16.10.07

TRATADO RADIOFÓNICO segunda parte

Bamos óbir o segundo episóido do documentáiro radiofónico sobre o porquê e o nã sei quê/nã sei que mais, das nossas alcunhas.
Agora bamos infiar a bobine no grabador e…


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
segundo episoido

(música de fundo com chocalhos a vir pra cá)


Narrador – No episoido anterior tínhamos dito que é preciso tar sempre munto atento aos progressos da penetração da alcunha e tal e tal, por isso, se a alcunha ficar intranhada por mais de seis meses, é porque o dono pode contar com ela para o resto da bida, ou então tem que fugir prá Sibéria e começar uma bida noba adonde ninguém o conheça... (som dum comboio nos carris). Se ao fim de seis meses a alcunha sumir-se por cumpleto, intão é preciso arranjar outra, ainda mais forte e eficaz que, em certos casos, é tão forte, tão forte e contagiosa que passa de pai pra filhos e de filhos pra netos tal como as bacas malhadas passam as malhas prós bezerros.
(som duma bateneira a mexer o cimento)
Voz de pedreiro
– Ohh Maneeeeeeeeeel!... Manel da Mosca nas Bentas, anda cá mais eu, cá pra cima do taipal, ajudar o teu neto, o André da Mosca nas Bentas, e traz o martelo.
- Péra ai qeu já boooou! Tou só aqui com o mê sobrinho, o Bruno Varejeira nas Bentas, a desinrolar a mangueira.


Narrador – Mesmo assim reserva-se muito respeitinho e cumprimento das normas por quem inventa, chama, ou brada uma alcunha. Uma das regras mais conhecidas é que a alcunha nunca é escolhida pelo próprio. Há quem se faça à pista para lhe espatarem uma alcunha de sua conveniência, como se fosse um nome artístico (especial) metido à parba mas isso não pega. A alcunha tem que ser espatada por alguém de cunfiança que, por surto eruditó-caramelo, inbentou, num momento especial, a alcunha mágica para animar o dia-a-dia das nossas bidas monótonas e aborrecidas…
(som de ventania à porta do centro de saúde)
Voz

- A Zulmira da Rata Seca, ontim teve aqui à chuva desde as cinco da manhã. Quando o médico a apalpou já tava toda molhada! Eu hoije já me aprocatei e bim cu meu Tózé Escorregadio pra me agarrar a ele.

Narrador –É a falar assim que a gente fica todos cuntentes! Mas há que ter im atenção que as alcunhas não são espatadas assim à parba. Elas têm regras de aplicação,... mas isso é o que bamos ber no próximo episoido desta série radiofónica.


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas

(música de fundo com chocalhos a desaparecer)

11.10.07

TRATADO RADIOFÓNICO DA ALCUNHA CARAMELA I

Bamos óbir um documentáiro radiofónico produzido pela Rádio Antena Caramela, sobre o porquê, e o nã sei quê, das alcunhas na nossa cultura.
Agora agora bamos infiar a bobine no grabador e…

“
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhh PUMMMmmmm.....

O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
primeiro episoido

(música de fundo duma flaita de beiços)


Narrador – Não se sabe ao certo quem inbentou a primeira alcunha, mas sabe-se que as alcunhas são tão intigas quanto a própria punhada. As alcunhas são códigos de sociabilização de grande importãiça na cultura caramela. São de tal importãiça que até há quem diga que só é berdadeiramente caramelo quem for dono duma alcunha a preceito.
(som de alguém a bater à porta … toc toc toc…)
Voz
- Quem éi?
- É o Arsénio Manuel Vasconcelos da Silva, benho cá fazer uma bzita.
- Tu és mazé é um merdas e tens na maniazinha. Chispa-te mazé já daqui pra fora.


Narrador –É assim que pode acontecer! Se o bizitante dissesse que era o Séninho dos Porcos, tinha entrado logo e já tavam os dois a buer umas mines. (som de concertina) As alcunhas sempre foram tidas como com uma força benigna, entusiástica, extraordinária, selbaige, alienígena, que se aplica a um ente querido, fortalecendo-lhe o ego e dando-lhe um ar mais sadio e balente, capaz de bencer os impossíveis do dia-a-dia…
(som duma mine a abrir-se)
Voz
- Atão ó Toin dos Cotos?!! Agarra ali naquela dúiza de mines a granel, e bora mais eu à do Giraldes da Cirrose, buer elas.
(barulho das mines a granel pu chão)

Narrador- É espantosamente motivador. As alcunhas são sempre aceites de comum acordo entre os seus portadores e aqueles que chamam, mesmo sabendo que quem chama está sempre mais de acordo do que o dono da alcunha…
(som de vozes na coletbidade)
Voz mais alta
- Ó Zé Castiçal na Testa, sabes quim éi qeu bi ontim cu Toin Pázudo na retrete da estação?
- Hã?Não!!!
- Ó Castiçal, pá, bi tua Zulmira!
-!!!

(rizada giral e som de concertina)

Narrador – Por isso, quem está sob o risco de apanhar com uma alcunha, acautela-se. Há como que uma caça de gato e rato. Uns andam a olserbar os outros pu canto do olho. As pessoas que preservam ainda o nome de batizo mantêm um ar reserbado, quase sempre calado, evitam grandes grupos, lebam uma bida restrita e tentam mostrar uma bidinha exemplar… mas isso é impossível de aguentar no habitat natural caramelo…
(som duma mosca a aboar dentro da coletbidade… zzzzzzzzzz…)
Voz baixinha de pensamento:
-…Puta da mosca nã me larga as bentas!!!.
Voz grossa a gritar lá ao longe:
- A partir d’agora és o Manel da Mosca nas Bentas.
(galhofa giral e som de castanholas)

Narrador - Ninguém escapa! E é assim, com este encanto, que são aplicadas as mais belas alcunhas. Mas não bastam ser marabilhosas, elas têm que ter a propriedade de se intranharem como a gosma se intranha no fundo das goelas. Por isso, uma alcunha sem graça pode despegar-se do Ser. E é preciso tar sempre munto atento aos progressos da penetração da alcunha ao longo dos tempos… (som de ferrinhos) Senhores óbintes nã percam o próximo episoido pra saber tudo sobre a alcunha caramela.


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhh PUMMMmmm

Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas

(música de fundo duma flaita de beiços a desaparecer)
"

7.10.07

Programa de alimentação escolar causa polémica
Famílias caramelas protestam no início do ano lectivo

