28.11.06

TESTE AOS AGASALHOS CARAMELOS

Deribado à rijeza do Imberno na Nação Caramela caté a passaraije cai das árbes, e pra prebenir toda a população da geada, a FLC deu abertura solene ao Departamento Científico de Aclimatização Caramela. Este departamento tem como objectibo descobrir e testar materiais de alto rindimento tais como as mantas, cobertores, casacos e quispos de fabrico caramelo de modes a que todos possam biber melhor sem terem de cumprar sacos de borracha de áuga quente pra pôr dentro da cama pra aquecer os chispes.

Assim, após curta précura, os agentes da FLC acharam na Fonte da Baca o primeiro casaco de fabrico caramelo: um jerrican de tinto “Quinta dos Farias”. Eis intão o relatóiro técnico dos testes deste material:

“Eram 5 da tarde e tava uma rijeza caté criava bicho.
Local da experiência: Oficina de lambretas do Rogéiro Cramalheira, Benda do Alcaide.
Técnicos especializados pra olserbar se o material tá bom: maltezaria credibilizada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho caramelo ao serbiço do aquecimento da nação;
Outros olserbadores: o dono da oficina e um cliente descunfiado a olhar prá sua lambreta toda desmontada em peças pu chão.
Materiais: o Jerrican cheio de tinto da marca “Quinta dos Farias”; um baralho de cartas com gaijas nuas; 6 copos; um casqueiro de quilo; e um taipal cum coiratada prebiamente assada pró enfeite.


Ocorrência nº 1

São 22:00h, meio jerrican está bazio e as olserbações são bastante positibas em relação à adaptação climatérica. Berifica-se uma boa progressão no calor da oficina, o jogo da sueca em roda-bota-fora gera punhada de aquecimento entre 3 equipas e o cliente descunfiado está perfeitamente integrado no imbiente aquecido dando gargalhadas.

Ocorrência nº2

São 02:00h o jerrican está praticamente bazio. Um dos técnicos está bastante sastesfeito com os resultados: tá um calor que não aguenta e despe violentamente a camisa mostrando a peitaça cum pêlo, dando uma punhada KO no cliente descunfiado que já se taba a rir de mais. Não completamente cumbincido, outro técnico mais rigoroso mete a peitaça ao relento e bai de lambreta da Benda do Alcaide até ó Poceirão. Segundo relatos berdadeiros foi incuntrado a dormir no meio da pastaige, entre as bacas, já pra lá do Forninho. Tinha um bocadinho de cuspo na boca!


Conclusão:
Na nossa escala, O casaco de peles “Quinta dos Farias” rebelou-se um perfeito agasalho pró relento caramelo. Se o nosso técnico tibesse chegado ó Poceirão teria lebado nota máxima, no entanto a "Quinta dos Farias" está classificado como material de grande qualidade, podendo no entanto provocar alguma sonolência mesmo práqueles que se riem á parba.

19.11.06

EDITORIAL

Escrito pela Edite das Crónicas por escraber crónicas caramelas nos editoriais dos jornais.

Hoije bou cuntar a bocemecês a história do talego cheio de coidas de pão, uma históira berídica que se passou entre os Batutes e a Fonte da Baca num dia de nabueiro de 1958, em plena crise do Meio-bidom.
O Jequim Tição era assim conhecido por ser o único home do reino caramelo com licença de uso e porte de isqueiro e com alvará de acendedor oficial de meios-bidons. Por isso era sempre chamado pró serbiço onde quer que houbesse um pitromax, um fogareiro ou um cigarro pra acinder, quando não habia fórfos. Num belo dia foi chamado pró serbiço especial de acendedor de rastolho numa matança do porco. Esse rastolho em labaredas, espatado numa forquilha, serbia pra chamuscar o bicho, já morto, pois nessa altura era assim que queimava o pêlo dando aquele chirinho a chamusque c’agente tanto gosta impregnado nas nossas camisolas interiores. Hoije usam-se maçaricos ligados à bilha do gás da cozinha e já na tem o mesmo infeite. Bem…, lá ia o Jequim Tição, com os chispes na geada, estrada fora, assobiando par dentro do nabueiro quando introu no batatal do Baldemiro Pirolito (assim chamado por beber pirolitos e ter forrado a fachada a sua casa com os berlindes dessa bebida gasosa). Baldemiro assustou-se assim que viu o vulto, deu um arrote e um tiro de caçadeira pró ar, e disse:
- Quem és tu e que o que é bieste práqui chirar?
- Sou eu, o Jaquim Tição, e bou à matança do porco do Belarmino Pançudo.
- Ahh! És o Tição,… Atão acende lá a mim esta lamparina que eu na tenho fórfos.
- Tu tamém na tens fórfos?
- Nem um fórfozinho bê lá tu!
Meteu o talego no poial, tirou o isqueiro da algibeira do colete e zás pôs-se a acinder a lamparina. A canzoada deu-lhe o cheiro do farnel e truca, roeu-lhe o pão cum banha deixando só a coida.

Quando chigou à matança do porco é que reparou que tinha o talego só com coidas. Foi uma barrigada de rir que toda a gente ficou a saber do sucedido. Jaquim Tição quase teve pra mudar de alcunha pra Jaquim Tição das Coidas… mas não pegou. Bem… resultado: como ele só tinha as coidas, toda a gente lhe ofereceu ovos caseiros, repolhos, hortaliças, e fartou-se de comer coirato e intarmiadas, e buer binho até à noitinha. Portanto, aquele belho ditado “Pá fome na há má pão” neste caso até quase se berifica poque o Jaquim incheu a pança de coirato.

Deribado a esta históira berídica é que ainda hoije os caramelos modernos quando comem pão cum Tulicreme deixam as coidas em cima da mensa como sinal de esperança de birem a ganhar uma barrigada de coirato, intarmiada e binho.

Prá semana, no próximo editorial, bou cuntar uma históira ca nha tia cuntava quando eu era ainda gaiata, uma históira dum cogumelo labado cum áuga do poço.

11.11.06

Cuiratos cum açorda (episoide 200)

Mais um marabilhoso resumo do próximo episoide de “Cuiratos cum Açorda”, a primeira nobela totalmente falada em caramelo, transmitida a partir das nossas intenas.

