Agenda mensal de acontecimentos culturais da região caramela *
Janeiro de 2007
*Esta agenda pretende colmatar a falta de informação sobre eventos culturais de cariz tipicamente caramelo para a população da caramelândia.
Os eventos aqui divulgados são apenas uma selecção feita pela organização clandestina FLC .
Café-Restaurante Bá Lá Ber (Vale da Vila)
Conversas soltas e leitura dos chispes com Zimbão Cornadura, adivinho e caramelólogo.
Pede-se aos participantes que tenham o cuidado de desincardir os chispes com creolina e cortar as unhas de modo a evitar ferimentos caso esta sessão descambe numa sessão gratuita de punhada (o que não seria de estranhar).
dias 12 e 13 de Janeiro
Baldio da Sede do Sport Club Vale da Vila
Ciclo de monólogos intimistas de Toino das Ideias Parvas
Finalmente, o mais conceituado filósofo caramelo da actualidade resolve mostrar-se ao público, partilhando um pouco os seus complexos pensamentos.
Atoino ficará preso 24h dentro de uma coelhera de pé alto, especialmente concebida para a ocasião pelos Firminos, estando visível a 360 graus. O filósofo divagará sobre o que mais lhe apetecer. O visitante deverá apenas observar em silêncio e contribuir com minis ou grades de minis, para que o nosso pensador não se cale e exteriorize as suas inquietações existêncialistó-caramelas.
dia 19, a partir das 9h
Discoteca A Sela
Grandiosa matiné dançante com a tocadora de ferrinhos Belarmina Pézuda abrilhantada com a apresentação e 1ª actuação do grupo de forcados da Palhota. Este grupo foi recentemente constituído e dedica-se à pega do porco caramelo-mirandês, negando-se a pegar bichos com menos de 300 kgs.
dia 21, 16h
Café Napagas Nada
Sessão livre de punhada, todos os fins de semana deste mês, após o encerramento do establecimento.
Só para homes (nim gaiatos, nim mulheres).
Loja António Brinca (Pinhal Novo)
Sessão de autógrafos com o Rancho Folclórico da Lagoa da Palha e leilão de peças de cozinha da década de 40, pertencentes a Joaquim Lambão, antigo cozinheiro e mestre meio-bidoneiro da Sede da Lagoa da Palha.
dia 23, 16h
Cafe Satélite (Pinhal Novo)
Curso de dança tradicional individual III
Após demorada dormência, que o próprio explicou devido aos elevados consumos de vinho tinto da região, Ti Enxaugado volta de novo ao mundo da criação.
Promove desta vez o terceiro curso de dança tradicional individual aberto a toda a população, em especial aos frequentadores da sua tasca de luxo, o café satélite.
Desta vez, Ti Enxaugado aprofunda a relação entre a dança caramela genuína, o som do fogo rijo e a imagem da gordura nos azulejos por cima da frigideira das bifanas e dos túbaros. Uma relação que promete ser desconcertante e desafiadora para os seus clientes habituais, demasiado habituados a estados de transe alcoólico. Para Ti Enxaugado, o transe alcoólico será “um facilitador criatibo pós homes se desinmerdarem com as parboíces qu’eu inbento na nha cabeça quando bou par casa intornado im tinto (ca bubadera)”.
A não perder, todas as sextas feiras no café satélite (a inscrição nesta formação está condicionada a consumo mínimo obrigatório de 3 litros de tinto/branco ou traçado por sessão).
dias 20 e 21 (inscrições no local)
Café do Ti Texugo (Palhota)
Exposição de kodaks de bicicletas a motor na sala dos matraquilhos por trás das grades vazias.
exposição patente durante todo o mês até haver espaço na sala (se for preciso arrumam-se as grades no quintal).
Sede do Rancho Folclórico de Pinhal Novo
Grandioso almoço convívio dos amigos dos amigos do Rancho.
Sé é amigo destes amigos apareça e prove os nossos famosos chispes de porco com feijoada e assista depois ao baile, impanturrado à parba.
“A porta tá aberta e só fecha quando forim todos par casa e se alguém tiber a chabe”, é o lema destes almoços de cunbíbio no Rancho.
Dia 27 (inscrições no local)
Café Costa Bar (Pinhal Novo)
Pequeno curso de buedores de mines ao balcão. O café Costa Bar promove o primeiro curso de buedores de minis ao balcão. Que braço apoiar no balcão? ; qual a posição das pernas?; qual a melhor postura do corpo?; como adoptar uma posição em que estando virado para a rua me permita virar 180 graus para trás sem perder o equilíbrio ou o lugar? com o que devo acompanhar a minha mine? amendoins ou tremoços?
Foram estas algumas das questões que os frequentadores habituais deste local de culto caramelo colocaram e que deram origem a esta formação.
Nota: a formação será dada pelos próprios frequentadores que partilharão entre si precisosos conhecimentos acumulados ao longo de muitos anos de experiência.
Entrada livre mediante a aquisição de uma grade de mines para consumo durante o curso.
dia 23 e 24, 17h
Coreto do jardim de pinhal novo
1º Grandioso concerto de domingo de marcado
Com este 1º concerto, a banda da SFUA, inaugura um ciclo de concertos que pretendem marcar de novo a importância dos domingos de marcado para a cultura caramela. Assim, todos os domingos de marcado, a banda partirá da porta norte do recinto do marcado numa carrinha de caixa aberta especialmente concebida para o efeito e tocará até chegar ao coreto, onde iniciará um verdadeiro festival de sons caramelos,de encher os ouvidos até mais não. Em cada domingo, haverá um convidado especial, ao qual será proposto um despique-convívio com a banda. Para o primeiro concerto está já assegurada a presença de Belarmino Pançudo (sobrinho de Belarmina Pézuda), conceituado acordeonista que ficou famoso a fazer matinés dançantes na discoteca A Sela.
Entrada livre, para todo o povo caramelo (para todos os que possuírem comprovativo de terem ido ó marcado).
Domingo de marcado, dia 14
12.1.07
30.12.06
Previsões caramelas para o ano 2007
Previsões feitas pelo adivinho e caramelólogo, Zimbão Cornadura, escondido na
Benda do Alcaide.
"O ano de 2007 será um ano de altos e baixos cum cambalhotas repentinas de 360 graus, assim como abanços e arrecuos caté parece um carrocel da Feira de Maio.
Na área da saúde, o ano de 2007, pauta-se cum grandes abanços. A espera nocturna pró atendimento no Posto de Saúde do Pinhal Nobo é reduzida cerca de cinco minutos (prevê-se que o primeiro reformado chegue às 03:20h, e não às 03:15h). Há uma procura considerábel de pomadas caramelas feitas por alguns reformados mais intigos. No giral, o abanço da medicina caramela bai melhorar no que respeita à troca de informação sobre paradeiro dos melhores mezinhólogos e apalpadores da nação. Haberá tamém um desimbolbimento do diagnóstico e do receituário oral, como por exemples: “Isso é gosma de cão. Se chirares bapores de folha de eucalitro, isso passa.”
Na área urbana bai notar-se um acentuado aumento de apartamentos bazios, ao desbarato, nos bairros mais intigos e uma procura de novos apartamentos de plástico (cum palmeiras e rotundas) nos bairros nobos que ainda só têm os candeeiros.
Na área financeira haberá um aumento parbo do consumo de baldes de plástico, toalhas de bidé e truces, deribado às lojas dos chineses.
As cores predominantes ao longo do ano serão, como sempre, o tinto e o amarelo-espuma a sair do gargalo.
Na alimentação, a maçã riscadinha continua a ser parte da dieta, sem contar com um belo coirato e intarmiada, im cima duma terrina de sopa caramela.
No Imberno, a FLC defenderá a pátria juntando todas as forças caramelas contra os bendabais e inchentes, colocando um sentinela a controlar o caudal da Vala da Salgueirinha. No entanto a geada do Lau ficará tão ruim caté queima o escalracho mais brabio… mas ninguém pode fazer nada contra esta araige!
No Berão, no pico do calor, é momento dos grandes incêndios e todos debem tar atentos às labaredas do meio-bidom e contar com os repuchos e mangueiradas dos Bombeiros do Pinhal Nobo e Áugas de Moura.
A bida afectiba do casal caramelo bai ficar mais quente e sadia, deribado à nobela Coiratos cum Açorda que bai ficar cada bez mais parba e interessante.
Ao longo de todo o ano a FLC ajudará toda a caramelaige a que fique bem atenta e preparada para se definder das forças palmelonas e das maniazinhas globalizadoras. Em 2007, todos taremos mai força cultural para sermos melhor comprindidos e não ficarmos repezos de sermos uma potência brabia única no mundo.
Enfim, muito se poderia dizer o que bai acuntecer pró ano mas ficam aqui as nhas despedidas e bom ano de 2007.
