19.4.11

Coiratos cum Açorda - "Aquela Balente Noite"

Em estilo comemoratibo dos seis anos de ocupadura deste baldio pela FLC, resolbemos presentear a população caramela com um grandioso momento da telenobela Coiratos com Açorda, passado no nobo complexo turístico da Herdade do Rio Frio. Será o episoide 6.258.361 desta emblemática obra de ficção que faz históira da nossa históira.

Neste episoide temos o maior cenário de sempre, totalmente feito de cortiça e pausinhos (4 toneladas de pauzinhos do algodão-doce, meticulosamente coleccionados e catalogados pela Associação de Festas Populares do Pinhal Nobo). Para que o cenário tibesse a credibilidade dum centro hípico a preceito, a produção tebe d'ir buscar cabalos de alta patente, residentes nas pastaiges da Lagoa da Palha. No intanto, dada a insuficiência destes animais, tibemos de trazer alguns burros do Poceirão, e mulas desactibadas dos ciganos, pra inriquecer este ambiente de requinte rural.


E agora bamos já ber o próximo episoide, passado no nobo empreendimento do Rio Frio.


Bamos pôr a cassete e...


É Domingo numa tarde solarenga de Maio. As erbas do montado do Rio Frio oubem-se a crescer e a meter imbeja às pernadas dos sobreiros. Este som é misturado com o ronco de grandes jipes, limousines e helicópteros a chigarem ao Hotel Bolota D'Oiro no Rio Frio. Entretanto, na humilde casinha de Chispalhudo, na bila de Pinhal Nobo, o rádio a pilhas passa pela última bez a música parba do Axel do Festibal da Canção, pra abrilhantar a sessão de punhada do final do jogo das meias finais do INATEL, entre Baldera e Corroios, sabendo-se já que Baldera ganhou por um a zero ao seu adbersário.

- Oh Benâniça, e se quando acabar a punhada, tu deslargasses a bassoira e a gente fosse passar a noite ó hotel do Rio Frio? - Pergunta Chispalhudo à sua mulher, Venâniça da Berruga.

- Tás parbo ó quê?!! - responde ela a ameaçar com o pau da bassoira – A tua reforma nim chega pra passares pra lá da Salgueirinha.

- Isso é o que tu pensas. A gente combida a bizinhança pra ir tamém e, entre todos, dá até pra ir pró quarto parsidencial! Hã?!!

- Tóóóó!!!! - resmunga ela espantadiça, num plano de pormenor caté se bê em detalhe os três pintelhos alojados na berruga a trocarem sinergias.

- Pois é! Tenh cá na ideia: lebamos o Toin das Mines amais a sua amiga que ele achou na Cela; lebamos o Leonel o Ordenhador que pode lebar um jerrican de leite de cabra prá gaiataige buer noite fora, a Jaquina dos Baldes amais a cunhada que traz o Zé Manel Ratoêra pra ir ós pássaros; lebamos o... o... olha por exemples o Celestino Bombista que traz a malta toda dos círios da Carregueira com patardos à mistura. Podemos tamém combidar o Julinho do Intulho que vem ca família do Albino dos Pitromaxes e a Juliana das Águas Turvas... Ah! Tamém nã podemos esquecer da família da Zulmira Patuda amais aquela malta do Ti Casimiro Zebaido da Ti Zebaida Putrefacta, da Palhota, que conhece aquela gente toda lá do rancho. Combidamos tamém o Jquim Espalmadiço...

- …. O Espalmadiço?!!! - Inquire Venâniça.

- Sim aquele que anda a conduzir cilindros pra espalmar o alcatrão!

- E achas bem que o home apareça lá no Rio Frio im cima dum cilindro, ao pé daquela gente fina.

- Qual é o problema?!! Hã? Cada um bai como quer. Uns bão a péi, outros a cabalo nas minardas como a família dos Carborildos que eu até me tinha esquecido deles, outros de tractor e o Espalmadiço bai de cilindro...

- Hummm!!... - resmunga Benâniça quase combencida.

- O que é que achas? Podemos tamém combidar o Albino dos Ácaros pra lebar uns binte ou trinta colchões, porque o quarto parsidencial pode nã ter camas pra esta gente toda! Hã? O que é que achas? Bamos?

- Atão eu bou-me bestir e pintar, que eu nã quero aparecer lá assim, de combinação.


A partir deste momento, Chispalhudo amonta-se na sua pudalera e bai rapidamente fazer a combocatóira a toda agente que já tinha falado, amais uns quantos que se ia alembrando pelo caminho. Todos os combidados concordaram com a ideia e prapararam-se prá balente noite caramela no Holel Bolota D'Oiro em Rio Frio. Todos prepararam um abio a perceito, desde um semi-reboque carregado de meio-bodons, ao pitroil, coiratos e papo-secos, até ós patardos, ratoeras e floberes, canzoada, colchões e acordeões.

O primeiro a chigar à porta do hotel foi o Espalmadiço, que estacionou o seu cilindro junto às grandes limousines, Rolls Roices, e carros de corrida descapotábeis. O último a chigar foi o Celestino Bombista amais oito Dinas de caixa aberta a cagulo de lançadores de foguetaige que trataram logo de marcar a sua chigada com uma salva de morteirada, caté parecia a chigada de Napoleão à Russia.

Ao som da morteirada, Chispalhudo dirige-se à recepção. Atrás dele segue o Albino dos Ácaros acarretando bários colchões, e logo de seguida o resto do elenco com o abio de sacos da compratiba, caixotes da fruta entre outros haberes.

- A gente quer o quarto parsidencial. - pede Chispalhudo.

- Lamento, mas a suite presidencial já está ocupada. - responde a recepcionista.

- Ocupado?!!! Com queim? Ca parsidente da câmara?!! Ei?

- Não lhe posso responder.

- E o que é ca parsidenta da câmara beio práqui chirar? Beio badiar? Beio cabalgar, foi?!! Hã?!! - resmunga o Leonel o Ordenhador com um jerrican de leite de cabra numa mão e uma mine na outra.

- Se ela nã sai já daqui, a gente desata à morteirada caté os bois arrotam a puvides estragadas! - ameaça Celestino Bombista com um cigarrinho nas beiças, pronto a atiçar o rastilho dum morteiro.

