30.5.11

AS LOJAS DA COMPRATIBA E A LOJA DO CIDADÃO

Como já toda a gente sabe, a FLC está de sintinela por esses telhados, capoeras e malhadas afora pra olserbar e defender a cultura caramela. A berdade é que nestes dias de Primabera (que ora faz granizo caté parece chumbo de caçadera na abertura da caça às rolas, ora faz salheirada, ora faz geada, ora faz torradas à sombra), tem habido mobimentações estranhas à nossa cultura que merecem uma atitude brabia, no sintido de repôr a berdade escondida. Assim, as milícias da FLC foram imbestigar. Nome da missão: “Pacote de Bolachas da Compratiba com oferta duma esferográfica”. Foi intão no dia 27 de Maio que homes e mulheres do 123º pelotão da FLC, testaram os seus intercomunicadores (feitos por um fio de sapateiro de 50 metros e uma lata de banha em cada ponta), opois infiaram as meias pa cabeça abaixo e, munidos de lupas feitas de garrafas de gasosa, e canzoada-chiradora-de-mistérios, sairam de suas tocas in direito às lojas da Compratiba e à Loja do Cidadão. E isto porquê? Porque queremos saber se há relação entre o fechar da Compratiba e o abrir da Loja do Cidadão! É que, pra um caramelo, nã há coincidências, há apenas pão com manteiga! Ou seja: ou éi, ou nã ei! E se fecha a Compratiba, o que é que o caramelo come? Será que o home brabio mudou a sua dieta alimentar e passou a comer só açorda de bilhetes de identidade, pulvilhada de recibos da água e passaportes escalfados? E o cidadão é o queim? É aquilo que come e bebe, ou éi uma declaração do IRS? Bem, bamos lá a ber!

Quando chigámos à Compratiba im frente à intiga sede do Pinhalnobence, já estaba a loja fechada e nem pacotes de bolachas, nim esferográficas nim nada. Espantadiços, os inspectores da FLC disseram:

- Tóóóó!! Limpinho como tá, Isto parece mazé a CERAPA!

- Nã, a CERAPA já nim tem telhado, nim nada!! Isto parece mazé a fábrica de frigoríficos HR!

- Mas isto aqui nã dá pra jogar à bola! Isto parece mazé, o Centro Comercial dos Mochos!!!

- Os Mochos?!! Isto parece mazé o recinto do Marcado do Pinhal Nobo numa 6ª feira santa.

- Qual quê! Isto parece mazé a compratiba!

Dito isto, fizeram uma corrida de minardas a derrapar pas curbas e cruzamentos im direito à loja da Compratiba junto aos Bombeiros. Estancionaram os seus beículos no campo do Pinhalnobence e intraram pa Cumpratiba adentro:

- Diga lá à gente, o que é que o fechamento da Compratiba tem a ber com a abertura da Loja do Cidadão? - précurou um agente da FLC.

- Bem eu aicho que que nã tem nada a ber! - respondeu a mulher do talho inquanto cortaba em finas fatias as últimas salsichas, reaprobeitadas da outra loja já fechada.

- Ai nã aicha! E o que é que esta gente bai fazer quando esta loja fechar? Nã bai prós computadores da Loja do Cidadão?

- Não. Ninguem bai pra lá.

- Intão bão prá donde?

- Bamos todas bender a mobília na feira-da-ladra, aos Domingos, im frente ao Costa-Bar.

- Ahh intão é isso!


Foi intão que os agentes da FLC começaram a fazer a misteriosa correlação entre o fechamento da Comprativa e o seu principal ribal: a feira-da-ladra dominical do Pinhal Nobo.

- Atão diga lá mais uma coisa, aqui à gente. Nã aicha que andar aqui a bender pacotes de bolachas com a oferta duma esferográfica, foi uma forma de perder clientela já que a malta toda está agora a dar uso às esferográficas pra preencher papelada na Loja do Cidadão?

- Pode ser, mas a ideia original foi uma promoção para a alfabetização caramela. Graças a essas esferográficas é que ainda se fazem sessões solenes de Poesia Popular Caramela, promobidas pela Junta do Pinhal Nobo - respondeu uma outra funcionária, enquanto arrastava pu chão o último basilhame de grades de mines pra um canto da loja.


A partir de intão, os detectibes amontaram-se nas suas minardas e foram rapidamente até à Loja do Cidadão. Quando intraram, escurraçaram logo bários cidadões e cidadonas que estabam lá escrevinhar nos papeis pra emigrar pró Zimbabué.

Desostinado, o chefe do pelotão, Toin Serpentino, disse im boz alta pra toda a gente obir:

- Na Caramelãndia ninguém emigra, hã! Quem é caramelo nunca abandona a sua terra!

- Desculpe, mas pra tratar do BI, os senhores têm de tirar as meias da cabeça. - disse uma funcionária assustada.

- A gente samos clandestinos, samos da FLC e nã precisamos dessas balhanas de cartões nim porra nhuma. - vociferou a sub-inspectora das milícias, Dona Rosalinda das Caganitas.

Dito isto, todos os funcionários lebantaram-se e meteram-se im sintido. Opois a canzoada começou a chirar e a rosnar de perto (pus entrefolhos e tudo) todos os funcionários pra berificar se algum deles pertencia à Compratiba. Feita a bestoria (este vocábulo caramelo vem da palabra “Visto” e não da palabra “Besta”), e como nenhum cão deu uma mordidela (apenas alguns solavancos eróticos agarrados às pernas das mulheres, guarnecidos com lembidelas clandestinas), confirmou-se que ninguém nunca pertencera à Compratiba.

- Agora diga lá à gente: bocemecês bendem aqui pacotes de bolachas?

- Não senhor. - respondeu amedrontada uma técnica de Bilhetes de Identidade a granel.

- Hummmm!! E na oferta duma esferográfica, pró cidadão preencher os impressos, bocemecês oferecem uma sandes de coirato? Hã?