Zimbão José da Cornadura
24.12.06
Mensaige de Natal
(mensaige solene do Presidente das Forças Brabias da FLC, actualmente em parte incerta)
É Natal, é hora de empanturramento. Comemoramos hoije mais um dia de empanturramento colectibo caté a moçada arrota com tanta fartura. Mas é preciso não esquecer que não bale biber só dos sonhos que têm na maniazinha. Não! Hã? É parciso amandar fuguetaige pra acordar o mundo e mostrar que samos um pobo marabilhoso, com orgulho de ser caramelo, honesto, trabalhador e acima de tudo brabio. Por isso, em cada estardalhaço nos nossos obidos há que lembrar que é importante biber esse momento, tal qual ele é. Não é por acaso que samos uma potência mundial a nibel do musgo-presepiano e a níbel do pinheiro de natal com algodão.
Portanto do Pinhal Nobo à Atalaia, da Marateca à Cascalheira, da Benda do Alcaide aos Brejos do Assa, de lés a lés, não se esqueçam de ser felizes e de atirar umas iscas prá canzoada.
Feliz Natal.
É Natal, é hora de empanturramento. Comemoramos hoije mais um dia de empanturramento colectibo caté a moçada arrota com tanta fartura. Mas é preciso não esquecer que não bale biber só dos sonhos que têm na maniazinha. Não! Hã? É parciso amandar fuguetaige pra acordar o mundo e mostrar que samos um pobo marabilhoso, com orgulho de ser caramelo, honesto, trabalhador e acima de tudo brabio. Por isso, em cada estardalhaço nos nossos obidos há que lembrar que é importante biber esse momento, tal qual ele é. Não é por acaso que samos uma potência mundial a nibel do musgo-presepiano e a níbel do pinheiro de natal com algodão.
Portanto do Pinhal Nobo à Atalaia, da Marateca à Cascalheira, da Benda do Alcaide aos Brejos do Assa, de lés a lés, não se esqueçam de ser felizes e de atirar umas iscas prá canzoada.
Feliz Natal.
22.12.06
Teste aos agasalhos caramelos II
Tá aí uma rijeza parba caté os patos ganham medo às poças d’áuga… momento exacto em que autoridades da FLC bão à precura de mais um agasalho caramelo para testar a sua qualidade.
Após curta precura no Poceirão, os nossos agentes deram logo com um berdadeiro achado do nosso agasalhamento: duas duizas de garrafas “S. Filipe” a meterem-se cagente.
Sem mais cumbersa, passemos intão ao relatóiro de testes deste material.
Após curta precura no Poceirão, os nossos agentes deram logo com um berdadeiro achado do nosso agasalhamento: duas duizas de garrafas “S. Filipe” a meterem-se cagente.
Sem mais cumbersa, passemos intão ao relatóiro de testes deste material.
Relatóiro
Local da experiência: Armazém de hortaliças do Emílio Ratazana, Poceirão.
Técnicos especializados pra olserbar se o material é de qualidade: maltezaria encartada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho ao serbiço do aquecimento da nação;
Outros olserbadores: um casal de caramelos tirado ao acaso, dentro da mercearia do Emílio.
Materiais: duas duizas de garrafas de tinto da marca “S. Filipe”; um tema de cumbersa “eu sou soiço da SFUA há mais anos do que tu descontas prá caixa”; carteiras com cartões e fotografias das famílias pra probar a veracidade da cumbersa; 6 copos; um bolo-rei (a fruta cristalizada é pra dar à canzoada que anda por li a chirar); 7 caixotes de hortaliça birados ò cuntrairo, pra assentos e menza; um alguidar de filhozes.
Ocorrência nº 1
São 23:40h, uma duiza de garrafas ainda está cheia e as olserbações são bastante positibas em relação ao aquecimento. Berifica-se uma boa progressão no calor do armazém. A cumbersa, no ponto “dois casais de patos com uma pata coxa quantas patas são?”, gera pensamento sobre pensamento.
Ocorrência nº 2
São 03:25h, apenas uma garrafa está por encetar. Dois técnicos estão bastante sastesfeitos com os resultados e a cumbersa sobre acidentes rodobiários está no ponto “já labrei mai' chão com a nha zundape do có que tu com o teu tractor a bida toda” e faz-se um calor caté tá tudo suado e brabio. Todos despem as camisas violentamente e procuram cicatrizes, entorces e caroços deribados das suas bcicletes a motor.
Ocorrência nº 3
São 03:48h, hora do teste final. O casal caramelo está ao rubro e não aguenta mais o calor. Todos se amontam nas suas Fameis, só com os truces (a mulher leva apenas o avental), e partem do Poceirão com destino ao Terrim. Segundo relatos dos bombeiros, foram encontrados deitados dentro das erbas perto da Palhota. A mulher mostrava a boca cheia de cieiro e os restantes técnicos tinham a língua um bocadinho encortiçada.
Conclusão
Na nossa escala, O blusão de cabedal “S.Filipe” rebelou-se um perfeito agasalho prá rjeza caramela. Se os nossos técnicos tibessem chegado ó Terrim, o produto teria lebado nota máxima, no entanto o "S. Filipe" está classificado como material de grande qualidade, podendo no entanto provocar um bocadinho cieiro às mulheres e uns efeitos secundáiros nos homes brabios conforme vem no rótulo.
10.12.06
Expansão do território caramelo em terras de Atalaia
A FLC amais a Confederação dos Círios Caramelos (comandada por Celestino Bombista) e a Junta de Freguesia da Atalaia chegaram finalmente a acordo em incluir o Santuário da Nossa Senhora da Atalaia no nosso territoiro, sob o domínio total dos caramelos. No final das negociações, Celestino Bombista deu uma punhada na mesa caté as canetas e as mines saltaram todas e, referindo-se ao santuário, disse:
“Tóó… este baldio representa daqui por indiente a expansão do Império Caramelo no Século binte e um.”
Estas negociações são o culminar duma luta que só tem paralelo com a luta da beataige pelo controle da Igreja do Pinhal Novo. Foi graças à influência da FLC que finalmente se realizou uma das maiores ambições caramelas com quase dois séculos de peregrinação e foguetaige: o cuntrol total do santuário. Para conseguir tal proeza, a FLC deu, em troca, as Portaiges da Auto-estrada do Pinhal Novo à Junta de Freguesia da Atalaia que as bai explorar como capelas aos Domingos, e como campo de tiro aos pratos de Segunda a Sábado.
É já próximo 12 de Dezembro, pelas 16:00h, que o Presidente da Sociedade da Geografia Caramela desenhará solenemente, pelo o seu próprio pulso, uma bola do tamanho duma ervilha no mapa oficial da Caramelândia, espatado na parede principal do nosso quartel com uma moldura profusamente decorada com paus de fórfo. Esta bolinha corresponde, no baldio berdadeiro, a um círculo com um raio de 300 metros à bolta do Santuário da Nossa Senhora da Atalaia e ganhará, nesse terreno e nessa hora, uma vedação com as mais belas canas das bordas da Vala da Salgueirinha.
Grandes projectos se avizinham para este novo territóiro caramelo.
Adiantamos desde já que a inauguração do Foguetódromo será já em Setembro de 2007 com o rebentamento de foguetaige de tal enbergadura ca América larga logo os abiões assanhados pró ar caté parecim vespas. Será tamém inaugurado, ao lado do santuário, o inédito Museu da Mão. Este museu (único no mundo), mostra cuidadosamente as diversas formas e fragmentos que uma mão caramela adquire após um rebentamento desostinado dum patardo. A mão mais antiga data de 1884, onde se pode ver as unhas fossilizadas num estilhaço de cana. A mão mais famosa data de 1998, mostrando duas falangetas incrustadas dentro dum telemóvel. A inauguração conta com a presença do Papa esperando-se uma inchente cate cria bicho.
3.12.06
Mais uma nova associação de grande utilidade
Deribado ao crescimento da população na nossa Capital e deribado ao crescente número de caramelos a fazerim criação de coelhaige nas marquises, a FLC amais a Comissão de Utilizadores dos Campos Ervados (CUCE), decidiu criar a Associação Amigos da Marquise Rural. Esta associação dispõe de uma linha telefónica gratuita com o nome:
Linha S.O.S. Ervas Prós Coelhos
Esta linha telefónica tem como objectibo informar todo o caramelo necessitado, onde estão as melhores erbas prá bixesa. Temos uma base de dados actualizada ao minuto, de acordo um complicado cálculo matemático que acha a razão entre as pastaiges, a geada, o ritmo de crescimento das erbas e o ritmo de crescimento urbano.
És caramelo? Bibes num prédio e tens criação na marquise? Hã? E tás almareado por não saberes adonde bais apanhar as erbas? Hã? Na hesites: telefona para a Linha S.O.S. Ervas Prós Coelhos, Nº 212337810 e diz o teu problema. Nos primeiros 50 telefonemas oferta duma caixa-bagaige prá bciclete.
És caramelo? Bibes num prédio e tens criação na marquise? Hã? E tás almareado por não saberes adonde bais apanhar as erbas? Hã? Na hesites: telefona para a Linha S.O.S. Ervas Prós Coelhos, Nº 212337810 e diz o teu problema. Nos primeiros 50 telefonemas oferta duma caixa-bagaige prá bciclete.
28.11.06
TESTE AOS AGASALHOS CARAMELOS
Deribado à rijeza do Imberno na Nação Caramela caté a passaraije cai das árbes, e pra prebenir toda a população da geada, a FLC deu abertura solene ao Departamento Científico de Aclimatização Caramela. Este departamento tem como objectibo descobrir e testar materiais de alto rindimento tais como as mantas, cobertores, casacos e quispos de fabrico caramelo de modes a que todos possam biber melhor sem terem de cumprar sacos de borracha de áuga quente pra pôr dentro da cama pra aquecer os chispes.