- E se nã tem o quarto parsidencial, que malhadas têm bocemecês prá gente? - pergunta a Zebaida Putrefacta com um alguidar cheio de erbas prós coelhos que apanhou pu caminho.

- Temos o quarto 116, o quarto 47, o quarto...

- Xôô, péraí, peraí. Que balhana de quartos são esses? Bocemecê pensa o queim? - interrompe Chispalhudo dando uma punhada no balcão.

- Bamos ximbora, bamos mazé pró rancho da Lagoa da Palha que tem um salão prá gente todos, e é muito melhor que estas balhanas feitas prá galfarraige municipal. - propõe Juliana das Águas Turvas com um cucharro na mão e uma bilha d'áuga à cabeça.

- Péraí. - responde Chispalhudo – Deixem-me fazer aqui uma precura especial à recepcionista. Diga lá aqui à gente: bocêzes alugam tacos de golfe?

- Não, infelizmente nós não dispomos de campo de golfe.

- Não têm campo de golfe?!!! NÃ TÊM CAMPO DE GOLFE?!!! - respondem todos im coro.

- Não, não temos.

- INTÃO ISTO É PRA GENTE PINDÉRICA. - respondem todos im algazarra.

- Bamos ximbora quisto nã tem ambiente. Bamos mazé pró rancho da Lagoa da Palha e fazer uma balente noite caramela. - grita Venãiça da Berruga, com palabras de ordem.

- BAMOS XIMBORA MAZÉ. - gritam todos a garriar, à mistura com patardos polifónicos e modinhas de acordeão.


E lá foram eles todos...


Nã percas os próximos episoides desta grande obra de ficção, se não, ficas de fora deste marabilhoso elenco, nã és combidado, e ficas embezogado a olhar prás paredes que nem uma mula desactibada.

13.4.11

Está lançada a polémica!



(Uma polémica tipo quando um home, im cima duma Dina de caixa aberta, com o cigarrito já ó canto da boca, acabou de lançar a foguetaige e ela bai no ar, suspensa e bertical, e cá im baixo todos olham de boca aberta e coiratos desincerados a espera de óbir o patardo embrutecer sonoramente).

Então ei assim: o grupo de Intelectuais Anónimos Caramelos (I.C.A.), enbiou-nos uma carta via pombo correio-rápido sobre, segundo eles, um assunto que começa a gerar alguns debates-garreias no seu seio e que tal como a foguetaige quando já bai lá no ar, bai ter de arrebintar.
Com esta carta, querem eles, que a gente perceba que este assunto não ei só deles, mas que também o pobo não intelectual deberia começar a pinsar nisto, im bez de pinsarem só na chabe do totoloto e no aumento do preço da ração pá bicheza.

A questão ei a seguinte:
-debe a famosa Rotunda dos Pinheirinhos (um dos ícones da capital Caramela) mudar de nome?
-então porquei?!!!,, perguntamos a gente e bocês também (mas em plaibeque, infiados na nossa boz-leitura).
O problema, par'eles (os intelectuais) é que „os Pinheirinhos estão a crescer e quando crescem deixam de ser pequenos e se deixam de ser pequenos, deixam de ser Pinheirinhos e passam a ser Pinheiros e parece que mais ninguém bê isto, nim pensa nisto, nim se preocupa com isto, só a gente”, disse Quintino dos Libros (também conhecido por Quintino dos Uisques), um dos fundadores deste grupo. De facto vários serões do I.C.A (todas as quartas-feiras das 21h00 ás 24h00) tem sido alimentados por esta questão, que começa a criar divisões dentro do próprio grupo.
A FLC sabe que estes intelectuais gostam por vezes de balentes discussões e que se preocupam com temáticas de grande peso cultural para a vida caramela im jaral.
Por exemplo, uma das ultimas grandes discussões foi sobre quais seriam os melhores sacos de plástico da Caramelandia, os da Cumpratiba ou os dos Retornados. Apesar de alguns membros terem saido do grupo em protesto, foi possível chegar a uma conclusão-parba que agradou a quase todos, com a conclusão que nim um nim outro, que o melhores são as caixas de fruta e de legumes da Reforma Agrária (mesmo assim depois disto houve quem dissesse que os melhores eram os sacos de serapilheira branca da Sapec, tentando iniciar uma nova discussão). Mas neste caso, já la vão varias sessões de debates-garreias e nada, tudo se mantém na mesma, com inflexiveis de um lado e do outro, existindo ate já duas facções opostas: os Conserbadores (defendem a continuação da designação Rotunda dos Pinheirinhos) e os Banguardistas (querem mudar o nome para Rotunda dos Pinheiros), que continuam, sessão após sessão, a ameaçar-se mutuamente com os cachimbos, entre mais uma baforada no respectibo e uma dissertação argumentativa, com alguns bai bardamerda-bai mas ei tu, à mistura.
Desta forma, esta carta é também um pedido de ajuda, para que a gente-FLC intervenha e ponha fim a esta discussão, pois “o pior que pode acuntecer ei o caldeamento do nosso grupo im dois, com o acréscimo da gente se dibidir im dois grupos, já na poderemos ser anónimos porque todos se conhecem uns aos outros e assim perde a graça”, referiu novamente o Quintino dos Uisques. A FLC, após reunião com o conselho de sábios caramelos no Café "Paga e Bai-Timbora" (Fonte da Vaca) e varias grades de mines mais lebes do que quando estabam cheias, decidiu que bai interbir, porque o melhor será este assunto ser rapidamente resolvido inquanto ainda só faz parte dos debates dos intelectuais caramelos anónimos. Assim, bamos inbiar o Toino das Ideias Parbas, o home mais respeitado do pensamento caramelo contemporâneo, a uma das sessões deste grupo, pa ber se ele põe ordem nos homes dos pinsamentos.
“Porque" (diz o Toino), "se este assunto passa pá rua, pó marcado, pró pob-grei im jaral, e sabendo como por natureza somos dados a debates-garreias, isto na fica por aqui, quim sabe lebaba a gente atei a uma guerra-cibil-uns-dum-lado-outros-do-outro, e o ca gente quer ei os caramelos unidos im torno da sua luta pela libertação cultural e identitária, quei pa ber se a gente cunsegue ser libres como os carroceis da Feira de Maio, quando andam á roda, caquilo atei parece o planeta Terra im bolta do Sol, que brilha mais que 1000 mei-bidons im brasa e acho que de um ponto de bista agro-contemporâneo debe de...”(fomos ximbora e dixámos o Toino a divagar sozinho, insimesmado nos seus pinsamentos existencialisto-rurais). Ele bai dar conta do recado.


