27.2.08

Grande entrevista

A FLC volta ao formato da grande entrevista, desta vez com Júlio Desinçaimado, o ultimo faz-tudo caramelo

O sol começava a abandonar a bela planicíe caramela. Lá á frente, as luzes do “Anda cá mais eu”, o mais famoso café da Fonte da Vaca, já estavam acesas e brilhavam no óleo do asfalto, sinal de despiques recentes. Era aqui que tínhamos encontro marcado com Ti Júlio Desinçaimado, o último representante dos dignos faz-tudo caramelos, uma espécie de homes já em extinção.
Falar de Júlio Disinçaimado é falar de alguém que não se lembra de nada mais do que sempre ter sido como foi. Este é um homem que nunca comprou nada na vida: “só duas ó três bezes na Raforma Agraira no Pinhal Nobo, quando a nha bomba de rega cunstruída cum molas de roupa de madera e alfinetes de prega se abariou”. Já teve estabelecimento aberto na capital, na antiga rua das peixarias, e chegavam clientes de todo o vasto território caramelo, “aquilo era um ber se te abias, traziam tudo pa arranjar: ratoeras pás arganáças, desintupidores de retretes abariadas, flóberes desingatelhadas, cagatórios à antiga portuguesa, daqueles que um home se tinha de pôr de cócoras, ê sei lá, home, os caramelos têm de tudo párranjar”. A profissão aprendeu-a com o seu avô, Balbino Orelhudo, mais conhecido como o Desinçaimado, o famoso inventor do desorbalhador (produto que tira o orbalho das batatas com um mecanismo colocado num barril de madeira). Júlio, fala do seu avô com orgulho, como um mestre que lhe ensinou a difícil arte de tudo fazer. Nim o mê abô nim o mê pai, cumprabam nada, fui habituado a inbentar tudo e a saber arranjar tudo, “par mim éi tão fácil arrinjar um guarda-chuba daqueles do marcado, como desmuntar o motor da nha Sachs, todo desatarachado ódepois de um despique brabio, daqueles im que eu participaba aquando era um gaiato aparbalhado. Par mim tem tudo a mesmo segredo, o home quando monta as coisas, qualquer coisa, usa as mesmas regras. Par mim ei o mesmo: fazer uma sopa de batatas caramelas ó muntar uma antena feita de canos de flóber no telhado para apanhar a rádio antena caramela”.
Do café “Anda Cá Mais Eu” até à sua casa é saudado por todos com respeito e a maior parte deles ainda lhe pede para arranjar coisas, mesmo ali à pressa. A ti Balentina da Pata Larga, traz um desodorizante que “dixou de dar chero, beja lá ó Ti Desinçaimado, o que pode fazer!”, o gaiato do Manel da Pança, traz um tira-olhos-às-rãs que foi o próprio Desinçaimado que inventou, mas que de tanto uso já não funciona. O Julinho do Intulho, bem pedir-lhe uma “máquena que faça desaparecer o intulho”.É com dificuldade que conseguimos percorrer o curto caminho até casa do nosso faz-tudo, que nos conta que “bolta e meia tenho de andar à bardoada ali fora, porque eles pinsam que eu tenho de lhes fazer tudo, se dou uma galheta num gaiato, ódepois bem o pai e às bezes dá bardoada da rija, mas nã mimporto, par mi atei ei bom, porque praciso de me mexer e umas cabeçadas pus quexos dos outros fazim-me bem, desinçaimam-me”. Mas o que nos trouxe aqui, foi “uma espeice de último desejo!”. Júlio Desinçaimado, quer construir o primeiro avião totalmente de fabrico caramelo. No seu quintal, já se pode ver o projecto a tomar forma: “a chaparia, tou a montar com os meios bidons que fui recolhendo, os bancos bou fazê-los com grades de mines derretidas e tenho na mania que isto bai boar pelos céus da caramelândia ca belocidade da pardalaige a fugirim desóstinados depois da foguetaige da festa da Atalaia!”.
Mas sobre isto, falaremos na próxima entrevista a Júlio Desinçaimado, o ultimo faz-tudo caramelo, uma espécie de homes brabios em extinção, que interessa preservar.

19.2.08

Episoide 1297 de Cuiratos cum Açorda

Mais um episoide importante da nobela totalmente falada em caramelo e produzida a partir das nossas intenas pra todo o territóiro.

É dia de casamento, Vanessa da Tatuaige no Rego e o Zei das Casmarras bão ajuntar-se um mais o outro. Este casamento é a maior produção de sempre da telebisão caramela e nada ficou ao acaso. A quantidade de figurantes foi tal que a FLC teve que ir buscar sete carradas de caramelos à Marateca e outras tantas à Jardia.

O dia escolhido é um dia de chuvada, para se parecer com o dilúbio, em que o Pinhal Nobo fica totalmente alagado com as águas da Vala da Salgueirinha e que toda a gente se prepara pra fazer a Arca de Noé Caramela (um assunto a tratar num próximo episóido).

Tá tudo preparado para o grande ebento no adro da Igreja da capital. As arrãs que vêm de dentro do buraco fundo da estação já chegam às bordas do Jardim José Mª dos Santos. Os caramelos, bronzeados até meio da testa, apresentam-se de fato com colete, sapatos de berloques enterrados em água até aos tornozelos, mas sabe-se (dos episoidos anteriores) que foram engraxados com graxa Búfalo (por ser uma graxa brabia resistente às águas alagadiças), e o cabelo pintiado com um risquinho ao lado amais a patilha até à bochecha.

As reparigas, de grandes caracóis e popas, usam longos bestidos decotados pra mostrar a peitaça cheia de colares e cruzes. Têm a cara toda pintada com cores vivas, inspiradas nos carrosséis da Feira de Maio. Trazim saltos altos brabios, cumprados no Marcado do Pinhal Nobo, pra não descolarem a sola quando infiados debaixo d’água. Na mala de entulho, lebam um lenço bordado prá ranheira, um desodorizante, um rolo de papel higiénico, pensos, e um par de chinelos pra quando os sapatos nobos tiberem a morder nos pés.

Venãiça, disfarçou a verruga com pó de arroz mas não esconde que está nerbosa ao lado de Chispalhudo que nã pára de cumbersar sobre o estado actual das finanças locais e dos alagamentos da Bala da Salgueirinha.

O transístor-megafone da igreja, é ligado e começa a marcha nupcial. Chispalhudo leva a neta pelo braço, pra junto do Zei das Casmarras que a espera no altar.

Entretanto,
no Poceirão, à porta do café Eu mais tu, Zeferino dos Chumaços intigo namorado de Vanessa, mete um Euro na máquina de ovos sortidos e… sai-lhe um gancho pró cabelo.
Entretanto,
nas Lagameças, a canzoada gane com a água pelo pêto, por os donos terem ido ao casamento e não os terem levado.

De volta à igreja:

- …juntos par sempre, quer na soalheira quer na giada, quer na inundação? – pargunta o pároco.
- Sim. – responde Zei.
O pároco continua:
- E tu, Vanessa da Tatuaige no Rego, aceitas biber com o Zei das Casmarras quer na soalheira quer na giada, quer no dilúbio, quer no sossego quer no pandemóino, quer no arroto e na budeira, e tás preparada pra bersuntar ele de óilo quando ele tiber o bucho birado e presentear ele cum fatias d’ovo quando ele tiber esfomeado às 4 da manhã?
- O quêim??!!

Todos os cumbidados ficam desostinados com uma pargunta tão cumprida e aparbalhada. Até o espectador normal ficou cheio de gasearia com tanta palabra e suspence caramelo, por isso…


Não percas o próximo episoide, se não tamém ficas banhada no dilúvio das águas da Vala da Salgueirinha, e ficas cheia de gases.