Assim, após curta précura, os agentes da FLC acharam na Fonte da Baca o primeiro casaco de fabrico caramelo: um jerrican de tinto “Quinta dos Farias”. Eis intão o relatóiro técnico dos testes deste material:
“Eram 5 da tarde e tava uma rijeza caté criava bicho.
Local da experiência: Oficina de lambretas do Rogéiro Cramalheira, Benda do Alcaide.
Técnicos especializados pra olserbar se o material tá bom: maltezaria credibilizada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho caramelo ao serbiço do aquecimento da nação;
Outros olserbadores: o dono da oficina e um cliente descunfiado a olhar prá sua lambreta toda desmontada em peças pu chão.
Materiais: o Jerrican cheio de tinto da marca “Quinta dos Farias”; um baralho de cartas com gaijas nuas; 6 copos; um casqueiro de quilo; e um taipal cum coiratada prebiamente assada pró enfeite.
Assim, após curta précura, os agentes da FLC acharam na Fonte da Baca o primeiro casaco de fabrico caramelo: um jerrican de tinto “Quinta dos Farias”. Eis intão o relatóiro técnico dos testes deste material:
“Eram 5 da tarde e tava uma rijeza caté criava bicho.
Local da experiência: Oficina de lambretas do Rogéiro Cramalheira, Benda do Alcaide.
Técnicos especializados pra olserbar se o material tá bom: maltezaria credibilizada pela FLC, com altas habilitações pra probar a eficácia do binho caramelo ao serbiço do aquecimento da nação;
Outros olserbadores: o dono da oficina e um cliente descunfiado a olhar prá sua lambreta toda desmontada em peças pu chão.
Materiais: o Jerrican cheio de tinto da marca “Quinta dos Farias”; um baralho de cartas com gaijas nuas; 6 copos; um casqueiro de quilo; e um taipal cum coiratada prebiamente assada pró enfeite.
Ocorrência nº 1
São 22:00h, meio jerrican está bazio e as olserbações são bastante positibas em relação à adaptação climatérica. Berifica-se uma boa progressão no calor da oficina, o jogo da sueca em roda-bota-fora gera punhada de aquecimento entre 3 equipas e o cliente descunfiado está perfeitamente integrado no imbiente aquecido dando gargalhadas.
Ocorrência nº2
São 02:00h o jerrican está praticamente bazio. Um dos técnicos está bastante sastesfeito com os resultados: tá um calor que não aguenta e despe violentamente a camisa mostrando a peitaça cum pêlo, dando uma punhada KO no cliente descunfiado que já se taba a rir de mais. Não completamente cumbincido, outro técnico mais rigoroso mete a peitaça ao relento e bai de lambreta da Benda do Alcaide até ó Poceirão. Segundo relatos berdadeiros foi incuntrado a dormir no meio da pastaige, entre as bacas, já pra lá do Forninho. Tinha um bocadinho de cuspo na boca!
Conclusão:
Na nossa escala, O casaco de peles “Quinta dos Farias” rebelou-se um perfeito agasalho pró relento caramelo. Se o nosso técnico tibesse chegado ó Poceirão teria lebado nota máxima, no entanto a "Quinta dos Farias" está classificado como material de grande qualidade, podendo no entanto provocar alguma sonolência mesmo práqueles que se riem á parba.
19.11.06
EDITORIAL
Escrito pela Edite das Crónicas por escraber crónicas caramelas nos editoriais dos jornais.
Hoije bou cuntar a bocemecês a história do talego cheio de coidas de pão, uma históira berídica que se passou entre os Batutes e a Fonte da Baca num dia de nabueiro de 1958, em plena crise do Meio-bidom.
O Jequim Tição era assim conhecido por ser o único home do reino caramelo com licença de uso e porte de isqueiro e com alvará de acendedor oficial de meios-bidons. Por isso era sempre chamado pró serbiço onde quer que houbesse um pitromax, um fogareiro ou um cigarro pra acinder, quando não habia fórfos. Num belo dia foi chamado pró serbiço especial de acendedor de rastolho numa matança do porco. Esse rastolho em labaredas, espatado numa forquilha, serbia pra chamuscar o bicho, já morto, pois nessa altura era assim que queimava o pêlo dando aquele chirinho a chamusque c’agente tanto gosta impregnado nas nossas camisolas interiores. Hoije usam-se maçaricos ligados à bilha do gás da cozinha e já na tem o mesmo infeite. Bem…, lá ia o Jequim Tição, com os chispes na geada, estrada fora, assobiando par dentro do nabueiro quando introu no batatal do Baldemiro Pirolito (assim chamado por beber pirolitos e ter forrado a fachada a sua casa com os berlindes dessa bebida gasosa). Baldemiro assustou-se assim que viu o vulto, deu um arrote e um tiro de caçadeira pró ar, e disse:
- Quem és tu e que o que é bieste práqui chirar?
- Sou eu, o Jaquim Tição, e bou à matança do porco do Belarmino Pançudo.
- Ahh! És o Tição,… Atão acende lá a mim esta lamparina que eu na tenho fórfos.
- Tu tamém na tens fórfos?
- Nem um fórfozinho bê lá tu!
Meteu o talego no poial, tirou o isqueiro da algibeira do colete e zás pôs-se a acinder a lamparina. A canzoada deu-lhe o cheiro do farnel e truca, roeu-lhe o pão cum banha deixando só a coida.
Quando chigou à matança do porco é que reparou que tinha o talego só com coidas. Foi uma barrigada de rir que toda a gente ficou a saber do sucedido. Jaquim Tição quase teve pra mudar de alcunha pra Jaquim Tição das Coidas… mas não pegou. Bem… resultado: como ele só tinha as coidas, toda a gente lhe ofereceu ovos caseiros, repolhos, hortaliças, e fartou-se de comer coirato e intarmiadas, e buer binho até à noitinha. Portanto, aquele belho ditado “Pá fome na há má pão” neste caso até quase se berifica poque o Jaquim incheu a pança de coirato.
Deribado a esta históira berídica é que ainda hoije os caramelos modernos quando comem pão cum Tulicreme deixam as coidas em cima da mensa como sinal de esperança de birem a ganhar uma barrigada de coirato, intarmiada e binho.
Prá semana, no próximo editorial, bou cuntar uma históira ca nha tia cuntava quando eu era ainda gaiata, uma históira dum cogumelo labado cum áuga do poço.
11.11.06
Cuiratos cum açorda (episoide 200)
Mais um marabilhoso resumo do próximo episoide de “Cuiratos cum Açorda”, a primeira nobela totalmente falada em caramelo, transmitida a partir das nossas intenas.
***
***
Fátinha, rapariga trabalhadeira, 23 anos, (Miss bindimas caramelas, a única miss que já sabe fazer pudins Boca-Doce), é neta adotiva da Venãiça da Verruga que a tem criado como filha. Fatinha entra na cozinha a assobiar as módinhas do carro-propaganda do Intermarché mas vem com sete sacos da Compratiba, cada um com um pacote de leite, e diz:
- Nha abózinha bou fazer uma tatuaige aqui ò fundo das costas.
- O quem?!!! Tu tás grábida e bais fazer uma raspaige pas costas?!!! – espanta-se Venãiça, limpando as mãos ao trapo e a verruga a inchar que nem um frango do abiário.
- Nããão abó, é só um desenho aqui nesta zona ó pé do rego. – e amostra a anca lebantando a blusa (mostrando pela primeira bez na telebisão caramela os elásticos dumas cuecas caramelas tipo cordel dental).
- Atão mas que desenho bais pôr aí à intrada do rego?!!!
- É uma tatuaige com imblema da Junta de Freguesia do Pinhal Nobo, a nossa capital, abózinha.
- O nobo imblema ou o belho imblema da junta?
- O belho, nha abózinha, aquele cum a linha a dar a bolta ó pinheiro.
- Ah bom, já pinsaba que tinha acuntecido uma desgraça. Tou tão cuntente…
De repente, Chispalhudo entra pela janela da retrete todo desalboreado, interrompendo a cumbersa. Os olhos de Venãiça infiam-se par dentro dos olhos de Chispalhudo, coisa que já não acontecia desde a fuga no Berão passado. Ficam os dois açapalhados a olhar um pró outro e a Fátinha, em pose, virada, a mostrar a etiqueta do cordel dental pra todo e qualquer espectador apreciar e poder cumprar no marcado do Pinhal Nobo.
Entretanto, à porta do café “O Barril inclinado”, nas Areias Gordas, Xico Traça-coirato cumprimenta a maltezaria:
- Atão cumé que éi? – levanta esta velha questão, espatando uma punhada no lombo dum.
- Oh! – responde esse, com uma cuspidela pró lado, como quem diz “Pois!”.
- Oh! – responde outro encolhendo os ombros e abrindo ligeiramente as pernas e afiando um palito com uma nabalhita.
- Atão cume que ei? – devolvem outros a pergunta que estão encostados com um pé contra a parede.