***
Fátinha, rapariga trabalhadeira, 23 anos, (Miss bindimas caramelas, a única miss que já sabe fazer pudins Boca-Doce), é neta adotiva da Venãiça da Verruga que a tem criado como filha. Fatinha entra na cozinha a assobiar as módinhas do carro-propaganda do Intermarché mas vem com sete sacos da Compratiba, cada um com um pacote de leite, e diz:
- Nha abózinha bou fazer uma tatuaige aqui ò fundo das costas.
- O quem?!!! Tu tás grábida e bais fazer uma raspaige pas costas?!!! – espanta-se Venãiça, limpando as mãos ao trapo e a verruga a inchar que nem um frango do abiário.
- Nããão abó, é só um desenho aqui nesta zona ó pé do rego. – e amostra a anca lebantando a blusa (mostrando pela primeira bez na telebisão caramela os elásticos dumas cuecas caramelas tipo cordel dental).
- Atão mas que desenho bais pôr aí à intrada do rego?!!!
- É uma tatuaige com imblema da Junta de Freguesia do Pinhal Nobo, a nossa capital, abózinha.
- O nobo imblema ou o belho imblema da junta?
- O belho, nha abózinha, aquele cum a linha a dar a bolta ó pinheiro.
- Ah bom, já pinsaba que tinha acuntecido uma desgraça. Tou tão cuntente…
De repente, Chispalhudo entra pela janela da retrete todo desalboreado, interrompendo a cumbersa. Os olhos de Venãiça infiam-se par dentro dos olhos de Chispalhudo, coisa que já não acontecia desde a fuga no Berão passado. Ficam os dois açapalhados a olhar um pró outro e a Fátinha, em pose, virada, a mostrar a etiqueta do cordel dental pra todo e qualquer espectador apreciar e poder cumprar no marcado do Pinhal Nobo.

Entretanto, à porta do café “O Barril inclinado”, nas Areias Gordas, Xico Traça-coirato cumprimenta a maltezaria:
- Atão cumé que éi? – levanta esta velha questão, espatando uma punhada no lombo dum.
- Oh! – responde esse, com uma cuspidela pró lado, como quem diz “Pois!”.
- Oh! – responde outro encolhendo os ombros e abrindo ligeiramente as pernas e afiando um palito com uma nabalhita.
- Atão cume que ei? – devolvem outros a pergunta que estão encostados com um pé contra a parede.
Xico Traça-coirato desenbolbe o cumbíbio:
- Quem é que quer ir mais eu à do Zé das Flaitas?
- O quê? Queres aprinder a tocar flaita? – pargunta um, a roer uma castanha do S. Martinho, e a cuspir a casca pró chão ladrilhado com caricas de mines.
- Não, é pra ele tocar flaita no meu casamento. Bou casar-me amais a Fatinha.
- A Fatinha da Venãiça da Verruga?
- Sim, bou buscar ela, amanhã. – responde Xico.
- Tu bais buscar ela? – parguntam todos em coiro espantadiços.
- Sim, bou buscar ela. – confirma Xico.
Todos ficam feitos parbos a olhar caté parecem dormentes (um estilo de suspence desinbolbido por cineastas caramelos) a olhar pró espectador, também ele aparbatado cum tanta intriga junta numa só nobela.

Será que bão todos à do Zé cumbincê-lo a tocar flaita? Ou será que a Venãiça vai pôr-se à frente e não deixa? E será ca Fatinha bai mesmo fazer a tatuaige ao pé do rego?...
***

Caramela, não percas o próximo episoide se não algum home ainda te vai buscar a casa e quando dás por ti já tás a óbir flaita.

8.11.06

Consultório do dia a dia

Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

Pergunta de Inaiço Sabão, condutor do tractor-cisterna dos resíduos rurais.

Ora muito boa tarde ou boa noite ou lá o quê. Eu cá que sou da Frente de Libertação Caramela desde que naxi e estaba na cumbersa cum uns gaijes ali dos Barris (palmelões) quando me disseram que a FLC estaba morta. Estaba morta??!!! Mau!! Tive logo pra dar ós gaijes uma punhada caté se espojavam logo ali ribanceira abaixo. Mas eu, caté nim sou de andar por ai à punhada, apostei logo a nha canita im como bocemecês nunca morrim. Por isso escrebi a bocemecês se é ou não é berdades que estão bibos e sadios e mostrar ós gaijes como é que é. Hã? Tão ou na tão bibos?


Tamos.
Ora ainda bem que nos escrebeu porque é berdade que temos andado fugidos im parte incerta mas agora boltámos cum muito orgulho na peitaça e diga lá a esses gaijes que a FLC nunca morre nim nada. Como instituição clandestina que samos (e samos cum muito gosto), tibemos que mudar de instalações porque fomos chirados pela canzoada das forças reaccionáiras de índole globalizadora. Como toda a gente já sabe, o nosso quartel estaba agachado debaixo do Coreto do jardim, (instalações utilizadas também por outras forças de natureza agachada ou deitada). Neste tempo todo, tibemos à precura de nobas instalações mais seguras e ainda mais clandestinas. Precurámos tudo, corremos todo o territóiro caramelo de lés a lés (do café “Anda cá mais eu” à mercearia dos Marçalos; da Tasca do Xico às bombas de gasolina da Marateca) e afinal estaba logo ali ao lado do Coreto: dentro dos elebadores da REFER.
Agora estamos mesmo dentro dos elebadores da REFER pois são as instalações mais seguras e mais clandestinas (metidas na escuridão da noite), para as actibidades rebolucionárias da FLC. Nunca ninguém descobrirá a gente lá dentro nem que a REFER mande canzoada a chirar os nossos coiratos… quando muito a canzoada encontrará uma reformada desostinada a apalpar as paredes dentro do túnel (reformada essa colocada pela FLC como isco de diversão prá bixeza). Se quiserim cuntactar o departemento da resistência pela intiga passaige de níbel, escrebam prá morada:

FLC, Resistência Caramela
Elebador SUL da REFER
2955 Pinhal Nobo


Se quiserim cunctactar o Comando Giral escrebam:

FLC, Comando Giral
Elebador NORTE da REFER
2955 Pinhal Nobo


Resposta da Comissão Instaladora da Frente de Libertação Caramela nos Elevadores, liderada pelo Zémanel Ascensorista (15 anos de prática no elevador dos Mochos).

