12.08.2009

1º Encontro de Pançudos Caramelos
Dia 12 de Dezembro, das 10h00 da manhã, atéi nunca antes da meia-noite.

A FLC em estreita colaboração com o Ministério da Cultura Caramela (M.C.C.) anuncia o primeiro encontro de pançudos caramelos ao ar livre.
De acordo com os organizadores, podem participar todos aqueles que ostentim um balente barrigão e que o queiram manter e atei aumintar, dizendo “tas parba, cala-te ó ainda lebas um tareão de cinto ca parte da fibela!” a quem lhes disser (normalmente a sua pariga) “ó home tas a ficar com a pança larga”.
Portanto benham de lá essas barrigas bolumosas e orgulhosas, de arribentar os botões das camisas cumpradas no marcado mensal. O encontro, a realizar no páteo caramelo, bai ter como ponto alto uma balente almoçarada-cunbíbio: grãozada com mão de vaca e chispes com coentrada, tudo preparado por elementos do Rancho Folclórico de Pinhal Novo.
Para além disto, bai haber dibertimento e jogos especialmente desenbolbidos para este tipo de cunbibio:

- Bai tu e ó depois bou eu (jogo da descida da encosta da ponte a rebolar, com o almoço no bucho)
- Tartaruga Esperniatiba (põem-se ditados de barriga par cima com as mãos atadas atrás das costas e ó depois ganha quem se indireitar e lebantar im primero)
- O balcão im movimento (este jogo consiste em tentar transformar a barriga num balcão de tasca ou café e transportar no maior percurso possível um copo de imperial acabado de tirar. Joga-se sempre im tronco nu).

Haverá ainda duas formações-tira-dúbidas:

A nha barriga anda mais eu, mas bai sempre à nha frente
aqui se falará de como criar e manter uma barriga digna desse nome e se sintir um home orgulhoso. Será uma conbersa aberta, em auto-gestão, cada um dirá o que lhe apetecer. O que aqui for dito será depois reunido em livro, uma forma de assinalar este primeiro encontro.

Como ber o malandro se quando olho lá par baixo só bejo a nha barriga?
Com o especialista Albano Pançudo, técnico e conselheiro sexual do Rancho Folclórico da Lagoa da Palha.

Se tens uma barriga balente anda ca gente, bem mas éi dar ó dente!

11.10.2009

Carta inbiada lá para os lados daquele castelo que se bê além ao longe


Frente de Libertação Caramela
Esconderijo projectado à malhada do aceiro do Ti Toino Desinxaugado
Comando Central para a Liberdade da Cultura Caramela (CCLCC)



Exma Prasidenta da Sede Palmelona, Ana Taresa Bicente

Bocemecê dá licença? Atão como é que éi?
Samos a gente da Frente de Libertação Caramela (FLC), os homes e mulheres que lutam pela soberania e auto determinação da Cultura Caramela. Samos balentemente conhecidos pelas incursões clandestinas im prol do pobo caramelo impunhando apenas, um naperon branco, uma saca de ração pá bicheza e um rolo de fita cola do marcado mensal, coisa que muita gente nunca foi capaz de fazer, nim nada.
A gente tá a escraber esta carta… e só pa bocemecê ber o nibel, escrebe um de cada bez: ora escrebo eu ora ecrebe ele, ora escrebe o Albino dos Ácaros, ora escrebe ela, odepois escrebemos todos juntos, engalfinhados uns nos outros porque temos muito pra dizer e só temos esta máquina de escreber pra trinta braços e 20 mãos (malta da fugetaige, tá-se a ber!). Tudo isto pra dizer a bocemecê que a gente tá a escreber esta carta à luz do pitroil e o que a seguir bamos determinar éi dito im boz alta por todos ao mesmo tempo, tal é a cuncórdia aqui da grei caramela.
Atão éi assim:
Im primeiros, através dos nossos radares de alguidar da Cunpratiba, tamos a olserbar de perto a sua recontinuação na chefia do edil camarário. Abisamos já que o monte palmelão tá rodeado até-mais-não das milícias mais brabias (recrutadas cum balentia dentro da Vala da Salgueirinha), sempre prontas a abançar ao mínimo sinal de teor anti-caramelo.

Im segundos, a FLC, sem se pôr na ponta dos chispes, é a que ajunta maior cagulo de qualidades ruralo-metropolitanas, e cunsidera-se soberana dos destinos do Pobo Caramelo, que se debe manter selbaige e libre como o vento da Socel. No intanto respeita a Sede dos Paços do Concelho, assim como a bocemecê, e estamos prontos a negociar de forma desinçaimada.

Im seguida temos a abisar que essa maniazinha de bocemecê dizer que o nosso binho é de Palmela nã tem trambelho nhum, toda a gente sabe (até a gaiateige parba que anda à formiga d’asa pa armar ós pássaros) que o binho é 100% caramelo. Não há que inganar. Além disso a Cidade do Binho nã é nim im Palmela nim im porra nhuma, éi im Fernando Pó e mais nada.

