados, tendo chegado à conclusão que é bem provável que, se a FLC não atacar Palmela, daqui a um ano, haja uma seara de supermercados da Carregueira até ao Poceirão.
Esta forte plantação de supermercados, implicou uma rápida adaptação ao comércio local caramelo. Tem-se já notado que o ramo comercial mais especializado para esta realidade é a loja vazia. Qualquer rua do Pinhal Novo tem pelo menos uma loja que se rendeu a esta actividade comercial da exploração do vazio à porta fechada. Fontes seguras da FLC dizem que “este ramo do comércio tem grandes tendências em prosperar e tornar toda a caramelândia um berdadeiro centro comercial de lojas bazias.”
Esta nova vertente do comércio local está a preocupar as altas patentes da FLC porque consideram que este tipo de comércio não se enquadra na tradição caramela. No entanto, se a cultura da loja vazia prosperar ao ponto de ser uma atracção turística (atraindo gentio de todo o mundo), para ver ruas inteiras com belas montras tapadas com papeis de jornal, então a FLC reconsidera esta actibidade uma especialidade local e dá-lhe o título de “Comércio Tradicional Caramelo à Loja Fechada”, com dois níbeis que qualidade: a loja limpa e a loja com restos.
Antes que isso aconteça, em prol da libertação dos nossos costumes e produtos, a FLC está a construir um chaimite de sulfatar pra fazer um ataque surpresa aos supermercados e espantá-los de uma bez por todas do nosso territóiro, antes que eles acabem com a gente.
Portanto, Gilberto, a zona dos supermercados na Cascalheira é territóiro parbo internacional que na interessa ao caramelo brabio. Bá à procura duma mercearia tradicional (ainda aberta), coma produtos locais e deixe-se de pandleirices de supermercados.
Resposta de Sulfurino Azedo.

7.8.08

Grande entrevista de verão

Anastácio Babuíno, mais conhecido entre as suas gentes por Babuíno Aluado. Home alto dos pensamentos, cientista rural, sonhador, pesquisador auto-didacta, monárquico, (apesar de “nã gostar da bicheza Reística”) e antigo caixeiro viajante da caramelândia. Diz de si que não tem sonhos. Apenas… quer colocar o primeiro home caramelo na lua e nim quer que lhe digam que não é possível. Para ele o sonho comanda a bida “dos homes e dos cabalos selbaiges de crina ó bento”.

Mais uma grande entrevista de verão da FLC. Enchemos o depósito à motorizada, direcção Palhota. A canzoada canta o meio dia. O sol caramelo é ausente de timidez parba. Lança as lavaredas sobre o povo que o respeita. A esta hora nem as lagartixas saem à rua. Nas colectibidades, todos esperam de mine na mão que o calor abrande, nem apetece andar à punhada. No interior do café “Imborca mais uma”, local marcado para a entrevista, os homens têm o olhar no gargalo da garrafa e as palavras parecem secas como as guelras de um sapo anão, espécie caramela já em extinção.

Aparecemos à hora certa. O nosso entrevistado já lá está ao canto da sala, apoiado nas grades de mines vazias, com um ar orgulhoso e meio aluado. É um cientista caramelo, do mais puro e berídico que existe, um home rijo e enrejado pelo frio das ideias que lhe brotam constantemente e que quando são boas o fazem uivar e dar coices no ar. Alcinda Balística, empregada de balcão do “Imborca Mais Uma” refere que quando isto acuntece, o Babuíno Aluado “atei parece um home meio aparbalhado e desóstinado, os gaiatos nim se aproximam dele e as mulheres fecham as janelas e apregam-se par dentro de casa às cambalhotas silenciosas, ninguém se mete cum ele”. Foi numa destas vezes, quando andava pela rua, em busca de vasilhame pa incher de produto alcoólico, que lhe veio uma grande ideia à cabeça. Uivou tão alto e esperneou tantos coices pró ar que todos pensaram que o Lobisome tinha chegado à Palhota! Babuino Aluado, conta-nos com os olhos a brilhar que foi aí que teve a ideia da sua vida, aquela pela qual irá lutar até ao fim “dos mês chipes, nim que tenha de parir duas ó três arganaças, com’a muntanha!”.

Esta ideia, este desejo, este objectivo de vida de um home sereno mas determinado é nada mais, nada menos do que o sonho de por o primero home caramelo na Lua, “de preferência um home e um meio bidon, para que seja nã só o primeiro home caramelo a pôr os chispes na Lua, mas também a levar a nossa cultura ao cosmos brabio, “a um mundo onde só quim tebe mais perto dali foram os pássaros que aboam alto, mas nã tão alto como os nossos pinsamentos!”.

Já está a trabalhar neste projecto à quatro anos. Reúne-se frequentemente com o Ministério Caramelo da Tecnologia e está a preparar a criação do Ministério Caramelo da Exploração Espacial, do qual será presidente e único funcionário. Pensa que em 2020, o home caramelo na Lua será uma realidade, e para que tudo corra bem, está já a planear enviar primeiro um porco de raça caramelo-mirandesa (com nunca menos de 450 kg), na primeira missão não tripulada, que está prevista para 2014. Sobre isto diz-nos:”já ando a ber os porcos da redondeza, a ber qual deles tem mais jeito pá biaige, tenho já uma lista de 10 ó 20 suínos e uns atei são balentes cobridores, secalhar até bai um porco e uma porca e ódepois cobrem na lua e quando o primero home caramelo lá chegar, já tem lá bicheza com fartura, ei só acinder o meio bidon e traçar coirataige, fome nã há de passar. Ódepois quando o home da Lua tiber a criação de porcos im andamento, enbiamos uma caramela balente daquelas cum saia pelo joelho e ódepois o hóme quando ela lá chegar bê-a (ela bai trenada pa fingir que tá a apanhar azeitona do chão) e tenta cobri-la e ódepois já temos uma colónia de caramelósapiens na Lua, catéi bai parecer o marcado do Pinhal Nobo im hora de ponta. Prontos, o plano é mais ó menos este, tá ó na tá balente?”.

A entrevista continua*.

*apesar da entrevista a Anastácio Babuíno ter sido feita de impreitada numa só tarde no café “Imborca Mais Uma”, na Palhota, para conforto do leitor caramelo a FLC decidiu publicá-la em duas partes. Assim, podem ir buer umas mines e pôr os chispes no tanque da áuga, ca gente bai fazer o mesmo. Ó depois lêm o resto. Podim ir. Bão agora.

Uma codáque tirada no preciso momento em que acabou de imburcar uma mine a dizer Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

31.7.08

A Abaladiça

CONSULTÓRIO DO DIA A DIA
Exmos Srs da FLC, eu sou aquele cidadão que, pela altura das Festas do Pinhal Novo, vos mandei uma carta para saber o que é uma rodada. Tenho a agradecer a vossa resposta pois fiz tal como disseram e correu tudo muito bem. Hoje sou um homem realizado. Já sei beber à rodada e sou uma pessoa conhecida por toda a comunidade do Terrim e arredores. Custou-me um bocadinho a primeira vez porque bebi minis até começar a bolçar. Depois fiquei de cama três dias e três noites com a cabeça que parecia um maço de calceteiro. Por isso é que já sou conhecido por Zé Cabeça de Maço.
Mas o que hoje me traz aqui é uma outra questão. É que quando estou a beber à rodada, estão sempre a dizer “bamos buer a abaladiça”, depois bebemos mais uma rodada e voltam a dizer “agora é que bamos buer a abaladiça”, depois bebemos mais uma rodada e voltam a dizer “bamos lá intão buer a abaladiça” e assim sucessivamente. A pergunta que eu faço é: o que é uma abaladiça?
Já agora, andam sempre perguntar-me “o teu pai é mocho?” ora que raio quererá isto dizer?!
Resposta

