É a torradeira do Verão! É o Sol caramelo a pôr o céu em labaredas! Estão aí uns calores caté fazem os chibos arrotarem a leite-im-pó! É hora da malta espraveirar ao margulho por esses charcos, tanques, barraiges, balas e regos afora! É hora dum home abrir a torneira e pôr a cabeça dentro da bacia e sintir o fresco das ideias a ir pu ralo a baixo. Esta é também a época em que toda a gente gosta de bresuntar os entrefolhos… e tamém o resto do corpo. Por isso a FLC, preocupada com a saúde, está atenta aos óleos e cremes que o pobo caramelo anda a usar pra se bersuntar. Mas antes que o nosso povo se renda aos óleos de Marrocos feitos de cuspo de caracol, a FLC impõe-se às campanhas publicitárias aparbalhadas, e apresenta a TV Shop-Caramela nos interbalos da telenobela “Cuiratos cum Açorda”.
Este pugrama comercial é filmado na malhada-atelier do Ti Isauro Arrebenta-pudins, (home de boas lides conhecido por fazer bombas caseiras a partir de pudins de baunilha) e serbe pra desenbolber o berdadeiro sintido que o produto caramelo tem nas nossas bidas. É um pugrama que mostra como uma mercadoria caramela é a solução certa pra satisfazer até os nossos desejos mais recalcados. Atão aqui bai o primeiro reclame:
TÁS PARBA E NÃ SABES O QUE FAZER? Tens a boca seca de garriares com a bizinha, e ainda nã te sastesfizestes?
ESTÁ AQUI A SOLUÇÃO:
ÓLEO DE COIRATO ASSADO!
O Óleo de Coirato Assado, vem em forma de coirato, assado naturalmente no fogareiro.
É só agarrar no coirato ainda quente e bersuntar ele pu corpo. O Óleo de Coirato com o pêlo (tipo barba rija de 3 dias) tem propriedades estimulantes, que dá às mulheres todo o poder do sebo.
ÓLEO DE COIRATO ASSADO Pede aos teu bizinho para te bersuntar!
Depoimento duma testemunha que já experimentou: “- Eu já esfraguei o coiro com Ólio de Coirato. Bersuntei-me por mim toda: por qui, aqui… e aqui assim pas canelas acima… esfregar o coirato com pêlo aqui assim desta maneira … uma mulher até fica brabia e destemida capaz de labrar só com os chispes, de sol a sol. Faz como eu, não te esfregues com grabilha, unta-te tu amais a familia com Óleo de Coirato Assado!”
Com o Óleo de Coirato Assado Fica tudo bersuntado!
A FLC já percebeu que não é só a pardalaige que escolhe o Pinhal Nobo só pra dormir. Há muita gente por i que faz o mesmo e essa é a razão porque chamam ao Pinhal Nobo um “dormitóiro”. No entanto, a FLC cravou-se a fundo nesta problemática, como quem crava a fundo o acelarador dum tractor só pra ber quanto é que ele dá em recta com o reboque cheio de borregos. E assim foi. Todos sabem que a origem da Caramelândia está na binda de caramelos para este belo territóiro feito de parras e comboios. Mas eles bieram pra cá pra trabalhar e não pra dormir. Eles tornaram as terras brabias im terras férteis, (tão férteis que se um home se descuida a jogar um calhau pró chão nasce logo um hipermercado). Tais homes intigos escavaram charcos e dos charcos bieram logo as arrãs… e a partir dos charcos plantaram parreras e das parreras bieram logo os cachos e dos cachos bieram logo os cestos e dos cestos bieram logo barris e dos barris bieram logo as coletbidades e das coletbitbidades beio logo o copo de 3… e do copo de 3 bieram logo os construtores civis e dos construtores civis bieram logo os dormitóiros. Esta é a sequência de acontecimentos históricos que, dito assim, até parece o Maia a distribuir cartaria sem se desamontar da minarda. Tudo isto quer dizer que, se os homes e mulheres de intigamente biessem cá só pra dormir, a nossa cultura na era tão rica nem brabia nem sadia como é hoije. Aliás na era nada nim nada. No intanto, toda a gente sabe (até a canzoada rafeira) que os maiores especialistas em fazer dormitóiros são os arquitectos e construtores civis, em compadrio com a galfarraige autárquica. E isto porquê? A gente explica. Psiquiatras credenciados pela FLC, fizeram testes com bonecas de borracha (de pneu de tractor) e concluíram com surpresa que o maior fetiche do construtor civil e do arquitecto, ao contrário do que se pensa, não é fazer sexo à canzana com os buracos dos tijolos, mas sim fazer um dormitóiro com casas encavalitadas umas nas outras, em forma de bairro. Na berdade muitos deles realizaram as suas fantasias no territóiro caramelo, empinando e amontoando o maior númaro de prédios de 3º andar pra que a galfarraige municipal diga com excitação “Está a crescer! Está a crescer!” Esta é a principal razão porque o Pinhal Nobo corre o risco de deixar de ser A Capital Caramela e passar a ser apenas a azia dum Dormitoiro. Mas a caramelaige brabia nã embarca nesses grupos parbos. Na berdade, num dormitóiro, cresce tudo menos a cultura caramela. E é a nossa cultura que interessa. Por isso, o porta boz da FLC, Arlindo Cagaitas, numa entrebista que nunca saiu no Jornal do Pinhal Novo (mais conhecido por “O Acendalha”), mas que pode bir a sair em qualquer cassete, disse sem papas na língua: “Esta ideia parba do dormitóiro está prá cultura da gente, como uma colharada de merda tá pra uma sopa de fijão…” arrotou e adiantou “…se Pinhal Nobo for mesmo um dormitóiro, hã, a cultura brabia fica em risco, e é mais um motibo prá FLC arrebitar orelha e ficar de alerta com as floberes de mola pronta pró disparo, hã! ” Cravou a nabalhita na mensa caté ficou a vibrar e rematou com o dedo im pei “E bocêzes sabem o que éi um dormitóiro? Hã? O que éi um dormitóiro??? Um dormitóiro é uma malhada… ou um curral, hã, adonde o gado bai dormir opois dum dia de pastaige.” Disse ele.
A FLC meteu mãos à obra como quem mete as mãos na xôcha duma baca pra ajudar a parir um bezerro, e concluiu o pior: a capital caramela tem bairros adonde as pessoas não se conhecem umas às outras porque bão lá só pra dormir. Há prédios em que ninguém se conhece! Parece mintira mas é berdade! Assim, em reunião das altas patentes da FLC, à roda duma mesa de matrecos, declarou-se o seguinte:
“Um dormitoiro é uma cultura eremita e aparbalhada importada da cabeça dos construtores cibis, da arquitectaige, da mitraige bancária e da galfarraige autárquica, portanto não é caramela. A nossa cultura está intranhada na partilha do trabalho e das coletbidades, na partilha das desgraças e das alegrias, da punhada e da budera coletiba… e não na bontade parba de dormir, e opois fugir daqui pra fora, pra andar prá frente e pra trás no Fórum Montijo e partir o migalheiro pra gastar tudo sozinho em maningâncias parbas. Por exemples: qualquer caramelo empresta o seu barrasco pra se amontar nas porcas das redondezas, e quando há uma matança de porco tá toda a gente a ajudar (um agarra pu focinho, outro pas pernas, outro pu rabo e outro dá a nabalhada), e opois bai toda a gente comer, buer, balhar e opois há punhada e opois a comer tudo junto outra bez… e quem precisar de fazer cofraige eu empresto tábuas. Tudo isto é bem diferente daquele estado acabrunhado, eremita e escondido tal qual um mocho, da cultura de dormitóiro. Por outro lado, um dormitóiro é o baldio ideal pra atrair pragas e vagabundaige de toda a espécie, caté a GNR fica desolserbada com tanta bicheza badia, sem pai nim mãe, que nã interessa nem pra adubar o escalracho da Bala da Salgueirinha. Portantos, o Conselho Giral da FLC decidiu:” 1-Todo o morador que faça do Pinhal Nobo um dormitóiro debe abandonar este costume e mostrar-se cum balentia à nossa cultura, traçando uma coiratada num meio-bidom coletibo, buer mines à rodada, cantar e cumbersar à desgarrada e experimentar uma sessão de punhada amistosa, pra mostrar às autoridades o seu balor. 2- Todo o morador que faça do Pinhal Nobo um dormitóiro e não queira aprobeitar os benefícios da cultura caramela, debe abandonar o nosso territóiro e escolher os arrabaldes da Tailândia e outras favelas, porque isso nã interessa a ninguém e só atrai bicheza parba e galfarraige incendiária. 3- Pra pôr fim aos dormitóiros no Pinhal Nobo, toda a gente deve atirar os colchões pa janela afora, como forma de protesto. 4- Se estas medidas nã forem tomadas com urgêinça a Capital da Cultura Caramela será debolbida às praças do Rio Frio.
Café “A Alzira Trazanda a Azedum”, 26 de Junho de 2010
Comandante do Conselho Giral da FLC Tó Nauseabundo”
Face a isso, só pra acabar, apresentamos um padaço de notícia publicada no jornal Toalha de Pedreiro: “… muitos caramelos já atiraram os seus colchões pa janela afora como forma de protesto afirmando que Pinhal Nobo não é um dormitóiro, mas sim um acordatóiro. À medida que a população caramela jogaba violentamente os colchões prá rua, Albino dos Ácaros não tinha mãos a medir na recolha de tantos colchões amontoados aqui e ali e além. Esta manifestação brabia foi acarinhada por todos e quem nã biu é porque nã é de cá… ou anda a dormir.”
