25.4.08

Para quando o 25 de Abril Caramelo?

É pois, cá tou eu, im directo im cima duma nesprera brabia algures entre a Fonte da Vaca e a Palhota, a dar as ultimas notícias da grei caramela.
Hoje é 25, dia 25. 25 de Abril, o mês da rebolução geral do pais. Pois eu andei o dia intero com as gentes dos Círios da Atalaia, num tractor com reboque , atulhado im murteraige e binho da liberdade. O povo acorria em amena conbersadura, mais procupados im buer umas mines ó uns balentes copos de binho da Irmelinda, do que im festejar a Revolução da Liberdade. Porquei?!! (parguntam bócês, aquase ingalfinhados uns nos outros à bardoada!). Calma, bou arresponder: Nã, se trata de desinformação nim nada, nim sequer de nã dar importância a este dia. Pelas minhas cunbersas (e hoije parcorri à parba– só bou dzer os sítios que me lembro- Baldera, Palhota, Lagoa da Palha, Lagameças, Arraiados, Cajados, Rio Frio, Fonte da Baça, Lau.
E bi que hoije o pobo caramelo anseia ainda pela liberdade. Muitos guardam bandeiras da FLC im casa, numa luta e resistência que só deixa de ser silenciosa quando o fogo rijo inbade os céus im gritos selbaiges de liberdade. Muitos foram os que, quando me biram im cima da fragnete tratorística a acinder o mortero, sabendo que pertenço clandestinamente à FLC, me disseram que aguardam a libertação total e completa de um povo que ainda não çalabrou o intulho da sua cultura.
Por isso, eu, Joaquim Batenera, im nome do pobo caramelo, dexo aqui a pargunta:

PAR QUANDO O NOSSO 25 DE ABRIL?
BIBA O POVO CARAMELO E A SUA LUTA PELA AUTODETERMINAÇÃO!

22.4.08

O Palito II

Desde a invenção do primeiro palito até aos dias de hoije, as suas transformações estiberam sempre associadas a grandes feitos da históira do home caramelo e do home coirão im giral. Por exemples, se não fosse o palito ainda tínhamos que comer caracóis com a casca ou intão tinhamos tirar eles com a unhaca do dedo maminho! Portantos, não há utensílio que o iguale o palito im tantas aplicações… Desde o pau de forfo, até ao palito a pilhas chinês, todos eles representam o artefacto mais versátil e indispensábel do mundo caramelo.

A única balhana que pode substituir um palito roído é mais outro palito” comentou Alcides Putrefacto *1. Este pinsador, natural do Apeadeiro da Jardia, distinguiu mais de 500 jogos populares de taberna, malabarismos e truques de manipulação em que se usa o palito. Um dos truques mais populares é quando o palito é engolido, percorre todo o aparelho digestivo e reaparece 38h depois atrás duma moita, dentro das fezes.

Muito se podia falar sobre o palito em si, já que influenciou quase todos os cantos da vida caramela até ao telemóvel de última geração que já traz tamém este precioso instrumento.

Hoije im dia, os estudos centram-se apenas nos últimos homes que têm sempre o palito infiado na boca, inquieto, ornamentando a cumbersa com baidosos movimentos entre o cuspo. Estes estudos comprovam que o movimento do palito revela as zonas mais brabias do pensamento caramelo nunca antes desvendadas. Esta dualidade entre o caramelo e o seu palito dançante chega a ser considerada como “o ponto de fronteira da realidade com a metafísica*2. Infelizmente, esta actibidade oral está tamém a desaparecer e é mais uma razão para a FLC estar preocupada.

Para que a memóira não desapareça e a nossa cultura seja libre e sadia, fomos intrebistar um dos últimos caramelos que usa o seu palito dançante no dia-a-dia. Uma entrebista a não perder brebemente. Até lá ainda temos outras coisas pra cumbersar de maior importâiça, é ou nã é Joaquim Bateneira?

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*1 Putrefacto, Alcides “Truques e manhas na Tasca do Ameixa” , Pinhal Novo, Reformados da CP Editores, 1987, p.1304

*2 Arrota, Sebastião “Estudos rurais do caramelo urbano”, Lagameças, Publicações Marcado do Lau, 2003, p.30

9.4.08

Gabinete de Pinsamentos Unibersitários

Logo após o Tratado de Bolonha, a FLC foi cumbidada bárias bezes pelos Conselhos Científicos de unibersidades espalhadas pelo mundo, pra apresentar informação importante no baldio oficial e assim ajudar todos os estudantes que se interessem por assuntos caramelos. Deribado à importâinça de tais combites, a FLC montou de imediato, na intiga sede do Pinhalnovense, um gabinete de trabalhos unibersitários.
A informação que se segue, serve pra ajudar o estudante do ensino superior (e comunidade im giral), que prefere sempre consultar os baldios da internet em bez de andarim feitos parbos a ler libros, aí perdidos por essas bibliotecas onde uma pessoa nã pode falar nem assobiar, nem comer pão com manteiga, nem arrotar, nem ber a nobela “Coiratos com Açorda”, nim nada.



Hoije a FLC bai tratar de uma das mais notáveis invenções da história do Caramelo: O Palito.
O Palito I

A invenção do palito remonta à pré-históira, mais propriamente à Idade do Coirato, estando relacionada com os hábitos alimentares da espécie caramela. Esta invenção tecnológica revelou-se altamente revolucionária, não só porque desenvolveu uma minuciosa técnica do manuseamento do palito entre a dentadura e as engibes, mas principalmentes porque facilitava ao caramelo recuperar valiosos bocados de coirato infiados nos dentes, permitindo com isso que a criatura pudesse fazer quase uma segunda refeição. Por tal facto o caramelosapiens, tornou-se desde cedo um home balente e sadio em comparação com outras espécies parbas que não usavam este precioso instrumento.
Contudo, mesmo já na Idade do Chispe, fazer um artefacto de tal complexidade não era uma tarefa fácil, portantos, quem tivesse um palito, jamais o tirava da boca: usava-o ao canto da boca quer nos momentos mais íntimos do acasalamento caramelo, quer durante o sono (não fosse alguém pela calada da noite apoderar-se do palito alheio pra escarafunchar na sua própria cramalheira).

É neste período histórico que nasce o materialismo arcaico,”que consistia em dar toda a importâinça social ao caramelo brabio que ostentasse um palito na boca como sinal exterior de riqueza1. Tal comportamento revelou-se fundamental para a formação da civilização caramela que superou todos os bendabais e chigou aos nossos dias.

Ao longo da históira, muitas dúbidas houve sobre o uso deste utensílio, mas a importante descoberta do esqueleto duma caramela, no Lau (datado do princípio da Idade da Intarmiada), veio a revelar muita coisa nova. O crânio dessa caramela apertava ainda, na sua sorridente dentadura, um belo dum palito que, segundo testes laboratoriais, tinha resíduos de intarmiada de javali. Em primeiros, este facto desmente a ideia de que o palito estava reservado só aos homes, e prova que, nas cerimónias fúnebres, o Caramelo-defunto levava o seu palitinho na boca como artefacto importante a ter no mundo do além.

Atão até ao próximo capítulo e nã percas tu o teu palito.

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1 Parbas, Toin das Ideias “Psicanálise da cultura oral caramela”, Arraiados, Curral dos Leitores, 1976, p.462

1.4.08

O Apocalipse do Meio-bidom

A Sociedade Caramela de Meio-Bidonlogia (SCM-B) anda preocupada com as novas utilizações dos meios-bidons. Pode-se ler num dos títulos da revista técnica “O Fórfo”: confirma-se o apocalipse meio-bidonístico na malha urbana, e prevê-se, a curto prazo, a extinção deste utensílio até nos baldios da Fonte da Vaca.