Ó meu repaz só bocemecê é que tira a gente dos banhos quentes dos charcos e tanques (aquecidos à soalheira), pra responder a perguntas parbas como essa. Mas como bocemecê parece ser boa pessoa em bias de se tornar um caramelo a perceito, a gente responde com galhardia.
Intão é assim: a “abaladiça” é um termo do alentejano arcaico, adoptado na língua caramela desde que o povo alentejano escolheu o nosso territóiro pra biber. “Abaladiça” é uma palabra-de-ordem com muita força, e é muito comum evocá-la quando se bebe à rodada. Segundo o Dicionário Universal de Língua Caramela (sem acordo ortográfico), “abaladiça” quer dizer “bamos mazé buer mais uma rodada e dêxim-se de merdas”. No entanto o termo traz a ideia de “abalar” ou seja, sugere a ideia de que é a última rodada pra cada home abalar e ir ter com a sua Maria que está, de combinação vestida, à sua espera. Este termo “Abaladiça” tem uma força dupla como uma retroescavadera que cava prá frente e pra trás. Por um lado tem o poder de abrir a consciência do home caramelo prás responsabilidades do mundo real e despertar-lhe as saudades do lar, enquanto que, por outro lado, abre o apetite para mais uma rodada e ficar no combíbio na coletbidade, até andar à punhada. A abaladiça tem uma força tal que ninguém faz frente, porque parece mesmo que bai ser a última e ninguém pode recusar a última rodada. Houve já quem fosse deserdado por ter recusado uma abaladiça. Eis aqui a força desta palavra.
Portantos, ninguém diz “bamos buer uma rajada de oito rodadas”. Diziam logo “Tóóó! Tas parbo ó quê? Tás cum medo ca buida se acabe, ou cresce-te mais a cagança ca barriga? Hã!”. No entanto sabe-se que qualquer home consegue buer oito abaladiças de seguida (sem arrotar). É tudo uma questão de etiqueta e bons costumes caramelos que devem ser postos em prática aos balcões das coletbidades. No intanto é bom que se diga que este termo só deve ser evocado em determinada altura. Não faz qualquer sentido mandar bir uma abaladiça, logo na primeira rodada. Nem na segunda!... Só lá prá vigésima rodada é que se pode começar a pensar na fase das abaladiças.

Agora quanto à pergunta que lhe fazem “O teu pai é mocho?”, essa não respondemos e deixamos por conta de bocemecê a precura da resposta.

Resposta de Ivando Rebola Caixotes.

11.7.08

Reunião dos C8 caramelos está para breve

A FLC recebeu na sua sede (sempre clandestina e em permanente rotatividade geográfica- actualmente estamos a sul das instalações que ocupámos a norte que por sua vez se situavam a nordeste das anteriores que se situavam a oeste das outras) via pombo correio caramelo camuflado de pardal-da-Antártida-Cabeça-de-Boi, uma carta da mais alta importância, redigida em secretismo. Esta carta refere a criação do chamado C8, que reunirá as 8 terras caramelas mais desinbolbidas em termos agrícolas e cultura rural (consideradas as zonas mais ricas e desenvolvidas pelos índices de desenvolvimento caramelo dos últimos 10 anos).
Após alguns estudos, debates-garreias e muitas sessões de punhada recreativó-violenta, as terras consideradas mais desinbólbidas e ricas caramelamente falando foram: Palhota, Lagoa da Palha, Arraiados, Lagameças, Lau, Fonte da Vaca, Valdera e a capital Pinhal Novo. Cada um destes locais terá um representante (no total serão 8 caramelos amais as famílias e amigos que podem bir à buntade), que se reunirão mensalmente mais os outros, numas almoçaradas-debates que tanto poderão resultar em mais sessões livres de punhada como em algumas ideias para a nação.
Para que se veja a importância da coisa, referimos apenas alguns dos nomes que farão parte desta lista de ilustres representantes dos diversos locais mais desenbolbidos, prestem atenção agora: Toino das Ideias Parbas (Palhota), Ti Belarmina Acocorada (Lagoa da Palha), Toino Fraticida (Arraiados), Albino dos Ácaros (Lagameças), Celestino Bombista (Lau), Zimbão Cornadura (Fonte da Vaca), Sebastião Valdina (Valdera), Ercília Tripalhuda (a representar o Pinhal Nobo).
A FLC sabe que já há patrocínio de alguns locais como o Talho do Albino (coiratos e intarmiada), Costa Bar (umas grades de mines), Círios da Atalaia (uns morteros pá malta arrebintar depois dálmoço) e Associação de Festas Populares de Pinhal Novo (uns exemplares dos discursos de inauguração pá malta se guiar ó inicio e parecer mais importante). A primeira reunião deberá ser na Palhota, orientada pelo Toino das Ideias Parbas, em quem a grei caramela deposita grandes esperanças, pa ber se a coisa se desinbolbe sem grandes garreias. O Toino terá dito que já anda a recolher apoios pela vizinhança (em forma de grades de médias) e que “a adesão tá mais que balente!”.
Assim, prevê-se que esta será mais uma iniciativa que contribuirá para tornar a nossa cultura ainda mais rija. A FLC também foi convidada e estará sempre presente em todas as reuniões através de um elemento disfarçado de qualquer coisa que não dê muito nas bistas (pode ser de mesa com um naperon de renda em cima ou de relóige de parede, daqueles altos e berticais) e contribuirá para o sucesso destas reuniões, que serão apenas o começo de um novo home caramelo que bai boltar a ser igual a si próprio: um home caramelo orgulhoso e com as unhas dos pés bem assentes nas suas raízes, caté nim pode esgrabatar de tão espatadas que tão!

7.7.08

A Caramelaige já pode ir ao banho!

Está oficialmente aberta a época balnear da caramelândia e arredores:“A gaiataige, as reparigas e os homes que se queiram apragar par dentro dum tanque, charco, alguidar ou tanque de labar a roupa, tão à buntade, que a gente dexa e até apoiamos, queste calor tá mais parbo, que um ferro de marcar im brasa nas nalgas dum porco caramelo mirandês”, referiu Talau Numismático, vice presidente da A.B.I.R.C. (Associação de Banhos e Inxaugamentos da Região Caramela).
Este anúncio era ansiosamente aguardado por muitos caramelos, que se têm desinxaugado nas mines e no binho branco cum gasosa, arrastando-se pelas sombras do meio-dia caramelo interminável, não sabendo ainda quando se poderiam oficialmente apragar par dentro dum selha cum auga, ou qualquer outro recipiente capaz de receber o líquido da chuba, sim berter ou intornar muito. Talau Numismático, declarou no seu estilo solene, pela voz da Rádio Antena Caramela, estar muito alegre e que ele próprio bai dar o exemplo de se inxaugar num charco perto da sua casa na Palhota, não só ele, “mas tamém a nha pariga amais os gaiatos e a canzoada, bai tudo pôr a peida na áuga, a ver se desinparbalham das ideias!”. A FLC sabe também, que este ano, a título excepcional, a A.B.I.R.C. autoriza e até aconselha a invasão dos charcos por todo o tipo de bicheza de criação, estando já a ser preparado um mapa com os melhores locais de banho para os homes e bicheza, existindo também locais mistos (homes, bicheza, canzoada, porcos, e tudo o que se mexa e queira inxaugar-se, tudo ao mesmo tempo). Questionado sobre se o lago do jardim da capital também faz parte da rede de charcos, tanques, alguidares e celhas, onde o home caramelo tem direito a refrescar-se e labar-se, Numismático fechou-se im copas e amuou a beiça, soletrando entre dentes e gengibas, “ê quero é cu o lago da capital se f..!”

30.6.08

FLC faz protocolo com a Aviação Civil

A FLC deslocou-se recentemente à sede da autoridade internacional da aviação civil e aeroportos, pra entrar em negociações de grande importâiça para as nossas bidas futuras. E tudo isto porque, de acordo com a nossa cultura, não é só o povo caramelo que tem que se acostumar ós abiões, mas são tamém os abiões que têm que se acostumar às nossas tradições. Se não for assim, não há airoporto pra ninguêim.
Dessa maneira, a FLC escolheu cinco sóices brabios da Columbófila do Pinhal Nobo como altos-comissários de assuntos do voo, dos ares, e do poiso em ramaige verde. São homes de cunfiança, já ganharam prémios e têim o seu pombal nas melhores condições de poiso. Lebam tamém uma matilha de cães atiçadiços (bacinados na rulote da junta), pra ber quem é que manda.
Portantos esta comitiba bai negociar, para já, dois pontos importantes (com direito ao dedo impinado, punhadas na mensa e a rosnadelas nerbosas).
Primeiros:
O emprego efectivo das Marchas Populares de toda a Nação Caramela como força especializada em estancionar os abiões na plataforma. As Marchas Populares, compostas por reformados em fardas coloridas, fazem as boas-vindas ao abião que os seguirá, em marcha popular cantada a preceito, até ao estancionamento. Para isso, os arcos da marcha deverão dizer “ANDA CÁ MAIS EU” (come here more me) pra os pilotos os seguirem.
Segundos:
O emprego efectivo de hospedeiras caramelas em todos os abiões que poisem, ou lebantem boo no nosso airoporto. Serão antigas caramelas aguadeiras das bindimas, treinadas prós abiões. Serão elas que levarão a nossa cultura a bordo do aparelho até às mais longínquas paraiges do mundo. Assim, em bez da pergunta parba “Chá, café ou laranjada?” têm de perguntar “Mine, Tinto ou pão com presunto?”. A ementa conta com a riqueza da gastronomia caramela, em refeições de empanturramento, desde a famosa sopa, passando pelo torresmo, até à travessa de caracóis, tudo com a garantia de qualidade da reforma agrária.