O correio na tem parado na FLC. A cartaria que tem entrado no quartel-general da FLC é tanta que já temos porcos que engordam só à base de proteínas de envelope rasgado. No intanto todas mensagens são lidas em megafone prás tropas da FLC desaparbalharem e ficarem de alerta com o que se passa na alma do nosso pobo e tomarem uma atitude-garreia. Dessas leituras desemparbalhatibas há uma palavrinha esquisita que se repete bezes sem conta e que tem dado muita dor de cabeça à gente. Ei a palabra “dormitório”. Pra intenderem melhor o que estamos práqui a dzer, leiam lá alguns padaços de cartas (é só pra ler, não pra comer, hã!): “… moro em Alverca e preciso mudar de habitação, por isso escrevo à FLC para me informar se o Pinhal Novo é um bom dormitório e se…” outra: “… sabendo que o Pinhal Novo é um bom dormitório, qual o melhor bairro para morar já que…” outra: “… quero dar os parabéns à sirene dos bombeiros, porque, como o Pinhal Novo é um dormitório as pessoas sabem que é meio dia sem terem que se levantar…” outra: “… Pinhal Novo é o maior dormitório do conselho e por isso…” outra: “… as festas do Pinhal Novo deviam calar-se às 21:00h porque estamos num dormitório e…” outra: “… tenho andado sempre com sono, será que me picou a mosca tsé-tsé ou é por morar no dormitório do Pinhal Novo…”
…
Perante isto, Zé Manel Putrefacto (capitão do turno 17:00h – 21:00h das milícias armadas da FLC) disse: “Mas o qué que bem a ser isto afinal!!! Hã?!!! Pinhal Nobo um dormitóiro?!!! Que raio que porra bem a ser esta, um dormitóiro?! Isto é algum curral ó quê?! Qualquer dia dizem quisto é um purgatóiro ou um… um… um… um cagatoiro, não! Bem, bem, bamos lá a ber isto!”
Dormitoiro!!! Perante tão estranha nomenclatura dada à capital caramela, a FLC ficou desolsebada sem resposta e passou à acção com uma noba missão imbestigatiba. O nome de código desta missão foi: “Imbestigar a fundo, como quem esgrabata a fundo um buraco pra incontrar intulho paleolítico, se Pinhal Nobo é ou não é um dormitóiro.” Passados três meses de imbestigação a fundo, dia e noite sem parar, a FLC chegou a uma conclusão e espatou logo um edital, no tronco das árves, a esclarecer de urgência a população caramela e resto do mundo:
“Afinal, Pinhal Nobo é um bom dormitóiro porque a pardalaige gosta de dormir nas arbes da abenida. Durante o dia anda a aboar na apanha da minhoca, da mosca baregeira e da formiga d’asa por esses baldios, e à noite bolta pra se amalhar nas arbes do Pinhal Nobo e dormir e tamém escagaçar o toutiço de quem passa. Pode-se dzer que o Pinhal Nobo é um lugar seguro e tranquilo prá passaraige dormir. Pinhal Nobo é um bom dormitóiro (menos nas festas). Fim.”
Quando a FLC publicou este edital recebeu logo padradas-mensaige (pedras da calçada embrulhadas em papel com dizeres escritos), como forma urgente de repor a outra face da berdade. E é essa face da berdade que a FLC bai aqui espatar na próxima cumbersa.
Até lá nã durmam, fiquem de olho bem aberto que isto na é um dormitoiro
Depois das festas é hora de boltarmos ao documentairo telebisibo sobre a ebolução e a razão do assobio nas nossas bidas. Intão pouco barulho pra olserbar.
IMAIGE DO COMEÇO:
Grupo Coral de Sorvedoras de Rajás da Palhota as “Toca a Limber” num coro incantador (como as ondas do mar) que qualquer home começa logo a suar.
O ASSOBIO Último episoido
BOZ DE CATARRO:
Bem! Como toda a gente sabe, o assobio está muito ligado à moral e bons costumes e essas balhanas todas. Isto quer dzer que um home não pode assobiar quando quer, nim adonde quer (razão pra dar punhada). É parciso reunirem-se certas e determinadas condições. Em certos casos, assobiar é tão mau que pode ser pior que um pontapé nos túbaros caté um home tem que se ajoelhar pra apanhar fôlego. IMAIGE: Um padre, na sua paróquia, a assobiar um belo faduncho “friiiiiiiiuiiuiuii fruiiuriu fuiririuuuiiii” enquanto espeta as hóstias nas línguas da beataige. OUTRA IMAIGE: Um guarda da GNR a assobiar que nem um pintassilgo em época de acasalamento “friuiiuioiuiiioiii friii friii foooiu” enquanto toma nota da ocorrência dum aleijado a estrabuchar no meio do alcatrão. BOZ DE CATARRO: Estas estranhas imaiges, rebelam o lado mais negro do assobio, ainda que ninguém saiba explicar porquê. Caramelólogos e assobiólogos foram a fundo nas imbestigações como quem bai ao fundo duma gamela a ber se incontra lá raspas de pudim, e chegaram à conclusão que a melodia que sai da beiça do dono (que é, nim mais nim menos a pessoa que assopra) pode ser cunsiderada como se viesse dum ser do além. Não falamos, tá claro, dum ser como um porco, um gambuzino, ou um ET parbo com um dedo a luzir e a andar de bicicleta, falamos sim de um outro euque está agarrado à pessoa que assobia. Assim, quem assobia nunca está sozinho. Por isso, ainda hoije é possíbel ber um caramelo na sua labuta, a incher o seu espaço de trabalho com uma modinha assobiatiba pra lhe fazer companhia… como se lá estibesse outra pessoa. Portantos, o assobio serbe para a pessoa (que está sozinha) se acompanhar a si própria, sem ter que chamar os reformados que nã têm nada que fazer e que gostam de ber os outros a trabalhar e mandar bitaites. Mas não pensim que a extinção do assobio na cultura caramela se debe apenas à imbenção de nobos costumes, à moral e às maniazinhas. Este dom humano de poder produzir melodias na ponta da beiça tem lutado tamém com as nobas tecnologias. Bamos ber um exemplo: IMAIGE: Um calceteiro intartido com o martelo a dar pancadinhas numa pedra e a assobiar que nem um perdido. Chega um agente da FLC disfarçado de pedra de lancil, com uma telefonia a pilhas a dar uma bela modinha do Rancho Folclórico da Lagoa da Palha. Olserba-se que o assobio do calceteiro fica intermitente: ora pára ora recontinua, conforme a telefonia é ligada ou desligada. BOZ DE CATARRO: Como se pôde olserbar, a telefonia fez parar o assobio do calceteiro instintivamente. É por isso que intigamente, antes da imbenção da rádio, todo o carpinteiro, criador de porcos, barbeiro, leiteiro, alfaiate, parsidente da junta de freguesia, amola-tisoiras, rebisor da CP, carvoeiro, chefe da estação, ou até GNR inchia as ruas e espaços de trabalho com o seu assobio. Hoije isso está em bias de extinção. Resta ainda dizer que o assobio reserba propriedades misteriosas que a ciência ainda não conseguiu melhorar e substituir. Falamos principalmente da comunicação entre o caramelo e os animais (como cães, cabras, pássaros, porcos, etc.), bem como a comunicação entre o caramelo e os jogadores de futebol da equipa adversária. Outro grande mistério é o assobio ter propriedades diuréticas e é por isso que todo o caramelo brabio assobia uma melodia pró ar enquanto espeta a sua mijinha. Por fim, como já foi aqui falado nas Cumbersas na Coletbidade, está probado que assobio melhora o fio da nabalha, razão pela qual todo o caramelo quando afia a sua nabalhita espeta uma cantiga assobiatiba para cima da afiadura e assim a nabalhita fica tão afiada caté um home pode fazer a barba sem sabão. Muito ficou por dizer, especialmente sobre o tipo de assobios e assopros. Mas isso fica pra um outro pograma qualquer. Até lá, a FLC aconselha a todo o caramelo e caramela a recuperar o seu assobio perdido (amordaçado pelas manias parbas, bindas das ditaduras ocultas e outras propagandas), como forma de libertação da nossa cultura.
Assobiem adonde quiserem e quando quiserem. O assobio é nosso, é caramelo, e ninguém o tira.
IMAIGE DE ABALADA (em câmara oculta): Concerto de assobiadores caramelos que se ajuntaram casualmente na retrete do marcado do Pinhal Nobo (num Domingo de marcado). Todos assobiam pró ar belas melodias enquanto pregam a sua mijinha, num concerto que mete imbeja à orquestra da SFUA.
10.6.10
Já começaram as Festas Caramelas!
