23.12.08

O Palito Natalício

Como no dia 22 de Abril de 2008 tinha sido prometida uma entrebista dum home que usa, no seu dia-a-dia, um palito na boca, agora é que bamos apresentar ela.
Esta demora debeu-se à agenda totalmente preenchida desse tal home que só agora pôde falar com a gente.


Quem é o Ti Pau-de-cuspo?

Ti Casimiro Pau-de-cuspo, ou simplesmente Ti Pau-de-cuspo, é assim conhecido por usar um palito na boca ao longo do dia. Toda a bida o usou, e é hoije um dos últimos caramelos a usá-lo permanentemente na beiça, tal como já usaba o seu pai, o seu abô e todos os caramelos primitivos. O seu apego a este objecto é tal que, até na fotografia do BI ostenta um grandioso palito ao canto da boca.
Pau-de-cuspo, dono da taberna “Ó bebes ó Pápazias”, é um dos últimos redutos vivos dos hábitos palitícios da nossa cultura. Por isso a NASA, a convite da FLC, veio cá a Vale da Vila, com potentes câmaras de análise balística, para filmar os rapidíssimos movimentos do palito na boca deste home brabio.
As filmaiges (já com vários prémios ganhos), mostram até à mínima porosidade as gengibes só com um dente amarelo, assim como todo o detalhe dos movimentos do pauzinho a percorrer lés a lés a cavidade bocal. Um dos momentos mais empolgantes desta reportaige é quando, em dois longos minutos de filme em câmara-lenta, se pode ver o palito a soltar-se do canto esquerdo da beiça, a percorrer a gengibe em pirueta, fintando o dente, até desaparecer debaixo da língua. Ópois vê-se logo ele a surgir no outro lado do dente, a continuar a caminhada na ponta da língua até tocar no canto oposto da boca e logo de seguida fazer três fintas aos salpicos e regressar ao ponto de partida, virado ao contrário. Tudo isto enquanto o home dá uma gargalhada.
Sobre esta famosa cena, Manoel do Olho Estupefacto (um realizador da Carregueira com mais de cem anos) referiu que “o palito, em plena coreografia nos interstícios da paisagem bocal, revela uma leveza, uma graciosidade única, marcando o estágio mais evoluído desta expressão.”
Deribado à importância do Ti Pau-de-cuspo nesta tradição caramela, a FLC resolbeu intão fazer uma grande entrebista que bai ser espatada aqui já nos próximos dias como prenda de Natal e para que nesta quadra todos voltem a usar na beiça um palito natalício como forma reaccionária às forças opressivas da nossa cultura.

Por isso:

Em prol da cultura caramela,
na noite da consoada rói um palito natalício
e cospe ele só no dia 26 ao meio dia.

18.12.08

O Obama éi caramelo?!!

(parte 2, continuação)

Atão prestem bem atenção: um historiador caramelo, na sua mania de fazer pricuras e vasculhar a história caramela atei ao fundo da gamela, encontrou nuns tachos mais velhos do que a estação antiga da capital, uns papeis que o intrigaram atei ao coirato do pensamento. Esta papelada estava numa tacharia que tinha sido esquecida num armário na sede do Rancho Folclórico da Lagoa da Palha. O home-historiador, olhou, ficou parbo-calado, estudou estes papéis e sem ter ainda çartezas absolutas, abançou com uma teoria rebólucionária e beio apresentar a mesma à FLC.
Ora atão, o que a gente vai fazer agora, éi apresentá-la a bócês, porque bócês são a gente e a gente somos bócês e todos juntos, somos o grandioso pobo caramelo a caminho da libertação.

A teoria éi atão esta: leiam com óculos de ber ó perto e ódepois, digam qualquer coisa, (antes de se ingalfanharem todos à punhada, por causa da discórdia): Os tais papeis encontrados podem ter pertencido a Evangelisto Eucaristia, conhecido por ter sido o primeiro caramelo a ir a África. O nosso historiador (ao péi da gente no esconderijo actual da FLC, ó quintinho do pitromax) disse: “o Ebangelisto era um evangelizador e tinha um sonho, espalhar a cultura caramela por todo o lado. Um dia, em gaiato, biu um mapa mundo trazido por um caixeiro-viajante. Fascinado, fechou os olhos, apontou ao calhas e decidiu começar pelo local que a unha grande do seu dedo indicador apontava: África!. Ora, pelos meus cálculos, isto debe de ter sido mais ou menos por bolta dos anos 90 do século XIX, indo o nosso Ebangelisto bárias bezes a África, alargando o conceito daquilo que eu chamo de caramelo de ir e bir, porque na bardade, ele binha da zona de Aveiro, passava pela Caramelândia para aproveitar a bindima em Rio Frio e a apanha do figo caramelo no Lau e sei que às bezes atei ia às Romãs à Atalaia. Mas nã se dixaba ficar por cá, mal acabava o trabalho, no fim do berão, seguia biaige pa África, sempre im frente, guido pelo sol e pelas estrelas (e pelo mapa do caixeiro biajante) e quando regressava, binha pelo mesmo caminho, sempre a direito, mas ao contrário, sempre a galagar tarreno brabio e a ebangelizar os homes e a bicheza que encontaba nos aceros e baldios da sua peregrinação ebangelizadora”.


Bão agora fazer o que têm a fazer, que ódepois cuntinuamos daqui.

5.12.08

Agenda Cultural da Caramelândia

Semana de 8 a 14 de Dezembro

Arraiados

Dia 9 às 21h00

24h de Arraiados sempre em linha recta e a corta-mato

1ª edição da corrida de menardas e bicicletas a motor de fabrico exclusivamente caramelo.
Prevê-se despiques épicos entre os pilotos caramelos, ao serviço das várias garaiges oficiais e clandestinas que já quiseram marcar a sua presença, do Lau à Palhota, dos Arraiados às Lagameças. Nesta primeira edição, estão já inscritos 40 participantes, que prometem lutar pelo pódio. Segundo a organização deste grandioso evento: “a gente nã quer copiar ninguém. Quando falámos disto lá na sede, houve logo uma sessão de punhada, pois disseram que aquilo já existia lá im França. Atão dissemos: aí éi? Atão bejam lá se assim tamém existe! (andámos à punhada e ódepois tibemos a ideia de ser 24h mas sempre im frente, atei onde der).
Ei assim: Cada piloto parte birado pa onde quiser, e ódepois ganha o ultimo a cunseguir manter a menarda im andamento, sem se desbiar de nada, porque nã bale desbiarem-se, só têm éi de ir sempre im frente, de punho aberto”).
A entrada é livre, mas têm de consumir na sede dos Arraiados (pelo menos duas mines e uma intarmiada).


Sociedade Recreativa e Cultural da Lagoa do Calvo

Dia 13 às 16 horas

Bailado "O Traça-Coiratos"

Grandioso Bailado “O Traça-Coiratos” de Justino Embaladiço, interpretado pelo Rancho Folclórico de Pinhal Novo. O “Traça-Coiratos” é a primeira produção de Justino Embaladiço, antigo mecânico de automóveis no Lau e actualmente um dos mais proeminentes coreógrafos da nova vanguarda da dança folclórica caramela.
Este espectáculo conta com mais de 50 meios bidons em palco, e foram cumprados mais de 10 quilos de coirataige.
Entrebistado para a agenda cultural da caramelândia, Justino disse: “O Traça-Coiratos é baseado no Quebra-Nozes do Tchaikobske, que uma bez quando era gaiato bi por ingano na sede da Palhota, é ó depois nunca mais me esqueci. O quê fiz agora, foi só acrescentar fumo dos meios bidons e por um home a traçar coiratos, caquilo parece um pardido.”

Entrada Livre (é preciso nã chegar atrasado).



Em frente ao antigo Café Satélite
Dia 12 às 21h30

Um home que toca tudo

Espectáculo experimentaló-caramelo de Albano Imparbalhado, um bardadero home dos sete instrumentos, que se propõem dar um concerto a solo tocando ao mesmo tempo todos os instrumentos da banda da S.F.U.A (que já protestou e promete fazer um contra-concerto mesmo ao lado, mas mais perto dos Retornados).
Após contacto com a redação da Linha do Sul, ficámos a saber que “o ponto alto do espectáculo é o final, quando Albano imparbalhado, em estado de quase transe hipnótico a tocar mais de trinta instrumentos em simultâneo, ainda consegue lançar com os pés, três ó quatro foguetaiges pó ar, “o que dá um ar de apoteose-caótica a este espectáculo de cariz anarco-musical”, refere o crítico de música caramela deste jornal.

Entrada livre para sócios dos Círios da Atalaia e antigos frequentadores do Café Satélite.



18.11.08

O Prasidente da Améirica éi Caramelo !??
Bá lá ber atão. Já se sabia que a chuba é molhada, já se sabia que home que é poupador manda a mulher à Raforma Agráira, já se sabia que os ranchos folclóricos só fazem abios na loja do Toino Brinca, e já agora que os bardaderos sacos de plástico são os da cunpratiba. Tudo isto um home já sabia.
Também é bardade que já se sabia que o Álvaro Amaro éi o prasidente da Junta de Freguesia da capital da Caramelândia, e que o Obama éi o nobo prasidente da América, não do café, mas do país, aquele que fica no outro lado da grande vala, que éi o oceano atlântico. E também já se sabia que o home éi o primero afro-amaricano a pôr os chispes no soalho enbernizado da Casa Branca. Isto tudo são coisas que os homes sabim (atei os gaiatos), porque óbem dezer, no marcado, no café e na telebisão (mesmo quem nã tem, bê na sede e imborca mines inquanto bê, mas o qué certo é que bê).
Agora o que nã se sabia, nem bócês, nim ninguém, era que o home que bai esgrabatar com os chispes na Casa Branca, poderá ser, muito probabelmente, o primeiro descendente de caramelos (e por cunseguinte o primeiro caramelo na história) a ser eleito prasidente dos Estados Unidos da Améirica. Tão parbos, os da FLC, dirão bócês im coro. Nã nã tamos, dizemos nós. Tão parbos, tão, dizem bócês ótra bez (já aquiase prontos pa andar à punhada). Nã nã tamos, dizemos nós. Ateimam ca garreia?
Atão prestem bem atenção: (continua daqui ódepois).