Ó despois, tal como a gente se ajuntámos agora à bolta da máquina de escreber, bocêzes tamém debem ter o costume de se ajuntar uns amais os outros. No intanto sabemos que neste momento têm amais bocês um home nobo que dá pelo nome de Albaro (que éi só o intigo parsidente da Capital Caramela! – Pinhal Nobo). Tratim bem desse home, deixem o home buer mines e traçar coirato à buntade, mesmo quando está im trabalho. A ber se ele nã se esquece das suas ancestrais raízes caramelas. Bamos estar a olserbar de geada a geada, disfarçados de gaveta aparbalhada (daquelas que nã querim fechar nim ó pontapé), pra berificar se o home é bem tratado.

Mais ainda, se o actual parsidente da Capital Caramela (digitalizado im cirimóina no dia 28 pelas 21:30), der a bocê, de bez im quando, uma punhada pas costas, não lebe isso a mal pois mais não é do que uma expressão brabia de elevada afectibidade caramela. Mais, se o home im causa, com os olhos arregalados a brilhar, abrir uma nabalhita à su frente, não chame a Guarda, porque isso mais não éi do que um acto expontâneo-gastronómico e cuncerteza se olhar bem à su bolta, bai incontrar pelo menos uma maçã riscadinha pronta a ser desnabalhada. Isto são só alguns abisos para um saudável cunbibio autárquico. Se tiber dúbidas im relação ao fitio do parsidente do Pinhal Novo, não hesite im cuntactar a gente, por código morse im pitromax (minsaige nocturna) ou pombo-correio (minsaige diurna), ca gente desundubida bocemecê.

Muitas coisas a FLC tem pa dzer, assim como só por exemplos, que a Torre da Estação da capital poderá ser ocupada a todo o momento por pelotões mais brabios, com o fim transformatibo de fazer dela um posto de lançamento de foguetaige rija dos Círios da Carregueira. Já agora, sim carer ser aborrecidos como a canzoada a ganir im frente à rulote da bacina municipal, era de balor óbir da sua boca que todo o caramelo ou caramela, mesmo a morar num arranha céus, tem direito a um padaço de terra e um carrinho de mão.

Balentemente atentos à sua pessoa,
Sim mais nada daqui prá í,
Cuntentes por este cuntacto chegar às suas mãos,
A gente bê-se por alturas da Feira de Maio.

Quintal desactivado do Café Satélite, sob a primeira geada do Outono de 2009,
Embaixador do Vale dos Barris e resto de Palmela,
Albano da Motosserra


Nota: Esta carta foi realmente inbiada, por correio normal, por alturas da cerimóina de digitalização do cargo im questão e só depois (que é agora) é que a tamos a botar para consulta e conhecimento do pobo caramelo.

A FLC, às bossas ordens.

9.25.2009

Nobo libro de Toino das Ideias Parbas tá quase pronto


Não é uma notícia qualquer! Não é um home qualquer! Não são pinsamentos qualqueres! Não debe de ser um libro qualquer! No intanto, éi para qualquer um ler, pelo menos esta éi a opinião do seu autor.

Apresentamos aqui, de forma inédita, um excerto do 3º capítulo do novo livro do mais conceituado filósofo caramelo da actualidade:


3 homes à cunbersa na parte de fora de uma colectibidade im qualquer lado da caramelândia . Um banco corrido, duas motorizadas estacionadas, várias mines vazias, a tarde aquase noite.


- biram aquilo onte?

-bimos.

-óbiram?

-óbimos.

-o queira?

-nã sei.

-ê cá tamém na sei.

-atão mas nã biram?

-bimos

-Atão mas na óbiram?

-óbimos.

- e atão o queira?

- na sabemos.

-na sabem?!! Atão mas se biram e óbiram!

- sim, bimos é óbimos.

- ahhh, atão sabim!

- sabemos o quêi?

- que biram e óbiram.

- sim, sabemos.

- atão o quéira?

- na sei

-na sei.

- Tal tá a merda! Atão tão parbos? Dizem que sim e ódepois não?

-Tu éi quês parbo, sabemos que bimos e óbimos mas nã sabemos o que bimos e óbimos.

-ahhh, óbiram sem ber e biram sem óbir!

-mais ó menos isso, mas nim uma coisa, nim outra.

- atão mas éi possibél óbir sim ber e ber sim óbir, tudo ó mesmo tempo?

-nã sei

-nã sei.

-Mau, tal tá a porra da merda, hãin? Dizem que sim, sim dzer que não e que não, sim dzer que sim?!!

- Atão tar parado nã éi o mesmo que tár andar e tár andar nã éi o mesmo que tár parado?

- O quêi?!!!! (os otros dois em coro, ajuntados agora o que perguntava e um dos que dizia nã sei, agora juntos fazendo parguntas ao outro dos que primeiro respondia nã sei, agora sozinho e alvo das perguntas desintrambelhadas dos outros dois).

- sim, atão na dizem ca Terra anda á roda e ca gente anda sempre nela tipo carrossel?

-?!!!!!!!!??!!!!

