28.1.12
Abancemos!!!!!
20.1.12
Polícias aprendem com caramelos
A FLC, mais uma bez, estebe presente apenas como provedora dos costumes caramelos.
Se queres ber como aconteceu aperta aqui:
11.1.12
Mais uma missão de alto interesse caramelológico
4.1.12
DESCOBERTA INCLÍBEL IINCRÍBEL
23.12.11
MAIS UM EPISOIDE DE COIRATOS CUM AÇORDA
a nobela da tarde totalmente garriada em caramelo moderno
Episoido especial de Natal
Início de Inverno na Caramelândia, as folhas das árvores ainda caem em alguns locais, o sol a meio-gás bronzeia suavemente o lombo dos porcos caramelo-mirandeses que vagueiam nos campos em busca de traçantes que ingordem e façam os seus donos orgulhosos na hora da matança.
Albino Chispalhudo ta im casa. Olha cuntemplativo para a árvore de Natal que a sua mulher acabou de decorar com algodão e rabuçados de mentol. Lembra-se do seu tempo de gaiato, quando esperaba pelo Pai Natal e ia apanhar pinheiros selbaiges no campo. Dócil como um barrasco capado, senta-se no sofá enquanto a sua mulher lhe massaija os chispes com criolina e augardente noba. Ligam a telebisão. Bai começar mais um episóido dos Coiratos com Açorda, a sua nobela preferida (neste episóido o realizador inspirou-se na bonecaige Russa que biu a ciganaige a bender no marcado e decidiu pôr o Chispalhudo a ber a sua própria nobela, um dentro da outra, um abanço notável na ficção caramela).
Na telebisão aparece um grande plano do interior do Café Lua Cheia Aparbalhada, bendo-se uma árvore de Natal ao fundo com as luzinhas a piscar e o balcão todo decorado com fitinhas brilhantes. Dois homes entram, encostam o bracito ao balcão e pedem duas medias de forma iducada “bá lá ber atão o do costume, já cá debia era de estar!”. (Chispalhudo reconhece-os: “olha, são o Toinito da Sibéria e o Custódio da Siderurgia Nacional!”). Depois do primeiro gole procuram um tema de conversa, ao mesmo tempo que afastam as moscas que andam de bolta dos tremoços cum sal (a câmera segue-as dando imagens bertiginosas). A meio da quarta golada, um diz que o mundo ei grande como uma melancia do Manel Leitero e o outro responde com um sintético “tás parbo”. (O Chispalhudo ri-se mais a mulher, que aproveita para lhe agarrar os pés e cortar as unhas).
Calam-se durante cinco minutos, na bela observação abistada da neta da Ti Juila Alinhavada, que bem lá ao longe e daqui a nada bai passar im frente ao café. Depois da pariga passar, o outro diz que o verão este ano foi no outono, como se as porcas parissem patos e o outro responde novamente “tás parbo”. Opois, um diz que as laranjas da Cunpratiba ei que eram boas, o outro gosta mais das dos Retornados, que o Lau ei mais intigo que a Palhota, o outro responde que os morteros do Cirios da Atalaia boam mais alto que os foguetões dos amaricanos e o outro diz que os amaricanos se ca biessem só gostabam do Cafei Amerca (café América) e o outro diz que eles já andem por aí, só nã bê quim ei parbo. (O Chispalhudo inerba-se, concorda com o verão, mas diz que as laranjas melhores são as do InterMache e a mulher diz que os foguetões ei que aboam mais alto que os morteros. Começam os dois também a garrear, ele a espernear e ela de gazua eim punho a ber ser lhe corta as unhas dos chispes).
„Dizem que agora bai muita malta par fora, pó estrangeiro. "Pá donde? Pa Palmela?; não parbo, memo pa fora, muito par lá da Caramelândia.; Só espero que o nosso parsidente, o Lagarto também nã comece a dizer que a gente tem de emigrar. O outro: pois ei, o mundo ei grande. O outro: Nã ei tão grande como a Lua ou como o Sol. Sim, mas ei redondo. Ei. E pode-se dar a bolta. Pode-se, concorda o outro. E pa dar a bolta bai-se por li (aponta lá par fora, na direcção donde beio a a neta da Ti Juila Alinhavada). Não, pa dar a bolta bai-se por lá (aponta na direcção da casa do Toino Labagante). Não, por li. Não, por lá. Ei por qui! Ei por lá! Na ei! Ei! Na ei! Ei! Na ei! Ei! Por qui!!! Por lá!!! Tás parbo!!! Olha que alebazias, ai lebas lebas!!!" (entra uma música de ferrinhos e som de trela de cão a bater em chapas, a qual cria grande tensão). "Bai uma aposta? Ah ateimas?!!! Sim, ateimo, queres apostar?!! Bamos apostar! Mas primero bamos buer mais uma. Pitroila, bá lá ber mai duas meidas, pá gente buer e adepois se a gente desaparecer diz que um dia boltamos e bai pondo a mesa porque quim ganhar paga a almoçarada e as grades de mines que os homes quiserem buer. E podes dzer quei bar aberto atei a gente regressar." A Pitroila olha descunfiada para eles, ao mesmo tempo que serve a buída e pargunta: atão mas bão adonde?. Respondem os dois ao mesmo tempo: “Bamos dar a bolta ao Mundo, mas na bamos um mais o outro. Um bai por qui, outro bai por li. E bamos a ber quim tem razão!!!!”.
Assintados, Toinito da Sibéria e Custódio da Siderurgia Nacional bebem as duas medias em silêncio, pinsando já na biajem. Odepois levantam-se pedem mais duas, pa lebarem no caminho e arrancam cada um pa seu lado. (Chispalhudo olha pá televisão quase siderado, ei um episodio de grande suspanse. A mulher bai fazer o jantar e cuntinuar a labuta das filhoses. Na mesa vê-se a sopa de intulho begetal em grande plano e duas fatias de pão cum manteiga dos dois lados (para criar habitos de boa comida aos espectadores da nobela). Da cozinha ainda diz “atão e tu nã apareceste neste episoido?!! Agora só te botam a ber os outros na tua nobela?!!”
E agora??? Será que o Toinito da Sibéria e o Custódio da Siderurgia Nacional bão mesmo dar a bolta ao mundo??? Ou bão mas ei ó cafei Capuchinho e ó depois ó Tascão e ó depois ó Cafe América? Ou só inbentaram isto porque na são parbos e bão-se mascarar de Pai Natal Caramelo (que este ano tá ainda em fase experimental) e na querem que ninguém descunfie que são eles???