5.11.08

TGV - Manif. dia 1

A propósito do TGV (em caramelo brabio: CBP “Cumboio de Belocidade Parba”), toda a nossa comunidade tem andado im fezes sobre o que pode e não pode acontecer. Deribado a essas fezes a FLC tomou a dianteira e formou a “Comissão de Futuros Utentes do Comboio de Belocidade Parba e Caramelos Expropriados” (C.D.F.U.D.C.B.P.E.C.E.) que tem em bista mais objectibos do que o próprio projecto do TGV em Portugal.
A assembleia, que inicialmente era para ser dentro do Apeadeiro da Jardia, ganhou uma adesão tal que teve que ser mudada para a Sela – Dancing Bar. E foi então neste espaço comercial, ao som do acordeão e castanholas, que saíram quatro casamentos, dois divórcios, 250 bifanas e as linhas orientadoras sobre o TGV no nosso território. Dessa assembleia ficou claro que sem os nossos objectibos, o TGV não serve para nada, “nim pra matar porcos porque àquela belocidade bruta, trezentos metros antes de serim atropelados já eles cheiram mal” disse Cezaltino Calcinado (um home sadio e de boas contas). Por isso, foi dito e escrito que esta grandiosa obra deve ser considerada como a Estrada dos Espanhóis do Sec XXI e dada a importância histórica desta via, é urgente instituir o primeiro TGV inter-rural do mundo, que liga as planícies de Andaluzia à Lagoa da Palha.
Para que isso aconteça é fundamental que seja já erguida uma estação na Lagoa da Palha, trazendo esta marabilhosa aldeia à ribalta ferrobiária que em tempos foi a mais importante a Sul do Tejo e agora ambiciona ser o mais importante centro ferrobiário de todo o hemisfério norte. Só com esta estação é possíbel trazer de volta a belha cantina com pão com manteiga, trazer os ciganos a binder pensos, assim como painéis de azulejos com galinhas poedeiras pintadas, e um canteiro com estevas e alecrim. Só com esta estação é possíbel atrair os espanhóis a birem cá ao marcado do Pinhal Nobo e comprar pintos, peúgas, cabras, colchões, cassetes, escadotes e sei lá mais o quê, reactivando as trocas comerciais entre estes dois povos.
Contudo, uma das polémicas que deu um debate-garreia-com-cadeirada-pus-cornos foi a localização exacta da estação. Os participantes desta assembleia ficaram a esgrimir todos uns cus outros porque uns querem ber a estação nas traseiras da Compratiba das Farinhas, outros querem-na à sombra, ao lado das piscinas do Parque de Campismo, e outros querem a estação na sede do Grupo Desportivo da Lagoa da Palha porque seria uma forma de dar utilidade a este espaço tão acarinhado pelos seus associados. Desta polémica não saiu luz, mas saíram dedos im péi e palabras de ordem de que bai haber uma manifestação-chulé, no dia 1 de Dezembro na recta do Rio Frio com uma faixa a dizer “Ou há estação na Lagoa da Palha, ou nã há TGV nim prós porcos”. A FLC apresenta a faixa “Todos pela Cultura Caramela, abaixo à embocadura de Palmela”.

30.10.08

A Boz do Pobo é De Quem a Diz

Programa da Rádio Antena Caramela que pretende dar bazão a quem quer falar mas ninguém oube.
A FLC não se responsabiliza pelas opiniões aqui publicadas, limitando-se a reproduzir no original o programa A Boz do Pobo, que foi para o ar na passada sexta-feira, na Rádio Antena Caramela.
Este programa teve como cunvidado António Balburdino, conhecido entre as suas gentes por Toino da Beiça Larga.

Ora atão, bou cuntar a bócemecês a nha rebolta. Sou o Ti Toino da Beiça Larga, uns conhecim-me otros não, pa uns sou um bom home, pa otros sô mais parbo que uma porca a parir no mês da uba. Mas bamos lá atão, bou falar, quim quiser óbir oube. Ora atão cá bai: bim no outro dia à capital caramela, já nã tinha sacos de plástico nim comida pós porcos, pus-me a cabalo na nha motorizada e cá bai o Ti Toino direito ó Pinhal Nobo à cunpratiba. Quando cheguei ò jardim, apesar da nha idade já ser intiga (tenho 84 anos), fiz a recta da estação sempre de punho largo e a desbiar-me de razia dos carros que binham de frente, como fazia-mos dantes pás gaiatas berem a nossa balintia. Mas bamos lá atão ó que intaressa: Estacionei a motorizada im frente ós correios e quando olhei pá cunpratiba, só bi linhas e fios no ar, nada de passaige pó outro lado.
Fui ó correio e fiz uma pricura, os homes de lá disseram-me que tinha de ir pelo túnel e ó depois ia lá ter atão. Assim fiz, aquilo paracia um buraco cas arganaças fazim quamdo querem ir às capoeras mas maior, e atei óbi o cabalo de ferro a passar lai m cima, atei parecia que taba a dar coices! Quando chaguei lá acima ia darriado dos prasuntos, mas como sou um home rijo, apraguei-me par dentro da cunpratiba e cumprei o que tinha a cumprar e aprobeitei pa meter sacaige cum fartura nos bolsos.
Binha carregado e tinha de descer outra bez às produndezas e ódepois subir escadaria a cagulo, atei me fez alimbrar quando era gaiato e fomos bisitar a torre da estação com a professora Natalina Pançuda (Bisavó do Belarmino Pançudo) e até tibemos de lebar a mulher im braços atei lá acima.
Mas bamos atão ao que intaressa: fiquei reboltado e gritei im boz alta: “Mas ca merda éi esta?, atão isto éi quei a capital?, bá lá que inda sou um home rijo, mas atão se por acaso a nha bizinha, a Juila Desimbaraçada, aqui tem de bir (por causa dos sacos da cunpratiba), nã tou a ber que se desimbarace nesta escadaria dum filha da puta! “, disse eu. Ninguém ligou, cada um na sua bidinha, passabam par cá e par lá, um parbo qualquer ainda disse que habia elebadores, mas que tabam abariados, cá o Ti Toino nim sabe o que é isso, elebadores, os homes que cunstruiram isto são parbos, já nã bou à cunpratiba, bou passar a gastar sacaria da loja do Toino Brinca ó do Gil das Farinhas, quando lá for cumprar ração pós porcos. Mas nã sou um home de me calar, sou um anarco-ecologista e garreio sempre pelo pobo e pelo porco caramelo-mirandês.
Pus-me atao a cabalo na motorizada, direito a casa e pú caminho pinsei que se calhar na era má ideia um dia destes largar umas bichezas caramelo-mirandezas par dentro da estação dos comboios, pois alguém disse que o tranbelho do buraco das arganaças é dos homes da REFER ó lá o quéi esse nome.
E olhim que sou home pa trazer a bicheza mais malina que lá tenho, só bichos a partir dos 350 kilos e apragar cum aquilo par dentro do escritório dos homes-chefes ca téi grunhem todos ao mesmo tempo! Bou pinsar nisso, sou um home rijo a quem nã põem nim correias nim açaimes, quanto mais túneis parbos para atrabessar. Pronto era só isto, obrigada ós homes da rádio, já disse tá dito, quim na quissese óbir, na tibesse óbido. Bão bardamerda!

22.10.08

Neste domingo Todos ao Satélite!

Como é do conhecimento de todos os caramelos mais ou menos informados, um dos locais sagrados da comezaina petisco-abrutalhada cá da grei,o Café Satélite, foi há algum tempo encerrado pela escrupulosa acção dos homes parbos da ASAE.
A FLC reuniu em local clandestino e considerou o fecho do Satélite uma coisa sem tranbelho nenhum. Quer isto dizer que com este estaminé sagrado fechado a malta caramela adixou de comer e buer naquele sítio, o que quer dizer que ficámos mais pobres no petisco, o que quer dizer que ficámos mais pobres na cultura, o que quer dizer que ficámos mais pobres na identidade de homes rijos, o que quer dizer que se queremos comer túbaros temos de andar à punhada uns cu outros (porque se uns acham que ainda se podem comer bons túbaros noutros estámines da caramelândia, outros -os mais fieis ao Satélite- pura e simplesmente fazem greve de fome a todo o tipo de colhoada do bicho suíno, pois “lá éi quera bom!”).
Quer atão isto dizer que nã somos homes nim nada, somos uns parbos que aqui andamos se nã fizermos nada e se dixaramos os homes da ASAE a alambazarem-se com as nossas intarmiadas (quando cá beêm fechar qualquer coisa e ódepois vão ao marcado) enquanto o Satélite continua fechado e entregue às baratas, aos percevejos e às arganaças de grande porte. A FLC lidera mais uma vez uma acção de cidadania revoltosa (se nã formos nós, quim mais?) e conboca todos a birem amais a gente (homes, mulheres, gaiatos parbos, cãozoada e bicheza de bico recto ó curbo) a um grandioso almoço-manifestação-debate-garreia.
Prestem bem atenção agora, o programa será assim: encontro no próximo sábado no mítico café América, na Carreguera pelas 9h da manhã, onde a Ti Marta Cuzuda, nos brindará com um mata bicho lebezinho (tipo pequeno-almoço) que consistirá numa sopa de cabeça de porco selbaige com segurelha, comida de forma colectiba, ou seja todos da mesma gamela. Ódepois bamos todos em procissão direitos ao Satélite, a recolher taipais e cofraige das obras pelo caminho. Quem se cansar Negritodos chispes, pode ir a cavalo na carrinha do Albino dos Ácaros, ao lado do Celestino Bombista e da malta dos Círios e ir deitando foguetaige rija pó ar só para anunciar a nossa passaige.
Chegados ò Satélite, o Ti Enxaugado já tem uma panelada de túbaros prontos e é só montar mesas e bancos corridos com os taipais e cófraige recolhida pú caminho. O almoço será no meio da estrada (outra medida de protesto) em frente ao café e segundo o Ti Enxaugado “sará de traçar o coirato e o binho é oferta da casa”!.
Depois, o grupo dará duas ó três voltas à capital da caramelândia e quem quiser pode ajuntar-se à gente. Durante estas voltas, será lançado fogo rijo de alto calibre (“daquele memo rijo!”, referiu Celestino Bombista, com os olhos a brilhar) e a comitiba parará no Mini-Preço e na Cunpratiba para abastecer de mines.
O encontro-ajuntamento terminará no coreto do jardim, onde estão já confirmados os seguintes oradores: Ti Balbina Acocorada, Zimbão Cornadura e Albino Chispalhudo, todos em representação do movimento anarco-cíbico Salvem o Satélite. Por último, e só se ele tiver pá í virado ("deiam-lhe mines que o home fala", afirmou a Ti Balbina Acocorada, na reunião de preparação deste evento), haverá um grandioso discurso do Toino das Ideias Parbas, o presidente deste movimento.
Tudo isto será no próximo sábado, dia 25, pelas 9h no café América.

Benham garriar mais a gente.
A garreia do café Satélite também éi tua, éi bossa, éi nossa, éi de todos os caramelos rijos.
Benham garriar mais a gente.
Quantos mais formos a garriar, maior ei a garreia!


Nota: A Ti Marta Cuzuda disse pa lebarem colheres q’uela nã tem.