5.2.08

FLC saúda o Carnaval dos Amigos de Baco

O Ministério do Turismo Caramelo esteve reunido toda a noite com alguns dos altos representantes clandestinos da FLC, em local secreto da capital caramela, Pinhal Novo. Assunto: O desfile de Carnaval. Desta reunião resultou a seguinte opinião colectiva (apenas dois votos contra que com duas punhadas se tornaram abstenções mais pacíficas): Apoio incondicional ao desfile, condicionado às recomendações de livre exibição dos populares que mostrem o desejo de se manifestarem de forma carnavalesca-caramela, quer através da utilização de indumentária folclórica da nossa região, quer através da utilização de objectos e artefactos que mostrem aos forasteiro visitante a alma e a brabeza do homos caramelus, que “nim no caranabal dexa de ser selbaijamente o quei!”.
Impenhemo-nos todos im dignificar o carnabal, não o imparbalhando com misturas que nada têm a ber com o bardadero carnabal dos caramelos!.

4.2.08

Desfile de carnaval

Deribado às pressões do Ministério de Turismo Caramelo e às diligências da FLC o desfile foi quase totalmente caramelo. As imaiges que se seguem mostram como é que se faz um berdadeiro carnabal.





Aconselhados pela organização do Lisboa-Dakar, a FLC e as forças de Baco, mudaram o trajecto do rali carnavalesco, mesmo assim não se safou do terrorismo caramelo com balões de água.





Im bez do home dos balões, este ano apareceu (a desbrabar terreno) o carro da GNR e, a escoltar ele, uma matrafona com uma mine nas mãos.





O estandarte im setim do Grupo Carnavalesco "Amigos de Baco" . Parece demasiado limpo, umas nódoas de tinto dabam credibilidade à instituição.



Houve uma grande influência da Reforma Agrária, com os produtos hortícolas. Nesta carrinha de caixa aberta, faz uma autêntica alegoria à coelhaige.

Aqui, a FLC tinha proposto uma alusão ao escaravelho da batata, mas acabou por ser à joaninha. Tá bem! Vá lá.

O tractor agrícola como principal protagonista da festa. A alusão pura às nossas origes.



A apicultura e o mel sobre uma Toiota Dina de caixa aberta, dois icones caramelos.



O único som berdadeiramente caramelo. A FLC bem tenta libertar toda a caramelândia da brasileiraige, mas há quem insista em incher os óbidos cum samba. Batuques da Bardoada e dos ranchos é que éi.




Um tractor com ciganaige. Aqui podemos ber um cigano a binder CDs à maltesaria olserbadora do rali. Um elemento da FLC comprou um CD a eles e confirmou que é uma cópia genuina e não essa balhana de coisas originais.


A ciganaige, a tenda, a Toiota Dina de caixa aberta e a dança.




A segunda carrinha da ciganaige a binder trapos, e a GNR a tentar dar conta da ocorrêiça. Olserbim a pistola pronta a disparar prá nalga do guarda...
GNR a correr atrás da ciganaige: uma rábula muito comum no imaginário caramelo.

Uma alusão á pecuaira, às largadas e à toirada, tudo junto. A caramelaige nunca esquece o que é importante.



ASAI e os seus efeitos devastadores no mundo caramelo.


Ora aqui está um bom exemplo dos recursos naturais. Um autêntico farol, único no mundo, com materiais biodegradábeis.

Bamos andando e bamos comendo. Um exemplo multifunções e uma prova de que o caramelo nunca está parado. Para ele o mundo está sempre a abançar.Um engarrafamento de bcicletes a motor alegóricas.

Uma FórTransit de caixa aberta com o "Futuro dos Portugueses". O que bale é que a Caramelândia está em vias de autodeterminação (graças à FLC), e espera-se um futuro grandioso, com pudaleiras e com FórTransites mas chiinho de coirato, pão e mines.

A fase das motarizadas de grande catigoria.


Uma alegoria minimalista, um marco na cultura caramelo-carnavalesca.

Um momento para dar água ó carrito que o fumo não era fictício, era mesmo o motor a gripar. Estas máquinas estão preparadas para esgrabatar por esses aceiros afora e engasgam-se quando andam muito devagar.

Cá vai ele com toda uma série de artefactos encontrados na berma da estrada entre Bal da Bila e Pinhal Nobo.


Como o caramelo guarda a sua caramela só pra si (não é como a brasileiraige que poim as mulheres a fumar à frente de toda a gente), prefere comprar um par de nalgas ós chineses e metê-los ele próprio, pra dar um certo brilho feminino ao rali carnabalesco.


Mais uma bez uma alusão ao comboio caramelo. A evolução da engenharia de uns anos para os outros é avassaladora. Este comboio da 5ª geração, está tão sofisticado que foram precisas duas códaques pra mostrar tal complexidade.

Esta é a segunda parte do comboio tecnológico, com uma cama de rede. Os brasucas não apanham disto assim, tão genuíno, com esta qualidade.

Um panorama das carecas locais.


Uma das sedes ambulantes da FLC, a distribuir cultura em forma de farturas.


Um panorama de todos os agentes da FLC disfarçados de populaça, a ber a cabalaige de encerramento do rali Avenida da Liberdade-Parque José Mª dos Santos.

Um Carnabal único no mundo, porque se torna cada bez mais berdadeiro e sem influêinças dos abiões que só trazim CDs parbos do Brasil.

Para o ano, o caramelo bai fazer o carnabal só com erbas prós coelhos, pra mostrar ó mundo como é que éi.

22.1.08

O aeroporto e os construtores civis

Deribado às cumbersas do aeroporto, a Rádio Antena Caramela (instituição com alvará passado pela FLC), foi para o terreno fazer umas intrebistas e imbestigações, especialmente dedicadas aos construtores civis, empreiteiros e seus comparsas.
Para dar total credibilidade e imparcialidade a este trabalho, a Rádio combidou os melhores caramelólogos da FLC, que contribuíram com preciosas orientações. Assim, se não fossem eles, os nossos repórteres nunca seriam capazes de encontrar um construtor civil. Mas, com os caramelólogos da FLC, fartos de saber que o habitat natural dum construtor civil é dentro dum banco, foi num instantinho que se encontrou um belo exemplar…

Intrebista:

Repórter: Atão diga-me lá o que é que aicha do novo aeroporto aqui em territóiro caramelo?
Construtor civil: Eu? Ahrggg Ah ah ah ah!!!!....
O homem ficou tão nerboso e cuntente, tão cuntente, tão cuntente, que começou a dar pulos e grunhidos por esses ares, ópois começou a estrabuchar até lhe dar um xelique e desmaiar no meio da rua (sem deslargar a sua malinha da mão). Os nossos caramelólogos, habituados a lidar com estas aflições, infiaram-lhe logo com quatro punhadas nas bentas e um copo de água fria, pra o home não ingulir a língua. Ópois tentámos tirar-lhe a malinha da mão (pró home estrabuchar mais à bontade), mas ninguém conseguiu abrir-lhe a mão, nem com um pé-de-cabra! A malinha só foi tirada com a ajuda duma moto-serra que lhe cortou a asa. O objecto está agora em segurança nas mãos das autoridades da FLC.*

Retomada a normalidade, e com receio de voltar a repetir-se o incidente com outros construtores civis, preferimos fazer uma reportaige de imbestigação e sem intrebistas parbas.
Dessa maneira fomos descobrir coias por i.

Descobrimos que nestes últimos dias tem havido um grande fluxo de imigração construtores civis para a nossa nação, vindos de toda a parte lusitana. As tensões entre os construtores caramelos e os construtores invasores aumentaram a venda de canzoada rosnadora. Berificámos tamém que os anúncios dos placares do Pingo Doce aumentaram 200% ; do Intermarché aumentaram 350%; do Minipreço aumentaram 400%, sem falar das Compratibas que aumentaram 1800% e até já houve garreia por os anúncios estarem encavalitados uns nos outros.

E o que é que esses anúncios dizem?
A FLC apresenta aqui alguns retirados ao acaso:

***

"Construtor civil, vindo do Estoril, procura alguém quem dê aulas de caramelo, para poder falar amistosamente com proprietários de terrenos da Venda do Alcaide, Lau e Vale da Vila. Urgente. Boa remuneração."

***

"Filho de construtor civil, 28 anos, bom rapaz, caseirinho (gosta muito de ver televisão), capaz de levar o saco do lixo ao contentor, pretende casar com caramela proprietária de propriedade urbanizável. Oferece-se fortuna incalculável."