Não percam os próximos episóidos desta nobela, que ei tão boa como a sopa caramela!!!
13.12.11
O Pai Natal Caramelo
Está escrito na Bíblia Caramela que Deus só infiou as mãos na massa pra fazer a espécie caramelosapiens, depois de ter criado o porco os pardais e a geada do Lau. Com uma massa especial, Deus criou então o Caramelo, esperando que este mamífero, dotado duma imbocadura extraordinária pró binho e mines bem como uma apetência voraz por toicinho e coiratos, biesse a dar ao mundo artefactos como o fogareiro, a nabalhita, o sarilho, a flober, a gamela e muitas outras coisas de interesse. E assim aconteceu imediatamente após 60 mil anos de gerações cada bez mais espertas e sequiosas. Mas o que Deus não esperaba (e isso está escrito) era que o Caramelo nunca se desse ao trabalho de inbentar um Pai Natal feito à sua imagem e fitio. Na berdade, na época de introduzir um Pai Natal no meio ambiente, o caramelo foi enganado pelas culturas aparbalhadas da américa e, claro está, adoptou (sem querer) o Pai Natal mais parbo que existe: a figura criada prá Coca-Cola (que é uma buida que serbe só pra arrotar e deixa um home bruto, tal e qual, como se nã tibesse buído nada!). Este Pai Natal de traje bermelho foi desenhado pelo cámone Haddon Sundblom em 1931.
No intanto a FLC nã aceita esta cultura inchertada no interior do nosso território e foi cumprir o que está nos testamentos Bíblia Caramela: versículo 123698: “Não tenhas, pois, o teu Pai Natal por filho de cámónes parbos; porque dessa figura nascem meus cuidados e para o termo do meu desgosto terá o Caramelo de imbentar o seu.”
Dito isto, a FLC, pôs mãos à obra e foi pedir ao Nicolau Fictício, um horto floricultor capaz de criar obras de arte só com uma cavadela. A sua vasta obra faz uma fusão entre o barroco tardio e o conceptualismo atómico. Uma das obras mais emblemáticas é o relbado micro-orgânico do campo de futebol de Baldera que todos podem olserbar aos domingos.
Nicolau Fictício respondeu ao nosso pedido, imbentando o Pai Natal Caramelo que a partir de agora, deberá ser adoptado pelo nosso povo. Eis intão como ele se afigura:
- - Em bez de barba de penuige branca, usa um bigode e umas patilhas caté mete imbeja aos silvados do Poceirão;
- - Em bez dum pijama encarnado, usa um traje domingueiro do rancho do Pinhal Nobo e um chapéu de aba larga (tipo vocalista do rancho da Lagoa da Palha);
- - Em bez de andar a aboar com renas, anda a pei com um carrinho de mão cheio de oferendas.
- - Em bez de entrar pa chaminé, toca uma flaita (com a modinha dos amola tesoiras) prá família abrir a porta. Se nã abrir a porta, o Pai Natal abre um roço na parede, com a ajuda duma picareta.
- - Em bez de oferecer balhanas de plástico da China, oferece sacas de ração prá bicheza, ovos caseiros e fatias de pão com manteiga (barrada dos dois lados).
Muitos mais predicados tem este personaige sazonal que que é o Pai Natal Caramelo. Este ano entra ainda numa fase experimental, mas para 2012 a FLC está certa que bai ser muito bem acolhido, pois é sabido que para o ano, por esta altura, qualquer gaiato bai dar mais balor a uma fatia de pão com manteiga do que a um polícia de plástico, a pilhas, feito na China.
"Foram os nossos tetra-bisabós
que se puseram a imbentar
usos, costumes e forrobodós
prá gente hoije disfrutar."
(Quadra popular da Benda do Alcaide)
6.12.11
Formas de independência total 1
A FLC está agora mais concentrada do que nunca em levar a Caramelandia a obter a independência total e incondicional.
24.11.11
Caramelos de todo o mundo uni-bos!!!
Em tempos de crise global que atéi a nós afecta ei tempo para colocarmos im prática os nossos ancestrais conhecimentos. Os mesmos que permitiram ao homo-caramelus sobreviver e desinbolber-se como povo e sociedade selbaige-ordenada desde que o primeiro home, armado im parbo, olhou para as estrelas lá im cima no céu atei aos dias de hoje im que já nos tratam como caramelos e todos querem ser como a gente. „E se querem ser como a gente ei porque nos admiram e reconhecem a nossa capacidade de ser como samos e se samos como samos, o melhor ei começar a saber o que samos quei para sermos ainda mais o que samos”, disse o Toino das Ideias Parbas, na Festa da Atalaia, entre o estraçalhar de dois patardos embrutecidos e mais um gole numa mine.
Atão e porquêi esta cunbersa toda e na bão directos ó assunto que bus trouxe aqui?! Sim, a ber se se desinmerdam (continuam a pensar bocês) e botem mas ei cá par fora o que querem propor á gente.
Atão se assim ei, cá bai. Prestem atenção agora. O que a gente da FLC quer de dizer a bocemecezes ei que a gente se quiser podemos ser auto-suficientes, continuando a biber como homes e mulheres libres e atei mais libres do que éramos atei agora. E para tal, ei preciso que todos comecemos a dar pequenos passos (tipo quando os leitõezinhos começam a andar, sempre com o olho nas tetas da porca- e a porca aqui ei o nosso objectivo final).
A FLC já tem em marcha um conjunto de medidas que vão apoiar esta noba emancipação económica e cultural das nossas gentes. E como na queremos que pensem que temos a maniazinha bamos começar pelas coisas simples e cuncretas, ainda sem os desbarios filosoficos do Toino das Mines que nos inbalsa os pinsamentos.
E o simples ei que cada um pode plantar a sua própria horta, para dai retirar tomates, alfaces, coubes e pupinos. Se na der pa nos impanturrar-mos sempre dá para fazer uma sopa e com uns bocados de pão, sempre ei uma balente refeição.