Com o início do novo ano lectivo, a história repete-se. Mais uma vez, o programa alimentar das escolas da caramelândia não corresponde aos anseios das famílias caramelas. O protesto é antigo: ano após ano, tenta-se que as escolas da nossa zona adoptem um programa alimentar que esteja de acordo com as nossas raízes e cultura ancestral. Ora, segundo alguns pais caramelos não é isto o que acontece na maior parte (senão em todos) dos estabelecimentos de ensino cá do burgo. As principais A.P.C’s (Associações de Pais Caramelos) já protestaram e prometem não baixar os braços (e as mãos, calejadas atei mai não) enquanto as suas crianças não tiverem direito à verdadeira gastronomia caramela. Assim, como forma de protesto, foi já convocada uma almoçarada-debate-garreia na Palhota, no próximo fim de semana, oferecida pelo café “o Intulho a Cagulo”. Júlio Alcateia (mais conhecido por Julinho Pançudo) é o organizador chefe desta acção de revolta e na última reunião de pais não teve medo de dizer bem alto e aquase enerbado: “ó esses homes da educação fazim o ca gente quer, ó atão bão ter de lebar ca gente, e olhim ca gente nã ei boa de traçar, sisto dá pá barduada ei atei criar bicho, bócês agarrim-me quê saco da nabalha (nisto três ou quatro pais que estavam na reunião tiveram de segurar o Julinho e acalmá-lo com um penalti de Licor Beirão, gentilmente cedido pelo dono do Intulho a Cagulo). A FLC sabe que as Associações de Pais Caramelos, pretendem endurecer a luta e planeiam já outra almoçarada-garreia-protesto, desta vez em frente à Junta de Freguesia da Capital (Pinhal Novo). Laurentino Pitrólero (outro dos pais presentes) afirmou em tom confidencial:”…bai, bai ser im frente à Junta, ca téi ninguém entra, nim o prasidente nim nada (pausa para pensar e respirar para dentro). O mei bidom bai ficar a barrar a porta e quero ber quim ei que nos tira de lá!”, afirmou em tom de desafio com as mãos nas ancas (Laurentino foi forcado amador quando era gaiato). Por último, os pais caramelos afirmam estarem dispostos a ir até às últimas consequências da radicalidade protestante:”Se cuntinuarem a dar sopa minestrone ós gaiatos im bez da nossa sopa caramela, conbocamos uma mega almoçarada-protesto-garreia todos os segundos domingos de cada mês, mesmo im frente à intrada do marcado da capital. Nã entra ninguém, nim ciganaige, nim bicheza d’outra espéce!”, disse ainda Laurentino Pitrólero em tom cada vez mais inerbado e intolerante.
A FLC apoia a Associações de Pais Caramelos na luta pelo direito à alimentação como debe de ser da gaiataige caramela.
Im frente é quéi caminho!

3.10.07

MOBILIDADE CARAMELA - PARTE III

Deribado a estas grandes mudanças na forma como cada um se desloca dum lado pró outro, a FLC e todas as Juntas de Freguesia da nossa nação desimbolberam o Centro Estratégico de Mobilidade Caramela (C.E.M.C.) que bai rebolucionar o mundo do pitroil, das botas caneleiras cardadas, e dos sapatos com solas de borracha.

O C.E.M.C. conta já com a participação de bárias associações e grupos relacionadas com o caramelo im mobimento. O Centro fornece os estudos sobre os efeitos da Teoria da Relatividade nas diferentes regiões, e a complexa fórmula matemática (Fórmula Xana), de como se calcula a trajectória dum corpo caramelo no espaço. Além das associações mais conhecidas como a Associação Pudalo-Pasteleira e a Associação de Cavaleiros da Lagoa da Palha, temos tamém por exemples:

- Associação dos Transeuntes de Carrinho de Mão. Contando com mais de 900 sóices, tem como lema “ora agora bais tu no carrinho, ora agora bou eu” e está fundado no requinte rural. Qualquer caramelo caminha pelas ruas com um carrinho de mão e, quem quiser, pode sentar-se nele (requintadamente no conforto dos produtos hortícolas), e apanhar uma boleia marabilhosa. Depois, a meio do percurso, tem que trocar, se não há punhada pla certa. As Juntas de Freguesia do Pinhal Novo e Marateca, financiadas pelo Fundo das Comunidades Caramelófonas, vão distribuir cerca de 450 carrinhos de mão por todo o territóiro, com o Slogan “Um carrinho, um destino, dois caramelos”.

- Associação dos “Leva-me às Cavalitas” Compulsivos. Conta com várias centenas de voluntários, sem fins lucrativos. Os sóices têm como princípio atirarem-se prás costas de quem circula naturalmente na rua, ganhando não só um transporte panorâmico, como uma grande amizade. Esta associação cavaliteira reserva para os reformados e inválidos, a alternativa de irem ao colo em vez de irem às cavalitas, bastando para isso, apresentarem um cartão, antes de se atirarem para os braços dos transportadores.

- Sindicato de Choferes de Carrinhos de Rolamentos e de Cadeiras de Escritório com Rodízios (S.D.C.D.C.D.R.ED.C.D.E.C.R). Este sindicato exige a construção de rampas em labirinto, a fim de oferecer mais condições nas descidas. Para isso, sempre que num dado percurso haja dois pontos muito próximos, é exigido um trajecto com o maior número de rampas possível. É graças a este sindicato, que esta engenharia está bem patente em dibersos pontos na nossa nação e já faz parte dum roteiro de todos aqueles que querem desfrutar da magia da força da gravidade caramela.

- Associação Caramela de Cidadãos Suinomobilizados. Tem como sóices, praticamente todos aqueles que querem substituir as zundápes e fameis pelo prazer de condução dum porco caramelo-mirandêz de 400 quilos, obtendo as mesmas sensações tais como o acelarar em punho cerrado a arrancar poeira da lama, e peões caté põem um home desostinado. Esta associação começou logo com 3000 sóices e, desde 1977, já lhe perderam a conta. Ainda não está creditada no C.E.M.C. por não respeitar todos os requisitos de segurança e requinte.

30.9.07

Mobilidade caramela II


Já dissemos coisas parbas de abiões e até já foi limbrado (aqui nas cumbersas da coletbidade), aqueles caramelos que tiraram o brébê no intigo abião do parque. Mas a nossa mobilidade na acaba nos abiões. Após bários estudos clandestinos feitos palmo a palmo à linha do cumboio berificaram-se bários fenómenos que só têm paralelo na CP do sul da Índia e nas províncias do interior de Moçambique.

Belhos são os tempos em que uma pessoa podia ir de cumboio de Algeruz à Jardia, ou da Lagoa da Palha ó Poceirão, ou do Pintiado à Benda do Alcaide, ou… Bem, isto quer dzer que agora tá tudo acabado e até na estação do Pinhal Novo só param os cumboios que bão pra Madrid, e ninguém bai feito parbo pra Madrid cumprar uma dúzia de ovos caseiros, se tem a reforma agráira logo aqui à mão.
Foi berificado que, à medida que as estações e apeadeiros foram fechando e os cumboios foram passando em alta belocidade sem parar, os caramelos aperfeiçoaram a técnica de embarcarem no cumboio em movimento usando zundápes a punho cerrado a açaparem lado a lado (na recta do Poceirão), pró pendura poder saltar par drento do cumboio im segurança. Até se contam muitas histórias sobre a maneira elegante de como as caramelas voavam das zundapes para o estribo da carruaige sem mostrar as cuecas e sem despentearem os seus belos caracóis.

Uma outra técnica era apanhar o cumboio em movimento, saltando do alto das pontes pró tejadilho das carruaiges, usando uma manta pró frio e sintir o conforto da queda. Com o tempo tudo isto acabou porque a Fertagus abançou com uma espécie de cumboios escorregadios que na dá pra ninguém se agarrar e ainda por cima incheram os tejadilhos com cabos eléctricos de alta tensão prós caramelos nã se chegarem lá perto.

Temendo que a Nação Caramela retire oficialmente os cumboios da sua belhíssima cultura ferrobiária, remetendo os cumboios ao desprezo, a FLC anda a estudar táticas de apanhar estes cumboios com potentes ventosas. Os testes já foram efectuados com resultados satisfatórios. E porque o caramelo é um ser que se adapta facilmente a soluções brabias, acreditamos que ainda é possíbel sustentar o cumboio na nossa cultura, quanto mais na seja pra saber onde fica o lado Norte e o lado Sul da nação!

Mas… pelo sim, pelo não, já está no nosso pinsamento, muitas outras formas de transporte, como por exemples o transporte pudaleiro-caramelo e o transporte equídeo-propulsionado como se pode berificar na feira aqui na nossa capital. Mas há muitas mais formas de como o caramelo do futuro bai andar dum lado pró outro, e isso é o que a gente bai ber já nos próximos dias.