(os otros dois em silêncio emparbalhado, a olhar para o outro já desconfiados e quase prontos para garrearem com as mãos fechadas, respondem)

- ái éi? atão se fosse assim, lá era praciso haber a feira de Maio e pôr os gaiatos nos carrósseis? E nim era praciso buer mines de litro pa ficarmos tontos, se essa ideia parba da terra andar à roda fosse de bardade.

- Tou a dzer, aprindi na escola.

-Tás parbo.

-não tou

-tás

-Nã tou

-tás!!!

-não tou, bócês éi que tão, nim sabem nadinha, nim metade do quê sei, nim merda nenhuma!

- queres andar à punhada ca gente, pã ber se a terra anda á roda ó seis tu que andas a rabolar pú chão?

-se quiserem, podim começar, bamos ber quim rabola ou quim arroja pú chão, comós sacos de batata noba!

(…)Negrito


Puderam atão ler um pequeno excerto do nobo libro do Toino das Ideias Parbas, mais precisamente do 3º capítulo, intitulado a Problemática da Ilusão dos Sentidos, onde o autor introduz a temática através de simples conversas quotidianas, aparentemente banais, mas segundo ele, “rapletas de conduto filosófico de lamber os beiços e chorar por mais”.

De realçar que o título do livro será (se entretanto o Toino não mudar de ideias) O Pensamento Filosófico dos Caramelos nos Diálogos Populares do Quotidiano do Dia a Dia Actual.

A FLC sabe que esta obra foi realizada só com base em “diálogos, cunbersas e debates-garreias” que o Toino durante dois anos, foi escutando por toda a caramelândia, a maior parte deles em Colectibidades, Sedes de Ranchos Folclóricos, Cafés e à porta de lojas e mercearias e que depois lhe serviram de base de estudo, colocando em prática pela primeira vez uma teoria há muito defendida por si: a de que todos os homes têm um filósofo inibido dentro de si e que muitas vezes esse filósofo só sai cá para fora a toque de mines e conbibio intra-caramelo tarde-noite (a)fora (teve uma bolsa do Ministério Caramelo da Cultura que lhe subsidiou as muitas rodadas que teve de pagar durante os dois anos de investigação).

Através dos diversos diálogos oubidos na Carreguera, Palhota, Fonte da Vaca, Forninho e por aí adiante, o nosso filósofo exercita-se com rara mestria e delicia-nos com vastas divagações sobre temas que lhe são caros desde sempre: o realismo campestró-colectibo- anti-latifundiário; os príncipios do pinsamento caramelo neo-contemporâneo, a dialéctica selvagem da punhada-recreativa, o homo meio-bidonistico, o pós-existêncialismo agro-pecuário, entre outros temas apaixonantes e de grande interesse para o público caramelo, mostrando um pensamento cada vez mais luminoso e intelectuo-encantatório.

Com os simples diálogos populares (que são sempre a introdução dos capítulos) o Toino quer provar que todos temos conversas filosóficas e que elas estão por toda a parte e que o homo-caramelus, mantém as mesmas dúvidas existenciais que os seus ancestrais antepassados.

Por ultimo, este novo livro também apresenta a sua nova área de estudo, complexa e simples ao mesmo tempo (um tema apaixonante, segundo Florindo Introspectibo, o autor do prefácio do livro), O Carrossel da Terra bersus os Carrósseis da feira de Maio, o qual versa sobre a teoria geocêntrica (éi a Terra c'anda!) e a teoria heliocêntrica (éi o Sol c'anda!), sobre “a ilusão dos sentidos-parbos” e a recusa natural de um pobo em não aceitar aquilo que não bê, um tema que o Toino das Ideias Parvas tinha há muito recalcado dentro de si, pois foi esta temática a razão dos primeiros tareões com cinto que o seu pai lhe deu, quando se apercebeu que o seu filho em vez de se dedicar às lides agrárias e ver se o motor de rega tába a trabalhar em condições, “só tinha ideias parbas e ficaba aquase inbalsamado, durante horas a olhar pó céu de noite, a ber se sintia a terra andar à roda”.

Um livro que a FLC recomenda totalmente (talvez o melhor livro já aqui apresentado até hoje), disponível a partir de Outubro no Marcado do Pinhal Nobo, nas sedes dos Ranchos Folclóricos, Juntas de Freguesias e nos circuitos clandestinos da cultura caramela.


A não perder, para ler e reler!