Portantos, para os que moram no campo caramelo isto ei uma coisa natural, mas para os caramelos urbanos, os da capital, nem por isso. Mas estes podem, com criatibidade e balintia criar pequenas hortas nas suas barandas e aqueles que intraram na moda das marquises podem assim criar belas estufas e tornar-se mini produtores de tomates, só pa dar um exemplo. Para qualquer uma destas possibilidades só pracisam de: recipientes belhos, terra, sementes, áuga e tempo. Também pracisam de curiosidade e buntade de aprinder. Se na soberem, aprobeitem a nossa internet móvel, que ei como quim diz os nossos anciãos que tudo aprinderam com os pais que aprinderam com os abós que aprinderam com os bisavôs, e os tetras e por i fora atéi ao nosso Biriato caramelo que um dia também bus falaremos nele. Portanto chispes e mãos á obra, queremos ber essas barandas e marquises a transbordarem de ramaige berde, fazendo assim uma berdadeira cidade-campo, um nobo habitat para o homo caramelus citadino.
Para quem ainda na ficou cunbencido ou bai ber se tem tempo para isto, inquanto esperam podem sempre ir a Raforma Agraira ós sábados, ber quem realmente bende produtos caramelos e incher a alcofa.
Quim na sua terra se abia
tem probeito e balintia
(antigo proberbio do Lau)
26.9.11
CIRCUITO DE MANUTENÇÃO CARAMELA
É já do conhecimento público que as forças globalizatórias continuam a dar tramela ao nosso pobo no intuito de o transformar numas papas de vargalho branco! Mas a FLC, como entidade protectora da cultura caramela, nã deixa que isso aconteça, pois os costumes que os nossos bisabózes imbentaram intigamente, são prá gente desfrutar hoije. Dessa maneira, foi no passado Sábado que as altas patentes desta organização clandestina, assinaram um protocolo com o Firmino Desentupido, para a cedência dum baldio de 30 hectares na Benda do Alcaide. Este baldio bai transformar-se num parque temático para a manutenção da cultura caramela. Terá o nome de Caramelarium e consiste num circuito de manutenção para todos aqueles que, já sendo caramelos, percisam de manter a sua cultura intacta contra as albardas reaccionárias do ocidente. Quem nã for caramelo pode afoitar-se lá par dentro só pra sintir as marabilhas da nossa milenar civilização.
O projecto foi garriado, terminado e aprobado à sombra dum andaime cheio de ferruige, em frente ao café “Mina de Mines”, em Bal da Bila, e é pra ser implementado já amanhã de manhã. O circuito de manutenção tem dibersos obstáculos que não são mais do que simulacros para exercitar os usos e costumes caramelos. Cada praticante bai superando um a um, com o máximo de realismo, até ficar sastesfeito da bida. O percurso deberá ser feito com traje a rigor debendo os homes estar munidos duma nabalhita e as mulheres dum alguidar. Desses obstáculos destacamos aqui, em primeira mão, os seguintes:
- Tem de cozinhar e infardar um prato tipicamente caramelo. Há duas bariedades à escolha, serbidas em gamela de meio alqueire: a Fava insalsada, ou a Batata cu pingo.
- Tem que atrabessar uma passaige de níbel com 14 linhas interlaçadas, estando dois comboios em manobras, um pra um lado e outro pra outro. O praticante terá de entrar e sair dum comboio de passageiros e opois saltar por cima de outro, carregado de grabilha. Tudo im andamento. Este simulacro treina o que intigamente se fazia, em que a gaiataige, pra ir prá escola, tinha que atrabessar uma dezena de linhas, passando por cima dos comboios pra nã chigar atrasado às aulas.
- Tem de entrar num túnel de bentania e acender um meio-bidom, só com tojos secos e um fórfo. Este simulacro treina o caramelo na sua relação com o fogo e com o fogarero.
- Tem de cavar um rego de 50 metros e incher ele de áuga com a ajuda duma picota, tendo o cuidado de nã inxotar as arãs pra outro charco. Este simulacro treina o caramelo para os tempos que se abizinham (em que, se quiser comer, tem que cavar e regar).
- Tem que conduzir uma matilha de sete cães de raça traçador-de-restos, num corredor de 500 metros acagulado de gatos. Os cães bão todos atados por cordeis, e o participante tem que tirar as teimas à canzoada, sem se enlearem nem se engalfinharem com a gataria. Este simulacro treina a bicheza e o caramelo prá ida à bacina. Um clássico!
- Entra num complexo labirinto, intulhado de mercadorias do marcado do Pinhal Nobo. Todo o percurso é feito com um palito nas beiças que bai, como uma bússola, apontando o caminho. Este simulacro treina o sentido de orientação do caramelo para quando for fazer o avio ao marcado mensal.
- Tem que ir à estrumeira procurar a minarda que está lá interrada há 20 anos. Ao encontrar ela, terá de pôr a trabalhar e zarpar amontado até ao foguetódromo. Este simulacro treina o caramelo para os dias que hadem bir (em que ele tem que deslargar o seu BMW e boltar a andar na sua fiel minarda, atirando um foguete ao ar).
***
O circuito tem mais de 2400 obstáculos diferentes, como a apanha de pinhas, o cortar lenha, a bindima, buer mines de litro, sessões de punhada (com robôs brabios), enfrentar um toiro na largada, ordenha de cabras, balho (com robôs brabios programados pra balhar modinhas do rancho fóclórico das Lagameças), e mais uma data de coisas sem fim!... No final da prova, o meio-bidom deve estar ainda aceso em labaredas.
A inauguração contará com um festibal de música caramela, contando com a presença do poli-instrumentista-cançonetista Jorge Nice que bai insaiar e descontrair as entidades oficiais com a leitura dos editais da Junta de Freguesia do Poceirão em linguaige caramela. Terá também a participação dos Shivers, com a boz aveludada do Igor Azougado com o tema “Épah” em castanholas e pandeireta de caricas; do Axel com uma bersão em gaita de beiços do tema do festibal RTP da canção; dos Ervas Daninhas que vão tocar o clássico "Caganitas de coelho" só com chocalhos, os Bardoada que, só com bombos, bão tocar a ópera “O charco dos cisnes”, com efeitos de luz em pitromax e candeeiros a pitroil, e pra terminar o mítico grupo de baile Terno D' Ouros, que se reune numa nova formação só para este ebento e vão tocar a marcha do Bitória de Setúbal com campainhas e guisos polifónicos.
REBOLEM CALHAUS DO CASTELO
QUE NADA ASSUSTA UM CARAMELO!
2.9.11
ABC da Bassoira
Estudos da FLC têm rebelado que os níbeis de imbecilização da sociedade moderna nos últimos anos têm sido preocupantes. Pra evitar esta tendência no nosso territóiro, o restrito grupo dos Cabreiros Templários (conselheiros cativos à FLC) reuniu-se clandestinamente à bolta duma malhada de cabras pra traçar um curso intensivo, emitido por cordel atado a uma rede de latas bazias.