É sabido por todos que o uso do meio-bidom assador em via pública (a espalhar fragrância de coirato, intarmiada e sardinha), tem sido ao longo dos tempos um ponto de confluência e de conbibência na nossa sociedade, assim como um símbolo de toda cultura caramela. No intanto, como se sabe, esta prática é proibida pelas forças palmelonas que, por sua bez, lembem as botas aos tiranos sanitários europeus que só comem ervas. A FLC e a SCM-B não lembim as botas a ninguém, e por isso consideram esta proibição um atentado aos nossos costumes, sendo que a única maneira de conservar esta cultura seria uma recolha de todos os meio-bidons abandonados para o Museu do Meio-Bidom e do Fogareiro-de-Marquise. Este museu já estaba a ser montado num pavilhão abandonado do Parque do Vale do Alecrim e teria a dupla função de reactivar em labaredas todo o parque meio-bidonístico e, ao mesmo tempo, receber “Os Bardoada” pra poderim fazer barulho à sua buntade em qualquer dia e em qualquer hora, enquanto roerem um coirato à escolha.

No intanto a imaginação caramela trouxe grandes nobidades. A SCM-B tem vindo a berificar que este balioso utensílio não foi dado ao abandono mas sim espontaneamente reutilizado. Estamos a falar dos meio-bidons-cinzeiros-comunitários. A transformação é simples, derrama-se areia das obras pra cima dos restos de carvão e já está: é só esperar que os caramelos fumadores se aproximem e esfumassem à roda do meio-bidom, tal como o faziam dantes com géneros alimentícios. Há um crescendo desta reutilização deixando perplexos todos os meio-bidonólogos que não sabem o que fazer com este sinal dos tempos. Por um lado parece bom, por outro pode ser perigoso pois esta nova cultura de fumar em comunidade à roda dum fogareiro, pode suscitar uma nova proibição palmelona, e isso seria o apocalipse!


A FLC tamém não sabe o que fazer, por isso está a ficar irritadiça com esta prática de proibição compulsiva de todos os costumes caramelos. Já nã se pode matar um porco, já nã se pode comer um coirato na brasa à porta do café, já nã se pode fumar na coletbidade, já nã se pode pescar pardelhas com floberes, já nã se pode andar à bardoada na compratiba e até os ciganos caramelos já nã podem bender pensos na estação, mas o que é isto afinal?!! Hã? A FLC está a preparar uma rebolução que as milícias armadas saem todas do nosso quartel como avespas desostinadas.


Enquanto a gente prepara a rebolução para a libertação da nossa cultura, a FLC está ainda com as últimas medidas de diplomacia rural com as mais altas instâncias de Bruxelas, para repor todo o parque meio-bidonístico, em labaredas na via pública, com as suas funções originais. Estamos a fazer um ultimato (com uma punhada na mensa) para a homologação do meio-bidom (cheio de ferruige), como mobiliário urbano oficial de toda a Caramelândia. Se isso acontecer a nossa bida retomará o seu curso normal com o aroma do coirato e outros petiscos de fazerim crescer mines na boca.

Uma bela pintura numa barreca de coirato

junto às largadas das Festas Populares do Pinhal Novo.

Lutamos para que continue!!

24.3.08

Grande entrevista a Júlio Desinçaimado – 2ª parte

A FLC tem tentado marcar encontro com Júlio Desinçaimado para concluir a entrevista iniciada anteriormente mas tem sido bastante difícil estabelecer contacto com este faz-tudo, um génio da engenharia caramela.
Após muita insistência lá conseguimos encontrar o home. Tem estado incontactável, “até parece que tá aparbalhado, só bê o abião à frente, onte até o bi comer coiratos crus, à dintada, só para nã se dar ó trabalho de os assar e parder tempo, o home tá mais parbo cuma porca antes de parir!”, disse à FLC Hilária Alusiva, uma espécie de mulher-ajudante-cozinhera-a-dias do Júlio, já bastante enervada. Para falar a verdade, o nosso entrevistado apenas nos dirigiu quatro palavras: “tá aquaise, senão arrinco-os”, parecendo em estado de quase transe laboralóinventivo. Alguns dos seus amigos mais chegados- Albino do Entulho, Celestino Bombista, Ti Laurentina Espezinhada, estão preocupados com este home, que parece apostar tudo na construção do primero abião de fabrico caramelo. Dizem que as únicas coisas que ele tem repetido nos últimos tempos são frases como:”bou inbintar o primero abião boador da caramelândia” ou “bócês bão ber, bou lebar a gaiataige a boar como os passarinhos a berem o marcado e a antiga chaboca lá de cima, quaise dó pei das nubes!”, sempre com um brilho desmedido nos olhos, que alguns já chegam a apelidar de loucura imparbalhada. No entanto, (e só por sermos da FLC) Júlio deixou-nos entrar na sua oficina, e o movimento é constante: a toda a hora chegam pessoas de todos os cantos do território caramelo, a oferecerem motores de Sachs e Fameis, meios bidons antigos, coelheras desabitadas, e todo o tipo de peças que Júlio aproveita para derreter e soldar, dando forma à sua máquina voadora. Entre uma das pausas que o nosso faz tudo fez, aproveitámos para ficar a saber mais algumas coisas sobre a sua vida. Por exemplo:o seu interesse por aviões ficou-lhe de uma visita à capital da caramelândia, Pinhal Novo, “quando era gaiato, o mê abo lebou-me à capital, fiquei parbo, habia muitas casas e um marcado grande, mas o que mais gostei de ber, foi um abião no parque da gaiataige, parecia um bicho aboador, mas sem penas e mais pesado que três bicicletas a motor juntas”. Desde esse dia, sempre carregou o sonho de criar e construir “um bicho-máquina aboador!”. Em adulto, chegou a fazer de tudo, vendeu “frascos de pitróile pá azia, inbentei o passe social caramelo pás pessoas obterem descontos na Raforma Agráira e atei chegei a ser limpador e cortador de unhas e chispes (pa homes e porcos) à intrada do marcado”. Depois do 25 de Abril, “fui muralista (parece-me que agora dizim assim?!) e pintei nos muros brancos a gatafunhaige dos partidos. Na trabalhaba pa ninguém, quem caria os meus serbiços, pagaba e ódepois ê pintaba à nha manera, mas nessa altura era alcólico e dichei de pintar muros para começar a fazer o mê próprio binho, e olhe que nã ficou nada mal! Ó depois tibe de inbentar o Disimbuedor, que era uma máquina que tiraba a buntade de buer ós homes”. Enquanto conversamos com ele, começamos a verificar que se torna impaciente, pois satisfeita a fome (três médias, uma bifana e um alguidar com alface e cebola com toicinho, que Hilária lhe havia preparado), o seu cérebro inventivo começa de novo a trabalhar e as mãos só lhe pedem para voltarem de novo ao trabalho do avião. Antes de sair do café (fomos lá buer uma mine-"faz bem à digestã0!"), ainda teve tempo para nos dizer (quase a gritar) que gosta muito de cães e que se a câmara “nã bolta a pôr a bacina ótra bez im dia, sem um home ter de ir a Palmela, bou ter de inbentar uma bacina pá raiba dos cães e dos homes, que são o bicho má parbo quê conheço.” Com esta frase, acabou a conversa e a FLC não se viu no direito de incomodar mais Júlio Desinçaimado, o último grande Faz-Tudo da caramelândia, desejando que o seu avião cruze rapidamente os nosso espaço aéreo, do Lau a Valdera, de Arraiados às Lagameças, da Palhota aos Arraiados.

18.3.08

Correspondêinça brabia

Cartas à babuige

a sair do alguidar


Este é um espaço que dá a bóz ao pobo caramelo que manda à gente correspundêinça parba de interesse giral.

As palabras que se seguem são da inteira responsabilidade dos intervenientes.


"
Im primeiros, é com muito gosto que escrebo esta carta às autoridades da FLC a partir daqui da sede do clube da Palhota, e digo já aqui em bóz alta que a nha bida mudou completamente desde que bocêzes ocuparam esse baldio nos computadores de cada um. No intanto há quem diga que a FLC nã existe e que é só mintiredo e na sei quê. Mas o que eles dizem cá no clube, nã se escrebe, porque quem diz isso ou é parbo ou come palha do Lau.