***

"Ofereço um palmeiral completo com sistema de rega automática (cerca de oito avenidas, e mais 50 palmeiras de reserva para substituir as que vão morrendo), a quem conseguir urbanizar uma herdade 50 hectares nas Lagameças para construir um bairro de arranha-céus. Oportunidade única."

***
"Restaurante “A Gamela” oferece espaço para encontros e casóiros. Recebemos filhas de construtores civis para casar com filhos de autarcas e grandes senhores da região. Sigilo completo, azeitonas à descrição."

***
"Empreiteiro, homem sério, derruba todo o tipo de casas, postes, pontes, árvores, barracas, tudo. Derrubo tudo o que tiver de pé e faço o entulho desaparecer. Bom preço."

***
"Excursões de tractor agrícola, a passar rente a terrenos e propriedades pra olserbar. Viaiges só pra construtores. Conheço meio mundo e tá tudo à benda. Contacto: Armando do Tractor."

***
"Sou o Toino Cimentício, bendo batoneiras de todos os tamanhos pra fazer cimento. Grandes, muito grandes e de tamanho parbo. Bom negóiço. Vendo tamém grabilha à carrada."

***
"Compadre de autarca (e amigo de vereadores) oferece influência para alterar o P.D.M. Só para construtores civis à escala de Hong Kong ou Nova Iorque. Assunto sério e transparente."
***
"Era pra dzer aqui, que nã bendo o meu terreno a ninguém, por dinheiro nhum. Tou bem adonde tou, gosto da nha casita, do meu pombal e a nha horta ninguém ma tira. Nã quero binder nada a ninguém e pronto. Jquim da Horta."

E é com estes anúncios, espatados nos placares, que ficou feita a nossa reportaige.

* Se alguém encontrar por i um home feito parbo com uma asa na mão, digam pra contactar a FLC.

17.1.08

Airoporto pra quê

A Rádio Antena Caramela, a pedido a FLC, foi prá rua fazer intrebistas à população, pra saber se afinal quer ou não quer o airoporto aqui no nosso territóiro.

1ª Intrebista a Xico Electrocutado que tava a apanhar ovos de cegonha num poste de alta tensão em Rio Frio.

Rádio Antena Caramela: Boa tarde, desça lá aí do poste e diga lá aqui ó microfone o que é que acha do novo aeroporto na caramelândia?
Xico E. – Hã?!!
R.A.C. – Diga lá o que é qu…
Xico – Digo pois. Digo que nã quero cá abiões aqui a zunir ós meus óbidos. A araige caramela foi feita prá passaraige, prós pombos, prás cigonhas e prás nubens.
R.A.C. – Quer dizer então que está contra o aeroporto?
Xico – Hã?!!
R.A.C.- Quer dizer então qu…
Xico – Prás moscas tamém, prás abelhas, e prá passaraige im giral. Abiões? Eles que bánham zunir lá prá terra deles.
R.A.C. - Quer dizer então que está contra o aeroporto?
Xico – Hã?!!
R.A.C.- Quer dizer então qu…
Xico – Airoporto? Ninguém disse que tava contra o airoporto? Obiu a mim dzer que taba contra o airoporto?
R.A.C. – Não.
XIco- Atão porque é que tá praí a dzer que eu tou contra o airoporto? Hã?...
R.A.C. – Bem, como estava a dizer que…
Xico – Hã?!!
R.A.C .– Como estava a dizer qu…
Xico – O que eu disse é que nã quero cá os abiões armados im papo-secos a aboar aqui por cima da cabeça. São logo corridos à padrada.
R.A.C. – Mas não acha que o aeroporto vem melhorar a nação Caramela?
Xico – Hã?!!
R.A.C. – Não acha qu…
Xico – Eu nã disse isso.
R.A.C. - …
Xico – O que eu disse é que aicho o airoporto de grande importâiça prá nossa nação. E já debia tar feito. É um grande abanço aqui prá bizinhança e arredores.
R.A.C. – Nesse caso é a favor do aeroorto?
Xico – Hã?!!
R.A.C. – Nesse caso é a..
Xico – Pois é ebidente que sim! Eu já disse ali no clube e bolto a dzer aqui: já tenho guardado um granda galo pra oferecer à maltezaria do airoporto. Mas só quando aquilo tiber acabado, antes disso não o papam.
R.A.C. – Não percebo! Bocemecê é a favor do aeroporto mas os aviões …
Xico – Hã?!!!
R.A.C. – Quer dizer que é a favor do …
Xico – O airoporto é uma coisa, abiões é outra. Nã bê a diferença, ó quê?
R.A.C. - …
Xico – Hã?!!
R.A.C. - …
Xico – Não é a mesma coisa! Sabe o que é a mesma coisa?
R.A.C. – Não.
Xico - A mesma coisa é bocemecê meter os dois dedos no cu, ópois cheira um e cheira outro, e é a mesma coisa. Isso é que é a mesma coisa. Agora airoporto não é a mesma coisa. Abiões é que é outra coisa. Certo?
R.A.C. – Certo.
Xico – Hã?!!!
R.A.C. – Certo, pois.
Xico – O airoporto é bom pró dimbolbimento da Caramelândia pois a malezaria pode ir lá passear aos domingos. O Marcado do Pinhal Novo bai ocupar a pista toda e bai ser o maior Marcado minsal do mundo. As lojas bão binder binho e até podemos fazer tiro ós pratos. Podemos fazer corridas de Zundápes contra Lambretas amais uma partidinha de futebol. Atão nã é bom?
R.A.C. – E os aviões?
Xico – Hã?!!!
R.A.C. – E os …
Xico – Lá tá bocemecê com os abiões! Os abiões que bánham lá prá terra deles. Já disse. É o que eu penso e agora bá chatiar outro.


Não percam as próximas entrevistas pra saber o que querem os caramelos do aeroporto.

15.1.08

A FLC ao serviço do povo caramelo

Unidade Móvel de desemparbalhamento popular


A FLC em colaboração com o Ministério dos Assuntos Sociais Caramelos, vai disponibilizar à população caramela a primeira unidade móvel de desemparbalhamento popular.
Este serviço consistirá numa toyota Dina de caixa aberta, especialmente quitada e adaptada (um agradecimento aos firminos do ferro) que circulará pelas planícies da caramelândia distribuindo informação e respondendo às mais diversas dúbidas do bom povo caramelo. Em funcionamento desde o dia 1 de Janeiro, tem sido um sucesso e uma ajuda permanente no quotidiano brabio e rude do home e da mulher da nossa zona.
Com uma equipa de duas pessoas, o chófer Albino Pezudo e o ajudante-especialista-em-tudo Estanislau Bombista (primo do Celestino Bombista, responsável pelo comité olímpico caramelo), têm ajudado “em um pouco de tudo, por exemplo quais são as nobidades e os saldos na Loja do Toino Brinca, na capital, ó atão por bezes as pessoas tambim querem saber quem andou à punhada no ultimo marcado”.
Alguns também consideram este serviço um verdadeiro apoio à agrícola local, pois também é frequente perguntas em relação à brabeza (intensidade) da geada, como tratar das autorizações para vender na reforma agrária, ó quanto ao aproveitamento do oile da motorizada para combater o míldio da ingrícula. Por vezes, fazem também serbiços de intrega ao domicílio de produtos que só existem na capital e que dificilmente chegariam a certos locais do país caramelo e até já chegaram a lebar canzoada à bacina da câmara. Por tudo isto, “quando bemos a toyota Dina abançar ao longe, eu amais o mê Juile damos pulos de alegria, e ele por bezes até bai buscar a caçadera e dá uns tiros pó ar. Ódepois, bem todos bê-los e até os inchemos de intulho com as nossas parguntas”, referiu Zulmira Pombalistica, moradora da Palhota.
O resultado esse tá à óbista (óbidos mais bista) de todos: “acho ca gente se sintimos menos aparbalhados, um bim haja a esses homes e à FLC”, referiram algumas das pessoas por onde passámos, à boleia do serbiço móvel de desinparbalhamento popular.