Cada habitação irá ter uma lata, com um buraquinho no fundo de onde sai um cordel esticado que, por sua bez, bai ligar a um painel de latas instalado nos estúdios da escola. É então o Curso Propedêutico Tele-Lata Para A Cultura Caramela (C.P.T.L.P.A.C.C.).
Infiem os bossos obidos par dentro das latas e bamos lá intão obir e aprinder.
Mini-Apresentação:
ORQUESTRA DA SFUA (em dias de budeira colectiva):
Tom tororom, frlôm fôm fôm…
Tum tururum, frlum fum fummmm.
PATARDO DOS CÍRIOS DA CARREGUEIRA PRA DESIMPOEIRAR AS LATAS:
“PUM”
“A BASSOIRA ”
PROFESORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
O mundo doméstico caramelo está repleto de objectos importantes que poupam o home e a mulher de ter que esgrabatar cas unhacas pra fazer as coisas, por isso, hoije bamos falar da bassoira.
Dum modo giral a bassoira serbe para inxotar o lixo para a porta do bizinho que por sua bez inxota o lixo para a porta de outro formando assim uma comunidade. Trata-se portanto de uma das mais intigas formas de sociabilização, mesmo antes do caramelo apanhar ubas pra comer e buer. Nos tempos intigos, a bassoira era constituída por um tufo de tojos secos atados por um baraço.
SOM DA ARAIGE A UIVAR PUS RAMOS DUM EUCALITRO AMAIS A BOZ DUMA CARAMELA A BRADAR...
Áudio-encenação:
- Óh Jacinto, deslarga lá a inxada e bai fazer a mim uma bassoira que eu preciso de barrer os cortinados.
- Já bou. Deixa isso im paz e bai mazé fazer a sopa que eu tou cuma esgana capaz de comer um barrasco pus cornos.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
Assim se percebe que a bassoira se tornou desde cedo um objecto de fabrico caseiro, tipicamente feminino com múltiplas funcionalidades e pouco apreciado pelos homes.
A bassoira sem pau era baixa e tinha o poder de dobrar a caramela para o acto da barredura dando todo o relevo ao traseiro a dar-a-dar, coisa que agradava ao seu amado. Mas quando a mulher barria a eira à frente doutros homes, o seu querido home já não achava graça nhuma e essa posição podia até dar punhada giral. Foi intão que se inbentou o pau de bassoira prá mulher ficar direita e os outros deixarem de se limber com os olhos.
Com o pau, a mulher ganhou outra elegância e poder de manobra. As mais belas coreografias domésticas estão associadas à caramela quando barre a terra, a grabilha e as caricas, que a sua família trouxe agarrada às botas par drento do lar. Ber ela a barrer e a assobiar entre os raios de sol, é um dos momentos que qualquer home caramelo gosta de guardar na memóira pra toda a bida.
A bassoira, além de barrer, tebe sempre muitas outras utilidades, como sacudir os tapetes e as fronhas das almofadas, tirar as teias que as aranhas caramelas gostam de fazer aos cantos da casa, ou até mesmo para abanar o fogareiro. Mas dada a inbenção do pau, multiplicaram-se as utilidades, tornando-se assim um dos artefactos mais importantes da bida doméstica.
SOM DO CHAFURDAR NUM ALGUIDAR COM 50 LITROS DE CAL ACOMPANHADO POR UM DIÁLOGO DE GALOS POR ESSE CAMPOS AFORA...
Áudio-encenação:
- Ó Natércio, bai lá pôr a bomba d’áuga trabalhar pra meter aqui áuga no balde pra eu mexer aqui a cal com o pau da bassoira.
- E tu já tens trincha pra caiar o muro?
- Atão na bês que tenho aqui a bassoira. Bou caiar com ela… e deixa-te de cumbersas e bai já ligar a bomba.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
O pau da bassoira serbe portantos para mexer a cal, desintupir a retrete, bem como educar o gaiato parbo a ser o home de amanhã. Neste caso, um gaiato que tenha na mania, tem logo prometida uma pazada de bassoira pu lombo caté impa.
SOM DUM BANDO DE GAIATAIGE A JOGAR À PADRADA E A ESTILHAÇAR O VIDRO DUMA JANELA. OPOIS SILÊNCIO… …
ABRUPTAMENTE OUBE-SE O ESTRONDO SECO DUM PAU DE BASSOIRA A ACERTAR NO LOMBO DUM GAIATO DESACAUTELADO E A FAZER DELE UM HOME ÀS DIREITAS...
Áudio-encenação:
- Toma lá que é pra aprinderes. – diz a mulher caramela na sua missão educadora.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
Não sendo um objecto que dure para sempre (como por exemples um pneu), a bassoira tem o seu ciclo de bida bem definido no nosso dia-a-dia. Quando é noba, serbe pa barrer as impurezas da casa, mas à medida que bai embelhecendo, a bassoira passa a fazer serbiço no quintal e, vai, vai… até acabar na pocilga. Mesmo quando a bassoira está resumida ao pau, ela já nã barre nada, mas ainda assim tem nome de “bassoira” e serbe pra fazer com que o bacro aprenda a portar-se com catigoria, como um banqueiro dentro dum Jaguar im direito à pousada do Castelo de Palmela.
BARULHO DUM BACRO A BARRASCAR NA GAMELA E A COMER BOLOTA À GANÂNCIA; ESTOIRO DO PAU A INCARNIÇAR O LOMBO DO BICHO, SEGUIDO DUM GRUNHIDO DE EXCLAMAÇÃO:
Áudio-encenação:
- Grroinc!
- Toma lá que é pra na seres lambão e te acautelares. - diz o dono.
- Grônc. – resposta do bacro.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
Nos dias de hoije a bassoira ganhou muitas formas e tamanhos, chegando mesmo a ganhar o fitio dum toalhete de papel agarrado a um cabo. Ainda que apresente um cabo cumprido, este é pouco resistente e facilmente se desmancha quando atinge o lombo dum porco ou dum gaiato parbo (razão pela qual a gaiataige e os homes de hoije têm dificuldade em intender os ensinamentos que uma bassoira intiga podia proporcionar).