9.10.2009

Grande entrevista (3ª e última parte)
(…) Eu era o mais guloso, era à colherada pó buxo, à ganância açucarada. Eu amais o Albanito do Solstício, o Vítor Agrário e o Florindo Paleólitico, inbentámos uma traçaige noba: comíamos coiratos que ficabam de um dia pó outro com açucre, rijos que nim chaparia mas docinhos cmó mel, era mais ó menos meio saco d’açucre por cada coirato, por isso hoje acho graça à bossa nobela, nunca perco um episóido dos Coiratos cum Açúcar ó lá o quéi! E ódepois (saiu a 10ª grade de médias, esta taba em cima da paraige) a nossa brincadera faborita, quando nã estábamos na época nem de armar ó bisgo nem da pesca nocturna-clandestina do Lagostim na Chaboca, era andar á padrada uns cus outros. Ora, uma coisa e outra, deram-me cabo da cramalheira, mais os insaios da padrada do que o açucre e quando fiz a tropa já só tinha três dentitos, dois deles quase a cair da boca abaixo. Nã me importaba, sempre cuntinuei a traçar coirato e costeleta de porco.
Ora bem, uma bez na Feira de Maio da capital, os homes dos carros de choque anunciaram no altifalante que o seu chefe (o que só bende fichas, na faz mais nada, ele é que manda) oferecia uma recompensa por quem lhe desse alguns dentes que lhe faltabam na sua cramalheira, o home caria traçar torresmos e torrão d’alicante e nã cunseguia. Eu, manhoso coma ciganaige do Marcado do Pinhal Nobo, tratei de pricurar o que eles dabam im troca: um dente de ouro, uma balente sacada de fichas amais andar num carro de choque artilhado sempre que quisesse. Nim pinsei duas bezes. Disse que oferecia os mês dentes todos (aqui inganeio-os, pois eles já nã eram muitos, só por causa disto, bamos buer atão a abaladiça!). Lebaram-me ó chefe lá na cabina, abri a boca, ele pôs uns óculos de ber ó perto, olserbou cá par dentro e disse: são mesmo esses que eu procurava!; já mos cariam arrancar logo ali com uma gazua de assentar o chão da pista, mas eu apanhei medo e disse que no outro dia lá estaria com os dentes.
Assim foi, fui ao Rui Ferrador logo ali ao lado e o home lá me arrancou o resto da cramalhera. Fiquei com fichas pó resto da feira de Maio, tibe as parigas todas que quis, fui o rei da pista, tibe o cuidado de só comer coirataige menos rija e no final, boltei ao Rui Ferrador pa ele me aparafusar o mê nobo dente douro com qualquer coisa que tibesse à mão.
Chaguei aos Olhos d’áuga de carrinho de choque (o home-dono da pista ficou mesmo cuntente e atei me emprestou um carrinho de choque que depois o Rui Ferrador retficou pa andar no asfalto e terra batida sim ser praciso botar fichas) e todos se admiraram com o mê dente, as parigas sorriam par mim e eu pinsei, hás de ter mais destes na tu boca, hás de ser um home raspeitado. E assim foi, fui coleccionando, a pouco e pouco, ora cumpraba um, ora cunpraba outro, atei que depois de muitos anos tenho esta cramalheira de fazer inbeja ao Rei-Rapa. Agora bou leiloá-la, já tá à benda em toda a caramelândia, nas sedes e colectibidades, quem der mais fica cum ela e bou ódepois cuncretizar o mê sonho: construir um posto de olserbação da estrelaige pá nha neta.
O Babuíno Aluado (grande inventor caramelo) também já tá todo intusisamado e já deu esta ideia: montar uns andaimes im forma de torre bertical, com uma altura nunca bista na caramelândia, mais alta do que daqui-ali (levanta-se e aponta lá pó longe com o dedo esticado, nim ele sabe bem para onde), secalhar atei mais! De dia cobre-se com um oleado por cima e pede-se a um home-artista da terra para pintar umas estrelas na parte de dentro pa inganar a gaiataige e à noite destapa-se o oliado e lá do alto, olserbamos as estrelas aquaise a tocar nelas e tamém se quisermos, pode serbir de farol, pás motorizadas que andam à noite de colectibidade im colectibidade por essa caramelândia afora, se guiarem, sabendo sempre onde são os Olhos d’Áuga (nesta altura o canito já dorme, a paraige éi agora apenas mais um vulto na escura noite). Entretanto ouvem-se passadas na gravilha. Alguém se aproxima com um pitromax, éi o Florindo Paleolítico, que se assenta ao nosso lado. O Berto da Cramalheira, feliz e aquase inbalsamado pelas médias que já inborcou diz-lhe “bens mesmo a horas, ia propor a abaladiça!”. Buemos atão a última, desta vez em silêncio individual.
A noite éi agora dos grilos, das arganaças selvagens (estilo coelhos adultos) e de todo o tipo de bicheza nocturna que a esta hora ganha vida e liberdade existencial. O canito acordou e roi agora (só para se entreter) umas das muitas grades de médias que povoam o chão da paraige.
Muito a custo lebantamo-nos do banco corrido e encontramos a menarda da FLC. Pomos os capacetes debaixo do braço e montamo-nos a cavalo como se se tibesse lebantado uma araige parba que nos impurra pa um lado e pa outro. Ainda óbimos o Berto da Cramalhera a vociferar para o Florindo Paleólitico:”olha bem aí o Victor Agrário de pitromax na mão!Éi sinal de que nos bamos dibertir, bamos andar à padrada uns cús otros, como quando éramos gaitos parbos!”.
A paraige das caminetas fica para trás. Sobre nós o infinito céu estrelado, belo como milhares de meios-bidons im chamas.
As mesmas estrelas que nos Olhos d’Áuga “hão de ser bistas mesmo dó perto, tão dó-péi que atei bão ofuscar!”.