7.1.08

UNESCO prepara-se para incluir a cultura caramela na lista das culturas a defender e preservar no mundo

A cultura caramela prepara-se para ser reconhecida internacionalmente, passando a fazer parte da lista dos povos minoritários, reconhecidos pela UNESCO devido à sua história, cultura e importância na diversidade cultural humana.
Para tal, após visita secreta de António Guterres - Alto comissário das Nações Unidas para os refugiados- à Caramelândia, basta apenas que seja enviada alguns livros e cd's em idioma caramelo*, para que a existência deste idioma seja comprovado junto de algumas entidades. António Guterres, andou camuflado de vendedor da reforma agrária, tendo adquirido toda a indumentária necessária para tal na Loja do Toino Brinca. A FLC cedeu-lhe uma motorizada Famel com chófer e “três jerricans de gasólio para circular à buntade pela nossa bela nação. Cuidim bem do home!”, disse Jerónimo Açaimado, actual ministro dos assuntos estrangeiros da caramelândia. Toino Guterres visitou a Reforma Agrária, o mercado mensal, a loja do Toino Brinca, e todas as povoações à volta da capital, bem como as instalações secretas da FLC.
Ficou maravilhado com o que viu e disse (em conferência de imprensa semi-secreta na Palhota, no café O Pôr do Sol Caramelo) sentir-se envergonhado por ainda não ter tomado nenhuma medida protectora em relação a este “povo nobre e de grande orgulho identitário”, ao qual alguns dos presentes responderam: “bócês quando são prasidentes tên na maniazinha que são párbos, mas aqui ca gente comem mas ei merda de porco caramelo!”.
No final, o alto comissário, teve ainda tempo para trocar palavras com o mais destacado pensador em língua caramela da actualidade, Toino das Ideias Parbas, o qual o impressionou bastante pela “agudeza e contemporaneidade límpida do pensamento verbal”. Após Guterres ter proferido estas palavras, Toino das Ideias Parbas julgou que o home o taba a insultar e quis jogar-se a ele segurando no gargalo de uma mine, que havia partido no balcão do café. Este triste incidente foi rapidamente abafado e após explicações, saíram todos com um sorriso nos quechos. A visita terminou com uma passagem-almoço pela Atalaia, onde Guterres teve oportunidade de ser brindado com uma grandiosa foguetaige rija, organizada pelos Círios, caté andou parbo. Teve também a honra de ser considerado cidadão honorário da Atalaia, lançando um mortero de cima de uma carrinha de caixa aberta, com um cigarrinho acesso ao canto da boca, enquanto a equipa do Talau musicava o momento.
Resumindo, “epá, achamos que o home foi maravilhado cum a nossa cultura, inda lebou umas garrafas de tinto do Cajó e uns quejos do Ti Chico Obelhero e amais umas nabalhitas, daquelas que eram bendidadas na cantina da antiga estação da C.P. Bamos esparar agora que os homes digam qualquer coisa, pa isto ir pá frente, senão organizamos uma excursão i bamos lá ter cum eles a uma terra chamada Bruxelas, comás cobes”, referiu Jerónimo Açaimado, visivelmente eufórico e embebido em médias na Sede da Palhota, já a noite caramela ia mais alta que o depósito da água da estação.
A FLC apoia O POVO CARAMELO e a sua luta pela AUTODETERMINAÇÃO.

*O livro seleccionado para representar a nossa cultura será "Poesia com chispes de Luz" de Ti Balbina Acorada e o cd será "Talau e seus Muchachos" dos Círios da Carregueira.

29.12.07

MINE: O PODER DA CONVICÇÃO CARAMELA

(cuntinuação da cuntinuação da cutinuação do consultóiro do dia-a-dia)



Como távamos a dzer, intigamente o binho era o centro do mundo caramelo, mas a grande mudança estaba pra chigar.

A maior rebolução do mundo caramelo está relacionada com a chigada da primera mine ao nosso territóiro: um berdadeiro marco histórico.
Segundo cartas intigas, sabe-se que a primera mine foi incuntrada numa curva, na Marateca, no Verão de 1953. Não se sabendo o que era aquilo, o objecto fez reunir toda a população local pra um debate-garreia:
- Isso é uma granada da PIDE. – disse um maluco fanhoso com a boca ó lado.
- Não é nada. Isto é uma mina dos Nazis. - disse um GNR a agitar um chicote.
- Mina?!!! Ah ah, isto é mas é uma MINE! – disse um gaiato parbo com um monco pindurado no nariz.
- É uma QUÊIM?? – précuraram todos numa só bóz.
- É uma MINE, óóhh!!!! – gritou o gaiato parbo que apanhou logo com uma cajadada pelas fuças caté o monco saltou pró pasto.
- Tu bai-te mazé já imbora daqui q’isto nã é pra gaiataige…
- Bamos abrir ela. – dsseram todos im balbúrdia.
- Xôôôô tudo daqui pra fora. - disse outro GNR a descer do cavalo - Bá lá bá lá, recolha obrigatóira e passem pra cá a mine. Bamos confiscar ela.
Entretanto a mine desapareceu na balbúrdia e tornou-se um objecto de culto, clandestino. Três dias depois, já em Águas de Moura, foi engenhosamente atada com um baraço e aberta com a força duma parelha de mulas. Com a elevada agitação, amais o pico do calor, a mine transformou-se em espuma e molhou as caras bronzeadas mais próximas.
- Afinal isto é um extintor! – disse um que estava a fumar um cigarrinho definitivo.

A agitação durou sete dias e sete noites e, quando se pensava que o assunto estava esquecido, foi encontrada uma grade cheia de mines à sombra duma carroça dum cigano. Era o fim do mundo! Um mês depois foi visto um camião cheio de grades a caminho da Atalaia e no Verão seguinte já o povo caramelo estava rindido ao infinito das mines.

"O mundo romântico das adegas - e das argolas de tinto, desenhadas pelos copos - começou a desaparecer e deu lugar ao mundo neo-gaseificado da mine." (Podia-se ler no, já extinto, jornal "O Acendalha")


Esta buida que faz arrotar, fez nascer novos hábitos na sociedade caramela. Começaram as constantes reuniões à volta do meio-bidom adonde, com a ajuda de muitas mines, se tenta tirar ideias de dentro das cabeças para desvendar o segredo do equilíbrio e do infinito. Perguntas como “O que é que está para lá da última mine?”;... “Haberá bida para além da mine? Haberá pinsamento?”;... “E quem tem uma mine tem tudo? E quem nã tem mine nã tem nada?” ;... “E sem mines adonde é que está assunto pra um home falar uma noite inteira, comé que éi?”;... “Sem mines pode existir alguém que consiga óbir um caramelo das cinco da tarde até às cinco da manhã? Hã?”;... “E os tramoços? Adonde é que estão os tramoços?".... Muito se tem dito, mas ninguém sabe.

O mino-centrismo (teoria científica em que o mundo gira à volta das mines), está hoije perfeitamente implantada na nossa sociedade tornando uma cultura única no mundo. A teoria defende que cada mine provoca o aquecimento da alma e ilumina a razão de todas as coisas. É a fonte de inspiração, a substância do progresso e, principalmente, o poder da convicção caramela.
Por todo o nosso territóiro está a maior concentração do mundo de estabelecimentos de minofilia onde o povo pode praticar o culto, trocar ideias e buer à rodada.

Portantos, se bocemecê buer mais de 50 mines e começar a bolçar, isso não quer dizer que chegou à última mine, porque não existe a última. Quando bolçar uma, bocemecê chigou ao momento da grande glória em que tudo o que disser é com tal cunvicção, que não há doutrina, nim doutor, nim Papa, nim cumbersa nhuma, capaz de lhe fazer frente, e isso é um momento importante que todos nós devemos ter pelo menos uma vez na vida.


Bom ano para toda a caramelândia.