22.10.06

Classificados Caramelos
Aqui poderá comprar, vender, trocar e anunciar produtos caramelos.

Edição especial de produtos de casa de banho

A FLC não exerce nenhum tipo de censura ou correcção sobre os anúncios que nos são enviados, deixando-os como foram escritos.


Vendo urinol da antiga retrete da estação de comboios de Pinhal Nobo
Muito bom estado, apesar do uso.

Contactar: Manel Jquim Parbo
9198432134

Procuro pedreiro que saiba construir retretes à antiga portuguesa, com gagatóiro de cócoras e tudo, como mandava a lei

Contacto: Maria Antígona Pitrolera (Palhota)
Parguntem por mim na marcearia do Ti Lampreia.

Vendo manual antigo, “Como apanhar arganaças e bicheza da pior espécie, que entrem pelo cano da ratrete”.
Muito útil, se a bicheza atacar pela retrete.

Contactar: Alampina Escangalgada (Lau)
Parguntem por mim ò home do carro de praça ou a alguém pela Escangalgada, toda a gente me conhece por ali.

Vendo vinho caramelo da marca “zurrapa”, bom para desentupir canos da casa de banho ou buer à refeição (é melhor acompanhar com algum conduto).

Contactar: Jquim Balente Albuzio (Palhota)
2123456789

Troco cortina de banho cumprada na Loja do Toino Brinca em 1985 (em bom estado) por candeeiro a pitróil, daqueles que se pindurabam na parede perto do cagatóiro.

Contactar: Ti Balbina Acocorada (nim ei praciso dzer mai nada).

Bendo colecção intiga e baliosa de penicos, cumprados no marcado da capital. Todos já usados, um ou dois tem ainda marca do produto lá depositado, mas com um pouco de esforço e balintia deve de sair bem. Bom preço.

Contactar: Ti Manel Calafate (Arraiados)


Bendo livro muito raro do Toino das Ideias Parbas:”A retrete é o mê escritóire, dixim-me estar à buntade”, escrito em 1990, no tempo da sua fase existêncialistó-caramela”.

Contactar: Casemiro do Aço (Vale da Vila)
Se tiberem intrassados bão à escola primária do Bale da Bila e parguntem pelo professor Casimiro.

Bendo conjunto completo de sulfatar, com oferta de parfumes caseros feitos à base de laranja e obos de pata, especialmente cuncebidos para quim more (ou tenha a retrete), perto da bala da salgueirinha.
Contactar: Manel Açambarca (Salgueirinha)
Moro na ultima casa, como quim bai do Pinhal Nobo, antes de chegar ó fim da bala da merda.

29.9.06


Momento histórico: comitiva da Caramelândia pode ser recebida pelo Papa no Vaticano

A viagem a Roma poderá ser agendada já para o próximo mês, tudo dependendo dos apoios conseguidos, do estado do tempo e do meio de transporte utilizado para a deslocação (fragnete de caixa aberta, carroça ou motorizadas).
A comitiva a enviar ao Vaticano está praticamente definida. No entanto por motivos de segurança, a lista não foi ainda tornada pública. Apesar disto, a FLC soube através de um dos seus colaboradores secretos que dois nomes de luxo estão dados como certos para serem os representantes oficiais desta comitiva: nada mais, nada menos do que Toino das Ideias Parvas, conceituado filósofo caramelo contemporâneo, e Ti Balbina Acocorada, poetisa popular e activista feminista, que de momento preferiram nada dizer sobre este assunto. Dois nomes maiores das letras e artes caramelas que com certeza levarão a lição bem estudada para o encontro com Sua Santidade. Esta viagem será organizada pela recém formada C.P.L..C. (Comunidade dos Povos de Língua Caramela) e terá como objectivo máximo dar a conhecer ao Papa a nossa língua e cultura ancestral. Os representantes da C.P.L..C. pretendem convencer sua Santidade da importância da língua caramela nos nossos dias, para que ele passe também a incluí-la nos seus discursos e comunicações ao mundo, enchendo-nos de orgulho e tornando cada vez mais conhecidos os nossos desejos de auto-determinação. Para isso, Toino das Ideias Parvas e Ti Balbina Acocorada tentarão ter uma audiência em privado com o Papa. Consigo deverão levar um enorme rol de prendas (talvez por isso a comitiva seja obrigada a ir de fragnete de caixa aberta com sofás acoplados e atrelado), pois diversas entidades e organizações caramelas como o Rancho Folclórico de Pinhal Novo, os Bardoada, a Junta de Freguesia, o Círio da Carregueira, o ATA, e a Associação Académica, entre outros, já manifestaram o seu desejo em aderir a esta grande iniciativa.
Esta visita por si só, com ou sem êxito, ficará com certeza na história da caramelândia e aumentará ainda mais o respeito e admiração por estas duas ilustres figuras da cultura local.
Boa sorte e boa viagem para Ti Balbina Acocorada, Toino das Ideias Parvas e restante comitiva.
A nação caramela cunfia im bócezes, repazes e reparigas balentes!