No intanto só estes dois pontos não sastesfazem a FLC, pelo que a luta bai continuar.
A cultura caramela é uma força que na tem fim.

26.6.08

Libertação às sextas

A FLC apanhou no meio das pastaiges um folheto do dia da libertação. É garantido que isto são de culturas paralelas que na têim a ber com a cultura caramela propriamente dita. No intanto, é bom que se diga que a FLC tem muito mais poder de libertação do que esta organização.
E porquê?
Porque tamém liberta lombrigas da canzoada só com trapos de azeite enrolados num pau e infiados pas guelas abaixo.
Isso ninguém sabia.
Mas sobre aquilo que a gente liberta e na liberta ainda há munto por dizer.
Aqui fica o folheto pra na haber dúbidas.

Só na sabemos é o que é "Maldição heriditária". Será que é quando um home acorda com a lingua seca? Ou quando fica cheio de cieiro, depois de lember as beiças quando vem pra casa a rir?

11.6.08

SOPA CARAMELA E MAIS

Aqui fica uma codáque duma sopa caramela do Rio Frio, a ver-se em segundo plano dois casacos marca Cascalheira, feitos pelos costureiros do Cajó e, ao fundo, a ver-se a pala da estação. Tudo isto pra aguçar o apetite aos bisitantes que só comem este material nas festas e que precisam de cá boltar mais bezes.

10.6.08

A TRADIÇÃO DA MIJINHA CLANDESTINA

A FLC em luta pela defesa da cultura caramela, quis mais uma bez recuperar os hábitos ancestrais do nosso povo no decurso das Festas do Pinhal Novo, especialmente os costumes da mijinha atrás das moitas, a mijinha contra as árbes e contra os postes.

Foi com toda a determinação que a FLC exigiu à Comissão de Festas que não colocasse nenhuma retrete nas festas, e que a Junta de Freguesia fechasse permanentemente as retretes à frente da estação, no interesse de toda a gente recuperar os velhos hábitos da mijinha clandestina que remontam à pré-história. Após horas de negociações, ainda conseguiram colocar uma retrete de plástico escondida atrás do palco e manter abertas as retretes da estação até à meia-noite. Mesmo assim os agentes da FLC consideraram um sucesso, já que, depois da meia-noite, foi possíbel constatar que o pobo caramelo rejeita o conforto e o requinte das retretes de plástico, e prefere a velha tradição da mijinha clandestina. Portantos, foi com grande satisfação olserbar as caramelas agachadas por todo o lado: atrás das relotes das farturas, atrás das moitas, dos carros, dos carrosséis, e até camufladas com balões, todas elas a pregar uma mijinha proporcionando belas poças doiradas. É de notar que algumas delas exerciam este ritual com tal à-vontade que, enquanto pregavam a mjinha, lembiam a brancura duma bola de algodão-doce.

Quanto aos caramelos foram olsebadas as variantes mais comuns desta cultura, como o repuxo desenhado contra a parede, a demarcação territorial no tronco das árves, a mjinha festiva contra os arraiais e, numa versão moderna, contra os pneus dos carros mal estancionados. Tudo feito a preceito, sem largar o copo de emprial, nem o cigarrinho na beiça.

Foi assim, em jeito de balanço, que a FLC considerou a mijinha clandestina a segunda mais velha tradição celebrada nas nossas festas (a mais velha de todas é a budeira, porque, pra haver mijinha, é preciso buer primeiro). Para o ano a luta continua e esperamos que não haja qualquer retrete aberta para que as Festas Populares do Pinhal Novo sejam totalmente brabias.

8.6.08

AVISO AOS BARDOADA

Os piquetes especiais da FLC, provedores da cultura caramela, foram violentamente retirados do seu habitat natural pra inspeccionarem de urgêiça o espectáculo dos Bardoada no Sábado à noite.
Esta missão relâmpago deveu-se a uma denúncia que dizia que os Bardoada estavam birar as costas à cultura caramela e a ceder ao roque-em-role importado da Inglaterra e resto da Europa. Se assim fosse isso seria uma desgraça.
Os nossos inspectores estiberam sempre bai-nã-bai, pra acabarem com aquilo, amandando pró palco granadas de estilhaço de rabuçado. Mas foram aguentando, aguentando, sempre preparados: se aparecesse algum cámone feito parbo a cantar roque-em-role e a fumar cigarrinhos pra rir, estava logo guerra aberta cate criava bicho. Mas não… o mais que aconteceu foi o surgimento da Pocaontas, que fez as delícias dos mais novos, e alimentou os sonhos dos reformados que biberam aquela dança do véu com muita intensidade.
Nesta vestoria, até os tambores e os cabeçudos foram meticulosamente inspecionados. No relatório oficial da FLC, ficou explícito que quem andaba dentro dos cabeçudos: era o Toni Carrera e a Mónica Sintra (embora muitos digam que isso é mentira porque não foram ber o espectáculo e na querem dar parte fraca). Mediante tal espanto cabeçudo, os nossos agentes só tiveram de dar os parabéns aos Bardoada, não só por terem feito 10 anos, mas por terim dado o melhor espectáculo feito por caramelos desde os bailes na SFUA com o agrupamento musical Terno de Oiros.
Mas já estão abisados: se meterem um cámone a cantar roque-em-role, tá logo a guerra armada, que a cultura caramela na é pra brincar.

5.6.08

CONSULTÓIRO DO DIA A DIA - AS FESTAS CARAMELAS

Pargunta
Exmos Srs, da Frente de Libertação Caramela, vivi 30 anos na Amadora, mas agora sou um morador aqui na Caramelândia, mais propriamente no Terrim. Desde logo tenho acompanhado este V/ espaço de divulgação que me tem ajudado muito a integrar-me na cultura caramela. No entanto, num artigo publicado por V/ Exas. falou-se em “beber mines à rodada”, coisa que me intriga bastante, pois eu não sei do que se trata. Gostava que me dissessem o que é isso de beber à rodada, já que as festas do Pinhal Novo vão começar e tenho medo de fazer alguma coisa mal. Muito obrigado.
Resposta

Ó meu repaz, ainda bem que bocemecê anda a ler a nossa literatura, pois só com a FLC é que é possível total integração nos costumes do pobo caramelo. Pois amandou uma questão de grande interesse e im boa altura por modo das festas, porque tempo de festa é tempo de rodada caté um home fica bruto.
Atão arrebite lá as orelhas.
É durante as festas que a rodada adquire grande importâinça, falamos de rodada de mines, rodada de emprial, rodada de sopa caramela e até rodada de fartura caté as tripas ficam aborrecidas por dentro. Fique sabendo que a rodada é dos costumes mais eficazes pra estabelecer o contacto social, fortalecendo as relações. O fortalecimento é tal que chega a ser saudado com fortes punhadas, terminando ópois em calorosos abraços. Esta prática da rodada possui códigos de conduta muito específicos e isso tem muito que se lha diga. Mas, como já se disse mil bezes, é na rodada de mines que bocemecê pode encontrar toda a beleza da cultura caramela.
Fique sabendo que, para que aconteça uma rodada, tem de existir pelo menos dois caramelos à cumbersa… mas a rodada só com dois na tem graça nenhuma, pelo que um terceiro é sempre bem bindo, e ó despois um quarto e por i fora até tornar a rodada monumental de 40 mines de cada vez, caté o taberneiro apanha medo e tem que ir chamar a GNR pra acabar com aquilo.
Na rodada de farturas a canzoada também participa, festejando cada momento com rabo a abanar e lembendo os bigodes, mal sabem os bichos que, horas depois, vem a cólica rafeira, caté ganem por esses aceiros afora.