8.25.2009

Cá está o Nidberto da Cramalheira amais a Ti Juila Espezinhada, os dois assintados na Paraige das Caminetas. O Nidberto pinsaba que quem taba a tirar a kodak eram homes do Jornal do Pinhal Nobo e por isso tapou a dintadura. A Ti Juila tába na hora d'almoço, a aprobeitar pa cozer umas ciroulas antes d'ir abrir a Marcearia .

8.23.2009

Grande entrebista de verão (parte II)
Ora atão bamos cuntinuar a entrebista ao Nidberto da Cramalheira!
"(...) Podem botar também na nossa cunbersa que os homes do Ministério Caramelo da Educação debiam de pricurar professores mais caramelos do que alguns que por aí bejo, que insinassem ao gado míudo o que éi ser caramelo, o quéi a nossa cultura. Bejam que atéi eu que só tenho a 2ª classe sei qual éi a nossa capital, nã sadmite isso a um home-professor, que eu atéi os raspeito muito”.
Dito isto (já íamos na quinta grade de médias), o Nidberto da Cramalheira foi direito ao assunto, prestem bem atenção agora, que ele bai falar mesmo rápido:”atão a nha neta beio de lá de Lisboa a dzer que biu as estrelas dentro de uma casa que lá o céu éi lindo como nunca tinha bisto eu parguntei-lhe se taba parba se foi lá de dia de dia nã há estrelas ela disse que não dentro da tal casa taba de noite eu disse tás parba e dei-lhe uma balente galheta nos quexos ela atei andou pú chão ficou a chorar e foi dizer à mãe a mãe dela (nha filha, Anacleta Imborcatiba) disse ó marido (ao Alcindo Escabador) e ele beio parguntar o quéi-que se passou eu disse que a gaiata tá parba ele disse-me párbo tá bócê ainda nos ingalfanhámos à punhada na rua os dois a rabolar por cima do intulho pós porcos bofatada e pontapéi a coisa acalmou ele foi à bida dele e eu á minha e eu ódepois atéi tibe pena da gaiata (aqui parou pa puxar ar e surbia pa dentro do corpo-vasilhame e arrincou outra bez o relato). Pus-me a pinsar fui à colectibidade pinsei a tarde toda e disse: atão ela aicha que lá as estrelas eí que são bonitas pois bai ber as nossas mais dó-pé tão perto que atei a bão incandiar e bai ber que as estrelas no céu da caramelândia éi que são as más lindas do mundo. Já tenho um plano (aqui abançámos pá sexta grade, esta taba na parte de trás da paraige, debaixo de umas silvas) falei com o Babuíno Aluado (inventor caramelo, também já entrevistado pela FLC), ele bai-me ajudar na ideia e agora só éi praciso dinheiro. Por isso tibe a ideia de leiloar a minha cramalheira de ouro puro que tantos inbejam e que bale uma furtuna. Fico sim dentes, mas com dinheiro para inbestir. Olhos de Áuga há de ter o primeiro olserbador da estrelaria de toda a caramelândia, e a nha neta bai ser a dona-gerente-utilizadora do estáminé, bai ser a nha herança par ela” (os olhos brilham pela primeira vez mais do que os dentes, as médias imborcam-se como caracóis com pão cum manteiga).
A conbersa bai longa. No horizonte da paraige, o sol caramelo começa a dar as últimas labaredas. Por aqui diz-se que são os raios do horizonte abaladiço. Normalmente é o pretexto para a(s) última(s) abaladiça(s) dos homes da terra, reunidos em pequenos grupos na Colectibidade e às vezes à porta da mercearia da Ti Juila Espezinhada. Também o Nelo nos diz:”bamos atão à abaladiça?” e saca de mais uma grade de médias (já bão 8 a dibidir por três homes). Antes de arrancar para mais uma parte da história, limpa a garganta e as vias nazais, fazendo sair da boca uma bela lasca de cor esverdeada e formato ligeiramente arredondado, a qual o canito sempre atento nem deixou cair no chão. Olhou orgulhoso pó canito e disse: “atão bou contar o resto, já éi de noite, mas tá agradábel, gosto de conbersar ao ralento selbaige da nha terra.
Atão oiçam agora, éi ingraçado! Erámos gaiatos (os olhos brilham novamente), róbava-mos açúcre na mercearia da Ti Juila Espezinhada...
(cuntinua).

8.17.2009

Grande entrevista de Verão

Entrevistas a homes e mulheres de referência na grei caramela, que muitas vezes passam do anonimato às bocas do povo, simplesmente porque o marecem.
É este o caso do nosso actual entrebistado, um home crú, orgulhoso das suas raízes, um home em contínua transformação, um alquimista, capaz de transformar o ouro em estrelas…