Resposta de Armindo dos Soluços

23.12.07

CARAMELOPÉDIA

(Segunda continuação da resposta do consultóiro do dia-a-dia)
***

Ora como távamos a dzer, o mundo de intigamente era Valo-cêntrico mas, mais tarde, já no sec XX, tudo se modificou, não só deribado à linha do cumboio como tamém deribado ao binho. Zé Maria, um home local, defindeu que a razão da existência caramela estava ligada às argolas de tinto que os copos dixabam marcadas nas mensas e balcões de pedra. As argolas eram o ícone do cosmos, símbolo do alimento da alma, a materialização do conhecimento. As argolas eram, ao fim e ao cabo, a razão do ser. Esta visão radical alterou a bida social de toda a primeira metade do sec. XX., e o crescimento da vinha na Caramelândia, ao ponto de se tornar a maior vinha do mundo. Era intão o mundo Argolo-cêntrico. Dizia-se então por todas as coletbidades e tabernas, que as argolas tinham que ser infinitas se não o universo acabava e éramos todos chupados par dentro dum comprimido.

Mas a maior modificação do pinsamento filosófico-caramelo ainda estaba pra bir.
Mas, como temos tempo, isso fica ainda para o próximo serão.
Até lá intão.

19.12.07

Resposta completa ao consultório anterior

Como prometido, resolbemos responder agora por cumpleto à pergunta anterior do consultóiro do dia-a-dia.
…
Ora intão bocemecê bolça, hã?! Bolça com uma determinada mine e quer saber adonde é que tá a última mine!!! Pois é!... Não há última. Isso tem a ver com o nosso próprio infinito.

Fique sabendo que o infinito normal, aquele que hoije se fala por i nessas escolas, é propaganda neo-aparbalhada e é uma espécie de infinito diferente do infinito caramelo clássico.
Oiça lá intão:
Intigamente o pinsamento do infinito estaba ligado à Vala da Salgueirinha, não só porque continha todos os elementos do universo, como porque ninguém sabia adonde ela começava nim adonde ela acabava. Por isso pinsaba-se que a vala era redonda. Nessa época, o mundo caramelo era Valo-centrico ou seja, a Vala da Salgueirinha era o centro do universo.
Já no século XIX, (muito depois de Galileu), o Juquim da Rolha (um grande filósofo) pôs uma rolha à deriva, para calcular o comprimento da vala. Como nunca mais viu a rolha, provou que afinal ela não era assim tão redonda quanto isso, e disse “aposto já aqui um jarro de tinto im como a vala é totalmente comprida”.
“Totalmente cumprida?!!!! – disseram os outros pinsadores na sede do Rio Frio - Cumprida totalmente?!!!! Tu tás parbo ó quê? Nã existe nada tão cumprido totalmente assim!”
- E digo mais - disse Juquim da Rolha - a Estrada dos Espanhóis ainda é muito mais totalmente comprida, do có ca Vala da Salgueirinha.
- Proba isso já.
- disse o grande pensador Zé Maria, im cima dum cavalo.
Juquim da Rolha apanhou medo à coisa e, para provar que a Estrada dos Espanhóis era mais infinita que a Vala da Salgueirinha, não usou uma rolha. Fez outra coisa: espatou um gato no meio da Estrada dos Espanhóis, com o fucinho im direcção a Espanha, e infiou-lhe malagueta pelo cu adentro, só pra ver até onde ele ia parar. O gato fugiu estrada acima e nunca mais foi incuntrado. Até hoije.
Como um gato aparbalhado foge mais que uma rolha de cortiça, chegou-se facilmente à conclusão que, na realidade, a Estrada dos Espanhóis tem mais comprimento que a Vala da Salgueirinha. Mas não deixava de ser redonda!!

Por isso a aposta do jarro de tinto nunca deu im aperto de mão. O Juquim da Rolha chegou mesmo a levar punhada pelo toutiço, e foi obrigado a retirar o que disse sob pena de ser atirado pra dentro dum meio-bidom im brasa só pra lhe queimarem as nalgas.
Desde então o fim da Vala da Salgueirinha tornou-se um tabu. Aliás, o fim da Vala da Salgueirinha é hoje um mito, cujo segredo está remetido aos pergaminhos secretos da câmara palmelona e seus comparsas. Mesmo hoije, o caramelo comum não sabe nada acerca do seu fim!

Mais tarde, já no sec XX, o mundo caramelo mudificou-se, mas essa cumbersa fica para o próximo serão.
Até lá intão.

15.12.07

Consultóiro do Zei das Mines

Se tiberes ãinças ou buntade de dar punhada no fumo do coirato, escrebe práqui que a FLC dá-te o azeite. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

"
Estou a escreber neste papel porque ando, de há uns tempos pra cá, com um problema:
Intão é assim:
eu começo a buer mines assim logo de manhã. Ópois bebo tamém à tarde. Ópois, à noitinha, continuo a buer mines, a buer a buer, a buer, a buer até praí… sei lá! … Praí mais de 50 mines! Ópois, numa certa e determinada mine, aconte-me uma coisa parba:....
Começo a bolçar!
Só aí é que descubro:
óláááá! esta é a última mine do dia!
E é sempre a última que me faz mal!… Primeiro dou um arroto e desconfio “mau!!”, e logo de seguida começo a bolçar as mines todas que tinha buído anteriormente.
Tão a cumprieender?
Em primeiros comecei achar que punham pitroil na última mine pra eu me dar aquele xelique na barriga e ir-me imbora pra casa, pró pé da nha Ercília. Mas ópois disseram a mim:
Pitróil? !!!! Tás parbo ó quê? ...
Às bezes, lá na sede do rancho, já o chão está cheio de serradura e salpicado de água pra começarem a barrer, eu digo:
“Dá lá ai uma mine enquanto barres o chão, sem mais cumbersa”.
Ópois começa-me a dar aquilo:
começa a dar-me quelas boltas à língua, aqueles calores no bucho, uns górmitos… e vá:
uma gomitadela pró chão ca gente até ficamos todos parbos a olhar (praí mais de cinco minutos a ber o górmito!).
O que eu queria saber era se era possíbel saber qual é a última mine antes de chegar à última propriamente dita, pra isto deixar de me acontecer.
"

Resposta:
Oh meu repaz, bocemecê tocou num dos pontos mais sinsíbeis da filosofia caramela. Muito cuspo tem a gente gastado a cumbersar sobre o mito da última mine. Isto já o Toino das Ideias Parbas dizia: “há um infinito em cada salpico de mine”. Ora isto quer dizer que dentro de cada garrafa, o infinito é muito maior porque é feito de triliões e triliões de salpicos, mais que as estrelas que há no céu. Mas esta inquietação da última mine prende-se a teorias do infinito caramelo muito intigas. Mas como isto é uma cumbersa comprida esperem só um bocadinho cagente responde tudo o que bocemecê precisa de saber.

8.12.07

A importãiça dos editoriais

CARTA:
"
Sou das Areias Gordas adonde toda a gente me conhece por Zé Escabadeira porque sou um home brabio com uma forçaria capaz de lebantar um bolksbaige de pantanas e jogar ele pra uma estrumeira.
O que eu quero dzer é que leio sempre as belas históiras dos editoriais do Jornal do Pinhal Nobo, por mostrarem uma grande bisão jornalística. Mas dixei de tar cumpletamente sastesfeito. Eu sei que esses editoriais são contos de grande importãiça pra todos nós, mas se fossim reportaiges sobre a nha tia Roberta Farinácea, a contar o dia a dia da galinhaige no espojeiro, enquanto cose o buraco dumas peúgas, atão isso é que era de balor. Mas não!...

Ópois falaram-me que a FLC tamém faz editoriais de grande qualidade e fiquei todo cuntente, por isso fui logo prá vindima pra ganhar uns tostões e comprar um computador. Já disse a toda a gente, e bou dzer aqui, que fiz um migalheiro e cumprei o computador só pra bir ler as notícias da FLC.
Mas agora ando arreliado. Uma pessoa bem aqui quase todos os dias e NADA!
É que bocêzes, como grandes defensores da nossa cultura, nã amandam cá pra fora mais notícias, históiras, lendas, editoriais e mais editoriais e… cunsiderações sobre a nossa nação.
Quero ber mais trabalho.
Ou bocêzes labutam e acordam prá bida e jogam-se a preceito e ó afinco à nossa cultura, na apanha de acuntecimentos e isso…, ou eu arrebento já aqui com as letras do teclado à punhada que isto fica logo com as tripas de fora. E nã tou a brincar hã?! Bem! …
É que isto nã tá fácil. Se isto continuar assim, exijo já aqui uma indemnização ou qualquer dia arrebento com isto tudo a pontapé caté o computador bai a aboar prá testa dum GNR.