Bem! Se bocemecê, que é um desconhecido, quer entrar numa rodada, siga intão os nossos cunselhos:

Rodada na coletbidade

1) Certifique-se de que existem mais de dois caramelos a buer mines à rodada;
2) Compre uma só pra si e aproxime-se lentamente, com a sua mine na mão, para perto da rodada;
3) Nesse momento os caramelos começam a falar mais alto pra que bocemecê esteja tamém a óbir e, apesar de paracer que estão à cumbersa uns com os outros, na realidade não estão! Eles já só estão a falar pra bocemecê que é desconhecido.
4) Nestas condições não resista muito tempo em silêncio, tem de participar, ou intão o que é que está a fazer feito parbo ali só a obir, a obir, a obir? Hã?
Bem!
5) Tome parte da cumbersa sem tomar parte de ninguém. Se não tiber opinião… tem que ter opinião.
6) Ópois de dar a opinião, imborque a mine toda pu gargalo com grandes goladas e dê baixa à garrafa batendo com ela no balcão (pra que todos bejam que é tamém um home balente, e não um enfezado que beio da Amadora a buer chá pa palhinha).
7) Aguarde uns segundos e… zumba: a próxima rodada já está na baila, e bocemecê ganha uma mine que nem sabe donde ela beio.
8) Olserbe o evoluir do buer. Assim que as mines ficarem meio bazias é bocemecê que agora bai pedir uma rodada à sua conta. A partir deste momento entrou num ponto de não retorno, faça contas à bida, esqueça logo o jantar e o dia seguinte. As rodadas dão boltas e boltas e só acabam quando um home começa a bolçar.


Rodada nas festas


1) Dirija-se ao Pátio Caramelo por bolta da meia noite;
2) Estenda a mão durante alguns segundos;
3) Sinta impurrarem-lhe uma emprial prá mão que nem bocemecê sabe donde ela beio;
4) Imborque a emprial como um home sadio que na tá cá cum mariquices.
5) Peça 10 emperiais e agarre nelas em dois cachos de cinco, infiando os dedos pelos copos adentro, e distribua indiscriminadamente por quem vai encontrando.
6) Repita estes passos tantas bezes quanto possíbel, até chegar a GNR.

Obs. Pode acontecer que a quantidade de empriais que chegam à mão dum home é maior que a capacidade de imborcamento, o que provoca uma acumulação. É comum um home estar a imborcar uma emprial com uma mão, e ter em linha de espera um cacho de cinco empriais na outra. Se isso acontecer saia do Pátio Caramelo, dê umas voltinhas à igreja, e vá abatendo o carregamento entre pinsamentos. Ópois bolte de nobo ao Pátio Caramelo e entre de nobo na rodada ainda com mais balintia.

Resposta de Alfredo Sacá Carica, reconhecido pela obra “A importãinça do copo de plástico na budeira contemporânea”.

20.5.08

FLC ACONSELHA UMA MAIOR CARAMELIZAÇÃO DAS FESTAS

O mês de Junho traz à capital caramela as já tradicionais festas populares. Após consulta clandestina de um pasquim local – Jornal do Pinhal Novo- alguns elementos da FLC disfarçados de distribuidores do mesmo, decidiram reunir na esplanada do Costa Bar. A reunião clandestina realizou-se com todos os elementos em posição vertical (hoje é terça, o Costa Bar está fechado), abrigados da chuva com algumas capas de oleado amarelo e botins até aos joelhos. Quem por ali passou, de nada desconfiou, pois mais parecíamos um grupo de trabalhadores da Câmara a planear qualquer arranjo urbano. Cada um dos elementos leu, com maior ou menor dificuldade (alguns dos nossos elementos são aquase anafabetos- com orgulho) a noticia relativa às Festas. Depois fomos buer umas mines para os bancos do novo espaço dos idosos no jardim e camuflados entre eles, a fazer exercícios às mãozes e aos pézes deliberámos im boz baixa:

1- A FLC vai lutar pela valorização da cultura caramela na Festas Populares
2- Apelamos à introdução do porco caramelo-mirandês nas largadas (é urgente a valorização desta espécie em extinção)
3- Deverá ser endereçado um convite ao Toino da Ideias Parbas para apresentar uma conferência na inauguração das Festas Populares sobre “A influência da cultura caramela na cultura pós-moderna da capital geográfica da caramelândia por adopção- Pinhal Novo” (tema sobre o qual este home anda a fazer a sua tese de doutoramento rural)
4- Avisarem os ranchos que fazem a sopa caramela para não chegarem às nove horas da noite sem sopa (atenção aos riscos de motim e punhada- todos têm direito a uma gamela da nossa poção mágica)
5- Convidar a Ti Balbina Acocorada para uma sessão de poesia caramela de encerramento das Festas.
6- Não transformar o Cortejo Etnográfico numa ida ao Jardim Zoológico ou a um museu de história natural - o visitante estrangeiro deve ter a noção de que o espécime caramelo se encontra vivo e bravio, mesmo ao seu lado (de preferência de mine na mão) e que não é uma espécie mitológica em vias de extinção.
7- Porque não uma corrida de Fameis, Sachs e Zundaps na recta da estação?
8- Realizar um concurso de gastronomia caramela, em busca de novos sabores, para desintulhar o povo da sopa caramela (a chamada descentralização sopista-gastro-rural)- dar voz às gentes caramelas que podem trazer receitas caramelas de valor acrescentado.
9- É necessário realizar demonstrações diárias de fogo rijo, cate todos andim parbos da órelhaige.
10- Promover formações de língua caramela para os visitantes estrangeiros e habitantes locais, ter a coragem de escrever o programa das festas em língua caramela, falar caramelês no discurso de inauguração das Festas, gritar bem alto somos caramelos!
11- No páteo caramelo, promover o imbubudamento dos jóbens com material caramelo (tintos da região) e agendar sessões libres de punhada todos os dias a partir da meia-noite.
12- Ter um local para promover debates garreias sobre a cultura caramela (duas mesas e uns bancos corridos chegam, se quiserem a gente (FLC) pode imprastar.

O grupo clandestino da FLC dirigiu-se depois à porta do Café Satélite (de caminho passou pela Cunpratiba para abastecer de mines (duas grades) e disfarçados de agentes da ASAE em pleno acto de fiscalização da qualidade das buidas atrás mencionadas, deliberou que sim, que atei tão boas as ideias, mesmo que alguns as cunsiderem parbas, mas que a FLC ei que sabe o quei bom pó povo caramelo!
(ódepois gritámos três vezes BIBA AS FESTAS POPULARES e fomos imbora com o vasilhame na mão e ninguém deu por nós…escundidos atéi ao início das Festas.)

5.5.08

Radio Telebisão Caramela & RTP

A Telebisão Caramela, amais a RTP, fizeram uma reportaige de grande catigoria nas Lagameças de onde se pode tirar grandes conclusões de índole caramela. Uma delas é que "só por falta de azar" é que o Lagameças está em último, a outra é que o patrocínio é da Currascaria Frango Baidoso (e tamém da FLC que, por ser clandestina, não pode ser mencionada nas camisolas da equipe). O jogo conta com todos os ingredientes tais como punhada desportiba em campo e, no final um meio-bidom chiinho de febras prá claque e um palhaço a explicar como é que se joga futebol. Apesar de não ser deste fim de semana, está totalmente actual. A não perder.

25.4.08

Para quando o 25 de Abril Caramelo?