Mais uma vez a FLC em grande entrevista. Fomos ao taparuer escondido atrás do frigorifico do nosso esconderijo actual e de lá retirámos o suficiente para atestar o depósito da motorizada de serviço e mais algum para umas mines, caso a entrebista para aí se albergasse. Almoçámos bem. Um balente arroto em uníssono (quanto mais alto e prolongado maior a satisfação digestiba) marcou o arranque da máquina a motor e consequentemente da biaige direitos ao nosso entrebistado. O esconderijo ficou para trás, o destino agora é outro: Olhos de Água, terra aberta ao sol e à heróica brabeza dos seus habitantes.
O encontro foi marcado na paraige dos autocarros. Abistamo-la lá ao longe, o sol a bater na sua chaparia como um maço no escopo de um padreiro experiente. Estacionámos em derrapaige diagonal. O nosso home já lá está. Pernas estendidas e cruzadas, está entratido a cortar as unhas das mãos com uma tesoura de podar. Sorri quando percebe que a FLC chegou. Está em contra-luz e gosta de mostrar os dentes, a sua cramalheira quase que nos ofusca a bisão. Aninhamo-nos os três no banco corrido da paraige. A esta hora não há ainda ninguém, aqui só passa uma fragnete-colectiba-a-motor uma bez por dia, podemos cunbersar à buntade, estamos em território amigo, ter os Olhos de Áuga éi aquase tão refrescante como uma melancia nas primeiras hora da matinal Raforma Agrária.
Prestem bem atenção agora: o nosso home beio ao mundo com o nome de Albertino Nidberto dos Nicolaus. “esse nome éi pa esquecer, puta cu pariu!”, diz-nos mostrando que a partir dali só o debemos tratar por Nidberto da Cramalheira Doirada, “Berto da Cramalhera para os amigos”.
O Bertoéi aquase sozinho o tema de cunbersa das sedes e colectibidades da nossa caramelândia, neste berão. Do Lau ao Forninho, das Lagameças ao Rio Frio, dos Arraiados à Lagoa da Palha não há quem ainda nã tenha óbido falar dele. Motivo: o leilão que ele tebe na ideia de fazer, prometendo a sua cramalheira em troca de dinheiro, ou seja quem der mais leba a dintadura com nada mais nada menos do que 8 dentes d’ouro, “d’ourinho balente cumprado na capital, na óribesaria do Morais, só os corta-palhas da frente reluzem tanto que às bezes a nha pariga atei tem que pôr os óculos de soldar, pa falar comigo, quando o sol tá malino como hoje. Posso também garantir que nunca os labo, só beêm um palito de tempos a tempo, pa escarafunchar o conduto maior, de modo que o ourinho tá lá todo, nim oxida nim nada”, diz ele com orgulho, abrindo a boca e batendo com os quatro dentes de cima nos quatro dentes de baixo, fazendo um som estilo ferrinhos do rancho. Perguntamos-lhe por que os quer vender, quando está à vista que a sua cramalheira é a sua cara. Responde-nos que a história éi longa, mas se quisermos óbir ele pode cuntar, hoje já na tem mais nada pa fazer, talvez ainda andar à padrada com mais dois ou três amigos mas isso são outras histórias, “um home tamém tem direito a dibertir-se”afirma batendo repetidamente com as costas na chaparia e rindo-se com o corpo todo.
Ajeita-se na paraige, escolhe um local onde o sol lhe bata na cramalheira (bê-se que gosta de impressionar os outros com os dentes) e com um só movimento saca uma grade de médias debaixo do banco corrido, de onde retira três exemplares. Abre uma a uma com uma seca e certeira pração da carica contra a chapa mais rija da paraige. De médias bolta e meia cheias, bolta e meia bazias, começamos a oubir a explicação (um canito de raça coelhera aproxima-se e senta-se perto de nós intartido a roer os bocados maiores das unhas que ficaram no chão):” a minha filha, Anacleta Imborcativa, casada com o Alcindo Escabador, tem uma gaiata que anda na escola primáira. Uma bez fui buscá-la à escola de motorizada e disse-me que iam fazer uma bisita de estudo à capital, fiquei todo cuntente a pinsar que ela ia ao marcado, ou à cunpratiba ou ao Gil das Farinhas. Quando chegou da tal bisita, parguntei-lhe se tinham dados sacos da cumpratiba à gaiataige ó se tinha bisto a torre da estação, ela nã parcebeu a pargunta e disse que tinha ido a Lisboa a um sitio chamado planetaige ó planetairo, nã sei bem, e eu a pinsar que a capital para ela era o Pinhal Nobo, mas não, bi que na escola nã insinam grande coisa aos gaiatos. No dia seguinte, (inspirou fundo, cruzou as pernas e bebeu o resto da média de penalte, como que a buscar inspiração e memóira pá sua cunbersa, o canito rosnou, concentrado no seu petisco unhal, a roer ainda uns restos de conduto auricular a elas agarrado) fui à escola e pricurei o tal professor. Disse que só caria fazer uma pricura, caria parguntar qual era a nossa capital: ele raspondeu com um ar de quim sabe tudo: Lisboa! Eu infurecido só lhe disse: ai éi? Atãoi bócê na sabe que tamos na caramelândia e que a nossa capital éi o Pinhal Nobo?!!!. Nim o dixei rasponder, apraguei-me a ele e dei-lhe um tareão mesmo im frente aos gaiatos, dentro da sala de aula. No final parguntei-lhe ótra bez sobre a capital: ele lebantou o quexo e disse pinhal novo, ainda a gaguejar. Dei-lhe mais uma punhada, ele rabolou e só parou ao pé do quadro. Eu calmamente (nã sou home de me inerbar nem de biolências) disse: tá aquase certo, só que nã se diz novo diz-se no-bo".
Ódepois (agachou-se e puxou outra grade de médias debaixo do banco, serbiu-se e serbiu-nos, bebam, bebam repazes, aqui são os olhos d’áuga mas pó buxo só inturnamos surbia) birei-me pá gaiataige e disse: pórtim-se bem ó xabalada, e debaixo de uma chuba de palmas da galfaraige e das cuntínuas saí da escola".
A entrebista cuntínua, éi que senão fica muito grande pa bócês lerem tudo de uma bez e podem ficar imbaralhados cum tanta leitura. Bão mas éi buer umas mines, cu calor tá mais parbo que um papo-seco sim conduto.