As Festas já começaram e têm sido balentes. A FLC, como sempre, está atenta a todas as movimentações festivas, bigiando e olserbando, fazendo pricuras e acunselhando, estando omnipresente aqui e ali, ou seja, im todo o lado. Só pa abisar, olhim agora: este ano temos bários elementos brabios inseridos clandestinamente no meio do pobo-festivo, cuja função é unicamente a de medir os índices de caramelidade das Festas Populares. Estes elementos (treinados intensivamente durante meses nos nossos baldios clandestinos) foram distribuídos por todo o território festivo, uns disfarçados de feirantes, outros de vendedores de algodão doce, outros de assadores de intarmiada, outros de bisitantes estrangeiros, outros de azulejos da estação intiga e outros ainda de buedores de mines a cagulo (tipo Toino das Mines). Todos estarão equipados com uma maquinaria especial, que foi inbentada e desinbólbida a partir de belhas máquinas de sulfatar e que paronde quer que apontim a sua agulheta im forma de funil, indicam logo cum elevada precisão, se a actibidade éi ó não caramela. Ódepois, esse registo éi logo inbiado pó nosso quartel general (via pombo correio disfarçado de balão daqueles-que-se-escapam-das-mãos-dos-gaiatos-parbos) e inserido dentro de um jerrican inbertido.
No final das Festas, a FLC reunirá as altas instâncias, olserbando os dados recolhidos "e se for praciso interbiremos, para repor os índices de caramelidade mais altos do que a torre da estação", disse Albano Dissidente, responsável pelo D.O.M (Departamento das Olserbações e Medições Festibas).
Bái à Festa atão! Bái tu mais o tê cão! (excerto de um poema da Ti Balbina Acocorada)
31.5.10
O intulho do leitor
Com o aproximar das Festas Caramelas, a FLC tem recebido tanta cartaria a cagulo (via pombo correio) que até já temos intulho pa dar e bender. Com a ajuda dos nossos colaboradores, disfarçados de fichas de carrinhos de choque, temos seleccionado algum desse intulho opinativo, que na sua maioria demonstra o entusiasmo do povo Caramelo pela chegada das balentes festibidades. No meio de tanto intulho seleccionado, não podíamos dixar de publicar estas quadras alusibas às Festas da Capital Caramela, que nos foram inbiadas pela Ti Grunhilda da Palhota. A Ti Grunhilda tá im grande forma escriturária e nã fica a deber nada à grande Ti Balbina Acocorada, a poetisa cá da Grei.
As Festas Caramelas
Tão aquaise Aquaise tão Bamos lá ber intão Atei parece uma procissão
Bamos todos Bou eu e bai ela (a Ti Juila Espezinhada) Se éi pa comer sopa caramela Atei lambo a nha gamela
Ódepois há bailação Os cuncertos e cumpanhia Oiço tudo cum atinção Até me dar azia (dos óbídos)
Ódepois há o Cortejo Ma na gosto do que bejo Parecim parbos-inbalsamados Naquilo na me rebejo
Ódepois há a buída Qual áuga qual carapuça Benham de lá essas mines E uns tintos tipo camurça
Ódepois bamos ó farelo Quéi como quim diz à traçaige Éi no Pátio Caramelo Eia! Tanta galfaraige!
De bez im quando há garreia Uns da rojo pelo chão A Ti Juila tamém bareia Dá coices e punhadão
Atão só pá acabar Falo à parba sou assim Mas Festas como estas
Foi coisa a que nunca bim
Bou às Festas Bou buer e traçar Se nã bens éi porque na prestas Atinção que bão começar!
Estamos de bolta pró segundo episoido do documentário da TV Caramela, um pugrama de grande rigor e realismo, totalmente feito no nosso territóiro. Atão esbugalhem lá bem o olho que isto bai começar:
IMAIGE DO COMEÇO: Grupo Instrumental de Maquinistas Apitadores da CP os “Apitó Cumboio” a tocarem apitos aos incontrões uns com outros, caté parecem que tão a fazer uma corrida de cumboios nas intigas linhas e agulhas da Estação do Pinhal Nobo.
O ASSOBIO 2º episoido
BOZ DE CATARRO: Apesar da ebolução da linguaige, a berdade é que o assobio nunca saiu das nossas beiças, tendo resistido até hoije. Uma das razões do assobio não ter desaparecido é deribado ao poder de alcance. Um belo assobio chega muito mais lõige do que um grito, por muito que uma garganta tibesse sido treinada com bagaço. IMAIGE: Uma vinha mais comprida que sei-lá-o-quê, caté home nim sabe adonde acabam as parrêras e começa o céu. Nã se bê ninguém. Mas sabe-se que estão por todo o lado mulheres agachadas no trabalho da apanha da uba. Grande plano dum caramelo a infiar pa boca quatro dedos incardidos (do trabalho) e a espatar um balente assobio caté faz ricochete pus cachos: “ fhiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuiiiiiiiiiiihiiiiuiiiihuiii.” Na binha bê-se uma bela caramela a lebantar o toutiço (com um lenço) e assomar-se por cima das parreras im drêto ao assobio. Ela diz: “Olha, o meu home tá-me a chamar. O que sará que ele quer!!!” BOZ DE CATARRO E era assim que o casal conseguia comunicar-se a longas distâncias tal como no meio dum inxame de gente. O chamamento da gaiataige, pra deslargarem a brincadeira e birem almoçar, tinha o mesmo método: um balente assobio pró ar e eles binham logo a correr ao fim duma hora. No Marcado do Pinhal Nobo, no início do século binte, entre o mugir e o zurrar da bicheza, era frequente obirem-se assobios de chamamento e reunião de família que entretanto se tinha dispersado entre o gado e a ciganaige. Mas o maior inimigo do assobio foi o mito caramelo que se agarrou às mulheres que assobiam. Palabras de ordem como “Mulher que assobia, ou capa porcos ou atraiçoa o home” ou até mesmo “Mulher que assobia, ou é cabra ou é badia”, baniram quase por completo o assobio das beiças das nossas caramelas. IMAIGE (em câmara clandestina): Uma mulher sozinha na lide da casa a assobiar: “friiiiiiui friiiii uifrifruiiiiu friuifruiuifriiiiiufruiufri frii friiii…” ela está junto a um alguidar, a descascar batatas e não se dá conta que o seu assobio, feito um passarinho, enche o espaço de extraordinário encanto e lebeza. Tal raridade assobiativa, associada às longas tiras encaracoladas de pele de batata a sair da nabalhita par dentro do alguidar, representa o milagre da felicidade caramela só comparábel à aparição das sereias-de-charco, quando um home bebe cinco grades de mines sem arrotar… De repente oubem-se bozes ao lõinge… o assobio é logo interrompido. As bozes desaparecem… e o assobio recontinua logo com o mesmo incanto.
BOZ DE CATARRO: Com este raríssimo momento, é possíbel perceber o quanto o mito da mulher assobiatiba tem pribado o pobo caramelo desta magia feminina. Imbestigadores de bários sectores da ciência, como os caramelólogos e assobiólogos, têm-se dedruçado dobre esta problemática como quem se debruça par dentro dum poço pra tirar um balde d’áuga com um cordel curto. Fizeram-se muitas experiências. IMAIGE: Quinze boluntárias da FLC a intrarem par dentro dum assobiatório (tipo tunel) onde ficam a assobiar belos cânticos sem parar. Nove meses depois de assobiaduras contínuas elas saem um pouco desgadelhadas e com belas bigodaças, mas cum forçaria pra enfrentar de nobo o dia-a-dia. BOZ DE CATARRO: É de balor dizer aqui que, passados nobe meses, não se detectou nas mulheres qualquer metamorfose de índole caprina, nem bovina e nem pariram bastardos. Os imbestigadores garantem a pés juntos que não há qualquer relação de causa/efeito entre uma caramela que assobia e a sua bontade parba de badiar ou de capar porcos. Como já temos o mito estraçalhado, agora as caramelas podem assobiar à buntade sim medos nim bergonhas e dar a toda a gente o poder do seu incanto. Adianta-se aqui que já foram montados bários assobiatórios-escola (tipo retretes do Marcado do Pinhal Nobo) pelo território caramelo (num consórcio entre a FLC e o Clube de Assobiofilia da Benda do Alcaide), pra recuperar o assobio perdido e reabilitar as caramelas a assobiar como umas deusas. Há a dzer que há ainda munto por dzer, mas isso na é pra dzer agora. O que temos pa dzer é pa dzer no próximo episoide. Até lá espetem boas assobiadelas por esses ares. IMAIGE DE ABALADA: Grupo Coral e Instrumental de Pinheteiros (tocadores de pinha do Baldera) os “Bate à Pinha” num concerto caté parece que estão a olserbar inglesas a banharem-se na praia do Meco.
É cum grande orgulho que a FLC regressa às lides e apresenta aqui o primeiro documentário telebisibo totalmente caramelo, a emitir já no Domingo depois da nobela “Coiratos cum Açorda”. O pugrama, realizado por Manel Deslimbido, rebela imaiges cum grande realismo e beracidade e foi totalmente feito nos nossos campos à soalheira do sol de Abril, e misturado na sede do Rancho Folclórico da Lagoa da Palha. Arregalem lá os olhos e bamos ber im ante-estreia:
IMAIGE DE INTRODUÇÃO: Grupo Instrumental de Gaitas de Beiços “Os Mama a Tocar”, a dar uma gaitada que nem galfarraige e esbeiçar-se numa fatia de pão com manteiga.