É pois, cá tou eu, im directo im cima duma nesprera brabia algures entre a Fonte da Vaca e a Palhota, a dar as ultimas notícias da grei caramela.
Hoje é 25, dia 25. 25 de Abril, o mês da rebolução geral do pais. Pois eu andei o dia intero com as gentes dos Círios da Atalaia, num tractor com reboque , atulhado im murteraige e binho da liberdade. O povo acorria em amena conbersadura, mais procupados im buer umas mines ó uns balentes copos de binho da Irmelinda, do que im festejar a Revolução da Liberdade. Porquei?!! (parguntam bócês, aquase ingalfinhados uns nos outros à bardoada!). Calma, bou arresponder: Nã, se trata de desinformação nim nada, nim sequer de nã dar importância a este dia. Pelas minhas cunbersas (e hoije parcorri à parba– só bou dzer os sítios que me lembro- Baldera, Palhota, Lagoa da Palha, Lagameças, Arraiados, Cajados, Rio Frio, Fonte da Baça, Lau.
E bi que hoije o pobo caramelo anseia ainda pela liberdade. Muitos guardam bandeiras da FLC im casa, numa luta e resistência que só deixa de ser silenciosa quando o fogo rijo inbade os céus im gritos selbaiges de liberdade. Muitos foram os que, quando me biram im cima da fragnete tratorística a acinder o mortero, sabendo que pertenço clandestinamente à FLC, me disseram que aguardam a libertação total e completa de um povo que ainda não çalabrou o intulho da sua cultura.
Por isso, eu, Joaquim Batenera, im nome do pobo caramelo, dexo aqui a pargunta:

PAR QUANDO O NOSSO 25 DE ABRIL?
BIBA O POVO CARAMELO E A SUA LUTA PELA AUTODETERMINAÇÃO!

22.4.08

O Palito II

Desde a invenção do primeiro palito até aos dias de hoije, as suas transformações estiberam sempre associadas a grandes feitos da históira do home caramelo e do home coirão im giral. Por exemples, se não fosse o palito ainda tínhamos que comer caracóis com a casca ou intão tinhamos tirar eles com a unhaca do dedo maminho! Portantos, não há utensílio que o iguale o palito im tantas aplicações… Desde o pau de forfo, até ao palito a pilhas chinês, todos eles representam o artefacto mais versátil e indispensábel do mundo caramelo.

A única balhana que pode substituir um palito roído é mais outro palito” comentou Alcides Putrefacto *1. Este pinsador, natural do Apeadeiro da Jardia, distinguiu mais de 500 jogos populares de taberna, malabarismos e truques de manipulação em que se usa o palito. Um dos truques mais populares é quando o palito é engolido, percorre todo o aparelho digestivo e reaparece 38h depois atrás duma moita, dentro das fezes.

Muito se podia falar sobre o palito em si, já que influenciou quase todos os cantos da vida caramela até ao telemóvel de última geração que já traz tamém este precioso instrumento.

Hoije im dia, os estudos centram-se apenas nos últimos homes que têm sempre o palito infiado na boca, inquieto, ornamentando a cumbersa com baidosos movimentos entre o cuspo. Estes estudos comprovam que o movimento do palito revela as zonas mais brabias do pensamento caramelo nunca antes desvendadas. Esta dualidade entre o caramelo e o seu palito dançante chega a ser considerada como “o ponto de fronteira da realidade com a metafísica*2. Infelizmente, esta actibidade oral está tamém a desaparecer e é mais uma razão para a FLC estar preocupada.

Para que a memóira não desapareça e a nossa cultura seja libre e sadia, fomos intrebistar um dos últimos caramelos que usa o seu palito dançante no dia-a-dia. Uma entrebista a não perder brebemente. Até lá ainda temos outras coisas pra cumbersar de maior importâiça, é ou nã é Joaquim Bateneira?

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*1 Putrefacto, Alcides “Truques e manhas na Tasca do Ameixa” , Pinhal Novo, Reformados da CP Editores, 1987, p.1304

*2 Arrota, Sebastião “Estudos rurais do caramelo urbano”, Lagameças, Publicações Marcado do Lau, 2003, p.30

9.4.08

Gabinete de Pinsamentos Unibersitários

Logo após o Tratado de Bolonha, a FLC foi cumbidada bárias bezes pelos Conselhos Científicos de unibersidades espalhadas pelo mundo, pra apresentar informação importante no baldio oficial e assim ajudar todos os estudantes que se interessem por assuntos caramelos. Deribado à importâinça de tais combites, a FLC montou de imediato, na intiga sede do Pinhalnovense, um gabinete de trabalhos unibersitários.
A informação que se segue, serve pra ajudar o estudante do ensino superior (e comunidade im giral), que prefere sempre consultar os baldios da internet em bez de andarim feitos parbos a ler libros, aí perdidos por essas bibliotecas onde uma pessoa nã pode falar nem assobiar, nem comer pão com manteiga, nem arrotar, nem ber a nobela “Coiratos com Açorda”, nim nada.



Hoije a FLC bai tratar de uma das mais notáveis invenções da história do Caramelo: O Palito.
O Palito I

A invenção do palito remonta à pré-históira, mais propriamente à Idade do Coirato, estando relacionada com os hábitos alimentares da espécie caramela. Esta invenção tecnológica revelou-se altamente revolucionária, não só porque desenvolveu uma minuciosa técnica do manuseamento do palito entre a dentadura e as engibes, mas principalmentes porque facilitava ao caramelo recuperar valiosos bocados de coirato infiados nos dentes, permitindo com isso que a criatura pudesse fazer quase uma segunda refeição. Por tal facto o caramelosapiens, tornou-se desde cedo um home balente e sadio em comparação com outras espécies parbas que não usavam este precioso instrumento.
Contudo, mesmo já na Idade do Chispe, fazer um artefacto de tal complexidade não era uma tarefa fácil, portantos, quem tivesse um palito, jamais o tirava da boca: usava-o ao canto da boca quer nos momentos mais íntimos do acasalamento caramelo, quer durante o sono (não fosse alguém pela calada da noite apoderar-se do palito alheio pra escarafunchar na sua própria cramalheira).

É neste período histórico que nasce o materialismo arcaico,”que consistia em dar toda a importâinça social ao caramelo brabio que ostentasse um palito na boca como sinal exterior de riqueza1. Tal comportamento revelou-se fundamental para a formação da civilização caramela que superou todos os bendabais e chigou aos nossos dias.

Ao longo da históira, muitas dúbidas houve sobre o uso deste utensílio, mas a importante descoberta do esqueleto duma caramela, no Lau (datado do princípio da Idade da Intarmiada), veio a revelar muita coisa nova. O crânio dessa caramela apertava ainda, na sua sorridente dentadura, um belo dum palito que, segundo testes laboratoriais, tinha resíduos de intarmiada de javali. Em primeiros, este facto desmente a ideia de que o palito estava reservado só aos homes, e prova que, nas cerimónias fúnebres, o Caramelo-defunto levava o seu palitinho na boca como artefacto importante a ter no mundo do além.

Atão até ao próximo capítulo e nã percas tu o teu palito.

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1 Parbas, Toin das Ideias “Psicanálise da cultura oral caramela”, Arraiados, Curral dos Leitores, 1976, p.462

1.4.08

O Apocalipse do Meio-bidom

A Sociedade Caramela de Meio-Bidonlogia (SCM-B) anda preocupada com as novas utilizações dos meios-bidons. Pode-se ler num dos títulos da revista técnica “O Fórfo”: confirma-se o apocalipse meio-bidonístico na malha urbana, e prevê-se, a curto prazo, a extinção deste utensílio até nos baldios da Fonte da Vaca.


É sabido por todos que o uso do meio-bidom assador em via pública (a espalhar fragrância de coirato, intarmiada e sardinha), tem sido ao longo dos tempos um ponto de confluência e de conbibência na nossa sociedade, assim como um símbolo de toda cultura caramela. No intanto, como se sabe, esta prática é proibida pelas forças palmelonas que, por sua bez, lembem as botas aos tiranos sanitários europeus que só comem ervas. A FLC e a SCM-B não lembim as botas a ninguém, e por isso consideram esta proibição um atentado aos nossos costumes, sendo que a única maneira de conservar esta cultura seria uma recolha de todos os meio-bidons abandonados para o Museu do Meio-Bidom e do Fogareiro-de-Marquise. Este museu já estaba a ser montado num pavilhão abandonado do Parque do Vale do Alecrim e teria a dupla função de reactivar em labaredas todo o parque meio-bidonístico e, ao mesmo tempo, receber “Os Bardoada” pra poderim fazer barulho à sua buntade em qualquer dia e em qualquer hora, enquanto roerem um coirato à escolha.

No intanto a imaginação caramela trouxe grandes nobidades. A SCM-B tem vindo a berificar que este balioso utensílio não foi dado ao abandono mas sim espontaneamente reutilizado. Estamos a falar dos meio-bidons-cinzeiros-comunitários. A transformação é simples, derrama-se areia das obras pra cima dos restos de carvão e já está: é só esperar que os caramelos fumadores se aproximem e esfumassem à roda do meio-bidom, tal como o faziam dantes com géneros alimentícios. Há um crescendo desta reutilização deixando perplexos todos os meio-bidonólogos que não sabem o que fazer com este sinal dos tempos. Por um lado parece bom, por outro pode ser perigoso pois esta nova cultura de fumar em comunidade à roda dum fogareiro, pode suscitar uma nova proibição palmelona, e isso seria o apocalipse!