O artefacto sim trambelho nhum que o mundo moderno impurra (prá gente jogar fora a bassoira), é o aspirador. Este objecto eléctrico, que faz mais barulho que o comboio dos bolksbaiges, requer, no entanto, o dobro do trabalho para usar. Além disso, o aspirador tem a capacidade de chupar dos dois lados: de um lado chupa as pequenas impurezas por uma mangueira e, do outro, chupa a electricidade com 23% de imposto. Apesar de ter o poder de chupar continuamente sem se fartar, não consegue chupar uma carica, uma pedra de grabilha ou até uma caganita de coelho que ficou colada ao cimento. O pior de tudo é que retira toda a beleza coreográfica e os belos cantos de assobio que uma caramela refinou ao longo dos séculos. Portantos, barrer é uma coisa, chupar é outra e não benham cá com misturas parbas. A bassoira intiga é que éi.
########
E agora responde às seguintes parguntas:
1- De que objecto tibemos a falar?
2- Indica três utilidades importantes que tem o pau da bassoira.
3- O que é que chupa sem se fartar?
4- Porque é que o banqueiro bai de Jaguar e não bai de Zundap?
5- Porque é que o IVA da electricidade é 23%?
6- Desembolbe uma redacção, a partir da tua cabeça, sobre as semelhanças entre um aspirador e um banqueiro. Nã te esqueças de usar o pau da bassoira.
Bom trabalho.
27.8.11
Notícias breves da Caramelândia
Agosto ei o mês em que os caramelos vão a banhos, o mês da ocupação libre e selbaige de selhas, alguidares, tanques de roupa, tanques da água, valas, charcos e todo o tipo de basilhame que cumporte liquido augativo e que tenha tamanho suficiente para que um home, se não se puder apragar todo lá par dentro, pelo menos possa descalçar as peúgas e infiar os chispes de molho.
Mesmo assim a máquina caramela da FLC não pára e, oleada a mines, melancia e tinto da região, bai olserbando o que de melhor acuntece na nosso territóiro.
Bejam lá atão:
Novo espaço gastronómico na Caramelândia
Ei já amanhã a inauguração do novo restaurante “Intulha-te atei Arrebintares”, situado no Lau, em frente da Loja da Ti Balbina dos Pitromaxs. Este restaurante, com assinatura de design caramelo contemporâneo, pretende satisfazer o gosto de requinte dos caramelos mais exigentes ao mesmo tempo que faz a fusão entre uma cozinha tradicional caramela e o que de mais moderno possa haber. Assim, o restaurante foi instalado num antigo local de criação de porcos e as mesas são mesmo dentro das pocilgas, com palha no chão para que, quim quiser, possa comer deitado. Outra nobidade sao os talheres, onde facas e garfos foram trocados por colheres de pedreiro e utensílios parecidos. De realçar que alguns dos antigos porcos que habitavam este local, se recusaram a sair e por isso ainda se encontram lá e circulam alegremente pelo meio dos clientes, criando uma simpática e familiar atmosfera. Este novo espaço da gastronomia caramela apresenta também nobidades para almoços e jantares de grupos, onde há a possibilidade de comerem todos da mesma gamela. Como diz o dono deste estabelecimento, “aqui pagam 7 euritos e comem atei arrebintar, atéi a pele da barriga nã poder esticar mais e das duas uma, ou rabentam como os balões dos gaiatos no Marcado, ou se não, ei porque ainda há espaço para mais uma colherada de intulho de coiratos!”.
Outro aspecto importante, ei que estará sempre á porta uma ambulância dos bumberos, pronta a lebar vítimas de arrebentamento por alarvidade comensal.
Alguns dos magníficos pratos que aqui se podem experimentar:
– intulho de coiratos com côida de pão duro;
– panelada de grão com cabeça de vaca;
– Chispalhada à moda do Albino Abrutalhad;
– Arroz de feijão com orelha de porco caramelo-mirandez (servido dentro de um carro de mão);
- Intarmiada com pão cum manteiga dos dois lados;
Concentração de canzoada de raça coelhera
(dia 9 de Setembro, 16h00)
Como se sabe a raça coelhera é a única raça canina estritamente caramela e tem como imagens de marca viver dentro de um bidon, estar atado a uma árvore e traçar as sobras dentro de tachos e panelas velhas. Outro sinal de marca, á o orgulho do seu dono-home caramelo que quando com ele vem á cidade caramela, usa um cordel como trela. Este cão caramelo também tem a característica de se ingalfinhar facilmente à barduada com outros canitos (que por sua vez também estão presos com trelas de corda que os ligam a donos brabios), o que cria bonitos efeitos de homes e canzoada tudo inliado nos cordéis e da rojo uns por cima dos outros.
No entanto, as concentrações espontâneas desta nobre espécie e todo o folclore a elas associado, terminou quando acabou a vacina gratuita da Câmara Municipal de Palmela, no antigo Matadouro Municipal. Por isso, esta primeira concentração pretende fazer com que não se perca esse hábito dos homes trazerem o seu canito a passear uma bez por ano à Capital Caramela, Pinhal Nobo, e todos possam ber a brabeza desta bicheza malina, que ei a canzoada de raça coelhera.
Associado a este evento está também a criação da Orquesta Sinfónica de Canzoada do Mi-dia, onde se espera reunir cerca de duzentos canitos brabios a uibarem à sirene do meio dia! A concentração vai ser no Largo José Maria dos Santos, no próximo fim de semana e é organizada pelo G.A.C.R.C.C. (Grupo dos Amigos da Canzoada de Raça Coelhera Caramela).
Bem e participa! Traz o teu canito!
(Bai haber almoçarada pós donos para que depois haja restos pa dar a canzoada).
Formação em Grafite inbertido
(dia 3 de Setembro, das 12h00 as 19h00)
Interessante formação para jobens caramelos (e canalha em geral) nesta nova técnica de grafite urbano e semi-rural. Consiste em se utilizar cal, trinchas e pincéis de escoba grossa, caiando com vigorosos movimentos, por cima dos gatafunhos-parbos dos grafites tradicionais. O resultado final são belas paredes brancas caiado-grafitadas por jobens artistas, nobos balores da caiação caramela. Se és um jobem com gosto pela pintura e pelo grafite-parbo, bem aprender esta nova técnica monocromática (só com uma cor, a da cal, ta bisto).
A cal e os pincéis são oferecidos na formação. A formação decorrerá nas paredes do túnel que passa debaixo da linha, perto da cunpratiba e do Clube Desportibo Pinhalnobense e é patrocinada pela Junta de Freguesia de Pinhal Novo.
Bem Caio-grafitar mais a gente!
12.8.11
CONSULTÓRIO DO DIA-A-DIA "A PUNHADA"
Se tiberes ãinças ou buntade de dar punhada no fumo do coirato, escrebe práqui que a FLC dá-te o azeite. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te dão as respostas certas.