Eu já tou farto de dzer e digo aqui cum orgulho que a cultura caramela está cada bez mai forte e quero portantos agradecer aos chefes da FLC por fazerim de mim um homem mai libre nesta nação que é da gente todos. Mas bejam lá mazé se espetam mais editoriais pra gente ler todos cuntentes,
Sim mai cumbersa de momento, e até logo.

Zé Escabadeira. "

O espaço "Cartas a cagulo a sair do alguidar" é a bóz ao pobo caramelo que manda prá gente correspundêinça brabia de interesse giral e parbo-reimbidicatibo.

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Direito de resposta

A propósito da carta tirada de dentro do nosso alguidar, de onde se podia ler que os elementos da FLC debem ser “mai trabalhadores” e que “debem amandar mai notícias cá pra fora”, o Conselho Geral da FLC declara:
“ A FLC é uma organização rebolucionária, única no mundo totalmente equipada com floberes, 5 rolos de fita adesiva e 100 metros de arame pró que der e bier. Estando ainda remetida à clandestinidade, a FLC luta pela a libertação da cultura caramela e é constituída por um grande número de militantes, activistas e colaboradores, (sem falar da canzoada especializada em encontrar coirato), contando com todas as comunidades caramelófonas espalhadas pelo mundo. Toda a sua força brabia vem de dentro de cada um, portantos, não recebe qualquer apoio nim da América, nim da Rússia, nim dos construtores civis, nim de porra nenhuma. Por isso, para além de cumprirem as missões de libertação, têm tamém a sua profissão im prol do progresso, e é por isso que não espatamos aqui muito mais editoriais.”

21.11.07

Cartas à Babuige caté cria bicho

Este espaço é a bóz ao pobo caramelo que manda prá gente correspundêinça brabia de interesse giral e parbo-reimbidicatibo.

Carta:
"
Escrebo esta carta porque eu ando a frinzir as bentas cum bocêzes, é que eu sou reformado da CP, fui rebisor (há pessoas que dizem "tu és mazé um retrobisor”, mas não é, é “REBISOR”, hã? RE-BI-SOR), e quando apanhaba o passageiro na retrete da carruaige, só de olhar cara a cara, bia logo se tinha bilhete ó não. É que tenho feito umas cumbersas cá na sede do Rancho, aqui na Lagoa da Palha, sobre a Frente de Libertação Caramela, quem são bocêzes e isso. Toda a gente diz que sabe quem bocemecês são, e q’lá assim e q’lá assado, cozido e frito, mas nã tou cumbincido. Nadinha, nadinha. O que eu quero dizer é que às bezes um home tá aí ler as bossas cumbersas, a ler, a ler … e eu até tenh diabetes e sou reformado da CP, fui REBISOR e sabia logo a malta que fugia prá retrete da carruaige e conheço toda a gente… e parece-me que bocemecês nã estão a falar a séiro. Eu cá aicho que estão na brincadeira e isso não é de home. Há quem diga que é tudo berídico, outros dizem nã sei quê e que são fulano e silcrano, isto e aquilo. Eu aicho que andam a brincar cá cagente! Por exemples, uma bez li que o aeroporto nã pode ser feito no Rio Frio deribado à fuguetaige rija, mas isso bê-se logo que estão a imbentar. Alguma bez?!!! Eu aicho que é por causa da maltezaria que anda aí armada de floberes ó pardal e que os abiões podiam lebar uma carga de chumbo pas asas. Isso é a pura da berdade, e isso bocês na sabim. E eu aicho que a TAP é um aeroporto importante e bocêzes nã debem andar praí a falar mal da cultura da fuguetaige rija… até porque às bezes dá-me uma pontada aqui nos rins caté parece que lebei uma cornada. Além disso eu aicho que debem fazer estudos mais séiros sobre a cultura caramela a nível do Rancho Fóclórico da Lagoa da Palha e não só dos grilos e bicicletas e isso, que tamém é importante, mas o Rancho é munto mais importante.
Sim mais cumbersa de momento,

Manel Giraldes, conhecido por Manel Retrobisor "

17.11.07

O ENTULHO DO LEITOR
Espaço anteriormente baldio onde o leitor caramelo pode atirar coirataige ó ar sem que por isso o açaimem

A FLC inaugura aqui este espaço paronde bócês podem mandar as bossas opiniões mais parbas ó não. A FLC reserva-se o direito de nunca responder, pois este é um espaço de desabafo, crítica e largada de ideias pa quem as quiser óbir. Os estimados leitores que tenham dúvidas dignas de resposta serão encaminhados para outro espaço nobre da FLC: o correio do leitor.

Carta nº1
Olá. Bibo na capital caramela há alguns anos, desde que me imparbalhei com a ideia de mudar de uma casinha tipicamente bravia na Palhota para um apartamento no 1ºandar na Salgueirinha. Tenho saudades das coelheras e de assapar na minha Zundap pelos aceros afora, quando era mais gaiato. Já tintei pôr coelheras na janela, mas tibe problemas com os vizinhos, tibe de andar à bardoada duas ó três bezes e ó depois, dixei-me disso, já na tenho idade. Mas o propósito desta escritura ei o de propor à nossa Junta de freguesia que dexe de limpar o lago do jardim. Passei lá no outro dia e taba feliz por ber que aquilo taba quase a tornar-se um charco, aquase parecia a chaboca. Disse logo ós meus gaiatos, para irem ter com a abó à Palhota e para irim com ela ó charco (fica mesmo por detrás da minha antiga casa) e para trazerem sapaige e rãs com fartrura. Os rapazes boltaram com uma sacada de rãs e quando íamos deitá-los no lago, tabam os homes da câmara a limpar aquilo, já nem auga tinha. Fiquei deberas inerbado com aquilo. Acho que na têm trambelho nenhum essas limpezas, aquilo limpo parece um tanque de labar a roupa, cheio de tubos de motor de rega. Proponho ó senhor presidente da nossa Junta de Freguesia que dexe de mandar os seus homes limpar o lago, e bai ber que nasce ali um belo charco berde, cheinho de becheza que encherá o pobo caramelo de orgulho. Afinal, pargunto eu (que nim sou nada), o que representa mais a cultura caramela, um tanque com auga dentro que nim pa labar roupa serbe, ó um belo charco, cheio de sapaige e rãmzaria a coachar pela noite caramela afora, mesmo no centro da capital?

Autor da carta: Aquilino Numismático, 81 anos, residente em Pinhal Novo.

14.11.07

TRATADO RADIOFÓNICO DA ALCUNHA CARAMELA III

Bamos óbir o último episóido do documentáiro radiofónico sobre o porquê e o nã sei quê/ nã sei que mais, das alcunhas na nossa ancestral cultura.
Agora bamos infiar a bobine no grabador e…
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
tarceiro episoido
(som duma gaita de foles muito nerbosa a bir pra cá, caté mete medo)

Narrador – No episoido passado (já tá coalhado de tanto tempo que passou), a gente disse que as alcunhas nã são espatadas assim à parba e que têm regras e que mais na sei quê e tal e tal. E afinal que regras são essas, afinal? Hã? É isso que bamos já aprinder. Por exemples uma das regras é a olserbância duma característica física de índole caramela. Isto quer dzer que temos que andar de olhos bem abertos a olserbar de alto a baixo o aspecto brabio do candidato que bai receber uma bela alcunha…
(som dum motor de rega)
Voz
- A Atoina das Patilhas já não regaba o aceiro há mais de 2 meses.
-Hã??
- A terra dela até já parecia as beiças do Sebastião Ressequido.
- Atão não?!! Agora, ópois da rega, até parece o Ti Enxaguado.