17.9.06

Caramelo passa a ser língua oficial nas escolas da Caramelândia

Como sempre, a FLC tem o privilégio de anunciar ao povo caramelo as medidas oficiais antes de estas o serem.
Assim, sabemos que o Ministério Caramelo da Educação pretende implementar já no corrente ano lectivo, a língua caramela como língua oficial de todas as escolas da caramelândia (a partir do primeiro ciclo).
De recordar que esta medida não é nova, pois já tinha sido tentada no ano lectivo anterior, não se tendo verificado grande aderência por parte dos professores. Em relação a esta medida, só o colégio O Gaiato Parbo (Lagameças) foi distinguido pela positiva, com a totalidade dos professores e funcionários a adoptarem o caramelo como a sua primeira língua e dominando-a de um modo tão perfeito, que por vezes é necessário um tradutor para que algum visitante não caramelo consiga perceber o que dizem.
O Ministério Caramelo da Educacão anunciou que este ano não vai tolerar desculpas ou falsas argumentações por parte dos professores e que esta medida é mesmo para cumprir, com o objectivo de ser realmente possível ouvir e falar caramelo puro nas nossas escolas.
A rede de escolas da capital caramela vai ser alvo de inspecções periódicas por parte de inspectores educacionais e as escolas que falharem este objectivo serão duramente penalizadas.
Ao dispor dos professores estarão vários programas e cursos através dos quais a sua aprendizagem do caramelo será mais rápida e fácil. De destacar os acordos do Ministério com verdadeiras universidades da língua caramela como o café da Sede da Lagoa da Palha, os bares do marcado de Pinhal Novo, o café Capuchinho e o café Lua Cheia Aparbalhada, nos quais os professores terão conta aberta, podendo passar longos momentos ao balcão, imbubadando-se de língua e cultura caramela. Para além disto, existirão também visitas guiadas à caramelândia profunda, em carrinhas de caixa aberta com sofás e meio-bidons acoplados. Serão também cedidas às escolas (4 por instituição numa primeira fase) motorizadas artilhadas para que os professores adquiram o hábito de se deslocarem nestes veículos tradicionais, existindo a possibilidade de em cada final de ano lectivo haver despiques de punho aberto e escape libre entre os professores que demonstrem maior mestria e perícia na arte da menarda.
A FLC sabe também que está ainda em fase de estudo a possibilidade de os toques de entrada e saída das salas de aula (actualmente feitos por campainhas), serem substituídos por foguetaige, faltando ainda o acordo com o Círio da Carregueira, verdadeiros mestres nesta arte caramela secular. Esta organização terá apenas de disponibilizar os seus elementos para dar formação adequada aos funcionários das escolas, tornando-os verdadeiros profissionais do lançamento do fogo rijo. No entanto, sabemos que da parte desta organização não haverá qualquer problema de cooperação, exigindo apenas alguns garrafões de tinto da região e uma balente almoçarada de cunbíbio nas escolas onde a formação for dada.


12.9.06

A nha menardinha

"Como mimscrebi no motoclube cá da caramelândia, e im cumbersas amais o Tohinaiço imbentei estes bérsos da nha cabeça. Espero que gostim.

A nha menarda

A nha menarda artilhada
Tem molas de competição
Salta por cima do cumbóio
Pró outro lado da estação.

À noite desalboriado
Bou ditado no selim
Bou de farol apagado
Bou do Lau ao Terrim.

Fiz uma nova pintura
Com uma risca amarela
Só me falta a pindura
Que bou buscar à Sela.

Tenho escape de rindimento
Pra açapar de madrugada
Bou de punho cerrado
Bou a fugir à guarda.

Menarda menardinha
Menarda meu amor


Tem o ronco dum trovão
e a força dum tractor
lebo a família e o cão
em cima do guiador

tem a força dum tractor
menarda menardinha
E um ninho de ratos
Na cabeça motor


Tem cadilhes pindurados
Na manete do trabão
Faço rotundas todo ditado
A arrojá-los pu chão


Aposto já cuntigo
Librete contra librete,
Bou de roda im péi
Do Lau a Alcochete.

(carta anónima trazida por um cão caramelo)

5.9.06

Grandes entrevistas de verão

Espaço dedicado a entrebistas beraneantes com homes de elebada importância na grei caramela

A grande entrebista de berão bai para Fernado Excomungado Pitrólero, idade incerta, residente na bela localidade da Carregueira e candidato assumido à presidência da futura C.E.C. (Comunidade Económica Caramela).
A hora combinada para a entrevista não foi a melhor, a planície está quase deserta, três da tarde, o sol caramelo fustiga-nos o coirato atéi à intarmiada. Depois de pricuramos no café Lua Cheia Aparbalhada, não foi difícil encontrarmos o nosso homem. Manuel Pitrólero é de facto um home rijo, que impressiona pela determinação das suas ideías e porte quase aristocrático (de linhagem caramela).
Mal entramos no seu território (um antigo terreno baldio por ele ocupado no pós-25 de Abril) avistamo-lo: está no alpendre, confortavelmente instalado numa velha cadeira de palha, rodiado por dois cães de raça coelhera, que bastante brabios, não param de nos rosnar, eriçando o pelo e mordendo-se mutuamente. Nandinho do Pitróile (como gosta de ser chamado), tem os pés dentro de um alguidar com áuga e gelo, o qual serve simultaneamente de refrescador de mines e de uma metade de melancia, na qual ele acraba as unhas, esgrabatando as pevides que se misturam com a água fresca. As primeiras palabras que nos dirige não são cordiais:”tal tá a merda, atão já pinsaba que bócês na binham, bá lá ber, tenho mais que fazer!”. Percebemos depois que Pitrólero nos confundira com repórteres do Jornal do Pinhal Novo, e assim desfeito o equívoco, (sabendo que éramos da FLC), nos convidou imediatamente para entrar, oferecendo-nos melancia fresca e mines, “se são da FLC são amigos, car...”, disse. De seguida, num movimento elegante e igualmente selbaige, sacou da sua navalha, mergulhou-a no alguidar dos pés, levantando-a pouco depois. Na ponta trazia um belo pedaço de melancia, o qual nos ofereceu, ao mesmo tempo que abria duas mines com os dentes, “bebam repazes, cú calor tá aparbalhado, isto aquase parece que se bibe dentro de um meio bidon im brasa”.
N. Pitrólero tem uma longa história de trabalho e deambulações por todo o território caramelo, o qual conhece bem e no qual é também bem conhecido. Diz não só orgulhar-se dos muitos amigos que tem, mas também dos muitos inimigos que foi fazendo e que o ajudam a manter-se “sempre de pêlo eriçado como os mês canitos e de crista im péi comó galo cobridor”. Em gaiato, após o avô “ter aparecido im casa com um zingarelho que daba luz”, decidiu começar a vender pitromaxs de porta em porta, o que lhe permitiu comprar a sua primeira bicicleta a motor “ainda me alembra, fui à capital, ó Sousa das Bcicletes e paguei im denhero. Intrei na loja e disse: benho a péi mas quero sair daqui a cabalo im qualquer coisa que ande à parba”.
Pouco depois, fez parte do grupo de pioneiros caramelos que acreditaram na exploração do petróleo na região do Lau e consegui com isso amealhar uma pequena fortuna. Quando este tema de cunbersa surge, os seus olhos brilham, e entre mais uma nabalhada de melancia do alguidar e um gole de mine, diz:”ali habia pitróile bardadero, quim acraditou nisso, incuntrou o óile que faz os homes parbos. No ínicio para cunseguirmos extraí-lo tinha de ser à pá e ódepois chupá-lo por uma manguera...ingoli muitos litros de pitróile, atéi o mê mijo era balioso.. Aquase todos os meios bidons que hoje andam por aí, fui eu que os bindi, chiínhois atei ó cagulo de pitróile caramelo”. É este o home que quer ser presidente da futura Comunidade Económica Caramela, um sonho que acalenta desde gaiato, porque na sua opinião a caramelândia deve-se unir para que “ nã facam do home caramelo brabio um bicho im istincão para ser mostrado im desfiles e também para que a gente nã se ingalfinhe todos à bardoada e ó tiro uns cús otros, esquecendo-se que somos um só pobo, selbaige e rijo”. Entretanto as primeiras estrelas começam já a aparecer no céu da Carreguera e Nandinho Pitrólero tem os pés frios. Em silêncio, absorvido pela serenidade do horizonte, limpa os pés nos cães e enrola um cigarrito. Absorto, contempla agora o mundo. Queríamos ainda fazer-lhe algumas perguntas sobre a futura C.E.C., mas ele diz-nos calmamente: “repazes, se eu fosse a bócês punha os chispes daqui par fora. Bai comecar o nosso dibertimento nocturno, uma sassão da tiro”. Vêmo-lo pegar na caçadera, colocar o cigarrito ó canto da boca e apuntar para a casa do vizinho. Não tardam em chegar as primeiras rajadas de tiros, provavelmente provenientes de uma outra casa mais distante, que se acrabam na chaparia da marquise. Aproveitamos a sugestão, rastejamos até ao portão e vamos de menarda pela noite fora, cuntentes por termos conseguido mais esta entrebista com um home importante da caramelândia. Ao longe ainda se ouvem tiros...