Por exemples, uma bêz cá no clube, disseram a mim que se tapasse com o dedo (com muita força), a saída do cano da flober e se disparasse, o chumbinho nã saia do cano. Ficaba lá drento, tão a ber? Eu dizia “nã , m’íntalem. Isso na pode ser”, eles teimavam “olha que sim” e eu “olha que não”, e eles “olha que sim” e eu “mau! olha que não”, e eles “olha que sim” e eu “é pá, olha que não”. Antes dos enxertar uma punhada pas bentas, fizemos logo uma aposta: “uma grade de mines já aqui e nã se fala mai nisso”.
Ópois fiz a experiência cá no clube. Disparei a flober e fiquei sem a cabeça do dedo até hoije. A malta fartou-se de rir, mas eu ganhei uma grade de mines e mai nada. Por isso cá no clube eles nim sempre têm razão, só têm na maniazinha.


Bem! Estou aqui a escraber esta carta porque já bi muita coisa na bida e sei quem é, e quem nã é da FLC. Portanto cá no clube nã benham cá a mim cum cumbersas parbas a dzer que a FLC nã existe. Eu digo que existe porque eu já bi actibistas da FLC em missões de libertação. E posso probar já aqui!
Por exemples, no outro dia incuntrei dois homes de fato-treino azul a comprar uma lata de tinta florescente na Drogaria Alegria. Via-se logo que estes homes estavam a comprar tinta pra marcar o territóiro do aeroporto. E isso só a FLC pode fazer.


Noutro dia, ali dentro dum café na Venda do Alcaide, descobri uns quatro homes de boina a fazer o quê?! A desenhar num guardanapo, com muita catigoria, o projecto pró nobo marcado municipal do Pinhal Novo. E isso, só os homes da FLC sabem fazer.


Mas há mais…
aí há uns tempos, dei com uma mulher de lambreta com um avental às riscas, parada no cruzamento do Rio Frio, à cumbersa com outra que tava de bcictele e com um avental às pintas. E o que é que eu bi? Hã? Bi uma a passar uma tesoira de podar à outra! Assim: “toma lá”. Eu bi muito bem cum estes olhos ca terra há-de comer, e não há dúbida que estavam em plena missão para cortar às farripas a escritura que diz que o Rio Frio é propriedade do José Eduardo dos Santos, o presidente de Angola. Ora está-se a ber que só a FLC é que pode lutar para que o Rio Frio não seja uma colónia angolana, nem colónia de porra nenhuma. Ou Rio Frio é uma região da Caramelândia ou eu arrebento já com isto tudo.

Eu sei que bocemecês têm que estar na clandestinidade e nã precisam de responder a esta carta porque eu tenho a certeza que eram mesmo da FLC, assim como tenho a certeza que foi a FLC que disse o segredo à Ti Ermelinda, de como é que se faz o melhor binho do mundo.

Sim mais cumbersa de momento

Lutécio do Dedo Descabeçado

11.3.08

Internet chega finalmente a algumas das zonas mais recônditas da caramelândia

Finalmente a Internet chegou à Lagoa da Palha e à Palhota. Os postos de acesso público vão ficar instalados nas respectivas sedes destes locais. O Rancho Folclórico “Os Rurais” e a União Desportiva da Palhota até já amandaram umas rajadas de fogetaije rija para o ar, só para assinalar o acontecimento. A Junta de Freguesia da capital caramela, Pinhal Novo, foi responsável por esta iniciativa e o seu principal representante já afirmou pretender estender o projecto a outras localidades. A FLC sabe que Lau, Arraiados e Vale da Vila, já planeiam uma grande manifestação, prometendo trazer “tractores, canzoada e bicheza atei à capital, atei à porta da Junta”, se não instalarem também nestes locais postos públicos de acesso gratuito à Internet.
Toda esta pressão para ter acesso à Internet deve-se a um só factor (no entanto desmentido oficialmente pela Junta de Pinhal Novo): o grande desejo, legítimo, dos povos caramelos poderem ter com maior frequência notícias da FLC. E todos sabem que a melhor forma é através do acesso à nossa página. De referir que no primeiro dia de funcionamento deste equipamento na sede da União Desportiva da Palhota, verificaram-se vários desenvolvimentos de sessões de punhada, “só pa ber quim tiraba as primeras senhas pá máquina da Internet e também pá malta sintrater, pa passar o tempo”, referiu Jorge S., presidente desta organização, para concluir de seguida com um sorriso “só por isto, bejam bócês o sucesso parbo destas máquinas modernas!”. Na Lagoa da Palha, o sitio mais visitado é o site da FLC, sendo necessário esperar uma média de três horas para ter vez para visitar a nossa página. Adelina Braçuda, uma anciã de 91 anos entrevistada enquanto esperava na fila, diz que nã sabe “nim ler nim escreber, mas tou a guardar o lugar pó mê neto, que foi ó bar abastecer-se de mines, porque a espera bai ser longa e secalhar ainda bai dar bardoada.”.
Por tudo isto a FLC saúda os novos visitantes e promete elevar bem alto a luta pela autodeterminação do povo caramelo!

27.2.08

Grande entrevista

A FLC volta ao formato da grande entrevista, desta vez com Júlio Desinçaimado, o ultimo faz-tudo caramelo

O sol começava a abandonar a bela planicíe caramela. Lá á frente, as luzes do “Anda cá mais eu”, o mais famoso café da Fonte da Vaca, já estavam acesas e brilhavam no óleo do asfalto, sinal de despiques recentes. Era aqui que tínhamos encontro marcado com Ti Júlio Desinçaimado, o último representante dos dignos faz-tudo caramelos, uma espécie de homes já em extinção.
Falar de Júlio Disinçaimado é falar de alguém que não se lembra de nada mais do que sempre ter sido como foi. Este é um homem que nunca comprou nada na vida: “só duas ó três bezes na Raforma Agraira no Pinhal Nobo, quando a nha bomba de rega cunstruída cum molas de roupa de madera e alfinetes de prega se abariou”. Já teve estabelecimento aberto na capital, na antiga rua das peixarias, e chegavam clientes de todo o vasto território caramelo, “aquilo era um ber se te abias, traziam tudo pa arranjar: ratoeras pás arganáças, desintupidores de retretes abariadas, flóberes desingatelhadas, cagatórios à antiga portuguesa, daqueles que um home se tinha de pôr de cócoras, ê sei lá, home, os caramelos têm de tudo párranjar”. A profissão aprendeu-a com o seu avô, Balbino Orelhudo, mais conhecido como o Desinçaimado, o famoso inventor do desorbalhador (produto que tira o orbalho das batatas com um mecanismo colocado num barril de madeira). Júlio, fala do seu avô com orgulho, como um mestre que lhe ensinou a difícil arte de tudo fazer. Nim o mê abô nim o mê pai, cumprabam nada, fui habituado a inbentar tudo e a saber arranjar tudo, “par mim éi tão fácil arrinjar um guarda-chuba daqueles do marcado, como desmuntar o motor da nha Sachs, todo desatarachado ódepois de um despique brabio, daqueles im que eu participaba aquando era um gaiato aparbalhado. Par mim tem tudo a mesmo segredo, o home quando monta as coisas, qualquer coisa, usa as mesmas regras. Par mim ei o mesmo: fazer uma sopa de batatas caramelas ó muntar uma antena feita de canos de flóber no telhado para apanhar a rádio antena caramela”.
Do café “Anda Cá Mais Eu” até à sua casa é saudado por todos com respeito e a maior parte deles ainda lhe pede para arranjar coisas, mesmo ali à pressa. A ti Balentina da Pata Larga, traz um desodorizante que “dixou de dar chero, beja lá ó Ti Desinçaimado, o que pode fazer!”, o gaiato do Manel da Pança, traz um tira-olhos-às-rãs que foi o próprio Desinçaimado que inventou, mas que de tanto uso já não funciona. O Julinho do Intulho, bem pedir-lhe uma “máquena que faça desaparecer o intulho”.É com dificuldade que conseguimos percorrer o curto caminho até casa do nosso faz-tudo, que nos conta que “bolta e meia tenho de andar à bardoada ali fora, porque eles pinsam que eu tenho de lhes fazer tudo, se dou uma galheta num gaiato, ódepois bem o pai e às bezes dá bardoada da rija, mas nã mimporto, par mi atei ei bom, porque praciso de me mexer e umas cabeçadas pus quexos dos outros fazim-me bem, desinçaimam-me”. Mas o que nos trouxe aqui, foi “uma espeice de último desejo!”. Júlio Desinçaimado, quer construir o primeiro avião totalmente de fabrico caramelo. No seu quintal, já se pode ver o projecto a tomar forma: “a chaparia, tou a montar com os meios bidons que fui recolhendo, os bancos bou fazê-los com grades de mines derretidas e tenho na mania que isto bai boar pelos céus da caramelândia ca belocidade da pardalaige a fugirim desóstinados depois da foguetaige da festa da Atalaia!”.
Mas sobre isto, falaremos na próxima entrevista a Júlio Desinçaimado, o ultimo faz-tudo caramelo, uma espécie de homes brabios em extinção, que interessa preservar.

