28.1.12
Abancemos!!!!!
20.1.12
Polícias aprendem com caramelos
A FLC, mais uma bez, estebe presente apenas como provedora dos costumes caramelos.
Se queres ber como aconteceu aperta aqui:
11.1.12
Mais uma missão de alto interesse caramelológico
4.1.12
DESCOBERTA INCLÍBEL IINCRÍBEL
23.12.11
MAIS UM EPISOIDE DE COIRATOS CUM AÇORDA
a nobela da tarde totalmente garriada em caramelo moderno
Episoido especial de Natal
Início de Inverno na Caramelândia, as folhas das árvores ainda caem em alguns locais, o sol a meio-gás bronzeia suavemente o lombo dos porcos caramelo-mirandeses que vagueiam nos campos em busca de traçantes que ingordem e façam os seus donos orgulhosos na hora da matança.
Albino Chispalhudo ta im casa. Olha cuntemplativo para a árvore de Natal que a sua mulher acabou de decorar com algodão e rabuçados de mentol. Lembra-se do seu tempo de gaiato, quando esperaba pelo Pai Natal e ia apanhar pinheiros selbaiges no campo. Dócil como um barrasco capado, senta-se no sofá enquanto a sua mulher lhe massaija os chispes com criolina e augardente noba. Ligam a telebisão. Bai começar mais um episóido dos Coiratos com Açorda, a sua nobela preferida (neste episóido o realizador inspirou-se na bonecaige Russa que biu a ciganaige a bender no marcado e decidiu pôr o Chispalhudo a ber a sua própria nobela, um dentro da outra, um abanço notável na ficção caramela).
Na telebisão aparece um grande plano do interior do Café Lua Cheia Aparbalhada, bendo-se uma árvore de Natal ao fundo com as luzinhas a piscar e o balcão todo decorado com fitinhas brilhantes. Dois homes entram, encostam o bracito ao balcão e pedem duas medias de forma iducada “bá lá ber atão o do costume, já cá debia era de estar!”. (Chispalhudo reconhece-os: “olha, são o Toinito da Sibéria e o Custódio da Siderurgia Nacional!”). Depois do primeiro gole procuram um tema de conversa, ao mesmo tempo que afastam as moscas que andam de bolta dos tremoços cum sal (a câmera segue-as dando imagens bertiginosas). A meio da quarta golada, um diz que o mundo ei grande como uma melancia do Manel Leitero e o outro responde com um sintético “tás parbo”. (O Chispalhudo ri-se mais a mulher, que aproveita para lhe agarrar os pés e cortar as unhas).
Calam-se durante cinco minutos, na bela observação abistada da neta da Ti Juila Alinhavada, que bem lá ao longe e daqui a nada bai passar im frente ao café. Depois da pariga passar, o outro diz que o verão este ano foi no outono, como se as porcas parissem patos e o outro responde novamente “tás parbo”. Opois, um diz que as laranjas da Cunpratiba ei que eram boas, o outro gosta mais das dos Retornados, que o Lau ei mais intigo que a Palhota, o outro responde que os morteros do Cirios da Atalaia boam mais alto que os foguetões dos amaricanos e o outro diz que os amaricanos se ca biessem só gostabam do Cafei Amerca (café América) e o outro diz que eles já andem por aí, só nã bê quim ei parbo. (O Chispalhudo inerba-se, concorda com o verão, mas diz que as laranjas melhores são as do InterMache e a mulher diz que os foguetões ei que aboam mais alto que os morteros. Começam os dois também a garrear, ele a espernear e ela de gazua eim punho a ber ser lhe corta as unhas dos chispes).