14.8.06

Cantinho da nossa culinária

Nova rubrica da FLC destinada à mulher caramela, com dicas, sugestões e indicações sobre receitas culinárias tradicionais da nossa região, de Valdera às Lagameças, da Palhota ao Lau, de Vale da Vila à Lagoa da Palha e Pinhal Novo.

As leitoras poderão enviar-nos as suas receitas, opiniões ou simplesmente partilhar connosco o gosto pela nossa cozinha tradicional.

Espaço com a assinatura da Ti Grunhilda (antiga cozinheira do Café Satélite, especialista em túbaros de porco caramelo-mirandês).

"Queridas amigas! É cum muito gosto que início aqui esta noba rubrica. Os homes da FLC cunbidaram-me e eu acitei, pois acho que o lugar da mulher debe de ser na cozinha a fazer comida para o seu home e qualquer mulher caramela debe de ser balente a cozinhar e sou contra essas modernices de comida pronta e nã sei quei, que essas gaiatas de hoije im dia gostam de fazer. Um dia quis experimintar a ber se o mê home, o Jquim Impanturrado, gostaba e chamei um carro de praça pa ir à capital à cunpratiba (aprobeitei pois também já aquaise nã tinha sacos de plástico) e cumprei uma daquelas sopas quéi só botar áuga. Depois, boltei par casa e fiz a sopa e lebei ó home, que já taba com a galga e só fica satesfeito quando tá impanturrado, atei lhe botaram a alcunha, cú bardadero nome dele ei Joaquim Augadiço, mas lebei atão a sopa ó home e ele mal pôs a colher na boca, nã debe de ter gostado do sabor e com as duas mãos tombou a mesa de uma só bez, rebirando as gamelas e o tacho da sopa, foi tudo borda fora. Depois ainda puxou do cinto de pele de porco e deu-me um tareão balente. No final disse-me que nã queria dessas pandlerices de comida im casa, que temos porcos e horta e bicheza cum fartura pa fazer comida rija, para ele se impanturrar e arrotar no final (ei quando eu sei que ele se sente bem impanturrado).
Por isso tão a ber, na nha casa só entram produtos caseros da caramelândia, espero que bócês façam o mesmo, se nã sóberim onde cumprar bão à raforma agráira".

Atão aqui bai a receita de pudim casero caramelo, que nos foi inbiada pela Belarmina Inxaugada, da Lagoa da Palha:

Pudim casero caramelo

Ingredientes

2 dúzias de obos de galinhas caramelas
2 orelhas de porco (de preferência caramelo mirandês)
2 kilos de açucre
1 panela velha
1 gamela (pode ser o alguidar da roupa)
1 beteneira pequena
1 balde
1 escopo
1 frigorífico

Modo de preparação

Labe as orelhas de porco e lebe-as ó lume atei farberem. Odepois tire-as par fora e dê-as ó canito e guarde a gurdura quélas ditaram dentro dum balde e deixe o balde ó sol atei a gordura inrejar e secar.
Atire depois os óbos cum força par dentro da betonera e ponha-a a trabalhar, dixando misturar as gemas com as claras. Depois atire com o pacote de açucar lá par dentro tamém e repita o mesmo processo. Lembre-se que o açucar ei branco, por isso se incuntrar graínhas amarelas debem ser de restos de areia da batenera, mas nã se preocupe cum isso (ódepois nim se nota, os alarbes traçam tudo).
Quando tudo tiber bem mexido, baze o cunteúdo da batenera par dentro da panela e deixe ir ó lume atei cozer tudo bem. Ódepois, intorne tudo para dentro do alguidar e bá buscar o balde com a gordura das orelhas de porco. Com a ajuda do escopo, retire a gordura e coloque-a por cima do preparado do pudim. Bai depois ó fricorifico pa gelar 1 hora e fica bom.

Bom apetite e atéi prá semana!

4.8.06

Consultóiro do dia-a-dia


Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

Exmos. Srs. da Frente de Libertação Caramela, escrevo esta carta porque tenho andado com um grande problema e espero que o consigam resolver. Vivo na Cascalheira e sou caramelo há cerca de um ano porque o ano passado aderi ao “Kit – Novo Caramelo” (fornecido por V/ Exas) e tenho sempre praticado com toda a família os costumes da nossa terra com muita dedicação. Posso dizer que até já tenho uma flober para acertar nas molas da roupa da vizinhança e até já comi uma maçã riscadinha escondido nuns arbustos em Valdera. Já sei ler a nossa língua e estou a dar os primeiros passos na escrita. O problema é que não consigo falar o caramelo! Ainda a semana passada estive no Rancho Folclórico da Venda do Alcaide e senti uma certa vergonha por não saber falar como o resto da malta. O que devo fazer para poder falar o caramelo correcto?