15.10.08

Interior da mente caramela

Como o Joaquim Bateneira está no defeso, a FLC dá aqui neste baldio a notícia im primeira-mão sobre uma grande descoberta do interior da mente caramela.
Dessa maneira, estudos psicológicos desenbolbidos pela FLC rebelaram códigos muito especiais intranhados na raiz do subconsciente caramelo.
Temos grabações feitas im dibersos lugares (quer im laboratóiros quer no habitat natural), que rebelam que os caramelos começam a abandonar as alcunhas tradicionais e já usam um sistema mental mais evoluído, baseado na marca dos automóveis que cada um possui.

Eis intão aqui uma das gravações mais analisadas que dá como prova científica, esta grande escoberta:


Gravação FLC/K7-14765-a/2008
Café “Mãos de Lixa” em Valdera
“ bocado duma cumbersa entre Aníbal Bexigas e Azevedo Treme-treme”

***

– … quem tem sola-de-Ceilão pró visgo, pra apanhar pássaros, é o Roberto Sensível.
– Roberto Sensíbel?… Quim éi esse Roberto?
– Na sabes?! Éi aquele que às bezes anda a bender morango ali no Lau.
- Humm, nã tou a ber quim ei.
- Oh, é aquele que até beio ter cagente na assada do Domingo, aquele gaijo alto, grande, coxo, careca, ri-se que nem um parbo e abre as mines à dintada, por isso é que lhe chamam Roberto Sensíbel.
- Hummm, nã tou a ber quim ei.
- Oh, nesse Domingo, o home cunseguiu desimbrulhar mines que foi aquela conta… tu até fostes mais ele fscar mais quatro grades e tudo… hã?
- Hummm, nã tou a ber quim ei.
- Porra pá, ele até tem um jóper Mitsubiche azul de 97 amolgado na longarina…
- AHHHHH!! Já sei quim éi. Porra, atão nã sei! Esse gaijo até é cunhado do Zeferino Translúcido.
- Zeferino??!!! Translúcido?!!!...
- Sim, pá, o Zeferino da vidreira da Benda do Alcaide.
- Nã tou a ber quim éi!
- O home até te foi pôr um vidro na retrete que tens lá no tê quintal. É um home assim atarracado, com umas patilhas até ó pescoço. É um bocado gago, só tem um dente e anda sempre com um chapéu com o emblema do Vitória.
- Hummm, nã tou a ber quim éi!
- Porra. O home até tem uma For-transit encarnada, de rodado duplo de 89…
- AHHHHH! Já sei quim éi. Já tou a ber. Ele dantes tinha uma Toiota branca com um cavalete no taipal…
- Sim é esse mesmo.
- Pois. Ele até éi o tio do Horácio das Parras.
- Horácio?!!! Hummm nã tou a ber.
- Sim, aquele home que ….

E assim continua a cumbersa, por mais duas horas a comprobar que é assim.

7.10.08

Mais um episoido da telenovela mais brabia de sempre

Eis mais uma tigelada da monumental telenobela “Coiratos Cum Açorda”, a primeira nobela completamente falada em caramelo, grabada em cenários naturais, com uma históira que bai desde o escândalo rural até à intriga urbana.

Resumo das últimas 300 barrigadas desta nobela:
Vanessa da Tatuaige no Rego, depois do casóiro com o Zei das Casmarras, tirou um curso de acordeão e seguiu uma carreira artística amais o seu home. Unidos prá música, formaram o Duo Vanessa & Casmarras que teve um sucesso imediato im cima dos reboques de tractor e taipais de toda a nação. Chispalhudo, o avô de Vanessa, teve agora uma ideia…

… próximo episoido:

Tiriri-tiriri-tiriri (telefone a tocar no bolso de Chispalhudo)
- Chispa, tás adonde? – pergunta Venâiça, sua a mulher brabia.
- Óh, tou no parque. Tou aqui pindurado nestes ferros a fazer ginástica, à frente do ringue.
- Aí ó pé da paraige das caminetes?
- Sim.
- Atão despindura-te já daí e vem mazé aqui à reforma agráira fazer ginástica pra lebar estes cabazes a casa. Vá!
- Mas eu agora nã posso. Amanhã é Domingo e tenho que tar im forma.
- Im forma??!! Pró quêim??? - pargunta Venâiça espantadiça.
- Pró baile matiné dos reformados.
- Sai já daí. Olha que eu agarro im mim e bou ter com o Albarinho da Junta e mandar ele arrancar essa trugia aí do parque.
- Mas foi ele que pôs!
- Na interessa. Despindura-te já.

Entretanto, no marcado do Lau, Albartina Empanzinada esgrabata um monte de camisas de manga-de-cava, pra ber se incontra alguma que sirva no corpanzil do seu Hortênsio.

Agora já é Domingo, o Duo Vanessa & Casmarras já subiu ao palco dos reformados e pensionistas.
- Áh! Som! Um, Dois. Som. Áh, Um, Dois, Som. – diz Vanessa a testar a aparelhaige.
São 15:30, chegam dois tractores-limusine cheios de reformados da Venda do Alcaide, logo depois chega um da Carregueira e outro de Valdera, numa grandiosa encenação.
O espectáculo bai começar e Chispalhudo põe em prática a sua ideia. Mete-se à frente da entrada do baile e monta uma bancada a vender caixas de Ben-u-Rons, Aspegiques, Paracetamóis, vasodilatadores, Viagras, pomadas prá demência entre outros perfumes.
As vendas superam as expectativas e o baile ganha um ritmo avassalador com os reformados a fazerem comboios, todos ingalfinhados numa correria caté parecem o comboio da Autoeuropa a ganhar balanço, chiinho de bolksbaiges (esta mistura imagináira tamém se vê no episoido com um truque especial do realizador).
Tudo decorre com grande centrifugação até que, de repente, a reformadaige sai desalboriada pela rua afora, im direito a Águas de Moura, provocando distúrbios na bia pública. As forças da ordem saem como avespas apoquentadas e procuram a causa de tanto rebuliço. Facilmente detectam Chispalhudo com a sua farmácia ambulante a correr atrás do cumboio dançante, estrada afora…

E agora?
Será que a guarda descobre que é Chispalhudo a causa disto tudo? Será que Chispalhudo vai pró calabouço? Será que os reformados desmaiam antes de chegar à Palhota?

Não percas o próximo episoido de Coiratos cum Açorda, antes que desmaies tu tamém e precises de respiração boca-a-boca.

29.9.08

FLC CONTRA-ATACA COM COMPUTADORES GUIMARÃES


Foi nesta Segunda-feira que se pôde ver a entrada brabia do Comandante Geral da Elite de Libertação, par dentro da escola primáira da Carregueira. Esta entrada, esteve sob fortes medidas de segurança, deribado ao conteúdo dum caixote de papelão (todo cheio de buracos feitos com uma nabalhita e atado com um baraço), levado pelo nosso comandante libertador.
A gaiataige, já na sala de aula, assim que pressentiu a entrada do home começou a ficar com comichões a contar que ele binha libertar eles das aulas e ficabam libres pra sempre, a jogar à padrada no recreio. Mas não foi isso que aconteceu.
O home introu com o caixote, foi até à secretária da professora e, de frente pra gaiataige disse: “Im nome do pobo caramelo, benho aqui trazer a bocezes o Computador Guimarães”. Nesse instante, tira a nabalhita da algibeira do colete, corta o baraço e abre o caixote, opóis derrama vinte cinco pintos de gargalo pelado pelo chão, espalhando eles pela sala dizendo “Computadores Guimarães, um pra cada um. Um pra cada um.”
Cada aluno apanhou o seu. Opois foi oferecido um saco de milho partido pra cada qual começar a sua própria criação. "Foi um momento histórico na luta pelos nossos costumes, uma referência no ensino", refere o jornal “O Inflamável”.

A FLC esclarece desde já que este equipamento escolar tem a ber com o programa “um caramelo, um pinto, uma lição prá bida”.
De acordo com as nossas ideias, este computador de ponta-em-bico põe o gaiato a aprinder uma data de coisas que um reles computador portátil não cunsegue. Assim, por exemples:
- aumenta do gosto da bicheza que os rodeia;
- faz cumprinder melhor a natureza acompanhando o evoluir da penuige do bicho ao ar libre com mais gaiataige no meio da rua;
- obriga à construção duma capoeira com arames e restos de tábuas, só com um alicate e um martelo;
- requer a gestão da engorda do bicho;
- faz a reciclaige, usando o estrume pra adubar a salsa no canteiro.
- obriga o desimbolbimento de capoeiras de grupo como formas de rentabilização de meios….
Infim, ensina uma data de coisas que um computador normal até fica cum dores na disquete.

O nosso comandante, à saída da escola, disse ao jornal "A Acendalha" (concorrente do jornal "O Inflamável"):
“…E o que é que acuntece à gaiataige que ganha os computadores propagandísticos Magalhães? Hã? O que é que acuntece?!! Acuntece que ao fim de 5 minutos transformam eles num brinquedo parbo, ópois ao fim dum dia trancam-se no quarto a jogar sozinhos. Ao fim de uma semana engordam 5 quilos caté uma pessoa tem que comprar roupa noba. E opois? Opois ao fim de um mês despem a roupa toda prá internete, a mostrar as nalgas aos alemães, e ao fim dum ano esse computador é já uma balhana que nã serbe nim pra dar ós porcos. Agora com os nossos computadores Guimarães, é diferente. São mais que portateis, eles até teim asas, poisam, andam sozinhos e criam-se totalmente no territóiro caramelo. Com este equipamento escolar, a repaziada quando chigar às férias grandes já teim galinhas poedeiras a pôr um ovo caseiro todos os dias e belos galos cantadeiros a dar as horas. Bocemecezes querem melhor do que isto? Hã?”


Com a FLC, em breve os caramelos serão um povo de cultura genuína e livre das pressões propagandístico-globalizantes.