„Dizem que agora bai muita malta par fora, pó estrangeiro. "Pá donde? Pa Palmela?; não parbo, memo pa fora, muito par lá da Caramelândia.; Só espero que o nosso parsidente, o Lagarto também nã comece a dizer que a gente tem de emigrar. O outro: pois ei, o mundo ei grande. O outro: Nã ei tão grande como a Lua ou como o Sol. Sim, mas ei redondo. Ei. E pode-se dar a bolta. Pode-se, concorda o outro. E pa dar a bolta bai-se por li (aponta lá par fora, na direcção donde beio a a neta da Ti Juila Alinhavada). Não, pa dar a bolta bai-se por lá (aponta na direcção da casa do Toino Labagante). Não, por li. Não, por lá. Ei por qui! Ei por lá! Na ei! Ei! Na ei! Ei! Na ei! Ei! Por qui!!! Por lá!!! Tás parbo!!! Olha que alebazias, ai lebas lebas!!!" (entra uma música de ferrinhos e som de trela de cão a bater em chapas, a qual cria grande tensão). "Bai uma aposta? Ah ateimas?!!! Sim, ateimo, queres apostar?!! Bamos apostar! Mas primero bamos buer mais uma. Pitroila, bá lá ber mai duas meidas, pá gente buer e adepois se a gente desaparecer diz que um dia boltamos e bai pondo a mesa porque quim ganhar paga a almoçarada e as grades de mines que os homes quiserem buer. E podes dzer quei bar aberto atei a gente regressar." A Pitroila olha descunfiada para eles, ao mesmo tempo que serve a buída e pargunta: atão mas bão adonde?. Respondem os dois ao mesmo tempo: “Bamos dar a bolta ao Mundo, mas na bamos um mais o outro. Um bai por qui, outro bai por li. E bamos a ber quim tem razão!!!!”.
Assintados, Toinito da Sibéria e Custódio da Siderurgia Nacional bebem as duas medias em silêncio, pinsando já na biajem. Odepois levantam-se pedem mais duas, pa lebarem no caminho e arrancam cada um pa seu lado. (Chispalhudo olha pá televisão quase siderado, ei um episodio de grande suspanse. A mulher bai fazer o jantar e cuntinuar a labuta das filhoses. Na mesa vê-se a sopa de intulho begetal em grande plano e duas fatias de pão cum manteiga dos dois lados (para criar habitos de boa comida aos espectadores da nobela). Da cozinha ainda diz “atão e tu nã apareceste neste episoido?!! Agora só te botam a ber os outros na tua nobela?!!”
E agora??? Será que o Toinito da Sibéria e o Custódio da Siderurgia Nacional bão mesmo dar a bolta ao mundo??? Ou bão mas ei ó cafei Capuchinho e ó depois ó Tascão e ó depois ó Cafe América? Ou só inbentaram isto porque na são parbos e bão-se mascarar de Pai Natal Caramelo (que este ano tá ainda em fase experimental) e na querem que ninguém descunfie que são eles???
Não percam os próximos episóidos desta nobela, que ei tão boa como a sopa caramela!!!
13.12.11
O Pai Natal Caramelo
Está escrito na Bíblia Caramela que Deus só infiou as mãos na massa pra fazer a espécie caramelosapiens, depois de ter criado o porco os pardais e a geada do Lau. Com uma massa especial, Deus criou então o Caramelo, esperando que este mamífero, dotado duma imbocadura extraordinária pró binho e mines bem como uma apetência voraz por toicinho e coiratos, biesse a dar ao mundo artefactos como o fogareiro, a nabalhita, o sarilho, a flober, a gamela e muitas outras coisas de interesse. E assim aconteceu imediatamente após 60 mil anos de gerações cada bez mais espertas e sequiosas. Mas o que Deus não esperaba (e isso está escrito) era que o Caramelo nunca se desse ao trabalho de inbentar um Pai Natal feito à sua imagem e fitio. Na berdade, na época de introduzir um Pai Natal no meio ambiente, o caramelo foi enganado pelas culturas aparbalhadas da américa e, claro está, adoptou (sem querer) o Pai Natal mais parbo que existe: a figura criada prá Coca-Cola (que é uma buida que serbe só pra arrotar e deixa um home bruto, tal e qual, como se nã tibesse buído nada!). Este Pai Natal de traje bermelho foi desenhado pelo cámone Haddon Sundblom em 1931.