25.9.07

Mobilidade caramela I

Há cerca de 90 anos atrás, forças governamentais pediram aos mais altos técnicos caramelólogos da FLC para fazerem um estudo pra um aeroporto na nossa nação. Nessa altura, em relatório final podia ler-se que “se o nosso pobo nã precisa de andar por esses ares pra ir dum lado ao outro do Rio Frio, intão é porque o melhor é dixar os céus por conta da passaraige.”
Não convencidos com os resultados, foi pedido outro estudo, mais a fundo, de onde se concluiu que “além do Rio Frio, os abiões tamém nã prestam par lebar os moradores duma ponta à outra do Lau.” Contudo, nesse estudo, após um meticuloso cruzamento de dados, chegou-se à conclusão que “quando os abiões andarim baixinhos pode ser benéfico à cultura da fuguetaige nocturna, porque é possível um patardo infiar-se drento da turbina dum Airbus 340, multiplicando o som marabilhoso do rebentamento e o seu enfeite pirotécnico.”

Depois deste relatório foi abandonada a ideia do aeroporto em território caramelo até aos dias de hoije.

No entanto, por auto recriação, a FLC continuou a fazer mais e mais e mais e foi concluído que “os abiões tamém na serbim pra ir da Palhota à Benda do Alcaide, nim dos Cajados à Fonte da Baca, nim dos Batutes a Bal da Bila, nim dos Arraiados ó Marcado do Pinhal Nobo. Só ontem é que se descubriu que talbêz… talbez, o pobo carmelo precise dum abião pra ir pra Troia, à praia, quando os Ferry-boats forim parar a Grândola.” Os estudos vão continuar.

Enquanto se aguardam novos resultados, a Junta de Freguesia da nossa capital (aconselhada pela FLC) bai desembolbendo alternatibas à mobilidade caramela tais como a cabalaige, carroças e bcicletas e outras soluções ingenhosas.

Aguardam-se grandes surpresas na forma como o caramelo do futuro bai andar dum lado pró outro.

20.9.07

Última Hora:
Especialistas internacionais detectam referências à FLC na mais recente mensagem de Bin Laden

A notícia pode alarmar toda a nação caramela e denegrir o nosso bom e pacífico nome. Segundo a Rádio Antena Caramela, alguns especialistas internacionais em descodificação de mensagens binladeanas, afirmam que a sigla da FLC aparece mencionada pelo menos duas vezes e meia na última mensagem de Bin Laden e alguns deles dizem mesmo ter encontrado a palavra caramelândia no discurso deste homem.
A FLC saiu à rua e foi questionar algumas importantes personagens caramelas, sobre qual a sua opinião a raspeito de assunto tão delicado. Ficam aqui algumas reacções, que os nossos enviados especiais conseguiram desatarrachar da quecharra do bom pobo caramelo.
Celestino Bombista, home rijo e presidente da Confederação dos Círios Caramelos e Lançadores de Fogo Rijo, taba em reunião secreta na capital sagrada da foguetaige – Atalaia- mas mesmo assim nã se acanhou de dezer o que pensa:“Ora bem…(pausa pa meter uma mine nos quexos)… par mim isto ó são pinsamentos parbos desses homes…(bai nobamente a mine dincontro ós quexos…) desses homes comê dzia, os desimparbalhadores de mensaiges, ó atão ei a nossa Antena Caramela que singanou, mas ê cá bou mais pa primera aposta quê cá nã sei o que bai na cabeça desses homes que debem mas ei de pinsar na sua bida e dixarem de opinar sobre coisas má párbas cum foguete das festas das bindimas. E algma bez esse Albino Laden tebe por aqui? Era logo corrido a fogo rijo de criar bicho caté apanhaba medo! Ele que benha à Atalaia, se ei home”. Para Balentim Desidratado, presidente do Futebol Clube do Forninho “só pode ser uma noticia sim chispes nim cabeça. Atão álgma bez esse home disse isso? Nunca óbi nada, bão mas ei bardamerda amais essas notícias. Cá par mim, debe de haver palmelões infiltrados na Antena Caramela”. Já Toino Fraticida, especialista em Política caramela internacional, afirmou (enquanto cortava o cabelo no Álvaro Barbeiro na capital caramela) que “não faz parte do espírito do pobo caramelo a garreia com esse tipo de armas-bombas (…). As armas desses tarroristas não são as nossas, nós somos mais punhada e latada de criar bicho (enquanto soletrava estas palavras, a tesoura zunia à volta da sua cabeça com golpes de mestre)… o home caramelo nã ei um home-bomba, ei um home de hábitos de garreia local e sabe pouco de geografia mundial.”
De regresso à nossa sede, encontrámos ainda Albino dos Ácaros, a caminho da Palhota, que se prontificou a encostar a sua carrinha de caixa aberta na berma da estrada (Albino recolhe colchões ao domicílio, quando não está na Raforma Agraira). Quando o questionámos sobre este assunto, encolheu os ombros, fez o gesto do Zei Pobinho e gritou: “Bão trabalhar malandros! Temos cá bombaria, mas cum chero!”. Dito isto, alçou rapidamente umas das pernas, e já de costas para nós, antes de entrar na fragnete, descarregou um mortero dos seus,. Apesar de estarmos em campo aberto, tibemos de ebacuar.
A FLC não dará qualquer resposta oficial a esta notícia, pois o povo caramelo nas pessoas de Celestino Bombista, Balentim Desidratado, Toino Fraticida e Albino dos Ácaros já desseram tudo.
Biba o Pobo Caramelo! Biba à Paz Caramela!
E MAI NADA.



15.9.07

Consultóiro do Dia-a-dia

Aqui podes fazer as tuas précuras e dizer dos teus aleijões e brotoeja. A FLC tem um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.
Pargunta:
Olá, senhores da FLC, eu sou o Fernando Oliveira da Silva e moro nos Batutes. Vim para aqui morar por ser uma zona calma e aprazível e repleta de espaços verdes. No entanto, por ser uma zona do campo, e estar junto dos autóctones ditos “Caramelos”, o meu filho mais novo passou a querer apanhar grilos. Primeiro achei muito estranho, e confesso que nem simpatizava com os Caramelos, por isso quis esclarecer-me. Em Agosto dirigi-me aos serviços camarários, em Palmela, para me orientarem sobre esta prática que, segundo se diz, é comum entre os mais novos aqui nesta região. O problema é que não obtive qualquer resposta, o que me indignou profundamente. Por isso é que me dirijo a V/ Exas da FLC para obter uma resposta concreta sobre a prática da apanha do grilo e de como posso ajudar o meu filho a apanhar esse insecto, assim como converter-me à cultura caramela. Obrigado pela atenção.
Resposta:

Oh meu rapaz, bocemecê beio ter cum a maltezaria certa pra saber tudo sobre a grilaige, e mais: para ser abençoado pela irmandade caramela.
Im primeiros, amandamos já um foguete pró ar por sabermos que o seu pingarelho mais nobo está a integrar-se muito bem na nossa cultura querendo apanhar a bxeza, principalmentes o grilo que é cunsiderado um dos tenores mais simpáticos da nossa terra, hã?


Antes de mais conheça bem o grilo:
Fique logo sabendo que o escunderijo preferido do grilo caramelo (gryllidae caramellae) é debaixo das pedras da linha do cumboio e, por isso, no princípio da CP, a sinalização nocturna das passaiges de nibel era feita com seu marabilhoso cantar. Quando a grilaige se calava era porque o cumbóio tava a 3 metros de passar, tornando-se um sinal importante que salbou muitas das nossas bidas, fazendo do grilo um animal sagrado.