O ASSOBIO 1º episoido
BOZ DE CATARRO: Uma das coisas mais notábeis que fez o caramelo distinguir-se dos outros seres da natureza foi aprinder a assobiar sem se babar. Há quem acredite e diga em boz alta de dedo im pei, que mesmo antes do Home saber dzer “pai”, “mãe” ou “mine” já sabia assoprar com o zunido parecido com um assobio. E isso é bem probábel! Estudos caramelógicos indicam que o assopro antecedeu ao próprio assobio e foi uma das formas mais desenbolbidas de comunicação na Idade do Amendoim mesmo antes de se grasnar qualquer palabra. IMAIGE: Caramelo empoleirado im cima duma árve a assobiar lindas cantigas como um rouxinol " fruiiuuiii friii friiii friiiii...". Ele está a apanhar pardais que estão colados nas ramaiges bersuntadas de bisgo. Adibinha-se um belo almoço de passaraige e uma sesta de meter imbeja aos espanhóis. BOZ DE CATARRO: Percebe-se portanto que o assobio servia como instrumento de caça, atraindo a passaraige parba pró bisgo e armadilhas, com belos cânticos de rouxinol. Apesar de se acreditar que a comunicação por assobio atingiu altos níveis de complexidade e perfeição, persiste o mistério de porque é que o assobio foi abandonado dando lugar às palabras. Mestres caramelólogos defendem a ideia de que tal fenómeno se deveu à grande faculdade do home gostar de comunicar enquanto come. IMAIGE: Caramelos brabios a comerem com a boca intulhada de favas com choriço e a tentarem assobiar ao mesmo tempo, num debate-assobio-garreia. Os assobios são assopros com estilhaços de fava a salpicar prás fuças uns dos outros. BOZ DE CATARRO: Assim se percebe a incapacidade de dialogar, e a razão dos homes passarem do assobio para o grunhir, e ó despois prás mais belas palabras como “chispe”, “bucho”, “nalgas” etc. Apesar das melhorias, hoije nim todos estão de acordo que essa foi a melhor escolha. Pra já, é preciso decorar uma quantidade parba de palabras para substituírem os assobios, e ó despois, se a boca tiber intulhada de pudim continua-se sem perceber bem os dizeres. Especialistas já testaram e consideram que fungar (atrabés de sons que saem só pas bentas), tem melhores resultados e ninguém se engasga. IMAIGE: Seis caramelos da FLC a testarem a linguagem fungada pas bentas. Estão todos ao balcão da Pastelaria Primavera e cada um despadaça quatro bolas de Berlim com creme dentro da boca. Todos fungam uns prós outros. Um deles guarda a cumbersa num grabador de cassetes para examinar os resultados. BOZ DE CATARRO: Um outro problema associado ao assobio é a incapacidade de expressar certos sentimentos como o furor, a tristeza, a aflição ou a dor. IMAIGE: Um caramelo brabio está a espatar uma estaca no chão, à marretada com um barrote. De repente dá uma balente marretada no dedo caté parece um macaco desinjaulado. Logo nesse instante tenta assobiar uma série de assobiões (palabrões) mas não consegue. Por muito brabio que seja e se concentre em momentos felizes, não consegue dar assobiões. A mulher chega e faz um assobio-pergunta friiiiiii friiiii friiiii fruuuuiii (“o que é que tens home?”). Como ele é brabio, mesmo com o dedo todo esburgado, faz o geito aos beiços… mas só consegue dar uns assopros e fica incapaz de expressar um assobião-resposta como debe de ser. BOZ DE CATARRO: Foi intão a partir da imbenção da palabra que este problema foi resolbido. Desde aí todo o home e mulher já podia expressar a sua coraige e balentia. Foram logo imbentadas mais de 4800 palabras, próprias para o home se exprimir cum galhardia, quando entala um dedo ou é mordido por um inchame de bespas.
Mas, dados os progressos instituídos ao longo dos tempos, o assobio nunca foi completamente banido das nossas bocas. Ele permanece bibo e bem bibo no nosso dia-a-dia. Mas isso é o que a gente bai ber no próximo pugrama. IMAIGE DO FIM: Grupo Instrumental de Gaitas de Foles “Os Toca a Mamar” a tocar uma gaitada que nem uns borregos garganeiros a chuchar nas tetas da mãe.
18.4.10
A lavrar ideias, a esgrabatar progressos
A FLC abre aqui uma nova rubrica-acero onde dá a conhecer o espírito empreendedor do povo caramelo. Neste espaço, denominado “A lavrar ideias, a esgrabatar progressos”, teremos uma montra (tipo loja do António Brinca) que de bidros bem inxaugados dará a ber novas associações, empresas e ideias, tudo do mais genuíno que possa haber.
Nesta primeira edição damos a conhecer a A.D.B.A.C.C. (Associação de Defesa Das Balas de Áuga e Charcos Caramelos). Esta Associação foi fundada em 2010 e tem como principal objectivo a defesa e preserbação dos charcos e das balas de áuga que ainda existem no território caramelo. Entre as várias actividades que promovem, um balente destaque para as bisitas guiadas aos charcos, onde os programas podem incluir margulhos ou ida às rãs e aos lagostins. Destaque também para as bisitas à rainha das balas caramelas, a famosa Bala da Merda, onde se pode fazer o percurso da Salgueirinha sempre cum áuga até ao pescoço (ás bezes quase atei à beiça) e ao mesmo tempo ir buendo mines à descrição. Esta associação vai também editar brebemente o primeiro libro totalmente dedicado à temática dos charcos. O livro aborda os charcos caramelos na 1ª metade do século XX, quando os charcos eram local de recreio e lazer da gaiataige e também verdadeira instituição de banhos públicos para as famílias caramelas, quando ali se deslocavam em grandes bandos, para a tradicional labaige mensal (com sabão azul e branco e criólina) antes dodomingo de marcado. Este libro terá ainda um guia actualizado dos charcos e balas de áuga da caramelândia,a. Esta Associação aceita novos associdados e dá também formações na área da Charcologia Caramela.
Um dos seus próximos objectibos éi a transformação do lago do jardim da capital caramela num charco berdejante e com saparia a cagulo. Esta Associação tem o patrocínio da FLC e da Junta de Freguesia de Pinhal Nobo.Para quem os quiser conhecer, as suas instalações são na Palhota, num anexo do Café o Retiro da Bicheza.
7.1.10
A FLCdeseja a todos os caramelos e caramelas um balente e rijo
BOM ANO NOVO!
Que a caramelândia continue na sua pricura de independência e autodeterminação!
Para todos então uma balente morterada de fogo rijo!
Biba a CARAMELÂNDIA! Biba o Pobo Caramelo! Biba a FLC!
8.12.09
1º Encontro de Pançudos Caramelos Dia 12 de Dezembro, das 10h00 da manhã, atéi nunca antes da meia-noite.
A FLC em estreita colaboração com o Ministério da Cultura Caramela (M.C.C.) anuncia o primeiro encontro de pançudos caramelos ao ar livre. De acordo com os organizadores, podem participar todos aqueles que ostentim um balente barrigão e que o queiram manter e atei aumintar, dizendo “tas parba, cala-te ó ainda lebas um tareão de cinto ca parte da fibela!” a quem lhes disser (normalmente a sua pariga) “ó home tas a ficar com a pança larga”. Portanto benham de lá essas barrigas bolumosas e orgulhosas, de arribentar os botões das camisas cumpradas no marcado mensal. O encontro, a realizar no páteo caramelo, bai ter como ponto alto uma balente almoçarada-cunbíbio: grãozada com mão de vaca e chispes com coentrada, tudo preparado por elementos do Rancho Folclórico de Pinhal Novo.
Para além disto, bai haber dibertimento e jogos especialmente desenbolbidos para este tipo de cunbibio:
- Bai tu e ó depois bou eu (jogo da descida da encosta da ponte a rebolar, com o almoço no bucho) - Tartaruga Esperniatiba (põem-se ditados de barriga par cima com as mãos atadas atrás das costas e ó depois ganha quem se indireitar e lebantar im primero) - O balcão im movimento (este jogo consiste em tentar transformar a barriga num balcão de tasca ou café e transportar no maior percurso possível um copo de imperial acabado de tirar. Joga-se sempre im tronco nu).
Haverá ainda duas formações-tira-dúbidas:
A nha barriga anda mais eu, mas bai sempre à nha frente aqui se falará de como criar e manter uma barriga digna desse nome e se sintir um home orgulhoso. Será uma conbersa aberta, em auto-gestão, cada um dirá o que lhe apetecer. O que aqui for dito será depois reunido em livro, uma forma de assinalar este primeiro encontro.
Como ber o malandro se quando olho lá par baixo só bejo a nha barriga? Com o especialista Albano Pançudo, técnico e conselheiro sexual do Rancho Folclórico da Lagoa da Palha.
Se tens uma barriga balente anda ca gente, bem mas éi dar ó dente!