- Não senhor.

- Nim oferecem uma bifana?

- Não senhor.

- Porra. Bocê só sabe dzer “Não”? E bocês nã oferecem nada, nã bendem nada, nã produzem nada?

- Não senhor.

- Atão isto serbe pró queim? Humm?

- Serve para o cidadão pagar os seus impostos, para emigrar, pedir o cadastro, pagar multas...

Com esta cumbersa a canzoada começou logo a ganir com as orelhas agachadas, caté parecia um canto gregoriano quando os monges chamam pla traboada.

- Porra!... E bocemecês já reperaram se os cidadões e cidadonas preenchem essa papelada com as sagradas canetas da Compratiba? Daquelas canetas que binham agarradas, com fita cola, aos pacotes de bolachas?

- Nós dispomos aqui das nossas próprias canetas. - respondeu uma técnica de impressões digitais, enquanto afeiçoava as cuecas porcausa dos cães terem andado lá com o focinho.

- Balhana é o que ei! BEM... como samos pela cultura caramela, a gente agora bai selar esta loja pra reabri-la mais tarde com produtos hortícolas. Até lá, esta Loja do Cidadão bai ficar fechada e armadilhada com morteiros dos Círios da Carregueira, e quem intrar sem a nossa autorização sujeita-se a lebar com um patardo pus tímpanos que nunca mais oube a pardalaige a acasalar nas arbes da abenida.

- E nós, para onde vamos?

- Bocês fiquem descansados. A Compratiba bai fazer uma promoção especial. A partir de agora, bocês bão prás lojas da Compratiba e bão infiar os Bilhetes de Identidade nos pacotes de batatas fritas; bão infiar as declarações do IRS nas sacas de carvão; bão colar os recibos da água às acendalhas;... e bão colar as multas às bassoiras... pra serem logo barridas pró caixote do lixo.



Com esta promoção, a Compratiba fica mais forte do que nunca e nã há Gerónimos Martinzes nim Belmiros de Azebedos, nim alemães, nim franceses, nim chineses que lhe façam frente.

Mais uma missão de sucesso da FLC em prol da cultura caramela.

16.5.11

III Concurso de Música Moderna Caramela

21 de Maio, 16h00


Sede do Racho Folclórico da Lagoa da Palha

(Ebento com o alto patrocínio da FLC e do Ministério Caramelo da Cultura)


Grandioso concurso que tem como objectivo, promover e apoiar novas tendências musicais na região caramela.

Todas as bandas e conjuntos musicais participantes usam música de fusão caramela, valorizando-se bastante a ligação entre o tradicional e o moderno.

Este ano teremos a maior participação de sempre, com 15 bandas/ conjuntos musicais.

Este concurso será também pela primeira vez, transmitido em directo pela Radio Antena Caramela.

A competição será renhida, mas haverá sempre um vencedor- a cultura musical caramela!


Bandas participantes

Balha Ca Carroça (Pinhal Novo)

Cagatório Publico (Vale da Vila)

Brutidade Aparbalhada (Laga meças)

Nabalha Aberta (Palhota)

Bicheza Ruim (Venda do Alcaide)

Inquisicao Palmelona (Valdera)

Punhada pu Lombo (Lau)

Gupo Novo Punk Caramelo (Lagoa da Palha)

Inbalsamados do Grau (Poceirão)

Tens na Mania-Mas Perdezia (Fonte da Vaca)

Lavoura Agricolomusical (Pentiado)

Ratazanas Espezinhadas (Lagameças)

Grupo de Cantares Modernistas de Arraiados (Arraiados)

Espinhaço de Cão (Carreguera)

Excluídos da Ingrícola (grupo nómada, sem localidade)

Armados im Parbos (Pinhal Novo)

Estrume e Intulho (Rio Frio)

Espectáculo de encerramento

Como nas edições anteriores, haverá no final um grandioso baile de fusão com o Racho Folclórico da Lagoa da Palha e o grupo vencedor, o qual terá como prémio a edição de um CD e Cassete, com o apoio da Junta de Freguesia da Lagoa da Palha.

Este grupo terá ainda direito a vários concertos promocionais em todos os Centros Culturais, Sedes de Ranchos Folclóricos e ainda um concerto clandestino nas Festas Populares de Pinhal Novo com a participação especial do vocalista dos Ervas Daninhas, principal grupo do movimento Punk Caramelo contemporâneo

Este evento tem (como sempre) o apoio do Presidente da Junta de Freguesia da Lagoa da Palha, do Presidente do Racho Folclórico da Lagoa da Palha, da Junta de Freguesia da Lagoa da Palha e do Rancho Folclórico da Lagoa da Palha.

Entrada livre

Bem desinparbalhar os tês Óbidos!

2.5.11

SEXO CARAMELO (parte 2)

Mais uma bez, é com grande cuidado e rigor que a FLC apresenta aqui o segundo episoido do documentário premiado pela BBC (Bamos Ber Caramelos), que retrata um dos mais delicados assuntos da nossa bida: o sexo caramelo.

Bamos infiar a cassete e...