No intanto a FLC nã aceita esta cultura inchertada no interior do nosso território e foi cumprir o que está nos testamentos Bíblia Caramela: versículo 123698: “Não tenhas, pois, o teu Pai Natal por filho de cámónes parbos; porque dessa figura nascem meus cuidados e para o termo do meu desgosto terá o Caramelo de imbentar o seu.”
Dito isto, a FLC, pôs mãos à obra e foi pedir ao Nicolau Fictício, um horto floricultor capaz de criar obras de arte só com uma cavadela. A sua vasta obra faz uma fusão entre o barroco tardio e o conceptualismo atómico. Uma das obras mais emblemáticas é o relbado micro-orgânico do campo de futebol de Baldera que todos podem olserbar aos domingos.
Nicolau Fictício respondeu ao nosso pedido, imbentando o Pai Natal Caramelo que a partir de agora, deberá ser adoptado pelo nosso povo. Eis intão como ele se afigura:
- - Em bez de barba de penuige branca, usa um bigode e umas patilhas caté mete imbeja aos silvados do Poceirão;
- - Em bez dum pijama encarnado, usa um traje domingueiro do rancho do Pinhal Nobo e um chapéu de aba larga (tipo vocalista do rancho da Lagoa da Palha);
- - Em bez de andar a aboar com renas, anda a pei com um carrinho de mão cheio de oferendas.
- - Em bez de entrar pa chaminé, toca uma flaita (com a modinha dos amola tesoiras) prá família abrir a porta. Se nã abrir a porta, o Pai Natal abre um roço na parede, com a ajuda duma picareta.
- - Em bez de oferecer balhanas de plástico da China, oferece sacas de ração prá bicheza, ovos caseiros e fatias de pão com manteiga (barrada dos dois lados).
Muitos mais predicados tem este personaige sazonal que que é o Pai Natal Caramelo. Este ano entra ainda numa fase experimental, mas para 2012 a FLC está certa que bai ser muito bem acolhido, pois é sabido que para o ano, por esta altura, qualquer gaiato bai dar mais balor a uma fatia de pão com manteiga do que a um polícia de plástico, a pilhas, feito na China.
"Foram os nossos tetra-bisabós
que se puseram a imbentar
usos, costumes e forrobodós
prá gente hoije disfrutar."
(Quadra popular da Benda do Alcaide)
6.12.11
Formas de independência total 1
A FLC está agora mais concentrada do que nunca em levar a Caramelandia a obter a independência total e incondicional.
24.11.11
Caramelos de todo o mundo uni-bos!!!
Em tempos de crise global que atéi a nós afecta ei tempo para colocarmos im prática os nossos ancestrais conhecimentos. Os mesmos que permitiram ao homo-caramelus sobreviver e desinbolber-se como povo e sociedade selbaige-ordenada desde que o primeiro home, armado im parbo, olhou para as estrelas lá im cima no céu atei aos dias de hoje im que já nos tratam como caramelos e todos querem ser como a gente. „E se querem ser como a gente ei porque nos admiram e reconhecem a nossa capacidade de ser como samos e se samos como samos, o melhor ei começar a saber o que samos quei para sermos ainda mais o que samos”, disse o Toino das Ideias Parbas, na Festa da Atalaia, entre o estraçalhar de dois patardos embrutecidos e mais um gole numa mine.
Atão e porquêi esta cunbersa toda e na bão directos ó assunto que bus trouxe aqui?! Sim, a ber se se desinmerdam (continuam a pensar bocês) e botem mas ei cá par fora o que querem propor á gente.