Hoije im dia ainda, mesmo sem passaiges de níbel e com os cumboios da Fertagus, ainda há alguns grilos nas pedras da linha, mas já na é como intigamente. Por isso é melhor bocemecê ir procurar eles nos nossos aceiros, quintais e baldios que é lá que eles se incontram.

Bora intão lá procurar eles.
A qualquer hora do dia dê um passeio a pé, acocorado amais o seu filho, a olharim pró chão como quem procura uma moeda de um cêntimo… Ah! IMPORTANTE: é muito importante que apanhem uma palhinha dum pasto qualquer e amostrem bem ela, pra que toda a gente perceba que bocemecês andam ós grilos e não na apanha de moedas pois isso poderia trazer quezilas ós caramelos mais brabios.
Portanto não deslarguem as palhinhas e bão sempre andando, andando, andando, sempre de cócoras, andando, andando até incuntrarem um buraquinho no chão. Um buraquinho com a largura dum dedo. Esse buraquinho é uma toca. Lá drento tá um grilo. Agora bai ter que tirar ele lá de dentro.

Bora intão tirar ele:
Infie a palhinha drento da toca e escarafunche aparbalhadamente pra provocar cócigas ò bicho que tá lá no fundo a pinsar na bida. O grilo, incomodado com a palhinha, resolbe bir cá fora (de marcha atrás) ber o que é que se passa com o raio da palhinha. No pinsamento dele é bocemecê que está feito parbo a fazer má vizinhança. Nesse preciso momento bócê apanha-o com a mão, sem ter um ataque de nerbos ao sintir o bicho a remexer dentro da mão.
Repita a operação nos outros buracos que incuntrar no chão e apanhe tantos quantos encuntrar.

Lebe eles para casa e meta eles dentro de caixas de sapatos com uma folha de alface da Reforma Agráira. Cada grilo sua caixa, cada caixa uma alface e espalhe elas pela casa toda.
Se quiser óbir o seu marabilhoso cantar, espere pela madrugada e tem companhia a noite toda.

No dia seguinte, com olheiras, deslargue eles à natureza e cultive o gosto pelo grilo a toda a bizinhança.
Quanto a bocemecê ficar caramelo de berdade, isso é outra cumbersa cagente bai ter um dia destes.


resposta de:
Toin Exacerbado – Biólogo da Associação Caramela da Caçadeira de 5 Tiros

9.9.07

Cuiratos com Açorda 400

Chigámos ao episoide 400 dos “Cuiratos cum Açorda”, a nobela sonora, falada totalmente em caramelo, olserbada não só no nosso territóiro mas tamém no resto do mundo, graças às nossas balentes antenas escundidas dentro das palmeiras podres do Pinhal Novo (é por isso é que elas têm uma argália e esta foi a solução que a FLC encontrou para dar às palmeiras secas uma berdadeira utilidade pública).

Para quem estebe a dormir este tempo todo, qui bai o resumo dos últimos 236 episoides:


têm andado todos descunfiados uns cus outros, numa tramóia caté parecem barizes.
Portanto a história está prestes a dar uma bolta de 360º e toda a gente fica de olho aberto prá televisão, até criar ramela.


Agora é o resumo do tão esperado episoide 400


Venãiça da Verruga bai à pressa cumprar fórfos à Cumpratiba, dobra a esquina dos Bumbeiros e dá um incontrão à Graciete do Corrimento que deixa cair um saco de alpista.
- U qué q’ andas aqui a chirar?!! – inquiriu Venãiça assustadiça.
- Óh!! Bim cumprar alpista aqui à cumpratiba, na tás a ber?
- Tou, mas tu nã tens passaraige!! Eu é que tenho!!! – disse Venãiça descunfiada.
Entretanto Chispalhudo (o home da Venãiça), espreita-as secretamente atrás do muro do Pinhalnovence. Venãiça continua:
- … E tu biestes de Baldera aqui à Cumpratiba cumprar alpista?!!! Uummm, essa alpista cheira-me a esturro, mazé! Qualquer dia ainda t’apanho c’um balde de bolotas na Cambra de Palmela!
- Bolota na Cambra de Palm...
Chispalhudo sai a correr com uma gaiola na mão (muito esquivo e suspeito), im direito à Junta do Pinhal Novo.
- Oh! Mas aquilo que bai ali a correr c’uma gaiola nã é o meu Chispa?!!! – exclama Venãiça nerbosa.
- Pois!… Bem que m’sim! – diz Graciete do Corrimento a escunder a alpista.
- Hããã?!!! – grita a Venãiça com a sua verruga já incandescente, às pulsações, caté os bombeiros pegam logo nas mangueiras e ligam o alarme de incêndio.


Nesta altura já o espectador tá com o pescoço suado com tanto suspense caramelo e imagina o que bai na cabeça de Venãiça da Verruga:
Alpista/gaiola; gaiola/passaraige; passaraige/pássara; pássara/passarinha; hã? passarinha/ Mau! Já temos porras no capacete.


Eis a gaiola suspeita de Chispalhudo, num momento crucial da nobela.

E agora o que é que bai acontecer?


Não percas os próximos episoides de Cuiratos cum Açorda, se não, ainda te apanham a cumprar granulado na Pousada do Castelo de Palmela em vez de estares a comer intramiada nas largadas das Festas da Moita.


Qualquer semelhança dos acuntecimentos e das personaiges cum a bida real tá logo a garreia armada.

2.9.07

A berdade do binho caramelo

A Frente de Libertação Caramela, tem tado às escundidas nos elebadores da REFER (na pasaige subterrânea da Compratiba) desde as festas do Pinhal Novo. Esta grande ausência debe-se principalmente aos trabalhos preparatórios a sua noba temporada rebolucionária para a libertação de todos os caramelos.

“Basta intão que sim!”, disse o Chefe da FLC quando soube da existência das festas Palmelonas, a olhar fixamente pró morro do castelo e a palitar o seu único dente com um pau de fórfo.
Desta maneira, a ALEC (Autoridade para a Libertação da Economia Caramela), membro armado da FLC, foi imbestigar a falsificação dos rótulos (com cães chiradores especializados) e pôr a descoberto a berdade dos nossos binhos e pomadas. É que os palmelões, desde sempre inspirados nas técnicas do Marcado do Pinhal Nobo, metem rótulos falsificados pra dizerem que fazem grandes coisas. Toda a gente sabe que os binhos caramelos são bítimas desta camuflaige, pois são bendidos como se fossem de Palmela. Mas não são!
Esta prática palmelona que já tem bárias décadas, não só tá a irritar as comunidades caramelas como a canzoada em giral. “A nossa cultura está ofindida e isto bai ter de acabar já, se não…! ... O único binho feito mesmo im Palmela é amassado durante as festas lá im cima dum tractor e é bom prás saladas e prá mosquitaige” disse o chefe adjunto do Gupo Caramelo “Os Amigos do Vinagre”, grupo esse que tem como membro honorário a vereadora da cultura das forças Palmelonas.

Graças à intervenção da FLC e da ALEC, serão arrancados e queimados os rótulos palmelões dos nossos binhos e, à bista de toda a gente, serão colados (com um cuspo especial) os nossos próprios rótulos com a marca caramela “Binho de Catigoria da Região Independente da Caramelândia”.

Feito isto, a nossa cultura ficará mais sadia e as festas das bindimas de Palmela bão ter que mudar de nome para Festas do Morro.