8.03.2009

Classificados Caramelos

Compre, venda, troque, ofereça, pricure

Edição especial de verão- só para coleccionadores

Compro naperons antigos, nobos e belhos (Nã é praciso tirar os naperons dos móbeis, bou a casa ber se bale a pena, a maior parte das bezes nim bale a pena gastar gasóile)
Contacto: Guilherme Jibóia (Lau)

Troco retroescavadora usada por placa da câmara com alvará municipal para vazar entulho. Contacto: Julinho do Entulho

Compro pentes de bolso e navalhas de podar a vinha.
Nota:os pentes têm de ser de plástico, tem que dar para pentear pós lados e pá frente com um só movimento).
Contacto:Mariano Maquinista (pinhal novo)

Vendo gravações áudio (cassetes pa óbir no rádio) com o som do
fogo rijo da festa da atalaia, anos 1991 e 1993.
Contacto: 9154356780 (Celestino Bombista)

Vendo cagatório à antiga portuguesa (estilo retrete de cócoras) já bastante usada, mas em muito bom estado. Só para coleccionadores. Oferta de dois esfregões palha de aço, uma escova de arame e meio jerrican de produto-criolina pa desincardir e dar brilho.
Contacto: Armanda Arganaça (sou a dona da mercearia Compra e Põe-te ao Fresco, nos Arraiados)

Vendo pedras da linha do antigo ramal pinhal novo-montijo ao kilo. São mesmo as originais. Boas para ornamentar qualquer coisa, ou para guardar no armário (cada bez bão balorizar mais). Motivo: já nã tenho espaço im casa.
Contactar o Alcindo dos carros de mão.

Troco motor de rega casero por Zundapp noba amais o capacete. Só aceito se for noba, o motor de rega éi balente, atei suga a áuga da bala da merda.
Contacto: Ti Marta Garganera (Palhota)

Troco o primeiro livro clandestino do Toino das Ideias Parbas “o Infinito éi um tractor agrícola”(edição fotocopiada às escondidas, na sede do Rancho da Lagoa da Palha, pelo próprio autor), por 6 ou 7 garrafas de Vinho da Cascalhera, do ano passado ou atão por 8 grades de médias. Perguntem pelo Quintino da Sapec no Café América.
Vendo sanita antiga (a única que lá deu serventia) do café Satélite, ainda com o assento e tampa original. Peça bastante valiosa (o home que beio abaliar a peça até disse: “se este cagatório falasse…”). Só aceito ofertas a partir de 100 mil réis.
Contactar o Ti Enxaugado.

Vendo cartazes antigos do cinema da SFUA.
Colecção muito boa, cartazes dos filmes do ET, Indiana Jones, Gelado de Limão, Conan, Bud Sepencer, e vários dos cóbois e índios. Quem comprar o conjunto ganha uma sacada de rabuçados bola de neve e três fichas triplas.
Contactar: Belarmino Pançudo (tou na Sela, ós domingos nas matines dançantes), faço bom preço.

6.04.2009

FLC SAI DA TOCA PRÁS FESTAS

Com que intão já pinsabam que a FLC já tinha sido amordaçada nos calaboices da ASAE por andar a fazer propaganda aos meio bidons em labaredas com carvão feito de trabessas da linha untadas com benzina, hã?
Nããã. Nada disso. A FLC tem andado mazé em actibidades diplomáticas pra elebar a cultura caramela a uma das sete marabilhas do mundo. Neste tempo de ausêiça conseguimos subir 400 posições ficando à frente da cultura neo-aparbalhada das calças pinduradas pas nalgas abaixo a ver-se o rego com cutão.
Mas não é do cutão no rego que a gente bai falar hoije. Éi das festas caramelas que estão aí a arrebentar que nem um patardo, capazes de cegar um home.
É por isso que as facções brabias da FLC saim da toca e bão prá rua berificar o bom corrimento das festibidades e afins. Por isso segue-se já sim demoras o nosso pograma de actibidades clandestinas:

Dia 8, Segunda:
6:30h – Alborada. Olserbação dos toiros da largada a pastar no seu habitat natural.
12:00h – Audição atenta da sirene dos bombeiros.
12:01h – Um silêncio parbo cum home fica logo com fome.
19:30h – Telefonema aos GNR a abisar que só faltam 24h pró rebentamento das festibidades e abisar que “as festas caramelas nã se fazim sim a GNR andar a inxotar a malta dum lado pró outro”.