10.11.09
Carta inbiada lá para os lados daquele castelo que se bê além ao longe
Frente de Libertação Caramela Esconderijo projectado à malhada do aceiro do Ti Toino Desinxaugado Comando Central para a Liberdade da Cultura Caramela (CCLCC)
Exma Prasidenta da Sede Palmelona, Ana Taresa Bicente
Bocemecê dá licença? Atão como é que éi? Samos a gente da Frente de Libertação Caramela (FLC), os homes e mulheres que lutam pela soberania e auto determinação da Cultura Caramela. Samos balentemente conhecidos pelas incursões clandestinas im prol do pobo caramelo impunhando apenas, um naperon branco, uma saca de ração pá bicheza e um rolo de fita cola do marcado mensal, coisa que muita gente nunca foi capaz de fazer, nim nada. A gente tá a escraber esta carta… e só pa bocemecê ber o nibel, escrebe um de cada bez: ora escrebo eu ora ecrebe ele, ora escrebe o Albino dos Ácaros, ora escrebe ela, odepois escrebemos todos juntos, engalfinhados uns nos outros porque temos muito pra dizer e só temos esta máquina de escreber pra trinta braços e 20 mãos (malta da fugetaige, tá-se a ber!). Tudo isto pra dizer a bocemecê que a gente tá a escreber esta carta à luz do pitroil e o que a seguir bamos determinar éi dito im boz alta por todos ao mesmo tempo, tal é a cuncórdia aqui da grei caramela. Atão éi assim: Im primeiros, através dos nossos radares de alguidar da Cunpratiba, tamos a olserbar de perto a sua recontinuação na chefia do edil camarário. Abisamos já que o monte palmelão tá rodeado até-mais-não das milícias mais brabias (recrutadas cum balentia dentro da Vala da Salgueirinha), sempre prontas a abançar ao mínimo sinal de teor anti-caramelo.
Im segundos, a FLC, sem se pôr na ponta dos chispes, é a que ajunta maior cagulo de qualidades ruralo-metropolitanas, e cunsidera-se soberana dos destinos do Pobo Caramelo, que se debe manter selbaige e libre como o vento da Socel. No intanto respeita a Sede dos Paços do Concelho, assim como a bocemecê, e estamos prontos a negociar de forma desinçaimada.
Im seguida temos a abisar que essa maniazinha de bocemecê dizer que o nosso binho é de Palmela nã tem trambelho nhum, toda a gente sabe (até a gaiateige parba que anda à formiga d’asa pa armar ós pássaros) que o binho é100% caramelo. Não há que inganar. Além disso a Cidade do Binho nã é nim im Palmela nim im porra nhuma, éi im Fernando Pó e mais nada.
Ó despois, tal como a gente se ajuntámos agora à bolta da máquina de escreber, bocêzes tamém debem ter o costume de se ajuntar uns amais os outros. No intanto sabemos que neste momento têm amais bocês um home nobo que dá pelo nome de Albaro (que éi só o intigo parsidente da Capital Caramela! – Pinhal Nobo). Tratim bem desse home, deixem o home buer mines e traçar coirato à buntade, mesmo quando está im trabalho. A ber se ele nã se esquece das suas ancestrais raízes caramelas. Bamos estar a olserbar de geada a geada, disfarçados de gaveta aparbalhada (daquelas que nã querim fechar nim ó pontapé), pra berificar se o home é bem tratado.
Mais ainda, se o actual parsidente da Capital Caramela (digitalizado im cirimóina no dia 28 pelas 21:30), der a bocê, de bez im quando, uma punhada pas costas, não lebe isso a mal pois mais não é do que uma expressão brabia de elevada afectibidade caramela. Mais, se o home im causa, com os olhos arregalados a brilhar, abrir uma nabalhita à su frente, não chame a Guarda, porque isso mais não éi do que um acto expontâneo-gastronómico e cuncerteza se olhar bem à su bolta, bai incontrar pelo menos uma maçã riscadinha pronta a ser desnabalhada. Isto são só alguns abisos para um saudável cunbibio autárquico. Se tiber dúbidas im relação ao fitio do parsidente do Pinhal Novo, não hesite im cuntactar a gente, por código morse im pitromax (minsaige nocturna) ou pombo-correio (minsaige diurna), ca gente desundubida bocemecê.
Muitas coisas a FLC tem pa dzer, assim como só por exemplos, que a Torre da Estação da capital poderá ser ocupada a todo o momento por pelotões mais brabios, com o fim transformatibo de fazer dela um posto de lançamento de foguetaige rija dos Círios da Carregueira. Já agora, sim carer ser aborrecidos como a canzoada a ganir im frente à rulote da bacina municipal, era de balor óbir da sua boca que todo o caramelo ou caramela, mesmo a morar num arranha céus, tem direito a um padaço de terra e um carrinho de mão.
Balentemente atentos à sua pessoa, Sim mais nada daqui prá í, Cuntentes por este cuntacto chegar às suas mãos, A gente bê-se por alturas da Feira de Maio.
Quintal desactivado do Café Satélite, sob a primeira geada do Outono de 2009, Embaixador do Vale dos Barris e resto de Palmela, Albano da Motosserra
Nota: Esta carta foi realmente inbiada, por correio normal, por alturas da cerimóina de digitalização do cargo im questão e só depois (que é agora) é que a tamos a botar para consulta e conhecimento do pobo caramelo.
A FLC, às bossas ordens.
25.9.09
Nobo libro de Toino das Ideias Parbas tá quase pronto
Não é uma notícia qualquer! Não é um home qualquer! Não são pinsamentos qualqueres! Não debe de ser um libro qualquer! No intanto, éi para qualquer um ler, pelo menos esta éi a opinião do seu autor.
Apresentamos aqui, de forma inédita, um excerto do 3º capítulo do novo livro do mais conceituado filósofo caramelo da actualidade:
3 homes à cunbersana parte de fora de uma colectibidadeim qualquer lado da caramelândia . Um banco corrido, duas motorizadas estacionadas, várias mines vazias, a tarde aquase noite.
- biram aquilo onte?
-bimos.
-óbiram?
-óbimos.
-o queira?
-nã sei.
-ê cá tamém na sei.
-atão mas nã biram?
-bimos
-Atão mas na óbiram?
-óbimos.
- e atão o queira?
- na sabemos.
-na sabem?!! Atão mas se biram e óbiram!
- sim, bimos é óbimos.
- ahhh, atão sabim!
- sabemos o quêi?
- que biram e óbiram.
- sim, sabemos.
- atão o quéira?
- na sei
-na sei.
- Tal tá a merda! Atão tão parbos? Dizem que sim e ódepois não?
-Tu éi quês parbo, sabemos que bimos e óbimos mas nã sabemos o que bimos e óbimos.
-ahhh, óbiram sem ber e biram sem óbir!
-mais ó menos isso, mas nim uma coisa, nim outra.
- atão mas éi possibél óbir sim ber e ber sim óbir, tudo ó mesmo tempo?
-nã sei
-nã sei.
-Mau, tal tá a porra da merda, hãin? Dizem que sim, sim dzer que não e que não, sim dzer que sim?!!
- Atão tar parado nã éi o mesmo que tár andar e tár andar nã éi o mesmo que tár parado?
- O quêi?!!!! (os otros dois em coro, ajuntados agora o que perguntava e um dos que dizia nã sei, agora juntos fazendo parguntas ao outro dos que primeiro respondia nã sei, agora sozinho e alvo das perguntas desintrambelhadas dos outros dois).
- sim, atão na dizem ca Terra anda á roda e ca gente anda sempre nela tipo carrossel?
-?!!!!!!!!??!!!!
(os otros dois em silêncio emparbalhado, a olhar para o outro já desconfiados e quase prontos para garrearem com as mãos fechadas, respondem)
- ái éi? atão se fosse assim, lá era praciso haber a feira de Maio e pôr os gaiatos nos carrósseis? E nim era praciso buer mines de litro pa ficarmos tontos, se essa ideia parba da terra andar à roda fosse de bardade.
- Tou a dzer, aprindi na escola.
-Tás parbo.
-não tou
-tás
-Nã tou
-tás!!!
-não tou, bócês éi que tão, nim sabem nadinha, nim metade do quê sei, nim merda nenhuma!
- queres andar à punhada ca gente, pã ber se a terra anda á roda ó seis tu que andas a rabolar pú chão?
-se quiserem, podim começar, bamos ber quim rabola ou quim arroja pú chão, comós sacos de batata noba!
(…)
Puderam atão ler um pequeno excerto do nobo libro do Toino das Ideias Parbas, mais precisamente do 3º capítulo, intitulado a Problemática da Ilusão dos Sentidos, onde o autor introduz a temática através de simples conversas quotidianas, aparentemente banais, mas segundo ele, “rapletas de conduto filosófico de lamber os beiços e chorar por mais”.
De realçar que o título do livro será (se entretanto o Toino não mudar de ideias) O Pensamento Filosófico dos Caramelos nos Diálogos Populares do Quotidiano do Dia a Dia Actual.
A FLC sabe que esta obra foi realizada só com base em “diálogos, cunbersas e debates-garreias” que o Toino durante dois anos, foi escutando por toda a caramelândia, a maior parte deles em Colectibidades, Sedes de Ranchos Folclóricos, Cafés e à porta de lojas e mercearias e que depois lhe serviram de base de estudo, colocando em prática pela primeira vez uma teoria há muito defendida por si: a de que todos os homes têm um filósofo inibido dentro de si e que muitas vezes esse filósofo só sai cá para fora a toque de mines e conbibio intra-caramelo tarde-noite (a)fora (teve uma bolsa do Ministério Caramelo da Cultura que lhe subsidiou as muitas rodadas que teve de pagar durante os dois anos de investigação).