TRATADO TELEBISIBO DO SEXO CARAMELO II

Narrador:

Terminada a época da esfregadura balhadeira ao som da concertina com consequências notábeis no aumento da população, deu-se início à época da recriação erótica moderna. Isto quer dzer que a partir do séc. XX o pobo caramelo descobriu que o sexo nã serbe só prá cobrir e procriar de gaiataige parba, mas serbe tamém pra entretenimento. Foi nesta altura que se acinderam as luzes do pitroil e o acto esfregatibo passou a ser feito às claras e de forma mais brabia, lembrando os primórdios do caramelopitecus. Desta maneira, o home amais a mulher começaram a descobrir buracos, dedos e línguas, que antes nunca se tinha pensado que existiam. Esta noba exploração dos genitais e de todas as miudezas do corpo, proporcionou um salto qualitatibo no relacionamento do casal moderno que antes estaba calcinado na calada da noite. Por sua bez, tudo isto deu azo à descoberta de outros estímulos para além daqueles já experimentados ao longo da história, falamos por exemples do enfiar o dedo em tudo quanto é buraco, as apalpadelas e lembidelas corporais, as posições e contorções, as palabras de ordem arremessadas da mais fértil imaginação selbaige, e especialmente a palmadinha nas nalgas. Mas... atenção! Esta coisa das palmadinhas tem que se lhe diga. Há que saber, com a experiência, que essas palmadinhas no acto recreatibo têm conta peso e medida. Histórias contam-se por esses arrabaldes, de palmadões mal dados no acto amoroso em que a caramela aparece no dia seguinte toda desolserbada. Conta-se, por exemples, que um dia destes, às 2 da manhã, em Bal da Bila, o Marcelino Sextavado (mecânico de motosseras) deu um palmadão na sua caramela de tal geito que a mulher desmaiou e a bizinhança tebe que lebar ela, na carrinha de caixa aberta, pró hospital (mas no caminho fez um desbio pàs Festas da Atalaia pra ir à rulote do Bezana pra comer umas bifanas e buer umas mines). Embora a mulher tibesse chigado ao hospital já acordada e recuperada com uma bifana no bucho, a berdade é que o home tebe de acabar a noite de castigo, trancado na retrete, a praticar trabalhos manuais. Portanto, palmadinhas SIM, palmadões destrambelhados NÃO!

O mesmo cuidado se deverá ter nas mordidelas pois esta prática pode dar maus resultados. No entusiasmo erótico-desalmariado, a mordedura ganha proporções tais que se chega a comer um padaço do parceiro como quem come uma intarmiada num papo-seco. No mês passado aconteceu um caso desses em que a Ti Mijardina, do Poceirão, comeu um bocado da orelha do seu home, o Ti Valdegóis dos Abanicos, cujos efeitos já se sabe: a alcunha foi mudada pra Ti Van Gógue da Mijardina! Portanto é preciso ter muita cautela! Diz-se por i à vara-larga que, uma bez feita a digestão dum padaço de caramelo, a caramela (tal como os tubarões), nã quer outra coisa, fazendo tudo por tudo para que o home faça parte da sua dieta alimentar. Quando isto acontece, o caramelo, antes do acto sexual, tem de se bersuntar todo com criolona, para a sua parceira não o comer! Pode ser mito, mas, pelo sim pelo não, há que ter cuidado.


Face ao fenómeno de tudo ser feito às claras, muita coisa mudou na iconografia caramela. Assim, os calendários de cozinha que antes tinham santinhas e paisages do apeadeiro da Lagoa da Palha, passaram a ter nobos temas como personaiges femininas mamalhudas, em trajes de retrete, nos mais dibersos contextos, como por exemples: a dar leitinho a uma ninhada de gatos; a rebolar nas erbas rodeadas de coelhos brancos; amontadas nas minardas com um chicote, etc. Mas o culto da olsebação às claras não ficou só pelos calendários. Postais, rebistas de croché, autocolantes, cartões de Natal, latas de banha, e até as cartas de jogar à sueca ganharam nobas linguaiges. Nos baralhos de cartas, salienta-se a raínha de paus amontada num barrote de êcalitro descascado, dando grande alento aos homes brabios pró jogo de taberna, prática que ainda hoije resiste no círculo dos reformados, quando jogam entusiasticamente nas mesas do jardim do Pinhal Nobo, junto à paraige dos autocarros (os baralhos de cartas, com estes códigos afrodisíacos, foram gentilmente cedidos pelo intigo parsidente da junta, prá reformadaige nã perder a força!)


Face aos conteúdos telebisibos, à secção de anúncios do Correio da Manhã, ao empréstimo de barrascos pra cobrir as porcas, às noites de Strip tease na Cela, às calças pinduradas pu meio das nalgas, e às sessões de gemidos pu telefone, podiamos pinsar que o caramelo pós-moderno se tornou um ser despudorado sem perto-nim-longe. Mas isso é mintira. Uma das situações em que o caramelo reserva o maior pudor é na total incapacidade de aceitar ber duas moscas (a mosca amais o mosco) a praticarem sexo, agarradinhas e a nadar no caldo, como se a sopa fosse só pra elas.

Imaige:

Um prato de sopa e o som do zumbido de moscas a chafurdar, misturado com som dum caramelo a sorver uma sopa...

- Mas q... isto dá-me uma raiba caté...

Som duma balente punhada na sopa, até se dar um clarão!

Narrador:

Como pudemos constatar, esta situação lebou o caramelo a dar uma punhada compulsiba no prato da sopa que escagaçaou a cozinha toda com padaços de baldorega cozida a escorrer pas paredes e caras a baixo, como se houbesse um arrebentamento duma granada dentro dum panelão de sopa.


Muito mais se podia falar sobre a história e a ebolução sexual caramela, como o hábito do home praticar sexo com um cigarrinho nos beiços, o fetiche de ter uma noite romântica no parque de estacionamento do Marcado do Pinhal Nobo (na Salgueirinha), ou até mesmo os mais intranhados desejos de chirar cuecas nos estendais por auto-recriação. Tudo isso poderia ser desimbolbido como quem desimbolbe uma apalpadela pas coxas acima. Poderia! Mas ficamos por qui, se não ainda temos que se berzuntar com criolina.

19.4.11

Coiratos cum Açorda - "Aquela Balente Noite"

Em estilo comemoratibo dos seis anos de ocupadura deste baldio pela FLC, resolbemos presentear a população caramela com um grandioso momento da telenobela Coiratos com Açorda, passado no nobo complexo turístico da Herdade do Rio Frio. Será o episoide 6.258.361 desta emblemática obra de ficção que faz históira da nossa históira.