19.2.08

Episoide 1297 de Cuiratos cum Açorda

Mais um episoide importante da nobela totalmente falada em caramelo e produzida a partir das nossas intenas pra todo o territóiro.

É dia de casamento, Vanessa da Tatuaige no Rego e o Zei das Casmarras bão ajuntar-se um mais o outro. Este casamento é a maior produção de sempre da telebisão caramela e nada ficou ao acaso. A quantidade de figurantes foi tal que a FLC teve que ir buscar sete carradas de caramelos à Marateca e outras tantas à Jardia.

O dia escolhido é um dia de chuvada, para se parecer com o dilúbio, em que o Pinhal Nobo fica totalmente alagado com as águas da Vala da Salgueirinha e que toda a gente se prepara pra fazer a Arca de Noé Caramela (um assunto a tratar num próximo episóido).

Tá tudo preparado para o grande ebento no adro da Igreja da capital. As arrãs que vêm de dentro do buraco fundo da estação já chegam às bordas do Jardim José Mª dos Santos. Os caramelos, bronzeados até meio da testa, apresentam-se de fato com colete, sapatos de berloques enterrados em água até aos tornozelos, mas sabe-se (dos episoidos anteriores) que foram engraxados com graxa Búfalo (por ser uma graxa brabia resistente às águas alagadiças), e o cabelo pintiado com um risquinho ao lado amais a patilha até à bochecha.

As reparigas, de grandes caracóis e popas, usam longos bestidos decotados pra mostrar a peitaça cheia de colares e cruzes. Têm a cara toda pintada com cores vivas, inspiradas nos carrosséis da Feira de Maio. Trazim saltos altos brabios, cumprados no Marcado do Pinhal Nobo, pra não descolarem a sola quando infiados debaixo d’água. Na mala de entulho, lebam um lenço bordado prá ranheira, um desodorizante, um rolo de papel higiénico, pensos, e um par de chinelos pra quando os sapatos nobos tiberem a morder nos pés.

Venãiça, disfarçou a verruga com pó de arroz mas não esconde que está nerbosa ao lado de Chispalhudo que nã pára de cumbersar sobre o estado actual das finanças locais e dos alagamentos da Bala da Salgueirinha.

O transístor-megafone da igreja, é ligado e começa a marcha nupcial. Chispalhudo leva a neta pelo braço, pra junto do Zei das Casmarras que a espera no altar.

Entretanto,
no Poceirão, à porta do café Eu mais tu, Zeferino dos Chumaços intigo namorado de Vanessa, mete um Euro na máquina de ovos sortidos e… sai-lhe um gancho pró cabelo.
Entretanto,
nas Lagameças, a canzoada gane com a água pelo pêto, por os donos terem ido ao casamento e não os terem levado.

De volta à igreja:

- …juntos par sempre, quer na soalheira quer na giada, quer na inundação?pargunta o pároco.
- Sim. – responde Zei.
O pároco continua:
- E tu, Vanessa da Tatuaige no Rego, aceitas biber com o Zei das Casmarras quer na soalheira quer na giada, quer no dilúbio, quer no sossego quer no pandemóino, quer no arroto e na budeira, e tás preparada pra bersuntar ele de óilo quando ele tiber o bucho birado e presentear ele cum fatias d’ovo quando ele tiber esfomeado às 4 da manhã?
- O quêim??!!

Todos os cumbidados ficam desostinados com uma pargunta tão cumprida e aparbalhada. Até o espectador normal ficou cheio de gasearia com tanta palabra e suspence caramelo, por isso…


Não percas o próximo episoide, se não tamém ficas banhada no dilúvio das águas da Vala da Salgueirinha, e ficas cheia de gases.

5.2.08

FLC saúda o Carnaval dos Amigos de Baco

O Ministério do Turismo Caramelo esteve reunido toda a noite com alguns dos altos representantes clandestinos da FLC, em local secreto da capital caramela, Pinhal Novo. Assunto: O desfile de Carnaval. Desta reunião resultou a seguinte opinião colectiva (apenas dois votos contra que com duas punhadas se tornaram abstenções mais pacíficas): Apoio incondicional ao desfile, condicionado às recomendações de livre exibição dos populares que mostrem o desejo de se manifestarem de forma carnavalesca-caramela, quer através da utilização de indumentária folclórica da nossa região, quer através da utilização de objectos e artefactos que mostrem aos forasteiro visitante a alma e a brabeza do homos caramelus, que “nim no caranabal dexa de ser selbaijamente o quei!”.
Impenhemo-nos todos im dignificar o carnabal, não o imparbalhando com misturas que nada têm a ber com o bardadero carnabal dos caramelos!.

4.2.08

Desfile de carnaval

Deribado às pressões do Ministério de Turismo Caramelo e às diligências da FLC o desfile foi quase totalmente caramelo. As imaiges que se seguem mostram como é que se faz um berdadeiro carnabal.





Aconselhados pela organização do Lisboa-Dakar, a FLC e as forças de Baco, mudaram o trajecto do rali carnavalesco, mesmo assim não se safou do terrorismo caramelo com balões de água.





Im bez do home dos balões, este ano apareceu (a desbrabar terreno) o carro da GNR e, a escoltar ele, uma matrafona com uma mine nas mãos.





O estandarte im setim do Grupo Carnavalesco "Amigos de Baco" . Parece demasiado limpo, umas nódoas de tinto dabam credibilidade à instituição.



Houve uma grande influência da Reforma Agrária, com os produtos hortícolas. Nesta carrinha de caixa aberta, faz uma autêntica alegoria à coelhaige.

Aqui, a FLC tinha proposto uma alusão ao escaravelho da batata, mas acabou por ser à joaninha. Tá bem! Vá lá.

O tractor agrícola como principal protagonista da festa. A alusão pura às nossas origes.



A apicultura e o mel sobre uma Toiota Dina de caixa aberta, dois icones caramelos.



O único som berdadeiramente caramelo. A FLC bem tenta libertar toda a caramelândia da brasileiraige, mas há quem insista em incher os óbidos cum samba. Batuques da Bardoada e dos ranchos é que éi.




Um tractor com ciganaige. Aqui podemos ber um cigano a binder CDs à maltesaria olserbadora do rali. Um elemento da FLC comprou um CD a eles e confirmou que é uma cópia genuina e não essa balhana de coisas originais.


A ciganaige, a tenda, a Toiota Dina de caixa aberta e a dança.




A segunda carrinha da ciganaige a binder trapos, e a GNR a tentar dar conta da ocorrêiça. Olserbim a pistola pronta a disparar prá nalga do guarda...
GNR a correr atrás da ciganaige: uma rábula muito comum no imaginário caramelo.