Se ei pinhero
ó pinheirinho
O que m'intaressa
Ei o binho!

(antigo proverbio do Lau)

4.4.11

CENSOS NAPERONOLÓGICOS (dos Naperons)


De 5 de Abril a 30 de Maio em toda a Caramelandia


A FLC em colaboração com o IDDTC (Instituto do Design e Decoração Tradicional Caramela) bai promover pela primeira vez os censos naperonológicos.

Estes censos consistirão na imediata bisita-bistoria a todas as casas da caramelândia de alguns técnicos estritamente preparados para o efeito, que com a ajuda de canzoada altamente treinada no farejo de naperons, irão amigavelmente rebistar as casas e fazer a contagem (com os dedos das mãos) de quantos naperons existem nos domicílios. No final, será feito um levantamento-pricura de quantos naperons existem actualmente e em que divisões da casa estes mais proliferam (Cozinha, sala, marquise, quartos, quintal, garaige, arrecadação, baldio-neste caso ditado fora) e atei ficaremos a saber que tipos de nódoas são mais frequentes nestes adereços.

Se quiserem saber mais pormenores prestem atenção agora: Cada técnico levara preso a um cordel um cão (de raça coelhera), dos que estiberam em formação durante três meses, em local secreto que na podemos rebelar. Alguns destes cães conseguem agora farejar um naperon a 10 Km de distancia e marcarão com uma balente mijarrada as paredes das casas que não tiberem lá dentro nenhum naperon.

Esta radical acção, deve-se a um alarmante decréscimo do bom costume do uso do naperon nas casas caramelas, o que pode provocar a muito curto prazo a total extinção desta pérola da ornamentação caseiro-tradicional. “E odepois já se sabe” (referiu Albanita Desingomada, directora do IDDTC), ...”comeca-se pela extinção dos naperons, odepois os coiratos, odepois as motorizadoas, odepois as mines com deposito, odepois o domingo de marcado, odepois os debates-garreias, odepois os pitromaxs, odepois os Círios, odepois a mola a prinder as calças quando se anda de bcicleta a pedal, odepois a galheta no gaiato, odepois as matines dançantes, odepois o costume da abaladiça, odepois o arroto-festibo,odepois os sacos da Cunpratiba, odepois a Reforma Agrária, odepois a punhada sadia nas costas, odepois o uso da nabalhita, odepois o pão cum manteiga dos dois lados, e odepois ia-se a ber e a cultura caramela já só era como no desfile das Festas Populares da Capital, uma coboiada (sim índios nim trambelho nhum) pós estrangeiros (homes de fora da Caramelandia) berem i pinsarem que a gente já só existe no Jardim Zoológico dos homes das civilizações parbas que desapareceram”.

Por isso foi também já criada uma comissão de estudo móvel (reúnem-se em cima de uma fragnete de caixa aberta e bão andando de terra im terra com um angulo de visao de 360 graus, menos aos sábados onde estarão na Reforma Agragria com uma banca tira-duvidas e venda de naperons directamente do produtor ao consumidor, incentivando o consumo dos mesmos e sem intermediários que inflacionem os preços). Esta comissão tem cerca de 10 elementos ao mais alto nível (entre eles os conceituados Zimbao Cornadura, o Celestino Bombista e a Ti Abilia Marinada- antiga costureira-naperoneira, especialista em Naperons- à-moda-do-Lau, muito em voga nos anos 50 do século passado) que vão cunbersar com as pessoas sobre a quase- extinção deste símbolo da decoração caramela, fazendo relatórios de opinião-ideias-pinsamentos.

Este grupo que reuniu uma bez (foram atei a Carreguera e ao Lau), tem pelo menos uma opinião popular apurada sobre as causas do crescente desnaperonamento (opiniões obidas no Café América e no Café “A Mine Inbalsamada”): „Ja nã há naperons?!! Isso debe mas ei de ser por causa da inbasão aparbalhada de parbos armados im parbos... (aqui alguém ao fundo do Café América diz com boz grossa: atão se já são parbos já nã precisabam de se armar im parbos!...Pausa. Faz-se silencio.Todos se viram para o local de onde veio esta voz. Ouve-se o vento la fora a assobiar no gargalo de algumas medias vazias abandonadas im cima dos bancos corridos e um cão a ladrar ao longe. Logo a seguir voa uma mine vazia im direcção certera ao home que tinha acabado de intrar na cunbersa sem ser cunbidado. Após esta acção pacificadora, a cunbersa pode cuntinuar) ...que trocam a bela da televisão intiga, por um plasma ou o que isso ei. Ora toda a gente sabe que essas televisões modernas sao mais magras que o cabalo de um cigano onde compro ciroulas no Marcado e na tem trambelho nhum para se colocar um belo naperon im cima", disse Julinho do Intulho, cliente habitual deste local. Foi também esta a opinião (mais ou menos) de Albino dos Pitromaxs, que no "Mine Inbalsamada", ao lado da sua mulher (cum bergonha de falar pós nossos micrifones de gravação), acabado de amandar po bucho uma balente aguardente-digestiba nos quexos, abanou a cabeça, e disse (logo a seguir a um balente ahhhhhhhh!) que sempre cunbibeu com naperons im cima das televisões: “nim desligo uma coisa da outra, nunca bi televisão sim naperon por cima.Isso ei o quei?!!!”

A FLC pede a todos os cidadãos caramelos que colaborem com estes censos e que dexim intar os tecnicos e a canzoada naproneira, fazendo destes censos um berdadeiro cunbibio-festa. Mostrem orgulhosamente os bossos naperons!!!