Xico Traça-coirato desenbolbe o cumbíbio:
- Quem é que quer ir mais eu à do Zé das Flaitas?
- O quê? Queres aprinder a tocar flaita? – pargunta um, a roer uma castanha do S. Martinho, e a cuspir a casca pró chão ladrilhado com caricas de mines.
- Não, é pra ele tocar flaita no meu casamento. Bou casar-me amais a Fatinha.
- A Fatinha da Venãiça da Verruga?
- Sim, bou buscar ela, amanhã. – responde Xico.
- Tu bais buscar ela? – parguntam todos em coiro espantadiços.
- Sim, bou buscar ela. – confirma Xico.
Todos ficam feitos parbos a olhar caté parecem dormentes (um estilo de suspence desinbolbido por cineastas caramelos) a olhar pró espectador, também ele aparbatado cum tanta intriga junta numa só nobela.
Será que bão todos à do Zé cumbincê-lo a tocar flaita? Ou será que a Venãiça vai pôr-se à frente e não deixa? E será ca Fatinha bai mesmo fazer a tatuaige ao pé do rego?...
- Nha abózinha bou fazer uma tatuaige aqui ò fundo das costas.
- O quem?!!! Tu tás grábida e bais fazer uma raspaige pas costas?!!! – espanta-se Venãiça, limpando as mãos ao trapo e a verruga a inchar que nem um frango do abiário.
- Nããão abó, é só um desenho aqui nesta zona ó pé do rego. – e amostra a anca lebantando a blusa (mostrando pela primeira bez na telebisão caramela os elásticos dumas cuecas caramelas tipo cordel dental).
- Atão mas que desenho bais pôr aí à intrada do rego?!!!
- É uma tatuaige com imblema da Junta de Freguesia do Pinhal Nobo, a nossa capital, abózinha.
- O nobo imblema ou o belho imblema da junta?
- O belho, nha abózinha, aquele cum a linha a dar a bolta ó pinheiro.
- Ah bom, já pinsaba que tinha acuntecido uma desgraça. Tou tão cuntente…
De repente, Chispalhudo entra pela janela da retrete todo desalboreado, interrompendo a cumbersa. Os olhos de Venãiça infiam-se par dentro dos olhos de Chispalhudo, coisa que já não acontecia desde a fuga no Berão passado. Ficam os dois açapalhados a olhar um pró outro e a Fátinha, em pose, virada, a mostrar a etiqueta do cordel dental pra todo e qualquer espectador apreciar e poder cumprar no marcado do Pinhal Nobo.
Entretanto, à porta do café “O Barril inclinado”, nas Areias Gordas, Xico Traça-coirato cumprimenta a maltezaria:
- Atão cumé que éi? – levanta esta velha questão, espatando uma punhada no lombo dum.
- Oh! – responde esse, com uma cuspidela pró lado, como quem diz “Pois!”.
- Oh! – responde outro encolhendo os ombros e abrindo ligeiramente as pernas e afiando um palito com uma nabalhita.
- Atão cume que ei? – devolvem outros a pergunta que estão encostados com um pé contra a parede.
Xico Traça-coirato desenbolbe o cumbíbio:
- Quem é que quer ir mais eu à do Zé das Flaitas?
- O quê? Queres aprinder a tocar flaita? – pargunta um, a roer uma castanha do S. Martinho, e a cuspir a casca pró chão ladrilhado com caricas de mines.
- Não, é pra ele tocar flaita no meu casamento. Bou casar-me amais a Fatinha.
- A Fatinha da Venãiça da Verruga?
- Sim, bou buscar ela, amanhã. – responde Xico.
- Tu bais buscar ela? – parguntam todos em coiro espantadiços.
- Sim, bou buscar ela. – confirma Xico.
Todos ficam feitos parbos a olhar caté parecem dormentes (um estilo de suspence desinbolbido por cineastas caramelos) a olhar pró espectador, também ele aparbatado cum tanta intriga junta numa só nobela.
Será que bão todos à do Zé cumbincê-lo a tocar flaita? Ou será que a Venãiça vai pôr-se à frente e não deixa? E será ca Fatinha bai mesmo fazer a tatuaige ao pé do rego?...
***
Caramela, não percas o próximo episoide se não algum home ainda te vai buscar a casa e quando dás por ti já tás a óbir flaita.
Caramela, não percas o próximo episoide se não algum home ainda te vai buscar a casa e quando dás por ti já tás a óbir flaita.
8.11.06
Consultório do dia a dia
Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.
Pergunta de Inaiço Sabão, condutor do tractor-cisterna dos resíduos rurais.
Ora muito boa tarde ou boa noite ou lá o quê. Eu cá que sou da Frente de Libertação Caramela desde que naxi e estaba na cumbersa cum uns gaijes ali dos Barris (palmelões) quando me disseram que a FLC estaba morta. Estaba morta??!!! Mau!! Tive logo pra dar ós gaijes uma punhada caté se espojavam logo ali ribanceira abaixo. Mas eu, caté nim sou de andar por ai à punhada, apostei logo a nha canita im como bocemecês nunca morrim. Por isso escrebi a bocemecês se é ou não é berdades que estão bibos e sadios e mostrar ós gaijes como é que é. Hã? Tão ou na tão bibos?
Tamos.
Ora ainda bem que nos escrebeu porque é berdade que temos andado fugidos im parte incerta mas agora boltámos cum muito orgulho na peitaça e diga lá a esses gaijes que a FLC nunca morre nim nada. Como instituição clandestina que samos (e samos cum muito gosto), tibemos que mudar de instalações porque fomos chirados pela canzoada das forças reaccionáiras de índole globalizadora. Como toda a gente já sabe, o nosso quartel estaba agachado debaixo do Coreto do jardim, (instalações utilizadas também por outras forças de natureza agachada ou deitada). Neste tempo todo, tibemos à precura de nobas instalações mais seguras e ainda mais clandestinas. Precurámos tudo, corremos todo o territóiro caramelo de lés a lés (do café “Anda cá mais eu” à mercearia dos Marçalos; da Tasca do Xico às bombas de gasolina da Marateca) e afinal estaba logo ali ao lado do Coreto: dentro dos elebadores da REFER.
Agora estamos mesmo dentro dos elebadores da REFER pois são as instalações mais seguras e mais clandestinas (metidas na escuridão da noite), para as actibidades rebolucionárias da FLC. Nunca ninguém descobrirá a gente lá dentro nem que a REFER mande canzoada a chirar os nossos coiratos… quando muito a canzoada encontrará uma reformada desostinada a apalpar as paredes dentro do túnel (reformada essa colocada pela FLC como isco de diversão prá bixeza). Se quiserim cuntactar o departemento da resistência pela intiga passaige de níbel, escrebam prá morada:
FLC, Resistência Caramela
Elebador SUL da REFER
2955 Pinhal Nobo
Se quiserim cunctactar o Comando Giral escrebam:
FLC, Comando Giral
Elebador NORTE da REFER
2955 Pinhal Nobo
Pergunta de Inaiço Sabão, condutor do tractor-cisterna dos resíduos rurais.
Ora muito boa tarde ou boa noite ou lá o quê. Eu cá que sou da Frente de Libertação Caramela desde que naxi e estaba na cumbersa cum uns gaijes ali dos Barris (palmelões) quando me disseram que a FLC estaba morta. Estaba morta??!!! Mau!! Tive logo pra dar ós gaijes uma punhada caté se espojavam logo ali ribanceira abaixo. Mas eu, caté nim sou de andar por ai à punhada, apostei logo a nha canita im como bocemecês nunca morrim. Por isso escrebi a bocemecês se é ou não é berdades que estão bibos e sadios e mostrar ós gaijes como é que é. Hã? Tão ou na tão bibos?
Tamos.
Ora ainda bem que nos escrebeu porque é berdade que temos andado fugidos im parte incerta mas agora boltámos cum muito orgulho na peitaça e diga lá a esses gaijes que a FLC nunca morre nim nada. Como instituição clandestina que samos (e samos cum muito gosto), tibemos que mudar de instalações porque fomos chirados pela canzoada das forças reaccionáiras de índole globalizadora. Como toda a gente já sabe, o nosso quartel estaba agachado debaixo do Coreto do jardim, (instalações utilizadas também por outras forças de natureza agachada ou deitada). Neste tempo todo, tibemos à precura de nobas instalações mais seguras e ainda mais clandestinas. Precurámos tudo, corremos todo o territóiro caramelo de lés a lés (do café “Anda cá mais eu” à mercearia dos Marçalos; da Tasca do Xico às bombas de gasolina da Marateca) e afinal estaba logo ali ao lado do Coreto: dentro dos elebadores da REFER.
Agora estamos mesmo dentro dos elebadores da REFER pois são as instalações mais seguras e mais clandestinas (metidas na escuridão da noite), para as actibidades rebolucionárias da FLC. Nunca ninguém descobrirá a gente lá dentro nem que a REFER mande canzoada a chirar os nossos coiratos… quando muito a canzoada encontrará uma reformada desostinada a apalpar as paredes dentro do túnel (reformada essa colocada pela FLC como isco de diversão prá bixeza). Se quiserim cuntactar o departemento da resistência pela intiga passaige de níbel, escrebam prá morada:
FLC, Resistência Caramela
Elebador SUL da REFER
2955 Pinhal Nobo
Se quiserim cunctactar o Comando Giral escrebam:
FLC, Comando Giral
Elebador NORTE da REFER
2955 Pinhal Nobo
Resposta da Comissão Instaladora da Frente de Libertação Caramela nos Elevadores, liderada pelo Zémanel Ascensorista (15 anos de prática no elevador dos Mochos).