21.9.08

Cinema Caramelo em Setembro


“Ciclo de Cinema de Autor”


Haverá transporte gratuito (gentilmente cedido por Albino dos Ácaros) em camioneta de caixa aberta nos seguintes locais:


Palhota
(junto aos semáforos)
Lau ( à porta da loja da Ti Balbina dos Pitromaxs)
Valdera (Junto ao campo de futebol)
Rio Frio (Junto à Sede)
Carregueira (à porta do café “Lua Cheia Aparbalhada”)


Próxima sexta (21h,Largo José Maria dos Santos,Pinhal Novo):


O Barbero debaixo do Tanque da Estação (1998, 20 m; autor:Belarmino Pançudo)

Uma pérola do cinema experimental caramelo feito de um só fôlego por Belarmino Pançudo (neto do Ti Toino Panças), um dos máximos representantes e defensores da 7ª arte na caramelândia. Curiosamente, Belarmino só produziu esta obra, tendo algo tempo depois enveredado por uma carreira igualmente vertiginosa no acordeon, sendo hoje considerado um dos melhores tocadores residentes da Cela. A película original (de resto o único exemplar) foi encontrada num monte de entulho, num local onde é proibido vazar o mesmo (razão pela qual o home-dono do filme não se quis identificar).
De referir que este filme nunca foi exibido na totalidade, pois os espectadores na única tentativa oficial, só aguentaram até meio, ou seja 10 heróicos minutos e a toque de muitas mines. O filme mostra a perspectiva da tesoura do barbeiro debaixo do Tanque da estação de Pinhal Novo, ora acima ora abaixo, sempre rente a desbastar cabelaige, num estilo único, com os comboios na estação a sair e a entrar, a sombra do tanque da áuga sempre presente, os grandes planos do rosto do barbeiro e dos clientes ("eram aquaise sempre os mesmos"), todos em silêncio, a olhar o sagrado da tesoura, como que hipnotizados, à chuba, ao sol, as boinas penduradas numa das torneiras do tanque.
Chamada de atenção para um dos momentos altos do filme, quando uma colónia de piolhaige caramela é descoberta pela tesoura do barbeiro e foge desóstinada, um dos vários momentos poéticos deste filme.
No jornal linha do sul, edição de Março de 1998 pode ler-se: “Belarmino Pançudo é um visionário, alguém que está à frente do seu tempo, podendo dizer-se que é o inventor tardio de uma espécie de dadaísmo caramelo. O seu experimentalismo é auto-fraticida, quase atómico-visual, sendo o preço a pagar por tanta audácia artística, o facto de ainda ninguém o compreender (tirando a redacção do Linha do Sul). No entanto, esperemos mais 10 anos e serão muitos os que lhe quererão erguer uma estátua, fazer um retrato ou uma coisa do género, numa qualquer rotunda da capital caramela”.

Nota 1: depois do filme haverá um pequeno debate-garreia entre os que gostaram e os que nã gostaram do filme do Belarmino Pançudo. O debate-garreia terá lugar no coreto do jardim que especialmente para esta ocasião será vedado com plástico das estufas do morango. A entrada é livre.

Nota 2: O Albino mandou dizer a quem quiser ir na carrinha, que é necessário levar manta, pois as noites começam a estar frias e ódepois pra cá (na bolta) podem apanhar regeza porque a parte de trás da carrinha na tem toldo, os sofás tem o forro em oleado e debe tar geada, por isso os mais belhos e os gaiatos debem trazer agasalhos qué pra ninguém se chatear e na haber prublemas uns cus otros.

18.9.08

Notícias Populares assumem clandestinidade da FLC

É Quarta-feira, dia 17 de Setembro, os raios de sol atrabessam as ubas maduras como se fosse Domingo e os cachos pindurados nas parreiras ficam ainda mais doces à espera da bindima, porque a bindima caramela faz parte da natureza.
Entre os cachos oube-se o zumbido das abespas, e a brisa que espalha o cheiro do coirato a assar nos meio-bidons, vem do fundo do horizonte, das Festas da Moita.
Esta brutidade calma só poderia ser interrompida pelo guiso do cão do Manel Balbúrdio.
E foi isso que aconteceu.
O bicho chega em correria, esbaforido, trazendo um jornal inrolado na boca parando ao pé do chefe das milícias da FLC, um home importante que acabou de apanhar um cacho d’ubas de 3 quilos e alebanta-o em direcção ao Sol a dizer: “Tóóóó, se os Palmelões soubessim desta bruteza ficabam cheios de caspa e nunca mais fazim festas parbas”.
O canito gosta da cumbersa, abana o rabo e olha im direcção ao home com o jornal na boca. O home joga o cacho pró cesto, opois olha pró cão e arranca-lhe o jornal da boca. É o jornal Notícias Populares. O bicho fica com a língua de fora pró lado, a ofegar e a pingar cuspo, todo cuntente por ter feito a intrega.
O home lê o jornal pra toda a gente obir (o dedo aponta prás letras conforme bai lendo) e, só com a sua boz, vareja uma olibeira lá ao fundo, cheia de zitona:
- Pi-nhal No-bo na In-ter-ne-te. - O canito assenta-se na esperança de cumprinder…
- Hã?!! Frente de Libertação Caramela?!!! – O bicho fica na mesma sintado.
- Aaahhhh!!!! O que eles querim dzer cum esta cumbersa é que nã sabem quim samos - e lê : “nã se cu-nhe-ce o au-tor”.
E nisto atira à boca do canito um padaço de torresmo, que abala chirando novas notícias pela vinha afora.
O chefe olha prá bindima com o sintido de missão e a pensar “A FLC é como um patardo infiado nos intestinos dum porco, com o rastilho aceso”.

13.9.08

Caramelos na senda internacional

Nos últimos 20 anos a FLC tem andado em manobras clandestinas pra meter os costumes caramelos nos eventos mais importantes da ciência. Por isso, nos anos 80 demos o nosso aval para as comunidades científicas começarem a estudar os acelaradores de partículas caramelas. Nesses anos, Ingenheiros, Físicos Nucleares e Suíno-floricultores do Poceirão, fizeram estudos de acelaração duma pedra da linha do cumboio, nas nossas fisgas, pra saber o efeito duma padrada nas nalgas dos porcos, e tentar assim perceber orige do uniberso. Já nos anos 90, os estudos passaram aos chumbinhos de floberes a estraçalhar as molas da roupa e daqui até chegar ao LHC, foi um pequeno passo. Foi com urgulho que o chefe das milícias da FLC disse, com um megafone na beiça, no encerramento da Festinha das Bindimas Palmelonas “todas as partículas do mundo têim o carimbo caramelo, e até o binho é nosso”, logo de seguida introu um conjunto musical caramelo a cantar “Pinhal Nobo a Cunselho”. Ganda Grupo!

Para além da intervenção científica, a FLC tem também influenciado a actualidade internacional do mundo globalizado e cada bez mais mintiroso e igual à América, Rússia, China, Japão, Austrália, Brasil, Canadá e resto da Europa. Para provar isso anunciamos aqui, em primeira-mão, que o Hugo Chávez recorreu aos nossos homes pra falar ao povo Venezuelano. Foi no dia 10 deste mês, que recebemos a seguinte mensaige: “Quiero qui me façon un discurso brabio, par mi honrado puevo Venezuelano”. E foi assim que os nossos técnicos da palabra instantânea e berdadeira, meteram mãos à obra (meteram as bocas à mine). No café “Arrota e Alimpa-te”, elaboraram o discurso pró Hugo dzer às massas.
E foi com muita atenção que o mundo inteiro biu e óbiu da boca do Hugo Chávez, as nossas palabras em prol da cultura brabia, berdadeira, destemida, com o coração na guela, como se o home tibesse imburcado 200 impariais numa final do campeonato do INATEL. Na nossa opinião, faltou apenas umas punhadas na mensa e um palito ao canto da beiça pra poder ser considerado um paradigma do caramelo em luta pela sua cultura.


Deixamos aqui uma filmaige feita pelas nossa TB.


6.9.08

Furacão com nome caramelo

Deribado à enorme quantidade de furacões que andam a furar esses céus, a Organização Mundial de Meteorologia fez um honroso conbite à FLC para batizar um furacão com um nome caramelo. Este combite já era esperado, resultado de três anos de luta brabia que a FLC tem feito junto às comunidades científicas para se ligarem às culturas mais profundas de tradição brabia. “Se nã espatarem um nome caramelo num furacão, a gente começa a estraçalhar as nubens por dentro com fuguetaige” disse Celestino Bombista num comunicado internacional na RAC (Rádio Antena Caramela), a obir-se morteirada da Atalaia como música de fundo.
Feito intão o combite, a FLC não perdeu tempo e fundou o Instituto Caramelo para a Nomenclatura de Furacões, Brisas Fodorentas da Socel, Geadas do Lau e Araiges Parbas, (I.C.N.F.B.F.S.G.L.A.P.).
A primeira assembleia-geral teve como cenário o recinto das largadas, agora aberto para largadas compulsivas. O recinto estava completamente esgotado e o parsidente foi eleito por um sistema de cornadas (um sistema muito antigo que só funciona nas largadas no meio da poeirada). O home, estendido dentro da ambulância, disse a um megafone, a impar com balentia, “ já que sou o parsidente,… declaro aberta a… … sessão pra… incuntrar o nome de batizo pró próximo furacão”.
O debate-garreia iniciou-se logo, com a participação giral e dentro dos 756 nomes propostos, só um saiu vencedor. Assim, o nome caramelo para o próximo furacão será:
“Furacão Emília dos Cães”.

Um enviado especial, usando um chapéu caramelo feito dum lenço com nós em cada ponta, e infiado dentro duma bóia de roda de tractor, já está a remar em direcção ao Pacífico Sul. Leva um bacio com água benta pra batizar a depressão tropical de “Furacão Emília dos Cães”, elevando este nome para a história universal da meteorologia.
A Força da cultura Caramela é maior que um furacão.

3.9.08

Ter um objectibo na bida
(ou como nasce um objectibo à moda intiga, debaixo duma árbore)


Algures na Palhota, à hora do calor, debaixo duma árbore, casas ao longe, três homes, três nabalhas a serem afiadas calmamente, um balde cum áuga e mines a refrescarem…