7.6.07

A FLC saúda as festas populares de Pinhal Novo

Após a longa ausência a que a FLC se viu obrigada, estamos de volta, mais fortes e destemidos do que nunca, prontos a proclamar o caramelismo puro e a brabeza e balintia do nosso povo. Mais tarde explicaremos em detalhe as razões desta prolongada ausência, assegurando que todos os caramelos e caramelas podem contar com a nossa determinação para que a libertação da nação caramela seja um dia realidade tão clara como a de um meio bidon em plena fumegação a assar coiratos, ou o som de uma mine nos beiços de um home ao sol na planície caramela.
Saudamos calorosamente mais uma edição das festas populares da capital, festa do povo que baidoso se ingrandece de um reconhecimento da sua identidade.
A FLC apela aos organizadores para que este reconhecimento não seja apenas para o povo ver (e se ver) durante esta época, mas que durante todo o ano, a imensa nação caramela se orgulhe do seu caramelismo livre e selvagem, e possa sair à rua com a brabeza estampada no rosto.
Viva a Festa! Viva a FLC! Viva a Nação Caramela!

26.5.07

Márinho das Cumbersas Parbas

Ao cuntráiro que muita gente pensa, a FLC tem estado em grande actibidade clandestina, sempre pela libertação do seu povo. Entre essa catrefada de actibidades, a FLC criou o Centro de Desimbolbimento do Discurso Político-Caramelo (CDDP-C) que tem dado resultados estrondosos na bida de todos os cuntribuíntes, dentro e fora das nossas fronteiras.

Este Centro, totalmente feito em terreno alagadiço, conta com grandes especialistas relacionados com a cabeça do ser humano em giral. Dessas personalidades temos por exemples atordoadores (por punhada na nuca), descodificadores de cumbersas parbas, ingenheiros (inscritos na Ordem Caramela), psiquiatras e muitos mais. Este centro é totalmente chefiado por caramelos que defendem o arroto da mine como alternativa à oratória política.

Na berdade, o CDDP-C tem sido frequentado por grandes personalidades da bida política lusitana para se especializarem no seu discurso, segundo as nossas técnicas. Quase todos eles comprovaram a eficácia do Arroto-Da-Mine como poder de síntese de todo um pensamento político, sem esquecer o poder apelativo capaz de atrair a atenção das grandes massas.

Um dos nossos principais clientes tem sido o Máiro Lino (mais conhecido no Reino Caramelo como o Márinho das Cumbersas Parbas) que desempenhou com distinção uma dos nossos exames mais difíceis, o exame de cegueira “Olha prá Margem-Sul da Vala da Salgueirinha e diz o que é que vês”. Este exame foi grabado numa cassete e é aqui transcrito.

***

Marinho das Cumbersas Parbas foi colocado descalço dentro da Vala da Salgueirinha a olhar para a margem sul.

- Marinho, diz lá aqui pà gente todos, bês aqui alguma cidade?... Esquece lá o Intermarché, ou a Cumpratiba das Farinhas, mas… Olha bem… Bês aqui alguma cidade? Hã?
- Não! Vejo apenas umas canas. Só canas.
- Assim é que é, Márinho. E bês aqui assim alguma escola ou algum hotel? Hã?
- Não. Vejo apenas um pneu velho que os ciganos deitaram para aqui no último mercado!
- Ahhh lindo Márinho, assim é que éi! E o que bês mais Márinho? Diz à gente, diz… Não bês ali umas óbelhas, umas óbelhinhas? Hã? E o que é que elas fazem?
- Ovelhas! Sim vejo umas ovelhinhas e fazem mééééééééé
- Jámééééé, Márinho, em discurso político diz-se Jámééééééé.
- Sim, Jáméééééééé.
- Lindo Márinho, e agora para acabar, olha bem para a margem sul… esquece a passaraige a aboar e a poisar. Bês algum aeroporto? Hã?
- Vejo um deserto. Apenas um deserto, só areia… Um deserto…
- Muito bem Márinho. Agora bebe uma mine e arrota. Estás pronto para o discurso político. Se te parguntarem “O que é que vês na margem sul?” basta lembrares-te deste exame e toda a caramelaige vai-se rir à parba.


A FLC sempre à frente do poder.
Sempre pela libertação do povo caramelo.

4.3.07

AI ELES, ELES!

A Rádio Antena Caramela, organização conspiratiba de grande interesse para a libertação da Caramelândia, (com o estúdio movediço dentro dum mata-velhos de caixa aberta, com um osso pindurado atrás, prá canzoada correr a rosnar e meter respeito), está a fazer uma série de intrebistas clandestinas à população pra saber quem são eles afinal.

Assim, pela primeira bez em 30 anos, um dos jornalistas encartados da FLC saiu disfarçado de gaiteiro dos círios dirigindo-se com uma gaita de foles junto da população, com um gravador dentro do fole e o microfone na ponta da gaita e meter-se com a população em giral.

A entrevista que se segue é um exemples. Foi feita à porta da capela, quando três reformados anónimos olserbabam o cartaz do morto do dia. Aconteceu às 15:00 do dia 10 de Fevereiro de 2007.

Jornalista da FLC- Ora munto boa tarde. Quer dzer intão que cá tamos aqui ó pé da capela, hã?!! Eu sei!... Isto na há bergonha nhuma, eles… Bem… eu nim sei dzer!..
Os três homes olham um pouco descunfiados prá gaita do nosso jornalista impontada pra eles, mas isso passou e desimbolberam a intrebista por sua recriação:
- Eles?! Eles na balim nada, são mazé uns…
- Uns quê!!! O que eles querim é tacho e na fazer nada e agente agora é q…
- Ouça lá bocemecê, esta capela na tava aqui se eles…
- Eles na balim é nada. Isto é assim, oiça lá mazé: o que eles querim é…
- Olhe lá becemecê: na vê que eles tão todos metidos n…
- Qual quê, mestre Lourenço, eu já bi eles a ….
- Bocê já biu, bocê já biu!!!... Eles é que andem de olhos ab…
- Oh! E agente?!!!
- Agente?!! Eles!!!
- Sim eles!... Oh!
- Ó home teja calado porque eu sei bem do que bou dizer, eles é que…
- Tóóóó!! Tu tas-me a dizer que eles andem a…
- Nada. Eles na prestim par nada, da outra vez estaba eu ali …
- Ê já óbi essa históira, bocemecê sabe lá o que é que eles fazim? Bocemecê já teve na...
- E quem é que construiu a capela hã? Quem?
- Isso era intigamente quando eles tinham a…
- Lá na nha casa, nim eles nim ninguém mand…
- Mandam im nada nim na fazim nada porque eles nim a capela nim a…
- E sabes porquê? Não sabes! Eles escondem-se no…
- É isso. É isso e mais, uma vez, eles lá na…
- Tóooo! Eles querim é ca gente re…
- Eles é só garganta, quanto mais que…
- Qué isso home?!! Ó despois é que eles dizem ca gente anda aqui feitos parbos às boltas.

E gera-se tal silêncio caté se oube a cassete a rolar dentro da gaita. Um ficou a olhar prá bota (cumprada no marcado em 1983), outro a olserbar as árbes e outro ainda prá motarizada a passar.

- Olhe, bocemecê que é da FLC, é que debe saber, e se souber ler, bá ali à junta que eles dão a bocemecê um libro que explica tudo.

O jornalista entrou dentro da Igreja do Pinhal Novo e eles escapuliram numa manifestação de reformados dentro da paraige das cáminetes.