(som de gargalhadas, ferrinhos e concertina à desgarrada com o zurrar dum burro)

Narrador – Outra regra é, por exemples, a olserbância dum fitio brabio do candidato (ou candidata). Isto requer uma fina olserbação durante alguns minutos. Uma atenção às atitudes do ser, pra tirar a ele um retrato psicológico, que ópois vai ser resumido numa alcunha completa…
(som de canzoada a rosnar)
Voz sorrateira à janela
– Pssst pssst, Jaquina. Ó Jaquina Exacerbada, sabes da última?
- O que éi?
- A Isilda Vadia anda metida com o Manel Caganças!!
- Ahhh!!! Se a Aurélia Linguaruda sabe, isto bai logo parar ós obidos do Juil Espraveirado.

(som do coro do Rancho Folclórico das Lagameças, sem ferrinhos… mas com flaita)

Narrador – Adiente… É tamém munto normal espatar uma alcunha que ilustre bem a profissão ou qualquer actibidade tipicamente caramela, desde que o candidato a desempenhe cum balintia…
(som de grabilha a cair im cima duma garaige de zinco)
Voz
- Lá tá o Jaquim Leiteiro, outra bez a espantar a passaraige lá do telhado.
- Poizé, o Mairo do Estrume já o abisou pra nã fazer isso…
- O Estrume?!!! Adonde é que ele foi?
- O Estrume foi à do Xico dos Burquins, a ver se ele impresta uma ficha tripla.

(silêncio!!!)

Narrador - É tamém comum haber alcunhas indicadoras duma atitude específica, dum acuntecimento im particular… enfim, uma maniazinha que o dono dessa alcunha teve um certo dia, ou costuma ter de hora im hora… (som dum sininho de catequese). Nestes casos temos por exemples as alcunhas Tirapicos, Traça-Coirato; Isaltino Desataracha ou Ti Galganas do Jerrican. Tudo isto é muito normal. Até mesmo as alcunhas excepcionalmente compridas chegam a ser usadas no chamamento diário das pessoas, como por exemples a Ti Irvina do Penso-Largo-Mal-tá-na-Cinta - uma senhora conhecida, ali da Sul Ponte…
(som de canzoada a lember leite duma tigela de alumínio)
Voz feminina sensual
– Ohh meu Manel Acendalhas, anda cá mais eu pra cima da carpete da sala.
- Ohhh Disidéria Maravilha, tiraste-me as palabras da nha bocarra…
(som de canzoada a ganir)


Narrador- Em última análise, a vantagem de possuir uma alcunha é transformá-la numa imagem de marca:
(som dum motor-de-arranque dum Marcedes)
Voz ao Uolki-Tólki
– Tá??? Crrrrrrr… Rapi-Tira???
- Sim tou a óbir.
- Ccrrrrrrrshhhrrr Vai fscar a Ana Teresa, ali à Fonte da Baca crrrrrssshhhrrrrr… leba ela a Palmela que ela tá cum pressa.
- O quêim??
- Rapi-tira?!!! Crrrrssssshhh Passo à escuta.
- Sim, mas é a última bez que a chamas de Ana Teresa, ou intão…

Narrador – … ou então, se a Ana Teresa não tiver uma alcunha caramela a preceito, não há táxi pra ninguém, e tem de pagar portaige pra entrar na caramelândia.
(som dum autocarro da câmara com falta de pitroil)

Este foi o tratado radiofónico das alcunhas caramelas.

Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
(música de fundo com o som de ratoeiras a disparar)

7.11.07

Cartas à Babuige

Deribado à inchente de cartas caté põim a cagulo o nosso alguidar de currespondêiça, bamos espatar aqui neste espaço o que elas querim dizer. A FLC aicha ca bóz do pobo caramelo debe tar sempre à frente das outras bozes e ruídos. A responsabilidade é dos donos das coisas que dizem.

“
Sou do Pintiado e escrebo esta carta porque ante-ontim fui à Junta de Freguesia da Capital Caramela pra me inscreber pró grande incontro de bersos e poetas e galhofeiros, na sede do Rancho Folclórico do Pinhal Novo. E o que é que me aconteceu? Hã? As reparigas da Junta dsseram a mim: bocemecê na pode intrar porque é do Pintiado, bá lá prá sua terra dzer os seus bersos. E eu : O quêim? Mas o Pintiado nã pertence à Caramelândia nim a Palmela (ó lá o que é isso)? E elas nada. Bem… fui-me imbora pra casa aborrecido e escrabi esta carta à FLC. Gostaba que publicassem os meus bersos pra toda a gente saber cu Pintiado é tamêim terra de caramelos, de nabalhitas, fuguetaige e bersos.
Munto agradecido.



Nabalhita, meu bem

Foi num sorteio do marcado
Num númaro escolhido ó calha
Saia-me sempre um rabuçado
dessa bez foi a nabalha.

Fiquei logo afeiçoado,
À nha bela nabalhita,
Bá lá ber respeitinho aqui,
Comigo já ninguém grita.

Oh nabalhita afiada
és aquilo q’eu quiser,
quer aberta quer fechada
Metes medo à GNR.

Metes a GNR desostinada
E na faço mal a ninguém,
Só mato os porcos à facada
Pra eles os comerem tamém.

A nha nabalhita é uma beleza
Amolada no poial do portão
Faz cirurgias à bxeza,
Tira as casmarras do cão.

Raspa as raspas da frigideira,
Descasca a maçã riscadinha,
Desmonta uma zundape inteira,
Oh nha rica nabalhinha.

Corto um bolo de fatia im fatia
num truque que só eu é que sei
Dizem até q’eu tenh na mania
Cum a nabalhita q’eu ganhei.

Corta-me o calo dum pé,
Berzunta a manteiga no pão,
Benham ber como é que é
Como é q’eu rebento um balão.

Oh nabalhita, oh meu bem
Tu és a melhor a cortar
Cortas-me os dedos tamém
Mas isso só s’eu deixar.

Oh nabalhita minha donzela,
Abres mines na coletbidade
És fusível, gazua e sovela,
És toda a minha baidade.


Sou Caramelo brabio e balente,
Mato o pato o frango e a galinha,
Mas na sou home nim sou gente,
Sem a minha nabalhinha.

"

Autor:
Toin Catrefada

1.11.07

Notícias da Caramelândia

F.L.C. promove acções de formação na área da construção civil

É já neste mês que irão começar as primeiras acções de formação para trabalhadores da construção civil que residem e trabalhem na caramelândia. Esta acção de formação pretende colmatar uma crescente falta de caramelidade nos operários desta área, que começa a ser preocupante, numa área tradicional para a manifestação da espontaneidade selbagem homo-caramela.

A formação será dividida 5 em módulos:

1. A mine éi sagrada e o saudosismo salutar da Granada (Sagres Média)
2. Punhada nas horas de descanso
3. Piropos para as caramelas balentes que passem lá im baxo.
4. O acindimento do meio bidon com material de sobra e o respeito pelo meio bidom como utensílio indispensável em qualquer obra caramela
5. Artilhanço de menardas e biciletas a motor para despique im frente ó preido que se cunstrói. (módulo bónus para os melhores alunos)

1º Festival da Canção Caramela é na Lagoa do Calvo

Já foi anunciado oficialmente- O 1º Festival da Canção Caramela será na Lagoa do Calvo que ficou em primeiro lugar na votação inter-caramela. Em segundo lugar ficou o Forninho, apenas um ponto à frente da Palhota, que era à partida a grande favorita para organizar esta prestigiante gala. A votação teve lugar num baldio dos Arraiados (uma almoçarada-votação) e é de assinalar o encerramento da mesma com uma sessão de punhada, que foi do agrado de todos os presentes. Para esta Gala, os concorrentes só poderão apresentar uma cantiga, a qual terá de ser obrigatoriamente cantada em caramelo puro, a solo ou em grupo de no máximo 4 elementos. Também não serão permitidos instrumentos electrificados, privilegiando-se os instrumentos musicais de fabrico caramelo.