Uma alusão á pecuaira, às largadas e à toirada, tudo junto. A caramelaige nunca esquece o que é importante.



ASAI e os seus efeitos devastadores no mundo caramelo.


Ora aqui está um bom exemplo dos recursos naturais. Um autêntico farol, único no mundo, com materiais biodegradábeis.

Bamos andando e bamos comendo. Um exemplo multifunções e uma prova de que o caramelo nunca está parado. Para ele o mundo está sempre a abançar.Um engarrafamento de bcicletes a motor alegóricas.

Uma FórTransit de caixa aberta com o "Futuro dos Portugueses". O que bale é que a Caramelândia está em vias de autodeterminação (graças à FLC), e espera-se um futuro grandioso, com pudaleiras e com FórTransites mas chiinho de coirato, pão e mines.

A fase das motarizadas de grande catigoria.


Uma alegoria minimalista, um marco na cultura caramelo-carnavalesca.

Um momento para dar água ó carrito que o fumo não era fictício, era mesmo o motor a gripar. Estas máquinas estão preparadas para esgrabatar por esses aceiros afora e engasgam-se quando andam muito devagar.

Cá vai ele com toda uma série de artefactos encontrados na berma da estrada entre Bal da Bila e Pinhal Nobo.


Como o caramelo guarda a sua caramela só pra si (não é como a brasileiraige que poim as mulheres a fumar à frente de toda a gente), prefere comprar um par de nalgas ós chineses e metê-los ele próprio, pra dar um certo brilho feminino ao rali carnabalesco.


Mais uma bez uma alusão ao comboio caramelo. A evolução da engenharia de uns anos para os outros é avassaladora. Este comboio da 5ª geração, está tão sofisticado que foram precisas duas códaques pra mostrar tal complexidade.

Esta é a segunda parte do comboio tecnológico, com uma cama de rede. Os brasucas não apanham disto assim, tão genuíno, com esta qualidade.

Um panorama das carecas locais.


Uma das sedes ambulantes da FLC, a distribuir cultura em forma de farturas.


Um panorama de todos os agentes da FLC disfarçados de populaça, a ber a cabalaige de encerramento do rali Avenida da Liberdade-Parque José Mª dos Santos.

Um Carnabal único no mundo, porque se torna cada bez mais berdadeiro e sem influêinças dos abiões que só trazim CDs parbos do Brasil.

Para o ano, o caramelo bai fazer o carnabal só com erbas prós coelhos, pra mostrar ó mundo como é que éi.

22.1.08

O aeroporto e os construtores civis

Deribado às cumbersas do aeroporto, a Rádio Antena Caramela (instituição com alvará passado pela FLC), foi para o terreno fazer umas intrebistas e imbestigações, especialmente dedicadas aos construtores civis, empreiteiros e seus comparsas.
Para dar total credibilidade e imparcialidade a este trabalho, a Rádio combidou os melhores caramelólogos da FLC, que contribuíram com preciosas orientações. Assim, se não fossem eles, os nossos repórteres nunca seriam capazes de encontrar um construtor civil. Mas, com os caramelólogos da FLC, fartos de saber que o habitat natural dum construtor civil é dentro dum banco, foi num instantinho que se encontrou um belo exemplar…

Intrebista:

Repórter: Atão diga-me lá o que é que aicha do novo aeroporto aqui em territóiro caramelo?
Construtor civil: Eu? Ahrggg Ah ah ah ah!!!!....
O homem ficou tão nerboso e cuntente, tão cuntente, tão cuntente, que começou a dar pulos e grunhidos por esses ares, ópois começou a estrabuchar até lhe dar um xelique e desmaiar no meio da rua (sem deslargar a sua malinha da mão). Os nossos caramelólogos, habituados a lidar com estas aflições, infiaram-lhe logo com quatro punhadas nas bentas e um copo de água fria, pra o home não ingulir a língua. Ópois tentámos tirar-lhe a malinha da mão (pró home estrabuchar mais à bontade), mas ninguém conseguiu abrir-lhe a mão, nem com um pé-de-cabra! A malinha só foi tirada com a ajuda duma moto-serra que lhe cortou a asa. O objecto está agora em segurança nas mãos das autoridades da FLC.*

Retomada a normalidade, e com receio de voltar a repetir-se o incidente com outros construtores civis, preferimos fazer uma reportaige de imbestigação e sem intrebistas parbas.
Dessa maneira fomos descobrir coias por i.

Descobrimos que nestes últimos dias tem havido um grande fluxo de imigração construtores civis para a nossa nação, vindos de toda a parte lusitana. As tensões entre os construtores caramelos e os construtores invasores aumentaram a venda de canzoada rosnadora. Berificámos tamém que os anúncios dos placares do Pingo Doce aumentaram 200% ; do Intermarché aumentaram 350%; do Minipreço aumentaram 400%, sem falar das Compratibas que aumentaram 1800% e até já houve garreia por os anúncios estarem encavalitados uns nos outros.

E o que é que esses anúncios dizem?
A FLC apresenta aqui alguns retirados ao acaso:

***

"Construtor civil, vindo do Estoril, procura alguém quem dê aulas de caramelo, para poder falar amistosamente com proprietários de terrenos da Venda do Alcaide, Lau e Vale da Vila. Urgente. Boa remuneração."

***

"Filho de construtor civil, 28 anos, bom rapaz, caseirinho (gosta muito de ver televisão), capaz de levar o saco do lixo ao contentor, pretende casar com caramela proprietária de propriedade urbanizável. Oferece-se fortuna incalculável."

***

"Ofereço um palmeiral completo com sistema de rega automática (cerca de oito avenidas, e mais 50 palmeiras de reserva para substituir as que vão morrendo), a quem conseguir urbanizar uma herdade 50 hectares nas Lagameças para construir um bairro de arranha-céus. Oportunidade única."

***
"Restaurante “A Gamela” oferece espaço para encontros e casóiros. Recebemos filhas de construtores civis para casar com filhos de autarcas e grandes senhores da região. Sigilo completo, azeitonas à descrição."

***
"Empreiteiro, homem sério, derruba todo o tipo de casas, postes, pontes, árvores, barracas, tudo. Derrubo tudo o que tiver de pé e faço o entulho desaparecer. Bom preço."

***
"Excursões de tractor agrícola, a passar rente a terrenos e propriedades pra olserbar. Viaiges só pra construtores. Conheço meio mundo e tá tudo à benda. Contacto: Armando do Tractor."

***
"Sou o Toino Cimentício, bendo batoneiras de todos os tamanhos pra fazer cimento. Grandes, muito grandes e de tamanho parbo. Bom negóiço. Vendo tamém grabilha à carrada."

***
"Compadre de autarca (e amigo de vereadores) oferece influência para alterar o P.D.M. Só para construtores civis à escala de Hong Kong ou Nova Iorque. Assunto sério e transparente."
***
"Era pra dzer aqui, que nã bendo o meu terreno a ninguém, por dinheiro nhum. Tou bem adonde tou, gosto da nha casita, do meu pombal e a nha horta ninguém ma tira. Nã quero binder nada a ninguém e pronto. Jquim da Horta."

E é com estes anúncios, espatados nos placares, que ficou feita a nossa reportaige.

* Se alguém encontrar por i um home feito parbo com uma asa na mão, digam pra contactar a FLC.

17.1.08

Airoporto pra quê

A Rádio Antena Caramela, a pedido a FLC, foi prá rua fazer intrebistas à população, pra saber se afinal quer ou não quer o airoporto aqui no nosso territóiro.

1ª Intrebista a Xico Electrocutado que tava a apanhar ovos de cegonha num poste de alta tensão em Rio Frio.