Uma casa sem Naperom

ei como um home

que na sabe

o quei bom

(antigo proverbio da Carreguera)

25.3.11

Magazine Caramelo das Lutas e Garreias im jaral

Como é sabido, o espécime caramelo é dado (aprecia, lambe os beiços) de forma libre e selvagem a todas as formas de lutas e punhada recreatiba, sendo mesmo considerado o único povo do mundo livre com capacidade para organizar debates-garreia, com alguns participantes a andarem de rojo pelo chão, e odepois no final anda la mais eu buer umas mines que na se passou nada.

Este Magazine surge assim como uma necessidade de dar vazão a esta energia reibindicatiba que nos faz ter buntade de esgrabatar o chão e e de dar punhadas no peito como o Tarzan e a sua macaca.

Nesta primeira edição queremos dar boz (e olhos e orelhas e tudo) ao recentemente criado MRF (Movimento dos Revivalistas Ferroviários).

Este grupo de antigos ferroviários e utentes da CP tem como lemas „par trás ei que caminho” e„intigamente ei quera bom”.

Na última reunião do grupo (com cerca de 30 membros reunidos clandestinamente dentro da Torre da Estação de Pinhal Novo), ficaram deliberadas em acta, as seguintes reivindicações:

1- Imediata reposição da barbearia debaixo do tanque da auga;

2- Imediata e incondicional reposição da automotora para Vendas Novas (pelo menos uma vez por dia);

3- Imediata e incondicional reposição do Comboio Correio, com figurantes do Teatro ATA a fazerem de tropas a dormir esticados nos bancos, ocupando assim quase todas as carruagens, fazendo com que o utente caramelo tenha que ir apanhar o comboio ao Barreiro se quiser viajar assintado;

4- Imediata reposição da Cantina Bar da Estação, com sandes de queijo a cagulo e venda livre de navalhas de bolso, a abrir todos os dias pelas 6h da manha;

5- Imediata reposição dos atrasos de uma ou ate mesmo (porque não?!) duas horas no Sotavento -Rápido do Algarve (deixando também de se chamar InterCidades), proporcionando assim belos convívios espontâneos enquanto se espera pelo mesmo;

Nas palavras do presidente do MRF, Catarino da Ferrovia (antigo factor da CP), „isto é só o começo, pois queremos mudar cumpletamente a forma com se olha para o cabalo de ferro hoije im dia. Chega de modernismos e de ideias parbas de andar pa frente, cada bez mais depressa. Se tão com pressa bão de avião. Pa trás mija a burra e sempre conseguiu puxar a carroça!.

Em relação as reivindicações, diz ainda (enquanto olha para um poster com o rápido do Algarve de 1980 a chegar ao Pinhal Nobo) „queremos ficar conhecidos como „um grupo que gosta de ber passar os comboios, im cunbersa amena, sim garreias”, mas se ninguém atinder as nossas reivindicações, se acharim que as nossas ideias parbas, secalhar vão ficar a conhecer a parte mais selbaige deste grupo, ai vão, vão....”, sem querer revelar ainda o que pensam fazer.

Este Magazine das Garreias pode também ser fotocopiado gratuitamente na Junta de Freguesia da Capital e terá uma regularidade mensal.

Por isso, tu que és jobe ou belho, home ou mulher, se tens algum grupo reibindicatibo e achas ca coisa tem trambelho, ou mesmo tu sozinho, se tens nas tuas ideias de garrear cuntra alguma coisa, escrebe pá gente que depois damos boz á tua luta.

A quem Garreia

na lhe fazem a teia

(provérbio antigo da Lagoa da Palha)


8.3.11

CARNABAL 2011


Nã foi o bento nim as nubes, nim a chuba-molha-parbos que meteu medo à nossa legião de caramelos pra fazer este carnabal, nã sinhor! E lá por a Alemanha nã ter intrado com o graveto prós Amigos de Baco comprarem carros alegóricos, pré fabricados no Montijo, que um home bai deixar de fazer o carnabal. Portantos, mais do que nunca, o carnabal caramelo está aí nas ruas como o toicinho está na sopa caramela.

Por isso chigou a hora de todos os homes brabios saírem das suas tocas e meterem martelos e sarrotes à obra. Procuraram por esses baldios, estrumeiras, valas e ferro-velhos a matéria prima para construir o maior ebento carnabalesco do ano. O gintio veio de toda a parte, desde a Marateca à Carregueira, de Bal da Bila até aos Batudes, tudo se ajuntou plas rua como a grabilha junto aos carris da linha do comboio. Este ano a FLC infiltrou-se no cortejo com sofisticados aparelhos para ber os níbeis de caramelidade, e é tudo isso que a gente agora bai ber cum atenção.

Este é um dos agentes secretos da FLC com um medidor de níveis caramelidade. Segundo os dados recebidos no nosso quartel general (clandestino), os índices estavam no máximo caté os pintos ganiam.

A desbrabar caminho para o desfile passar, vinha a GNR, debidamente trajada com o seu carro alegórico. Este carro ainda preserba o brilho dos dinheiros europeus, mas daqui a uns anitos, se quiserem passear o carro no carnabal, têm mesmo que ir buscar um à estrumeira e têm de bir fardados à matrafona (com as combinações de suas mulheres)!


Cabeçudos inspirados no mundo rural. Um galo e uma galinha poedeira cumprimentam a população dizendo que em bez de comprarem frangos da Tailândia no Minipreço, o melhor é montarem uma capoeira na marquise e fazer criação caseira.


Mais um todo-terreno alegórico, com seres da mitologia caramela como o Dragão-de-Charco e a carabela que fez a primeira trabessia da Bala da Salgueirinha, desde a Cascalheira até ao cabo da Lagoa da Palha.

Uma cabeçuda infiltrada nº1.

Cabeçudo infiltrado nº2.

Cabeçudo infiltrado nº3.

Uma inspectora da ASAE destacada pra ber se a especialidade do palhaço (que vem na codaque seguir), tinha a qualidade determinada pelos ingenheiros de Bruxelas...

...como era merda de cão, recolhida cuidadosamente da relva do jardim, estava tudo em conformidade com as normas da União Europeia.

Uma lagarta da coube segundo o imaginário infantil contemporâneo... com chapeu e tudo.

Quando este tractor-alegórico apareceu, muito intrigou os agentes da FLC. Pela postura desmorcida do agricultor-chofer, tudo indicava que se tratava duma triste alegoria aos gorilas da Amazónia mas...