Através dos diversos diálogos oubidos na Carreguera, Palhota, Fonte da Vaca, Forninho e por aí adiante, o nosso filósofo exercita-se com rara mestria e delicia-nos com vastas divagações sobre temas que lhe são caros desde sempre: o realismo campestró-colectibo- anti-latifundiário; os príncipios do pinsamento caramelo neo-contemporâneo, a dialéctica selvagem da punhada-recreativa, o homo meio-bidonistico, o pós-existêncialismo agro-pecuário, entre outros temas apaixonantes e de grande interesse para o público caramelo, mostrando um pensamento cada vez mais luminoso e intelectuo-encantatório.
Com os simples diálogos populares (que são sempre a introdução dos capítulos) o Toino quer provar que todos temos conversas filosóficas e que elas estão por toda a parte e que o homo-caramelus, mantém as mesmas dúvidas existenciais que os seus ancestrais antepassados.
Por ultimo, este novo livro também apresenta a sua nova área de estudo, complexa e simples ao mesmo tempo (um tema apaixonante, segundo Florindo Introspectibo, o autor do prefácio do livro), O Carrossel da Terra bersus os Carrósseis da feira de Maio, o qual versa sobre a teoria geocêntrica (éi a Terra c'anda!) e a teoria heliocêntrica (éi o Sol c'anda!), sobre “a ilusão dos sentidos-parbos” e a recusa natural de um pobo em não aceitar aquilo que não bê, um tema que o Toino das Ideias Parvas tinha há muito recalcado dentro de si, pois foi esta temática a razão dos primeiros tareões com cinto que o seu pai lhe deu, quando se apercebeu que o seu filho em vez de se dedicar às lides agrárias e ver se o motor de rega tába a trabalhar em condições, “só tinha ideias parbas e ficaba aquase inbalsamado, durante horas a olhar pó céu de noite, a ber se sintia a terra andar à roda”.
Um livro que a FLC recomenda totalmente (talvez o melhor livro já aqui apresentado até hoje), disponível a partir de Outubro no Marcado do Pinhal Nobo, nas sedes dos Ranchos Folclóricos, Juntas de Freguesias e nos circuitos clandestinos da cultura caramela.
A não perder, para ler e reler!
10.9.09
Grande entrevista (3ª e última parte)
(…) Eu era o mais guloso, era à colherada pó buxo, à ganância açucarada. Eu amais o Albanito do Solstício, o Vítor Agrário e o Florindo Paleólitico, inbentámos uma traçaige noba: comíamos coiratos que ficabam de um dia pó outro com açucre, rijos que nim chaparia mas docinhos cmó mel, era mais ó menos meio saco d’açucre por cada coirato, por isso hoje acho graça à bossa nobela, nunca perco um episóido dos Coiratos cum Açúcar ó lá o quéi! E ódepois (saiu a 10ª grade de médias, esta taba em cima da paraige) a nossa brincadera faborita, quando nã estábamos na época nem de armar ó bisgo nem da pesca nocturna-clandestina do Lagostim na Chaboca, era andar á padrada uns cus outros. Ora, uma coisa e outra, deram-me cabo da cramalheira, mais os insaios da padrada do que o açucre e quando fiz a tropa já só tinha três dentitos, dois deles quase a cair da boca abaixo. Nã me importaba, sempre cuntinuei a traçar coirato e costeleta de porco. Ora bem, uma bez na Feira de Maio da capital, os homes dos carros de choque anunciaram no altifalante que o seu chefe (o que só bende fichas, na faz mais nada, ele é que manda) oferecia uma recompensa por quem lhe desse alguns dentes que lhe faltabam na sua cramalheira, o home caria traçar torresmos e torrão d’alicante e nã cunseguia. Eu, manhoso coma ciganaige do Marcado do Pinhal Nobo, tratei de pricurar o que eles dabam im troca: um dente de ouro, uma balente sacada de fichas amais andar num carro de choque artilhado sempre que quisesse. Nim pinsei duas bezes. Disse que oferecia os mês dentes todos (aqui inganeio-os, pois eles já nã eram muitos, só por causa disto, bamos buer atão a abaladiça!). Lebaram-me ó chefe lá na cabina, abri a boca, ele pôs uns óculos de ber ó perto, olserbou cá par dentro e disse: são mesmo esses que eu procurava!; já mos cariam arrancar logo ali com uma gazua de assentar o chão da pista, mas eu apanhei medo e disse que no outro dia lá estaria com os dentes.
Assim foi, fui ao Rui Ferrador logo ali ao lado e o home lá me arrancou o resto da cramalhera. Fiquei com fichas pó resto da feira de Maio, tibe as parigas todas que quis, fui o rei da pista, tibe o cuidado de só comer coirataige menos rija e no final, boltei ao Rui Ferrador pa ele me aparafusar o mê nobo dente douro com qualquer coisa que tibesse à mão.
Chaguei aos Olhos d’áuga de carrinho de choque (o home-dono da pista ficou mesmo cuntente e atei me emprestou um carrinho de choque que depois o Rui Ferrador retficou pa andar no asfalto e terra batida sim ser praciso botar fichas) e todos se admiraram com o mê dente, as parigas sorriam par mim e eu pinsei, hás de ter mais destes na tu boca, hás de ser um home raspeitado. E assim foi, fui coleccionando, a pouco e pouco, ora cumpraba um, ora cunpraba outro, atei que depois de muitos anos tenho esta cramalheira de fazer inbeja ao Rei-Rapa. Agora bou leiloá-la, já tá à benda em toda a caramelândia, nas sedes e colectibidades, quem der mais fica cum ela e bou ódepois cuncretizar o mê sonho: construir um posto de olserbação da estrelaige pá nha neta. O Babuíno Aluado (grande inventor caramelo) também já tá todo intusisamado e já deu esta ideia: montar uns andaimes im forma de torre bertical, com uma altura nunca bista na caramelândia, mais alta do que daqui-ali (levanta-se e aponta lá pó longe com o dedo esticado, nim ele sabe bem para onde), secalhar atei mais! De dia cobre-se com um oleado por cima e pede-se a um home-artista da terra para pintar umas estrelas na parte de dentro pa inganar a gaiataige e à noite destapa-se o oliado e lá do alto, olserbamos as estrelas aquaise a tocar nelas e tamém se quisermos, pode serbir de farol, pás motorizadas que andam à noite de colectibidade im colectibidade por essa caramelândia afora, se guiarem, sabendo sempre onde são os Olhos d’Áuga (nesta altura o canito já dorme, a paraige éi agora apenas mais um vulto na escura noite). Entretanto ouvem-se passadas na gravilha. Alguém se aproxima com um pitromax, éi o Florindo Paleolítico, que se assenta ao nosso lado. O Berto da Cramalheira, feliz e aquase inbalsamado pelas médias que já inborcou diz-lhe “bens mesmo a horas, ia propor a abaladiça!”. Buemos atão a última, desta vez em silêncio individual.
A noite éi agora dos grilos, das arganaças selvagens (estilo coelhos adultos) e de todo o tipo de bicheza nocturna que a esta hora ganha vida e liberdade existencial. O canito acordou e roi agora (só para se entreter) umas das muitas grades de médias que povoam o chão da paraige.
Muito a custo lebantamo-nos do banco corrido e encontramos a menarda da FLC. Pomos os capacetes debaixo do braço e montamo-nos a cavalo como se se tibesse lebantado uma araige parba que nos impurra pa um lado e pa outro. Ainda óbimos o Berto da Cramalhera a vociferar para o Florindo Paleólitico:”olha bem aí o Victor Agrário de pitromax na mão!Éi sinal de que nos bamos dibertir, bamos andar à padrada uns cús otros, como quando éramos gaitos parbos!”. A paraige das caminetas fica para trás. Sobre nós o infinito céu estrelado, belo como milhares de meios-bidons im chamas.
As mesmas estrelas que nos Olhos d’Áuga “hão de ser bistas mesmo dó perto, tão dó-péi que atei bão ofuscar!”.
25.8.09
Cá está o Nidberto da Cramalheira amais a Ti Juila Espezinhada, os dois assintados na Paraige das Caminetas. O Nidberto pinsaba que quem taba a tirar a kodak eram homes do Jornal do Pinhal Nobo e por isso tapou a dintadura. A Ti Juila tába na hora d'almoço, a aprobeitar pa cozer umas ciroulas antes d'ir abrir a Marcearia .
23.8.09
Grande entrebista de verão (parte II)
Ora atão bamos cuntinuar a entrebista ao Nidberto da Cramalheira!