Rádio Antena Caramela: Boa tarde, desça lá aí do poste e diga lá aqui ó microfone o que é que acha do novo aeroporto na caramelândia?
Xico E. – Hã?!!
R.A.C. – Diga lá o que é qu…
Xico – Digo pois. Digo que nã quero cá abiões aqui a zunir ós meus óbidos. A araige caramela foi feita prá passaraige, prós pombos, prás cigonhas e prás nubens.
R.A.C. – Quer dizer então que está contra o aeroporto?
Xico – Hã?!!
R.A.C.- Quer dizer então qu…
Xico – Prás moscas tamém, prás abelhas, e prá passaraige im giral. Abiões? Eles que bánham zunir lá prá terra deles.
R.A.C. - Quer dizer então que está contra o aeroporto?
Xico – Hã?!!
R.A.C.- Quer dizer então qu…
Xico – Airoporto? Ninguém disse que tava contra o airoporto? Obiu a mim dzer que taba contra o airoporto?
R.A.C. – Não.
XIco- Atão porque é que tá praí a dzer que eu tou contra o airoporto? Hã?...
R.A.C. – Bem, como estava a dizer que…
Xico – Hã?!!
R.A.C .– Como estava a dizer qu…
Xico – O que eu disse é que nã quero cá os abiões armados im papo-secos a aboar aqui por cima da cabeça. São logo corridos à padrada.
R.A.C. – Mas não acha que o aeroporto vem melhorar a nação Caramela?
Xico – Hã?!!
R.A.C. – Não acha qu…
Xico – Eu nã disse isso.
R.A.C. - …
Xico – O que eu disse é que aicho o airoporto de grande importâiça prá nossa nação. E já debia tar feito. É um grande abanço aqui prá bizinhança e arredores.
R.A.C. – Nesse caso é a favor do aeroorto?
Xico – Hã?!!
R.A.C. – Nesse caso é a..
Xico – Pois é ebidente que sim! Eu já disse ali no clube e bolto a dzer aqui: já tenho guardado um granda galo pra oferecer à maltezaria do airoporto. Mas só quando aquilo tiber acabado, antes disso não o papam.
R.A.C. – Não percebo! Bocemecê é a favor do aeroporto mas os aviões …
Xico – Hã?!!!
R.A.C. – Quer dizer que é a favor do …
Xico – O airoporto é uma coisa, abiões é outra. Nã bê a diferença, ó quê?
R.A.C. - …
Xico – Hã?!!
R.A.C. - …
Xico – Não é a mesma coisa! Sabe o que é a mesma coisa?
R.A.C. – Não.
Xico - A mesma coisa é bocemecê meter os dois dedos no cu, ópois cheira um e cheira outro, e é a mesma coisa. Isso é que é a mesma coisa. Agora airoporto não é a mesma coisa. Abiões é que é outra coisa. Certo?
R.A.C. – Certo.
Xico – Hã?!!!
R.A.C. – Certo, pois.
Xico – O airoporto é bom pró dimbolbimento da Caramelândia pois a malezaria pode ir lá passear aos domingos. O Marcado do Pinhal Novo bai ocupar a pista toda e bai ser o maior Marcado minsal do mundo. As lojas bão binder binho e até podemos fazer tiro ós pratos. Podemos fazer corridas de Zundápes contra Lambretas amais uma partidinha de futebol. Atão nã é bom?
R.A.C. – E os aviões?
Xico – Hã?!!!
R.A.C. – E os …
Xico – Lá tá bocemecê com os abiões! Os abiões que bánham lá prá terra deles. Já disse. É o que eu penso e agora bá chatiar outro.


Não percam as próximas entrevistas pra saber o que querem os caramelos do aeroporto.

15.1.08

A FLC ao serviço do povo caramelo

Unidade Móvel de desemparbalhamento popular


A FLC em colaboração com o Ministério dos Assuntos Sociais Caramelos, vai disponibilizar à população caramela a primeira unidade móvel de desemparbalhamento popular.
Este serviço consistirá numa toyota Dina de caixa aberta, especialmente quitada e adaptada (um agradecimento aos firminos do ferro) que circulará pelas planícies da caramelândia distribuindo informação e respondendo às mais diversas dúbidas do bom povo caramelo. Em funcionamento desde o dia 1 de Janeiro, tem sido um sucesso e uma ajuda permanente no quotidiano brabio e rude do home e da mulher da nossa zona.
Com uma equipa de duas pessoas, o chófer Albino Pezudo e o ajudante-especialista-em-tudo Estanislau Bombista (primo do Celestino Bombista, responsável pelo comité olímpico caramelo), têm ajudado “em um pouco de tudo, por exemplo quais são as nobidades e os saldos na Loja do Toino Brinca, na capital, ó atão por bezes as pessoas tambim querem saber quem andou à punhada no ultimo marcado”.
Alguns também consideram este serviço um verdadeiro apoio à agrícola local, pois também é frequente perguntas em relação à brabeza (intensidade) da geada, como tratar das autorizações para vender na reforma agrária, ó quanto ao aproveitamento do oile da motorizada para combater o míldio da ingrícula. Por vezes, fazem também serbiços de intrega ao domicílio de produtos que só existem na capital e que dificilmente chegariam a certos locais do país caramelo e até já chegaram a lebar canzoada à bacina da câmara. Por tudo isto, “quando bemos a toyota Dina abançar ao longe, eu amais o mê Juile damos pulos de alegria, e ele por bezes até bai buscar a caçadera e dá uns tiros pó ar. Ódepois, bem todos bê-los e até os inchemos de intulho com as nossas parguntas”, referiu Zulmira Pombalistica, moradora da Palhota.
O resultado esse tá à óbista (óbidos mais bista) de todos: “acho ca gente se sintimos menos aparbalhados, um bim haja a esses homes e à FLC”, referiram algumas das pessoas por onde passámos, à boleia do serbiço móvel de desinparbalhamento popular.

7.1.08

UNESCO prepara-se para incluir a cultura caramela na lista das culturas a defender e preservar no mundo

A cultura caramela prepara-se para ser reconhecida internacionalmente, passando a fazer parte da lista dos povos minoritários, reconhecidos pela UNESCO devido à sua história, cultura e importância na diversidade cultural humana.
Para tal, após visita secreta de António Guterres - Alto comissário das Nações Unidas para os refugiados- à Caramelândia, basta apenas que seja enviada alguns livros e cd's em idioma caramelo*, para que a existência deste idioma seja comprovado junto de algumas entidades. António Guterres, andou camuflado de vendedor da reforma agrária, tendo adquirido toda a indumentária necessária para tal na Loja do Toino Brinca. A FLC cedeu-lhe uma motorizada Famel com chófer e “três jerricans de gasólio para circular à buntade pela nossa bela nação. Cuidim bem do home!”, disse Jerónimo Açaimado, actual ministro dos assuntos estrangeiros da caramelândia. Toino Guterres visitou a Reforma Agrária, o mercado mensal, a loja do Toino Brinca, e todas as povoações à volta da capital, bem como as instalações secretas da FLC.
Ficou maravilhado com o que viu e disse (em conferência de imprensa semi-secreta na Palhota, no café O Pôr do Sol Caramelo) sentir-se envergonhado por ainda não ter tomado nenhuma medida protectora em relação a este “povo nobre e de grande orgulho identitário”, ao qual alguns dos presentes responderam: “bócês quando são prasidentes tên na maniazinha que são párbos, mas aqui ca gente comem mas ei merda de porco caramelo!”.
No final, o alto comissário, teve ainda tempo para trocar palavras com o mais destacado pensador em língua caramela da actualidade, Toino das Ideias Parbas, o qual o impressionou bastante pela “agudeza e contemporaneidade límpida do pensamento verbal”. Após Guterres ter proferido estas palavras, Toino das Ideias Parbas julgou que o home o taba a insultar e quis jogar-se a ele segurando no gargalo de uma mine, que havia partido no balcão do café. Este triste incidente foi rapidamente abafado e após explicações, saíram todos com um sorriso nos quechos. A visita terminou com uma passagem-almoço pela Atalaia, onde Guterres teve oportunidade de ser brindado com uma grandiosa foguetaige rija, organizada pelos Círios, caté andou parbo. Teve também a honra de ser considerado cidadão honorário da Atalaia, lançando um mortero de cima de uma carrinha de caixa aberta, com um cigarrinho acesso ao canto da boca, enquanto a equipa do Talau musicava o momento.
Resumindo, “epá, achamos que o home foi maravilhado cum a nossa cultura, inda lebou umas garrafas de tinto do Cajó e uns quejos do Ti Chico Obelhero e amais umas nabalhitas, daquelas que eram bendidadas na cantina da antiga estação da C.P. Bamos esparar agora que os homes digam qualquer coisa, pa isto ir pá frente, senão organizamos uma excursão i bamos lá ter cum eles a uma terra chamada Bruxelas, comás cobes”, referiu Jerónimo Açaimado, visivelmente eufórico e embebido em médias na Sede da Palhota, já a noite caramela ia mais alta que o depósito da água da estação.
A FLC apoia O POVO CARAMELO e a sua luta pela AUTODETERMINAÇÃO.