... o que afinal se apresentaba era um par de nalgas caté o nosso aparelho medidor de índices de caramelidade arrebentou pas costuras. No intanto aconteceu um estranho fenómeno! Estão a ber o home a medir o tamanho das nalgas da repariga? Estão, nã tão? Intão olserbem agora a seguir...

Poizé! O home transformou-se totalmente! Do que restava do home intigo apenas ficou a survia na mão. A FLC imbestigou nas escrituras de S. Sebastião e descobriu que é um mau olhado: um home que se impanturra a olhar prás nalgas alheias pode transformar-se noutra criatura. No intanto o poder das mines é tal que, mesmo que um home se transforme totalmente, nunca as deslarga. Sinal que é home brabio e mantém os seus costumes mesmo com o mais poderoso feitiço das nalgas. O mesmo fenómeno ocorreu noutro caso. Ora bejam lá a seguir...

Estas eram as nalgas de Domingo...

E estas as de 3ª feira!

E já que estamos a falar de nalgas, aqui bão dois pares delas feitas por gaiataige de 6 anos na China.

Temos agora aqui o Papa a abençoar isto tudo.

Segundo o feitiço que a gente já falou, esta criatura da codaque debe olhar todos os anos intensamente para as belas nalgas de alguma espanhola! E porquê? Hã?! Porque todos os anos se transforma em matrafona agarrada a uma mine. Alguns agentes especiais da FLC já se voluntariaram para olserbar intensamente as nalgas da Ti Marbília das Bordas-Largas, (das Areias Gordas) só pra ber o resultado da transformação.

Um burro a carregar mercadoria prá Plataforma Logística do Poceirão.

Maquetes do novo tipo de construção civil para os novos bairros do Pinhal Nobo. O prédio da direita rebela uma arquitectura de origem caramela e totalmente ao gosto do construtor.

Este é o novo empreendimento do Rio Frio: o depósito da água em forma de cogumelo, e o hotel de 6 estrelas pra atrair galfarraige turística.

O carnabal nã tinha nhum trambelho se nã tibesse uma pipa e um cacho de ubas, tudo pronto pra serbir à populaça, pra boltar cá pró ano. E aquela bela anjinha? Hã?!

Xô... nã olhem muito prás pernas na repariga, se não ainda amansam e transformam-se em anjinhos!

O carrinho-de-mão completamente kitado. É o tunning do carrinho-de-mão mais conhecido da história. Este é um dos poucos artefactos caramelos capaz de entrar nos mais conceituados museus do mundo.

Os Bardoada com a sua música inspirada na fuguetaige dos círios. Uma música melodiosa berdadeiramente caramela.

Um bom exemplo de mobilização municipal. É importante saber que o home que puxa usa um combustíbel tinto do Poceirão e leva um depósito de reserva.

Um berdadeiro poema no tablier que só um caramelo brabio saberia escreber.

E agora a fase dos carros alegóricos de índole ruralo-sucateira com encenações e rábulas à mistura. Neste caso podemos ber uma inspecção automóbel da Controlauto, (Vale do Alecrim) em que ingenheiro bai chumbar o beículo por nã ter champô perfumado na água do limpa vidros.

... mas afinal passou à segunda inspecção. O ingenheiro descobriu que afinal o beículo trazia um atrelado com uma máquina de imperial, e assim tudo se resolbe. Na Caramelândia, quem leva um atrelado com uma máquina de imperial tem sempre todos os seus problemas resolbidos.

Mais um caso duma inspecção bem sucedida, desta bez bastou levar um taliban a guardar o motor.

Um carro promocional dos produtos caramelos. Na codaque seguinte podemos ber em pormenor o que é que está ao dispor da população...

Temos bários artigos de interesse, como três laranjas, a carapaça dum esquentador, um jerrican cheio de ferruige e algumas cuecas em segunda mão (segundas nalgas) entre outras coisas! Quem quiser outras mercadorias... só importadas da Ásia.

E agora a tão esperada fase das minardas-alegóricas. Neste caso uma limosine mono-logar para levar as grandes estrelas do caraoque.

Um gaiato a marcar território laboral, não vá um dia ficar sem emprego.

E agora uma limosine com um sofá familiar totalmente panorâmico.

Como não podia faltar, aqui está mais uma bez o nosso comboio alegórico. Este ano transformou-se num útil submarino já com toda a tripulação. É de sublinhar a bandeira lusitana como ícone dum carnabal que dura há mais de 800 anos e que hoije im dia está mais forte do que nunca.

Uma pubalera-alegórica com um tripulante debidamente mascarado. À frente, no guarda lamas, está mais uma antena da FLC para detectar os níbeis de cramelidade. Pelo estado em que está podemos adibinhar que passou por perto alguma caramela digna de registo. Da parte de trás está outra antena com a mesma tecnologia, mas só pra detectar os pontos cardeais.

Lá bai o cortejo a desaparecer, a caminho dos bombeiros e...

... atrás bai o carro-bassoira-alegórico e mais as suas bailarinas numa bela coreografia, encenada pela Junta de Freguesia.

E prontus... Pró ano há mais.

Mas entretanto a FLC bai fazer tudo para que o carnabal seja, um dia, 100% caramelo.

Mai nada!!!



19.2.11

A REBOLUÇÃO DO MILÉNIO


No passado dia 18 de Fevereiro deu-se mais uma reunião secreta dos Dissidentes Armados Pró-Motosserra. A reunião nocturna deu-se à bolta duma fogueira de pneus, no apeadeiro desactibado da Lagoa da Palha, sob o lema “Tu nã m’intales, olha que eu corto-te ao meio!”. Durante as discussões, foram feitos contactos bia código morse, por marteladas na linha de comboio, cujo resultado não se fez esperar. Rapidamente se juntaram os dirigentes da guerrilha caramela de calceteiros amais as facções radicais de arremessadores de grabilha. Face à importância do assunto em causa, a reunião tebe de ser alargada aos delegados das Associações de Moradores provinciais, ao Grupo de Forcados do Pinhal Nobo e aos quadros da União Nacional de Separatistas cujas armas são à base de fita-cola, baraço e arame. Desta reunião foi criada uma comissão, composta por uma pessoa, para estabelecer os primeiros contactos com as altas patentes da FLC para liderar a maior manifestação de sempre em torno dos problemas que assolam a população caramela.
Contactada a FLC, delineou-se logo uma estratégia para a mobilização das multidões para uma acção única no mundo: a rebolução carpideira!