- Ora atão leiam lá, aber se tenho ó na tenho razão:“cada pobo, cada nação tem direito à sua livre exprassão, a manifestar a sua identidade brabia e original e a sua existência cótidiana atrabés da sú língua falada, que debe de ser transmitida de geração pa geração, de forma ordenada e im segurança. A língua falada éi a cultura, a cultura éi a língua falada”.
-Na parcebo muito bem, mas pareice que sim.
- Pardi-me a meio, nã sei quê identidade, ó lá o quéi.
-Querem quê leia ótra bez? Párim lá de afiar as nabalhas e bejam lá mas éi se obem!
-Nã, néi praciso, tá lá queto cas lituras, tas párbo ó quê?! Já bimos qué importante, abre mas éi uma mine.
-Pareice que sim, pelo menos tá escrito de forma importante, cum palabras manhosas…
- Pareice que sim?!!Atão nã bêem que foi o Toino das Ideias Parbas que escrebeu isto!?
-Ahh, atão debe de ser mesmo importante, dizem que o Toino é esperto…
-Sim, aquaise todos dizim isso, menos o pai dele…
-Mas ê cá atei acho que o Toino é um repaz intaligente.
-Intaligente?!!, par mim éi um génio, éi o nosso guia, um bisionário!
-Sim, o home atei que escrebe umas coisas dificies, quê hás bezes nã parcebo.
- Pinsem bem, a nossa língua éi a nossa cultura, a cultura éi a língua.. (mete a mine nos quexos e saboreia o que acaba de dizer, as palabras do Toino são como intarmiadas bem assadas na sua boca).
- Atão nã há de ser? Nã sei porquéque ei praciso escraber palabras tão difíceis só para parceber isso. Olhim esta nabalha cumprada no filho do Ti Toino Nabalhudo éi balente, atei corta coirataige cungelada.
- Ah bócês nã parcebem?! Nã bêem que ele quer dizer cum isto ca gente, os homes anónimos da bida temos de lutar pela nossa língua, a língua caramela?
- Lutar?! Atão mas porquêi? Atéi a nha abó fala caramelo, aqui todos falam caramelo, tu tás mas ei parbo, toma lá mais uma mine e desinmerda-te mas éi das ideias, já tamos fartos dessa cunbersa atei às pontas dos chispes.
(Momento de silêncio na cunbersa…, só se oube a passaraige nos ninhos a acordar da sesta, ao longe um motor de rega e alguns tiros pó ar ditados por alguém que agora nã intaressa) …
-Bou-bos dzer, bócês são mês amigos, buemos mines juntos desde gaiatos, tou dasimpragado, nã tenho mulher nim filhos, nã tenho nada a parder, tenho a nha motorizada, isto bai ser a luta da nha bida, bou lutar pela nossa língua, pela nossa cultura, bou ser um cabalero da língua caramela, bou garrear pela caramelândia!
(os dois em uníssono) – Ehehe! Ahahaha! Grnnrehehehahahah!! (risos parbos e altos, difíceis de reproduzir aqui- tipo grunhidos mas mais selvagens que um grunhido normal), o home tá inbalsamado dos pinsamentos. Olha, acabaram-se as mines, bem mas éi ca gente, bamos à sede buer médias, só pa bariar, bais ber quisso passa-te.
-Bão lá bócês, bão bardamerda amais as mines e as médias! Ê bou é lutar pela nossa cultura, finalmente incontrei um objectibo pá nha bida! Ainda bão óbir falar de mim…bou-me ajuntar à FLC!C
Pegou na motorizada (sempre a gritar repetidamente FLC im boz alta) e foi.
- …O home tá parbo!
- Dexó-tar. Aquilo são lituras a mais e mines a menos, amanhã tá lá na sede ótra bez, desgalgado por buída.

A ber bamos, só sabemos que assim os verdadeiros, os que acreditam na nossa luta, na nossa cultura, se juntam a nós. Se queres um objectivo pá tu bida, uma luta justa, uma causa rija, junta-te à FLC!

25.8.08

TODA A BERDADE DOS JOGOS OLÍMPICOS


Agora que os Jogos Olímpicos dos chineses acabaram, a FLC já pode dizer toda a berdade de alguns acontecimentos que, por razões de segurança, só hoije é que podem sair da clandestinidade.
E que berdade é essa?
Intão é assim, no momento em que os chineses ficaram de fazer os Jogos Olímpicos começaram logo a pinsar: “Xim Pan Zé!!! Como é que agente vai descalçar este chinelo? E será que conseguimos fazer um estádio que aguente a mesma qualidade durante 15 dias? E se fizéssemos um estádio rolante com um megafone que diz, em todas as línguas, a hora e temperatura no cruzamento da Palhota? E se…”
Bem!... resumindo, com o mesmo jeito com que os caramelos regam as flores com a mangueira, as entidades chinesas regaram a cumbersa com uma rajada de metrelhadora, e disseram “Xô Pan Zás! Vamos mazé abrir um concurso internacional para o projecto do estádio pra ver quem é que manda”.
Foi aí que a FLC disse “Oláááá temos aqui mais uma missão de libertação do nosso povo”, porque é oportunidade da gente se internacionalizar e de mostrar ao mundo a importância dos povos livres e em especial do Caramelo Livre e Brabio.
Bai daí que a FLC meteu mãos à obra e reuniu, clandestinamente, todos nossos ingenheiros, arquitectos e artistas pra desimbolberem o estádio olímpico. O gabinete técnico escolhido foi à sombra dum pinheiro manso em Valdera, a obir a bxeza a cantar ao ritmo dum motor de rega. Os estudos desembolberam-se por bários meses e quando o estádio já estava a tomar a forma duma fatia d’ovo o Xquim Estica Borregos e mais oito ingenheiros, puzeram-se em silêncio, parbo-introspectibos, a fazer contas de cabeça, mexendo só as beiças e os dedos e a olhar lá pró alto das ramaiges. Nesse momento todos desemramelaram os olhos pra um ninho de pardal escondido atrás duma pinha lá im cima e todos tiberam a mesma ideia ao mesmo tempo: o estádio olímpico bai ser mazé um ninho de pardal e na se fala mais nisso.
E assim foi.
Como o ninho tinha lá dentro pardalaige esgalgada cum fome, a equipa técnica (aconselhada pela FLC), esperou pelo fim da criação pra o tirarem e enviarem a concurso. Quando a pardalaige se fez à bida, finalmente ficamos com a maquete do estádio e infiámos o ninho numa lata de bolachas da mercearia do Ti Alberto Caracol, ópois atáme-zia com um baraço e enviáme-zia pelo correio.
Ao fim duns meses recebemos a notícia de que o nosso ninho foi o projecto que os chineses mais gostaram, ainda que o resto do mundo esconda esta berdade, imbentando histórias e mintiredo. Mas como toda a gente pôde ber na TV, o estádio olímpico é um estádio berdadeiramente de estilo caramelo, com o nome e o fitio dum ninho de pássaro.
Depois disso, a FLC já foi contactada para desenbolber o projecto das novas instalações olímpicas para Londres 2012 e pode já adiantar que os estudos do novo complexo andam entre a forma dum Pão-de-quilo e a dum selim duma pudaleira. No entanto a FLC exige em contrapartida a inclusão de pelo menos cinco jogos caramelos como modalidades olímpicas (para além do tiro de flober que já existe). As modalidades são: a largada de toiros (que desenbolbe não só toda a massa muscular como as miudezas cum home tem cá dentro); o lançamento do saco cheio de restos; os 100 metros muros com a bilha à cabeça; o salto em altura com o pau do estendal; e o triplo salto em comprimento com carrinho de mão cheio de ovos caseiros.
Muitas outras coisas nestes Jogos Olímpicos foram da autoria das forças da FLC, mas por razões de segurança não podem ser aqui divulgadas. No intanto todas elas foram pela libertação da cultura e pela autodeterminação dos povos, contra a exploração infantil, e em especial pela libertação da cultura caramela que está cada bez mais melhor e sadia.

21.8.08

As férias dos caramelos famosos

A FLC entrevista, sim chatear muito, alguns dos mais famosos caramelos, para que todos saibam como e onde estes homes e mulheres passam o seu merecido tempo de férias.
O nosso primeiro entrevistado é Celestino Bombista, antigo presidente da Confederação dos Lançadores de Foguetaige e Fogo Rijo, actualmente presidente da F.C.F.R. (Fundação Caramela da Fogetaige Rija), sediada na Atalaia.
A entrevista decorreu no Lau, em sua casa, onde amavelmente nos recebeu.

FLC- Boa tarde senhor Celestino.
Celestino- Ora Biba, entrem e sirbam-se repazes balentes da FLC!
FLC-Como costuma passar as suas férias?
C- Atão, tou com os chispes ao léu, ditado dentro de casa e com os pés de fora, par lá da janela, e as unhas crescim à buntade na araige do Lau, tal comê gosto.
FLC- E o que faz durante as férias?
C- Muita coisa, homes. Nã sou bicho pa tar parado. O quê mais gosto de fazer éi ditar-me de bucho pó ar a comer sandes cum manteiga e a buer mines traçadas com binho branco, isso éi quê gosto, sou um pardido por isso, posso passar assim um dia todo, as unhas dos chispes sempre a crascer na araige. AH, e também adoro passar horas a óbir na nha aparelaige as grabações dos lançamentos do fogo rijo na festa da Atalaia, com o bolume ó lá o quéi aquaise no máximo!
FLC- Qual o seu sitio para umas férias de sonho?
C- ÓHH! (pausa para lember dos beiços a manteiga e pinsar para trás). Par mim as féiras de sonho eram num charco perto da casa do Ti Toino Nabalhudo. Taba de molho o dia todo, a aranhaige e bicheza rastera já nim tinham medo de mim, atei me comiam a piolhaige da cabeça. Agora já não há charco, ei o parque de estacionamento da Sela, tiraram de lá o charco. Mas só pa embirrar ainda lá bou, não ó charco mas à Sela, digo à nha pariga que bou ós cugumelos nocturnos, mas bou mas éi ber as parigas balentes, aquelas caramelas rijas, que atei apetece a um home dar umas palmadas naquelas nalgas e ..sirbam-se à buntade, bebam binho ó mines… (a conversa foi interrompida pois a sua mulher entrou na marquise e pareceu óbir a cunbersa).
FLC- Só pa terminar, cum quem passaria as suas férias de sonho?
C- Óh! Atão cum quem?!! Ca nha pariga, anda cá mais eu buer uma mine (pega na mulher por um pé e arrasta-a para si, ela sorri e pega na mine). E ódepois bamos ó marcado a Pinhal Nobo e eu compro-lhe um rajá e uma intarmiada, ei ó nã ei?, e ao mesmo tempo que pargunta dá-lhe uma punhada nas costas, demosntrando o seu afecto.
FLC- Boas férias senhor Celestino!
C- São balentes, são! Quando quiserem benham, bamos buer umas à sede e óbir grabações da foguetaige rija, se são da FLC são amigos!