Ti Balbina Acocorada prepara-se para lançar mais um libro

A nossa anciã poetisa, uma das maiores vozes libertárias do movimento feminista Caramelo prepara-se para lançar mais um livro de poesia.
Pedimos a Toino das Ideias Parbas (que mais uma vez vai ser o autor do prefácio do novo livro de Acocorada) para nos dar algumas palavras sobre o que já leu:
“Do cunjunto de folhas desligadas e rabescadas pela grafia aquase-rupestre da Ti Balbina, bislumbra-se a planicíe caramela pejada de mãos unhudas que esgrabatam a terra de manhã ao pôr do sol. Bejo aqui nobamente a referência a temas que binham já no seu anterior libro “Chispes de Luz”, como a mulher operáira, mãe da terra e das unhas cumpridas que tantam esgrabatam a batata orbalhada como escarafuncham a órelha. Por seu turno e bez, a órelha da mulher ei uma referência à coirataige do porco, algo que desde gaiato ê bejo na poesia da Ti Balbina e quê acho que paréla ei sagrado. E mais nã digo. Bejam bócês o libro. Tá muita balente!”

Aqui está um excerto do nobo libro da Ti Balbina Acocorada:

Bicheza e Brabeza

Garriei muito à parba
Andei de motorizada
Nunca me dixei aparbalhar
Nim comi comida da canzoada

Onte o sol taba malino
Assintei-me amais o Albino
Nunca bús cuntei
Mas já namorei cum campino

Nã pensem que me calo
Nã tenho medo da brabeza
Se for praciso ando ó estalo
No mê tempo era só becheza

Habia rataria e barataige
E do mais alguma miudaige
Mas comíamos coiratada
E ó depois habia bardoada

O mulherio era brabio
Dabam bofatada e pontapei
Eu tambim era assim
Que bus diga o mê Zei

16.10.07

TRATADO RADIOFÓNICO segunda parte

Bamos óbir o segundo episóido do documentáiro radiofónico sobre o porquê e o nã sei quê/nã sei que mais, das nossas alcunhas.
Agora bamos infiar a bobine no grabador e…


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
segundo episoido

(música de fundo com chocalhos a vir pra cá)


Narrador – No episoido anterior tínhamos dito que é preciso tar sempre munto atento aos progressos da penetração da alcunha e tal e tal, por isso, se a alcunha ficar intranhada por mais de seis meses, é porque o dono pode contar com ela para o resto da bida, ou então tem que fugir prá Sibéria e começar uma bida noba adonde ninguém o conheça... (som dum comboio nos carris). Se ao fim de seis meses a alcunha sumir-se por cumpleto, intão é preciso arranjar outra, ainda mais forte e eficaz que, em certos casos, é tão forte, tão forte e contagiosa que passa de pai pra filhos e de filhos pra netos tal como as bacas malhadas passam as malhas prós bezerros.
(som duma bateneira a mexer o cimento)
Voz de pedreiro
– Ohh Maneeeeeeeeeel!... Manel da Mosca nas Bentas, anda cá mais eu, cá pra cima do taipal, ajudar o teu neto, o André da Mosca nas Bentas, e traz o martelo.
- Péra ai qeu já boooou! Tou só aqui com o mê sobrinho, o Bruno Varejeira nas Bentas, a desinrolar a mangueira.


Narrador – Mesmo assim reserva-se muito respeitinho e cumprimento das normas por quem inventa, chama, ou brada uma alcunha. Uma das regras mais conhecidas é que a alcunha nunca é escolhida pelo próprio. Há quem se faça à pista para lhe espatarem uma alcunha de sua conveniência, como se fosse um nome artístico (especial) metido à parba mas isso não pega. A alcunha tem que ser espatada por alguém de cunfiança que, por surto eruditó-caramelo, inbentou, num momento especial, a alcunha mágica para animar o dia-a-dia das nossas bidas monótonas e aborrecidas…
(som de ventania à porta do centro de saúde)
Voz

- A Zulmira da Rata Seca, ontim teve aqui à chuva desde as cinco da manhã. Quando o médico a apalpou já tava toda molhada! Eu hoije já me aprocatei e bim cu meu Tózé Escorregadio pra me agarrar a ele.

Narrador –É a falar assim que a gente fica todos cuntentes! Mas há que ter im atenção que as alcunhas não são espatadas assim à parba. Elas têm regras de aplicação,... mas isso é o que bamos ber no próximo episoido desta série radiofónica.


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhhhh PUMMmmm
Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas

(música de fundo com chocalhos a desaparecer)

11.10.07

TRATADO RADIOFÓNICO DA ALCUNHA CARAMELA I

Bamos óbir um documentáiro radiofónico produzido pela Rádio Antena Caramela, sobre o porquê, e o nã sei quê, das alcunhas na nossa cultura.
Agora agora bamos infiar a bobine no grabador e…

“
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhh PUMMMmmmm.....

O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas
primeiro episoido

(música de fundo duma flaita de beiços)


Narrador – Não se sabe ao certo quem inbentou a primeira alcunha, mas sabe-se que as alcunhas são tão intigas quanto a própria punhada. As alcunhas são códigos de sociabilização de grande importãiça na cultura caramela. São de tal importãiça que até há quem diga que só é berdadeiramente caramelo quem for dono duma alcunha a preceito.
(som de alguém a bater à porta … toc toc toc…)
Voz
- Quem éi?
- É o Arsénio Manuel Vasconcelos da Silva, benho cá fazer uma bzita.
- Tu és mazé é um merdas e tens na maniazinha. Chispa-te mazé já daqui pra fora.


Narrador –É assim que pode acontecer! Se o bizitante dissesse que era o Séninho dos Porcos, tinha entrado logo e já tavam os dois a buer umas mines. (som de concertina) As alcunhas sempre foram tidas como com uma força benigna, entusiástica, extraordinária, selbaige, alienígena, que se aplica a um ente querido, fortalecendo-lhe o ego e dando-lhe um ar mais sadio e balente, capaz de bencer os impossíveis do dia-a-dia…
(som duma mine a abrir-se)
Voz
- Atão ó Toin dos Cotos?!! Agarra ali naquela dúiza de mines a granel, e bora mais eu à do Giraldes da Cirrose, buer elas.
(barulho das mines a granel pu chão)

Narrador- É espantosamente motivador. As alcunhas são sempre aceites de comum acordo entre os seus portadores e aqueles que chamam, mesmo sabendo que quem chama está sempre mais de acordo do que o dono da alcunha…
(som de vozes na coletbidade)
Voz mais alta
- Ó Zé Castiçal na Testa, sabes quim éi qeu bi ontim cu Toin Pázudo na retrete da estação?
- Hã?Não!!!
- Ó Castiçal, pá, bi tua Zulmira!
-!!!

(rizada giral e som de concertina)

Narrador – Por isso, quem está sob o risco de apanhar com uma alcunha, acautela-se. Há como que uma caça de gato e rato. Uns andam a olserbar os outros pu canto do olho. As pessoas que preservam ainda o nome de batizo mantêm um ar reserbado, quase sempre calado, evitam grandes grupos, lebam uma bida restrita e tentam mostrar uma bidinha exemplar… mas isso é impossível de aguentar no habitat natural caramelo…
(som duma mosca a aboar dentro da coletbidade… zzzzzzzzzz…)
Voz baixinha de pensamento:
-…Puta da mosca nã me larga as bentas!!!.
Voz grossa a gritar lá ao longe:
- A partir d’agora és o Manel da Mosca nas Bentas.
(galhofa giral e som de castanholas)

Narrador - Ninguém escapa! E é assim, com este encanto, que são aplicadas as mais belas alcunhas. Mas não bastam ser marabilhosas, elas têm que ter a propriedade de se intranharem como a gosma se intranha no fundo das goelas. Por isso, uma alcunha sem graça pode despegar-se do Ser. E é preciso tar sempre munto atento aos progressos da penetração da alcunha ao longo dos tempos… (som de ferrinhos) Senhores óbintes nã percam o próximo episoido pra saber tudo sobre a alcunha caramela.


Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
Tum tum tum Larái lá li lai
FSSHHhhh PUMMMmmm

Tiberam a Óbir….
O Marabilhoso Mundo
das Alcunhas Caramelas

(música de fundo duma flaita de beiços a desaparecer)
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