21.2.07

Carnabal 2007

Os Amigos de Baco, aflitos com a ruindade das forças palmelonas cada bez mais forretas e com a ruindade do tempo cada bez mais parbo, tiveram que se reunir de urgência, com a FLC, para aconselhamento logístico-caramelo e resolução de problemas.

Soubemos que 48 horas antes do acuntecimento carnabalesco, já estavam completos 380 tractores alegóricos de grande catigoria que iam incher a abenida até ó cagulo, num cortejo caté incaracolava com 3 boltas e meia às bombas de gasolina (a passar por dentro do Mc Donalds). Desses 380 tractores 377 eram luxuosamente decorados com canas, paus de fórfo, crochés caseiros, pitromáxes e ao som de flaitas de beiço, tudo… tudo pago com fundos do Governo Caramelo. No entanto a ruindade do temporal fazia querer que, quando o último carro passasse im frente à estação, já taba toda a gente im casa a ler o seu livro preferido. Assim, à última da hora, a FLC arranjou uma solução para o temporal, negociando com nosso Zimbão Cornadura, o uso das suas forças e mezinhas pra fazer um buraco de nubem, com uns raiozitos Sol, só pró pelotão de caramelos agro-sucateiros. O resto era temporal certo. Por isso é que só foram impurrados avenida abaixo os 3 tractores de esferovite e celofane, pagos pelos Palmelões, ficando os nossos preciosos 377 veículos caramelos guardados pró ano que vem.

Aqui, ainda antes da passaige do cortejo, o gintio estaba na dúbida: ó chobe ó na chobe?

A imaginação não pára, é uma constante caramela, em qualquer altura do ano. Reparim na flober de pau.


Este ano, a abrir o cortejo vinha um elemento da FLC, disfarçado de cigano, a binder balões. Um excelente sentido de oportunidade da FLC pra equilibrar as finanças.

O carro da "Floribela" com o regador maléfico a gotejar celofane euro-palmelão. Os Amigos de Baco bem queriam fazer o carro dos Cuiratos cum Açorda, mas os palmelões iam desmaiando com a ideia.


Um caramelinho dentro dum caixote a guardar uma grade de mines. Assim é que se faz um home balente e sadio.

Dois agentes da FLC a tomar conta da ocorrência. O canito, de raça coelheira, tamém tava mascarado à Zorro, como se pode ber na códaque im baixo.


O canito cheirador de cuirato.



O casal de cabeçudos objecto de adoração popular em toda a caramelândia.

O tema carnavalesco mais preferido dos caramelos é mascararem-se à “Vizinho”. Se o bizinho é estucador, mascaram-se com fato-macaco todo sarapintado de estuque, se é mecânico, já o fato-macaco vem todo emborneado de óleo, se for agricultor, o fato-macaco é acompanhado com umas galochas carregadas de barro. A caraça mais comum é a meia de vidro infiada pela cabeça abaixo, simples ou com gorro. No entanto há bariantes, tais como o general-ciclista.

A casa das meninas em cima dum taipal.

Uma cliente a buer uma "survia". Vai a demosnstrar como se faz, para a repaziada que anda a buer sumol, quando for grande, se deixar disso e ingressar no mundo balente das mines.

Um carro da polícia e as suspeitas a correr atrás dele.

Uma das 432 igrejas da capital.

Restaurante chinês, aproveitando a canzoada pra fazer xim-xau-xung, uma iguaria de grande empanturramento.


Um riquexô caramelo, retirado da cabeça dum empreiteiro.

O pelotão das zundápes e das faméis. Prova-se que o caramelo é poupadinho, pois são as mesmas do ano passado e levam grande estima para serem usadas nos próximos anos.

O único carro alegórico alusivo à CP, todos os anos numa participação aos sss.

Mais uns caramelos bem arreados.

Um olhar final pró cortejo a abalar rua afora. Pró ano, se chover, haverá um cortejo só com rulótes das farturas, carrinhos dos tremoços, atrelados da reforma agrária e meios-bidons em labaredas a distribuir cuirato pelo gintio.

4.2.07

Belarmina Acocorada prepara-se para lançar novo livro

Um dos maiores vultos da cultura caramela contemporânea continua a criar de forma frenética e não pára de nos surpreender com rasgos de puro caramelismo literário dificilmente superável.
A autora encontra-se neste momento incontactável, totalmente debruçada na finalização da sua nova obra, repartindo os seus dias entre as batatas (estamos na época das geadas) e a escrita, que alguém já designou de caramelócompulsiva. De referir que esta vivência quotidiana serve de mote para o título do livro que contém também alguns elementos autobiográficos, importantes para os (cada vez mais) estudiosos da sua valiosa obra. Pensamentos da Geada na Batatataige é então um título a não perder e que pode bem substituir a leitura do Jornal do Pinhal Novo durante uns tempos (que no entanto continua a ser muito útil para acender o meio bidon).
A FLC, sempre atenta à cultura caramela, publica em primeira mão dois novos poemas populares da Ti Balbina Acocorada, que merecem leitura e releitura(s) atenta(s).


Sou repariga e balente

Sou uma repariga da estrada
Bou e benho de matina
De apelido sou Acocorada
Mas pa insinar os outros
Nunca tibe de dar punhada

De manhã dou de buer aos porcos
Ca mim na mapanham descalça
Se me quiserem pricurar
Bão ber dentro dos poços

Ó geada braba e malina
Que aparas a batata pó azeite
Antes o Inverno agreste e balente
Cuma latada da nha prima Mari’ Alfeite

Bou agora cozer grão
E buer um copinho de binho
Gosto de ber telebisão
E óbir aqueles homes lá do Japão.

Nã sou amiga da geada
Na gosto dela nim caiada
se toca na minha batata
dou-lhe com o sacho e cabeçada

tenho mais um libro pronto
mas debo de dizer o seguinte
nã me chamim baidosa
mas escrebo com uma rapidez parba

parece que há tiro lá fora
Já tou a óbir as rajadas
bou buscar a nha flóber
enquanto traço umas queijadas

A bacina da Câmara

Atão na querem lá ber
Querem lá na ber atão
Bão daqui mas ei
Antes quê solte o cão

Bamos à bacina quei de graça
Bamos lá que não ei longe
Já tenho a canzoada e cordel
Mais bale aqui do que im Alpiarça

Os canitos são balentes
Ladrim ladrim mês marotos
Gosto muito de os ber
a buer a água do esgoto

Da bacina gosto pouco
E da bacina da câmara atão nim falar
Mas se me querem bacinar
Olhem que eu cá nã sei ladrar

Ódepois bamos imbora
Bou eu amais a canzoada
Nã sou esperta nim parba
E muito menos caramela ladra

19.1.07

Consultóiro do Dia-a-dia

Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

Pergunta de Olímpia dos Colares, 50 anos, frequentadora da Reforma Agráira.

"Muito bom dia, sou uma mulher casada e com dúbidas. Muitas dúbidas. Bibo no bairro da Sul Ponte e até bou de lambreta à feira do Lau cumprar hortaliças e truces prá nha gaiataige. O problema é que o meu marido quando vem do trabalho, traz-me todos os dias um pacote de bolachas da Compratiba. Algumas mulheres dizem-me “Tas parba ó quê?!! Na comas que pode tar imbenenado”, e que, por causa disso, nunca serei caramela; dizem até que, para ser caramela, tenho é de “papar mas é punhada pu lombo”. Peço então aos especialistas da FLC um esclarecimento: afinal para poder ser caramela tenho de levar punhada do meu marido? E posso ou não comer as bolachas da compratiba?"