"Exmos. Srs da FLC, serve a presente para vos dar os parebéns pela vossa contribuição na afirmação da Cultura Caramela e para que me ajudem na resolução dum problema de integração nesta comunidade. Morei muitos anos em Cruz de Pau, mas agora sou habitante no Terrim há cerca de dois anos, e pretendo integrar-me plenamente na vossa cultura. No entanto, tenho reparado que a Cultura Caramela caracteriza-se por uma certa agressividade, já que é recorrente afirmar-se aqui o termo “punhada”, “uma mine pus cornos abaixo” entre outros, como actos perfeitamente naturais, típicos desta cultura, valorizados como uma virtude. Ora, a questão é que, na minha integração, eu não partilho desta prática e não quero apanhar “punhadas” nem “mines pus cornos”. O que devo fazer, para o evitar? Muito obrigado pela atenção,
atentamente,
Nuno Almeida de Espítito-Santo e Mello"
Ó meu repaz, só com uma cumbersa destas é que bocê arranca a gente das augas frescas dos regos da rega da melancia pra dar uma resposta a preceito.
Intão ei assim.
Im primeiros, se bocê quiser intrar im pleno na nossa cultura tem de lebar umas punhadas pas trombas. Nã há bolta dar. Isto é como um leitão branco no meio dum rebanho de bezerros pretos: Ou éi ou nã éi. Nã há méé nim meio mééé. Mas é parciso intender muita coisa, pra nã achar que samos um pobo biolento à parba.
O que bocemecê está habituado é a uma sociedade hiper-litigiosa em que acredita que tudo se resolve com um libro de reclamações, tribunais e recados em telemóveis. E o que bocemecê queria é que cada cidadão caramelo andasse com um libro de reclamações pindurado ao pescoço. Mas isto nã é a América, nem a Inglaterra, nem a Assembleia da República. Na América, se uma velha peidorreira, num elebador a cagulo de gente, largar uma flatulência de carácter sonoro (isto é, se ela deslargar um peido-morteiro), no primeiro andar, quando chega ao quadragésimo andar já tem um processo em tribunal e quando tudo isto se resolbe já a velha deu o peido-mestre. Se for num elebador da estação do Pinhal Nobo, os que lá tiberem dizem im coro pá velha “aliiiiimpa-te”, e quando chigarem à superfície já está tudo resolbido e cada um bai à sua bida. Isto é só pra bocemecê começar a intender. Na realidade, cada caramelo carrega em si um agente da autoridade, um advogado, um tribunal, um juiz e um sistema judicial caseiro. Assim, quando estão dois a garriar, podemos contar com mais de duzentos agentes da autoridade, advogados e juizes, dada a assistência sempre pronta a intrar em acção.
Na berdade, a punhada é mais antiga que as palabras. Vem na Bíblia Caramela: "primeiro Deus dotou o caramelo da técnica da punhada e só depois lhe deu o poder do discurso verbal." De resto nã fazia qualquer sentido um caramelo dizer “tás aqui tás a papá-las” sem ter desembolbido previamente as práticas da punhada! Dado este facto, na era do caramelopitecus, antes do uso da palabra, era a punhada que serbia para comunicar e resolber qualquer conflito social. Se a mulher queria que o home fosse apalhar balduregas pró jantar, dava-lhe uma punhada pu bucho, se ela quisesse um beijo carinhoso, dava-lhe uma punhada pus beiços... e assim sucessivamente. Porém, o advento da palabra substituiu estes códigos que se foram perdendo na históira, como o dinheiro se perde com o IVA a 23% prá luz. Ainda hoije é tecnicamente impossíbel andar à punhada e articular, ao mesmo tempo, um discurso erudito. Apesar de tudo, a punhada resistiu até aos nossos dias mantendo alguns códigos originais. Segundo a obra de referência “Garreias e Lambadões pas Trombas” a punhada é definida em vários tipos:
- a punhada recreatiba, que serbe para desembolber o físico e exteriorizar os impulsos brabios de forma controlada e pacífica, da qual nasceu o jogo do pau e a garreia em terra batida;
- a punhada jurídica, que serbe pra resolber conflitos sociais quando o debate-garreia já nã serbe pra nada. Pode ter hora marcada e tem um carácter legal entre a irmandade, por isso nã deve ser banalizada. Aqui usa-se o lema “uma punhada bale por mil palabras”.
- a punhada sociabilizativa, que serbe pra consolidar os laços caramelos por contacto físico. Nada de festinhas apandleiradas ou apalpadelas nas nalgas, falamos de punhada pu lombo, o palmadão na peitaça, o calduço no cachaço entre outros gestos brabios.
- e a punhada educatiba, que serbe pra pôr o gaiato parbo num gaiato esperto e nã acontecerem coisas como acontecem actualmente em Londres.
Atenção que uma sessão de punhada a perceito pode ter um bocadinho de tudo isto à mistura.
A gente conhece aquela galfarraige que faz as leis, aumenta os impostos e outras coisas que tais, e teima em abolir por completo o contacto físico como forma de convivência social e como código regulador das relações entre as pessoas. No intanto a FLC sabe que os comparsas dessa maltezaria (que se esconde atrás das palabras) aprendeu a fazer despedimentos colectivos por telemóvel. Foi a esta elegância por distanciação que chigámos. A punhada exige a presença física, o cara a cara, a coraige, a balentia e a convicção nas ideias e nos actos. O mundo caramelo não está montado em cima dum sistema subjectivo feito de recados e truques de retórica. Para um caramelo, muitas palabras juntas nã fazem lei, fazem um home parbo! Por isso entendemos a punhada como uma assinatura, um princípio legitimador de balores sociais adonde nã há dúbidas: ou ei ou nã ei! Assim, na nossa cultura quando a mitraige assalta uma capoeira de galinhas e é apanhada, leba logo um tratamento pá tosse que fica ca boca cheia de de penuige até perder o entusiasmo de boltar. Se fossem a tribunal, ficaba a promessa de boltarem ainda com mais alegria e arrecadarem tamém as gamelas, o milho, os poleiros e as capoeiras.