22.10.06
Classificados Caramelos
Aqui poderá comprar, vender, trocar e anunciar produtos caramelos.
Edição especial de produtos de casa de banho
A FLC não exerce nenhum tipo de censura ou correcção sobre os anúncios que nos são enviados, deixando-os como foram escritos.
Vendo urinol da antiga retrete da estação de comboios de Pinhal Nobo
Muito bom estado, apesar do uso.
Contactar: Manel Jquim Parbo
9198432134
Procuro pedreiro que saiba construir retretes à antiga portuguesa, com gagatóiro de cócoras e tudo, como mandava a lei
Contacto: Maria Antígona Pitrolera (Palhota)
Parguntem por mim na marcearia do Ti Lampreia.
Vendo manual antigo, “Como apanhar arganaças e bicheza da pior espécie, que entrem pelo cano da ratrete”.
Muito útil, se a bicheza atacar pela retrete.
Contactar: Alampina Escangalgada (Lau)
Parguntem por mim ò home do carro de praça ou a alguém pela Escangalgada, toda a gente me conhece por ali.
Vendo vinho caramelo da marca “zurrapa”, bom para desentupir canos da casa de banho ou buer à refeição (é melhor acompanhar com algum conduto).
Contactar: Jquim Balente Albuzio (Palhota)
2123456789
Troco cortina de banho cumprada na Loja do Toino Brinca em 1985 (em bom estado) por candeeiro a pitróil, daqueles que se pindurabam na parede perto do cagatóiro.
Contactar: Ti Balbina Acocorada (nim ei praciso dzer mai nada).
Bendo colecção intiga e baliosa de penicos, cumprados no marcado da capital. Todos já usados, um ou dois tem ainda marca do produto lá depositado, mas com um pouco de esforço e balintia deve de sair bem. Bom preço.
Contactar: Ti Manel Calafate (Arraiados)
Bendo livro muito raro do Toino das Ideias Parbas:”A retrete é o mê escritóire, dixim-me estar à buntade”, escrito em 1990, no tempo da sua fase existêncialistó-caramela”.
Contactar: Casemiro do Aço (Vale da Vila)
Se tiberem intrassados bão à escola primária do Bale da Bila e parguntem pelo professor Casimiro.
Bendo conjunto completo de sulfatar, com oferta de parfumes caseros feitos à base de laranja e obos de pata, especialmente cuncebidos para quim more (ou tenha a retrete), perto da bala da salgueirinha.
Edição especial de produtos de casa de banho
A FLC não exerce nenhum tipo de censura ou correcção sobre os anúncios que nos são enviados, deixando-os como foram escritos.
Vendo urinol da antiga retrete da estação de comboios de Pinhal Nobo
Muito bom estado, apesar do uso.
Contactar: Manel Jquim Parbo
9198432134
Procuro pedreiro que saiba construir retretes à antiga portuguesa, com gagatóiro de cócoras e tudo, como mandava a lei
Contacto: Maria Antígona Pitrolera (Palhota)
Parguntem por mim na marcearia do Ti Lampreia.
Vendo manual antigo, “Como apanhar arganaças e bicheza da pior espécie, que entrem pelo cano da ratrete”.
Muito útil, se a bicheza atacar pela retrete.
Contactar: Alampina Escangalgada (Lau)
Parguntem por mim ò home do carro de praça ou a alguém pela Escangalgada, toda a gente me conhece por ali.
Vendo vinho caramelo da marca “zurrapa”, bom para desentupir canos da casa de banho ou buer à refeição (é melhor acompanhar com algum conduto).
Contactar: Jquim Balente Albuzio (Palhota)
2123456789
Troco cortina de banho cumprada na Loja do Toino Brinca em 1985 (em bom estado) por candeeiro a pitróil, daqueles que se pindurabam na parede perto do cagatóiro.
Contactar: Ti Balbina Acocorada (nim ei praciso dzer mai nada).
Bendo colecção intiga e baliosa de penicos, cumprados no marcado da capital. Todos já usados, um ou dois tem ainda marca do produto lá depositado, mas com um pouco de esforço e balintia deve de sair bem. Bom preço.
Contactar: Ti Manel Calafate (Arraiados)
Bendo livro muito raro do Toino das Ideias Parbas:”A retrete é o mê escritóire, dixim-me estar à buntade”, escrito em 1990, no tempo da sua fase existêncialistó-caramela”.
Contactar: Casemiro do Aço (Vale da Vila)
Se tiberem intrassados bão à escola primária do Bale da Bila e parguntem pelo professor Casimiro.
Bendo conjunto completo de sulfatar, com oferta de parfumes caseros feitos à base de laranja e obos de pata, especialmente cuncebidos para quim more (ou tenha a retrete), perto da bala da salgueirinha.
Contactar: Manel Açambarca (Salgueirinha)
Moro na ultima casa, como quim bai do Pinhal Nobo, antes de chegar ó fim da bala da merda.
29.9.06
Momento histórico: comitiva da Caramelândia pode ser recebida pelo Papa no Vaticano
A viagem a Roma poderá ser agendada já para o próximo mês, tudo dependendo dos apoios conseguidos, do estado do tempo e do meio de transporte utilizado para a deslocação (fragnete de caixa aberta, carroça ou motorizadas).
A comitiva a enviar ao Vaticano está praticamente definida. No entanto por motivos de segurança, a lista não foi ainda tornada pública. Apesar disto, a FLC soube através de um dos seus colaboradores secretos que dois nomes de luxo estão dados como certos para serem os representantes oficiais desta comitiva: nada mais, nada menos do que Toino das Ideias Parvas, conceituado filósofo caramelo contemporâneo, e Ti Balbina Acocorada, poetisa popular e activista feminista, que de momento preferiram nada dizer sobre este assunto. Dois nomes maiores das letras e artes caramelas que com certeza levarão a lição bem estudada para o encontro com Sua Santidade. Esta viagem será organizada pela recém formada C.P.L..C. (Comunidade dos Povos de Língua Caramela) e terá como objectivo máximo dar a conhecer ao Papa a nossa língua e cultura ancestral. Os representantes da C.P.L..C. pretendem convencer sua Santidade da importância da língua caramela nos nossos dias, para que ele passe também a incluí-la nos seus discursos e comunicações ao mundo, enchendo-nos de orgulho e tornando cada vez mais conhecidos os nossos desejos de auto-determinação. Para isso, Toino das Ideias Parvas e Ti Balbina Acocorada tentarão ter uma audiência em privado com o Papa. Consigo deverão levar um enorme rol de prendas (talvez por isso a comitiva seja obrigada a ir de fragnete de caixa aberta com sofás acoplados e atrelado), pois diversas entidades e organizações caramelas como o Rancho Folclórico de Pinhal Novo, os Bardoada, a Junta de Freguesia, o Círio da Carregueira, o ATA, e a Associação Académica, entre outros, já manifestaram o seu desejo em aderir a esta grande iniciativa.
Esta visita por si só, com ou sem êxito, ficará com certeza na história da caramelândia e aumentará ainda mais o respeito e admiração por estas duas ilustres figuras da cultura local.
Boa sorte e boa viagem para Ti Balbina Acocorada, Toino das Ideias Parvas e restante comitiva.
A nação caramela cunfia im bócezes, repazes e reparigas balentes!
17.9.06
Caramelo passa a ser língua oficial nas escolas da Caramelândia
Como sempre, a FLC tem o privilégio de anunciar ao povo caramelo as medidas oficiais antes de estas o serem.
Assim, sabemos que o Ministério Caramelo da Educação pretende implementar já no corrente ano lectivo, a língua caramela como língua oficial de todas as escolas da caramelândia (a partir do primeiro ciclo).
De recordar que esta medida não é nova, pois já tinha sido tentada no ano lectivo anterior, não se tendo verificado grande aderência por parte dos professores. Em relação a esta medida, só o colégio O Gaiato Parbo (Lagameças) foi distinguido pela positiva, com a totalidade dos professores e funcionários a adoptarem o caramelo como a sua primeira língua e dominando-a de um modo tão perfeito, que por vezes é necessário um tradutor para que algum visitante não caramelo consiga perceber o que dizem.
O Ministério Caramelo da Educacão anunciou que este ano não vai tolerar desculpas ou falsas argumentações por parte dos professores e que esta medida é mesmo para cumprir, com o objectivo de ser realmente possível ouvir e falar caramelo puro nas nossas escolas.
A rede de escolas da capital caramela vai ser alvo de inspecções periódicas por parte de inspectores educacionais e as escolas que falharem este objectivo serão duramente penalizadas.