Ó meu rapaz, bocemecê beio ao sítio certo na hora certa, pois a FLC acabou de preparar um curso de Berão sobre a oralidade e vernáculo caramelo moderno. Basta inscreber-se aqui. O curso serbe pra resolber os problemas da fala e vai ter as seguintes disciplinas:

Teorias da oralidade caramela (TOC)
Nesta disciplina são dadas noções sobre as cumbersas dentro da binha e algum bocabulário perdido. São dadas tamém as diferenças de linguaige nas dibersas regiões da Caramelândia e visionamento da telenobela “Cuiratos cum açorda” como estudo da riqueza línguística. No final, cada participante contará uma históira da sua cabeça em caramelo arcaico.

Terapia da fala
Aqui põe-se em prática a árdua tarefa de articular palabras enquanto se está a comer coirato; a posição da língua e o tom certo da bóz. Nas variantes da fala, as caramelas aprendim a falar em falsete, e os caramelos aprendim a falar enquanto emborcam uma mine. Para os mais interessados, a nossa terapeuta bai insinar tamém a falar com salpicos de cuspo (com placa e sem placa) como forma de comunicação a meia distância. Esta disciplina termina com uma dramatização na sede do Rancho Folclórico das Lagameças.

Debate-garreia
É uma disciplina nuclear onde se aprende a falar caramelo brabio em público. Terá exercícios de dicção correcta e leituras em bóz alta com um palito na boca; demonstrações de dibersos tipos de debate-garreia tais como a garreia a andar em cima da Famel sem cair, a garreia na coletbidade e a garreia na reforma-agrária. No final, será feito um exame na sede do Grupo Desportivo da Lagoa da Palha, numa noite de bálho. Este exame faz parte do trabalho final “A berdade está na bóz” proporcionando uma marabilhosa biaige aos rituais da razão fundada na oralidade. Os finalistas têm de se integrar no imbiente onde, previamente, estão todos a falar ao mesmo tempo. A partir daí é preciso percebê-los e fazer baler a sua ideia, atrabéz dum debate-garreia contínuo, a comer coirato e a beber mines. Se o finalista cunseguir cunbincer dois caramelos, passará com distinção.

Resposta de Manel Encontrado (assim conhecido porque foi encontrado dentro dum cesto, junto a um ninho de vespas).

23.7.06

Primeiro Uestern à Caramela

O Ministério da Cultura Caramela acaba de anunciar a abertura de um concurso para o primeiro filme de cóbois à caramela.
A ideia de uma coboiada caramela surgiu depois de Bazancio Esgrabulha (responsábel pelo sector audio-bisual da caramelandia) ter realizado um inquérito a cerca de 1000 homes-cidadãos antigos utentes do cinema da S.F.U.A., no qual pricuraba saber qual o tipo de filme que estes mais gostabam de ber. A resposta foi esmagadora com cerca de 90 por cento dos inquiridos a responder „filmes de cóbois, pois atão!”.
Assim, podem-se candidatar „todos os homes que tiberem ideias parbas ou não e uma camera à mão. A F.L.C. sabe tambem que o Ministerio da Cultura Caramelo tem cameras de filmar para imprestar ao pobo, para que se comece „a impriender essa tarefa Hercuila de fazer o primeiro grande clássico do cinema caramelo, para o qual na bamos olhar a despesas”, afirmou Esgrabulha, enquanto num costume muito seu, esgrabulhaba com a unha do dedo indicador da mão direita, a narina esquerda, ja dilatada por este hábito herdado do avô paterno.
As únicas regras para os pretendentes a realizadores são as seguintes: que o filme seja totalmente em língua caramela e que os cabalos sejam substituidos por menardas Sach ou Famel (de preferencia que estejam artilhadas). A F.L.C. sabe tambem que bai ser aberto um castingue para incuntrar actores brabios, porcos e maus. Os actores serão pagos à jorna e os figurantes terão direito a uma Sumol (laraja ou ananás) ou uma mine e a uma intarmiada/ coirato (por cada dia de filmaige).

Participa se és jobe ou belho, se és parbo ó não.
Este filme bai fazer parte da históira da nossa nacão.

17.7.06

Os bersos populares

Chegou aqui ao nosso baldio os bersos do Zémanel Calibrado, o poeta popular da Fonte da Baca que ganhou o 1º prémio do cuncurso da Junta de Freguesia “Bersos na ponta do beiço”. Aqui ele oferece à gente uma berdadeira obra caramela, dedicada à sua flober.


A nha Flober

Com a nha flober sou o rei
Tenho uma ganda apontaria
Até já acertei
Nas nalgas da tua tia.

Dizem que é mintira
Mas nã tás bem a ber
Nã preciso de ponto mira
Até acerto a correr

Não falho uma lata,
Esfrangalho qualquer bolota,
Até dou numa beata
Como daqui à Palhota

Com três chumbinhos no beiço
Dou uma bolta ó estendal
Dois deles acerto nas molas
e outro furo o lençol.

Podes crer que é berdade
Se tás parbo e descunfiado,
Eu acerto num papo-seco
Como daqui ó Pintiado

De flober e de bciclete
A apontar e a pedalar
Já acertei numa chiclete
Que tinha cuspido pró ar

Tás parbo e com azia?
Tal é a precisão!
Acerto num palito
Como daqui ao Poceirão.

Nã falho caricas, sou perfeito
Nã há quem imagine
Acerto mesmo a preceito
E abro logo uma mine

Com o cano apontado,
do parapeito da nha janela,
Acerto numa mosca
No castelo de Palmela.

E agora pra acabar
Só tenho uma coisa a dzer
Sou o melhor da flober
E quem me cuntrariar
Leba chumbo a baler.

13.7.06

As nobas salas de aula

Deribado ao excesso número de jobens caramelos dentro das nossas escolas, a FLC foi contactada pelos presidentes das escolas da Caramelândia, (Ciclo amais a Escola Secundáira) para uma reunião clandestina de índole aflita, escundidos na malhada do burro Justino, em Poceirão.