*O livro seleccionado para representar a nossa cultura será "Poesia com chispes de Luz" de Ti Balbina Acorada e o cd será "Talau e seus Muchachos" dos Círios da Carregueira.

29.12.07

MINE: O PODER DA CONVICÇÃO CARAMELA

(cuntinuação da cuntinuação da cutinuação do consultóiro do dia-a-dia)



Como távamos a dzer, intigamente o binho era o centro do mundo caramelo, mas a grande mudança estaba pra chigar.

A maior rebolução do mundo caramelo está relacionada com a chigada da primera mine ao nosso territóiro: um berdadeiro marco histórico.
Segundo cartas intigas, sabe-se que a primera mine foi incuntrada numa curva, na Marateca, no Verão de 1953. Não se sabendo o que era aquilo, o objecto fez reunir toda a população local pra um debate-garreia:
- Isso é uma granada da PIDE. – disse um maluco fanhoso com a boca ó lado.
- Não é nada. Isto é uma mina dos Nazis. - disse um GNR a agitar um chicote.
- Mina?!!! Ah ah, isto é mas é uma MINE! – disse um gaiato parbo com um monco pindurado no nariz.
- É uma QUÊIM?? – précuraram todos numa só bóz.
- É uma MINE, óóhh!!!! – gritou o gaiato parbo que apanhou logo com uma cajadada pelas fuças caté o monco saltou pró pasto.
- Tu bai-te mazé já imbora daqui q’isto nã é pra gaiataige…
- Bamos abrir ela. – dsseram todos im balbúrdia.
- Xôôôô tudo daqui pra fora. - disse outro GNR a descer do cavalo - Bá lá bá lá, recolha obrigatóira e passem pra cá a mine. Bamos confiscar ela.
Entretanto a mine desapareceu na balbúrdia e tornou-se um objecto de culto, clandestino. Três dias depois, já em Águas de Moura, foi engenhosamente atada com um baraço e aberta com a força duma parelha de mulas. Com a elevada agitação, amais o pico do calor, a mine transformou-se em espuma e molhou as caras bronzeadas mais próximas.
- Afinal isto é um extintor! – disse um que estava a fumar um cigarrinho definitivo.

A agitação durou sete dias e sete noites e, quando se pensava que o assunto estava esquecido, foi encontrada uma grade cheia de mines à sombra duma carroça dum cigano. Era o fim do mundo! Um mês depois foi visto um camião cheio de grades a caminho da Atalaia e no Verão seguinte já o povo caramelo estava rindido ao infinito das mines.

"O mundo romântico das adegas - e das argolas de tinto, desenhadas pelos copos - começou a desaparecer e deu lugar ao mundo neo-gaseificado da mine." (Podia-se ler no, já extinto, jornal "O Acendalha")


Esta buida que faz arrotar, fez nascer novos hábitos na sociedade caramela. Começaram as constantes reuniões à volta do meio-bidom adonde, com a ajuda de muitas mines, se tenta tirar ideias de dentro das cabeças para desvendar o segredo do equilíbrio e do infinito. Perguntas como “O que é que está para lá da última mine?”;... “Haberá bida para além da mine? Haberá pinsamento?”;... “E quem tem uma mine tem tudo? E quem nã tem mine nã tem nada?” ;... “E sem mines adonde é que está assunto pra um home falar uma noite inteira, comé que éi?”;... “Sem mines pode existir alguém que consiga óbir um caramelo das cinco da tarde até às cinco da manhã? Hã?”;... “E os tramoços? Adonde é que estão os tramoços?".... Muito se tem dito, mas ninguém sabe.

O mino-centrismo (teoria científica em que o mundo gira à volta das mines), está hoije perfeitamente implantada na nossa sociedade tornando uma cultura única no mundo. A teoria defende que cada mine provoca o aquecimento da alma e ilumina a razão de todas as coisas. É a fonte de inspiração, a substância do progresso e, principalmente, o poder da convicção caramela.
Por todo o nosso territóiro está a maior concentração do mundo de estabelecimentos de minofilia onde o povo pode praticar o culto, trocar ideias e buer à rodada.

Portantos, se bocemecê buer mais de 50 mines e começar a bolçar, isso não quer dizer que chegou à última mine, porque não existe a última. Quando bolçar uma, bocemecê chigou ao momento da grande glória em que tudo o que disser é com tal cunvicção, que não há doutrina, nim doutor, nim Papa, nim cumbersa nhuma, capaz de lhe fazer frente, e isso é um momento importante que todos nós devemos ter pelo menos uma vez na vida.


Bom ano para toda a caramelândia.

Resposta de Armindo dos Soluços

23.12.07

CARAMELOPÉDIA

(Segunda continuação da resposta do consultóiro do dia-a-dia)
***

Ora como távamos a dzer, o mundo de intigamente era Valo-cêntrico mas, mais tarde, já no sec XX, tudo se modificou, não só deribado à linha do cumboio como tamém deribado ao binho. Zé Maria, um home local, defindeu que a razão da existência caramela estava ligada às argolas de tinto que os copos dixabam marcadas nas mensas e balcões de pedra. As argolas eram o ícone do cosmos, símbolo do alimento da alma, a materialização do conhecimento. As argolas eram, ao fim e ao cabo, a razão do ser. Esta visão radical alterou a bida social de toda a primeira metade do sec. XX., e o crescimento da vinha na Caramelândia, ao ponto de se tornar a maior vinha do mundo. Era intão o mundo Argolo-cêntrico. Dizia-se então por todas as coletbidades e tabernas, que as argolas tinham que ser infinitas se não o universo acabava e éramos todos chupados par dentro dum comprimido.

Mas a maior modificação do pinsamento filosófico-caramelo ainda estaba pra bir.
Mas, como temos tempo, isso fica ainda para o próximo serão.
Até lá intão.

19.12.07

Resposta completa ao consultório anterior

Como prometido, resolbemos responder agora por cumpleto à pergunta anterior do consultóiro do dia-a-dia.

Ora intão bocemecê bolça, hã?! Bolça com uma determinada mine e quer saber adonde é que tá a última mine!!! Pois é!... Não há última. Isso tem a ver com o nosso próprio infinito.