Ao dispor dos professores estarão vários programas e cursos através dos quais a sua aprendizagem do caramelo será mais rápida e fácil. De destacar os acordos do Ministério com verdadeiras universidades da língua caramela como o café da Sede da Lagoa da Palha, os bares do marcado de Pinhal Novo, o café Capuchinho e o café Lua Cheia Aparbalhada, nos quais os professores terão conta aberta, podendo passar longos momentos ao balcão, imbubadando-se de língua e cultura caramela. Para além disto, existirão também visitas guiadas à caramelândia profunda, em carrinhas de caixa aberta com sofás e meio-bidons acoplados. Serão também cedidas às escolas (4 por instituição numa primeira fase) motorizadas artilhadas para que os professores adquiram o hábito de se deslocarem nestes veículos tradicionais, existindo a possibilidade de em cada final de ano lectivo haver despiques de punho aberto e escape libre entre os professores que demonstrem maior mestria e perícia na arte da menarda.
A FLC sabe também que está ainda em fase de estudo a possibilidade de os toques de entrada e saída das salas de aula (actualmente feitos por campainhas), serem substituídos por foguetaige, faltando ainda o acordo com o Círio da Carregueira, verdadeiros mestres nesta arte caramela secular. Esta organização terá apenas de disponibilizar os seus elementos para dar formação adequada aos funcionários das escolas, tornando-os verdadeiros profissionais do lançamento do fogo rijo. No entanto, sabemos que da parte desta organização não haverá qualquer problema de cooperação, exigindo apenas alguns garrafões de tinto da região e uma balente almoçarada de cunbíbio nas escolas onde a formação for dada.
Como sempre, a FLC tem o privilégio de anunciar ao povo caramelo as medidas oficiais antes de estas o serem.
Assim, sabemos que o Ministério Caramelo da Educação pretende implementar já no corrente ano lectivo, a língua caramela como língua oficial de todas as escolas da caramelândia (a partir do primeiro ciclo).
De recordar que esta medida não é nova, pois já tinha sido tentada no ano lectivo anterior, não se tendo verificado grande aderência por parte dos professores. Em relação a esta medida, só o colégio O Gaiato Parbo (Lagameças) foi distinguido pela positiva, com a totalidade dos professores e funcionários a adoptarem o caramelo como a sua primeira língua e dominando-a de um modo tão perfeito, que por vezes é necessário um tradutor para que algum visitante não caramelo consiga perceber o que dizem.
O Ministério Caramelo da Educacão anunciou que este ano não vai tolerar desculpas ou falsas argumentações por parte dos professores e que esta medida é mesmo para cumprir, com o objectivo de ser realmente possível ouvir e falar caramelo puro nas nossas escolas.
A rede de escolas da capital caramela vai ser alvo de inspecções periódicas por parte de inspectores educacionais e as escolas que falharem este objectivo serão duramente penalizadas.
Ao dispor dos professores estarão vários programas e cursos através dos quais a sua aprendizagem do caramelo será mais rápida e fácil. De destacar os acordos do Ministério com verdadeiras universidades da língua caramela como o café da Sede da Lagoa da Palha, os bares do marcado de Pinhal Novo, o café Capuchinho e o café Lua Cheia Aparbalhada, nos quais os professores terão conta aberta, podendo passar longos momentos ao balcão, imbubadando-se de língua e cultura caramela. Para além disto, existirão também visitas guiadas à caramelândia profunda, em carrinhas de caixa aberta com sofás e meio-bidons acoplados. Serão também cedidas às escolas (4 por instituição numa primeira fase) motorizadas artilhadas para que os professores adquiram o hábito de se deslocarem nestes veículos tradicionais, existindo a possibilidade de em cada final de ano lectivo haver despiques de punho aberto e escape libre entre os professores que demonstrem maior mestria e perícia na arte da menarda.
A FLC sabe também que está ainda em fase de estudo a possibilidade de os toques de entrada e saída das salas de aula (actualmente feitos por campainhas), serem substituídos por foguetaige, faltando ainda o acordo com o Círio da Carregueira, verdadeiros mestres nesta arte caramela secular. Esta organização terá apenas de disponibilizar os seus elementos para dar formação adequada aos funcionários das escolas, tornando-os verdadeiros profissionais do lançamento do fogo rijo. No entanto, sabemos que da parte desta organização não haverá qualquer problema de cooperação, exigindo apenas alguns garrafões de tinto da região e uma balente almoçarada de cunbíbio nas escolas onde a formação for dada.
12.9.06
A nha menardinha
"Como mimscrebi no motoclube cá da caramelândia, e im cumbersas amais o Tohinaiço imbentei estes bérsos da nha cabeça. Espero que gostim.
A nha menarda
A nha menarda artilhada
Tem molas de competição
Salta por cima do cumbóio
Pró outro lado da estação.
À noite desalboriado
Bou ditado no selim
Bou de farol apagado
Bou do Lau ao Terrim.
Fiz uma nova pintura
Com uma risca amarela
Só me falta a pindura
Que bou buscar à Sela.
Tenho escape de rindimento
Pra açapar de madrugada
Bou de punho cerrado
Bou a fugir à guarda.
Menarda menardinha
Menarda meu amor
Tem o ronco dum trovão
e a força dum tractor
lebo a família e o cão
em cima do guiador
tem a força dum tractor
menarda menardinha
E um ninho de ratos
Na cabeça motor
Tem cadilhes pindurados
Na manete do trabão
Faço rotundas todo ditado
A arrojá-los pu chão
Aposto já cuntigo
Librete contra librete,
Bou de roda im péi
Do Lau a Alcochete.
(carta anónima trazida por um cão caramelo)
A nha menarda
A nha menarda artilhada
Tem molas de competição
Salta por cima do cumbóio
Pró outro lado da estação.
À noite desalboriado
Bou ditado no selim
Bou de farol apagado
Bou do Lau ao Terrim.
Fiz uma nova pintura
Com uma risca amarela
Só me falta a pindura
Que bou buscar à Sela.
Tenho escape de rindimento
Pra açapar de madrugada
Bou de punho cerrado
Bou a fugir à guarda.
Menarda menardinha
Menarda meu amor
Tem o ronco dum trovão
e a força dum tractor
lebo a família e o cão
em cima do guiador
tem a força dum tractor
menarda menardinha
E um ninho de ratos
Na cabeça motor
Tem cadilhes pindurados
Na manete do trabão
Faço rotundas todo ditado
A arrojá-los pu chão
Aposto já cuntigo
Librete contra librete,
Bou de roda im péi
Do Lau a Alcochete.
(carta anónima trazida por um cão caramelo)
5.9.06
Grandes entrevistas de verão
Espaço dedicado a entrebistas beraneantes com homes de elebada importância na grei caramela
A grande entrebista de berão bai para Fernado Excomungado Pitrólero, idade incerta, residente na bela localidade da Carregueira e candidato assumido à presidência da futura C.E.C. (Comunidade Económica Caramela).
A hora combinada para a entrevista não foi a melhor, a planície está quase deserta, três da tarde, o sol caramelo fustiga-nos o coirato atéi à intarmiada. Depois de pricuramos no café Lua Cheia Aparbalhada, não foi difícil encontrarmos o nosso homem. Manuel Pitrólero é de facto um home rijo, que impressiona pela determinação das suas ideías e porte quase aristocrático (de linhagem caramela).
Mal entramos no seu território (um antigo terreno baldio por ele ocupado no pós-25 de Abril) avistamo-lo: está no alpendre, confortavelmente instalado numa velha cadeira de palha, rodiado por dois cães de raça coelhera, que bastante brabios, não param de nos rosnar, eriçando o pelo e mordendo-se mutuamente. Nandinho do Pitróile (como gosta de ser chamado), tem os pés dentro de um alguidar com áuga e gelo, o qual serve simultaneamente de refrescador de mines e de uma metade de melancia, na qual ele acraba as unhas, esgrabatando as pevides que se misturam com a água fresca. As primeiras palabras que nos dirige não são cordiais:”tal tá a merda, atão já pinsaba que bócês na binham, bá lá ber, tenho mais que fazer!”. Percebemos depois que Pitrólero nos confundira com repórteres do Jornal do Pinhal Novo, e assim desfeito o equívoco, (sabendo que éramos da FLC), nos convidou imediatamente para entrar, oferecendo-nos melancia fresca e mines, “se são da FLC são amigos, car...”, disse. De seguida, num movimento elegante e igualmente selbaige, sacou da sua navalha, mergulhou-a no alguidar dos pés, levantando-a pouco depois. Na ponta trazia um belo pedaço de melancia, o qual nos ofereceu, ao mesmo tempo que abria duas mines com os dentes, “bebam repazes, cú calor tá aparbalhado, isto aquase parece que se bibe dentro de um meio bidon im brasa”.
N. Pitrólero tem uma longa história de trabalho e deambulações por todo o território caramelo, o qual conhece bem e no qual é também bem conhecido. Diz não só orgulhar-se dos muitos amigos que tem, mas também dos muitos inimigos que foi fazendo e que o ajudam a manter-se “sempre de pêlo eriçado como os mês canitos e de crista im péi comó galo cobridor”. Em gaiato, após o avô “ter aparecido im casa com um zingarelho que daba luz”, decidiu começar a vender pitromaxs de porta em porta, o que lhe permitiu comprar a sua primeira bicicleta a motor “ainda me alembra, fui à capital, ó Sousa das Bcicletes e paguei im denhero. Intrei na loja e disse: benho a péi mas quero sair daqui a cabalo im qualquer coisa que ande à parba”.