Portantos, em todas as modalidades, quando falamos de punhada, não falamos de agressibidade ou estupidez, mas sim de um símbolo da berdade social com as suas regras e limites. A punhada parba, oriunda da agressibidade gratuita e estupidez não pertence aos caramelos mas a alguns primatas mal amanhados que precisavam mesmo era dum balente ensaio, que só parava quando aprendessem a recitar palabras bonitas que nem o Mário Biegas, como ele diz aqui:
Portanto, se bocemecê quiser integrar-se na cultura caramela, seja balente, porte-se bem e lembre-se que as regras do contacto físico têm um caminho próprio e natural, como as águas do bidé a correrem pu ralo entupido. Rapidamente bai cumpriinder que quanto mais punhadas recreatibas levar dos seus companheiros, mais pode retribuir e mais integrado está. Um dia, bai perceber que já nem se sente bem quando nada acontece, e... quando nada acontece começa a ficar parbo dos cornos e a sentir-se abandonado que nem um cão badio com febre da carraça. Segundo os ingleses, isso dá bontade de assaltar lojas, incendiar as casas dos bizinhos e partir o que ainda parece inteiro.
Boas férias e se tiberem na praia saúdem-se com uma garreia na areia, se tiberem na Caramelândia, garreiem no charco ou no tanque que assim se fazem bons caramelos.
30.7.11
Cuntar contos e acrescentar pontos
O ciclo de histórias que a FLCpromove tem agradado os caramelos. Temos recebido barias cartas com histórias de bários contadores que devido à gente ganharam curaige e tamém querem cuntar as suas históiras.
Dentro destas cartas e daquelas que ainda não foram dadas aos porcos, queremos partilhar um pouco da carta que a Ti Balbina nos inbiou bia galo-da-india-do-Lau.
Prestem atenção agora, ca bai ela:
„Ora biba atão repaziada balente da FLC! Tão rijos? Cá a Ti Balbina tá um pouco inferrujada da ossaria mas como dizia a nha abó, cum áuga do poço e áuga do tramoço qualquer dia inda aranjo um moço. Fico cuntente à parba por ber que as históiras caramelas boltam. Quando era uma gaiata brabia gostaba de ficar horas a obir o mê tio, o Toino Labagante a cuntar histórias dos caramelos e acho que isso fez com que tibesse na maniazinha-parba das escrituras. Mas bou-bos atão cuntar uma históira que tem dentro outra históira que ainda podia ter dentro outra históira e por ai fora, como quando descascamos çaboilas para cozer cum batatas im água e sal.
Sempre cuntei as históiras á nha manera. Inda nem escrebia poesias, já tinha um caderno cumprado na Cooperatiba cheio de históiras Mas quando as cuntaba ás nhas bizinhas (à noite, antes de haver telebisão e nobelas) elas riam-se e diziam que as históiras na tinham trambelho nhum. Um dia amuei e pinsei, ah na querem obi-las? Atão bou pó marcado da capital, lê-las im boz alta e todos bão ter de obir elas (só na obiam se tapassem os obidos cum algodão doce). E assim foi, fui par lá, botei-me im cima dum alguidar da ciganaige, abri o cadernito e cumecei a ler im boz alta. Uns olhabam par mim, outros passabam sim olhar, ê sei lá . Tibe naquilo uma hora e odepois fui buer uma sumol pa mir imbora. Meti a sumol nos quexos e apareceu-me um home com fato de lavrador-dos-domingos-de-marcado a dizer que me tinha obisto e que eu (debido ás nhas histórias) era uma espéice de Mario Hinrique Liria, um na sei quei que escrebia. O mê home taba ó lado a buer uma mine e deu-lhe logo ca mine pa cabeça e três punhadas no lombo que o home na me chamou mais nomes e foi-se imbora pá estação apanhar o comboio pó raio cu parta. Nunca mais o bi nim parcebi o que ele quis dizer caquilo.
Uma das minhas histórias que nesse dia de Marcado de 1968 li im boz alta foi esta, ainda ma lembro, parece que foi onte:
A história da Mulher-Home
Era uma bez um mulher belha que bibia na Palhota e lababa roupa o dia intero no sê tanque com sabão azul e branco. Lababa a roupa da alta burguesia caramela, dos sobrinhos e primos do José Maria dos Santos. Esta mulher falava muito, taba sempre a falar, mesmo se tibesse sozinha. E o engraçado era que nã era capaz de terminar uma frase sim dizer "home". Se alguém binha buscar a roupa, ela dizia, "então ta limpinha ó não, home?” ou quando apanhaba batatas sozinha, dizia para si própria "hoje bou fazer batatas com toicinho, bai ser uma boa traçaige, ai bai bai home!” ou à noite quando ditada de barriga pó ar a comer figos cuntemplava as estrelas da imensidão caramela, dizia pa quem a quissese obir: "tanta luz lá im cima, home, parece aquaise a festa da Atalaia, mas im silêncio, sem o som da morteraige, home!”.
Conta-se que num dia de neboero essa mulher ia a andar pelo acero afora e incuntrou uma caixa de costura muito bela. Com a sua curiosidade disse logo: "alto, quei isto home?!!”. Parou, olhou para os lados a ber se habia mais alguém por ali e só abistou a canzoada do Albino Aparbalhdo, que ainda eram mais parbos cu dono. Pegou na caixa cum cuidado e abriu ela muito lentamente espreitando lá par dentro, com um olho fechado e outro aberto. A caixa estava bazia mas passados uns segundos começou a ditar mais fumo que um meio-bidon a dar vazão im horas de ponta. Quando o fumo desapareceu estava diante dela um ser esquisito, que taba de péi, mas que não tocava com os chispes no chão, dir-se-ia que boiava no ar e parecia uma mistura de faquir do Circo Mariano com equilibristas dos Irmãos Avelinos e tinha ainda um cigarrito ao canto da boca, que afinal era de onde binha o fumo todo. O ser olhou para ela (de braços cruzados) e disse calmamente: "libertaste-me da caixa de custura e agradeço-te por isso. Diz-me, quais são os teus desejos, tens direito a três, a ber se na pedes todos duma bez!". A velha mulher, para não cair no chão com o susto e admiração, acocorou-se e respirou fundo. Ficou assim durante uns breves segundos, de olhar fixo nos olhos no home que falava. Depois pinsou que o melhor era aprobeitar e disse: "ai sou a tua patroa?! Atão quero que me transformes numa jovem mulher, home!”. "De certeza?!! o teu desejo será satisfeito” disse o home do circo, e num instante a velha transformou-se numa jovem mulher-home, com um par de mãos que mais pareciam as do Albanito da Motoserra e um bigode á Talau numa cara de jovem. A mulher quando se apercebeu disso, disse em aflição:”nã, nã era isso, eu quero que me transformes mas ei numa bela mulher, home!”. "Bem, nã há problema, ainda tens dois desejos. Assigura-te que ai bai!”. Num instante apareceu uma bela mulher-home, um pouco mais belha do que a primeira, agora com pernas peludas e arqueadas, um barrigão tipo Belarmino Pançudo e uma face realmente bela, mas com pêlos nas orelhas e a unha do dedo mindinho da mão direita bastante saliente. Tinha também umas calças de fazenda e uma nabalhita no bolso. De novo a mulher protestou: "Não ei nada disto, tás parbo ó quei?!!”. "Podes pedir ainda um desejo minha Mestra, tudo o que quiseres eu te darei”, disse o home da caixa de costura. A mulher insistiu mais uma bez: "Home, be lá se não falhas agora, transforma-me outra bez numa mulher, mesmo se for belha não faz mal, mas só quero ser novamente uma mulher, home!” Assim foi, voltou a ser uma velha mulher, mas desta bez uma velha-mulher-home. Quando acabou o último pedido, o home-coisa desapareceu, só ficando a caixa de costura e novamente uma fumarada capaz de inxotar mosquitos de todos os charcos das redondezas. E foi assim que ainda hoije se hoube falar na mulher-home, que dizem os mais intigos deambula pela Palhota em noites de Lua Cheia, com uma caixa de costura nas mãos, a coser os homes e as mulheres uns ós outros.