Neste episoide temos o maior cenário de sempre, totalmente feito de cortiça e pausinhos (4 toneladas de pauzinhos do algodão-doce, meticulosamente coleccionados e catalogados pela Associação de Festas Populares do Pinhal Nobo). Para que o cenário tibesse a credibilidade dum centro hípico a preceito, a produção tebe d'ir buscar cabalos de alta patente, residentes nas pastaiges da Lagoa da Palha. No intanto, dada a insuficiência destes animais, tibemos de trazer alguns burros do Poceirão, e mulas desactibadas dos ciganos, pra inriquecer este ambiente de requinte rural.


E agora bamos já ber o próximo episoide, passado no nobo empreendimento do Rio Frio.


Bamos pôr a cassete e...


É Domingo numa tarde solarenga de Maio. As erbas do montado do Rio Frio oubem-se a crescer e a meter imbeja às pernadas dos sobreiros. Este som é misturado com o ronco de grandes jipes, limousines e helicópteros a chigarem ao Hotel Bolota D'Oiro no Rio Frio. Entretanto, na humilde casinha de Chispalhudo, na bila de Pinhal Nobo, o rádio a pilhas passa pela última bez a música parba do Axel do Festibal da Canção, pra abrilhantar a sessão de punhada do final do jogo das meias finais do INATEL, entre Baldera e Corroios, sabendo-se já que Baldera ganhou por um a zero ao seu adbersário.

- Oh Benâniça, e se quando acabar a punhada, tu deslargasses a bassoira e a gente fosse passar a noite ó hotel do Rio Frio? - Pergunta Chispalhudo à sua mulher, Venâniça da Berruga.

- Tás parbo ó quê?!! - responde ela a ameaçar com o pau da bassoira – A tua reforma nim chega pra passares pra lá da Salgueirinha.

- Isso é o que tu pensas. A gente combida a bizinhança pra ir tamém e, entre todos, dá até pra ir pró quarto parsidencial! Hã?!!

- Tóóóó!!!! - resmunga ela espantadiça, num plano de pormenor caté se bê em detalhe os três pintelhos alojados na berruga a trocarem sinergias.

- Pois é! Tenh cá na ideia: lebamos o Toin das Mines amais a sua amiga que ele achou na Cela; lebamos o Leonel o Ordenhador que pode lebar um jerrican de leite de cabra prá gaiataige buer noite fora, a Jaquina dos Baldes amais a cunhada que traz o Zé Manel Ratoêra pra ir ós pássaros; lebamos o... o... olha por exemples o Celestino Bombista que traz a malta toda dos círios da Carregueira com patardos à mistura. Podemos tamém combidar o Julinho do Intulho que vem ca família do Albino dos Pitromaxes e a Juliana das Águas Turvas... Ah! Tamém nã podemos esquecer da família da Zulmira Patuda amais aquela malta do Ti Casimiro Zebaido da Ti Zebaida Putrefacta, da Palhota, que conhece aquela gente toda lá do rancho. Combidamos tamém o Jquim Espalmadiço...

- …. O Espalmadiço?!!! - Inquire Venâniça.

- Sim aquele que anda a conduzir cilindros pra espalmar o alcatrão!

- E achas bem que o home apareça lá no Rio Frio im cima dum cilindro, ao pé daquela gente fina.

- Qual é o problema?!! Hã? Cada um bai como quer. Uns bão a péi, outros a cabalo nas minardas como a família dos Carborildos que eu até me tinha esquecido deles, outros de tractor e o Espalmadiço bai de cilindro...

- Hummm!!... - resmunga Benâniça quase combencida.

- O que é que achas? Podemos tamém combidar o Albino dos Ácaros pra lebar uns binte ou trinta colchões, porque o quarto parsidencial pode nã ter camas pra esta gente toda! Hã? O que é que achas? Bamos?

- Atão eu bou-me bestir e pintar, que eu nã quero aparecer lá assim, de combinação.


A partir deste momento, Chispalhudo amonta-se na sua pudalera e bai rapidamente fazer a combocatóira a toda agente que já tinha falado, amais uns quantos que se ia alembrando pelo caminho. Todos os combidados concordaram com a ideia e prapararam-se prá balente noite caramela no Holel Bolota D'Oiro em Rio Frio. Todos prepararam um abio a perceito, desde um semi-reboque carregado de meio-bodons, ao pitroil, coiratos e papo-secos, até ós patardos, ratoeras e floberes, canzoada, colchões e acordeões.

O primeiro a chigar à porta do hotel foi o Espalmadiço, que estacionou o seu cilindro junto às grandes limousines, Rolls Roices, e carros de corrida descapotábeis. O último a chigar foi o Celestino Bombista amais oito Dinas de caixa aberta a cagulo de lançadores de foguetaige que trataram logo de marcar a sua chigada com uma salva de morteirada, caté parecia a chigada de Napoleão à Russia.

Ao som da morteirada, Chispalhudo dirige-se à recepção. Atrás dele segue o Albino dos Ácaros acarretando bários colchões, e logo de seguida o resto do elenco com o abio de sacos da compratiba, caixotes da fruta entre outros haberes.

- A gente quer o quarto parsidencial. - pede Chispalhudo.

- Lamento, mas a suite presidencial já está ocupada. - responde a recepcionista.

- Ocupado?!!! Com queim? Ca parsidente da câmara?!! Ei?

- Não lhe posso responder.

- E o que é ca parsidenta da câmara beio práqui chirar? Beio badiar? Beio cabalgar, foi?!! Hã?!! - resmunga o Leonel o Ordenhador com um jerrican de leite de cabra numa mão e uma mine na outra.

- Se ela nã sai já daqui, a gente desata à morteirada caté os bois arrotam a puvides estragadas! - ameaça Celestino Bombista com um cigarrinho nas beiças, pronto a atiçar o rastilho dum morteiro.

- E se nã tem o quarto parsidencial, que malhadas têm bocemecês prá gente? - pergunta a Zebaida Putrefacta com um alguidar cheio de erbas prós coelhos que apanhou pu caminho.