Antes de abançarmos ca cumbersa alembramos que uma “Carpideira” é a mulher que chora que nem uma perdida… mas de fingimento e com remuneração.

Para que a rebolução tenha efeito, a FLC criou a Fundação Caramela da Carpidura Rebolucionária pra que todos sejam, principescamente, remunerados pelo Estado e poder-se passar recibos dos serbiços prestados ao estado-da-nação. Promove-se assim o legítimo enriquecimento da população sobre um serbiço feito à medida das circunstâncias. A Fundação já tem um campo de treinos para as multidões se profissionalizarem.
A FLC aconselha bibamente a toda população a participar, desde tu mais ele e o outro, amais o teu vizinho, a tua prima e a tua tia parba, portanto toda a gente sem excepção. Fazemos um combite especial para aqueles que, no carnabal, fazem de viúvas no enterro do bacalhau, no coreto da SFUA. Quem tiver canzoada que sabe ganir e uibar, pode trazer ela tamém.


A recruta tem o seguinte programa:

1º Dia
Aquecimento: técnicas de aquecimento da choramingadura.
1ª fase, - Suspirar. As práticas do suspiro, como se tibesses no Posto de Saúde do Pinhal Nobo desde as 3 da manhã até às seis da tarde.
2ª Fase - Impar. O engrossar das técnicas do impar, como se tibesses uma prisão de ventre depois duma barrigada de 80 sardinhas nas festas do Pinhal Nobo.
3ª fase – Gemer. Desenbolbimento das variantes do gemido, como se lebasses uma marretada no dedo e não pudesses dzer o que te bai na alma. Exercícios de auto-controle.
Nota: Para quem tem dificuldades em começar e só lhe apetecer é rir, leba uns lambadões até começar a ganhar fôlego prá choradura.

2º dia
-Bisionamento do documentário caramelo, no auditório das Piscinas do Pinhal Nobo, sobre o mito de Maria Madalena, intitulado “O mar de lágrimas e os barcos à vela: a berdade da metáfora”.
-Pausa pra dar um margulho nas piscinas, com uma palestra sobre os tipos de lágrimas mais conhecidos: A lágrima de crocodilo (cuidados a ter para não ser desmascarado); a lágrima ao canto do olho, e o fenómeno da lágrima a escorrer pa testa acima.
- Visita guiada ao novo lacrimatório caramelo. Os participantes terão as suas primeiras experiências sob a acção de gás lacrimogéneo.

3º dia
Nota prévia
: traz lenços bordados, ou naperons, ou papel-higiénico, ou padaços de cortinado pra te assoares.

O choramingar:
9:00h - Derramamento oficial de leite de cabra, pelo benemérito Leonel o Ordenhador (na Carregueira), para depois se chorar sobre o leite derramado.

Oficina da choradura experimental:
1ª Fase – Chorar com lágrimas mas sem suspiros (sobre leite de cabra derramado);
2ª Fase – Chorar com ranho e com saluços, mas sem lágrimas (sobre iogurte derramado – iogurtes da loja dos Retornados)
3ª Fase – Chorar com saluços e lágrimas mas sem ranho (sobre papas Cerelac derramadas)
4ª Fase – Chorar a cantar, com ranho, suspiros e xiliques (sobre mines derramadas).

Debate-garreia sobre as sensações, alegrias e resultados das experiências.

4ª dia
Oficina progressista para a exploração do pranto.
1ª fase - Técnica de auto-sugestão para o pranto conturbado.
2ª fase - O pranto contínuo em ciclos de meia hora. Finda a meia hora haverá um intervalo de cinco minutos pra suspiros e gemidos até ao recomeço do novo pranto.
3ª Fase – O pranto integral: o choro cantado com saluços, gemidos, lágrimas, xiliques e ranho.
4ª Fase – O pranto integral sincronizado. Pranto colectivo em ciclos de uma hora, cantado com lamentações, usando as seguintes palabras de ordem:
“Aaaii, onde eu tou metiiido!!!” ;
“Aaaiii, aiii… qu’isto só bai lá com os bois do Rio Frio à solta!!! ;
“E tu nã m’intales… nã m’íntales!... Ãããee… q’eu dá-me um apagão e fico que nem um cão rasgado!!!”;
“Aaaiii adonde isto chigouuu!!!”
e assim por im diante…


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Nos altos planos estratégicos da FLC, vão ser preparados mais de um milhão de carpideiros e carpideiras para uma grandiosa manifestação nas terras alfacinhas, im frente ao parlamento e arredores. A manifestação está marcada para o próximo dia 25 de Abril e será o maior evento de carpideiros que há história.

Não faltes que isto nã tá pra brincadeiras.
Ganha a tua milhadura, aprobeita agora que tá a dar.
Se nã fores opois não te nã te benhas queixar e berrar aos ombros da FLC.

Mas antes de entrares na recruta bê esta berdadeira obra de arte,
pra saberes como é que se faz.



8.2.11


Pinhalnovense, orgulho dos Caramelos!!!


A FLC atribuiu ao CDP (Clube Desportivo Pinhalnovense) a mais prestigiosa distinção do desporto Caramelo- A Bola de Catchumbo (enbernizada e assinada pelos vários vultos do desporto que fomos tendo ao longo da nossa historia, como o famoso Toino Juile, mítico avançado do Pinhalnovense na década de 70).

A cerimónia foi semi-secreta e teve lugar no Bar do Bernardino, com casa praticamente cheia. Vários adeptos estiveram presentes em euforia total e a FLC ouviu im voz alta saída da boca do presidente do CDP, que para eles era uma honra serem condecorados a este nível por uma instituição com o prestígio da FLC e (depois em tom mais informal) que ate o Bernardino 'correr com a malta, as mines sao a varrer por nossa conta!'.