Dia 9, Terça:
5:00h – Alborada e olserbação dos primeiros raios de sol a penetrarem no territóiro caramelo e apanha do feijão prá sopa caramela.
10:00h - Contaige dos barris de imparial a rebolarem Pátio Caramelo adentro e primeiras provas em canecas de litro.
12:00h – Espectáculo sinfónico da sirene dos bombeiros e momento de largar gasearia que ninguém oube.
18:00h – Contaige de gerricans de tinto, clandestinos, a intrarem no recinto festibo e acendimento oficial dos meio-bidons com querosene caté o bombeiro-estátua (na rotunda do LIDL) apanha medo.
20:29h – Carregamento de floberes (com chumbo calibrado), pra atirar às nalgas das Entidades Oficiais na inauguração das festas como forma de boas bindas ao ebento.
(É importante esclarecer que o “chumbo pas nalgas” é uma das massaiges com flober mais eficazes no mundo caramelo: faz activar a circulação sanguínea, põe uma pessoa mais esperta e cuncentrada no mundo que a rodeia, cura a sonolência aguda, estimula o sistema nerboso e a estima pelo corpo (nalgas), dá força pra bincer os infortúnios da bida e, entre muito mais curas, melhora a digestão da sopa caramela).
21:00h – Abertura oficial da primeira rodada de impariais e arranque do maior caramelizatório do mundo: as Festas Populares do Pinhal Novo 2009.

Só gente caramela como o nosso pobo,
faz festas como as do Pinhal Nobo.

3.06.2009

Ti Balbina Acocorada lança nobo livro de poesia caramela

Sou os chispes da minha alma, é o novo título da Ti Balbina Acocorada.
O lançamento do livro vai ser no próximo sábado, dia 14 de Março, por bolta das 14h00 em frente à biblioteca de Pinhal Novo, e segundo Alcindo Escabador, o organizador do evento, a organização não se responsabiliza se alguns exemplares forem lançados selbáticamente por alguns fãns da Ti Balbina, “de incontro às montras da biblioteca im sinal de justo protesto por este estaminé da pseudo-cultura caramela nã ter sequer um único livro do maior bulto actual da poesia caramela contemporânea, e de nunca ter pricurado saber alguma coisa sobre a sua obra”.
Tal como aconteceu na sua obra anterior “"Poesia com Chispes de Luz", o prefácio vai ser da autoria do António Estalisnau Tarimba (mais conhecido por Toino das Ideias Parbas).
Deixamos aqui um pequeno excerto do que o Toino escrebeu: “Nesta nova obra, a Ti Balbina Acocorada prossegue a sua doce depuração de uma Poesia sensitivo-rude, de tradição feminista selbagem, que nos embala num regresso à nossa alma gémea caramela, que é afinal uma só. Li Sou os chispes da minha alma de uma assintada num acero descampado perto do Lau e absorbi a essência natural das suas palabras mágicas. Debo dizer que Ti Balbina canta o mundo e o molda à sua pessoa e nos insina o simples das palabras. Atrabés das metáforas e das segundas palabras-sentidos, é capaz de nos fazer oubir as motorizadas da nossa infância (em escape libre), de nos fazer ber (e cheirar) o pitróile do intigamente.
Ela escrebe poesia como quem bende hortelã e óregãos (em ramáiges ainda frescas) na rafórma agráira, é a boz caramela mais pura e actual, um refrão inbisibél mas acústico, uma mulher malina que não procura a fama e faz da obscuridade a luz clandestina da sua criação artístico-rural.
A sua poesia de alta radiação caramela é como criolina a desincardir os nossos obidos, uma labaige à cera do pensamento, elebando-nos a caramelos-gaiatos-quase-parbos em liberdade total, com a alma nos chispes.

Balintia é o mê nome

Tenho os chispes
im brasa
tenho bico
Na asa
Tenho fijão de molho
E biajo sempre de motorizada

Sou mulher rija
E malina
Nã tenho cadija
O mê nome é ti balbina

Fui escriturária e
Pé descalça
Ainda bou à raforma agráira
Nunca usei calça

É domingo:
Bou ao marcado
Tenho cabalo dado
Nunca lhe olhei pó dente
Nim usei datargente

Sou balente
Sou malina
Bou ó cagatóiro
Nunca usei
supositóiro

Sou a Ti Balbina
Se for praciso
bebo criolina

Sou acocorada e
Às bezes malcriada
Antes só
do que mal acumpanhada

Bou mímbóra

Bou desinfetar a basilha
Bou buer áuga e grabilha

Gosto da bicheza brabia
Como ratos e nã me dá azia

Bou ao urinol como ós homes
Ponho-me de cócoras
E nã uso pedra pomes

Esgrabato à parba
Bebo binho
E nã desidrato

Fiz de mim própria selbaige
Mas escolhi a minha biaige

Bou mimbora bou partir
A mim éi que
nã mapanham a dormir

Poemas retirados do novo livro “Sou os chispes da minha alma”