Pouco depois, fez parte do grupo de pioneiros caramelos que acreditaram na exploração do petróleo na região do Lau e consegui com isso amealhar uma pequena fortuna. Quando este tema de cunbersa surge, os seus olhos brilham, e entre mais uma nabalhada de melancia do alguidar e um gole de mine, diz:”ali habia pitróile bardadero, quim acraditou nisso, incuntrou o óile que faz os homes parbos. No ínicio para cunseguirmos extraí-lo tinha de ser à pá e ódepois chupá-lo por uma manguera...ingoli muitos litros de pitróile, atéi o mê mijo era balioso.. Aquase todos os meios bidons que hoje andam por aí, fui eu que os bindi, chiínhois atei ó cagulo de pitróile caramelo”. É este o home que quer ser presidente da futura Comunidade Económica Caramela, um sonho que acalenta desde gaiato, porque na sua opinião a caramelândia deve-se unir para que “ nã facam do home caramelo brabio um bicho im istincão para ser mostrado im desfiles e também para que a gente nã se ingalfinhe todos à bardoada e ó tiro uns cús otros, esquecendo-se que somos um só pobo, selbaige e rijo”. Entretanto as primeiras estrelas começam já a aparecer no céu da Carreguera e Nandinho Pitrólero tem os pés frios. Em silêncio, absorvido pela serenidade do horizonte, limpa os pés nos cães e enrola um cigarrito. Absorto, contempla agora o mundo. Queríamos ainda fazer-lhe algumas perguntas sobre a futura C.E.C., mas ele diz-nos calmamente: “repazes, se eu fosse a bócês punha os chispes daqui par fora. Bai comecar o nosso dibertimento nocturno, uma sassão da tiro”. Vêmo-lo pegar na caçadera, colocar o cigarrito ó canto da boca e apuntar para a casa do vizinho. Não tardam em chegar as primeiras rajadas de tiros, provavelmente provenientes de uma outra casa mais distante, que se acrabam na chaparia da marquise. Aproveitamos a sugestão, rastejamos até ao portão e vamos de menarda pela noite fora, cuntentes por termos conseguido mais esta entrebista com um home importante da caramelândia. Ao longe ainda se ouvem tiros...
Espaço dedicado a entrebistas beraneantes com homes de elebada importância na grei caramela
A grande entrebista de berão bai para Fernado Excomungado Pitrólero, idade incerta, residente na bela localidade da Carregueira e candidato assumido à presidência da futura C.E.C. (Comunidade Económica Caramela).
A hora combinada para a entrevista não foi a melhor, a planície está quase deserta, três da tarde, o sol caramelo fustiga-nos o coirato atéi à intarmiada. Depois de pricuramos no café Lua Cheia Aparbalhada, não foi difícil encontrarmos o nosso homem. Manuel Pitrólero é de facto um home rijo, que impressiona pela determinação das suas ideías e porte quase aristocrático (de linhagem caramela).
Mal entramos no seu território (um antigo terreno baldio por ele ocupado no pós-25 de Abril) avistamo-lo: está no alpendre, confortavelmente instalado numa velha cadeira de palha, rodiado por dois cães de raça coelhera, que bastante brabios, não param de nos rosnar, eriçando o pelo e mordendo-se mutuamente. Nandinho do Pitróile (como gosta de ser chamado), tem os pés dentro de um alguidar com áuga e gelo, o qual serve simultaneamente de refrescador de mines e de uma metade de melancia, na qual ele acraba as unhas, esgrabatando as pevides que se misturam com a água fresca. As primeiras palabras que nos dirige não são cordiais:”tal tá a merda, atão já pinsaba que bócês na binham, bá lá ber, tenho mais que fazer!”. Percebemos depois que Pitrólero nos confundira com repórteres do Jornal do Pinhal Novo, e assim desfeito o equívoco, (sabendo que éramos da FLC), nos convidou imediatamente para entrar, oferecendo-nos melancia fresca e mines, “se são da FLC são amigos, car...”, disse. De seguida, num movimento elegante e igualmente selbaige, sacou da sua navalha, mergulhou-a no alguidar dos pés, levantando-a pouco depois. Na ponta trazia um belo pedaço de melancia, o qual nos ofereceu, ao mesmo tempo que abria duas mines com os dentes, “bebam repazes, cú calor tá aparbalhado, isto aquase parece que se bibe dentro de um meio bidon im brasa”.
N. Pitrólero tem uma longa história de trabalho e deambulações por todo o território caramelo, o qual conhece bem e no qual é também bem conhecido. Diz não só orgulhar-se dos muitos amigos que tem, mas também dos muitos inimigos que foi fazendo e que o ajudam a manter-se “sempre de pêlo eriçado como os mês canitos e de crista im péi comó galo cobridor”. Em gaiato, após o avô “ter aparecido im casa com um zingarelho que daba luz”, decidiu começar a vender pitromaxs de porta em porta, o que lhe permitiu comprar a sua primeira bicicleta a motor “ainda me alembra, fui à capital, ó Sousa das Bcicletes e paguei im denhero. Intrei na loja e disse: benho a péi mas quero sair daqui a cabalo im qualquer coisa que ande à parba”.
Pouco depois, fez parte do grupo de pioneiros caramelos que acreditaram na exploração do petróleo na região do Lau e consegui com isso amealhar uma pequena fortuna. Quando este tema de cunbersa surge, os seus olhos brilham, e entre mais uma nabalhada de melancia do alguidar e um gole de mine, diz:”ali habia pitróile bardadero, quim acraditou nisso, incuntrou o óile que faz os homes parbos. No ínicio para cunseguirmos extraí-lo tinha de ser à pá e ódepois chupá-lo por uma manguera...ingoli muitos litros de pitróile, atéi o mê mijo era balioso.. Aquase todos os meios bidons que hoje andam por aí, fui eu que os bindi, chiínhois atei ó cagulo de pitróile caramelo”. É este o home que quer ser presidente da futura Comunidade Económica Caramela, um sonho que acalenta desde gaiato, porque na sua opinião a caramelândia deve-se unir para que “ nã facam do home caramelo brabio um bicho im istincão para ser mostrado im desfiles e também para que a gente nã se ingalfinhe todos à bardoada e ó tiro uns cús otros, esquecendo-se que somos um só pobo, selbaige e rijo”. Entretanto as primeiras estrelas começam já a aparecer no céu da Carreguera e Nandinho Pitrólero tem os pés frios. Em silêncio, absorvido pela serenidade do horizonte, limpa os pés nos cães e enrola um cigarrito. Absorto, contempla agora o mundo. Queríamos ainda fazer-lhe algumas perguntas sobre a futura C.E.C., mas ele diz-nos calmamente: “repazes, se eu fosse a bócês punha os chispes daqui par fora. Bai comecar o nosso dibertimento nocturno, uma sassão da tiro”. Vêmo-lo pegar na caçadera, colocar o cigarrito ó canto da boca e apuntar para a casa do vizinho. Não tardam em chegar as primeiras rajadas de tiros, provavelmente provenientes de uma outra casa mais distante, que se acrabam na chaparia da marquise. Aproveitamos a sugestão, rastejamos até ao portão e vamos de menarda pela noite fora, cuntentes por termos conseguido mais esta entrebista com um home importante da caramelândia. Ao longe ainda se ouvem tiros...
14.8.06
Cantinho da nossa culinária
Nova rubrica da FLC destinada à mulher caramela, com dicas, sugestões e indicações sobre receitas culinárias tradicionais da nossa região, de Valdera às Lagameças, da Palhota ao Lau, de Vale da Vila à Lagoa da Palha e Pinhal Novo.
As leitoras poderão enviar-nos as suas receitas, opiniões ou simplesmente partilhar connosco o gosto pela nossa cozinha tradicional.
Espaço com a assinatura da Ti Grunhilda (antiga cozinheira do Café Satélite, especialista em túbaros de porco caramelo-mirandês).
"Queridas amigas! É cum muito gosto que início aqui esta noba rubrica. Os homes da FLC cunbidaram-me e eu acitei, pois acho que o lugar da mulher debe de ser na cozinha a fazer comida para o seu home e qualquer mulher caramela debe de ser balente a cozinhar e sou contra essas modernices de comida pronta e nã sei quei, que essas gaiatas de hoije im dia gostam de fazer. Um dia quis experimintar a ber se o mê home, o Jquim Impanturrado, gostaba e chamei um carro de praça pa ir à capital à cunpratiba (aprobeitei pois também já aquaise nã tinha sacos de plástico) e cumprei uma daquelas sopas quéi só botar áuga. Depois, boltei par casa e fiz a sopa e lebei ó home, que já taba com a galga e só fica satesfeito quando tá impanturrado, atei lhe botaram a alcunha, cú bardadero nome dele ei Joaquim Augadiço, mas lebei atão a sopa ó home e ele mal pôs a colher na boca, nã debe de ter gostado do sabor e com as duas mãos tombou a mesa de uma só bez, rebirando as gamelas e o tacho da sopa, foi tudo borda fora. Depois ainda puxou do cinto de pele de porco e deu-me um tareão balente. No final disse-me que nã queria dessas pandlerices de comida im casa, que temos porcos e horta e bicheza cum fartura pa fazer comida rija, para ele se impanturrar e arrotar no final (ei quando eu sei que ele se sente bem impanturrado).