- Temos o quarto 116, o quarto 47, o quarto...

- Xôô, péraí, peraí. Que balhana de quartos são esses? Bocemecê pensa o queim? - interrompe Chispalhudo dando uma punhada no balcão.

- Bamos ximbora, bamos mazé pró rancho da Lagoa da Palha que tem um salão prá gente todos, e é muito melhor que estas balhanas feitas prá galfarraige municipal. - propõe Juliana das Águas Turvas com um cucharro na mão e uma bilha d'áuga à cabeça.

- Péraí. - responde Chispalhudo – Deixem-me fazer aqui uma precura especial à recepcionista. Diga lá aqui à gente: bocêzes alugam tacos de golfe?

- Não, infelizmente nós não dispomos de campo de golfe.

- Não têm campo de golfe?!!! NÃ TÊM CAMPO DE GOLFE?!!! - respondem todos im coro.

- Não, não temos.

- INTÃO ISTO É PRA GENTE PINDÉRICA. - respondem todos im algazarra.

- Bamos ximbora quisto nã tem ambiente. Bamos mazé pró rancho da Lagoa da Palha e fazer uma balente noite caramela. - grita Venãiça da Berruga, com palabras de ordem.

- BAMOS XIMBORA MAZÉ. - gritam todos a garriar, à mistura com patardos polifónicos e modinhas de acordeão.


E lá foram eles todos...


Nã percas os próximos episoides desta grande obra de ficção, se não, ficas de fora deste marabilhoso elenco, nã és combidado, e ficas embezogado a olhar prás paredes que nem uma mula desactibada.

13.4.11

Está lançada a polémica!



(Uma polémica tipo quando um home, im cima duma Dina de caixa aberta, com o cigarrito já ó canto da boca, acabou de lançar a foguetaige e ela bai no ar, suspensa e bertical, e cá im baixo todos olham de boca aberta e coiratos desincerados a espera de óbir o patardo embrutecer sonoramente).

Então ei assim: o grupo de Intelectuais Anónimos Caramelos (I.C.A.), enbiou-nos uma carta via pombo correio-rápido sobre, segundo eles, um assunto que começa a gerar alguns debates-garreias no seu seio e que tal como a foguetaige quando já bai lá no ar, bai ter de arrebintar.
Com esta carta, querem eles, que a gente perceba que este assunto não ei só deles, mas que também o pobo não intelectual deberia começar a pinsar nisto, im bez de pinsarem só na chabe do totoloto e no aumento do preço da ração pá bicheza.

A questão ei a seguinte:
-debe a famosa Rotunda dos Pinheirinhos (um dos ícones da capital Caramela) mudar de nome?
-então porquei?!!!,, perguntamos a gente e bocês também (mas em plaibeque, infiados na nossa boz-leitura).
O problema, par'eles (os intelectuais) é que „os Pinheirinhos estão a crescer e quando crescem deixam de ser pequenos e se deixam de ser pequenos, deixam de ser Pinheirinhos e passam a ser Pinheiros e parece que mais ninguém bê isto, nim pensa nisto, nim se preocupa com isto, só a gente”, disse Quintino dos Libros (também conhecido por Quintino dos Uisques), um dos fundadores deste grupo. De facto vários serões do I.C.A (todas as quartas-feiras das 21h00 ás 24h00) tem sido alimentados por esta questão, que começa a criar divisões dentro do próprio grupo.
A FLC sabe que estes intelectuais gostam por vezes de balentes discussões e que se preocupam com temáticas de grande peso cultural para a vida caramela im jaral.
Por exemplo, uma das ultimas grandes discussões foi sobre quais seriam os melhores sacos de plástico da Caramelandia, os da Cumpratiba ou os dos Retornados. Apesar de alguns membros terem saido do grupo em protesto, foi possível chegar a uma conclusão-parba que agradou a quase todos, com a conclusão que nim um nim outro, que o melhores são as caixas de fruta e de legumes da Reforma Agrária (mesmo assim depois disto houve quem dissesse que os melhores eram os sacos de serapilheira branca da Sapec, tentando iniciar uma nova discussão). Mas neste caso, já la vão varias sessões de debates-garreias e nada, tudo se mantém na mesma, com inflexiveis de um lado e do outro, existindo ate já duas facções opostas: os Conserbadores (defendem a continuação da designação Rotunda dos Pinheirinhos) e os Banguardistas (querem mudar o nome para Rotunda dos Pinheiros), que continuam, sessão após sessão, a ameaçar-se mutuamente com os cachimbos, entre mais uma baforada no respectibo e uma dissertação argumentativa, com alguns bai bardamerda-bai mas ei tu, à mistura.
Desta forma, esta carta é também um pedido de ajuda, para que a gente-FLC intervenha e ponha fim a esta discussão, pois “o pior que pode acuntecer ei o caldeamento do nosso grupo im dois, com o acréscimo da gente se dibidir im dois grupos, já na poderemos ser anónimos porque todos se conhecem uns aos outros e assim perde a graça”, referiu novamente o Quintino dos Uisques. A FLC, após reunião com o conselho de sábios caramelos no Café "Paga e Bai-Timbora" (Fonte da Vaca) e varias grades de mines mais lebes do que quando estabam cheias, decidiu que bai interbir, porque o melhor será este assunto ser rapidamente resolvido inquanto ainda só faz parte dos debates dos intelectuais caramelos anónimos. Assim, bamos inbiar o Toino das Ideias Parbas, o home mais respeitado do pensamento caramelo contemporâneo, a uma das sessões deste grupo, pa ber se ele põe ordem nos homes dos pinsamentos.
“Porque" (diz o Toino), "se este assunto passa pá rua, pó marcado, pró pob-grei im jaral, e sabendo como por natureza somos dados a debates-garreias, isto na fica por aqui, quim sabe lebaba a gente atei a uma guerra-cibil-uns-dum-lado-outros-do-outro, e o ca gente quer ei os caramelos unidos im torno da sua luta pela libertação cultural e identitária, quei pa ber se a gente cunsegue ser libres como os carroceis da Feira de Maio, quando andam á roda, caquilo atei parece o planeta Terra im bolta do Sol, que brilha mais que 1000 mei-bidons im brasa e acho que de um ponto de bista agro-contemporâneo debe de...”(fomos ximbora e dixámos o Toino a divagar sozinho, insimesmado nos seus pinsamentos existencialisto-rurais). Ele bai dar conta do recado.