A FLC tamém não sabe o que fazer, por isso está a ficar irritadiça com esta prática de proibição compulsiva de todos os costumes caramelos. Já nã se pode matar um porco, já nã se pode comer um coirato na brasa à porta do café, já nã se pode fumar na coletbidade, já nã se pode pescar pardelhas com floberes, já nã se pode andar à bardoada na compratiba e até os ciganos caramelos já nã podem bender pensos na estação, mas o que é isto afinal?!! Hã? A FLC está a preparar uma rebolução que as milícias armadas saem todas do nosso quartel como avespas desostinadas.


Enquanto a gente prepara a rebolução para a libertação da nossa cultura, a FLC está ainda com as últimas medidas de diplomacia rural com as mais altas instâncias de Bruxelas, para repor todo o parque meio-bidonístico, em labaredas na via pública, com as suas funções originais. Estamos a fazer um ultimato (com uma punhada na mensa) para a homologação do meio-bidom (cheio de ferruige), como mobiliário urbano oficial de toda a Caramelândia. Se isso acontecer a nossa bida retomará o seu curso normal com o aroma do coirato e outros petiscos de fazerim crescer mines na boca.

Uma bela pintura numa barreca de coirato

junto às largadas das Festas Populares do Pinhal Novo.

Lutamos para que continue!!

24.3.08

Grande entrevista a Júlio Desinçaimado – 2ª parte

A FLC tem tentado marcar encontro com Júlio Desinçaimado para concluir a entrevista iniciada anteriormente mas tem sido bastante difícil estabelecer contacto com este faz-tudo, um génio da engenharia caramela.
Após muita insistência lá conseguimos encontrar o home. Tem estado incontactável, “até parece que tá aparbalhado, só bê o abião à frente, onte até o bi comer coiratos crus, à dintada, só para nã se dar ó trabalho de os assar e parder tempo, o home tá mais parbo cuma porca antes de parir!”, disse à FLC Hilária Alusiva, uma espécie de mulher-ajudante-cozinhera-a-dias do Júlio, já bastante enervada. Para falar a verdade, o nosso entrevistado apenas nos dirigiu quatro palavras: “tá aquaise, senão arrinco-os”, parecendo em estado de quase transe laboralóinventivo. Alguns dos seus amigos mais chegados- Albino do Entulho, Celestino Bombista, Ti Laurentina Espezinhada, estão preocupados com este home, que parece apostar tudo na construção do primero abião de fabrico caramelo. Dizem que as únicas coisas que ele tem repetido nos últimos tempos são frases como:”bou inbintar o primero abião boador da caramelândia” ou “bócês bão ber, bou lebar a gaiataige a boar como os passarinhos a berem o marcado e a antiga chaboca lá de cima, quaise dó pei das nubes!”, sempre com um brilho desmedido nos olhos, que alguns já chegam a apelidar de loucura imparbalhada. No entanto, (e só por sermos da FLC) Júlio deixou-nos entrar na sua oficina, e o movimento é constante: a toda a hora chegam pessoas de todos os cantos do território caramelo, a oferecerem motores de Sachs e Fameis, meios bidons antigos, coelheras desabitadas, e todo o tipo de peças que Júlio aproveita para derreter e soldar, dando forma à sua máquina voadora. Entre uma das pausas que o nosso faz tudo fez, aproveitámos para ficar a saber mais algumas coisas sobre a sua vida. Por exemplo:o seu interesse por aviões ficou-lhe de uma visita à capital da caramelândia, Pinhal Novo, “quando era gaiato, o mê abo lebou-me à capital, fiquei parbo, habia muitas casas e um marcado grande, mas o que mais gostei de ber, foi um abião no parque da gaiataige, parecia um bicho aboador, mas sem penas e mais pesado que três bicicletas a motor juntas”. Desde esse dia, sempre carregou o sonho de criar e construir “um bicho-máquina aboador!”. Em adulto, chegou a fazer de tudo, vendeu “frascos de pitróile pá azia, inbentei o passe social caramelo pás pessoas obterem descontos na Raforma Agráira e atei chegei a ser limpador e cortador de unhas e chispes (pa homes e porcos) à intrada do marcado”. Depois do 25 de Abril, “fui muralista (parece-me que agora dizim assim?!) e pintei nos muros brancos a gatafunhaige dos partidos. Na trabalhaba pa ninguém, quem caria os meus serbiços, pagaba e ódepois ê pintaba à nha manera, mas nessa altura era alcólico e dichei de pintar muros para começar a fazer o mê próprio binho, e olhe que nã ficou nada mal! Ó depois tibe de inbentar o Disimbuedor, que era uma máquina que tiraba a buntade de buer ós homes”. Enquanto conversamos com ele, começamos a verificar que se torna impaciente, pois satisfeita a fome (três médias, uma bifana e um alguidar com alface e cebola com toicinho, que Hilária lhe havia preparado), o seu cérebro inventivo começa de novo a trabalhar e as mãos só lhe pedem para voltarem de novo ao trabalho do avião. Antes de sair do café (fomos lá buer uma mine-"faz bem à digestã0!"), ainda teve tempo para nos dizer (quase a gritar) que gosta muito de cães e que se a câmara “nã bolta a pôr a bacina ótra bez im dia, sem um home ter de ir a Palmela, bou ter de inbentar uma bacina pá raiba dos cães e dos homes, que são o bicho má parbo quê conheço.” Com esta frase, acabou a conversa e a FLC não se viu no direito de incomodar mais Júlio Desinçaimado, o último grande Faz-Tudo da caramelândia, desejando que o seu avião cruze rapidamente os nosso espaço aéreo, do Lau a Valdera, de Arraiados às Lagameças, da Palhota aos Arraiados.

18.3.08

Correspondêinça brabia

Cartas à babuige

a sair do alguidar


Este é um espaço que dá a bóz ao pobo caramelo que manda à gente correspundêinça parba de interesse giral.

As palabras que se seguem são da inteira responsabilidade dos intervenientes.


"
Im primeiros, é com muito gosto que escrebo esta carta às autoridades da FLC a partir daqui da sede do clube da Palhota, e digo já aqui em bóz alta que a nha bida mudou completamente desde que bocêzes ocuparam esse baldio nos computadores de cada um. No intanto há quem diga que a FLC nã existe e que é só mintiredo e na sei quê. Mas o que eles dizem cá no clube, nã se escrebe, porque quem diz isso ou é parbo ou come palha do Lau.


Por exemples, uma bêz cá no clube, disseram a mim que se tapasse com o dedo (com muita força), a saída do cano da flober e se disparasse, o chumbinho nã saia do cano. Ficaba lá drento, tão a ber? Eu dizia “nã , m’íntalem. Isso na pode ser”, eles teimavam “olha que sim” e eu “olha que não”, e eles “olha que sim” e eu “mau! olha que não”, e eles “olha que sim” e eu “é pá, olha que não”. Antes dos enxertar uma punhada pas bentas, fizemos logo uma aposta: “uma grade de mines já aqui e nã se fala mai nisso”.
Ópois fiz a experiência cá no clube. Disparei a flober e fiquei sem a cabeça do dedo até hoije. A malta fartou-se de rir, mas eu ganhei uma grade de mines e mai nada. Por isso cá no clube eles nim sempre têm razão, só têm na maniazinha.


Bem! Estou aqui a escraber esta carta porque já bi muita coisa na bida e sei quem é, e quem nã é da FLC. Portanto cá no clube nã benham cá a mim cum cumbersas parbas a dzer que a FLC nã existe. Eu digo que existe porque eu já bi actibistas da FLC em missões de libertação. E posso probar já aqui!
Por exemples, no outro dia incuntrei dois homes de fato-treino azul a comprar uma lata de tinta florescente na Drogaria Alegria. Via-se logo que estes homes estavam a comprar tinta pra marcar o territóiro do aeroporto. E isso só a FLC pode fazer.