Atão se assim ei, cá bai. Prestem atenção agora. O que a gente da FLC quer de dizer a bocemecezes ei que a gente se quiser podemos ser auto-suficientes, continuando a biber como homes e mulheres libres e atei mais libres do que éramos atei agora. E para tal, ei preciso que todos comecemos a dar pequenos passos (tipo quando os leitõezinhos começam a andar, sempre com o olho nas tetas da porca- e a porca aqui ei o nosso objectivo final).
A FLC já tem em marcha um conjunto de medidas que vão apoiar esta noba emancipação económica e cultural das nossas gentes. E como na queremos que pensem que temos a maniazinha bamos começar pelas coisas simples e cuncretas, ainda sem os desbarios filosoficos do Toino das Mines que nos inbalsa os pinsamentos.
E o simples ei que cada um pode plantar a sua própria horta, para dai retirar tomates, alfaces, coubes e pupinos. Se na der pa nos impanturrar-mos sempre dá para fazer uma sopa e com uns bocados de pão, sempre ei uma balente refeição.
Portantos, para os que moram no campo caramelo isto ei uma coisa natural, mas para os caramelos urbanos, os da capital, nem por isso. Mas estes podem, com criatibidade e balintia criar pequenas hortas nas suas barandas e aqueles que intraram na moda das marquises podem assim criar belas estufas e tornar-se mini produtores de tomates, só pa dar um exemplo. Para qualquer uma destas possibilidades só pracisam de: recipientes belhos, terra, sementes, áuga e tempo. Também pracisam de curiosidade e buntade de aprinder. Se na soberem, aprobeitem a nossa internet móvel, que ei como quim diz os nossos anciãos que tudo aprinderam com os pais que aprinderam com os abós que aprinderam com os bisavôs, e os tetras e por i fora atéi ao nosso Biriato caramelo que um dia também bus falaremos nele. Portanto chispes e mãos á obra, queremos ber essas barandas e marquises a transbordarem de ramaige berde, fazendo assim uma berdadeira cidade-campo, um nobo habitat para o homo caramelus citadino.
Para quem ainda na ficou cunbencido ou bai ber se tem tempo para isto, inquanto esperam podem sempre ir a Raforma Agraira ós sábados, ber quem realmente bende produtos caramelos e incher a alcofa.
Quim na sua terra se abia
tem probeito e balintia
(antigo proberbio do Lau)
26.9.11
CIRCUITO DE MANUTENÇÃO CARAMELA
É já do conhecimento público que as forças globalizatórias continuam a dar tramela ao nosso pobo no intuito de o transformar numas papas de vargalho branco! Mas a FLC, como entidade protectora da cultura caramela, nã deixa que isso aconteça, pois os costumes que os nossos bisabózes imbentaram intigamente, são prá gente desfrutar hoije. Dessa maneira, foi no passado Sábado que as altas patentes desta organização clandestina, assinaram um protocolo com o Firmino Desentupido, para a cedência dum baldio de 30 hectares na Benda do Alcaide. Este baldio bai transformar-se num parque temático para a manutenção da cultura caramela. Terá o nome de Caramelarium e consiste num circuito de manutenção para todos aqueles que, já sendo caramelos, percisam de manter a sua cultura intacta contra as albardas reaccionárias do ocidente. Quem nã for caramelo pode afoitar-se lá par dentro só pra sintir as marabilhas da nossa milenar civilização.
O projecto foi garriado, terminado e aprobado à sombra dum andaime cheio de ferruige, em frente ao café “Mina de Mines”, em Bal da Bila, e é pra ser implementado já amanhã de manhã. O circuito de manutenção tem dibersos obstáculos que não são mais do que simulacros para exercitar os usos e costumes caramelos. Cada praticante bai superando um a um, com o máximo de realismo, até ficar sastesfeito da bida. O percurso deberá ser feito com traje a rigor debendo os homes estar munidos duma nabalhita e as mulheres dum alguidar. Desses obstáculos destacamos aqui, em primeira mão, os seguintes:
- Tem de cozinhar e infardar um prato tipicamente caramelo. Há duas bariedades à escolha, serbidas em gamela de meio alqueire: a Fava insalsada, ou a Batata cu pingo.