"(...) Podem botar também na nossa cunbersa que os homes do Ministério Caramelo da Educação debiam de pricurar professores mais caramelos do que alguns que por aí bejo, que insinassem ao gado míudo o que éi ser caramelo, o quéi a nossa cultura. Bejam que atéi eu que só tenho a 2ª classe sei qual éi a nossa capital, nã sadmite isso a um home-professor, que eu atéi os raspeito muito”. Dito isto (já íamos na quinta grade de médias), o Nidberto da Cramalheira foi direito ao assunto, prestem bem atenção agora, que ele bai falar mesmo rápido:”atão a nha neta beio de lá de Lisboa a dzer que biu as estrelas dentro de uma casa que lá o céu éi lindo como nunca tinha bisto eu parguntei-lhe se taba parba se foi lá de dia de dia nã há estrelas ela disse que não dentro da tal casa taba de noite eu disse tás parba e dei-lhe uma balente galheta nos quexos ela atei andou pú chão ficou a chorar e foi dizer à mãe a mãe dela (nha filha, Anacleta Imborcatiba) disse ó marido (ao Alcindo Escabador) e ele beio parguntar o quéi-que se passou eu disse que a gaiata tá parba ele disse-me párbo tá bócê ainda nos ingalfanhámos à punhada na rua os dois a rabolar por cima do intulho pós porcos bofatada e pontapéi a coisa acalmou ele foi à bida dele e eu á minha e eu ódepois atéi tibe pena da gaiata (aqui parou pa puxar ar e surbia pa dentro do corpo-vasilhame e arrincou outra bez o relato). Pus-me a pinsar fui à colectibidade pinsei a tarde toda e disse: atão ela aicha que lá as estrelas eí que são bonitas pois bai ber as nossas mais dó-pé tão perto que atei a bão incandiar e bai ber que as estrelas no céu da caramelândia éi que são as más lindas do mundo. Já tenho um plano (aqui abançámos pá sexta grade, esta taba na parte de trás da paraige, debaixo de umas silvas) falei com o Babuíno Aluado (inventor caramelo, também já entrevistado pela FLC), ele bai-me ajudar na ideia e agora só éi praciso dinheiro. Por isso tibe a ideia de leiloar a minha cramalheira de ouro puro que tantos inbejam e que bale uma furtuna. Fico sim dentes, mas com dinheiro para inbestir. Olhos de Áuga há de ter o primeiro olserbador da estrelaria de toda a caramelândia, e a nha neta bai ser a dona-gerente-utilizadora do estáminé, bai ser a nha herança par ela” (os olhos brilham pela primeira vez mais do que os dentes, as médias imborcam-se como caracóis com pão cum manteiga). A conbersa bai longa. No horizonte da paraige, o sol caramelo começa a dar as últimas labaredas. Por aqui diz-se que são os raios do horizonte abaladiço. Normalmente é o pretexto para a(s) última(s) abaladiça(s) dos homes da terra, reunidos em pequenos grupos na Colectibidade e às vezes à porta da mercearia da Ti Juila Espezinhada. Também o Nelo nos diz:”bamos atão à abaladiça?” e saca de mais uma grade de médias (já bão 8 a dibidir por três homes). Antes de arrancar para mais uma parte da história, limpa a garganta e as vias nazais, fazendo sair da boca uma bela lasca de cor esverdeada e formato ligeiramente arredondado, a qual o canito sempre atento nem deixou cair no chão. Olhou orgulhoso pó canito e disse: “atão bou contar o resto, já éi de noite, mas tá agradábel, gosto de conbersar ao ralento selbaige da nha terra.
Atão oiçam agora, éi ingraçado! Erámos gaiatos (os olhos brilham novamente), róbava-mos açúcre na mercearia da Ti Juila Espezinhada...
(cuntinua).
17.8.09
Grande entrevista de Verão
Entrevistas a homes e mulheres de referência na grei caramela, que muitas vezes passam do anonimato às bocas do povo, simplesmente porque o marecem. É este o caso do nosso actual entrebistado, um home crú, orgulhoso das suas raízes, um home em contínua transformação, um alquimista, capaz de transformar o ouro em estrelas…
Mais uma vez a FLC em grande entrevista. Fomos ao taparuer escondido atrás do frigorifico do nosso esconderijo actual e de lá retirámos o suficiente para atestar o depósito da motorizada de serviço e mais algum para umas mines, caso a entrebista para aí se albergasse. Almoçámos bem. Um balente arroto em uníssono (quanto mais alto e prolongado maior a satisfação digestiba) marcou o arranque da máquina a motor e consequentemente da biaige direitos ao nosso entrebistado. O esconderijo ficou para trás, o destino agora é outro: Olhos de Água, terra aberta ao sol e à heróica brabeza dos seus habitantes.
O encontro foi marcado na paraige dos autocarros. Abistamo-la lá ao longe, o sol a bater na sua chaparia como um maço no escopo de um padreiro experiente. Estacionámos em derrapaige diagonal. O nosso home já lá está. Pernas estendidas e cruzadas, está entratido a cortar as unhas das mãos com uma tesoura de podar. Sorri quando percebe que a FLC chegou. Está em contra-luz e gosta de mostrar os dentes, a sua cramalheira quase que nos ofusca a bisão. Aninhamo-nos os três no banco corrido da paraige. A esta hora não há ainda ninguém, aqui só passa uma fragnete-colectiba-a-motor uma bez por dia, podemos cunbersar à buntade, estamos em território amigo, ter os Olhos de Áuga éi aquase tão refrescante como uma melancia nas primeiras hora da matinal Raforma Agrária.
Prestem bem atenção agora: o nosso home beio ao mundo com o nome de Albertino Nidberto dos Nicolaus. “esse nome éi pa esquecer, puta cu pariu!”, diz-nos mostrando que a partir dali só o debemos tratar por Nidberto da Cramalheira Doirada, “Berto da Cramalhera para os amigos”.
O Bertoéi aquase sozinho o tema de cunbersa das sedes e colectibidades da nossa caramelândia, neste berão. Do Lau ao Forninho, das Lagameças ao Rio Frio, dos Arraiados à Lagoa da Palha não há quem ainda nã tenha óbido falar dele. Motivo: o leilão que ele tebe na ideia de fazer, prometendo a sua cramalheira em troca de dinheiro, ou seja quem der mais leba a dintadura com nada mais nada menos do que 8 dentes d’ouro, “d’ourinho balente cumprado na capital, na óribesaria do Morais, só os corta-palhas da frente reluzem tanto que às bezes a nha pariga atei tem que pôr os óculos de soldar, pa falar comigo, quando o sol tá malino como hoje. Posso também garantir que nunca os labo, só beêm um palito de tempos a tempo, pa escarafunchar o conduto maior, de modo que o ourinho tá lá todo, nim oxida nim nada”, diz ele com orgulho, abrindo a boca e batendo com os quatro dentes de cima nos quatro dentes de baixo, fazendo um som estilo ferrinhos do rancho. Perguntamos-lhe por que os quer vender, quando está à vista que a sua cramalheira é a sua cara. Responde-nos que a história éi longa, mas se quisermos óbir ele pode cuntar, hoje já na tem mais nada pa fazer, talvez ainda andar à padrada com mais dois ou três amigos mas isso são outras histórias, “um home tamém tem direito a dibertir-se”afirma batendo repetidamente com as costas na chaparia e rindo-se com o corpo todo.
Ajeita-se na paraige, escolhe um local onde o sol lhe bata na cramalheira (bê-se que gosta de impressionar os outros com os dentes) e com um só movimento saca uma grade de médias debaixo do banco corrido, de onde retira três exemplares. Abre uma a uma com uma seca e certeira pração da carica contra a chapa mais rija da paraige. De médias bolta e meia cheias, bolta e meia bazias, começamos a oubir a explicação (um canito de raça coelhera aproxima-se e senta-se perto de nós intartido a roer os bocados maiores das unhas que ficaram no chão):” a minha filha, Anacleta Imborcativa, casada com o Alcindo Escabador, tem uma gaiata que anda na escola primáira. Uma bez fui buscá-la à escola de motorizada e disse-me que iam fazer uma bisita de estudo à capital, fiquei todo cuntente a pinsar que ela ia ao marcado, ou à cunpratiba ou ao Gil das Farinhas. Quando chegou da tal bisita, parguntei-lhe se tinham dados sacos da cumpratiba à gaiataige ó se tinha bisto a torre da estação, ela nã parcebeu a pargunta e disse que tinha ido a Lisboa a um sitio chamado planetaige ó planetairo, nã sei bem, e eu a pinsar que a capital para ela era o Pinhal Nobo, mas não, bi que na escola nã insinam grande coisa aos gaiatos. No dia seguinte, (inspirou fundo, cruzou as pernas e bebeu o resto da média de penalte, como que a buscar inspiração e memóira pá sua cunbersa, o canito rosnou, concentrado no seu petisco unhal, a roer ainda uns restos de conduto auricular a elas agarrado) fui à escola e pricurei o tal professor. Disse que só caria fazer uma pricura, caria parguntar qual era a nossa capital: ele raspondeu com um ar de quim sabe tudo: Lisboa! Eu infurecido só lhe disse: ai éi? Atãoi bócê na sabe que tamos na caramelândia e que a nossa capital éi o Pinhal Nobo?!!!. Nim o dixei rasponder, apraguei-me a ele e dei-lhe um tareão mesmo im frente aos gaiatos, dentro da sala de aula. No final parguntei-lhe ótra bez sobre a capital: ele lebantou o quexo e disse pinhal novo, ainda a gaguejar. Dei-lhe mais uma punhada, ele rabolou e só parou ao pé do quadro. Eu calmamente (nã sou home de me inerbar nem de biolências) disse: tá aquase certo, só que nã se diz novo diz-se no-bo".
Ódepois (agachou-se e puxou outra grade de médias debaixo do banco, serbiu-se e serbiu-nos, bebam, bebam repazes, aqui são os olhos d’áuga mas pó buxo só inturnamos surbia) birei-me pá gaiataige e disse: pórtim-se bem ó xabalada, e debaixo de uma chuba de palmas da galfaraige e das cuntínuas saí da escola".
A entrebista cuntínua, éi que senão fica muito grande pa bócês lerem tudo de uma bez e podem ficar imbaralhados cum tanta leitura. Bão mas éi buer umas mines, cu calor tá mais parbo que um papo-seco sim conduto.