De referir que o regime exclusivo de clandestinidade-continua em que a FLC se encontra actualmente, obrigou a que o convívio com adeptos, jogadores e dirigentes se fizesse de cara tapada (uns elementos taparam a cara com lenços de sulfatar, outros com lenços de brincar aos cobóis contra os índios e outros ainda com meias de nylon enfiadas na cabeça- um agradecimento especial para a Loja do Toino Brinca).

Depois de umas grades de mines, já ninguém achou isso estranho e o conbibio foi valente e sadio, com inúmeras grades a serem basadas alegremente.

No discurso-cunbersa de atribuição do galardão, Manel Atoino do Lavradio (Vogal do Ministério do Desporto Caramelo) referiu:'este premio bai para o Pinhalnobense im jaral e para a sua equipa de futebol em particular, pelos grandiosos feitos alcançados na Taça de Portugal, imbalando cá de trás, imbalando, imbalando, só sendo trabados pelo Futebol Clube do Porto e na casa deles! Se na fossem estes parbos no nosso caminho, iamos imbaladinhos atei a Final! Os jogadores resistiram e garriaram brabiamente e atei podiam ter posto lá dentro da baliza dos homes, um mortero o dois, que ninguém se admirava por isso!'

A Festa durou atei ao sol se lebantar e antes de se apragarem pó chão a dormir, alguns elementos da FLC foram atei a Raforma Agraira, comer tangeras e cobes cruas, aprobeitando para fiscalizar os níveis de caramelidade deste ícone da nossa cultura rural. Foi ali que obimos esta cunbersa entre duas anciãs bendedoras-A Zulmira Patuda mais a Juliana das Augas Turbas (mais de uma com a outra, pois só aquaise uma ei que falava):'...atão e bê lá tu que só parderam dois a zero!!!. Na facas essa cara de parba, achas muito?!!! Atao 2 a 0 ei o que o Baldera ganha ao Rio Frio e otras bezes o Rio Frio ao Baldera. O seja nada de mais. E ainda por cima, na se ingalfinharam im punhada uns cus otros, como fazem no Rio Frio – Baldera, catei andam uns da rojo por cima dos otros, parecem jabalis depois do Inberno. Por isso, agora bou passar a ir ber os jogos dos homes e se tu quiseres podes bir mais eu!'.

Benham boces tambem! Benham mais a gente ber o nosso CDP, clube brabio e orgulho de todo um pobo garriador!

25.1.11

Bolsas de estudo caramelas

O Ministério Caramelo da Educação anunciou a abertura de um concurso publico para atribuição de bolsas de estudo.
Foi no café 'Mines a Intulho', na Carreguera, que o secretário geral da cultura e educação, Ti Toino Paulo da Ti Paula da Palhota deu uma valente punhada na mesa para os clientes vips (situada entre o balcão e a arca congeladora com as mines sempre á descrição) declarando im boz alta a primeira atribuição de bolsas de estudo no nosso território. Odepois disse ainda: 'agora quim estiber interessado im estudar, só tem de garriar pelas bolsas e depois a ber se na gastam tudo im putas e binho berde, quei cume quim diz, cafés, boates e matines dançantes'.
As bolsas de estudo serão nas áreas da Engenharia e Tecnologia de ponta, Cultura e Artes (bolsas para apoiar e desenvolver a criação caramela contemporânea na Pintura criatiba com cal, Performance e Nobos Midia -tipo misturar a televisão com a telefonia e uma cassete dos Balha Ca Carroaça tocar, tudo ao mesmo tempo),Ecologia e Ingricola Natural.
Os intarassados debem de dixar a papelada concursiba debidamente preenchida nos dibersos centros culturais caramelos- cafés e tascas im jaral, bares do domingo de marcado, barbearia do Albarinho, Barbaria do Piu, Centro de trabalho do Partido Comunista (na zona do conbibio-res do chão) e ainda nos centros exteriores de pousio-reibindicatibo dos belhotes caramelos – parede solar da Caixa de Credito Agrícola, bancos dos autocarros e junto a porta de entrada principal da estação de Pinhal Nobo.
Quim quiser pode tamem inbiar bia pombo correio electrónico para a gente daqui da FLC.
Os projectos seleccionados serão divulgados aqui neste baldio e odepois serão afixados num Pinheirinho da Rorunda dos mesmos, na capital Caramela.
As bolsas de estudo serão entregue simbolicamente em sacos da Cunpratiba, especialmente transformado em saco-bolsa para este efeito.
As bolsas abrangem um ano de estudo, com comida e buida á descrição im bários cafés e colectividades recreatibas, uma motorizada pa serbentia do freguês-estudante e ainda a possibilidade de continuar a ter o Cata-Bento intregue na caixa do correio im versão normal de luxo.

Se es home ó mulher,
na intaressa a idade,
ba lá ber esses estudos,
na percas esta oportunidade

(quadra-slogane oficial do Ministério Caramelo da Educação e Cultura)

21.1.11

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS CARAMELAS

Esta nas ruas as próximas eleições presidenciais da nação caramela, um dos maiores ebentos da nossa cultura, patrocinado e bistoriado pela FLC. Este ano temos a nobidade do nosso boletim de voto ser feito de guardanapos usados da pastelaria Zé Beu, e conta com mais de 40 candidatos iguais, dos quais 39 são versões de personalidade do nosso querido Toin das Ideias Parbas, e mais um, isolado, que é primo dele, o Xico Sovina. Portantos, temos garantida uma segunda bolta, então com guardanapos da pastelaria Primavera.

A campanha tem sido ranhida onde tudo é possíbel, sabendo que o pobo caramelo nã bai na cumbersa com beijos e abraços parbos. Assim, os candidatos tiberam que puxar pela imaginação para andar na a caça ao boto como uma matilha de perdigueiros a ladrejar de roda dum ninho de ouriços. Durante toda a semana o Toin das Ideias Parbas tem entrado nas bombas de gasolina da BP, assentado num carrinho de mão (empurrado pelos seus fieis comparsas), pra fingir que bai meter gasoil e dar a ber que é um home sensíbel aos nossos costumes e tamém à gasolineira. Enquanto isso, já o Xico Sovina tinha passado mais de 50 bezes plas bombas de gasolina da Galp, do outro lado do Pinhal Nobo, a acenar dentro dum carrinho de supermercado (empurrado por uma comitiba de fieis apoiantes). Pelas sondaiges feitas pelo cobrador do Pinhalnobense, quer um, quer outro, estão empates, o que é o mesmo que dizer que a população está dibidida entre o tradicional carrinho de mão na gasolineira Inglesa, e o moderno carrinho de supermercado na gasolineira portuguesa!