- Tem que atrabessar uma passaige de níbel com 14 linhas interlaçadas, estando dois comboios em manobras, um pra um lado e outro pra outro. O praticante terá de entrar e sair dum comboio de passageiros e opois saltar por cima de outro, carregado de grabilha. Tudo im andamento. Este simulacro treina o que intigamente se fazia, em que a gaiataige, pra ir prá escola, tinha que atrabessar uma dezena de linhas, passando por cima dos comboios pra nã chigar atrasado às aulas.
- Tem de entrar num túnel de bentania e acender um meio-bidom, só com tojos secos e um fórfo. Este simulacro treina o caramelo na sua relação com o fogo e com o fogarero.
- Tem de cavar um rego de 50 metros e incher ele de áuga com a ajuda duma picota, tendo o cuidado de nã inxotar as arãs pra outro charco. Este simulacro treina o caramelo para os tempos que se abizinham (em que, se quiser comer, tem que cavar e regar).
- Tem que conduzir uma matilha de sete cães de raça traçador-de-restos, num corredor de 500 metros acagulado de gatos. Os cães bão todos atados por cordeis, e o participante tem que tirar as teimas à canzoada, sem se enlearem nem se engalfinharem com a gataria. Este simulacro treina a bicheza e o caramelo prá ida à bacina. Um clássico!
- Entra num complexo labirinto, intulhado de mercadorias do marcado do Pinhal Nobo. Todo o percurso é feito com um palito nas beiças que bai, como uma bússola, apontando o caminho. Este simulacro treina o sentido de orientação do caramelo para quando for fazer o avio ao marcado mensal.
- Tem que ir à estrumeira procurar a minarda que está lá interrada há 20 anos. Ao encontrar ela, terá de pôr a trabalhar e zarpar amontado até ao foguetódromo. Este simulacro treina o caramelo para os dias que hadem bir (em que ele tem que deslargar o seu BMW e boltar a andar na sua fiel minarda, atirando um foguete ao ar).
***
O circuito tem mais de 2400 obstáculos diferentes, como a apanha de pinhas, o cortar lenha, a bindima, buer mines de litro, sessões de punhada (com robôs brabios), enfrentar um toiro na largada, ordenha de cabras, balho (com robôs brabios programados pra balhar modinhas do rancho fóclórico das Lagameças), e mais uma data de coisas sem fim!... No final da prova, o meio-bidom deve estar ainda aceso em labaredas.
A inauguração contará com um festibal de música caramela, contando com a presença do poli-instrumentista-cançonetista Jorge Nice que bai insaiar e descontrair as entidades oficiais com a leitura dos editais da Junta de Freguesia do Poceirão em linguaige caramela. Terá também a participação dos Shivers, com a boz aveludada do Igor Azougado com o tema “Épah” em castanholas e pandeireta de caricas; do Axel com uma bersão em gaita de beiços do tema do festibal RTP da canção; dos Ervas Daninhas que vão tocar o clássico "Caganitas de coelho" só com chocalhos, os Bardoada que, só com bombos, bão tocar a ópera “O charco dos cisnes”, com efeitos de luz em pitromax e candeeiros a pitroil, e pra terminar o mítico grupo de baile Terno D' Ouros, que se reune numa nova formação só para este ebento e vão tocar a marcha do Bitória de Setúbal com campainhas e guisos polifónicos.
REBOLEM CALHAUS DO CASTELO
QUE NADA ASSUSTA UM CARAMELO!
2.9.11
ABC da Bassoira
Estudos da FLC têm rebelado que os níbeis de imbecilização da sociedade moderna nos últimos anos têm sido preocupantes. Pra evitar esta tendência no nosso territóiro, o restrito grupo dos Cabreiros Templários (conselheiros cativos à FLC) reuniu-se clandestinamente à bolta duma malhada de cabras pra traçar um curso intensivo, emitido por cordel atado a uma rede de latas bazias.