Olá querida Olímpia, ainda bem que nos escrabeu pois a sua précura é de grande pertinêiça para os estudos da mulher caramela moderna. A sua questão já foi munto falada im debates-garreia do Taparuere-Caramelo*. Por isso tem sido feita uma imbestigação muito aprofundada pra saber sobre os costumes do acasalamento caramelo ao longo da históira. As únicas referências a respeito dessa prática, são de 1814, no Poceirão, em que os homes brabios davam com as trabessas da linha do cumboio no lombo de suas esposas com o intuito de as acautelar sobre a passaige do cumboio. Mas tudo isso não passa duma lenda, pois só a partir de 1861 é que começou a haber linha na caramelândia. Em toda a históira da bida social feminina, há relatos de punhada, mas isso não pertence à história da bardadeira irmandade caramela.
Oiça lá pois intão.
A entrada abrupta do macho brabio par’dentro do lar e espatar um ensaio de punhada na lombeira da fêmea à frente dos filhos é uma forma de saudação que, segundo estudos arqueológicos (e de acordo com alguns ossos espalhados pu nosso territóiro), pertencem a uma espécie que não é, seguramente, da espécie caramelosapiens que a FLC defende. Esta espécie, ainda da família dos Caramelídeos, é uma das espécies a erradicar da nossa nação e uma das mais perseguidas pelos grupos armados da FLC. Como estatuto social destes estranhos seres, as fêmeas apresentam-se com uma maquilhaige multifacetada, com as beiças todas arrebentadas, dois pedacinhos de trapo enfiados nas ventas e os olhos pardos à precura da cabeça. É de notar que todo o crânio é atado com um lenço para se manter com a sua forma natural. O macho tem um comportamento errático e raramente fala.

Portantos, querida Olímpia, parabéns. Bocemecê é mesmo caramela, não só porque compra hortaliças e truces na feira do Lau, como tamém come bolachas da compratiba oferecidas pelo seu home. São tudo boas práticas no acasalamento caramelo e prá criação em giral.
Já agora só uma olsebaçãozinha: experimente comer tamém fogaças dos círios caramelos, pra inrijecer as gingibes.

Resposta de Adelina Irritadiça.

* São reuniões que se destinam à troca de experiências sobre o uso de alguidares, baldes de pedreiro e bebedoiros prós pintos.

12.1.07

Agenda mensal de acontecimentos culturais da região caramela *
Janeiro de 2007

*Esta agenda pretende colmatar a falta de informação sobre eventos culturais de cariz tipicamente caramelo para a população da caramelândia.
Os eventos aqui divulgados são apenas uma selecção feita pela organização clandestina FLC .


Café-Restaurante Bá Lá Ber (Vale da Vila)

Conversas soltas e leitura dos chispes com Zimbão Cornadura, adivinho e caramelólogo.
Pede-se aos participantes que tenham o cuidado de desincardir os chispes com creolina e cortar as unhas de modo a evitar ferimentos caso esta sessão descambe numa sessão gratuita de punhada (o que não seria de estranhar).

dias 12 e 13 de Janeiro

Baldio da Sede do Sport Club Vale da Vila

Ciclo de monólogos intimistas de Toino das Ideias Parvas
Finalmente, o mais conceituado filósofo caramelo da actualidade resolve mostrar-se ao público, partilhando um pouco os seus complexos pensamentos.
Atoino ficará preso 24h dentro de uma coelhera de pé alto, especialmente concebida para a ocasião pelos Firminos, estando visível a 360 graus. O filósofo divagará sobre o que mais lhe apetecer. O visitante deverá apenas observar em silêncio e contribuir com minis ou grades de minis, para que o nosso pensador não se cale e exteriorize as suas inquietações existêncialistó-caramelas.

dia 19, a partir das 9h

Discoteca A Sela

Grandiosa matiné dançante com a tocadora de ferrinhos Belarmina Pézuda abrilhantada com a apresentação e 1ª actuação do grupo de forcados da Palhota. Este grupo foi recentemente constituído e dedica-se à pega do porco caramelo-mirandês, negando-se a pegar bichos com menos de 300 kgs.

dia 21, 16h

Café Napagas Nada

Sessão livre de punhada, todos os fins de semana deste mês, após o encerramento do establecimento.
Só para homes (nim gaiatos, nim mulheres).


Loja António Brinca (Pinhal Novo)

Sessão de autógrafos com o Rancho Folclórico da Lagoa da Palha e leilão de peças de cozinha da década de 40, pertencentes a Joaquim Lambão, antigo cozinheiro e mestre meio-bidoneiro da Sede da Lagoa da Palha.

dia 23, 16h


Cafe Satélite (Pinhal Novo)


Curso de dança tradicional individual III
Após demorada dormência, que o próprio explicou devido aos elevados consumos de vinho tinto da região, Ti Enxaugado volta de novo ao mundo da criação.
Promove desta vez o terceiro curso de dança tradicional individual aberto a toda a população, em especial aos frequentadores da sua tasca de luxo, o café satélite.
Desta vez, Ti Enxaugado aprofunda a relação entre a dança caramela genuína, o som do fogo rijo e a imagem da gordura nos azulejos por cima da frigideira das bifanas e dos túbaros. Uma relação que promete ser desconcertante e desafiadora para os seus clientes habituais, demasiado habituados a estados de transe alcoólico. Para Ti Enxaugado, o transe alcoólico será “um facilitador criatibo pós homes se desinmerdarem com as parboíces qu’eu inbento na nha cabeça quando bou par casa intornado im tinto (ca bubadera)”.
A não perder, todas as sextas feiras no café satélite (a inscrição nesta formação está condicionada a consumo mínimo obrigatório de 3 litros de tinto/branco ou traçado por sessão).

dias 20 e 21 (inscrições no local)

Café do Ti Texugo (Palhota)

Exposição de kodaks de bicicletas a motor na sala dos matraquilhos por trás das grades vazias.
exposição patente durante todo o mês até haver espaço na sala (se for preciso arrumam-se as grades no quintal).

Sede do Rancho Folclórico de Pinhal Novo


Grandioso almoço convívio dos amigos dos amigos do Rancho.
Sé é amigo destes amigos apareça e prove os nossos famosos chispes de porco com feijoada e assista depois ao baile, impanturrado à parba.
“A porta tá aberta e só fecha quando forim todos par casa e se alguém tiber a chabe”, é o lema destes almoços de cunbíbio no Rancho.

Dia 27 (inscrições no local)

Café Costa Bar (Pinhal Novo)

Pequeno curso de buedores de mines ao balcão. O café Costa Bar promove o primeiro curso de buedores de minis ao balcão. Que braço apoiar no balcão? ; qual a posição das pernas?; qual a melhor postura do corpo?; como adoptar uma posição em que estando virado para a rua me permita virar 180 graus para trás sem perder o equilíbrio ou o lugar? com o que devo acompanhar a minha mine? amendoins ou tremoços?
Foram estas algumas das questões que os frequentadores habituais deste local de culto caramelo colocaram e que deram origem a esta formação.
Nota: a formação será dada pelos próprios frequentadores que partilharão entre si precisosos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos de experiência.
Entrada livre mediante a aquisição de uma grade de mines para consumo durante o curso.

dia 23 e 24, 17h

Coreto do jardim de pinhal novo
1º Grandioso concerto de domingo de marcado

Com este 1º concerto, a banda da SFUA, inaugura um ciclo de concertos que pretendem marcar de novo a importância dos domingos de marcado para a cultura caramela. Assim, todos os domingos de marcado, a banda partirá da porta norte do recinto do marcado numa carrinha de caixa aberta especialmente concebida para o efeito e tocará até chegar ao coreto, onde iniciará um verdadeiro festival de sons caramelos,de encher os ouvidos até mais não. Em cada domingo, haverá um convidado especial, ao qual será proposto um despique-convívio com a banda. Para o primeiro concerto está já assegurada a presença de Belarmino Pançudo (sobrinho de Belarmina Pézuda), conceituado acordeonista que ficou famoso a fazer matinés dançantes na discoteca A Sela.
Entrada livre, para todo o povo caramelo (para todos os que possuírem comprovativo de terem ido ó marcado).