21.7.11
OS GAITEIROS DA BARDOADA E O TENDEIRO DA LOIÇA
A FLC continua com as LEITURAS DE BERÃO dando espaço à mais intiga associação caramela da cultura tradicional nocturna que é o “Recreio Oral de Fábulas Improbisadas e Ladainhas Aldrabadas” (R.O.F.I.L.A.).
Esta rubrica serbe pra toda a família contar ao sarão, e prá gaiataige reaprinder a obir histórias intigas à bolta dum sorvete. Atão prestim lá atinção.
OS GAITEIROS DA BARDOADA E O TENDEIRO DA LOIÇA
Havia no Pinhal Nobo um grupo de gaiteiros da Bardoada que andabam esmorcidos porque sempre que tocabam, só os cabeçudos é que balhabam. O resto do pobo ficaba embezerrado a olhar pró rumor das gaitas de foles. Num belo Domingo de Marcado, os gaiteiros, fartos de berem só os cabeçudos a balhar, deslargaram as gaitas e jogaram elas par dentro duma canastra das bindimas (ainda com restos de uba) e puseram-se a buer binho da Cascalheira pra consolar a tristeza. Enquanto estabam entartidos com o grau, apareceu um cão badio, começou a chirar as gaitas de foles, deu três boltas à canastra, alçou o pernil e espatou uma mijadela nos instrumentos caté parecia uma açorda de polvo. Nesse instante outonal, caiu um balente relâmpago sobre a canastra deixando as gaitas com um chiar nobo. Foi esta rara mistura de acontecimentos (restos da bindima + mijadela de cão + relâmpago), que deu às gaitas um poder extraordinário. Nesse Domingo, já lusco-fusco, quando passava um tendeiro com um jumento carregado de loiça, os gaiteiros puseram-se a tocar como se nã houbesse mais amanhã: friii-friiii-tiriri-tiriri... rititi-friiiuuiiiiim... trolaró-trolarééé... Tanto o tendeiro como o jumento puseram-se rabitesos e deram logo em balhar que nem uns perdidos. Com tantos pulos, coices e cambalhotas que deram, em pouco tempo a loiça fez-se im cacos.
Gritava o tendeiro aos gaiteiros que não tocassem mais, mas estes, todos cuntentes com o acontecimento, só tiraram a gaita dos beiços quando não habia uma só peça de loiça inteira.
Com os bofes de fora e o sangue nas bentas, o tendeiro foi-se logo queixar à GNR.
Passado uns tempos os gaiteiros foram chamados a tribunal. Disse o juiz aos gaiteiros:
- São acusados de terem partido a loiça deste homem.
- A gente nã samos culpados. A gente só tocámos à gaita e esse home a mais o burro puseram-se a balhar feitos parbos.
- E têm aí as vossas gaitas?
- Temos sim sr. Juiz, andamos sempre mais elas.
- Então toquem lá à gaita. - ordenou o juiz, sentado na sua poltrona.
Os gaiteiros meterem as gaitas ao beiço, tiberam meia hora a afinar umas cas outras, e puseram-se a tocar friiii-friiii-tiriri-tiriri... frrnzziiiiimmm-trolaréééééé... trilariiiiiiiiim... caté zunia nos obidos.
O tendeiro da loiça, que a esse tempo estaba a limpar as cagaitas das unhas, pegou na cadeira e pôs-se a balhar com ela. O juiz agarrou no seu martelo e começou a acompanhar a modinha dando belentes marteladas na tampo da secretária, à maneira dos Bardoada, caté ia tudo pus ares. A mãe do juiz, que moraba logo ali ao lado, estava entrebada na cama há mais de sete anos, prega um pulo da cama e entra pu tribunal à Homem-aranha e poz-se a balhar tamém, batendo as palmas e cantando:
Bá de folia
Bá de folia
Q'há sete anos
Ê nã me mexia.
E assim se converteu o tribunal numa animada sala de bairaricos, pois até a GNR, os cacetes, as cadeiras, os tinteiros e todos os móbeis se puseram a saltar e a balhar.
Passados alguns momentos pediu o juiz aos gaiteiros que acabassem de tocar e eles, passadas duas horas obedeceram imediatamente, pois biram que tanto o tendeiro como o juiz, sua mãe e a GNR nunca tinham suado tanto na bida, pois estabam todos que nem barrascos depois de cobrirem uma dúzia de porcas de 400Kg.
Depois do juiz limpar o suor disse para os gaiteiros:
- Podem-se ir embora sem culpa nem pena, porque são homens bons que até curaram a minha mãe, que há muitos anos não se podia mexer na cama.
E os gaiteiros sairam do tribunal contentes e sastesfeitos e foram im direito à Associação de Reformados fazer um balho psicadélico caté a reformadaige, a balhar im tronco nu em cima das colunas e grades de mines, parecia que estaba toda indrogada... mas não! Era apenas a magia das gaitas.
E AGORA ÉS TU DESINSAIMADO,
IMBENTA PIRIPÉCIAS, ACRESCENTA UM PONTO
PRA AUMENTAR ESTE CONTO,
PÕE O GAIATO DESIDRATADO.