Noutro dia, ali dentro dum café na Venda do Alcaide, descobri uns quatro homes de boina a fazer o quê?! A desenhar num guardanapo, com muita catigoria, o projecto pró nobo marcado municipal do Pinhal Novo. E isso, só os homes da FLC sabem fazer.


Mas há mais…
aí há uns tempos, dei com uma mulher de lambreta com um avental às riscas, parada no cruzamento do Rio Frio, à cumbersa com outra que tava de bcictele e com um avental às pintas. E o que é que eu bi? Hã? Bi uma a passar uma tesoira de podar à outra! Assim: “toma lá”. Eu bi muito bem cum estes olhos ca terra há-de comer, e não há dúbida que estavam em plena missão para cortar às farripas a escritura que diz que o Rio Frio é propriedade do José Eduardo dos Santos, o presidente de Angola. Ora está-se a ber que só a FLC é que pode lutar para que o Rio Frio não seja uma colónia angolana, nem colónia de porra nenhuma. Ou Rio Frio é uma região da Caramelândia ou eu arrebento já com isto tudo.

Eu sei que bocemecês têm que estar na clandestinidade e nã precisam de responder a esta carta porque eu tenho a certeza que eram mesmo da FLC, assim como tenho a certeza que foi a FLC que disse o segredo à Ti Ermelinda, de como é que se faz o melhor binho do mundo.

Sim mais cumbersa de momento

Lutécio do Dedo Descabeçado

11.3.08

Internet chega finalmente a algumas das zonas mais recônditas da caramelândia

Finalmente a Internet chegou à Lagoa da Palha e à Palhota. Os postos de acesso público vão ficar instalados nas respectivas sedes destes locais. O Rancho Folclórico “Os Rurais” e a União Desportiva da Palhota até já amandaram umas rajadas de fogetaije rija para o ar, só para assinalar o acontecimento. A Junta de Freguesia da capital caramela, Pinhal Novo, foi responsável por esta iniciativa e o seu principal representante já afirmou pretender estender o projecto a outras localidades. A FLC sabe que Lau, Arraiados e Vale da Vila, já planeiam uma grande manifestação, prometendo trazer “tractores, canzoada e bicheza atei à capital, atei à porta da Junta”, se não instalarem também nestes locais postos públicos de acesso gratuito à Internet.
Toda esta pressão para ter acesso à Internet deve-se a um só factor (no entanto desmentido oficialmente pela Junta de Pinhal Novo): o grande desejo, legítimo, dos povos caramelos poderem ter com maior frequência notícias da FLC. E todos sabem que a melhor forma é através do acesso à nossa página. De referir que no primeiro dia de funcionamento deste equipamento na sede da União Desportiva da Palhota, verificaram-se vários desenvolvimentos de sessões de punhada, “só pa ber quim tiraba as primeras senhas pá máquina da Internet e também pá malta sintrater, pa passar o tempo”, referiu Jorge S., presidente desta organização, para concluir de seguida com um sorriso “só por isto, bejam bócês o sucesso parbo destas máquinas modernas!”. Na Lagoa da Palha, o sitio mais visitado é o site da FLC, sendo necessário esperar uma média de três horas para ter vez para visitar a nossa página. Adelina Braçuda, uma anciã de 91 anos entrevistada enquanto esperava na fila, diz que nã sabe “nim ler nim escreber, mas tou a guardar o lugar pó mê neto, que foi ó bar abastecer-se de mines, porque a espera bai ser longa e secalhar ainda bai dar bardoada.”.
Por tudo isto a FLC saúda os novos visitantes e promete elevar bem alto a luta pela autodeterminação do povo caramelo!

27.2.08

Grande entrevista

A FLC volta ao formato da grande entrevista, desta vez com Júlio Desinçaimado, o ultimo faz-tudo caramelo

O sol começava a abandonar a bela planicíe caramela. Lá á frente, as luzes do “Anda cá mais eu”, o mais famoso café da Fonte da Vaca, já estavam acesas e brilhavam no óleo do asfalto, sinal de despiques recentes. Era aqui que tínhamos encontro marcado com Ti Júlio Desinçaimado, o último representante dos dignos faz-tudo caramelos, uma espécie de homes já em extinção.
Falar de Júlio Disinçaimado é falar de alguém que não se lembra de nada mais do que sempre ter sido como foi. Este é um homem que nunca comprou nada na vida: “só duas ó três bezes na Raforma Agraira no Pinhal Nobo, quando a nha bomba de rega cunstruída cum molas de roupa de madera e alfinetes de prega se abariou”. Já teve estabelecimento aberto na capital, na antiga rua das peixarias, e chegavam clientes de todo o vasto território caramelo, “aquilo era um ber se te abias, traziam tudo pa arranjar: ratoeras pás arganáças, desintupidores de retretes abariadas, flóberes desingatelhadas, cagatórios à antiga portuguesa, daqueles que um home se tinha de pôr de cócoras, ê sei lá, home, os caramelos têm de tudo párranjar”. A profissão aprendeu-a com o seu avô, Balbino Orelhudo, mais conhecido como o Desinçaimado, o famoso inventor do desorbalhador (produto que tira o orbalho das batatas com um mecanismo colocado num barril de madeira). Júlio, fala do seu avô com orgulho, como um mestre que lhe ensinou a difícil arte de tudo fazer. Nim o mê abô nim o mê pai, cumprabam nada, fui habituado a inbentar tudo e a saber arranjar tudo, “par mim éi tão fácil arrinjar um guarda-chuba daqueles do marcado, como desmuntar o motor da nha Sachs, todo desatarachado ódepois de um despique brabio, daqueles im que eu participaba aquando era um gaiato aparbalhado. Par mim tem tudo a mesmo segredo, o home quando monta as coisas, qualquer coisa, usa as mesmas regras. Par mim ei o mesmo: fazer uma sopa de batatas caramelas ó muntar uma antena feita de canos de flóber no telhado para apanhar a rádio antena caramela”.
Do café “Anda Cá Mais Eu” até à sua casa é saudado por todos com respeito e a maior parte deles ainda lhe pede para arranjar coisas, mesmo ali à pressa. A ti Balentina da Pata Larga, traz um desodorizante que “dixou de dar chero, beja lá ó Ti Desinçaimado, o que pode fazer!”, o gaiato do Manel da Pança, traz um tira-olhos-às-rãs que foi o próprio Desinçaimado que inventou, mas que de tanto uso já não funciona. O Julinho do Intulho, bem pedir-lhe uma “máquena que faça desaparecer o intulho”.É com dificuldade que conseguimos percorrer o curto caminho até casa do nosso faz-tudo, que nos conta que “bolta e meia tenho de andar à bardoada ali fora, porque eles pinsam que eu tenho de lhes fazer tudo, se dou uma galheta num gaiato, ódepois bem o pai e às bezes dá bardoada da rija, mas nã mimporto, par mi atei ei bom, porque praciso de me mexer e umas cabeçadas pus quexos dos outros fazim-me bem, desinçaimam-me”. Mas o que nos trouxe aqui, foi “uma espeice de último desejo!”. Júlio Desinçaimado, quer construir o primeiro avião totalmente de fabrico caramelo. No seu quintal, já se pode ver o projecto a tomar forma: “a chaparia, tou a montar com os meios bidons que fui recolhendo, os bancos bou fazê-los com grades de mines derretidas e tenho na mania que isto bai boar pelos céus da caramelândia ca belocidade da pardalaige a fugirim desóstinados depois da foguetaige da festa da Atalaia!”.
Mas sobre isto, falaremos na próxima entrevista a Júlio Desinçaimado, o ultimo faz-tudo caramelo, uma espécie de homes brabios em extinção, que interessa preservar.

19.2.08

Episoide 1297 de Cuiratos cum Açorda

Mais um episoide importante da nobela totalmente falada em caramelo e produzida a partir das nossas intenas pra todo o territóiro.

É dia de casamento, Vanessa da Tatuaige no Rego e o Zei das Casmarras bão ajuntar-se um mais o outro. Este casamento é a maior produção de sempre da telebisão caramela e nada ficou ao acaso. A quantidade de figurantes foi tal que a FLC teve que ir buscar sete carradas de caramelos à Marateca e outras tantas à Jardia.

O dia escolhido é um dia de chuvada, para se parecer com o dilúbio, em que o Pinhal Nobo fica totalmente alagado com as águas da Vala da Salgueirinha e que toda a gente se prepara pra fazer a Arca de Noé Caramela (um assunto a tratar num próximo episóido).