Se ei pinhero
ó pinheirinho
O que m'intaressa
Ei o binho!

(antigo proverbio do Lau)

4.4.11

CENSOS NAPERONOLÓGICOS (dos Naperons)


De 5 de Abril a 30 de Maio em toda a Caramelandia


A FLC em colaboração com o IDDTC (Instituto do Design e Decoração Tradicional Caramela) bai promover pela primeira vez os censos naperonológicos.

Estes censos consistirão na imediata bisita-bistoria a todas as casas da caramelândia de alguns técnicos estritamente preparados para o efeito, que com a ajuda de canzoada altamente treinada no farejo de naperons, irão amigavelmente rebistar as casas e fazer a contagem (com os dedos das mãos) de quantos naperons existem nos domicílios. No final, será feito um levantamento-pricura de quantos naperons existem actualmente e em que divisões da casa estes mais proliferam (Cozinha, sala, marquise, quartos, quintal, garaige, arrecadação, baldio-neste caso ditado fora) e atei ficaremos a saber que tipos de nódoas são mais frequentes nestes adereços.

Se quiserem saber mais pormenores prestem atenção agora: Cada técnico levara preso a um cordel um cão (de raça coelhera), dos que estiberam em formação durante três meses, em local secreto que na podemos rebelar. Alguns destes cães conseguem agora farejar um naperon a 10 Km de distancia e marcarão com uma balente mijarrada as paredes das casas que não tiberem lá dentro nenhum naperon.

Esta radical acção, deve-se a um alarmante decréscimo do bom costume do uso do naperon nas casas caramelas, o que pode provocar a muito curto prazo a total extinção desta pérola da ornamentação caseiro-tradicional. “E odepois já se sabe” (referiu Albanita Desingomada, directora do IDDTC), ...”comeca-se pela extinção dos naperons, odepois os coiratos, odepois as motorizadoas, odepois as mines com deposito, odepois o domingo de marcado, odepois os debates-garreias, odepois os pitromaxs, odepois os Círios, odepois a mola a prinder as calças quando se anda de bcicleta a pedal, odepois a galheta no gaiato, odepois as matines dançantes, odepois o costume da abaladiça, odepois o arroto-festibo,odepois os sacos da Cunpratiba, odepois a Reforma Agrária, odepois a punhada sadia nas costas, odepois o uso da nabalhita, odepois o pão cum manteiga dos dois lados, e odepois ia-se a ber e a cultura caramela já só era como no desfile das Festas Populares da Capital, uma coboiada (sim índios nim trambelho nhum) pós estrangeiros (homes de fora da Caramelandia) berem i pinsarem que a gente já só existe no Jardim Zoológico dos homes das civilizações parbas que desapareceram”.

Por isso foi também já criada uma comissão de estudo móvel (reúnem-se em cima de uma fragnete de caixa aberta e bão andando de terra im terra com um angulo de visao de 360 graus, menos aos sábados onde estarão na Reforma Agragria com uma banca tira-duvidas e venda de naperons directamente do produtor ao consumidor, incentivando o consumo dos mesmos e sem intermediários que inflacionem os preços). Esta comissão tem cerca de 10 elementos ao mais alto nível (entre eles os conceituados Zimbao Cornadura, o Celestino Bombista e a Ti Abilia Marinada- antiga costureira-naperoneira, especialista em Naperons- à-moda-do-Lau, muito em voga nos anos 50 do século passado) que vão cunbersar com as pessoas sobre a quase- extinção deste símbolo da decoração caramela, fazendo relatórios de opinião-ideias-pinsamentos.

Este grupo que reuniu uma bez (foram atei a Carreguera e ao Lau), tem pelo menos uma opinião popular apurada sobre as causas do crescente desnaperonamento (opiniões obidas no Café América e no Café “A Mine Inbalsamada”): „Ja nã há naperons?!! Isso debe mas ei de ser por causa da inbasão aparbalhada de parbos armados im parbos... (aqui alguém ao fundo do Café América diz com boz grossa: atão se já são parbos já nã precisabam de se armar im parbos!...Pausa. Faz-se silencio.Todos se viram para o local de onde veio esta voz. Ouve-se o vento la fora a assobiar no gargalo de algumas medias vazias abandonadas im cima dos bancos corridos e um cão a ladrar ao longe. Logo a seguir voa uma mine vazia im direcção certera ao home que tinha acabado de intrar na cunbersa sem ser cunbidado. Após esta acção pacificadora, a cunbersa pode cuntinuar) ...que trocam a bela da televisão intiga, por um plasma ou o que isso ei. Ora toda a gente sabe que essas televisões modernas sao mais magras que o cabalo de um cigano onde compro ciroulas no Marcado e na tem trambelho nhum para se colocar um belo naperon im cima", disse Julinho do Intulho, cliente habitual deste local. Foi também esta a opinião (mais ou menos) de Albino dos Pitromaxs, que no "Mine Inbalsamada", ao lado da sua mulher (cum bergonha de falar pós nossos micrifones de gravação), acabado de amandar po bucho uma balente aguardente-digestiba nos quexos, abanou a cabeça, e disse (logo a seguir a um balente ahhhhhhhh!) que sempre cunbibeu com naperons im cima das televisões: “nim desligo uma coisa da outra, nunca bi televisão sim naperon por cima.Isso ei o quei?!!!”