16.8.08

Grande Entrevista de Verão a Anastácio Babuíno (2ª parte)

Entre mais uma mine de litro (Babuíno Aluado tem uma gamela só dele, tipo alguidar do marcado com um gargalo de inox na ponta, pra donde imborca várias mines até fazer um litro), apresenta-nos o seu plano para a conquista do espaço e conta-nos as suas memórias de “gaiato parbo”.
Foi caixeiro viajante como o pai, começou aos 5 anos a galgar terreno com a sola dos pés, chegou ser o maior distribuidor da Loja do Toino Brinca na capital caramela, Pinhal Novo. Depois especializou-se em tanques de lavar roupa, “chegaba a levar quatro tanques no lombo, sim cuntar com os quilos de sabão azul e branco, a galgar a pradaria caramela, do Lau à Lagoa da Palha, das Lagameças ao Forninho. Nessa altura era conhecido pelo Anastácio dos Tanques”. Depois disso, já com o serviço militar feito e já um home cobridor, fez umas temporadas no Circo Mariano, como trapezista secundário mas o seu maior número e principal atracção do circo durante algum tempo era a pega de porcos caramelos mirandeses, que na altura estavam muito na moda e dos quais, Anastácio era o único pegador. O seu tempo de estrela circence durou “atei lebar um tareão dum bicho-porco com aquaise 600 kg!. Dixei de me armar im parbo e boltei a bender tanques e máquinas de rega. Ódepois ainda trabalhei na cantina da estação, abria as sandes com uma nabalha e punha manteiga e era tão bom nisso que foi a mim que pediram para preparar uma sandes de presunto para a Rainha de Inglaterra quando ela apanhou o cumboio no Pinhal Nobo, daquela bez que cá beio, a pariga atéi debe ter limbido os beiços ca nha sandes de parsunto!”, referiu orgulhoso (talvez por isto se considere monárquico).
Depois desta conversa toda, deu uma punhada seca na mesa e boltou ao motivo da nossa entrevista- a ida ao espaço.
Sobre o modo como o home caramelo vai chegar ao espaço, Babuíno fechou-se im copas, só revelando muito a custo (a toque de mines despejadas no alguidar de litro) que tem um projecto com os Círios da Atalaia e com o Celestino Bombista, para “desinbólberem um sistema de propulsão a foguetaige rija, caté andam todos parbos. A própria nabe aboadora bai ser como uma festa da Atalaia im desenbolbimento circular, com luzinhas e música dos carros de choque e fumo de intarmiada e coirataige rumo à Lua!”. Depois disto, ainda ofegante, com o olhar fixo no candeeiro do tecto do café “Imborca Mais Uma”, imborcou de penalti mais um alguidar de litro e tombou suavemente a cabeça lá dentro, a uivar em voz alta e a dar coices sentado (tipo esperneado mas às secas). Deve ter tido mais alguma ideia brilhante, pensámos nós. A Ti Alcinda Balística, sempre observadora lá ao longe, tirou o avental às riscas e com duas palmas, fez-nos sinal para o deixar-mos.
Lá fora, o sol caramelo começava a abrandar a brutidade e alguns gaiatos sentados nos bancos do alpendre deliciavam-se com os despiques de motorizadas e algumas sessões de punhada que de bez im quando floresciam recreativamente.
Nós ligámos a motorizada e arrancámos de cabalo im péi e pezes a arrastar no chão engrabilhado, a olhar para a Lua que começava a aparecer no horizonte selvagem da Palhota. Para a mesma lua com que Babuíno sonha. Aquela que um dia terá um home caramelo (e uma mulher caramela amais a bicheza suína e a gaiataige parba a correr pelas crateras que ódepois bão ser charcos).
Boa sorte Anastácio Babuíno, também a FLC quer o primero home caramelo na Lua!

11.8.08

Supermercados à rabanhada



Consultóiro do dia-a-dia

Atão como é que ei, ó FLC? Tudo rijo? Escrebo esta carta porque tenho andado desostinado cá com uma data de coisas na cabeça. Atão é assim: tudo começou nas festas do Pinhal Nobo, quando eu comi mais de cinquenta sardinhas ali no jardim. Ópois fui bailar pró ringue, mas como eu nã aguentaba com o buxo cheio e com a azia, vim pra casa aqui na Cascalheira. Ao fim duns dias, quando me passou a azia e dixei de arrotar a sardinha pinsei cá pra mim “Ó Gilberto, tu tens que boltar a comer se não morres de fraqueza. Bai mazé fazer ali um abio de morfes à mercearia.” E fui. Só que quando saí de casa já nã havia a mercearia e o que estava ali à roda era um rebanho de supermercados. Até fiquei perdido. Era o Modelo, o Aldi, o Lidl, e sei lá mais o quê, caté fiquei parbo. E intão disse cá pra mim “Eh pá, ganda bzaina ó Gilberto, tu nã tas na Cascalheira tu fostes mazé parar à América!” Agora hoije pergunto a bocêzes da FLC, afinal tou na Cascalheira ou não? E adonde é que eu bou fazer o avio?

Ó meu repaz, a resposta nã foi fácil pois os agentes da FLC tiberam que andar às voltas com canzoada pra saber se aquilo era zona caramela ou se era território internacional.
Pois intão fique sabendo.
É berdade que as nossas terras têm características únicas no mundo, mas agora ainda mais porque se descobriu que são muito férteis para a plantação de supermercados. Cientistas da FLC já fizeram a experiência entre o semear uma couve e semear um supermercado, e não há dúbidas: ao fim dum mês, ainda a couve não tem talo, já o supermercado mostra o seu esplendor com um edifício iluminado, e belas folhas de panfletos nas caixas dos correios. Portantos, é uma novidade esta força das nossas terras que, pensávamos a gente, só serviam pra plantar vinha, e produtos hortícolas em giral. A comunidade científica internacional tem vindo à caramelândia para estudar esta extraordinária fertilidade nos terrenos para a plantação de supermercados e hipermercados, tendo chegado à conclusão que é bem provável que, se a FLC não atacar Palmela, daqui a um ano, haja uma seara de supermercados da Carregueira até ao Poceirão.
Esta forte plantação de supermercados, implicou uma rápida adaptação ao comércio local caramelo. Tem-se já notado que o ramo comercial mais especializado para esta realidade é a loja vazia. Qualquer rua do Pinhal Novo tem pelo menos uma loja que se rendeu a esta actividade comercial da exploração do vazio à porta fechada. Fontes seguras da FLC dizem que “este ramo do comércio tem grandes tendências em prosperar e tornar toda a caramelândia um berdadeiro centro comercial de lojas bazias.”
Esta nova vertente do comércio local está a preocupar as altas patentes da FLC porque consideram que este tipo de comércio não se enquadra na tradição caramela. No entanto, se a cultura da loja vazia prosperar ao ponto de ser uma atracção turística (atraindo gentio de todo o mundo), para ver ruas inteiras com belas montras tapadas com papeis de jornal, então a FLC reconsidera esta actibidade uma especialidade local e dá-lhe o título de “Comércio Tradicional Caramelo à Loja Fechada”, com dois níbeis que qualidade: a loja limpa e a loja com restos.
Antes que isso aconteça, em prol da libertação dos nossos costumes e produtos, a FLC está a construir um chaimite de sulfatar pra fazer um ataque surpresa aos supermercados e espantá-los de uma bez por todas do nosso territóiro, antes que eles acabem com a gente.
Portanto, Gilberto, a zona dos supermercados na Cascalheira é territóiro parbo internacional que na interessa ao caramelo brabio. Bá à procura duma mercearia tradicional (ainda aberta), coma produtos locais e deixe-se de pandleirices de supermercados.
Resposta de Sulfurino Azedo.

7.8.08

Grande entrevista de verão

Anastácio Babuíno, mais conhecido entre as suas gentes por Babuíno Aluado. Home alto dos pensamentos, cientista rural, sonhador, pesquisador auto-didacta, monárquico, (apesar de “nã gostar da bicheza Reística”) e antigo caixeiro viajante da caramelândia. Diz de si que não tem sonhos. Apenas… quer colocar o primeiro home caramelo na lua e nim quer que lhe digam que não é possível. Para ele o sonho comanda a bida “dos homes e dos cabalos selbaiges de crina ó bento”.

Mais uma grande entrevista de verão da FLC. Enchemos o depósito à motorizada, direcção Palhota. A canzoada canta o meio dia. O sol caramelo é ausente de timidez parba. Lança as lavaredas sobre o povo que o respeita. A esta hora nem as lagartixas saem à rua. Nas colectibidades, todos esperam de mine na mão que o calor abrande, nem apetece andar à punhada. No interior do café “Imborca mais uma”, local marcado para a entrevista, os homens têm o olhar no gargalo da garrafa e as palavras parecem secas como as guelras de um sapo anão, espécie caramela já em extinção.

Aparecemos à hora certa. O nosso entrevistado já lá está ao canto da sala, apoiado nas grades de mines vazias, com um ar orgulhoso e meio aluado. É um cientista caramelo, do mais puro e berídico que existe, um home rijo e enrejado pelo frio das ideias que lhe brotam constantemente e que quando são boas o fazem uivar e dar coices no ar. Alcinda Balística, empregada de balcão do “Imborca Mais Uma” refere que quando isto acuntece, o Babuíno Aluado “atei parece um home meio aparbalhado e desóstinado, os gaiatos nim se aproximam dele e as mulheres fecham as janelas e apregam-se par dentro de casa às cambalhotas silenciosas, ninguém se mete cum ele”. Foi numa destas vezes, quando andava pela rua, em busca de vasilhame pa incher de produto alcoólico, que lhe veio uma grande ideia à cabeça. Uivou tão alto e esperneou tantos coices pró ar que todos pensaram que o Lobisome tinha chegado à Palhota! Babuino Aluado, conta-nos com os olhos a brilhar que foi aí que teve a ideia da sua vida, aquela pela qual irá lutar até ao fim “dos mês chipes, nim que tenha de parir duas ó três arganaças, com’a muntanha!”.

Esta ideia, este desejo, este objectivo de vida de um home sereno mas determinado é nada mais, nada menos do que o sonho de por o primero home caramelo na Lua, “de preferência um home e um meio bidon, para que seja nã só o primeiro home caramelo a pôr os chispes na Lua, mas também a levar a nossa cultura ao cosmos brabio, “a um mundo onde só quim tebe mais perto dali foram os pássaros que aboam alto, mas nã tão alto como os nossos pinsamentos!”.

Já está a trabalhar neste projecto à quatro anos. Reúne-se frequentemente com o Ministério Caramelo da Tecnologia e está a preparar a criação do Ministério Caramelo da Exploração Espacial, do qual será presidente e único funcionário. Pensa que em 2020, o home caramelo na Lua será uma realidade, e para que tudo corra bem, está já a planear enviar primeiro um porco de raça caramelo-mirandesa (com nunca menos de 450 kg), na primeira missão não tripulada, que está prevista para 2014. Sobre isto diz-nos:”já ando a ber os porcos da redondeza, a ber qual deles tem mais jeito pá biaige, tenho já uma lista de 10 ó 20 suínos e uns atei são balentes cobridores, secalhar até bai um porco e uma porca e ódepois cobrem na lua e quando o primero home caramelo lá chegar, já tem lá bicheza com fartura, ei só acinder o meio bidon e traçar coirataige, fome nã há de passar. Ódepois quando o home da Lua tiber a criação de porcos im andamento, enbiamos uma caramela balente daquelas cum saia pelo joelho e ódepois o hóme quando ela lá chegar bê-a (ela bai trenada pa fingir que tá a apanhar azeitona do chão) e tenta cobri-la e ódepois já temos uma colónia de caramelósapiens na Lua, catéi bai parecer o marcado do Pinhal Nobo im hora de ponta. Prontos, o plano é mais ó menos este, tá ó na tá balente?”.

A entrevista continua*.

*apesar da entrevista a Anastácio Babuíno ter sido feita de impreitada numa só tarde no café “Imborca Mais Uma”, na Palhota, para conforto do leitor caramelo a FLC decidiu publicá-la em duas partes. Assim, podem ir buer umas mines e pôr os chispes no tanque da áuga, ca gente bai fazer o mesmo. Ó depois lêm o resto. Podim ir. Bão agora.