Tudo pode acontecer!... E todos estão im pulgas.

Mas até lá alimpa-te à bontade aos guardanapos dessas coletbidades porque pode haber uma terceira ou até uma quarta bolta nestas eleições... OU MAIS!!! Caso, não se decida à 50ª volta, os candidatos têm que mostrar a sua belentia fazendo uma pega sozinhos, a um toiro de 400 quilos (e em pontas), treinado no montado do Rio Frio. O escurtínio terá lugar nas Festas do Pinhal Nobo e será Parsidente Caramelo aquele que lebar a melhor cornada.

14.1.11

O SEXO CARAMELO

É com grande cuidado e rigor que a FLC apresenta aqui uma série de dois episoides do documentário premiado pela BBC (Bamos Ber Caramelos), que retrata um dos mais delicados assuntos da nossa vida: o sexo caramelo.

Bamos pôr a cassete e...


Imaige em pormenor duma flaita a deslizar pra um lado e pró outro, nos beiços dum hume brabio e a produzir um som que nã deixa ninguém indiferente.

Som dum patardo...


TRATADO TELEBISIBO DO SEXO CARAMELO


Narrador:

Desde os tempos do Coirato-ressequido (o equibalente ao jurássico tardio) que os caramelos acasalam com as caramelas com tal frequência, que, enquanto outras espécies se extinguiram, hoije estes seres marabilhosos existem em elevado número na nossa nação e com tendências pra aumentar (graças às palabras de alento da FLC). No intanto, ao longo da história, as técnicas de acasalamento caramelo têm-se alterado com altos e baixos, belas curbas, bem como abanços e arecuos sucessibos.

Calcula-se que, assim que os caramelopitecus começaram a usar as mãos pra fabricar ciroilas de folhas de parra, descobriram tamém a possibilidade de agarrar as caramelas que andabam por i à solta...

Imaige:

Uma caramela a comer uma melancia escondida atrás duma moita ao som de rouxinóis. Num plano de pormenor podemos ber algumas grainhas coladas ao seu sedutor buço. Opois bê-se um caramelopitecus (um home brabio com patilhas até às nalgas), a atirar-se que nem um leão a caçar a caramela agarrando-se com unhas e dentes. Eles estrabucham até ficarem todos bersuntados de melancia. Por fim, ao de perto, vê-se o último dinossauro a desfalecer, enquanto ao fundo, aproxima-se uma resma de caramelas de barrigada amais uma ninhada de caramelinhos atrás!

Narrador:

Como pudemos olserbar, caçar caramelas como quem faz uma pega de sarnelha não era um método fácil e foi logo considerado um método selbaige e banido do território. A técnica foi reavaliada e impôz-se para toda a comunidade uma prática mais eficaz, nascendo assim a época romântica em que, antes do acasalamento deveria dizer-se a frase “Anda cá nina que eu nã t'alejo.”

Criou-se intão a cultura nupcial caramela que o passar dos tempos tem bindo a desfalecer que nem tarmoços sem sal receitados por um médico parbo. Historiadores desconfiam que os caramelos, na era da Costeleta-espatada, aprindiam as lides do sexo por olserbação da natureza, especificamente o comportamento de alguns animais como os coelhos, canzoada, arrãs, saparia, e alguns pássaros. Sabe-se que ainda hoije resistem algumas lembranças desta prática ancestral...

Imaige:

Uma bateneira a fazer uma panelada de cimento e uma caramela a passear pa rua; o homem das obras dá um assobio fuiiii fuiiiuuu de cariz piropo-cumbidatibo para a caramela transeunte despertar o seu desejo de acasalamento.

Narrador:

Como pudemos obir, o assobio atractibo lá do alto da obra indica que o home ainda usa galanteios ancestrais oriundos da olserbação de pássaros. Um outro tipo de lisonja passa pela frase inspirada na olserbação de sapos (o sapo amais a sapa) quando chafurdam no amor fazendo sabão de cuspo. Assim, quando o home diz a frase romântica “És tão boa caté te fazia a ti um pijama de cuspo!” quer dzer que não só está pronto para acasalar, como possui conhecimentos e capacidades especiais capazes de despertarem a curiosidade da caramela. Nesta era, os caprichos da fauna circundante faziam escola e determinavam a nossa selecção natural, razão porque hoije ainda nos mantemos brabios e sadios. Contudo, por razões ainda não determinadas, acredita-se que este tipo de expressões deram início à era do amor-não-correspondido de onde saiu a celebérrima frase “Só m'apetece é chorar e comer escalrracho!”

Já no século XIX, as coisas alteraram-se, e a cultura do cortejo passaba pela bailação ao som da flaita de beiços, e à luz do pitroil. Esta nova modalidade ganhou tal eficácia que se tornou necessário desimbolber apertadas vigilâncias por parte das progenitoras das reparigas, obrigando elas a usarem mais de cinco saias, amais as culotes, meias e cuecas de arame farpado. Assim, por muito que os homes se esfregassem ao seu par, habia sempre um mundo complexo a explorar como quem entra na Câmara de Palmela pra pedir o parecer duma obra pra uma capoeira de piruns. No entanto, apesar de todas dificuldades, a esfregadura da bailação adquiria um eboluir clandestino da relação, até ao desfolhamento total, longe do alcance da luz do pitroil...

Imaige:

Escuro! Um negrume dum luar intenso de Lua-noba a ber-se uma escuridão que um home arregala os olhos e só sabe que nã tá cego porque consegue ber o seu pensamento imaginatibo dum filme porno-folclórico.

Narrador:

Nesta época calcula-se que 99,9% dos acasalamentos eram fruto de um momento esfregatibo ao som da concertina, ou da flaita de beiços. Mas esta moda acabou, dando lugar a outros costumes... mas isso é o que a gente bai ber no próximo episoide.

Até lá nã fiques feito parbo a coçar-te por dentro das algibeiras.