Cada habitação irá ter uma lata, com um buraquinho no fundo de onde sai um cordel esticado que, por sua bez, bai ligar a um painel de latas instalado nos estúdios da escola. É então o Curso Propedêutico Tele-Lata Para A Cultura Caramela (C.P.T.L.P.A.C.C.).
Infiem os bossos obidos par dentro das latas e bamos lá intão obir e aprinder.
Mini-Apresentação:
ORQUESTRA DA SFUA (em dias de budeira colectiva):
Tom tororom, frlôm fôm fôm…
Tum tururum, frlum fum fummmm.
PATARDO DOS CÍRIOS DA CARREGUEIRA PRA DESIMPOEIRAR AS LATAS:
“PUM”
“A BASSOIRA ”
PROFESORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
O mundo doméstico caramelo está repleto de objectos importantes que poupam o home e a mulher de ter que esgrabatar cas unhacas pra fazer as coisas, por isso, hoije bamos falar da bassoira.
Dum modo giral a bassoira serbe para inxotar o lixo para a porta do bizinho que por sua bez inxota o lixo para a porta de outro formando assim uma comunidade. Trata-se portanto de uma das mais intigas formas de sociabilização, mesmo antes do caramelo apanhar ubas pra comer e buer. Nos tempos intigos, a bassoira era constituída por um tufo de tojos secos atados por um baraço.
SOM DA ARAIGE A UIVAR PUS RAMOS DUM EUCALITRO AMAIS A BOZ DUMA CARAMELA A BRADAR...
Áudio-encenação:
- Óh Jacinto, deslarga lá a inxada e bai fazer a mim uma bassoira que eu preciso de barrer os cortinados.
- Já bou. Deixa isso im paz e bai mazé fazer a sopa que eu tou cuma esgana capaz de comer um barrasco pus cornos.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
Assim se percebe que a bassoira se tornou desde cedo um objecto de fabrico caseiro, tipicamente feminino com múltiplas funcionalidades e pouco apreciado pelos homes.
A bassoira sem pau era baixa e tinha o poder de dobrar a caramela para o acto da barredura dando todo o relevo ao traseiro a dar-a-dar, coisa que agradava ao seu amado. Mas quando a mulher barria a eira à frente doutros homes, o seu querido home já não achava graça nhuma e essa posição podia até dar punhada giral. Foi intão que se inbentou o pau de bassoira prá mulher ficar direita e os outros deixarem de se limber com os olhos.
Com o pau, a mulher ganhou outra elegância e poder de manobra. As mais belas coreografias domésticas estão associadas à caramela quando barre a terra, a grabilha e as caricas, que a sua família trouxe agarrada às botas par drento do lar. Ber ela a barrer e a assobiar entre os raios de sol, é um dos momentos que qualquer home caramelo gosta de guardar na memóira pra toda a bida.
A bassoira, além de barrer, tebe sempre muitas outras utilidades, como sacudir os tapetes e as fronhas das almofadas, tirar as teias que as aranhas caramelas gostam de fazer aos cantos da casa, ou até mesmo para abanar o fogareiro. Mas dada a inbenção do pau, multiplicaram-se as utilidades, tornando-se assim um dos artefactos mais importantes da bida doméstica.
SOM DO CHAFURDAR NUM ALGUIDAR COM 50 LITROS DE CAL ACOMPANHADO POR UM DIÁLOGO DE GALOS POR ESSE CAMPOS AFORA...
Áudio-encenação:
- Ó Natércio, bai lá pôr a bomba d’áuga trabalhar pra meter aqui áuga no balde pra eu mexer aqui a cal com o pau da bassoira.
- E tu já tens trincha pra caiar o muro?