Uma codáque tirada no preciso momento em que acabou de imburcar uma mine a dizer Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

31.7.08

A Abaladiça

CONSULTÓRIO DO DIA A DIA
Exmos Srs da FLC, eu sou aquele cidadão que, pela altura das Festas do Pinhal Novo, vos mandei uma carta para saber o que é uma rodada. Tenho a agradecer a vossa resposta pois fiz tal como disseram e correu tudo muito bem. Hoje sou um homem realizado. Já sei beber à rodada e sou uma pessoa conhecida por toda a comunidade do Terrim e arredores. Custou-me um bocadinho a primeira vez porque bebi minis até começar a bolçar. Depois fiquei de cama três dias e três noites com a cabeça que parecia um maço de calceteiro. Por isso é que já sou conhecido por Zé Cabeça de Maço.
Mas o que hoje me traz aqui é uma outra questão. É que quando estou a beber à rodada, estão sempre a dizer “bamos buer a abaladiça”, depois bebemos mais uma rodada e voltam a dizer “agora é que bamos buer a abaladiça”, depois bebemos mais uma rodada e voltam a dizer “bamos lá intão buer a abaladiça” e assim sucessivamente. A pergunta que eu faço é: o que é uma abaladiça?
Já agora, andam sempre perguntar-me “o teu pai é mocho?” ora que raio quererá isto dizer?!
Resposta

Ó meu repaz só bocemecê é que tira a gente dos banhos quentes dos charcos e tanques (aquecidos à soalheira), pra responder a perguntas parbas como essa. Mas como bocemecê parece ser boa pessoa em bias de se tornar um caramelo a perceito, a gente responde com galhardia.
Intão é assim: a “abaladiça” é um termo do alentejano arcaico, adoptado na língua caramela desde que o povo alentejano escolheu o nosso territóiro pra biber. “Abaladiça” é uma palabra-de-ordem com muita força, e é muito comum evocá-la quando se bebe à rodada. Segundo o Dicionário Universal de Língua Caramela (sem acordo ortográfico), “abaladiça” quer dizer “bamos mazé buer mais uma rodada e dêxim-se de merdas”. No entanto o termo traz a ideia de “abalar” ou seja, sugere a ideia de que é a última rodada pra cada home abalar e ir ter com a sua Maria que está, de combinação vestida, à sua espera. Este termo “Abaladiça” tem uma força dupla como uma retroescavadera que cava prá frente e pra trás. Por um lado tem o poder de abrir a consciência do home caramelo prás responsabilidades do mundo real e despertar-lhe as saudades do lar, enquanto que, por outro lado, abre o apetite para mais uma rodada e ficar no combíbio na coletbidade, até andar à punhada. A abaladiça tem uma força tal que ninguém faz frente, porque parece mesmo que bai ser a última e ninguém pode recusar a última rodada. Houve já quem fosse deserdado por ter recusado uma abaladiça. Eis aqui a força desta palavra.
Portantos, ninguém diz “bamos buer uma rajada de oito rodadas”. Diziam logo “Tóóó! Tas parbo ó quê? Tás cum medo ca buida se acabe, ou cresce-te mais a cagança ca barriga? Hã!”. No entanto sabe-se que qualquer home consegue buer oito abaladiças de seguida (sem arrotar). É tudo uma questão de etiqueta e bons costumes caramelos que devem ser postos em prática aos balcões das coletbidades. No intanto é bom que se diga que este termo só deve ser evocado em determinada altura. Não faz qualquer sentido mandar bir uma abaladiça, logo na primeira rodada. Nem na segunda!... Só lá prá vigésima rodada é que se pode começar a pensar na fase das abaladiças.

Agora quanto à pergunta que lhe fazem “O teu pai é mocho?”, essa não respondemos e deixamos por conta de bocemecê a precura da resposta.

Resposta de Ivando Rebola Caixotes.

11.7.08

Reunião dos C8 caramelos está para breve

A FLC recebeu na sua sede (sempre clandestina e em permanente rotatividade geográfica- actualmente estamos a sul das instalações que ocupámos a norte que por sua vez se situavam a nordeste das anteriores que se situavam a oeste das outras) via pombo correio caramelo camuflado de pardal-da-Antártida-Cabeça-de-Boi, uma carta da mais alta importância, redigida em secretismo. Esta carta refere a criação do chamado C8, que reunirá as 8 terras caramelas mais desinbolbidas em termos agrícolas e cultura rural (consideradas as zonas mais ricas e desenvolvidas pelos índices de desenvolvimento caramelo dos últimos 10 anos).
Após alguns estudos, debates-garreias e muitas sessões de punhada recreativó-violenta, as terras consideradas mais desinbólbidas e ricas caramelamente falando foram: Palhota, Lagoa da Palha, Arraiados, Lagameças, Lau, Fonte da Vaca, Valdera e a capital Pinhal Novo. Cada um destes locais terá um representante (no total serão 8 caramelos amais as famílias e amigos que podem bir à buntade), que se reunirão mensalmente mais os outros, numas almoçaradas-debates que tanto poderão resultar em mais sessões livres de punhada como em algumas ideias para a nação.
Para que se veja a importância da coisa, referimos apenas alguns dos nomes que farão parte desta lista de ilustres representantes dos diversos locais mais desenbolbidos, prestem atenção agora: Toino das Ideias Parbas (Palhota), Ti Belarmina Acocorada (Lagoa da Palha), Toino Fraticida (Arraiados), Albino dos Ácaros (Lagameças), Celestino Bombista (Lau), Zimbão Cornadura (Fonte da Vaca), Sebastião Valdina (Valdera), Ercília Tripalhuda (a representar o Pinhal Nobo).
A FLC sabe que já há patrocínio de alguns locais como o Talho do Albino (coiratos e intarmiada), Costa Bar (umas grades de mines), Círios da Atalaia (uns morteros pá malta arrebintar depois dálmoço) e Associação de Festas Populares de Pinhal Novo (uns exemplares dos discursos de inauguração pá malta se guiar ó inicio e parecer mais importante). A primeira reunião deberá ser na Palhota, orientada pelo Toino das Ideias Parbas, em quem a grei caramela deposita grandes esperanças, pa ber se a coisa se desinbolbe sem grandes garreias. O Toino terá dito que já anda a recolher apoios pela vizinhança (em forma de grades de médias) e que “a adesão tá mais que balente!”.
Assim, prevê-se que esta será mais uma iniciativa que contribuirá para tornar a nossa cultura ainda mais rija. A FLC também foi convidada e estará sempre presente em todas as reuniões através de um elemento disfarçado de qualquer coisa que não dê muito nas bistas (pode ser de mesa com um naperon de renda em cima ou de relóige de parede, daqueles altos e berticais) e contribuirá para o sucesso destas reuniões, que serão apenas o começo de um novo home caramelo que bai boltar a ser igual a si próprio: um home caramelo orgulhoso e com as unhas dos pés bem assentes nas suas raízes, caté nim pode esgrabatar de tão espatadas que tão!

7.7.08

A Caramelaige já pode ir ao banho!

Está oficialmente aberta a época balnear da caramelândia e arredores:“A gaiataige, as reparigas e os homes que se queiram apragar par dentro dum tanque, charco, alguidar ou tanque de labar a roupa, tão à buntade, que a gente dexa e até apoiamos, queste calor tá mais parbo, que um ferro de marcar im brasa nas nalgas dum porco caramelo mirandês”, referiu Talau Numismático, vice presidente da A.B.I.R.C. (Associação de Banhos e Inxaugamentos da Região Caramela).
Este anúncio era ansiosamente aguardado por muitos caramelos, que se têm desinxaugado nas mines e no binho branco cum gasosa, arrastando-se pelas sombras do meio-dia caramelo interminável, não sabendo ainda quando se poderiam oficialmente apragar par dentro dum selha cum auga, ou qualquer outro recipiente capaz de receber o líquido da chuba, sim berter ou intornar muito. Talau Numismático, declarou no seu estilo solene, pela voz da Rádio Antena Caramela, estar muito alegre e que ele próprio bai dar o exemplo de se inxaugar num charco perto da sua casa na Palhota, não só ele, “mas tamém a nha pariga amais os gaiatos e a canzoada, bai tudo pôr a peida na áuga, a ver se desinparbalham das ideias!”. A FLC sabe também, que este ano, a título excepcional, a A.B.I.R.C. autoriza e até aconselha a invasão dos charcos por todo o tipo de bicheza de criação, estando já a ser preparado um mapa com os melhores locais de banho para os homes e bicheza, existindo também locais mistos (homes, bicheza, canzoada, porcos, e tudo o que se mexa e queira inxaugar-se, tudo ao mesmo tempo). Questionado sobre se o lago do jardim da capital também faz parte da rede de charcos, tanques, alguidares e celhas, onde o home caramelo tem direito a refrescar-se e labar-se, Numismático fechou-se im copas e amuou a beiça, soletrando entre dentes e gengibas, “ê quero é cu o lago da capital se f..!”

30.6.08

FLC faz protocolo com a Aviação Civil

A FLC deslocou-se recentemente à sede da autoridade internacional da aviação civil e aeroportos, pra entrar em negociações de grande importâiça para as nossas bidas futuras. E tudo isto porque, de acordo com a nossa cultura, não é só o povo caramelo que tem que se acostumar ós abiões, mas são tamém os abiões que têm que se acostumar às nossas tradições. Se não for assim, não há airoporto pra ninguêim.
Dessa maneira, a FLC escolheu cinco sóices brabios da Columbófila do Pinhal Nobo como altos-comissários de assuntos do voo, dos ares, e do poiso em ramaige verde. São homes de cunfiança, já ganharam prémios e têim o seu pombal nas melhores condições de poiso. Lebam tamém uma matilha de cães atiçadiços (bacinados na rulote da junta), pra ber quem é que manda.
Portantos esta comitiba bai negociar, para já, dois pontos importantes (com direito ao dedo impinado, punhadas na mensa e a rosnadelas nerbosas).
Primeiros:
O emprego efectivo das Marchas Populares de toda a Nação Caramela como força especializada em estancionar os abiões na plataforma. As Marchas Populares, compostas por reformados em fardas coloridas, fazem as boas-vindas ao abião que os seguirá, em marcha popular cantada a preceito, até ao estancionamento. Para isso, os arcos da marcha deverão dizer “ANDA CÁ MAIS EU” (come here more me) pra os pilotos os seguirem.
Segundos:
O emprego efectivo de hospedeiras caramelas em todos os abiões que poisem, ou lebantem boo no nosso airoporto. Serão antigas caramelas aguadeiras das bindimas, treinadas prós abiões. Serão elas que levarão a nossa cultura a bordo do aparelho até às mais longínquas paraiges do mundo. Assim, em bez da pergunta parba “Chá, café ou laranjada?” têm de perguntar “Mine, Tinto ou pão com presunto?”. A ementa conta com a riqueza da gastronomia caramela, em refeições de empanturramento, desde a famosa sopa, passando pelo torresmo, até à travessa de caracóis, tudo com a garantia de qualidade da reforma agrária.