Fique sabendo que o infinito normal, aquele que hoije se fala por i nessas escolas, é propaganda neo-aparbalhada e é uma espécie de infinito diferente do infinito caramelo clássico.
Oiça lá intão:
Intigamente o pinsamento do infinito estaba ligado à Vala da Salgueirinha, não só porque continha todos os elementos do universo, como porque ninguém sabia adonde ela começava nim adonde ela acabava. Por isso pinsaba-se que a vala era redonda. Nessa época, o mundo caramelo era Valo-centrico ou seja, a Vala da Salgueirinha era o centro do universo.
Já no século XIX, (muito depois de Galileu), o Juquim da Rolha (um grande filósofo) pôs uma rolha à deriva, para calcular o comprimento da vala. Como nunca mais viu a rolha, provou que afinal ela não era assim tão redonda quanto isso, e disse “aposto já aqui um jarro de tinto im como a vala é totalmente comprida”.
Totalmente cumprida?!!!!disseram os outros pinsadores na sede do Rio Frio - Cumprida totalmente?!!!! Tu tás parbo ó quê? Nã existe nada tão cumprido totalmente assim!”
- E digo mais - disse Juquim da Rolha - a Estrada dos Espanhóis ainda é muito mais totalmente comprida, do có ca Vala da Salgueirinha.
- Proba isso já.
- disse o grande pensador Zé Maria, im cima dum cavalo.
Juquim da Rolha apanhou medo à coisa e, para provar que a Estrada dos Espanhóis era mais infinita que a Vala da Salgueirinha, não usou uma rolha. Fez outra coisa: espatou um gato no meio da Estrada dos Espanhóis, com o fucinho im direcção a Espanha, e infiou-lhe malagueta pelo cu adentro, só pra ver até onde ele ia parar. O gato fugiu estrada acima e nunca mais foi incuntrado. Até hoije.
Como um gato aparbalhado foge mais que uma rolha de cortiça, chegou-se facilmente à conclusão que, na realidade, a Estrada dos Espanhóis tem mais comprimento que a Vala da Salgueirinha. Mas não deixava de ser redonda!!

Por isso a aposta do jarro de tinto nunca deu im aperto de mão. O Juquim da Rolha chegou mesmo a levar punhada pelo toutiço, e foi obrigado a retirar o que disse sob pena de ser atirado pra dentro dum meio-bidom im brasa só pra lhe queimarem as nalgas.
Desde então o fim da Vala da Salgueirinha tornou-se um tabu. Aliás, o fim da Vala da Salgueirinha é hoje um mito, cujo segredo está remetido aos pergaminhos secretos da câmara palmelona e seus comparsas. Mesmo hoije, o caramelo comum não sabe nada acerca do seu fim!

Mais tarde, já no sec XX, o mundo caramelo mudificou-se, mas essa cumbersa fica para o próximo serão.
Até lá intão.

15.12.07

Consultóiro do Zei das Mines

Se tiberes ãinças ou buntade de dar punhada no fumo do coirato, escrebe práqui que a FLC dá-te o azeite. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.

"
Estou a escreber neste papel porque ando, de há uns tempos pra cá, com um problema:
Intão é assim:
eu começo a buer mines assim logo de manhã. Ópois bebo tamém à tarde. Ópois, à noitinha, continuo a buer mines, a buer a buer, a buer, a buer até praí… sei lá! … Praí mais de 50 mines! Ópois, numa certa e determinada mine, aconte-me uma coisa parba:....
Começo a bolçar!
Só aí é que descubro:
óláááá! esta é a última mine do dia!
E é sempre a última que me faz mal!… Primeiro dou um arroto e desconfio “mau!!”, e logo de seguida começo a bolçar as mines todas que tinha buído anteriormente.
Tão a cumprieender?
Em primeiros comecei achar que punham pitroil na última mine pra eu me dar aquele xelique na barriga e ir-me imbora pra casa, pró pé da nha Ercília. Mas ópois disseram a mim:
Pitróil? !!!! Tás parbo ó quê? ...
Às bezes, lá na sede do rancho, já o chão está cheio de serradura e salpicado de água pra começarem a barrer, eu digo:
“Dá lá ai uma mine enquanto barres o chão, sem mais cumbersa”.
Ópois começa-me a dar aquilo:
começa a dar-me quelas boltas à língua, aqueles calores no bucho, uns górmitos… e vá:
uma gomitadela pró chão ca gente até ficamos todos parbos a olhar (praí mais de cinco minutos a ber o górmito!).
O que eu queria saber era se era possíbel saber qual é a última mine antes de chegar à última propriamente dita, pra isto deixar de me acontecer.
"

Resposta:
Oh meu repaz, bocemecê tocou num dos pontos mais sinsíbeis da filosofia caramela. Muito cuspo tem a gente gastado a cumbersar sobre o mito da última mine. Isto já o Toino das Ideias Parbas dizia: “há um infinito em cada salpico de mine”. Ora isto quer dizer que dentro de cada garrafa, o infinito é muito maior porque é feito de triliões e triliões de salpicos, mais que as estrelas que há no céu. Mas esta inquietação da última mine prende-se a teorias do infinito caramelo muito intigas. Mas como isto é uma cumbersa comprida esperem só um bocadinho cagente responde tudo o que bocemecê precisa de saber.

8.12.07

A importãiça dos editoriais

CARTA:
"
Sou das Areias Gordas adonde toda a gente me conhece por Zé Escabadeira porque sou um home brabio com uma forçaria capaz de lebantar um bolksbaige de pantanas e jogar ele pra uma estrumeira.
O que eu quero dzer é que leio sempre as belas históiras dos editoriais do Jornal do Pinhal Nobo, por mostrarem uma grande bisão jornalística. Mas dixei de tar cumpletamente sastesfeito. Eu sei que esses editoriais são contos de grande importãiça pra todos nós, mas se fossim reportaiges sobre a nha tia Roberta Farinácea, a contar o dia a dia da galinhaige no espojeiro, enquanto cose o buraco dumas peúgas, atão isso é que era de balor. Mas não!...

Ópois falaram-me que a FLC tamém faz editoriais de grande qualidade e fiquei todo cuntente, por isso fui logo prá vindima pra ganhar uns tostões e comprar um computador. Já disse a toda a gente, e bou dzer aqui, que fiz um migalheiro e cumprei o computador só pra bir ler as notícias da FLC.
Mas agora ando arreliado. Uma pessoa bem aqui quase todos os dias e NADA!
É que bocêzes, como grandes defensores da nossa cultura, nã amandam cá pra fora mais notícias, históiras, lendas, editoriais e mais editoriais e… cunsiderações sobre a nossa nação.
Quero ber mais trabalho.
Ou bocêzes labutam e acordam prá bida e jogam-se a preceito e ó afinco à nossa cultura, na apanha de acuntecimentos e isso…, ou eu arrebento já aqui com as letras do teclado à punhada que isto fica logo com as tripas de fora. E nã tou a brincar hã?! Bem! …
É que isto nã tá fácil. Se isto continuar assim, exijo já aqui uma indemnização ou qualquer dia arrebento com isto tudo a pontapé caté o computador bai a aboar prá testa dum GNR.

Eu já tou farto de dzer e digo aqui cum orgulho que a cultura caramela está cada bez mai forte e quero portantos agradecer aos chefes da FLC por fazerim de mim um homem mai libre nesta nação que é da gente todos. Mas bejam lá mazé se espetam mais editoriais pra gente ler todos cuntentes,
Sim mai cumbersa de momento, e até logo.

Zé Escabadeira. "

O espaço "Cartas a cagulo a sair do alguidar" é a bóz ao pobo caramelo que manda prá gente correspundêinça brabia de interesse giral e parbo-reimbidicatibo.

***********

Direito de resposta

A propósito da carta tirada de dentro do nosso alguidar, de onde se podia ler que os elementos da FLC debem ser “mai trabalhadores” e que “debem amandar mai notícias cá pra fora”, o Conselho Geral da FLC declara:
“ A FLC é uma organização rebolucionária, única no mundo totalmente equipada com floberes, 5 rolos de fita adesiva e 100 metros de arame pró que der e bier. Estando ainda remetida à clandestinidade, a FLC luta pela a libertação da cultura caramela e é constituída por um grande número de militantes, activistas e colaboradores, (sem falar da canzoada especializada em encontrar coirato), contando com todas as comunidades caramelófonas espalhadas pelo mundo. Toda a sua força brabia vem de dentro de cada um, portantos, não recebe qualquer apoio nim da América, nim da Rússia, nim dos construtores civis, nim de porra nenhuma. Por isso, para além de cumprirem as missões de libertação, têm tamém a sua profissão im prol do progresso, e é por isso que não espatamos aqui muito mais editoriais.”