Tá tudo preparado para o grande ebento no adro da Igreja da capital. As arrãs que vêm de dentro do buraco fundo da estação já chegam às bordas do Jardim José Mª dos Santos. Os caramelos, bronzeados até meio da testa, apresentam-se de fato com colete, sapatos de berloques enterrados em água até aos tornozelos, mas sabe-se (dos episoidos anteriores) que foram engraxados com graxa Búfalo (por ser uma graxa brabia resistente às águas alagadiças), e o cabelo pintiado com um risquinho ao lado amais a patilha até à bochecha.

As reparigas, de grandes caracóis e popas, usam longos bestidos decotados pra mostrar a peitaça cheia de colares e cruzes. Têm a cara toda pintada com cores vivas, inspiradas nos carrosséis da Feira de Maio. Trazim saltos altos brabios, cumprados no Marcado do Pinhal Nobo, pra não descolarem a sola quando infiados debaixo d’água. Na mala de entulho, lebam um lenço bordado prá ranheira, um desodorizante, um rolo de papel higiénico, pensos, e um par de chinelos pra quando os sapatos nobos tiberem a morder nos pés.

Venãiça, disfarçou a verruga com pó de arroz mas não esconde que está nerbosa ao lado de Chispalhudo que nã pára de cumbersar sobre o estado actual das finanças locais e dos alagamentos da Bala da Salgueirinha.

O transístor-megafone da igreja, é ligado e começa a marcha nupcial. Chispalhudo leva a neta pelo braço, pra junto do Zei das Casmarras que a espera no altar.

Entretanto,
no Poceirão, à porta do café Eu mais tu, Zeferino dos Chumaços intigo namorado de Vanessa, mete um Euro na máquina de ovos sortidos e… sai-lhe um gancho pró cabelo.
Entretanto,
nas Lagameças, a canzoada gane com a água pelo pêto, por os donos terem ido ao casamento e não os terem levado.

De volta à igreja:

- …juntos par sempre, quer na soalheira quer na giada, quer na inundação?pargunta o pároco.
- Sim. – responde Zei.
O pároco continua:
- E tu, Vanessa da Tatuaige no Rego, aceitas biber com o Zei das Casmarras quer na soalheira quer na giada, quer no dilúbio, quer no sossego quer no pandemóino, quer no arroto e na budeira, e tás preparada pra bersuntar ele de óilo quando ele tiber o bucho birado e presentear ele cum fatias d’ovo quando ele tiber esfomeado às 4 da manhã?
- O quêim??!!

Todos os cumbidados ficam desostinados com uma pargunta tão cumprida e aparbalhada. Até o espectador normal ficou cheio de gasearia com tanta palabra e suspence caramelo, por isso…


Não percas o próximo episoide, se não tamém ficas banhada no dilúvio das águas da Vala da Salgueirinha, e ficas cheia de gases.

5.2.08

FLC saúda o Carnaval dos Amigos de Baco

O Ministério do Turismo Caramelo esteve reunido toda a noite com alguns dos altos representantes clandestinos da FLC, em local secreto da capital caramela, Pinhal Novo. Assunto: O desfile de Carnaval. Desta reunião resultou a seguinte opinião colectiva (apenas dois votos contra que com duas punhadas se tornaram abstenções mais pacíficas): Apoio incondicional ao desfile, condicionado às recomendações de livre exibição dos populares que mostrem o desejo de se manifestarem de forma carnavalesca-caramela, quer através da utilização de indumentária folclórica da nossa região, quer através da utilização de objectos e artefactos que mostrem aos forasteiro visitante a alma e a brabeza do homos caramelus, que “nim no caranabal dexa de ser selbaijamente o quei!”.
Impenhemo-nos todos im dignificar o carnabal, não o imparbalhando com misturas que nada têm a ber com o bardadero carnabal dos caramelos!.

4.2.08

Desfile de carnaval

Deribado às pressões do Ministério de Turismo Caramelo e às diligências da FLC o desfile foi quase totalmente caramelo. As imaiges que se seguem mostram como é que se faz um berdadeiro carnabal.





Aconselhados pela organização do Lisboa-Dakar, a FLC e as forças de Baco, mudaram o trajecto do rali carnavalesco, mesmo assim não se safou do terrorismo caramelo com balões de água.





Im bez do home dos balões, este ano apareceu (a desbrabar terreno) o carro da GNR e, a escoltar ele, uma matrafona com uma mine nas mãos.





O estandarte im setim do Grupo Carnavalesco "Amigos de Baco" . Parece demasiado limpo, umas nódoas de tinto dabam credibilidade à instituição.



Houve uma grande influência da Reforma Agrária, com os produtos hortícolas. Nesta carrinha de caixa aberta, faz uma autêntica alegoria à coelhaige.

Aqui, a FLC tinha proposto uma alusão ao escaravelho da batata, mas acabou por ser à joaninha. Tá bem! Vá lá.

O tractor agrícola como principal protagonista da festa. A alusão pura às nossas origes.



A apicultura e o mel sobre uma Toiota Dina de caixa aberta, dois icones caramelos.



O único som berdadeiramente caramelo. A FLC bem tenta libertar toda a caramelândia da brasileiraige, mas há quem insista em incher os óbidos cum samba. Batuques da Bardoada e dos ranchos é que éi.




Um tractor com ciganaige. Aqui podemos ber um cigano a binder CDs à maltesaria olserbadora do rali. Um elemento da FLC comprou um CD a eles e confirmou que é uma cópia genuina e não essa balhana de coisas originais.


A ciganaige, a tenda, a Toiota Dina de caixa aberta e a dança.




A segunda carrinha da ciganaige a binder trapos, e a GNR a tentar dar conta da ocorrêiça. Olserbim a pistola pronta a disparar prá nalga do guarda...
GNR a correr atrás da ciganaige: uma rábula muito comum no imaginário caramelo.

Uma alusão á pecuaira, às largadas e à toirada, tudo junto. A caramelaige nunca esquece o que é importante.



ASAI e os seus efeitos devastadores no mundo caramelo.


Ora aqui está um bom exemplo dos recursos naturais. Um autêntico farol, único no mundo, com materiais biodegradábeis.

Bamos andando e bamos comendo. Um exemplo multifunções e uma prova de que o caramelo nunca está parado. Para ele o mundo está sempre a abançar.Um engarrafamento de bcicletes a motor alegóricas.

Uma FórTransit de caixa aberta com o "Futuro dos Portugueses". O que bale é que a Caramelândia está em vias de autodeterminação (graças à FLC), e espera-se um futuro grandioso, com pudaleiras e com FórTransites mas chiinho de coirato, pão e mines.

A fase das motarizadas de grande catigoria.


Uma alegoria minimalista, um marco na cultura caramelo-carnavalesca.

Um momento para dar água ó carrito que o fumo não era fictício, era mesmo o motor a gripar. Estas máquinas estão preparadas para esgrabatar por esses aceiros afora e engasgam-se quando andam muito devagar.

Cá vai ele com toda uma série de artefactos encontrados na berma da estrada entre Bal da Bila e Pinhal Nobo.


Como o caramelo guarda a sua caramela só pra si (não é como a brasileiraige que poim as mulheres a fumar à frente de toda a gente), prefere comprar um par de nalgas ós chineses e metê-los ele próprio, pra dar um certo brilho feminino ao rali carnabalesco.


Mais uma bez uma alusão ao comboio caramelo. A evolução da engenharia de uns anos para os outros é avassaladora. Este comboio da 5ª geração, está tão sofisticado que foram precisas duas códaques pra mostrar tal complexidade.

Esta é a segunda parte do comboio tecnológico, com uma cama de rede. Os brasucas não apanham disto assim, tão genuíno, com esta qualidade.

Um panorama das carecas locais.


Uma das sedes ambulantes da FLC, a distribuir cultura em forma de farturas.


Um panorama de todos os agentes da FLC disfarçados de populaça, a ber a cabalaige de encerramento do rali Avenida da Liberdade-Parque José Mª dos Santos.

Um Carnabal único no mundo, porque se torna cada bez mais berdadeiro e sem influêinças dos abiões que só trazim CDs parbos do Brasil.

Para o ano, o caramelo bai fazer o carnabal só com erbas prós coelhos, pra mostrar ó mundo como é que éi.