No intanto só estes dois pontos não sastesfazem a FLC, pelo que a luta bai continuar.
A cultura caramela é uma força que na tem fim.

26.6.08

Libertação às sextas

A FLC apanhou no meio das pastaiges um folheto do dia da libertação. É garantido que isto são de culturas paralelas que na têim a ber com a cultura caramela propriamente dita. No intanto, é bom que se diga que a FLC tem muito mais poder de libertação do que esta organização.
E porquê?
Porque tamém liberta lombrigas da canzoada só com trapos de azeite enrolados num pau e infiados pas guelas abaixo.
Isso ninguém sabia.
Mas sobre aquilo que a gente liberta e na liberta ainda há munto por dizer.
Aqui fica o folheto pra na haber dúbidas.

Só na sabemos é o que é "Maldição heriditária". Será que é quando um home acorda com a lingua seca? Ou quando fica cheio de cieiro, depois de lember as beiças quando vem pra casa a rir?

11.6.08

SOPA CARAMELA E MAIS

Aqui fica uma codáque duma sopa caramela do Rio Frio, a ver-se em segundo plano dois casacos marca Cascalheira, feitos pelos costureiros do Cajó e, ao fundo, a ver-se a pala da estação. Tudo isto pra aguçar o apetite aos bisitantes que só comem este material nas festas e que precisam de cá boltar mais bezes.

10.6.08

A TRADIÇÃO DA MIJINHA CLANDESTINA

A FLC em luta pela defesa da cultura caramela, quis mais uma bez recuperar os hábitos ancestrais do nosso povo no decurso das Festas do Pinhal Novo, especialmente os costumes da mijinha atrás das moitas, a mijinha contra as árbes e contra os postes.

Foi com toda a determinação que a FLC exigiu à Comissão de Festas que não colocasse nenhuma retrete nas festas, e que a Junta de Freguesia fechasse permanentemente as retretes à frente da estação, no interesse de toda a gente recuperar os velhos hábitos da mijinha clandestina que remontam à pré-história. Após horas de negociações, ainda conseguiram colocar uma retrete de plástico escondida atrás do palco e manter abertas as retretes da estação até à meia-noite. Mesmo assim os agentes da FLC consideraram um sucesso, já que, depois da meia-noite, foi possíbel constatar que o pobo caramelo rejeita o conforto e o requinte das retretes de plástico, e prefere a velha tradição da mijinha clandestina. Portantos, foi com grande satisfação olserbar as caramelas agachadas por todo o lado: atrás das relotes das farturas, atrás das moitas, dos carros, dos carrosséis, e até camufladas com balões, todas elas a pregar uma mijinha proporcionando belas poças doiradas. É de notar que algumas delas exerciam este ritual com tal à-vontade que, enquanto pregavam a mjinha, lembiam a brancura duma bola de algodão-doce.

Quanto aos caramelos foram olsebadas as variantes mais comuns desta cultura, como o repuxo desenhado contra a parede, a demarcação territorial no tronco das árves, a mjinha festiva contra os arraiais e, numa versão moderna, contra os pneus dos carros mal estancionados. Tudo feito a preceito, sem largar o copo de emprial, nem o cigarrinho na beiça.

Foi assim, em jeito de balanço, que a FLC considerou a mijinha clandestina a segunda mais velha tradição celebrada nas nossas festas (a mais velha de todas é a budeira, porque, pra haver mijinha, é preciso buer primeiro). Para o ano a luta continua e esperamos que não haja qualquer retrete aberta para que as Festas Populares do Pinhal Novo sejam totalmente brabias.

8.6.08

AVISO AOS BARDOADA

Os piquetes especiais da FLC, provedores da cultura caramela, foram violentamente retirados do seu habitat natural pra inspeccionarem de urgêiça o espectáculo dos Bardoada no Sábado à noite.
Esta missão relâmpago deveu-se a uma denúncia que dizia que os Bardoada estavam birar as costas à cultura caramela e a ceder ao roque-em-role importado da Inglaterra e resto da Europa. Se assim fosse isso seria uma desgraça.
Os nossos inspectores estiberam sempre bai-nã-bai, pra acabarem com aquilo, amandando pró palco granadas de estilhaço de rabuçado. Mas foram aguentando, aguentando, sempre preparados: se aparecesse algum cámone feito parbo a cantar roque-em-role e a fumar cigarrinhos pra rir, estava logo guerra aberta cate criava bicho. Mas não… o mais que aconteceu foi o surgimento da Pocaontas, que fez as delícias dos mais novos, e alimentou os sonhos dos reformados que biberam aquela dança do véu com muita intensidade.
Nesta vestoria, até os tambores e os cabeçudos foram meticulosamente inspecionados. No relatório oficial da FLC, ficou explícito que quem andaba dentro dos cabeçudos: era o Toni Carrera e a Mónica Sintra (embora muitos digam que isso é mentira porque não foram ber o espectáculo e na querem dar parte fraca). Mediante tal espanto cabeçudo, os nossos agentes só tiveram de dar os parabéns aos Bardoada, não só por terem feito 10 anos, mas por terim dado o melhor espectáculo feito por caramelos desde os bailes na SFUA com o agrupamento musical Terno de Oiros.
Mas já estão abisados: se meterem um cámone a cantar roque-em-role, tá logo a guerra armada, que a cultura caramela na é pra brincar.

5.6.08

CONSULTÓIRO DO DIA A DIA - AS FESTAS CARAMELAS

Pargunta
Exmos Srs, da Frente de Libertação Caramela, vivi 30 anos na Amadora, mas agora sou um morador aqui na Caramelândia, mais propriamente no Terrim. Desde logo tenho acompanhado este V/ espaço de divulgação que me tem ajudado muito a integrar-me na cultura caramela. No entanto, num artigo publicado por V/ Exas. falou-se em “beber mines à rodada”, coisa que me intriga bastante, pois eu não sei do que se trata. Gostava que me dissessem o que é isso de beber à rodada, já que as festas do Pinhal Novo vão começar e tenho medo de fazer alguma coisa mal. Muito obrigado.
Resposta

Ó meu repaz, ainda bem que bocemecê anda a ler a nossa literatura, pois só com a FLC é que é possível total integração nos costumes do pobo caramelo. Pois amandou uma questão de grande interesse e im boa altura por modo das festas, porque tempo de festa é tempo de rodada caté um home fica bruto.
Atão arrebite lá as orelhas.
É durante as festas que a rodada adquire grande importâinça, falamos de rodada de mines, rodada de emprial, rodada de sopa caramela e até rodada de fartura caté as tripas ficam aborrecidas por dentro. Fique sabendo que a rodada é dos costumes mais eficazes pra estabelecer o contacto social, fortalecendo as relações. O fortalecimento é tal que chega a ser saudado com fortes punhadas, terminando ópois em calorosos abraços. Esta prática da rodada possui códigos de conduta muito específicos e isso tem muito que se lha diga. Mas, como já se disse mil bezes, é na rodada de mines que bocemecê pode encontrar toda a beleza da cultura caramela.
Fique sabendo que, para que aconteça uma rodada, tem de existir pelo menos dois caramelos à cumbersa… mas a rodada só com dois na tem graça nenhuma, pelo que um terceiro é sempre bem bindo, e ó despois um quarto e por i fora até tornar a rodada monumental de 40 mines de cada vez, caté o taberneiro apanha medo e tem que ir chamar a GNR pra acabar com aquilo.
Na rodada de farturas a canzoada também participa, festejando cada momento com rabo a abanar e lembendo os bigodes, mal sabem os bichos que, horas depois, vem a cólica rafeira, caté ganem por esses aceiros afora.

Bem! Se bocemecê, que é um desconhecido, quer entrar numa rodada, siga intão os nossos cunselhos:

Rodada na coletbidade

1) Certifique-se de que existem mais de dois caramelos a buer mines à rodada;
2) Compre uma só pra si e aproxime-se lentamente, com a sua mine na mão, para perto da rodada;
3) Nesse momento os caramelos começam a falar mais alto pra que bocemecê esteja tamém a óbir e, apesar de paracer que estão à cumbersa uns com os outros, na realidade não estão! Eles já só estão a falar pra bocemecê que é desconhecido.
4) Nestas condições não resista muito tempo em silêncio, tem de participar, ou intão o que é que está a fazer feito parbo ali só a obir, a obir, a obir? Hã?
Bem!
5) Tome parte da cumbersa sem tomar parte de ninguém. Se não tiber opinião… tem que ter opinião.
6) Ópois de dar a opinião, imborque a mine toda pu gargalo com grandes goladas e dê baixa à garrafa batendo com ela no balcão (pra que todos bejam que é tamém um home balente, e não um enfezado que beio da Amadora a buer chá pa palhinha).
7) Aguarde uns segundos e… zumba: a próxima rodada já está na baila, e bocemecê ganha uma mine que nem sabe donde ela beio.
8) Olserbe o evoluir do buer. Assim que as mines ficarem meio bazias é bocemecê que agora bai pedir uma rodada à sua conta. A partir deste momento entrou num ponto de não retorno, faça contas à bida, esqueça logo o jantar e o dia seguinte. As rodadas dão boltas e boltas e só acabam quando um home começa a bolçar.


Rodada nas festas


1) Dirija-se ao Pátio Caramelo por bolta da meia noite;
2) Estenda a mão durante alguns segundos;
3) Sinta impurrarem-lhe uma emprial prá mão que nem bocemecê sabe donde ela beio;
4) Imborque a emprial como um home sadio que na tá cá cum mariquices.
5) Peça 10 emperiais e agarre nelas em dois cachos de cinco, infiando os dedos pelos copos adentro, e distribua indiscriminadamente por quem vai encontrando.
6) Repita estes passos tantas bezes quanto possíbel, até chegar a GNR.

Obs. Pode acontecer que a quantidade de empriais que chegam à mão dum home é maior que a capacidade de imborcamento, o que provoca uma acumulação. É comum um home estar a imborcar uma emprial com uma mão, e ter em linha de espera um cacho de cinco empriais na outra. Se isso acontecer saia do Pátio Caramelo, dê umas voltinhas à igreja, e vá abatendo o carregamento entre pinsamentos. Ópois bolte de nobo ao Pátio Caramelo e entre de nobo na rodada ainda com mais balintia.

Resposta de Alfredo Sacá Carica, reconhecido pela obra “A importãinça do copo de plástico na budeira contemporânea”.