3.8.09
Classificados Caramelos
Compre, venda, troque, ofereça, pricure
Edição especial de verão- só para coleccionadores
Compro naperons antigos, nobos e belhos (Nã é praciso tirar os naperons dos móbeis, bou a casa ber se bale a pena, a maior parte das bezes nim bale a pena gastar gasóile) Contacto: Guilherme Jibóia (Lau)
Troco retroescavadora usada por placa da câmara com alvará municipal para vazar entulho. Contacto: Julinho do Entulho
Compro pentes de bolso e navalhas de podar a vinha.
Nota:os pentes têm de ser de plástico, tem que dar para pentear pós lados e pá frente com um só movimento). Contacto:Mariano Maquinista (pinhal novo)
Vendo gravações áudio (cassetes pa óbir no rádio) com o som do fogo rijo da festa da atalaia, anos 1991 e 1993.
Contacto: 9154356780 (Celestino Bombista)
Vendo cagatório à antiga portuguesa (estilo retrete de cócoras) já bastante usada, mas em muito bom estado. Só para coleccionadores. Oferta de dois esfregões palha de aço, uma escova de arame e meio jerrican de produto-criolina pa desincardir e dar brilho. Contacto: Armanda Arganaça (sou a dona da mercearia Compra e Põe-te ao Fresco, nos Arraiados)
Vendo pedras da linhado antigo ramal pinhal novo-montijo ao kilo. São mesmo as originais. Boas para ornamentar qualquer coisa, ou para guardar no armário (cada bez bão balorizar mais). Motivo: já nã tenho espaço im casa.
Contactar o Alcindo dos carros de mão.
Troco motor de rega casero por Zundapp noba amais o capacete. Só aceito se for noba, o motor de rega éi balente, atei suga a áuga da bala da merda. Contacto: Ti Marta Garganera (Palhota)
Troco o primeiro livro clandestino do Toino das Ideias Parbas “o Infinito éi um tractor agrícola”(edição fotocopiada às escondidas, na sede do Rancho da Lagoa da Palha, pelo próprio autor), por 6 ou 7 garrafas de Vinho da Cascalhera, do ano passado ou atão por 8 grades de médias. Perguntem pelo Quintino da Sapec no Café América.
Vendo sanita antiga (a única que lá deu serventia) do café Satélite, ainda com o assento e tampa original. Peça bastante valiosa (o home que beio abaliar a peça até disse: “se este cagatório falasse…”). Só aceito ofertas a partir de 100 mil réis.
Contactar o Ti Enxaugado.
Vendo cartazes antigos do cinema da SFUA.
Colecção muito boa, cartazes dos filmes do ET, Indiana Jones, Gelado de Limão, Conan, Bud Sepencer, e vários dos cóbois e índios. Quem comprar o conjunto ganha uma sacada de rabuçados bola de neve e três fichas triplas.
Contactar: Belarmino Pançudo (tou na Sela, ós domingos nas matines dançantes), faço bom preço.
Com que intão já pinsabam que a FLC já tinha sido amordaçada nos calaboices da ASAE por andar a fazer propaganda aos meio bidons em labaredas com carvão feito de trabessas da linha untadas com benzina, hã? Nããã. Nada disso. A FLC tem andado mazé em actibidades diplomáticas pra elebar a cultura caramela a uma das sete marabilhas do mundo. Neste tempo de ausêiça conseguimos subir 400 posições ficando à frente da cultura neo-aparbalhada das calças pinduradas pas nalgas abaixo a ver-se o rego com cutão. Mas não é do cutão no rego que a gente bai falar hoije. Éi das festas caramelas que estão aí a arrebentar que nem um patardo, capazes de cegar um home. É por isso que as facções brabias da FLC saim da toca e bão prá rua berificar o bom corrimento das festibidades e afins. Por isso segue-se já sim demoras o nosso pograma de actibidades clandestinas:
Dia 8, Segunda: 6:30h – Alborada. Olserbação dos toiros da largada a pastar no seu habitat natural. 12:00h – Audição atenta da sirene dos bombeiros. 12:01h – Um silêncio parbo cum home fica logo com fome. 19:30h – Telefonema aos GNR a abisar que só faltam 24h pró rebentamento das festibidades e abisar que “as festas caramelas nã se fazim sim a GNR andar a inxotar a malta dum lado pró outro”.
Dia 9, Terça: 5:00h – Alborada e olserbação dos primeiros raios de sol a penetrarem no territóiro caramelo e apanha do feijão prá sopa caramela. 10:00h - Contaige dos barris de imparial a rebolarem Pátio Caramelo adentro e primeiras provas em canecas de litro. 12:00h – Espectáculo sinfónico da sirene dos bombeiros e momento de largar gasearia que ninguém oube. 18:00h – Contaige de gerricans de tinto, clandestinos, a intrarem no recinto festibo e acendimento oficial dos meio-bidons com querosene caté o bombeiro-estátua (na rotunda do LIDL) apanha medo. 20:29h – Carregamento de floberes (com chumbo calibrado), pra atirar às nalgas das Entidades Oficiais na inauguração das festas como forma de boas bindas ao ebento. (É importante esclarecer que o “chumbo pas nalgas” é uma das massaiges com flober mais eficazes no mundo caramelo: faz activar a circulação sanguínea, põe uma pessoa mais esperta e cuncentrada no mundo que a rodeia, cura a sonolência aguda, estimula o sistema nerboso e a estima pelo corpo (nalgas), dá força pra bincer os infortúnios da bida e, entre muito mais curas, melhora a digestão da sopa caramela). 21:00h – Abertura oficial da primeira rodada de impariais e arranque do maior caramelizatório do mundo: as Festas Populares do Pinhal Novo 2009.
Só gente caramela como o nosso pobo,
faz festas como as do Pinhal Nobo.
6.3.09
Ti Balbina Acocorada lança nobo livro de poesia caramela
Sou os chispes da minha alma, é o novo título da Ti Balbina Acocorada. O lançamento do livro vai ser no próximo sábado, dia 14 de Março, por bolta das 14h00 em frente à biblioteca de Pinhal Novo, e segundo Alcindo Escabador, o organizador do evento, a organização não se responsabiliza se alguns exemplares forem lançados selbáticamente por alguns fãns da Ti Balbina, “de incontro às montras da biblioteca im sinal de justo protesto por este estaminé da pseudo-cultura caramela nã ter sequer um único livro do maior bulto actual da poesia caramela contemporânea, e de nunca ter pricurado saber alguma coisa sobre a sua obra”. Tal como aconteceu na sua obra anterior “"Poesia com Chispes de Luz", o prefácio vai ser da autoria do António Estalisnau Tarimba (mais conhecido por Toino das Ideias Parbas). Deixamos aqui um pequeno excerto do que o Toino escrebeu: “Nesta nova obra, a Ti Balbina Acocorada prossegue a sua doce depuração de uma Poesia sensitivo-rude, de tradição feminista selbagem, que nos embala num regresso à nossa alma gémea caramela, que é afinal uma só. Li Sou os chispes da minha almade uma assintada num acero descampado perto do Lau e absorbi a essência natural das suas palabras mágicas. Debo dizer que Ti Balbina canta o mundo e o molda à sua pessoa e nos insina o simples das palabras. Atrabés das metáforas e das segundas palabras-sentidos, é capaz de nos fazer oubir as motorizadas da nossa infância (em escape libre),de nos fazer ber (e cheirar) o pitróile do intigamente. Ela escrebe poesia como quem bende hortelã e óregãos (em ramáiges ainda frescas) na rafórma agráira, é a boz caramela mais pura e actual, um refrão inbisibél mas acústico, uma mulher malina que não procura a fama e faz da obscuridade a luz clandestina da sua criação artístico-rural. A sua poesia de alta radiação caramela é como criolina a desincardir os nossos obidos, uma labaige à cera do pensamento, elebando-nos a caramelos-gaiatos-quase-parbos em liberdade total, com a alma nos chispes.
Balintia é o mê nome
Tenho os chispes im brasa tenho bico Na asa Tenho fijão de molho E biajo sempre de motorizada
Sou mulher rija E malina Nã tenho cadija O mê nome é ti balbina
Fui escriturária e Pé descalça Ainda bou à raforma agráira Nunca usei calça
É domingo: Bou ao marcado Tenho cabalo dado Nunca lhe olhei pó dente Nim usei datargente
Sou balente Sou malina Bou ó cagatóiro Nunca usei supositóiro
Sou a Ti Balbina Se for praciso bebo criolina
Sou acocorada e Às bezes malcriada Antes só do que mal acumpanhada
Bou mímbóra
Bou desinfetar a basilha Bou buer áuga e grabilha
Gosto da bicheza brabia Como ratos e nã me dá azia
Bou ao urinol como ós homes Ponho-me de cócoras E nã uso pedra pomes
Esgrabato à parba Bebo binho E nã desidrato
Fiz de mim própria selbaige Mas escolhi a minha biaige
Bou mimbora bou partir A mim éi que nã mapanham a dormir
Poemas retirados do novo livro “Sou os chispes da minha alma”
Amanda a tua mensaige via pombo correio (mensaige diurna) ou via sinais de pitromax (mensaige nocturna) ou intão via modernices parbas para
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FRENTE CARAMELA FLC torna-te tal qual a gente um actibista pela libertação da Cultura Caramela