Feita a reunião, a FLC meteu mãos à obra e ajuntou de urgência as suas altas patentes à bolta dos matraquilhos, na sede do Terrim, de onde se delineou o pugrama “Escola em Cagulo, Assenta-te Aqui ao Colo”.
Este pugrama bai insinar os professores e professoras prá bida brabia e costumes caramelos, enfrentando as nobas necessidades educatibas da escola em cagulo.

Eis então, em traços gerais, o pugrama “Escola em Cagulo Assenta-te Aqui ao Colo”

- Como infiar uma turma de 30 alunos num vão de escada: (bisionamento dum filme antigo, mostrando o acondicionamento de 174 caramelos a lerem o jornal, em cima dum tractor a caminho da bindima).

- As aulas na arrecadação: como conbencer a funcionaira a deixar entrar uma turma na arrecadação; prendinhas mais usuais e técnicas de diversão; como inventariar rapidamente os materiais antes e depois da aula;

- Práticas de invasão de esplanadas nos arrabaldes à bolta da escola: as melhores sombrinhas e os melhores serbiços de mensa com mines pra aparbalhar o cérebro ávido de aprender.

Na falta de professores e em substituição das aulas, a FLC oferece os seguintes serbiços (aprobeitando as casas de banho): como converter retretes em gabinetes de autodidactas; exercícios de concentração e leituras apropriadas; estudo dos sifões e dos vasos comunicantes; filosofia existencialista e práticas de reuniões clandestinas;

Este pugrama já foi parar às altas instâncias do ministério e é pra começar já em Setembro. Se não começar, a FLC e a população do Poceirão bai soltar a burra reguingosa Mari d’Lurdes* caté bai escoiceando na auto-estrada até Lisboa.


* A burra Mari d’Lurdes é uma arma equídea, desimbolbida nos laboratórios genéticos da FLC.

9.7.06

Cuiratos cum Açorda


Eis mais um belo episoide dos Cuiratos cum Açorda, este totalmente dedicado ao início da época balnear.



É Verão. Os bumbeiros fazem a sessão oficial do fogo selbaige e do fumo alboraçado, lembrando a eficácia do repuxo em zig-zag pra apagar o rastolho.

Na presença de todos, oube-se o discurso solene: “É hora de desinrolar as mangueiras. Há por i muitos espalha brasas e o fogo pode emparbecer a partir de qualquer tição”. Nisto, Venãiça lembra-se e diz para Chispalhudo:

- Chispa, tou cum calores!...
- Bai boer auga ali do autotanque e alimpa-te. –
responde o home.
- Bamos ximbora daqui mazé. Anda mais eu à piscina da Graciete do Corrimento.
- Não. Só se formes à barraige do Rio Frio?
- Tu na me contrareis, óbistes? Tá lá tamém o Frederico dos Burquins amais a Toina dos Queijos e os Firminos. Tou cum calores, óbistes.
- Tá bem, óbi.

E lá foram eles de Bolksbaige, por terra batida, até Baldera.

Já a meio da tarde, enquanto os Firminos contam as peripécias do casamento do Presidente da Capital Caramela, Toina dos Queijos pede a Chispalhudo para lhe besuntar as costas com bronzeador. Venãiça ressona à soalheira, espernegada numa toalha em cima da gravilha das obras da piscina. De vez em quando coça a verruga. Coça até acordar aparbalhada e depara-se com a massaige gordurosa. Ela não é de se ficar. Com o sangue nas beias grita logo toda desostinada:
- Óhhh Chispa, atão mas tu tás a embornear a Toina toda?
- Tou só a embornear ela nas costas cum bronzeador.
- Tu sai já daí antes que eu massaige mazé os dois cum grabilha.
– grita ela mais uma bez arremessando gravilha espantando-os pró meio da vinha.

Os Firminos, já a quererem ensinar francês à Graciete do Corrimento e a assobiarem as músicas que os FoxTrot tocaram no repasto casamenteiro, levam também com a gravilha pelo focinho caté…

E agora o que é que bai acontecer?

Não percas o próximo episoide antes que lebes tamém cum grabilha pus queixos.


Qualquer semelhança dos acuntecimentos e das personaiges cum a bida real tá logo a garreia armada.

5.7.06

Consultóiro do dia-a-dia


Aqui podes fazer as tuas précuras e dizer dos teus aleijões e brotoeja. A FLC tem um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

Pergunta de José Lourenço (o Zeca das fotocopiadoras)

Ora munto boa tarde. Sou caramelo há 34 anos, naxido e criado. O que me leba a escreber esta carta urgente é que eu cá nã ando lá muito bem de há uns tempos pra cá. Ando nerboso, muita narboso. Nã sei se isto é do mundial de futebol, mas só me dá buntade de apitar na nha Bedford e andar à roda dos pinheirinhos cum a caramelaige toda a saltar em cima do taipal… mas hoije (nã sei se é deribado a Portugal ter perdido cum os franceses), só me dá buntade de escabacar tudo. Até dá ãinças. Já falei ca nha Fatinha e ela disse-me que eu tou doente e preciso de ir ao psicólogo. O que é que me acunselham antes que eu escabaque já isto tudo?


Ó meu rapaz, um caramelo brabio nunca precisa de ir ao psicólogo. Isso é doença da pandleiraige americana e do resto da Europa. Caso não saiba, as únicas doenças tipicamente caramelas são a comichão e os calos, e a única doença conhecida de foro psicológico é o Sindroma de Enresinamento Após um Jerrican de Tinto. Portantos o que bocemecê tem, nã é nada de especial mas, pelo sim pelo não, a gente aqui dá-lhe uma mesinha pra se acalmar. Esta mesinha é retirada dos escritos antigos encontrados nas caves do Rio Frio, compilados pelo Zimbão Cornadura no libro “Receituário de mesinhas peidorrentas, benzeduras e bons conselhos”

Receita para acalmar:

1- Espera pelo marcado mensal do Pinhal Nobo;
2- No marcado, compra um mata-moscas do tipo manual por espancamento (dá-se preferência aos que têm cabo de arame).
3- Volta pra casa e vai mostrando à bizinhança a tua nova aquisição;
4- Orienta-te para a bala da Salgueirinha e abre a janela totalmente (quer estejas no Lau, na Carregueira, na Benda do Alcaide ou outro lugar qualquer).
5- Conta até cem;
6- Fecha a janela e olserba as moscas a aboarem num balho ao centro da sala. Elas são todas tuas e ninguém as poderá salbar.
7- Deixa-as poisar… uma a uma (evita que elas poisem em cima de ti);
8- Quando a mosca estiber a lember as patinhas, dá-lhe com o mata-moscas no lombo;
9- Repete a operação até acabares com elas todas.
10- Bebe uma mine e ajunta os despojos com um rodo.