- Atão na bês que tenho aqui a bassoira. Bou caiar com ela… e deixa-te de cumbersas e bai já ligar a bomba.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
O pau da bassoira serbe portantos para mexer a cal, desintupir a retrete, bem como educar o gaiato parbo a ser o home de amanhã. Neste caso, um gaiato que tenha na mania, tem logo prometida uma pazada de bassoira pu lombo caté impa.
SOM DUM BANDO DE GAIATAIGE A JOGAR À PADRADA E A ESTILHAÇAR O VIDRO DUMA JANELA. OPOIS SILÊNCIO… …
ABRUPTAMENTE OUBE-SE O ESTRONDO SECO DUM PAU DE BASSOIRA A ACERTAR NO LOMBO DUM GAIATO DESACAUTELADO E A FAZER DELE UM HOME ÀS DIREITAS...
Áudio-encenação:
- Toma lá que é pra aprinderes. – diz a mulher caramela na sua missão educadora.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
Não sendo um objecto que dure para sempre (como por exemples um pneu), a bassoira tem o seu ciclo de bida bem definido no nosso dia-a-dia. Quando é noba, serbe pa barrer as impurezas da casa, mas à medida que bai embelhecendo, a bassoira passa a fazer serbiço no quintal e, vai, vai… até acabar na pocilga. Mesmo quando a bassoira está resumida ao pau, ela já nã barre nada, mas ainda assim tem nome de “bassoira” e serbe pra fazer com que o bacro aprenda a portar-se com catigoria, como um banqueiro dentro dum Jaguar im direito à pousada do Castelo de Palmela.
BARULHO DUM BACRO A BARRASCAR NA GAMELA E A COMER BOLOTA À GANÂNCIA; ESTOIRO DO PAU A INCARNIÇAR O LOMBO DO BICHO, SEGUIDO DUM GRUNHIDO DE EXCLAMAÇÃO:
Áudio-encenação:
- Grroinc!
- Toma lá que é pra na seres lambão e te acautelares. - diz o dono.
- Grônc. – resposta do bacro.
PROFESSORA (Ti Gertrudes da Touca-Larga):
Nos dias de hoije a bassoira ganhou muitas formas e tamanhos, chegando mesmo a ganhar o fitio dum toalhete de papel agarrado a um cabo. Ainda que apresente um cabo cumprido, este é pouco resistente e facilmente se desmancha quando atinge o lombo dum porco ou dum gaiato parbo (razão pela qual a gaiataige e os homes de hoije têm dificuldade em intender os ensinamentos que uma bassoira intiga podia proporcionar).
O artefacto sim trambelho nhum que o mundo moderno impurra (prá gente jogar fora a bassoira), é o aspirador. Este objecto eléctrico, que faz mais barulho que o comboio dos bolksbaiges, requer, no entanto, o dobro do trabalho para usar. Além disso, o aspirador tem a capacidade de chupar dos dois lados: de um lado chupa as pequenas impurezas por uma mangueira e, do outro, chupa a electricidade com 23% de imposto. Apesar de ter o poder de chupar continuamente sem se fartar, não consegue chupar uma carica, uma pedra de grabilha ou até uma caganita de coelho que ficou colada ao cimento. O pior de tudo é que retira toda a beleza coreográfica e os belos cantos de assobio que uma caramela refinou ao longo dos séculos. Portantos, barrer é uma coisa, chupar é outra e não benham cá com misturas parbas. A bassoira intiga é que éi.
########
E agora responde às seguintes parguntas:
1- De que objecto tibemos a falar?
2- Indica três utilidades importantes que tem o pau da bassoira.
3- O que é que chupa sem se fartar?
4- Porque é que o banqueiro bai de Jaguar e não bai de Zundap?
5- Porque é que o IVA da electricidade é 23%?
6- Desembolbe uma redacção, a partir da tua cabeça, sobre as semelhanças entre um aspirador e um banqueiro. Nã te esqueças de usar o pau da bassoira.
Bom trabalho.