A FLC pede a todos os cidadãos caramelos que colaborem com estes censos e que dexim intar os tecnicos e a canzoada naproneira, fazendo destes censos um berdadeiro cunbibio-festa. Mostrem orgulhosamente os bossos naperons!!!

Uma casa sem Naperom

ei como um home

que na sabe

o quei bom

(antigo proverbio da Carreguera)

25.3.11

Magazine Caramelo das Lutas e Garreias im jaral

Como é sabido, o espécime caramelo é dado (aprecia, lambe os beiços) de forma libre e selvagem a todas as formas de lutas e punhada recreatiba, sendo mesmo considerado o único povo do mundo livre com capacidade para organizar debates-garreia, com alguns participantes a andarem de rojo pelo chão, e odepois no final anda la mais eu buer umas mines que na se passou nada.

Este Magazine surge assim como uma necessidade de dar vazão a esta energia reibindicatiba que nos faz ter buntade de esgrabatar o chão e e de dar punhadas no peito como o Tarzan e a sua macaca.

Nesta primeira edição queremos dar boz (e olhos e orelhas e tudo) ao recentemente criado MRF (Movimento dos Revivalistas Ferroviários).

Este grupo de antigos ferroviários e utentes da CP tem como lemas „par trás ei que caminho” e„intigamente ei quera bom”.

Na última reunião do grupo (com cerca de 30 membros reunidos clandestinamente dentro da Torre da Estação de Pinhal Novo), ficaram deliberadas em acta, as seguintes reivindicações:

1- Imediata reposição da barbearia debaixo do tanque da auga;

2- Imediata e incondicional reposição da automotora para Vendas Novas (pelo menos uma vez por dia);

3- Imediata e incondicional reposição do Comboio Correio, com figurantes do Teatro ATA a fazerem de tropas a dormir esticados nos bancos, ocupando assim quase todas as carruagens, fazendo com que o utente caramelo tenha que ir apanhar o comboio ao Barreiro se quiser viajar assintado;

4- Imediata reposição da Cantina Bar da Estação, com sandes de queijo a cagulo e venda livre de navalhas de bolso, a abrir todos os dias pelas 6h da manha;

5- Imediata reposição dos atrasos de uma ou ate mesmo (porque não?!) duas horas no Sotavento -Rápido do Algarve (deixando também de se chamar InterCidades), proporcionando assim belos convívios espontâneos enquanto se espera pelo mesmo;

Nas palavras do presidente do MRF, Catarino da Ferrovia (antigo factor da CP), „isto é só o começo, pois queremos mudar cumpletamente a forma com se olha para o cabalo de ferro hoije im dia. Chega de modernismos e de ideias parbas de andar pa frente, cada bez mais depressa. Se tão com pressa bão de avião. Pa trás mija a burra e sempre conseguiu puxar a carroça!.

Em relação as reivindicações, diz ainda (enquanto olha para um poster com o rápido do Algarve de 1980 a chegar ao Pinhal Nobo) „queremos ficar conhecidos como „um grupo que gosta de ber passar os comboios, im cunbersa amena, sim garreias”, mas se ninguém atinder as nossas reivindicações, se acharim que as nossas ideias parbas, secalhar vão ficar a conhecer a parte mais selbaige deste grupo, ai vão, vão....”, sem querer revelar ainda o que pensam fazer.

Este Magazine das Garreias pode também ser fotocopiado gratuitamente na Junta de Freguesia da Capital e terá uma regularidade mensal.

Por isso, tu que és jobe ou belho, home ou mulher, se tens algum grupo reibindicatibo e achas ca coisa tem trambelho, ou mesmo tu sozinho, se tens nas tuas ideias de garrear cuntra alguma coisa, escrebe pá gente que depois damos boz á tua luta.

A quem Garreia

na lhe fazem a teia

(provérbio antigo da Lagoa da Palha)


8.3.11

CARNABAL 2011


Nã foi o bento nim as nubes, nim a chuba-molha-parbos que meteu medo à nossa legião de caramelos pra fazer este carnabal, nã sinhor! E lá por a Alemanha nã ter intrado com o graveto prós Amigos de Baco comprarem carros alegóricos, pré fabricados no Montijo, que um home bai deixar de fazer o carnabal. Portantos, mais do que nunca, o carnabal caramelo está aí nas ruas como o toicinho está na sopa caramela.

Por isso chigou a hora de todos os homes brabios saírem das suas tocas e meterem martelos e sarrotes à obra. Procuraram por esses baldios, estrumeiras, valas e ferro-velhos a matéria prima para construir o maior ebento carnabalesco do ano. O gintio veio de toda a parte, desde a Marateca à Carregueira, de Bal da Bila até aos Batudes, tudo se ajuntou plas rua como a grabilha junto aos carris da linha do comboio. Este ano a FLC infiltrou-se no cortejo com sofisticados aparelhos para ber os níbeis de caramelidade, e é tudo isso que a gente agora bai ber cum atenção.

Este é um dos agentes secretos da FLC com um medidor de níveis caramelidade. Segundo os dados recebidos no nosso quartel general (clandestino), os índices estavam no máximo caté os pintos ganiam.

A desbrabar caminho para o desfile passar, vinha a GNR, debidamente trajada com o seu carro alegórico. Este carro ainda preserba o brilho dos dinheiros europeus, mas daqui a uns anitos, se quiserem passear o carro no carnabal, têm mesmo que ir buscar um à estrumeira e têm de bir fardados à matrafona (com as combinações de suas mulheres)!


Cabeçudos inspirados no mundo rural. Um galo e uma galinha poedeira cumprimentam a população dizendo que em bez de comprarem frangos da Tailândia no Minipreço, o melhor é montarem uma capoeira na marquise e fazer criação caseira.


Mais um todo-terreno alegórico, com seres da mitologia caramela como o Dragão-de-Charco e a carabela que fez a primeira trabessia da Bala da Salgueirinha, desde a Cascalheira até ao cabo da Lagoa da Palha.

Uma cabeçuda infiltrada nº1.