Nota : Do 4 ao 10 as operações devem durar cerca de 50 minutos. Se ainda tiberes ãinças, repete os procedimentos. Estas actibidades podem ser feitas em grupo, dentro duma coletbidade.

Resposta de Jaquim Espertíldo – presidente do Instituto da Cabeça e do Pente (entidade que conta no seu palmarés, o estudo catalogado de mais de setecentas cabeças caramelas).

4.7.06

Caramelândia apoia a selecção

A nação caramela tem seguido atentamente todos os jogos da selecção portuguesa de futebol.
Não têm faltado mines, meios bidons, coiratos, fogo rijo e zundap’s artilhadas em delírio rátérico nos festejos das vitórias.
A FLC sabe que para hoje, caso Portugal vença, os Círios da Carregueira têm planeado duas voltas completas à capital caramela, sempre a tocar, sem parar, todos a cavalo numa carrinha de caixa aberta, onde irá também o famoso lançador de foguetaige Toine Joaquim da Mão (de cigarinho acesso ó canto da boca), não dando descanso ós ouvidos do povo caramelo.
Têm chegado cartas de todos os pontos da nossa nação, pedindo-nos para que publicitemos o apoio a Figo e companhia, mostrando que os caramelos também são portugueses, “só que ainda mai rijos”, como referiu Toine da Mão, enquanto treinava o lançamento do fogo rijo para logo à noite.
Toda a nação caramela, deseja que Toine da Mão (assim conhecido por só ter uma mão), enrige os céus caramelos de foguetaige logo à noite.

27.6.06

Independância à Nação Caramela

A FLC detém, actualmente, poderes extraordináiros como por exemples, óbir as erbas debaixo da terra 3 semanas antes de nascerem; cheirar um ovo estrelado 48 horas antes da galinha achar o ninho e ver uma toirada inteirinha 24 horas antes do começo. Por isso está a desimbolber estes dotes com o curandeiro Zimbão Cornadura pra adibinhar os números do Euromilhões. Se isso acontecer financiará de imediato a fábrica de chaimites nas instalações da HR para garantir a defesa nacional e a autodeterminação caramela, liderada pelos comandos da FLC e a Confederação das Marchas Populares da Caramelândia.

Já está planeado o dia da independência em que os marchadores populares vestidos a rigor com todo equipamento de papel-de-lustro em toque de pandereta, abrirão caminho aos nossos chaimites e à nossa libardade, cantando o hino da bitória:
“Santo António já se acabou;
o S. Pedro está-se a acabar,
S. João, S. João dá cá um balão
para eu brincar”
Caso haja reacção por parte das forças opressoras euro-luso-palmelonas, entrará de relâmpago as milícias comemoratibas do Costa Bar e pinheirinhos, quando a selecção ganha a jogar à bola. Estas milícias caramelas estão altamente treinadas com gaitas, bombos e buzinas das fragunetas, capazes de afugentar até bomba de neutrões.


Viva à independência caramela.

24.6.06

Touradas à caramela?

Realizou-se hoje a tourada na praça de touros desmontável instalada na capital caramela, Pinhal Novo.
A FLC, mais uma bez esteve presente, enviando três militantes disfarçados de vendedor de farturas, cobrador de cotas da S.F.U.A. e antigo utente da cantina da estação.
Desta bez, não hove traboada, o que permitiu a binda de inúmeras fragnetes e tractores, provenientes dos mais recônditos pontos do país caramelo (Vale da Vila, Lau, Palhota, Carreguera), para apoiarem a estreia da mais recente associação: Os Amigos da Festa Brava, ou mais vulgarmente conhecidos por grupo de forcados de Pinhal Novo. Todos queriam incentibar estes “homes balentes, caramelos atei à ponta das unhas dos pézes”, como nos afirmou Joquim Esparverádo do Lau (nome falso), que preferiu o anonimato, não sabemos bem porquê.
No entanto, não podemos deixar de referir que no meio de toda esta festa, à porta da praça de touros, uma só pessoa manifestava de forma bravia e corajosa o seu desagrado e descuntentamento com o espectáculo que ia presenciar. Ostentava na mão direita um enorme cartaz, construído em sarrapilhera e cartões recolhidos no marcado mensal, onde se podia ler: “Dafendam o Porco caramelo-mirandês!”, enquanto que na outra mão tinha uma nabalhita, acabada hà pouco de cortar um chóriço casero, com a qual escarafunchaba agora, de forma graciosa, a sua orelha esquerda. O seu nome é Toino da Beiça Larga, um velho conhecido da F.L.C., e como se sabe defensor acérrimo da espécie suína caramela-mirandêsa. Este home mostrava-se indignado porque “Toradas aqui na caramelândia, só debiam ser feitas com a bicheza caramela-mirandêsa!. O toro nã nos diz raspeito, nas nos queiram dar idintidades ca gente nã somos. E olhe que o porco de quê falo chega bem ós 400 kilos e nã tem medo de andar à garreia com um toro, experimentem se bócês querem ber!”. Quando nos afastamos ainda o ouvimos gritar:”E desafio os forcados a fazerem pegas a estes bichos, aí ei que eu bô ber o quei balintia! Biba o Porco Caramelo-Mirandês!”.
Por enquanto a F.L.C. abstêm-se de comentar esta manifestação, apenas adiantando que planeamos convidar Toino da Beiça Larga para uma futura entrabista de esclarecimento público deste assunto.
Intartanto gritemos todos com o Ti Toino da Beiça:

Viva o Porco Caramelo-Mirandês!

19.6.06

DADONDE BENS TU CUM ESSA BEIÇA PINDURADA? BENHO DA FESTA, PORRA!

Aqui a festa acabou. Muito mais se puderia cuntar, mas é secreto e ficará remetido prá clandestinidade. Para o ano há mais. Pelos nossos cálculos, e seguindo o critério caramelo, no ano de 2361 a festa durará 365 dias... balente festança hem!