Por isso tão a ber, na nha casa só entram produtos caseros da caramelândia, espero que bócês façam o mesmo, se nã sóberim onde cumprar bão à raforma agráira".
Atão aqui bai a receita de pudim casero caramelo, que nos foi inbiada pela Belarmina Inxaugada, da Lagoa da Palha:
Pudim casero caramelo
Ingredientes
2 dúzias de obos de galinhas caramelas
2 orelhas de porco (de preferência caramelo mirandês)
2 kilos de açucre
1 panela velha
1 gamela (pode ser o alguidar da roupa)
1 beteneira pequena
1 balde
1 escopo
1 frigorífico
Modo de preparação
Labe as orelhas de porco e lebe-as ó lume atei farberem. Odepois tire-as par fora e dê-as ó canito e guarde a gurdura quélas ditaram dentro dum balde e deixe o balde ó sol atei a gordura inrejar e secar.
Atire depois os óbos cum força par dentro da betonera e ponha-a a trabalhar, dixando misturar as gemas com as claras. Depois atire com o pacote de açucar lá par dentro tamém e repita o mesmo processo. Lembre-se que o açucar ei branco, por isso se incuntrar graínhas amarelas debem ser de restos de areia da batenera, mas nã se preocupe cum isso (ódepois nim se nota, os alarbes traçam tudo).
Quando tudo tiber bem mexido, baze o cunteúdo da batenera par dentro da panela e deixe ir ó lume atei cozer tudo bem. Ódepois, intorne tudo para dentro do alguidar e bá buscar o balde com a gordura das orelhas de porco. Com a ajuda do escopo, retire a gordura e coloque-a por cima do preparado do pudim. Bai depois ó fricorifico pa gelar 1 hora e fica bom.
Bom apetite e atéi prá semana!
Nova rubrica da FLC destinada à mulher caramela, com dicas, sugestões e indicações sobre receitas culinárias tradicionais da nossa região, de Valdera às Lagameças, da Palhota ao Lau, de Vale da Vila à Lagoa da Palha e Pinhal Novo.
As leitoras poderão enviar-nos as suas receitas, opiniões ou simplesmente partilhar connosco o gosto pela nossa cozinha tradicional.
Espaço com a assinatura da Ti Grunhilda (antiga cozinheira do Café Satélite, especialista em túbaros de porco caramelo-mirandês).
"Queridas amigas! É cum muito gosto que início aqui esta noba rubrica. Os homes da FLC cunbidaram-me e eu acitei, pois acho que o lugar da mulher debe de ser na cozinha a fazer comida para o seu home e qualquer mulher caramela debe de ser balente a cozinhar e sou contra essas modernices de comida pronta e nã sei quei, que essas gaiatas de hoije im dia gostam de fazer. Um dia quis experimintar a ber se o mê home, o Jquim Impanturrado, gostaba e chamei um carro de praça pa ir à capital à cunpratiba (aprobeitei pois também já aquaise nã tinha sacos de plástico) e cumprei uma daquelas sopas quéi só botar áuga. Depois, boltei par casa e fiz a sopa e lebei ó home, que já taba com a galga e só fica satesfeito quando tá impanturrado, atei lhe botaram a alcunha, cú bardadero nome dele ei Joaquim Augadiço, mas lebei atão a sopa ó home e ele mal pôs a colher na boca, nã debe de ter gostado do sabor e com as duas mãos tombou a mesa de uma só bez, rebirando as gamelas e o tacho da sopa, foi tudo borda fora. Depois ainda puxou do cinto de pele de porco e deu-me um tareão balente. No final disse-me que nã queria dessas pandlerices de comida im casa, que temos porcos e horta e bicheza cum fartura pa fazer comida rija, para ele se impanturrar e arrotar no final (ei quando eu sei que ele se sente bem impanturrado).
Por isso tão a ber, na nha casa só entram produtos caseros da caramelândia, espero que bócês façam o mesmo, se nã sóberim onde cumprar bão à raforma agráira".
Atão aqui bai a receita de pudim casero caramelo, que nos foi inbiada pela Belarmina Inxaugada, da Lagoa da Palha:
Pudim casero caramelo
Ingredientes
2 dúzias de obos de galinhas caramelas
2 orelhas de porco (de preferência caramelo mirandês)
2 kilos de açucre
1 panela velha
1 gamela (pode ser o alguidar da roupa)
1 beteneira pequena
1 balde
1 escopo
1 frigorífico
Modo de preparação
Labe as orelhas de porco e lebe-as ó lume atei farberem. Odepois tire-as par fora e dê-as ó canito e guarde a gurdura quélas ditaram dentro dum balde e deixe o balde ó sol atei a gordura inrejar e secar.
Atire depois os óbos cum força par dentro da betonera e ponha-a a trabalhar, dixando misturar as gemas com as claras. Depois atire com o pacote de açucar lá par dentro tamém e repita o mesmo processo. Lembre-se que o açucar ei branco, por isso se incuntrar graínhas amarelas debem ser de restos de areia da batenera, mas nã se preocupe cum isso (ódepois nim se nota, os alarbes traçam tudo).
Quando tudo tiber bem mexido, baze o cunteúdo da batenera par dentro da panela e deixe ir ó lume atei cozer tudo bem. Ódepois, intorne tudo para dentro do alguidar e bá buscar o balde com a gordura das orelhas de porco. Com a ajuda do escopo, retire a gordura e coloque-a por cima do preparado do pudim. Bai depois ó fricorifico pa gelar 1 hora e fica bom.
Bom apetite e atéi prá semana!
4.8.06
Consultóiro do dia-a-dia
Se tiberes ãinças ou bicho-carpinteiro, escrebe práqui que a FLC dá-te a mesinha. Tamém podes fazer as tuas précuras que temos um rancho de caramelos especializados que te darão as respostas certas.
Exmos. Srs. da Frente de Libertação Caramela, escrevo esta carta porque tenho andado com um grande problema e espero que o consigam resolver. Vivo na Cascalheira e sou caramelo há cerca de um ano porque o ano passado aderi ao “Kit – Novo Caramelo” (fornecido por V/ Exas) e tenho sempre praticado com toda a família os costumes da nossa terra com muita dedicação. Posso dizer que até já tenho uma flober para acertar nas molas da roupa da vizinhança e até já comi uma maçã riscadinha escondido nuns arbustos em Valdera. Já sei ler a nossa língua e estou a dar os primeiros passos na escrita. O problema é que não consigo falar o caramelo! Ainda a semana passada estive no Rancho Folclórico da Venda do Alcaide e senti uma certa vergonha por não saber falar como o resto da malta. O que devo fazer para poder falar o caramelo correcto?
Ó meu rapaz, bocemecê beio ao sítio certo na hora certa, pois a FLC acabou de preparar um curso de Berão sobre a oralidade e vernáculo caramelo moderno. Basta inscreber-se aqui. O curso serbe pra resolber os problemas da fala e vai ter as seguintes disciplinas:
Teorias da oralidade caramela (TOC)
Nesta disciplina são dadas noções sobre as cumbersas dentro da binha e algum bocabulário perdido. São dadas tamém as diferenças de linguaige nas dibersas regiões da Caramelândia e visionamento da telenobela “Cuiratos cum açorda” como estudo da riqueza línguística. No final, cada participante contará uma históira da sua cabeça em caramelo arcaico.
Terapia da fala
Aqui põe-se em prática a árdua tarefa de articular palabras enquanto se está a comer coirato; a posição da língua e o tom certo da bóz. Nas variantes da fala, as caramelas aprendim a falar em falsete, e os caramelos aprendim a falar enquanto emborcam uma mine. Para os mais interessados, a nossa terapeuta bai insinar tamém a falar com salpicos de cuspo (com placa e sem placa) como forma de comunicação a meia distância. Esta disciplina termina com uma dramatização na sede do Rancho Folclórico das Lagameças.
Debate-garreia
É uma disciplina nuclear onde se aprende a falar caramelo brabio em público. Terá exercícios de dicção correcta e leituras em bóz alta com um palito na boca; demonstrações de dibersos tipos de debate-garreia tais como a garreia a andar em cima da Famel sem cair, a garreia na coletbidade e a garreia na reforma-agrária. No final, será feito um exame na sede do Grupo Desportivo da Lagoa da Palha, numa noite de bálho. Este exame faz parte do trabalho final “A berdade está na bóz” proporcionando uma marabilhosa biaige aos rituais da razão fundada na oralidade. Os finalistas têm de se integrar no imbiente onde, previamente, estão todos a falar ao mesmo tempo. A partir daí é preciso percebê-los e fazer baler a sua ideia, atrabéz dum debate-garreia contínuo, a comer coirato e a beber mines. Se o finalista cunseguir cunbincer dois caramelos, passará com distinção.
Resposta de Manel Encontrado (assim conhecido porque foi encontrado dentro dum cesto, junto a um ninho de vespas).
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