Cabeçudo infiltrado nº2.

Cabeçudo infiltrado nº3.

Uma inspectora da ASAE destacada pra ber se a especialidade do palhaço (que vem na codaque seguir), tinha a qualidade determinada pelos ingenheiros de Bruxelas...

...como era merda de cão, recolhida cuidadosamente da relva do jardim, estava tudo em conformidade com as normas da União Europeia.

Uma lagarta da coube segundo o imaginário infantil contemporâneo... com chapeu e tudo.

Quando este tractor-alegórico apareceu, muito intrigou os agentes da FLC. Pela postura desmorcida do agricultor-chofer, tudo indicava que se tratava duma triste alegoria aos gorilas da Amazónia mas...

... o que afinal se apresentaba era um par de nalgas caté o nosso aparelho medidor de índices de caramelidade arrebentou pas costuras. No intanto aconteceu um estranho fenómeno! Estão a ber o home a medir o tamanho das nalgas da repariga? Estão, nã tão? Intão olserbem agora a seguir...

Poizé! O home transformou-se totalmente! Do que restava do home intigo apenas ficou a survia na mão. A FLC imbestigou nas escrituras de S. Sebastião e descobriu que é um mau olhado: um home que se impanturra a olhar prás nalgas alheias pode transformar-se noutra criatura. No intanto o poder das mines é tal que, mesmo que um home se transforme totalmente, nunca as deslarga. Sinal que é home brabio e mantém os seus costumes mesmo com o mais poderoso feitiço das nalgas. O mesmo fenómeno ocorreu noutro caso. Ora bejam lá a seguir...

Estas eram as nalgas de Domingo...

E estas as de 3ª feira!

E já que estamos a falar de nalgas, aqui bão dois pares delas feitas por gaiataige de 6 anos na China.

Temos agora aqui o Papa a abençoar isto tudo.

Segundo o feitiço que a gente já falou, esta criatura da codaque debe olhar todos os anos intensamente para as belas nalgas de alguma espanhola! E porquê? Hã?! Porque todos os anos se transforma em matrafona agarrada a uma mine. Alguns agentes especiais da FLC já se voluntariaram para olserbar intensamente as nalgas da Ti Marbília das Bordas-Largas, (das Areias Gordas) só pra ber o resultado da transformação.

Um burro a carregar mercadoria prá Plataforma Logística do Poceirão.

Maquetes do novo tipo de construção civil para os novos bairros do Pinhal Nobo. O prédio da direita rebela uma arquitectura de origem caramela e totalmente ao gosto do construtor.

Este é o novo empreendimento do Rio Frio: o depósito da água em forma de cogumelo, e o hotel de 6 estrelas pra atrair galfarraige turística.

O carnabal nã tinha nhum trambelho se nã tibesse uma pipa e um cacho de ubas, tudo pronto pra serbir à populaça, pra boltar cá pró ano. E aquela bela anjinha? Hã?!

Xô... nã olhem muito prás pernas na repariga, se não ainda amansam e transformam-se em anjinhos!

O carrinho-de-mão completamente kitado. É o tunning do carrinho-de-mão mais conhecido da história. Este é um dos poucos artefactos caramelos capaz de entrar nos mais conceituados museus do mundo.

Os Bardoada com a sua música inspirada na fuguetaige dos círios. Uma música melodiosa berdadeiramente caramela.

Um bom exemplo de mobilização municipal. É importante saber que o home que puxa usa um combustíbel tinto do Poceirão e leva um depósito de reserva.

Um berdadeiro poema no tablier que só um caramelo brabio saberia escreber.

E agora a fase dos carros alegóricos de índole ruralo-sucateira com encenações e rábulas à mistura. Neste caso podemos ber uma inspecção automóbel da Controlauto, (Vale do Alecrim) em que ingenheiro bai chumbar o beículo por nã ter champô perfumado na água do limpa vidros.

... mas afinal passou à segunda inspecção. O ingenheiro descobriu que afinal o beículo trazia um atrelado com uma máquina de imperial, e assim tudo se resolbe. Na Caramelândia, quem leva um atrelado com uma máquina de imperial tem sempre todos os seus problemas resolbidos.

Mais um caso duma inspecção bem sucedida, desta bez bastou levar um taliban a guardar o motor.

Um carro promocional dos produtos caramelos. Na codaque seguinte podemos ber em pormenor o que é que está ao dispor da população...

Temos bários artigos de interesse, como três laranjas, a carapaça dum esquentador, um jerrican cheio de ferruige e algumas cuecas em segunda mão (segundas nalgas) entre outras coisas! Quem quiser outras mercadorias... só importadas da Ásia.

E agora a tão esperada fase das minardas-alegóricas. Neste caso uma limosine mono-logar para levar as grandes estrelas do caraoque.

Um gaiato a marcar território laboral, não vá um dia ficar sem emprego.

E agora uma limosine com um sofá familiar totalmente panorâmico.

Como não podia faltar, aqui está mais uma bez o nosso comboio alegórico. Este ano transformou-se num útil submarino já com toda a tripulação. É de sublinhar a bandeira lusitana como ícone dum carnabal que dura há mais de 800 anos e que hoije im dia está mais forte do que nunca.

Uma pubalera-alegórica com um tripulante debidamente mascarado. À frente, no guarda lamas, está mais uma antena da FLC para detectar os níbeis de cramelidade. Pelo estado em que está podemos adibinhar que passou por perto alguma caramela digna de registo. Da parte de trás está outra antena com a mesma tecnologia, mas só pra detectar os pontos cardeais.

Lá bai o cortejo a desaparecer, a caminho dos bombeiros e...

... atrás bai o carro-bassoira-alegórico e mais as suas bailarinas numa bela coreografia, encenada pela Junta de Freguesia.

E prontus... Pró ano há mais.

Mas entretanto a FLC bai fazer tudo para que o carnabal seja, um dia, 100% caramelo.

Mai nada!!!