Domingo de marcado, dia 14

30.12.06

Previsões caramelas para o ano 2007

Previsões feitas pelo adivinho e caramelólogo, Zimbão Cornadura, escondido na
Benda do Alcaide.


"O ano de 2007 será um ano de altos e baixos cum cambalhotas repentinas de 360 graus, assim como abanços e arrecuos caté parece um carrocel da Feira de Maio.

Na área da saúde, o ano de 2007, pauta-se cum grandes abanços. A espera nocturna pró atendimento no Posto de Saúde do Pinhal Nobo é reduzida cerca de cinco minutos (prevê-se que o primeiro reformado chegue às 03:20h, e não às 03:15h). Há uma procura considerábel de pomadas caramelas feitas por alguns reformados mais intigos. No giral, o abanço da medicina caramela bai melhorar no que respeita à troca de informação sobre paradeiro dos melhores mezinhólogos e apalpadores da nação. Haberá tamém um desimbolbimento do diagnóstico e do receituário oral, como por exemples: “Isso é gosma de cão. Se chirares bapores de folha de eucalitro, isso passa.”

Na área urbana bai notar-se um acentuado aumento de apartamentos bazios, ao desbarato, nos bairros mais intigos e uma procura de novos apartamentos de plástico (cum palmeiras e rotundas) nos bairros nobos que ainda só têm os candeeiros.

Na área financeira haberá um aumento parbo do consumo de baldes de plástico, toalhas de bidé e truces, deribado às lojas dos chineses.

As cores predominantes ao longo do ano serão, como sempre, o tinto e o amarelo-espuma a sair do gargalo.

Na alimentação, a maçã riscadinha continua a ser parte da dieta, sem contar com um belo coirato e intarmiada, im cima duma terrina de sopa caramela.

No Imberno, a FLC defenderá a pátria juntando todas as forças caramelas contra os bendabais e inchentes, colocando um sentinela a controlar o caudal da Vala da Salgueirinha. No entanto a geada do Lau ficará tão ruim caté queima o escalracho mais brabio… mas ninguém pode fazer nada contra esta araige!

No Berão, no pico do calor, é momento dos grandes incêndios e todos debem tar atentos às labaredas do meio-bidom e contar com os repuchos e mangueiradas dos Bombeiros do Pinhal Nobo e Áugas de Moura.

A bida afectiba do casal caramelo bai ficar mais quente e sadia, deribado à nobela Coiratos cum Açorda que bai ficar cada bez mais parba e interessante.

Ao longo de todo o ano a FLC ajudará toda a caramelaige a que fique bem atenta e preparada para se definder das forças palmelonas e das maniazinhas globalizadoras. Em 2007, todos taremos mai força cultural para sermos melhor comprindidos e não ficarmos repezos de sermos uma potência brabia única no mundo.
Enfim, muito se poderia dizer o que bai acuntecer pró ano mas ficam aqui as nhas despedidas e bom ano de 2007.

Zimbão José da Cornadura

24.12.06

Mensaige de Natal

(mensaige solene do Presidente das Forças Brabias da FLC, actualmente em parte incerta)

É Natal, é hora de empanturramento. Comemoramos hoije mais um dia de empanturramento colectibo caté a moçada arrota com tanta fartura. Mas é preciso não esquecer que não bale biber só dos sonhos que têm na maniazinha. Não! Hã? É parciso amandar fuguetaige pra acordar o mundo e mostrar que samos um pobo marabilhoso, com orgulho de ser caramelo, honesto, trabalhador e acima de tudo brabio. Por isso, em cada estardalhaço nos nossos obidos há que lembrar que é importante biber esse momento, tal qual ele é. Não é por acaso que samos uma potência mundial a nibel do musgo-presepiano e a níbel do pinheiro de natal com algodão.
Portanto do Pinhal Nobo à Atalaia, da Marateca à Cascalheira, da Benda do Alcaide aos Brejos do Assa, de lés a lés, não se esqueçam de ser felizes e de atirar umas iscas prá canzoada.

Feliz Natal.

22.12.06

Teste aos agasalhos caramelos II

Tá aí uma rijeza parba caté os patos ganham medo às poças d’áuga… momento exacto em que autoridades da FLC bão à precura de mais um agasalho caramelo para testar a sua qualidade.

Após curta precura no Poceirão, os nossos agentes deram logo com um berdadeiro achado do nosso agasalhamento: duas duizas de garrafas “S. Filipe” a meterem-se cagente.
Sem mais cumbersa, passemos intão ao relatóiro de testes deste material.

Relatóiro

Local da experiência: Armazém de hortaliças do Emílio Ratazana, Poceirão.

Técnicos especializados pra olserbar se o material é de qualidade: maltezaria encartada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho ao serbiço do aquecimento da nação;

Outros olserbadores: um casal de caramelos tirado ao acaso, dentro da mercearia do Emílio.

Materiais: duas duizas de garrafas de tinto da marca “S. Filipe”; um tema de cumbersa “eu sou soiço da SFUA há mais anos do que tu descontas prá caixa”; carteiras com cartões e fotografias das famílias pra probar a veracidade da cumbersa; 6 copos; um bolo-rei (a fruta cristalizada é pra dar à canzoada que anda por li a chirar); 7 caixotes de hortaliça birados ò cuntrairo, pra assentos e menza; um alguidar de filhozes.


Ocorrência nº 1


São 23:40h, uma duiza de garrafas ainda está cheia e as olserbações são bastante positibas em relação ao aquecimento. Berifica-se uma boa progressão no calor do armazém. A cumbersa, no ponto “dois casais de patos com uma pata coxa quantas patas são?”, gera pensamento sobre pensamento.

Ocorrência nº 2


São 03:25h, apenas uma garrafa está por encetar. Dois técnicos estão bastante sastesfeitos com os resultados e a cumbersa sobre acidentes rodobiários está no ponto “já labrei mai' chão com a nha zundape do có que tu com o teu tractor a bida toda” e faz-se um calor caté tá tudo suado e brabio. Todos despem as camisas violentamente e procuram cicatrizes, entorces e caroços deribados das suas bcicletes a motor.


Ocorrência nº 3


São 03:48h, hora do teste final. O casal caramelo está ao rubro e não aguenta mais o calor. Todos se amontam nas suas Fameis, só com os truces (a mulher leva apenas o avental), e partem do Poceirão com destino ao Terrim. Segundo relatos dos bombeiros, foram encontrados deitados dentro das erbas perto da Palhota. A mulher mostrava a boca cheia de cieiro e os restantes técnicos tinham a língua um bocadinho encortiçada.



Conclusão
Na nossa escala, O blusão de cabedal “S.Filipe” rebelou-se um perfeito agasalho prá rjeza caramela. Se os nossos técnicos tibessem chegado ó Terrim, o produto teria lebado nota máxima, no entanto o "S. Filipe" está classificado como material de grande qualidade, podendo no entanto provocar um bocadinho cieiro às mulheres e uns efeitos secundáiros nos homes brabios conforme vem no rótulo.